Fabergé: história, tradição e alto luxo desde 1842 também na internet

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Fabergé-1903

 

Marcas de alto luxo sempre tem história e tradição. Um ótimo exemplo é a grife Fabergé, fundada em 1842 por Gustav Fabergé, que ficou famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas, e sob a direção de seu filho, Peter Carl Fabergé, tornou-se a joalheria oficial do império russo. Verdadeiras obras-primas da joalheria produzidas por ele e sua equipe entre os séculos XIX e XX para os czares da Rússia.

 

Encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial, os ovos acomodavam surpresas e miniaturas, e eram cuidadosamente elaborados com a combinação de esmalte, pedras preciosas e metais. Desejados por colecionadores ao redor do mundo, eles são ainda alvo de admiração pela sua perfeição.

 

Fabergé-jóias-luxo

 

Restam cerca de 40 ovos Fabergé, alguns deles expostos no Palácio do Arsenal do Kremlin. Hoje a grife está presente com boutiques em cidades como Genebra, Londres e Nova York com coleções de joias em edição limitada. A grife também disponibiliza algumas de suas peças em pontos de venda selecionados ao redor do mundo e em seu e-commerce. Algumas peças são inspiradas nos ovos Fabérge, ícone da marca, como pendentes com ovos em miniatura, que custam cerca de USD 17 mil. Suas jóias podem chegar na casa dos milhões de dólares.

 

Sim! Mesmo com tanta exclusividade, Fabergé aposta na venda online, acreditando que a experiência de compra começa na internet, como uma vitrine. Tanto que a grife mantém loja na web, onde os afortunados interessados em conhecer e adquirir suas preciosas peças tem à disposição equipe de consultores de vendas especializada disponível 24 horas por dia, com capacidade para atender em 12 idiomas. Os consultores podem comparecer pessoalmente em qualquer lugar do mundo para concluir a venda da peça onde o cliente estiver.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

Entrevista: o rádio, o jornalismo e o jornalista na era da internet

 

O rádio e o jornalismo na era da internet foi tema da entrevista que concedi para a agência de comunicação Printer Press, na qual realizei palestra destacando as novidades neste veículo e os novos caminhos da notícia.

 

Na primeira parte da conversa com a jornalista Daniella De Caprio, falamos sobre a forma como o veículo se adaptou às novas tecnologias e a relação dos profissionais de rádio com as assessorias de comunicação:

 

 

Na segunda parte da entrevista, tratamos de demandas do novo jornalismo e como estudantes que estão querendo investir neste mercado e profissionais que se iniciam na carreira podem se preparar melhor para encarar os desafios da profissão:

 

Meter-se em camisa-de-onze-varas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sempre gostei de ditos populares ou,se quiserem,provérbios,adágios e uma série de outros sinônimos. Nos textos que envio para o Mílton,volta e meia,uso um deles. Um que ainda não havia feito parte dos postados por mim neste blog e,talvez,seja dos mais antigos,é o que reza “meter-se em camisa-de-onze-varas”. Este nome,segundo se sabe,vem da expressão “pano de varas”. Era como se chamava um tecido grosseiro com o qual vestiam os condenados à morte,no tempo da Inquisição, ao serem levados para o suplício. Por que me lembrei deste dito? Ele me veio à cabeça,sem mais nem menos,quando buscava um provérbio capaz expressar o que minha filha Jacqueline e eu,por razões diferentes,sofremos a partir da semana passadas por vestirmos, me atrevo a a dizer,tal espécie de camisa. Não chegou a ser um suplício,mas provocou um baita incômodo.

 

