Venha declarar sua paixão por São Paulo, neste sábado, na CBN

 

5390270278_3c1bc4a4d3_z

 

Se você é apaixonado por São Paulo já está convidado a participar do programa CBN SP – especial, em homenagem aos 461 anos da cidade, que será apresentado, neste sábado, dia 24 de janeiro, a partir das 10 da manhã, no Pateo do Collegio. O Thiago Barbosa e eu estaremos recebendo convidados da área cultural, artística, esportiva e ambiental que falarão sobre suas experiências na capital paulista e as ações que desenvolvem para ajudar a cidade a crescer e melhorar a qualidade de vida.

 

Os ouvintes também terão espaço para declarar seu amor pela cidade. Desde às 9n horas da manhã, a CBN terá locais abertos para que o cidadão paulistano grave uma mensagem para São Paulo. Esses depoimentos serão publicados no site da rádio CBN para você compartilhar com os seus amigos nas redes sociais.

 

Participarão das conversas no palco central, do Pateo do Collegio, Andre Sturm, diretor do Museu da Imagem e do Som e responsável pela reabertura do Cine Belas Artes; Eduardo Kobra, artista plástico, criador de vários painéis de grafite da cidade, alguns representando uma São Paulo do início do século XX; Stela Goldenstein, ambientalista, diretora da ONG Águas Claras do Rio Pinheiros; e os comentaristas da CBN Juca Kfouri e Gilberto Dimenstein. Durante todo o programa vamos ouvir a música de Negra Li que estará ao vivo também declarando a sua paixão por São Paulo.

 

Ouça aqui a chamada para a festa da CBN:

 

Pena de morte nivela o Estado ao criminoso, diz filósofo Renato Janine Ribeiro

 

pena_de_morte_capa

 

O Brasil é pioneiro na abolição da pena de morte, apesar de a Constituição Federal ainda prever essa punição em caso de crimes cometidos em tempo de guerra. A mesma Constituição impede a pena capital em qualquer outra situação ao tratá-la como cláusula pétrea – e aí virá o constituinte a discutir se estas têm sentido. Quem sou eu para me meter com os especialistas? Deixo a discussão jurídica aos estudiosos da lei.

 

Dos tempos em que vigorou no Brasil, a pena morte cabia apenas aos escravos. Gente rica, por mais bárbaro que fossem os crimes cometidos, jamais seria enforcada. Exceção feita ao fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, acusado de matar família de colonos, na metade do século 19. Foi condenado e morto. Justiça? Não, vingança. Em entrevista à BBC Brasil, o jornalista Carlos Marchi, autor do livro “A Fera de Macabu”, disse que Coqueiro tinha inimigos políticos na região, que exerciam influência na política, no judiciário e também na imprensa. Mais tarde surgiram indícios de sua inocência. Como escrevi: era tarde.

 

Com a Proclamação da República – e sem escravos para punir – veio o fim da pena de morte, que voltaria a ser prevista no Regime Militar, no código escrito pelos milicos em 1969. Ainda bem, jamais levada a cabo.

 

O fuzilamento do traficante brasileiro Marco Archer na Indonesia trouxe a discussão de volta e as diferenças ficaram evidentes nos debates públicos proporcionados pela internet. Texto que escrevi no fim de semana, originalmente no Blog do Milton Jung, me aproximou de muitas opiniões e revelou personalidades. Nem todas com argumentos muito firmes, mas sempre determinadas: a favor ou contra. No que escrevi, parece-me, não ficou dúvida: sou contra a pena de morte. Quanto aos argumentos que usei, julgue você mesmo.

 

Volto ao assunto, hoje, porque entrevistei, sobre o tema, no Jornal da CBN, o filósofo Renato Janine Ribeiro que definiu a defesa da pena de morte como “a solução para os ignorantes”. Para ele, boa parte da argumentação dos que se dizem a favor da punição está construída sobre o ódio e não se sustenta. Não que o pensamento do respeitado filósofo precise do meu respaldo, mas sempre disse que toda sociedade que age com ódio, erra. Não devemos ser movidos pela vingança, apenas pelo desejo de justiça.

