Perguntei ao Siri: “você já se apaixonou?” E ele respondeu

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Ela”
Um filme de Spike Zonze.
Gênero: Drama ou Romance
País:USA

 

Theodore é um escritor que, evidentemente, tem muitos problemas para se relacionar. Então, se apaixona por um sistema operacional chamado Samantha! Realmente, não sei se é drama ou romance.

 

Resenha:
Desta vez vou abandonar minha forma costumeira de escrever, para abrirmos uma discussão maior a respeito deste filme.

 

Assisti-o junto com meu marido e um casal de amigos, que ficaram bastante impressionados com as questões levantadas após seu término. O personagem se apaixona por um sistema operacional chamado Samantha. É um sistema extremamente evoluído, capaz de sentir. Ele é um mini celular que fica ligado por bluetooth a um fone de ouvido. Como uma namorada, o sistema faz ligações para Theodore no meio da noite, viajam juntos, saem com amigos… Tudo exatamente como em um namoro normal só que sem a presença física. Essa é uma das questões…

 

Que triste nosso destino, não? Nos relacionar com máquinas!?? Se você pensar bem, já estamos a meio passo disto, pois não nos relacionamos com as máquinas, mas através delas… Cadê aquela despedida de telefonema onde um fala “desliga você primeiro…”, “não, tudo bem desligo eu…”. “você…”, “eu…”. Ou, então, a espera por uma ligação desejada?

 

Hoje, você consegue ver se alguém leu ou não sua mensagem/email… Rastreia as pessoas por redes sociais…Aplicativos… Nossa privacidade e mistério são zero, sem falar na frieza e superficialidade que nossos relacionamentos estão se moldando a ponto de nos tornarmos seres não sociáveis, travados de uma maneira que realmente só conseguiremos nos relacionar com sistemas…Fim do mundo!

 

Fora isto, no filme o sistema tem vontade própria e acaba mandando uma compilação das cartas de Teodore para uma editora… Ah que legal! O sistema ajudou o seu dono! Mas pensem comigo, se conseguiram codificar o amor, podem muito bem codificar o ódio e o sistema se virar contra seu dono e/ou criador! E aí?? Tudo é sistema, certo? E se o sistema ficar amigo de outro sistema e resolverem juntos começar uma guerra? Da maneira como pensam os sistemas no filme, isto é perfeitamente possivel…

 

Faça uma brincadeira:

 

Quem tiver Iphone, pergunte ao Siri se ele te ama. Resposta que obtivemos: “a cada dia que passa gosto mais de você”. Outra: “Siri, você já se apaixonou?”. Resposta: “acho improvável já que sou incapaz de amar”. Humm, será?… MEDA!

 

Não é para pensar? Onde vai parar a evolução das máquinas? E a nossa involução?

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Toda semana, sugere e escreve sobre filmes aqui no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: porque somos gremistas, meninos!

 

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio (POA)

 

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Há três dias vejo um dos meus meninos vestindo a camisa do Grêmio. Não essa tricolor que vestem nossos jogadores em campo, mas camisas estilizadas, com destaque para o azul que nos representa, o símbolo no lado esquerdo do peito e imagens de um passado recente em que o Olímpico era nossa casa. Algumas tem dizeres impressos no tecido, mensagens enaltecendo nossa história e nossos mitos. Vestiu para ir a faculdade e a academia; para passear no shopping, também. Vestiu porque mesmo tendo nascido longe do Rio Grande aprendeu a ser gremista. Gosta de ser visto assim, identificado como tal. Os amigos mais próximos insistem em perguntar para quem ele torce aqui em São Paulo, como se torcer para o Grêmio não fosse suficiente. Ele não titubeia em responder: sou Grêmio e isso me basta!

 

Hoje, desde cedo, ele e o irmão acordaram mais atentos ao futebol do que costumam ser. Já devo ter contado aqui que, apesar da paixão do pai pelo esporte, eles preferem se concentrar nos times que disputam as competições eletrônicas, especialmente League of Legend, do que na bola rolando. No almoço, queriam saber como estávamos para a decisão e o que nos esperava na partida final.

