Mundo Corporativo: Lindolfo Paiva, da Mr Cheney, fala das estratégias para investir no mercado de doces

 

 

“É muito importante pesquisar bem o mercado e o negócio, entender as particularidades que ele tem. É preciso ter o produto, o conceito certo para o público certo”. E foi seguindo sua própria recomendação que o empresário Lindolfo Paiva montou no Brasil uma rede de franquias no setor de alimentação especializada em cookies e doces americanos. O Lindolfo, dono da Mr Cheney, foi entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, quando falou das estratégias para quem pretende atuar neste ramo.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, e é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo o Paulo Rodolfo, o Douglas Mattos e a Débora Gonçalves.

Assim como nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que é caro, é luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Produtos de luxo têm valor de venda alto, principalmente se comparados aqueles destinados ao mercado de massa. Mas será que um produto ou serviço caros são necessariamente de luxo?

 

Primeiramente é essencial entendermos uma questão a respeito de preço de bens e serviços de luxo: quase não tem nenhuma relação com o dinheiro em si. O consumidor desse segmento se dispõe a pagar um preço alto por qualquer bem que queira comprar, mas, claro, não por qualquer produto. Ele busca o raro, o único e o exclusivo – aquele produto feito exclusivamente para ele.

 

O preço de mercado de um produto de luxo é um dos critérios determinantes de sua vinculação a este seleto universo. Porém, vale lembrar, que, apesar de um produto de luxo comumente ter um valor alto, um produto de preço alto em si pode não ser necessariamente de luxo.

 

Inúmeros são os exemplos e em diversos segmentos: muitos empresários, no Brasil, criam marcas próprias, as direcionam para o mercado luxo, investem em pontos de venda em endereços nobre, desenvolvem produtos de qualidade e, consequentemente, cobram caro por isso. Mas se pensarmos no conceito de luxo propriamente dito, para um produto ser considerado como tal é necessário muito além de qualidade e loja bem montada: marcas de luxo têm décadas, às vezes séculos, de história, prestígio e renome. Estão nessa categoria porque marcaram época.

 

Outro exemplo interessante, encontramos no setor de turismo. Ao pesquisar hotéis em sites especializados, é comum ver, no mesmo destino, hotéis de diferentes níveis com preços similares. O consumidor que, eventualmente, não seja um conhecedor do segmento, no primeiro momento, pode achar que um determinado hotel considerado comum seja tão luxuoso quanto um hotel renomado, tudo por conta do preço semelhante.

 

Não se engane pelas aparências: produtos de luxo têm, sim, um valor de venda mais alto, mas nem todo preço alto determina a qualidade do produto ou o eleva a posição de luxo. Já aprendemos que nem tudo que reluz é ouro!

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em “arketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Duchess Flux, no Flickr, e segue certificado de criação comum proposto pelo autor

Avalanche Tricolor: futebol campeão!

 

Corinthians 1×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Corinthians

 

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

Orgulho de ver o Grêmio em campo (foto de Fabiani Dutra)

 

O intervalo de tempo entre o fim da partida e a escrita desta Avalanche me ofereceu a oportunidade de ratificar pensamento que foi sendo construído no decorrer do jogo na noite de ontem. Naquelas entrevistas feitas na beira do gramado quando os jogadores ainda tentam recuperar o ar e, imagino, a maioria sequer consegue fazer uma reflexão mais profunda sobre o que aconteceu em campo, ouvi de um dos nossos, se não me falha a memória foi o goleiro Tiago, a afirmação de que o empate teria tido sabor de derrota. Imagino que o pensamento se deva ao fato de, jogando na casa do adversário, termos saído na frente no placar para depois cedermos o empate. Justificável a frustração, pois os três pontos fariam uma tremenda diferença e nos ofereceriam uma vantagem incrível na disputa pelo título.

 

Obrigado a ir para cama logo após a partida, por motivos mais do que descritos nestas Avalanches, deitei com aquela frase na cabeça. Durante todo o jogo, minha sensação tinha sido bem diferente, mesmo após o gol de empate, tomado em bola cruzada na área e de cabeça – o que, aliás, não me surpreendeu em nada. Pela maneira madura e qualificada com que o Grêmio se apresentou, a estratégia ofensiva imposta durante toda a disputa, sem abrir mão da marcação forte e precisa, exercida mesmo nos minutos finais quando o cansaço já deveria ter tomado conta do time, além do talento demonstrado por alguns jogadores gremistas, assisti ao jogo com satisfação e orgulho.