 

“A ideia de matar pessoas quais quer que sejam os crimes é uma ideia fácil de vender para um público assustado pelo aumento da criminalidade”, disse Janine, ao comentar a política de combate ao tráfico de drogas, promessa de campanha eleitoral, do presidente da Indonésia, que fez até um plano de metas: cinco execuções por mês. Está cumprindo. Janine mostra que a pena de morte não tem qualquer influência nos índices de violência. Nem para o bem nem para o mal. Além disso, impõe duas situações dramáticas: a impossibilidade de corrigir um erro judiciário e o nivelamento do Estado ao criminoso. Considera ser esta uma saída simplista com a qual se deixa de discutir a violência e a criminalidade dos pontos de vista da miséria social, da ética e da moral:”para problemas difíceis sempre se tem uma solução fácil e errada”.

 

Ouça aqui a entrevista completa do filósofo Roberto Janine Ribeiro, ao Jornal da CBN

Conte Sua História de São Paulo – 461 anos: meus passeios na Galeria do Rock e o cheiro do churrasquinho grego

 


Por Rogério Loro

 


 


Quando meus pais disseram que mudaríamos para a cidade de São Paulo, eu sabia que muita coisa seria diferente na minha vida. Imagina o que seria para um garoto de 14 anos que nasceu e viveu em uma cidade do interior, se mudar para a capital.

 


Nossa nova casa ficava em uma rua sem saída no bairro da Vila Formosa, bairro que tratei logo de explorar com minha bicicleta. Pedalando em meio ao trânsito local, pude conhecer lugares como o Mercado Municipal, o CERET, a Praça Sampaio Vidal e a Praça Silvio Romero.

 


Fui estudar na escola SENAI na Rua Anhaia no bairro do Bom Retiro e para chegar até lá utilizava o Metrô saindo da Estação Tatuapé, passando pela Sé até a Luz, mas na volta dava preferência ao trem que saia da Estação Brás, pois ele era mais barato que o Metrô e o dinheiro economizado, eu juntava com o que meu pai me dava, para comprar meus discos e camisetas na Galeria do Rock no centro, lugar que conheci com meus amigos de escola.

 


O centro de São Paulo era um paraíso para nós, lá ficavam além da Galeria, a maioria dos cinemas, lojas de troca de discos e livros e componentes eletrônicos. Ruas como a Barão de Itapetininga, 7 de Abril, Santa Ifigênia e a Praça da República, faziam parte do nosso roteiro particular em busca de novidades e claro, dos inesquecíveis carrinhos de Churrasco Grego com suco grátis, que alimentavam toda a molecada com um precinho bem camarada. As recomendações de meus pais eram sempre as mesmas: “-Tome cuidado nas ruas, pois é muito perigoso andar pela cidade e não fique comendo bobagens por aí”. Ah, nossos pais sempre exageram, a cidade nem era tão perigosa e os lanches e as esfihas da Rua Mauá nem eram tão porcaria assim. No Vale do Anhangabaú, eu e meu pai pegávamos os ônibus da CMTC em direção ao Morumbi para assistirmos aos clássicos do Timão, ou quando os jogos eram no Pacaembú íamos caminhando da Praça Marechal Deodoro até o estádio, e sempre tive a impressão que as caminhadas eram sempre mais curtas do que nossas conversas.

 


Passei minha adolescência e me tornei um adulto, casei e constitui família sempre aproveitando todas as inúmeras oportunidades que a cidade oferece, cheguei a retornar para Jundiaí minha são cidade natal, mas acabei voltando para São Paulo atraído pelas inevitáveis oportunidades profissionais que ela oferece.