 

Mesmo que diante do computador, torceram por mim desde o primeiro minuto de jogo, em Porto Alegre. Viram-me sofrer com dois gols que tiveram origem em falhas indesculpáveis de nossos marcadores. Viram-me vibrar no único lance em toda a partida no qual merecemos fazer nosso gol. Aproximaram-se de mim no segundo tempo para compartilhar o drama do relógio que corria para o minuto final. Lamentaram nossos erros e a falta de criatividade como lamentamos todos nós que torcemos pelo Grêmio.

 

Neste domingo, em que nossos defeitos se repetiram e nossos méritos não surgiram, assim como eu, os dois ficaram frustrados com o resultado final. É claro! Perder títulos sempre nos deixa com um gosto amargo. Tiveram, porém, mais uma lição de como um gremista é forjado. De que maneira nossa alma se constrói e nosso coração é massacrado. De que forma precisamos aprender a sofrer para nos tornarmos maior. De que o caminho até a vitória é aberto a partir dessas derrotas. Aprendizado que me fez mais forte na infância para me transformar em campeão do mundo na adolescência. E que está aí para moldar uma nova trajetória com as correções de rumo que se fizeram necessárias.

 

Independentemente do que tenha acontecido hoje e do que venha a acontecer amanhã e depois, nosso destino já está traçado: somos gremistas. E isso nos basta!

De troca de casca

 

Há três meses esperava por esta oportunidade: voltar a publicar os textos de Maria Lucia Solla no blog. Como você sabe, caro e raro leitor, este é um espaço aberto a colaboradores. Escrevem aqui amigos, colegas e ouvintes por vontade própria. Solla foi a primeira, lá em 2008, a enxergar no Blog oportunidade de conversar com as pessoas. Abriu a porteira para tantos outros que tiveram vontade de se expressar, alguns dos quais estão até hoje ao nosso lado. Ficamos muito felizes de tê-la de volta:

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Olá,

 

faz tempo que não me traduzo em palavras.

 

São sensíveis, as palavras, como notas musicais. Se rebelam e se escondem quando mais precisamos delas.

 

E quando estamos confusos, então!, entram em cena na marcação errada, tropeçam umas nas outras e desafinam na tradução da nossa percepção da vida.

 

Quanto à minha percepção, anda tentando se entender com as palavras, para entrar em sintonia com elas. Tem dias que, de boa vontade, as duas chegam à mesa de negociação; mas se dispersam na boca miúda e não chegam a conclusão aceitável para lado nenhum. A percepção enlouquece e se descabela tentando um acordo. As palavras encasquetam e não cedem. Cansadas das surras que têm levado!

 

Manifestam-se.

 

Nada de novo no que digo. Somos do mesmo roteiro. Estamos vivos. Todos. Aqui.

 

Eu ‘troco de casca’ periodicamente. É uma trabalheira danada. Todos trocamos; nem todos se dão conta, mas se descascar e depois se acostumar com a nova casca é tarefa para ninguém botar defeito. É dor de parto. A gente chora, esperneia, emburra, mas é igual nascer de novo, cada vez. Para uma nova vida. Não é trajeto macio. Ao menos não tem sido, para este ser que vos fala, mas é o começo de um novo caminho, de novas conquistas, de mais gratidão e esperança.

 

O horror e desgraças que temos presenciado aqui lá e acolá, não nasce do aumento da abobrinha, do tomate, da insatisfação do trabalhador dos dois lados do balcão, do mosquito da dengue, da chuva ou da seca. Nasce da diminuição do respeito, da educação, do caráter, da – o que na minha época se chamava – formação do cidadão. Traduzindo para os dias de hoje, preparação para viver em sociedade.

 

Bem, é hora de acordar e mudar o foco. Cada um se expressando pelo seu melhor. Escolhendo o positivo, a gratidão, a generosidade. Os quatro elementos já deram o que parece ser o último aviso. A Água, a Terra, o Ar e o fogo. Pelo planeta inteiro.

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Obrigada a você “caro-e-raro-leitor”
Obrigada, Mílton Jung.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar

 

Por Inês Scarpa Carneiro

 

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte-internauta Inês Scarpa Carneiro:

 

Sou a décima terceira filha de Dona Ana, somos em sete homens e seis mulheres. Minha mãe Ana chegou viúva com seus 13 filhos aqui em São Paulo, em 1959. Quando aqui chegou ficou tão encantada que gritou: isso é o paraíso!