Relato primeiro o sofrido pela Jacque,cujo resultado parece estar próximo. Ela e a Malu,sua cachorrinha,começaram a ter o sono prejudicado pelo calor,que chegou com vontade. Para o amenizar ou até mesmo acabar com a canícula,nada melhor do que um “split”. Jacque pesquisou nas lojas que trabalham com tal tipo de aparelho e escolheu um LG. Comprou-o pela internet e aguardou,ansiosa,a sua entrega no edifício onde mora. Então,já de posse do split,buscou a única assistência técnica da LG autorizada a fazer a instalação. Eu disse,reparem bem,a única autorizada da empresa, em Porto Alegre a instalar o aparelho. A LG deixou claro na nota do produto não se responsabilizar se o split ou qualquer produto dessa fabrica seja instalado por uma firma não autorizada. Minha filha,obediente e confiante, chamou a autorizada para fazer o serviço. E logo se arrependeu com a má vontade do “técnico com 11 anos de experiência” que,a certa altura”,fechou a porta do quarto no qual instalava o split e evitou a entrada da dona do aparelho. Ela só foi chamada a entrar na peça quando o “especialista” deu o trabalho por encerrado. Esse e o seu auxiliar foram logo embora para que a Jacque não se desse conta de que foram colocados dois parafusos na parte debaixo do split e um desses rachou a peça em que foi aparafusado. Aí,Jacqueline iniciou uma série de ligações telefônicas para a empresa antes de mais nada e,depois,para a “autorizada”,na qual foi tratada grosseiramente pela pessoa que atendeu a ligação. Essa acabou informando que o mesmo técnico com 11 anos de experiência iria olhar o aparelho e dar o seu veredito sobre os parafusos etc. O sujeito disse que a peça danificada seria substituída. O aparelho terá,porém,de ser levado,”oportunamente”,para a única assistência técnica autorizada pela LG,o que me deixa espantado. Um empresa,que produz produtos caros,me desculpe a LG,não pode oficializar o trabalho de apenas uma firma. Ah,o servicinho custou 500 reais para a Jacque,tirante,o preço do split.

 

Agora conto a minha parte na camisa-de-onze-varas. Minha carteira de habilitação venceu no dia 29 de outubro e,como todos os motoristas sabem, tem-se até um mês após a data natalícia para renovar o documento. Bem antes de os 30 dias terminarem,providenciei no pagamento da taxa de 100 reais,cobrada nos bancos autorizados, e logo me apresentei para o exame médico na CFC da minha zona,com o que,se não fosse reprovado, poria no bolso uma carteira novinha em folha. Já renovei inúmeras carteiras de habilitação. Em uma dessas vezes,exigiram-me até um exame a ser feito num computador de um Centro de Formação de Condutores,no qual se respondia uma série de questões sobre trânsito. Estudei com afinco e passei com nota alta. Fiz outras renovações e sempre me dei bem. Eu havia visitado o meu oftalmologista um dia antes do exame e estava tranquilo quanto à minha visão. Nunca tinha imaginado que a médica que me fez inúmeras perguntas sobre minha saúde,perguntou se já tinha sofrido operação e tive de dizer-lhe os nomes dos remédios que uso no dia a dia. Aí,apontou para o quadro com letras que vão das mais diminutas as grandonas. Ela queria que eu lhe dissesse que letras compunham a penúltima coluna. Não tinha como atender à sua ordem e não entendi até agora por quê eu necessitava enxergar aquelas letrinhas pequeninas. Para que,me perguntei,eis que no trânsito não há nada tão minúsculo quanto as letras que ela me mandara ler. Não as li. Aí,a doutora Délia – esse o nome dela – me liberou,não sem antes me informar que eu teria 90 dias para me reapresentar e fazer novo exame. Nesta terça-feira,11 de novembro,data em que entrego a coluna para o Mílton,voltei ao CFC e fiz o exame com um médico,o dr.Antônio,que rapidamente me aprovou. Entre o exame de uma e de outro – a médica e o médico – fiz,antes de voltar ao Centro de Formação de Condutores,uma pesquisa na Zona Sul de Porto Alegre,onde moro. Todas as pessoas que conheceram a médica foram unânimes em classificá-la de exageradamente exigente. Para não dizer coisa pior. Espero não vestir mais nenhuma camisa-de-onze-varas.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Publicidade infantil: a lição bem dada

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Criança

 

Ao abordar a propaganda infantil, o ENEM conseguiu levar um tema atual e relevante aos quase nove milhões de alunos que compareceram no domingo à sua prova, de modo didático. Exigindo do aluno apenas a técnica da redação, pois o conhecimento do assunto foi bem apresentado.

 

No texto I, informou que a resolução do CONANDA de abril de 2014 proibiu toda a propaganda dirigida à criança com a intenção de persuasão de consumo. Fato que gerou embate entre entidades que defendem a proibição e outras que são favoráveis à autorregulação através do CONAR.