 


Hoje sigo minha vida ainda pedalando pela cidade, em meio a um trânsito muito pior do que na década de 80, a Galeria do Rock hoje parece ter muito mais jovens fantasiados de roqueiros do que aquela molecada da época com correntes de xaxim das samambaias da mãe penduradas no cós da calça, o centro da cidade me parece mesmo perigoso como os meus pais diziam, para ir aos jogos do Corinthians não preciso mais ir ao Vale do Anhangabaú, apenas caminho até o Itaquerão que fica próximo da minha casa, agora sem a companhia e as conversas com meu pai. Os lanches de Churrasco Grego?

 


Alguns ainda estão pelo centro da cidade, me falta agora coragem para comê-los.

 


Rogério Loro é personagem do Conte Sua Historia de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também a sua história da nossa cidade, escreva para milton@cbn.com.br

Sinto tristeza e pena da morte de Marco Archer

 

marco-archer-cardoso-moreira-size-598

 

Neste sábado, senti tristeza alheia. Sentimento estranho porque não deveria nos pertencer. A tragédia não é minha, está distante da minha família e ocorre com pessoa de quem tenho quase nenhuma referência. Sei tanto quanto você sabe, assistindo ao noticiário. A tristeza que me tocou foi pelo fuzilamento de Marco Archer, condenado a pena máxima por tentar entrar na Indonésia com 13 quilos de cocaína escondidos em uma asa delta. Ele estava há 11 anos na prisão e havia completado 53 de vida, pouco mais do que eu, o que me faz acreditar teria muitos outros pela frente, não fosse o erro grave que cometeu. A vida se foi diante de um pelotão de 12 soldados que portavam rifles, sendo que apenas três deles realmente tinham balas de verdade para matar.

 

Todos sabemos que Archer cometeu um crime e tinha consciência do risco que corria ao aceitar a oferta que, segundo ele, o ajudaria a pagar dívida hospitalar que contraiu após tratamento por acidente sofrido. Percorreu o caminho mais perigoso, talvez por estar acostumado com as coisas aqui no Brasil, onde a impunidade é a regra. Tudo conspirou contra a vida de Archer, a começar por seu próprio ato. Além de ser flagrado pelos agentes de segurança no Aeroporto de Jacarta – por onde imagino passem outros tantos sem serem importunados -, ainda se deparou com um presidente que acaba de se eleger com a promessa de ser implacável com os criminosos condenados à morte por tráfico de drogas. Assassinar Archer e mais 63 traficantes que já tiveram pena decidida foi promessa de campanha. E lá parece que eles cumprem com suas promessas, mesmo que sejam bárbaras. Mesmo que incompetentes para dar uma solução às drogas.

 

Sei, também, que o consumo de drogas tem causado danos profundos a pessoas doentes e suas famílias. Um parente viciado faz com que a doença se espalhe como metástase, contamina a todos, quando não os mata. Provoca sentimentos dúbios de compaixão e ódio. Põe em dúvida nossas convicções de respeito à vida. E nos faz sofrer mais ainda quando a morte do viciado traz alívio em lugar que deveria ser destinado à tristeza. Sim, as drogas nos matam. Mas isto não me faz desejar a morte de ninguém.

 

A imagem de Archer, com cara de bonachão, olhar assustado e voz arrependida apareceu com frequência nas nossas casas nesses últimos dias com o aprofundamento da cobertura jornalística. Está na cara que ele não produz, não comercializa e não mata para manter a enorme rede criminosa que atua no tráfico de drogas. Está distante dos que ocupam o topo desta hierarquia. Era uma mula, como muitos desses desgraçados que são presos em aeroportos brasileiros levando droga pra lá e pra cá. Archer era mais um desgraçado consciente do que fazia, é verdade; querendo tirar proveito da oportunidade oferecida, sem dúvida; mas muito longe de ser merecedor da morte nestas circunstâncias. Lembrar do olhar dele voltado para a câmera, como se estivesse pedindo ajuda para alguém, me provocou tristeza.