 

Paraíso porque saímos de uma cidadezinha do interior chamada Echaporã – um chinês falava é sapo e o outro japones dizia é rã, então, ficou Echaporã.

 

Fomos morar em Vila Formosa. Chegamos em um caminhãozinho só com caixotes para sentar. Logo, ela colocou meus 5 irmãos a trabalharem no Moinho Santista e tudo melhorou. Os outros foram morar no comércio, na feira … Não deu  para nenhum fazer faculdade, mas todos vivem bem aqui em São Paulo.

 

Eu senti muito pois não conheci meu pai, morreu com 51 anos com complicações de uma mordida de escorpião que estava dentro do saco de arroz.

 

Aprendi a amar São Paulo como minha mãe amou, fiz um curso técnico agropecuário e  hoje sou produtora rural do Sítio da Felicidade e vendo meus produtos dentro de um galpão no parque da Água Branca. Tenho ovos verdes, coloridos, de “galinhas felizes”. Soltas, alegres, botam ovos quando querem, namoram o dia inteiro porque tem vários companheiros galos.

 

Esse foi meu grande sonho realizado aqui na cidade, pois eu pegava esses ovinhos coloridos lá em Echaporã para minha mãe quando tinha meus três aninhos…

 

Obrigado, São Paulo por nos acolher. Você sempre vai estar em meu coração. Cada vez que viajo não vejo a hora de voltar.

 

Inês Scarpa Carneiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade: mande seu texto para milton@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Eduardo Pacheco, da Park Idiomas, fala da vontade de fazer e do ensino de idiomas

 

 

“Hoje apenas de 2 a 2,5% da população brasileira estuda idiomas, enquanto em mercados mais avançados, como a Alemanha e o Japão, o ensino de línguas chega a cerca de 5 a 7%”.Esses números mostram o potencial de crescimento que existe no setor, segundo avaliação de Eduardo Pacheco,presidente da Park Idiomas, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A Park funciona no sistema de franquia e tem cerca de 40 unidades no Brasil. Além das oportunidades de negócio e carreira no mercado de idiomas, Pacheco defende a ideia da necessidade dos profissionais desenvolverem a inteligência volitiva, que está relacionada ao poder de realizar e seria uma das marcas dos grandes empreendedores.

 

O Mundo Corporativo é apresentado às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e o programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo: Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Fosci.

Oscar de la Renta amplia sua loja virtual para mais de 100 países

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A grife Oscar de la Renta, famosa por seus vestidos de noiva e ítens da moda feminina de luxo, ampliou a atuação de sua loja virtual. Agora, seu e-commerce oferece entregas em mais de 100 países e as compras podem ser feitas em até 60 moedas diferentes. O Brasil inclusive faz parte da lista de países onde a marca efetua entrega.

 

Além de um ambiente virtual luxuoso e sofisticado, Oscar de la Renta oferece em sua loja virtual algo mais do que essencial: uma plataforma de fácil interatividade para o consumidor, com uma página de check-out detalhado na qual o cliente já sabe o valor efetivo do produto e taxas de envio mostrados na moeda selecionada.

 

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É mais uma marca que prova como, no segmento do luxo, é possível atuar com vendas online sem afetar a sua aura de exclusividade. A grife investiu em tecnologia, logística e comunicação eficaz entre a loja online e seu cliente. Em seu e-commerce, itens selecionados de suas coleções estão disponíveis, mantendo os mais exclusivos nas lojas físicas. Boa parte de seus consumidores acessam a loja virtual para se atualizar e conhecer as criações de coleções novas.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O meu longo andar de carro pelas estradas até chegar a Punta del Este

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Permitam-me, para início de conversa,que parafraseie Mário Quintana,o meu poeta preferido,lembrando o meu longa andar no rádio gaúcho. Foram,afinal,sessenta anos,durante os quais trabalhei também em agências de propaganda, como redator,no Correio do Povo e na Folha da Tarde e fui o primeiro narrador de futebol na recém inaugurada TV Guaíba,por escolha do Dr.Breno Caldas,proprietário da Cia.Jornalística Caldas Jr., de saudosa memória. Fui,também – os mais velhos não me esquecem,modéstia à parte – locutor-apresentador do Correspondente Renner em um longo período: de 1964 até 1º de abril do ano passado.