 

Em nenhum momento senti o tal sabor de derrota até porque o empate, na casa do adversário, impediu que o líder se desgarrasse na ponta, manteve a mesma diferença de pontos e nos deixou vivo na disputa do título – sim, porque eu vejo o Grêmio com esta pretensão, independentemente dos desfalques e dificuldades que a dupla jornada – no Brasileiro e na Copa do Brasil – gera à equipe.

 

Durante toda a manhã de hoje, a reação que vi de torcedores adversários, em São Paulo, apenas confirmou meu pensamento. O Grêmio saiu de campo ainda mais respeitado do que entrou. Àqueles que apenas ouviam falar do nosso futebol e assistiam à arrancada em direção ao topo da tabela, tiveram a revelação do que nós, que acompanhamos o Grêmio onde o Grêmio estiver, já sabemos há algum tempo: o time montado por Roger é um time campeão, independentemente do que conquiste neste campeonato.

Imigração pode gerar riqueza

 

Carlos Magno Gibrail

 

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Em 2005, Dilip Rhata, economista do BIRD,concluiu estudo em que um aumento de 3% na força de trabalho pela imigração acarretará um acréscimo de 0,6% no PIB. O produto realizado será de US$ 356 bilhões, dos quais US$ 162 bilhões para os imigrantes, US$ 143 bilhões para os países em desenvolvimento e US$ 51 bilhões para os países ricos.

 

Paul Krugman já havia feito um trabalho em que concluiu que, inicialmente, os imigrantes pressionam os salários para baixo, mas em longo prazo há um movimento contrário, pelo retorno dos investimentos.

 

Em 2013,dezenas de renomados economistas da Universidade de Chicago foram perguntados se o americano médio estaria melhor se estrangeiros com baixa qualificação entrassem no mercado de trabalho: 50% Sim, 28% dúvida e 9% não. Entretanto, se fossem trabalhadores qualificados: 89% sim e 5% incertos.

 

Embora a teoria econômica ainda não tenha uma convergência a esse respeito, há até estudos que estimam um crescimento do PIB mundial de 20% se não houvesse barreiras à imigração. O fato é que a maioria dos economistas considera a imigração compatível com a geração de riqueza. E, essa anuência econômica, não tem sido o bastante para que as barreiras à imigração tivessem diminuindo. De um lado pela preservação de culturas locais e atém mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados.

 

Entretanto, a foto do menino na praia, viralizada mundialmente, acelerou um processo que os economistas não tinham conseguido.

 

A emoção suplantou as ressalvas e as nações começaram a se reposicionar. A Alemanha saiu na frente, e vimos na FOLHA de ontem:

“Com sua força econômica, a Alemanha pode receber meio milhão de refugiados por ano a médio prazo, afirmou o vice-chanceler e ministro da Economia, Sigmar Gabriel.”

 

Angela Merkel anunciou que vai destinar 6 bilhões de euros para administrar o grande fluxo de migrantes e afirmou que o fluxo em massa de imigrantes mudará o país, prometendo trabalhar para que estas modificações sejam “positivas”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A imagem deste post foi feita a partir de fotos de refugiados registradas por Patrick Marioné e publicadas em seu álbum no Flickr

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Porto Alegre entregue à violência me faz lembrar Chicago

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Porto Alegre já foi uma cidade relativamente tranquila. Não creio que tenha exagerado quando, num despretensioso texto para minha página no Facebook,a comparei com a velha Chicago que,se não me engano,era uma espécie de sede da máfia dos Estados Unidos e não somente nos filmes que nos acostumamos a ver essa famosa cidade. Ela não era fictícia,mas bem verdadeira. Já a cidade na qual moramos,especialmente nos últimos dias,sofreu uma transformação. Os bandidos locais estão ficando cada vez mais agressivos. A briga pelos pontos de venda do produto em que mergulharam com a cara e a coragem – os tóxicos de todos os tipos – torna-se muito mais violenta a cada dia que passa. O pior é que este recrudescimento não fica apenas nas vilas. Surge em um momento desastroso para a população: os funcionários públicos do governo gaúcho estão em greve. Encontram-se entre eles os que são responsáveis pela proteção do povo: os da Brigada Militar e Polícia Civil. A paralisação é mais do que justa. Os descontos nos salários,porém,não são. Mesmo os professores que não comparecem às escolas em que trabalham é pernicioso, com certeza,tanto para alunos e seus pais,mas não diz respeito à segurança,quem é que não sabe.