 

E mais tristeza senti ao me deparar com gente que não acredita na força do ser humano e na sua recuperação. Pior, gente incapaz de perceber a desproporcionalidade da pena diante do crime cometido. Ou muito pior, gente que mesmo diante de uma tragédia humana como a do fuzilamento de Archer, encontra espaço para partidarizar o debate. Gente sem alma, gente desgraçada essa por quem sinto tristeza. E tenho pena, mas não de morte!

Conte Sua História de SP: os doces que eu ajudava fazer e o sabor do troco no bolso

 

Por Ricardo Aleixo

 

 

Desde muito cedo descobri que vivia em uma cidade que aceitava gente de todo o mundo como iguais. Uma família imigrante havia se mudado para próximo de nossa casa num Brooklin ainda cheio de mato e cavas (espécie de lagoa restante da exploração de areia). Imediatamente minha família fez amizade com o Sr. Carlos (seu nome não era esse pois ele era alemão de nascimento), sua esposa Dona Margarida (seu nome não era esse pois ela Grega), a Iaiá (a Mãe de Dna.Margarida) e a Helena (nome verdadeiro pois era brasileira). Como não tinham mais familiares por aqui, acabamos por ter boa amizade, afinal nossa família tinha italiano e espanhol do lado de meu pai e português e baiano por parte de minha mãe.

 

No fim do ano, muitos dias eram gastos em produzir quitutes conforme as tradições das duas famílias. Reunidas, punham-se na cozinha as mulheres a fazer doces (a culinária grega tem absoluta semelhança com a árabe, afinal se misturam em Istambul), charutinhos recheados, panetones (tinha sem frutas para me alegrar pois não gostava das frutas cítricas) e muitas outras coisas. Lembro disso não porque ajudasse muito na cozinha, com minha pouca idade mais atrapalharia se tentasse.

 

Mas alguns dois ou três doces dependiam totalmente da minha participação.

 

Com pouco mais de nove anos, eu era o encarregado de ir pegar a encomenda daquele tipo de macarrãozinho que é comum em alguns doces que hoje vemos nas casas de comida árabe. Ia de ônibus até o centro. Tinha aprendido o caminho no ano anterior com a Margarida e precisava andar uma meia hora para lá chegar. O fornecedor ficava num tipo de sobreloja na Rua 25 de Março, que eu acessava subindo uma longa escada com dois patamares até chegar lá em cima. Lá encontrava o homem que fazia a tal massa. Numas mesas enormes (maiores ainda para uma criança de nove anos) ele as fazia com um tipo de chuveiro de balde sobre umas folhas de papel manteiga. Embrulhava-os e eu pagava e descia aquela baita escada com um embrulho enorme nos braços. Não caí nunca nem sei por conta de quem, deve ser do tal Alá do turco que fazia a massa.

 

Na rua, fazer um taxi entender que um garoto daquele tamanho queria fazer uma corrida era outra dificuldade, mas sempre tinha alguém que me ajudava. Era uma cidade de gente cordial e educada. Rapidamente ia de volta para casa com a massa no banco de trás do taxi todo feliz por ter conseguido realizar minha missão. O rapidamente demorava praticamente uma hora, não por trânsito, mas as avenidas Tiradentes, Nove de Julho e Santo Amaro eram na verdade umas ruas comuns com mão dupla e razoavelmente cheias de carros e ônibus.

 

Lembro docemente agora desses tempos, pois fico até admirado em como, numa São Paulo já populosa, no inicio dos anos 60, uma criança como eu tinha a liberdade de ir ao centro da cidade para pagar as contas da família o que me dava experiência suficiente para ir retirar a encomenda da tal massa.

 

No início dos meses minha mãe separava o dinheiro necessário para cada conta e juntava-o, embrulhava-o e fazia uns macinhos para os pagamentos correspondentes. Eu pegava um ônibus no Brooklin, e lá ia para o ponto final embaixo do viaduto do Chá. Macinhos na mão. Contas & dinheiro. Nunca fui roubado.