 

No texto II, mostrou o panorama mundial da propaganda infantil. Canadá e Noruega proíbem. Reino Unido e Suécia proíbem personagens e parcialmente o restante da propaganda. Dinamarca, Bélgica, Itália, Irlanda e Coréia do Sul, proíbem parcialmente. A França emite alerta. Brasil, Estados Unidos e Austrália atuam com autorregulamentação.

 

No texto III, registrou que há correntes argumentando a favor da liberação, pretendendo com isto a formação de crianças aptas para lidar com a sociedade de consumo.

 

Percebemos alguns ruídos apontando críticas à escolha da dissertação em função da falta de notoriedade do tema. A repercussão, talvez por isso mesmo, foi extensa e intensa. Nas manifestações as posições foram mantidas. Alana, Milc, Rebrinc e ONGs de defesa das crianças são favoráveis ao CONANDA; a Abrinq, Maurício de Souza Produções, apoiam o CONAR.

 

Acreditamos que a dificuldade da prova estava menos na técnica e mais na reflexão, pois a questão entre a censura e a liberdade fica entre interesses econômicos e sociais. Portanto, o resultado destas dissertações pode conter opiniões com juízos de valores mais brandos, mas também contaminações da propaganda a que foram expostas.

 

Seria recomendável que o ENEM aproveitasse este material sob este aspecto comportamental. Ao mesmo tempo, poderia dar significativa contribuição semântica, e diferenciar PROPAGANDA, como a comunicação paga, da PUBLICIDADE, como a comunicação informativa. É só dar uma olhada mais apurada no Aurélio.

 

*pra não deixar dúvida:

 

ENEM Exame Nacional do Ensino Médio
CONANDA Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente
ALANA Instituto Alana ONG para proteção da criança
MILC Movimento da Infância Livre de Consumismo
REBRINC Rede Brasileira da Infância de Consumo
ABRINQ Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos
CONAR Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A fonte das mulheres: uma greve de sexo gostosa de ver

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A fonte das mulheres”
Um filme de Radu Mihaileanu.
Gênero: Comédia Dramática
País:França/Bélgica

 

 

Em uma aldeia entre o Norte da África e Oriente Médio, as mulheres, que vivem sob os dogmas do islamismo, são encarregadas de todos os afazeres domésticos, entre eles buscar água em uma fonte distante e voltar carregando pesados baldes sob um sol escaldante. Os homens da aldeia estão sem trabalho devido a seca e se recusam a ajudá-las. Até o direito de aprender a ler a elas é negado. Estas mulheres são subjugadas, vivendo os desmandos do machismo, até que Leila, uma jovem que se casa com um rapaz da aldeia, consegue organizar as mulheres e propor uma greve de sexo coletiva afim de mudar esta situação degradante.

 


Por que ver:
Apesar da descrição séria da sinopse, você verá como este filme pode ser gostoso de ver; com suas músicas, que em um primeiro momento causam um certo estranhamento, mas logo logo se torna um personagem indispensável, e seu tom de comédia que por vezes permeia a história.

 

Como ver: Assim que você sair de sua terapia achando que sua vida está difícil, que seu dia a dia é puxado, alugue este filme, abra uma caixa de chocolates daquelas bem caras que você guarda para impressionar as visitas, sente-se bem relaxada/o assista a este filme, e então você irá chegar à conclusão que sua vida é ótima, e que suas reclamações cotidianas são um pouco “patricinhas/mauricinhas” demais.

 

Quando não ver: para as mulheres – logo após de uma DR brava, daquelas que você sai reclamando de tudo e mais um pouco do seu marido, do seu namorado…Você ainda terá que ouvir “tá vendo bem, você reclama de mim…Eh podia ser bem pior!!!”. Para os homens (quando ver) – quando a sua mulher/namorada te disser que você é folgado, que não ajuda em nada… Mas não deixe ela ler esta coluna… Se não meu filho, você vai se dar bem mal e provavelmente ficar sem sexo…Por um bom tempo!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Avalanche Tricolor: uma goleada e uma grande ironia

 

Grêmio 4 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Com tantos gols assim, confesso, não sei por onde começar. Pelo primeiro, pelo segundo, pelo terceiro ou pelo quarto gol? Talvez pelo fim do jogo? É isso aí, até porque só no último apito do juiz é que percebemos que a vitória não apenas nos colocava no Grupo da Libertadores, mas, também, nos elevava a melhor posição que já ocupamos neste campeonato. E um terceiro lugar conquistado com exagerada dose de ironia. Sim, porque o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro, que tem como único mérito apontado pela crítica tomar poucos gols; de meio campo com futebol limitado e ataque pouco produtivo; destaca-se na tabela de classificação ou porque tem saldo de gol melhor ou porque tem número de vitórias maior.