 

Quem acompanha a cobertura da mídia não desconhece o resultado trágico,inclusive,da perseguição empreendida pela Brigada Militar, na sexta-feira, que se estendeu por várias ruas e,uma bala perdida – quase sempre existe uma – atingiu um padeiro da Avenida Getúlio Vargas, no bairro Menino Deus, onde, aliás, vivi por muitos anos e meus filhos cresceram, sendo que um deles, o Christian, ainda mora lá. O padeiro, que morreu nesta terça-feira, levava para passear a cachorra da casa,antes que a sua família ocupasse os carros que os levaria ao litoral para aproveitar o feriado.

 

Com a manchete “Crimes e boatos elevam a sensação de insegurança ”a notícia da Zero Hora estampa a fotografia que acompanha o texto. Nessa,mostra o resultado da bomba explodida em Canoas,aliado a falsos alertas espalhados pelo WhatsApp. Até isso serve como uma espécie de arma para espalhar o terror por Porto Alegre e cidades vizinhas. “Assaltos ousados,arrastões,perseguições e arrombamentos,em apenas um dia em cinco agências bancárias pioraram ainda mais a sensação de insegurança como reflexo da paralisação da polícia no Estado.Essa parte do texto pertence ao atilado repórter policial Humberto Trezzi.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Controle do cidadão pode fazer das parcerias público-privadas solução para mobilidade

 

 

Mediar o debate no Connected Smart Cities – Cidades do Futuro no Brasil foi um enorme desafio pois a parte que me coube foi tornar claro ao público de que maneira poderíamos encontrar investimentos para as obras de mobilidade necessárias nas cidades brasileiras. Menos mal que na mesa de discussão havia gente gabaritada, daqui e do exterior. No foco da nossa conversa, estavam as parcerias públicos-privadas, sistema que tem permitido a ampliação e modernização dos sistemas de transportes, mas que, para alcançar o resultado pretendido, depende de regras muito bem definidas e controle da sociedade. No vídeo, gravado logo após o debate, ocorrido no último dia do seminário, em São Paulo, apresento de forma resumida o que penso sobre o tema.

Avalanche Tricolor: faltam seis pontos para chegar ao topo

 

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Brasileiro – Arena Grêmio

 

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

Everton comemora o gol da vitória contra o Goiás (foto do álbum do Grêmio Oficial, no Flickr)

 

Só faltam seis….sim, é isso mesmo, só faltam seis pontos para chegar ao topo.

 

Não, você não está enganado, não! Eu comecei mesmo a contagem regressiva para alcançar a liderança do Campeonato Brasileiro. É provável que você, caro e raro leitor desta Avalanche, estranhe esta minha abordagem. Logo eu, sempre tão comedido, cuidadoso com as palavras, jamais querendo colocar a carroça na frente dos bois – como costumavam dizer antigamente -, estou aqui fazendo projeções tão otimistas?

 

Sei que pode parecer estranho e arriscado, diante do tamanho do desafio e da força dos adversários que disputam o título, mas a partida desta tarde de domingo, teve elementos que me proporcionaram esta confiança.

 

Comecemos pelo fato de que eram oito pontos de diferença do líder antes de a partida se iniciar. Apenas nossa vitória não seria suficiente para nos aproximar do topo da tabela de classificação. Havia a necessidade de os adversários, que continuo tratando com o merecido respeito, cederem dois ou três pontos para a contagem começar. E deu certo. Talvez por linhas tortas, é verdade. Mas foram essas mal traçadas linhas em campo que me trouxeram tal confiança.

 

Hoje, encarávamos mais um daqueles times que estão na categoria “touca” do Grêmio. Confesso desconhecer a origem da palavra, mas imagino que venha da expressão “marcar touca” que significa bobear diante de uma situação qualquer. No futebol, “touca” são aqueles times que, por uma razão não muito bem justificada, costumam ser difíceis de vencer. É sempre contra eles que bobeamos.