 

Subia a escadaria e dava rapidamente no prédio da Light (esquina da Xavier de Toledo com o Viaduto do chá – hoje há um shopping por lá) e nele pagava a conta de luz. Pronto, um maço a menos e uma conta paga no bolso.

 

Atravessava a Xavier, e entrada no Mappin, bem em frente. Sempre tinha algum carnê relativo às de compras que  nem se lembrava mais relativas a que. Pronto, depois do homem do elevador avisar: “crediário, roupas de cama, mesa e banho)” saía do elevador e depois de uma filhinha, que não demorava tanto ,mais um maço pago.

 

Agora era ir ao DAE (Departamento de Águas e Esgotos do Estado). Esse ficava bem mais longe, o que era muito bom pois podia passear pela cidade. Por cima do Viaduto do Chá pegava a Rua São Bento que parte da Praça do Patriarca e ia em direção ao Largo São Francisco. Ali minha mãe tinha me mostrado a Igreja e pouco acima um prédio enorme onde é a Faculdade de Direito da USP. Dali seguia até a Rua Riachuelo para pagar a conta de água. Pronto, mais uma conta pro bolso.

 

Aí era hora de contar o troco que tinha recebido.

 

Somado, eu tinha que reservar o dinheiro do ônibus para a volta. Algumas vezes, não todas, sobrava o suficiente para um sanduíche de linguiça que uma lanchonete servia na Rua São Bento. Se não sobrasse, não ficava chateado. Era assim mesmo, a vida era dura naquele tempo. E estando por ali sempre valia a pena dar uma passeada pela cidade.

 

Numa travessa da Líbero ficava a loja do Sr. Armando, de relógios e canetas, além dele vender, os consertava. Era meu vizinho que, aos sábados de noite, me chamava para sua casa para tomar um pouco de vinho com pão italiano, parmesão e aliche. Seus filhos não gostavam já eram adolescentes e iam para algum bailinho.

 

Tinha a Michelangelo que vendia produtos de arte e papelaria, que vitrine adorável para uma criança. Muitas vezes visitada depois. Na Conselheiro Crispiniano havia uma loja de departamentos (acho que era a Sears) que tinha um subsolo onde havia uma casa de chá, algumas vezes fomos lá: minha mãe, minha irmã e eu. Nos dávamos tempo para viver, os segundos eram muito maiores que os atuais.

 

E as lojas de instrumentos musicais na Barão de Itapetininga? Enchia-nos os olhos, como eram bonitos e perfeitos. Às vezes, da Barão eu cruzava a Praça da República, em frente ao Caetano de Campos (ah que lindas as alunas daquela escola) e ia ao Largo do Arouche, onde meu pai trabalhava como gerente de uma loja de tecidos importados. Naquele tempo a roupa era feita por costureiras e alfaiates.

 

Uma vez o Gigio (um dos melhores alfaiates da capital e amigo de meu pai) me fez um terninho, se usei uma vez foi muito, mas que era bonito era. Tropical inglês, com calça curta claro. Por vezes visitava a Tecidos L.Caldas, a loja que meu pai gerenciava, o Primo Carnéro, famoso lutador com quase dois metros de altura. Céus quando o conheci pareceu-me um gigante.

 

Dependendo da hora voltava para casa com meu pai que pegava um carro de aluguel que era chamado lotação. Era muito grande, cabiam uns 8 ou mais passageiros.

 

Eu era muito feliz naqueles tempos idos.
Feliz como nunca mais consegui ser.

 


Ricardo Aleixo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais uma capítulo da nossa cidade, envie seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: Rogério Boeira fala de aprendizado contínuo e desenvolvimento profissional

 

 

O aprendizado contínuo é a chave para o desenvolvimento profissional mas é preciso ter disponibilidade para aprender, não só de tempo; emocional e moral, também. Quem ensina é o professor Rogério Lodero Boeira, da Escola de Aprendizagem Contínua Cultman, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para se criar estas condições, explica Lodero, é necessário “saber que você não sabe tudo e partir do princípio de que eu tenho de aprender sempre”.