 

(Gol do Grêmio!)

 

A ironia vai muito além, pois chegamos a esse ponto, a cinco rodadas do fim da competição, graças a uma goleada e no clássico regional. Sim, o time dos três volantes, às vezes quatro; do técnico retranqueiro … (ok, o resto você já sabe); marcou quatro gols em uma só partida, fora o baile. Digo isso sem culpa, pois não nos limitamos a desarmar o time adversário – e o fizemos muito bem, a tal ponto que a turma do lado de lá só apareceu na foto na hora de brigar. Jogamos ofensivamente, trocando bola com rapidez, lançando com velocidade, cruzando e chutando muito mais do que estamos acostumados.

 

(Opa, mais um gol do Grêmio!)

 

Você, caro e raro gremista que lê esta Avalanche, também foi alvo das muitas ironias que marcaram esse Grenal. Ou vai me dizer que nunca reclamou da presença de Ramiro no meio de campo? Tenho um amigo aqui em São Paulo, o Sílvio, gremista como nós, que sempre liga após as partidas. Nos últimos meses tem perguntando insistentemente o que faz de Ramiro titular do Grêmio. Não o culpo. Muitos outros têm a mesma dúvida. As estatísticas explicam parte desta preferência de Luis Felipe Scolari, pois ele é o jogador do Grêmio que mais acerta passes e um dos que mais roubam bola do adversário. Hoje, foi além dos números: fez o seu gol ao aparecer sozinho dentro da área e receber passe preciso de Luan.

 

(Gol do Grêmio de novo!)

 

Fique tranquilo: eu também fui vítima da ironia. Assim como parte dos torcedores, reclamei a bola presa nos pés de Luan quando, aparentemente, podíamos disparar no contra-ataque; esbravejei nos passes sem destino que se transformaram as primeiras jogadas dele; soquei o sofá quando sua lentidão o levava a ser desarmado pelo adversário. E, sem medo da contradição, adorei o gol cala-boca que fez ao chegar com velocidade, antes de todos os outros atacantes, na cara da goleira para receber o passe depois de excelente jogada de Dudu, que não apenas roubou a bola na intermediária como tabelou com Barcos, desconsertou o marcador e ofereceu de presente o gol que abriu a goleada desse domingo.

 

(O quê? Mais um gol do Grêmio!)

 

Irônico ainda foi saber que o jogador que menos jogou foi o que mais fez gols. Alan Ruiz entrou no segundo tempo, ficou apenas 15 minutos em campo e marcou duas vezes: na primeira, empurrou a bola para dentro do gol de cabeça, depois de cobrança de falta de Zé Roberto; na segunda, recebeu o passe de Giuliano e deixou seu marcador sentado no chão antes de chutar. Nos dois comemorou da mesma maneira e do mesmo lado do campo, com sorriso no rosto e mãos em forma de coração voltadas para as arquibancadas – onde, diz, estariam seus parentes. A consagração da goleada, porém, incomodou o adversário que foi reclamar do que entendeu ser uma ironia do nosso argentino.

 

E não é que era mesmo: a nossa vitória foi uma grande ironia; e uma grande goleada, também.

 

(Mais gol? Não, agora é da Chapecoense)

De elevador de serviço, do significado do termo ‘empregada doméstica’, de preconceito e…

 


Por Maria Lucia Solla

 

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A frase que apresenta o texto de hoje é longa, mas o tema não tem começo nem tem fim! Fazer o quê!

 

Começar por onde, para tentar exterminar o preconceito (ou escapar das suas garras) daquele que se considera mais do que outro, numa escala nunca dantes sonhada? O que fazer para fugir das gotas venenosas e manipuladoras diárias, a que somos sujeitos sem trégua? Gotas que tornam escorregadio o caminho do nosso dia, do nosso crescimento, que nos rasgam as ideias, as puxam pelos cabelos, sem dó nem piedade tentando nos fazer engolir, cada um a sua receita redentora, fazendo-nos parecer um bando de Mentecaptus condecorados pela Ordem Maior, cada um do seu lado do rio.