 

Para não desmerecer o título que carrega, o adversário, contra toda a lógica da partida, na qual o Grêmio tinha mais de 70% da posse de bola, jogava no ataque, tinha um pênalti à sua disposição e vantagem numérica em campo, graças a expulsão do zagueiro oponente, conseguiu se safar de um gol, com a cobrança de Douglas no poste, e, na segunda jogada de ataque em todo o primeiro tempo, marcar o seu de cabeça. Só mesmo o futebol e seus deuses alucinados para explicar essas distorções. Convenhamos que sequer podemos reclamar deles – os deuses -, pois os mesmos já conspiraram muitas vezes a nosso favor.

 

Em campo, estavam todos os elementos indispensáveis para as coisas darem errado ao tricolor. O histórico contra o adversário era apenas um deles. O pênalti desperdiçado e o gol tomado estavam ali, também, para ajudar a construir esse drama. Bem antes disso, no vestiário, Roger já havia tido a necessidade de montar uma equipe com muitos desfalques e alguns imprescindíveis, que começavam no gol, passavam de forma cruel por dentro da nossa área e se estenderiam até o comando do ataque com nosso goleador e craque Luan mais uma vez cedido para jogar sei-lá-o-que e por sei-lá-quem.

 

A retranca justificável que viríamos a enfrentar no segundo tempo apenas tornaria mais complicada nossa tarefa, pois a falta de espaço atrapalha o toque de bola e impede que o nosso jogo se desenvolva com naturalidade. Quando os times se fecham muito, o ideal é ter um atacante fincado lá na frente a espera de uma espirrada de bola. E nós não o temos.

 

Foi, então, que minha esperança começou a surgir de maneira mais concreta. Pois ficou claro que Roger pediu paciência aos nossos jogadores. Insistiu para que eles não desistissem de jogar como têm jogado desde que ele assumiu o comando da equipe, aliás contra este mesmo adversário, no primeiro turno, quando, só pra justificar o título de “touca”, lembro agora, empatamos.

 

Seguimos mantendo o domínio da bola e acelerando o passe para dar velocidade ao jogo na expectativa de uma brecha para chutar. E não esperamos mais de seis minutos para que isso acontecesse, em jogada que se iniciou na nossa defesa e com uma visão incrível de jogo do zagueiro Geromel – que baita zagueiro, amigo! – que encontrou Everton partindo para o ataque isolado no meio de campo, que viu Bobô se deslocando para a ponta esquerda, de onde cruzou para encontrar Douglas dentro da área. Nosso maestro precisou de apenas um toque para desviar a bola e fazer aquilo que não havia conseguido na cobrança de pênalti.

 

O gol de empate não seria suficiente para tirar a “touca” do caminho e ainda fez o adversário fechar-se mais, o que exigiu nova dose de paciência e muitos passes trocados até encontrar outras oportunidades de gol. Uma foi para fora, a outra ficou perdida entre os zagueiros e houve uma em que o goleiro teve de fazer um milagre.

 

Coincidência ou não, a jogada do segundo gol se iniciou novamente na defesa, desta vez no desarme de Willian Schuster que substituíra o combalido Maicon. Passou pelos pés de Giuliano, Douglas e Yuri Mamute antes de se apresentar para Everton, que, mesmo com o ângulo fechado, conseguiu encontrar um espaço entre as pernas do goleiro adversário e o travessão, onde a bola se chocou antes de entrar. Iria para fora em outros tempo. Desta vez, não!

 

Com os três pontos retomados, restou-nos fazer a bola correr de pé em pé para reduzir o risco de uma nova surpresa. Verdade que ainda passaríamos por um grande susto que me parece ter ocorrido apenas para que pudéssemos ver o nosso goleiro Tiago se redimir das saídas desvairadas que costuma dar sempre que a bola é cruzada na área. Fez uma defesa que mereceu comemoração de punhos cerrados, os dele e os meus.

 

O time mostrou maturidade apesar de todas as mudanças na escalação e adversidades que nós próprios construímos. Superou o histórico e suas fragilidades. Venceu nosso ceticismo e espantou a assombração desta “touca” em momento oportuno.

 

Só faltam seis pontos para chegarmos ao topo.

 

PS: por falar em contagem regressiva,alguém sabe quantos jogos faltam para Erazo voltar?

De quê?