 

O programa Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br Os ouvintes participam enviando e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br ou para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung. O Mundo Corporativo é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Iates de luxo são fretados para festas e lazer

 

Por Ricardo Ojeda Marins

2-Yacht-Aerial-aft-598x352_Fotor_Collage

 

Já pensou ou sonhou em fazer sua festa de aniversário em um iate fretado especialmente para seus convidados? Sem ter o trabalho de “cuidar de tudo”, claro. Afinal, luxo é ter tempo e usufruí-lo ao máximo com as pessoas que você gosta.

 

A companhia SeaDream é famosa por seus fretamentos. Aniversários, casamentos, festas corporativas. Tudo em um iate com capacidade para até 112 passageiros. Diferentemente de cruzeiros, os iates são mais privativos e com extremo conforto, mesmo se comparados aos cruzeiros de luxo. O SeaDream inclui atividades como esportes aquáticos, piscina, jacuzzi, fitness center, Spa com tratamentos da suíça La Prairie, aulas de ioga, gastronomia de excelência, além de uma tripulação altamente treinada. São 95 profissionais, o que garante tratamento personalizado e sistema “all-inclusive” sofisticado.

 

Sua marina portátil inclui jet skis, caiaques com fundo de vidro, equipamento de snorkeling, esqui aquático, placas de vigília, plataforma de natação, banana boat e ilha flutuante. Durante a noite, as camas balinesas com vista elevada do mar são a atração de casais que curtem admirar as estrelas, ou assistir a filmes especiais mostrados tanto no salão principal como sob o céu à beira da piscina.

 

Para que a comemoração seja incrível e memorável, é essencial contar com uma agência de viagens especializada. Afinal, nada melhor do que ter quem possa cuidar de cada detalhe com sabedoria e experiência. Agências de viagens como PrimeTour, Teresa Perez, Platinum Travel Service, Matueté, e Selections são algumas das que realizam esse sonho de muitos clientes. Todos os detalhes dessas viagens são cuidados minuciosamente por um profissional da agência, customizando a comemoração de acordo com os desejos singulares de cada cliente. Partes aérea e terrestre, serviços de recepção no destino, guias bilíngues, serviços de mordomia. Muitos clientes fretam inclusive o avião para chegar ao destino da partida da viagem. Tudo é cuidado pela agência pré, durante e pós viagem para que a experiência do cliente seja realmente impecável e inesquecível.

 


Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A 100 passos de um sonho: bom para olhar e saborear

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A 100 Passos de Um Sonho ”
Um filme de Lasse Hallström.
Gênero: Comédia Romântica
País:USA

 

 

Um restaurante indiano espalhafatoso abre em frente, ou melhor, a 100 passos de um renomado restaurante françês com estrela Michelin. Xenofobia, culinária e amor são alguns assustos que permeiam o filme.

 

Por que ver: Chamado de “raso”por vários críticos, este filme me cativou do início ao fim, exatamente por sua ingenuidade e beleza, tanto na direção de arte de cenário como gatronômica. Achei que é um filme bacana para toda a família. Ora bolas, ele não se propõe a discutir política, este é apenas um pano de fundo para dar sentido aos conflitos da fita. E a atuação do ator Om Puri, que faz o personagem do Papa Kadam me fez lembrar do meu avô…Agora me emocionei…E a espetacular Helen Mirren faz a Madame Mallory, e está maravilhosa como sempre.

 

Como ver: Eu assisti voando…Desta vez devo confessar que peguei uma aeronave modernérrima da American Airlines. A comida estava farta, o que combinou com o filme, apesar de não estar muito saborosa, mas isto é esperado em aviões… Você pode assistir com todos, menos com os críticos de cinema. Eles detestaram o filme e vão te aborrecer. Não se furte de se deixar levar pela história leve produzida por Spilberg e Oprah Winfrey.