 

E a gente engata, sabe como é, não é? Cada circo que passa nos distrai mais do que o outro. Coisa do Demo, só pode! É mais satisfatório enxugar gelo. Ao menos termina no final.

 

Mas o que tem me incomodado já há tempo! são as regras de uso dos elevadores sociais e os de serviço,mais ou menos, rígidas, dependendo do condomínio onde a gente mora.

 

A Silvana se lembra de quando trabalhava lá em casa. Uma mulher linda, mãe, esposa, inteligente, bom papo, trabalhava dois turnos, um no meu vizinho e outro no meu apartamento. Excelente em tudo o que fazia, e olha que os dotes dela não eram nada comuns, na cozinha e na faxina. No terceiro turno cursava Pedagogia, e acompanhava os estudos das meninas, de madrugada, se fosse preciso.

 

Ela tinha que subir e descer pelo elevador de serviço, mesmo que ele estivesse sendo usado para descer o lixo dos apartamentos de todos os andares, os trecos da reforma de algum apartamento e os cachorros.

 

Eu não conseguia entender a razão! Ela não tinha as solas das botas sujas de cimento, não estava manchada nem escorrendo óleo de caminhão, fazendo mudança para dentro ou para fora, nem carregando uma sacola de peixes. E mesmo que estivesse. Tive um vizinho que tomava banho de perfume, ao menos duas vezes por dia. Como ele morava abaixo do meu apartamento, o cheiro subia ligeirinho, e entrava pela janela da cozinha, onde eu estava cozinhando, e ligeirinho, ligeirinho, atingia a casa toda. Nesse caso eu concordaria com que ele devesse usar o elevador de serviço, como eu também, se carregasse uma sacola de peixes.

 

Alguém me explica, por favor, o que faz o empregado doméstico diferente do empregado não doméstico? Por que empregado doméstico tem que usar o elevador de serviço? Ele faz a tua cama, a comida que você come, lava a louça onde você vai comer, tem acesso a tudo, ou quase tudo, na tua casa, lava a mamadeira do teu filho e tem que usar um elevador que é de serviço? O nome para mim é claro. Leva tijolos, lixo, funcionários e moradores, trabalhadores que são empregados e trabalhadores que empregam, na faixa de salário que for, quando estiverem portando malas, sacolama do super, a bicicleta do filho ou a casinha de boneca da filha. O cachorro-com-coleira-de-rubis e o vira-lata-sem-vergonha.

 

Faltam em nós, consciência, coerência, humanidade e uma pitada de realidade, entre outros ingredientes.

 

Ah, antes que eu me esqueça, os oito ladrões que invadiram meu apartamento, por duas horas e meia, com armas na minha cabeça, roubando tudo, e aterrorizando com facas e todo o horror que estava na minha história, e não na tua, subiram pelo elevador social.

 

Síndicos, uni-vos!
Ou não.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História de SP: As toalhas de dona Maria Elisa

 

Maria Elisa Martins da Costa Câmara nasceu em Açu, no Rio Grande do Norte. Passou a infância na cidade mineira de Nova Era. Foi aluna interna no Rio e voltou para Minas após concluir o curso. Na capital, Belo Horizonte, conheceu o marido com quem veio para São Paulo onde, juntos, montaram uma empresa de alumínio. Daqui e do passado, Dona Maria Elisa tem muitas histórias para contar. No depoimento ao Museu da Pessoa, fala de quando o presidente Getulio Vargas visitou a fazenda do avô, no interior do Rio Grande do Norte. Curiosamente, a primeira lembrança que Maria Elisa tem da cidade de São Paulo é da avenida 9 de Julho, inaugurada em 1941, por Prestes Maia, e assim batizada em homenagem a dada do início da Revolução Constitucionalista, quando milhares de paulistas se rebelaram contra o governo Getulio Vargas, em 1932. Quando ela chegou por aqui, era uma avenida imponente e com vários casarões recém-construído, cercados de belos jardins. Com o marido e mais um casal, foram morar em um apartamento da Barão de Limeira, de onde saia para passear e tomar chá no Mappin:

 

 

Maria Elisa Martins da Costa é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio e o depoimento foi registrado pelo Museu da Pessoa. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Marque uma entrevista em vídeo pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande sua história para mim: milton@cbn.com.br. Se você quiser ouvir outros textos, visite meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: Jaime Szulc, presidente da Goodyear, fala de inovação e gestão de pessoas