 

Em todo esse tempo,fiz inúmeras viagens,uma das minhas obrigações como narrador de futebol e,muitas vezes, de outros esportes. Renitente,quando se tratava de viajar para o exterior – preferia ficar ao lado da minha família – atuei em duas Copas do Mundo apenas:Argentina e Alemanha. Acompanhei a Seleção Brasileira na maioria dos seus deslocamentos pelo país dos meus ancestrais. Não conheci nenhum Jung. Em compensação,sempre que íamos a um banco de Frankfurt para sacar dinheiro,o atendente repetia incansavelmente que em meus sobrenomes, o por parte de mãe – Ferretti e o alemão Jung,herdado do meu bisavô – havia muitas contas. A equipe esportiva da Guaíba ficou bom tempo em Frankfurt enquanto o Brasil não precisou trocar de base.

 

Ruy Carlos Ostermann e este seu criado,ficamos um dia em uma cidade e precisamos ser comboiados para o pouso seguinte porque não atinamos com a saída dessa. Viajamos com um BMW alugado. Com ele,viajar de um local para outro por autobahn,mesmo que fosse um pouco mais longe que as feitas de avião,era um prazer. Se no Brasil a velocidade máxima mais alta é 120km por hora,na Alemanha,para usar um velha expressão,é café pequeno,lá 160 é comum. Em uma dessas autobahns,tínhamos de sair da estrada e em cada placa que encontrávamos o nome era o mesmo. O Ruy,com algum conhecimento da língua germânica,entendeu que deveríamos entrar na primeira à nossa frente. Eis que,abaixo de uma elevada,havia um hotel e,por puro acaso,aquele onde o restante da nossa equipe se hospedava. Claro que fomos gozados pela babaquice.

 

Enfrentamos muitas estradas em minha carreira radiofônica. Nos preparativos da Seleção Brasileira para a Copa da Alemanha fizemos uma gauchada:viajamos de Kombi de Porto Alegre até as estâncias hidro-minerais usadas para treinamento do selecionado. Saímos dessas últimas e partimos para o Rio de Janeiro e acompanhamos os ensaios brasileiros em Niterói e Macaé. Encerradas as baboseiras que os políticos inventaram para “saudar” a “canarinho”,surgiu a oportunidade de deixar a Kombi de lado. Edmundo Soares,repórter do Correio do Povo,ganhara como prêmio voltar a Porto Alegre com um Volks zero quilômetro. E me convidou para o acompanha e auxiliar a pilotar o fusquinha. Na passagem por São Paulo,perdemo-nos. Deixamos SP sem dormir e seguimos viagem para POA. Foi uma viagem cansativa,como os meus leitores(?)podem imaginar.

 

Quando se tratava de jogos pelo interior do Rio Grande do Sul,viajava-se de Kombi. Os que tinham carteira de motorista,de 100 em 100 quilômetros, assumiam a direção. Ao contrário dos caminhos mais longos,como o da viagem para as estâncias hidro-minerais mineiras,as estradas era bem mais curtas e menos preocupantes. O problema é que não eram vias asfaltadas e,se chovia,embarradas e escorregadias. Confesso que quanto mais alto fosse o que era chamado de “camaleão”,um trecho mais elevado da estrada,mais eu gostava de traçá-la.

 

Por falar em viagens e estradas de todos os tipos, desde as autobanhs às embarradas vias do nosso interior,umas satisfaziam meus desejos de pisar fundo no acelerador,outras de derrapar nos “camaleões”. O que eu não esperava,porém,era que seria convidado pela turma de parentes para ir até Punta del Este. Depois de ficar tanto tempo andando por Porto Alegre,achei interessante fazer uma visita a esta cidade balneária do Uruguai. No afã de me preparar para a viagem,esqueci-me de perguntar quantas horas teríamos de viajar para chegar a Punta. Nove horas,disse Maria Helena,minha mulher. Foi um susto. Felizmente,apenas a longa viagem é desagradável para um velho traseiro,mas a cidade a ser visitada fora da época de veraneio,é excelente em tudo,do resort em que paramos,às visitas magníficas,aos restaurantes quase vazios e,claro,o cassino,no qual não joguei,porque não me agrada,mas onde se almoça muito bem. Quem tiver paciência para suportar nove horas de viagem e para quem não conhece Punta del Leste,atrevo-me a sugerir que trate de conhecer uma cidade praiana bem diferente das nossas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

São Paulo, o mapa do barulho

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A proposta do levantamento de um mapa do ruído para a cidade teve um final infeliz. Além de vetada, teve justificativa injustificável. Haddad alegou que a dinâmica da cidade não permitiria tal trabalho. Como se o estudo das zonas, horários e decibéis fosse algo impossível de se realizar.