 

Quando não ver: veja sempre.Menos com críticos de cinema como mencionadado acima.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. E comilona…Rsrsrsrsrs.

O primeiro voo de Varig para a praia

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Se não fossem as fotografias do álbum que minha sobrinha Claudia Tajes recuperou depois de permanecer por muito tempo em uma cômoda de minha irmã,mãe dela, talvez eu não acreditasse que o meu primeiro contato com o mar situado abaixo do Rio Mampituba – frio para o meu gosto – houvesse ocorrido no segundo semestre do ano de 1930. As provas estão nas fotos tiradas pela Agfa do meu pai,nas quais apareço passeando em uma carrocinha puxada por um bode ou uma cabra e levando na cabeça um chapelão que mais parecia um desses que os mexicanos usam no verão deles.

 

A minha estreia no mar,porém,foi a parte mais interessante da história do meu primeiro contato com a água salgada. Não sei,aliás,se cheguei a molhar os “pezinhos”. Com o tempo fui descobrindo, aos poucos, que tinha um pai super zeloso em todos os sentidos. Foi por meio do álbum,preenchido em sua maior parte por minhas fotos – privilégios de primogênito –, que soube que o seu Aldo não temia viajar de avião. Se não me engano,ele foi um dos primeiros a pôr os três membros da família Jung – ele,minha mãe e esse que lhes escreve – em um aeronave que nos levou,imaginem,a Torres,no litoral gaúcho,a uma hora e meia de avião,partindo de Porto Alegre.

 

Ricardo Chaves,no Almanaque Gaúcho,que escreve diariamente em Zero Hora,pôs o seguinte título no seu texto do dia 5 de janeiro:” Intrépidos veranistas”. Creio que se referia aos gaúchos,principalmente os residentes em Porto Alegre. Quando fiquei sabendo que o meu primeiro contato com o mar se deu após uma viagem de avião,me dei conta de que quem viajava até Torres de várias maneiras,menos a aérea, – trem,vapor e estradas que não faziam jus ao nome pois levavam os veranistas sobre piso de areia,altamente perigoso, porquanto prontos para engolir automóveis dirigidos por motoristas desprevenidos – esses,sim,era de se tirar o chapéu para o peito deles.

 

Mas vá lá,viajar de avião,mesmo os “modernos hidro-aviões”,levando-se em conta a época, era algo preocupante para os menos corajosos,confiar na perícia dos pilotos.É verdade,como lembra Ricardo Chaves,que a velha e boa Varig ajudou muita gente – as que podiam pagar pela viagem aérea – a encurtar aquelas intermináveis viagens ao litoral. Hoje em dia,porém,o que a Varig tentou facilitar,ficou complicado com os engarrafamentos do trânsito,especialmente os ocorridos em fins de semana ou quando há feriados prolongados. Não bastasse isso,nunca estamos livres de motoristas desajustados,que bebem antes de dirigir e ultrapassam a velocidade permitida,pondo em perigo a vida dos bons pilotos.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras, no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Eletropaulo fala de verão atípico para falta de luz e demora no atendimento

 

B60UtSAIcAAMDVs

 

Escrevo este texto um dia após ter enfrentado 10 horas seguidas sem energia elétrica em minha casa, local, aliás, onde também exerço parte das minhas atividades profissionais. E escrevo com a ansiedade de que a chuva não retorne à cidade de São Paulo com a força e o vento que têm caracterizado este verão, pois se isto ocorrer na Zona Oeste provavelmente haverá outra interrupção e novo prejuízo à produtividade. Desde o início de dezembro de 2014, registrei 12 protocolos por falta de luz, só neste ano foram quatro, os dois últimos, nos dias 11 e 12 de janeiro. É de causar indignação. Sentimento, aliás, compartilhado com quantidade enorme de paulistanos, pelo que percebo nas mensagens que recebo no Jornal da CBN.