 

 

A tendência mundial no mercado de pneus é fabricar produtos com maior durabilidade, que reduzam o impacto no meio ambiente e gerem redução de custos para os clientes, pois estamos diante de consumidores mais conscientes e bem informados. A opinião é do presidente da Googyear para a América Latina, Jaime Szulc, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele explica que atualmente a indústria já é capaz de colocar no mercado um pneu que dure 20% a mais do que há alguns anos, porém o consumidor vai exigir ainda mais. Em conversa com o jornalista Mílton Jung, Szulc comenta sobre o grande desafio da carreira dele que foi assumir o comando de uma empresa centenária e tradicional, como é o caso da Goodyear, e modernizar seus processos desde a fabricação dos produtos até a gestão de pessoas. “A felicidade (do colaborador) é tanto maior quanto mais você trabalha naquilo que tem paixão, esta é a chave na gestão de pessoas”, explica.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e você participa com perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN e tem a participação do Paulo Rodolfo, do Douglas Mattos e do Ernesto Foschi​

Leis para evitar tragédias têm de ser drásticas e rápidas

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O incêndio da Boate Kiss ficou marcado por ter sido a maior tragédia a enlutar uma cidade brasileira,a gaúcha Santa Maria. O fogo,que matou e mutilou inúmeras pessoas,a maioria composta por jovens que imaginavam passar o sábado se divertindo,nunca será esquecido. Mãe e irmã de sócio da boate depuseram,recentemente,durante mais de três horas,a portas fechadas,na 1ª Vara do Júri,no Foro Central de Porto Alegre. O processo está em fase de instrução e tudo indica que ainda ouviremos fala dele por muito tempo. Era de se acreditar que o incêndio da Boate Kiss,entre outras coisas,servisse de dura lição às autoridades de todos os níveis,capazes de produzir leis que evitem a repetição do terrível acidente.

 

Eis,entretanto,que uma notícia divulgada pela mídia,referindo-se ao ocorrido,em Porto Alegre, na Stuttgart Danceteria, de Porto Alegre – suposta briga de gangues com troca de tiros – provocou a morte de um jovem e mais 17 feridos. Este tipo de ocorrência,dependendo da zona da capital e dos hábitos dos frequentadores de casas noturnas,não me causa espécie. Espanta-me,isso sim,que os proprietários da boate ainda não foram ouvidos sobre o tiroteio. Pior ainda,está aberta,desde 2012,graças a uma liminar.Foram várias as tentativas frustradas visando à proibição de sua abertura. A Stuttgart possui um processo numa Vara da Fazenda Pública,contra a prefeitura da Capital gaúcha,exigindo a liberação do local,desde 2010. Ainda não houve sentença nesse processo.A danceteria tem capacidade para 700 pessoas,mas o número de presentes,por sorte, era bem menor na hora da troca de tiros. É inadmissível que as leis que visam evitar tragédias como a da Boate Kiss não sejam mais drásticas e se arrastem durante anos. Repito o que escrevi faz pouco:as autoridades de todas espécies têm de fazer valer as leis em vigor,que pelo jeito não são levadas muito a sério.

 

Bem ao contrário agem as autoridades que cuidam do trânsito. Quem não quiser pagar caro por conduzir o seu veículo fora das leis deve ter ficado arrepiado ao tomar conhecimento de que as multas,agora,ficaram 900% mais caras. Era mesmo imprescindível que esta drástica providência fosse tomada. Basta olhar para o percentual do aumento para que se perceba que os motoristas têm de se dar conta do custo altíssimo das infrações mais graves e tratem de ser comportar corretamente,algo que muitos,principalmente os mais jovens,costumam não levar a sério. É possível que,com o aumento e o peso deste no bolso,os moços corram menos e deixem de representar 25% dos mortos em acidentes no ano de 2014. E prestem atenção,estou me referindo somente aos gaúchos. Conforme Diza Gonzaga,presidente da Fundação Thiago de Moraes Gonzaga,queixa-se,com razão,que campanhas pontuais,como essas que são feitas em vésperas de feriados prolongados. Sempre que falo em trânsito,lembro que é de pequenino que se torce o pepino. O trânsito deve ser matéria obrigatória nos colégios. Eu disse,OBRIGATÓRIA.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)