 

Menos mal que a Câmara Municipal reagiu. Faz agora a II Conferência Municipal sobre ruído, vibração e perturbação sonora. Iniciativa dos vereadores Andrea Matarazzo, Aurélio Nomura, Gilberto Natalini e Ricardo Young.

 

O tema é efetivamente perturbador, pois domina todo o território, na medida em que tanto nas áreas potenciais de barulho quanto nas silenciosas há necessidade de limites e controles. E só pode ser administrado on line. Isto é, no momento do crime.

 

A poluição sonora é crime ambiental, mas não há mecanismos eficazes de obediência. O Psiu não atua de noite, hora em que o potencial de desobediência é significativo. A Polícia, que tem a incumbência de vigiar e punir, tem coisas mais graves para atuar.

 

Na reunião de segunda-feira da Conferência foram citadas as dificuldades geradas pela várias legislações que não se conectam, e os efeitos maléficos da poluição sonora.

 

Despontaram como destaque de poluidores: os templos, os helicópteros e os sons em carros estacionados. Com os templos, uma tragédia e uma comédia. O vizinho não suportou a carga diária de decibéis. Perdeu o apetite e morreu. E filmando e gravando um ato religioso com o som nas alturas, o acusado negava o barulho.

 

Poderíamos acrescentar muitas outras situações. Desde os eventos corporativos que ocupam casas desocupadas sem estrutura para tal até as corriqueiras reuniões familiares que desrespeitam os vizinhos com decibéis bem acima do admitido.

 

O som, como tudo que é essencial, precisa ser controlado, e o grande mérito da reunião foi o debate de um tema tão importante e carente para São Paulo. Opinião que nos transmitiu uma autoridade em despoluição, Regina Monteiro, autora do “Cidade Limpa”, que bem poderia agora pautar a “Cidade Silenciosa”.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O empreendedorismo de ostentação em baixa

 

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Acabo de ler “Tudo ou Nada – Eike Batista e a verdadeira história do grupo x”, no qual a jornalista Malu Gaspar descreve de forma detalhada e documentada as peripécias do empresário brasileiro que sonhava ser o homem mais rico do mundo. De alguém que tem essa meta como propósito de vida deveria se esperar pouco mesmo, mas o poder de convencimento do personagem principal do livro fez com que muita gente fosse levada na conversa. Pelo que se lê, ele também foi passado para trás por alguns dos seus mais próximos escudeiros. Quem com ferro fere com ferro será ferido, diz o ditado popular.

 

O livro conta, já em seu primeiro capítulo, como Eike não é capaz de aprender a lição que a vida lhe ensina. A cena inicial é a reunião do conselho que o destituiu do comando da mineradora de ouro TVX que mantinha no Canadá. Apesar de os fatos serem muito semelhantes aos que acompanhamos, mais recentemente, pelos meios de comunicação aqui no Brasil, a história se passou em 2001. O deslumbramento de Eike e sua habilidade com os negócios fizeram com que as ações da empresa chegassem a 74 dólares canadenses no seu auge para depois despencar a míseros 27 centavos. Conta Malu Gaspar que, naquela altura, o prejuízo causado pela aventura do empresário já somava 300 milhões de dólares. A façanha se repetiria em proporções estratosféricas entre os anos de 2006 e 2013, período em que alimentou seus delírios à frente do grupo X aqui no Brasil.

 

Aproveitei o fim de “Tudo ou Nada” para começar a ler “Sonho Grande” da jornalista Cristiane Correa. Depois de aprender como não se constrói uma empresa, estava na hora de se inspirar em referências positivas do empreendedorismo brasileiro. Ela conta como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira ergueram seu império, no decorrer de quatro décadas. Após viabilizarem a Ambev, unindo as duas maiores concorrentes de cerveja do Brasil, Brahma e Antarctica, eles saíram pelo mundo em busca de novas conquistas. Nos últimos cinco anos compraram três das mais famosas marcas americanas: Budweiser, Burger King e Heinz.