 

Na noite de segunda-feira, havia ao menos 800 mil pontos sem energia elétrica na capital, e a cidade acordou, na terça-feira, com cerca de 540 mil sem luz, segundo informação da própria Eletropaulo. Houve casos de pessoas que chegaram a ficar quase 20 horas às escuras, alguns tendo de fechar seu comércio e outros perdendo comida armazenada na geladeira. A maior parte se sente desassistida pela concessionária ao ligar para a empresa e ser recebida apenas no atendimento eletrônico.

 

Confesso a você que pouco me importa se falo com alguém ou não, desde que o registro automático de minha reclamação gere conserto imediato. Por isso, prefiro enviar SMS para o número 27273 com a palavra Luz e o número da minha instalação (que você encontra na conta de luz). Esta é a mensagem que identifica falta de energia na sua casa ou no trabalho. Assim que você envia o SMS, a empresa retorna com o número do protocolo e uma previsão de restabelecimento de energia. Curiosamente, no início de dezembro, recebi mensagens falando em 2h40 e 3 horas para o conserto. Desde lá, porém, ninguém mais arrisca um prazo: “será efetuado o mais breve possível” diz o texto.

 

Hoje, após muita insistência, a Eletropaulo elegeu o vice-presidente de operações, Sidney Simonaggio, para das as explicações ao cidadão paulistano, em entrevista ao colega Thiago Barbosa, no CBN SP. Sontaggio disse que a Eletropaulo tem dos melhores desempenhos no setor com menos de quatro dias sem energia por ano e religação em até 1,8 horas, em média, para cada instalação. O cenário atual é bem diferente como podemos constatar na minha, na sua, na nossa casa. Mas a Eletropaulo tem uma justificativa: vivemos um período atípico com uma condição de chuva de verão que nunca se experimentou, com ventos que passam dos 80km/h, derrubando quantidade enorme de árvores e atingindo a rede elétrica.

 

Para atender este momento de emergência, a empresa diz ter cerca de 2 mil pessoas trabalhando na operação, sendo que funcionários de diferentes setores foram deslocados para atuar na rua e religar a luz “o mais breve possível”. Simonaggio diz estar incomodado com o fato de a empresa não ter condições de fazer previsão de restabelecimento de energia de forma mais exata. Diz que isso ocorre porque em muitos casos o conserto não depende apenas da Eletropaulo, já que para as equipes acessarem a rede é preciso retirar árvores e outros obstáculos.

 

Em relação a investimentos para amenizar o drama do paulistano, Simonaggio informou que, desde 2010, é realizado trabalho de reestruturação da rede com implantação de equipamentos que podem ser acionados à distância. Por exemplo, foram instalados 3 mil religadores que podem ser ligados ou desligados da central de comando, assim como foram trocados os reles de 1.750 circuitos de distribuição. Além disso, teriam aumentado as ações na área de manutenção da rede. Mesmo assim, alertou: “contra queda de árvore não tem rede nova ou rede velha, rede boa ou rede ruim, ela causa a destruição”.

 

A solução estaria em lei municipal em vigor em São Paulo, projeto que começa a tramitar no Senado e discussão pública na Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica. O que os une: a migração da rede aérea para subterrânea. O que impede que avance: ninguém quer pagar a conta. A rede subterrânea é de 10 a 20 vezes mais cara do que a aérea. Em São Paulo, ficaria 16 vezes mais cara. Já se fez o cálculo de que cada quilômetro instalado sairia por R$ 6 milhões. A Eletropaulo sugere que as prefeituras assumam parte do custo, porque 70% do valor são obras físicas, que sejam criadas linhas de financiamento e deixa muito claro que a conta luz vai ficar mais cara.

 

Dadas todas as justificativas, fica apenas uma certeza. Na próxima chuva a luz vai acabar e “o restabelecimento será efetuado o mais breve possível”. Basta saber o que significa breve para a Eletropaulo.