 

Por Maria Lucia Solla

 

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caramba
cada dia
uma vida inteira

 

sempre estreia
nunca meio
ou fim de temporada

 

eu
sempre estrela
que de escada
basta a que tenho em casa

 

quero sim
quero tudo quero mais
quero o melhor da vida
pra ter e dar o melhor de mim
até o fim

 

pra desenterrar
dos meus desertos
o bem-querer sem medo
e o querer bem
crescido no desapego

 

dança
música
arte
quero tudo
na minha medida
desmedida
louca
inconstante
mas minha

 

desassossego

 

mas um belo dia
o quero-tudo abriu os olhos
e se assustou com o que viu no espelho
tinha virado o quero-nada
quero-tudo virou quero-nada!
fazendo bico
chorando
se envergonhando
se desesperando

 

e além disso
eu
que andava de mãos dadas com a esperança
unha e carne
corda e caçamba
não lhe ofereço mais nem a maiúscula
me afastei dela
dei um tempo
quarentena

 

e ela que fique na dela
com sua pompa e circunstância
que eu quero mesmo
é cair na real
no tempo
no amor
na vida
na escrita
no sonho
sim porque até ele
vai se encaixar na real

 

Et voilà!

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: reencontro

 

Por Sidarta S. Martins

 

 

Novamente…
Novamente me envolvo em seus braços
Sinto o calor de seus abraços.

 

A cada reencontro, as lembranças…
Cada lembrança me faz voltar
Voltar a um tempo feliz
Um tempo que passamos juntos
Nos abraçamos, nos envolvemos
Juntos, enlouquecemos…

 

E cada dia mais
Mais e mais
Eu te amei.
Loucamente, profundamente.
Eu te amei.

 

E você me amou.
Amou-me com ternura,
Dedicou-se a mim,
Deu o melhor de si
O melhor que você podia…

 

Você era uma criança
– Você continua uma criança,
Descobrindo, errando
Caindo, levantando, acreditando…

 

Mas me amou!
Amou-me como gente grande
Como nenhuma outra
Fez-me crescer
Mostrou-me a vida…

 

Eu te amo!
Continuo te amando como no passado
Loucamente, profundamente.

 

Abandonei-te, sinto muito!
Você disse que outros a haviam abandonado
E eu?
Eu jurava amor eterno
Mas fui um ingrato.
Sinto muito, te abandonei!
Conheci outras
Procurei novas aventuras
Envolvi-me, me entreguei
Aconcheguei-me em outros braços.

 

Você sabe disso
Eu sei disso
Mas te amo!
Amo-te sempre
Sempre e sempre…

 

A cada volta
Me apaixono novamente.
Sou volúvel?
Não sei!
Sei que te amo!

 

Tuas curvas, às vezes perigosas
Revelam segredos novos e velhos
Sou curioso, sou atrevido, insaciável
Os caminhos estreitos
Os cruzamentos perigosos
Seus sinais…

 

Verde: Vá em frente!
Amarelo: Atenção!
Vermelho: Perigo, muito perigo!

 

Suas colinas, seus vales
Suas avenidas que convidam
Convidam a ir em frente
Sempre em frente…

 

Destemido, quero conhecer mais
Perder-me em seus bosques
Deitar em seu colo
Beber de sua fonte
Embriagar-me novamente.

 

Dá-me tua mão, me conduz
Quero voltar ao passado
E só você tem a receita
Só você conhece meu prato predileto
Os segredos da cozinha alemã
A alegria italiana
A formalidade e a formosura da chinesa.
Minha caipirinha predileta
Meus bares, meus programas…

 

Com simplicidade você me fala de seus poetas
Dos escritores, dos professores
Dos locutores, de seus cantores…

 

Culta, você sabe ser simples
Inteligente, você sabe ser humilde
Rica, você sempre acolheu os pobres
Rápida, você aceita a lentidão
Bondosa e sincera, sempre acredita em promessas.

 

Perdoa-me, te abandonei!
Andei por aí afora
Vaguei pelo mundo
Troquei-te por outras.

 

Mas volto sempre!
Preciso de você
Preciso de seu pulsar
Preciso de seu calor
Nada sou sem te ouvir.

 

Dá-me tua mão
Leva-me por aí afora.

 

Você é meu norte
De norte a sul.
Você é meu leste,
De leste a oeste.
Você é santa!
A única em minha vida com nome de santo.
São Paulo…

 

Amo-te!
Amar-te-ei sempre!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando texto para milton@cbn.com.br