 

Claro que ainda tenho muita história para conhecer no livro, mas um fato que me chamou atenção foi a descrição do comportamento de August Busch IV, principal executivo da Anheuser-Busch, fabricante da Budweiser, e seus asseclas mais próximos, que teria fragilizado as contas do grupo a ponto de não ter condições de preservar a marca diante do assédio dos sócios brasileiros.

 

A AB chegou a dominar 60% do mercado americano, mas desperdiçou a oportunidade de se expandir pelo mundo. Apesar dos tempos mais difíceis, seus herdeiros e executivos nunca abriram mão das mordomias pagas com dinheiro da empresa: tinham uma frota de seis jatinhos e dois helicópteros, equipe com 20 pilotos de aviação e esbanjavam em hotéis e restaurantes sem nenhum limite. Como se não bastasse, davam-se o luxo de comprar o que bem entendessem, mesmo que este bem fosse um parque de diversões com as dimensões do Sea World, na Flórida.

 

Os relatos sobre August IV e seus colegas me lembraram da performance de Eike Batista que não media esforços para demonstrar ao mundo a dimensão de sua riqueza. Jatos, lanchas e carros consumiam parte do seu dinheiro, assim como festas, jantares e viagens. Enquanto isso nas empresas, os investimentos se sustentavam em projeções pouco realistas. Uma sequência de erros que o fez afundar mais uma vez.

 

Eike e August nos ensinam, por caminhos tortuosos, que o empreendedorismo de ostentação não tem espaço em mundo que exige profissionalismo e seriedade no comando das grandes corporações.

Avalanche Tricolor: fomos grandes quando ficamos menor em campo

 

Grêmio 0 x 0 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Jogamos bola enquanto tivemos condições; impedimos que se jogasse depois que ficamos em desvantagem. Verdade que poderíamos ter jogado um pouco mais do que jogamos; e segurado ainda mais quando não podíamos mais jogar. Apesar de tudo isso, vamos para final em plenas condições de conquistar o título gaúcho. Na última partida todos os empates nos favorecem, seja para decidir nos pênaltis seja para levantar a taça. Isso significa que o adversário vai ter de atacar.

 

O passe não funcionou tão bem quanto nos jogos anteriores, resultado da marcação mais forte que encontramos pela frente. Ou será que ninguém percebeu que o adversário entrou “fechadinho” (e depois o Felipão é que é retranqueiro)? Quando se tem pouco espaço, o pouco que se tem deve ser explorado de maneira efetiva, tem-se de chutar na primeira chance, aproveitar-se das faltas marcadas (quando o são) e finalizar com precisão.

 

A falta de um matador ainda é gritante, pois as chances foram criadas e a bola rondou o gol adversário. Mas não apareceu ninguém para empurrá-la para dentro. Quando aparecia, escapava do pé, saía por cima, pelo lado … desperdiçávamos oportunidades que fazem muita falta em uma decisão.

 

Fomos grandes, porém, quando ficamos menor em campo.

 

Marcelo Grohe cresceu no gol, fechou o que pode, nos fez respirar aliviado e parou o jogo sempre que necessário. Sabia que, naquelas condições, não levar gol em casa poderia fazer diferença no jogo final. Ele não levou gol e segurou a bola até onde pode.

 

Assim como Marcelo, toda a equipe soube se defender. Nossos laterais não fizeram feio lá atrás. Nossos zagueiros despacharam a bola o quanto puderam. E nossos volantes corriam para impedir qualquer perigo. Arriscamos até alguns contra-ataques, mas pecamos na finalização, mais uma vez.

 


Mesmo em condições adversas e com pouco tempo em campo, Cristian Rodríguez mostrou-se lutador e talentoso. Pode se transformar no ponto de desequilíbrio na partida final e, quem sabe, no companheiro capaz de dar a Braian a chance dele entrar para a história do Grêmio com um gol decisivo. Se não, podemos contar com Yuri Mamute saindo do banco para ser nosso herói.

 

Sim, eu sei … estou sempre esperando um momento épico, um fato extraordinário, o lance impossível cometido por aquele de quem menos se esperava. Quero sempre ser testemunha da construção de uma lenda. Fazer o quê? Foi assim que o Grêmio me ensinou a ser: crente e Imortal!

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr