Avalanche Tricolor: vitória da persistência

 

Grêmio 2 x 0 Sport
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Sport

 

Jogos às quartas-feiras, 10 da noite, você, caro e raro leitor deste blog, já sabe que é um martírio para este madrugador que vos escreve. A partida vai se encerrar beirando à meia-noite; tenho de baixar o batimento cardíaco, que se acelera a cada gol perdido na área deles e bola despachada da nossa; depois tenho de forçar o sono para aproveitar o máximo o pouco tempo até o despertador tocar às 4 da manhã. Escrever logo após a partida, como me proponho normalmente nesta Avalanche, é quase impossível. Hoje, nem mesmo nos intervalos do Jornal da CBN, que apresento das 6h às 9h30 da manhã, encontrei tempo para escrevinhar algumas palavras sobre nossa “goleada” da noite anterior. O noticiário exigia atenção redobrada.

 

Desta vez, porém, o adiantado da hora e o excesso de trabalho pela manhã me deram oportunidade de ficar saboreando por mais tempo o gostinho de estar na zona de classificação para a Libertadores da América. Sei que dependemos de uma combinação de resultados, neste segundo dia da 27a rodada do Campeonato Brasileiro, para termos entrado definitivamente no G4. Independentemente do que acontecer, contudo, estamos cumprindo com nossas obrigações e colocando nas costas dos nossos adversários a responsabilidade de vencerem para não se distanciarem da disputa lá no alto.

 

Meu sonho é chegar ao topo e, enquanto a matemática e a paciência resistirem a todos os percalços, continuarei nesta busca. Para chegar lá, no entanto, antes precisamos galgar posições no G-4. Até aqui não temos conseguido nos fixar nesta posição, apesar de estarmos muito próximos a cada dia. Tenho a impressão que nossa persistência será recompensada em breve, como nesta quarta-feira à noite, em que o time foi para o ataque com bolas roubadas a partir de forte marcação e alguma correria e chegou ao primeiro gol ainda no primeiro tempo. Gol com significado especial pois premiou um jogador de meio de campo que arrisca partir com dribles para cima do marcador e chutar de fora da área, algo precioso para enfrentar as defesas cada vez mais fechadas que encontramos no caminho.

 

Aliás, apesar de ter ficado incomodado com as convocações de três de nossos jogadores para a seleção brasileira (houve época em que isso era motivo de orgulho de todas as torcidas), estas nos proporcionaram boas surpresas, ao menos na partida desta quarta. Como está no ditado: há males que vêm pra bem. Alan Ruiz saiu jogando como titular, atacou bem, driblou forte, fez gol e mostrou que não é apenas jogador de segundo tempo como sinalizava até aqui. Tem tudo para se transformar em titular se se esforçar um pouco mais na marcação. E Tiago saiu-se muito bem no gol, ou melhor, saiu muito bem do gol sempre que foi exigido e defendeu bolas difíceis especialmente na pressão final que sofremos. A despeito de seus 21 anos, oferece segurança enquanto esperamos o retorno de Marcelo Grohe.

 

Aconteça o que acontecer logo mais à noite, sábado estaremos de volta brigando pelo G-4 e no caminho da liderança, sem ter de me preocupar a que horas vou acordar no dia seguinte.

 

Foto do album oficial do Grêmio no Flickr

A página de jornal que não gosto de ler

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Se existe uma página de jornal que leio a contragosto é a que trata dos óbitos. É quase como se fosse uma doença tipo ebola. Ultimamente,porém,quer queira quer não queira,sinto-me obrigado a lê-la. Caso faça de conta que esqueci de,no mínimo,passar os olhos pela página maldita,Maria Helena,minha mulher, faz questão de bancar o porta-voz da ou das notícias do falecimento de algum amigo ou de alguém importante,mesmo que o morto seja,por exemplo,um artista de cinema de quem sequer fui fã. A infausta informação dessa terça-feira foi daquelas surpreendentes. Jayme Ricardo Machado Keunecke é mais um ex-colega e amigo que nos deixa e com o qual trabalhamos juntos na Rádio Guaíba,onde,além de outras atividades,assessorava Flávio Alcaraz Gomes no programa Guerrilheiros da Notícia,na Rede Pampa.

 

Se não me falha a memória,chegamos a trabalhar no Jornal do Dia,extinto faz muito,de onde apresentávamos o jornal noturno da Rádio Clube Metrópole que ia ao ar usando notícias do periódico católico,com sede na Avenida Duque de Caxias. Por coincidência,começamos a pegar gosto por microfone em serviços de alto-falantes,eu nas quermesses da Igreja do Sagrado Coração de Jesus,em Porto Alegre, ele em Guaporé. JK,como ficou conhecido nos diversos veículos da mídia nos quais trabalhou, atuou por 18 anos na Rádio Guaíba.Foi funcionário, também, do Diário de Notícias,TV Piratini e do Grupo RBS. Jayme Keunecke estava com 78 anos. Ficou internado desde 3 de setembro na UTI do Hospital Santa Casa,com problema nos brônquios.

 

Esta notícia de óbitos não está na Zero Hora. Nessa se lê,abaixo da manchete “Juntos até o fim”,uma rara história de amor em que dois anciões,o homem de 89 anos, a mulher com 80,morreram com uma hora de diferença,no leito do Hospital São Lucas,da PUC porto-alegrense. Italvino Possa e sua esposa Diva,encerraram uma casamento que durou 65 anos e lhes rendeu 10 filhos e 14 netos, juntinhos, exatamente como pediram a Deus. Coroaram com sucesso a sua vida marital. Uma enfermeira colocou o casal em camas paralelas. Italvino morreu primeiro,Dona Diva, apenas 49 minutos depois. Com certeza,ambos partiram felizes desta vida. Imagino,que a história de amor de Italvino e Diva,dificilmente tem similar.

 

Bem diferente foi ou está sendo o drama de Paulo Roberto Costa,ex-diretor da Petrobras,cuja ganância – que outra explicação pode ser dada para a sua atitude – vai ter de devolver 23 milhões de dólares mal havidos. Não consigo entender a razão que leva um alto funcionário a desviar quantia tão grande,cujo sumiço,como geralmente acontece,não pode passar despercebido. Seja lá como for,a delação premiada vai permitir que Costa,apesar da tornozeleira eletrônica presa em sua perna,morar durante um ano em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung, o filho dele.

Governabilidade: verdades, mitos e barreiras

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Plenário do Senado

 

No tiroteio de acusações à Marina, protagonizado por Dilma e Aécio, a governabilidade foi um dos fatores mais destacados, quando se esmiuçou os parcos indícios de estrutura partidária da candidata. Abrigada provisoriamente no PSB, encurralada por uma decisão jurídica, que a impediu de registrar a Rede Sustentabilidade, Marina foi comparada a Jânio Quadros e Fernando Collor. Ambos, eleitos sem a maioria na Câmara, sofreram efeito fulminante, cuja resultante legou uma renúncia e um impeachment.

 

Se a comparação serviu como ataque, embora com resultado eficiente, é parcial, pois a causa da governabilidade política é mais abrangente e remete a um sistema inglório de trocas. Uma rápida análise histórica do poder legislativo federal chegará inevitavelmente ao real toma lá dá cá. Não só para Marina, mas para todos que assumirem sem a maioria absoluta, a qual nem Dilma nem Aécio possuem.

 

Portanto, é agora e é a hora de perguntar a Aécio e Dilma, como vão obter a maioria para a governabilidade na Câmara. Vão apelar ao patriotismo dos deputados, ou a verbas, ou a favores, ou ainda a mensalidades? A empreitada que já era difícil tornou-se mais árdua, pois os 22 partidos de então viraram 28.

 

Dilma, que começava tendo na sua base do PT e PMDB 164 deputados passa agora a ter apenas 136 deputados. Terá então que procurar aliados dentre os 377 deputados restantes.

 

Aécio, cujo PSDB manteve as 54 cadeiras na Câmara, adicionando as 22 do DEM, ficará com 128. Precisará encontrar dentre os 385 parlamentares a quantidade suficiente para a governabilidade.

 

Dilma e Aécio, para honrarem as promessas de reforma tributária, política e administrativa terão de reduzir as fontes de trocas com os parlamentares e os partidos. E, serão eles que aprovarão.

 

Aprovarão?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Mudanças na Câmara dos Deputados aparece apenas nos números

 

congresso nacional

 

De cada dez deputados federais eleitos, no domingo, quatro – ou quase isso – assumirão pela primeira vez o cargo no Congresso Nacional. Dos 513 parlamentares eleitos, 198 são considerados novatos, assumem pela primeira vez o mando na Câmara Federal. Isso significa que, na primeira eleição após as manifestações de rua no ano passado, tivemos renovação de 38,6% dos deputados – a maior desde 1998 quando se começou a calcular esse tipo de estatística.

 

O índice sobe para 43,5% se considerarmos que 25 dos eleitos, apesar de já terem tido mandato de deputado, estavam fora da atual legislatura, como é o caso de Celso Russomanno (PRB-SP), Pompeo de Mattos (PDT-RS), Alberto Fraga (DEM-DF), Gilberto Nascimento (PSC-SP), Benito Gama (PTB-BA) e Moroni Torgan (DEM-CE). Há casos ainda como o de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que se elege deputado depois de já ter cumprido mandato de senador.

 

Os mais otimistas identificarão nessa renovação o atendimento às reclamações feitas pelos cidadãos durante os protestos de 2013. Devagar com o andor porque o santo (ou o candidato) é de barro. Não se engane com os números. A começar pelo fato de que, historicamente, a média de substituição gira em torno de 40% a 50%, segundo informação do site Congresso Em Foco. Se calcularmos os novatos e os que não cumpriam mandato, a eleição de 2010 chegou a um índice de renovação (ou substituição) de 46,4% – portanto maior do que este ano.

 

O cenário é ainda pior se levarmos em consideração quem foi eleito para a próxima legislatura. Parlamentares conservadores se consolidaram como maioria, de acordo com levantamento feito pelo Diap – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. As bancadas sindical e dos movimentos sociais perderam 50% dos seus representantes, enquanto houve aumento no número de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo. Calcula-se, por exemplo, que os evangélicos alcancem 70 cadeiras.

 

Além disso, é possível identificar entre os novos eleitos, sobrenomes que há algum tempo dominam a política nacional. Para se ter ideia, os dois novatos mais bem votados são Bruno Covas (PSDB-SP), e Clarissa Garotinho (PR-RJ). Um é neto do ex-governador de São Paulo Mário Covas e a outra, filha do ex-governador do Rio, Anthony Garotinho.

 

Portanto, caro e raro leitor deste blog, o tsunami por mudanças que eclodiu no ano passado, parece, se transformou em marolinha.

 


A foto deste post é da coleção de Fernando Stankus, no Flickr

“Mudança, Já”, fica pra depois!

 

Massao

 

Comecei a acompanhar eleições como jornalista na era pré-computador, quando o voto ainda era uma cédula e a urna, uma caixa de papelão. A apuração exigia das empresas de comunicação esforço hercúleo (expressão que uso apenas para ficar naquela mesma época), na tentativa de antecipar ao seu público o resultado do pleito. Uma legião de pessoas era contratada para coletar as informações nas zonas eleitorais, onde os votos eram contados, e transmitir o mais rápido possível para as centrais que somavam tudo e projetavam os resultados que somente seriam confirmados dias depois pelo Tribunal Superior Eleitoral. No fim das contas, acertar os vencedores era quase tão importante quanto cobrir os fatos jornalísticos em torno da eleição, que incluam denúncias de propaganda irregular, boca de urna indevida, santinho despejado no chão, dinheiro encontrado no carro, tentativa de compra de voto, além da tradicional correria em busca de pronunciamentos pouco significativos dos principais candidatos.

 

Neste domingo estive fora do ar, na CBN. Pela escala de plantão, fui preservado para o segundo turno quando, então, apresentarei o Jornal da CBN. Mesmo assim, por força da profissão e da consciência cidadã, acompanhei de perto as notícias que movimentaram a programação da rádio e os portais na internet, além de alimentar nossos perfis nas redes sociais. Não é preciso muito apuro para perceber que poucas coisas mudaram na forma como candidatos, cabos eleitorais e eleitores se comportam num dia como esse. Desde o mesário que preferiu ficar dormindo até o cidadão que não mede esforços para votar, pouca ou nenhuma novidade apareceu. Ouvi sobre candidato que levava eleitor para votar, cabo eleitoral que levava dinheiro para eleitor, e eleitor que se levava pela conversa fiada de todos eles. Novidade mesmo foram as reclamações à biometria -usada pela primeira vez em grande escala – que não funcionou em alguns casos. Ou seja, o que mudou foi a tecnologia, apenas. Porque os defeitos nas máquinas, assim como as urnas com problema já tínhamos no passado.

 

O que mais me incomoda, porém, não é a mesmice dos fatos. É a do resultado. E escrevo antes de termos os dados finais, pois não será necessário esperar o último voto para entender que a onda de mudança proposta pela sociedade, durante os protestos juninos, no ano passado, morreu na urna eletrônica. Deixadas de lado as exceções que estão aí para confirmar as regras, é bem provável que teremos nos Executivos e, bem pior, nos Legislativos, mais do mesmo. Nomes consagrados ou de famílias consagradas se repetirão e grupos políticos permanecerão no poder, o que nos faz prever que as políticas públicas se manterão para atender os mesmos de sempre. Os movimentos sociais que estiveram à frente das manifestações, por característica própria, mantinham hierarquia horizontal, sem líderes que despontassem diante dos demais e sem alguém para canalizar as reivindicações. Os partidos e políticos ensaiaram discursos propondo mudanças, mas preferiram seguir a cartilha que os trouxe até aqui, assim não corriam riscos. O sistema eleitoral, que restringe o debate de ideias, limita as campanhas e permite a interferência do poder econômico, beneficia quem já ocupa cargos nos parlamentos.

 

A “Mudança, Já”, exigida aos gritos e cartazes, fica para depois, quem sabe na próxima, talvez daqui a algum tempo, por que não depois, ou até que surja uma nova explosão social.

Avalanche Tricolor: “juiz ladrão!”

 

Grêmio 0 x 1 São Paulo
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Sao Paulo

 

Calma lá! Este gremista que lhe escreve ainda não perdeu por completo as estribeiras. Foi-se o tempo no qual me travestia de atleta e, em quadra ou em campo, aprontava poucas e más com os árbitros de futebol e basquete com os quais mantive relação belicosa e, provavelmente, injusta, pois nem eles eram tão ruins como eu os acusava nem eu era tão inocente quanto me fazia passar. Não me orgulho das brigas que tive enquanto joguei os dois esportes, sempre vestindo a camisa do Grêmio, apesar de hoje, ao contar as histórias daquele tempo, achar graça das cenas que repasso na memória. Tenho consciência que faziam parte de uma personalidade competitiva que se construía sob a influência de hormônios adolescentes. Mudei muito desde que deixei de jogar pra valer, isso lá pelos anos de 1980. Sou muito mais controlado nas minhas reações e, beneficiado pela experiência, tento canalizar aquela energia que beirava a violência para minhas tomadas de decisão e desenvolvimento das funções que preciso exercer no jornalismo e na vida. Bem verdade que o esporte ainda mexe comigo e, às vezes, diante da televisão ou nas raras oportunidades em que vou ao estádio me pego esbravejando contra o árbitro. Para que ele não se sinta perseguido, adianto que o alvo da minha ira muda dependendo a situação. Pode ser o craque que perde gol feito ou o zagueiro que erra feio. O adversário, é claro, tem preferência nessa lista.

 

Hoje, o árbitro Felipe Gomes da Silva concentrou boa parte das minhas reclamações, especialmente porque a precisão de seu olhar funcionou tão bem a ponto de perceber Rhodolfo tocando o pé do adversário na dividida de bola, dentro da área, o que resultou em pênalti, mas não teve a mesma competência para ver que a bola lançada para Barcos, em condições de marcar o gol que abriria o placar, ainda no primeiro tempo, saiu do pé de outro adversário e, portanto, não havia nenhuma irregularidade. Veja que reclamo do juiz porque errou ao anular jogada legal para o Grêmio tanto quanto porque marcou de forma acertada pênalti contra o Grêmio. Nós torcedores somos assim mesmo. Injustos e intempestivos no momento de encontrar culpados para as coisas que não estão dando certo. Reclamamos porque o juiz deu cartão amarelo para nosso jogador em uma entrada mais forte e pedimos cartão à primeira falta que um dos nossos recebe. Xingamos porque o auxiliar enxergou o impedimento milimétrico e nos impediu de fazer o gol (tava pouca coisa na frente!) e voltamos a xingar porque não levantou a bandeira quando nossos zagueiros já não eram mais capazes de segurar o contra-ataque, mesmo que a reprodução na TV mostre que ele estava correto.

 

Cabeça no lugar, tempo para pensar e razão retomada. Tudo isso ajuda a ver melhor os motivos que impedem seu time de conquistar a vitória esperada. Percebe-se que o erro do juiz não foi maior do que do atacante que desperdiçou a oportunidade de marcar logo no início da partida, como aconteceu com Luan, mais uma vez. Entende-se melhor que falta precisão nas cobranças de falta e escanteio, fato que nos tirou a fama de ser um time forte nas bolas paradas (muitas vezes usada de forma pejorativa, como se fosse nossa única arma). Impossível não incluir nessa análise o potencial do adversário que sabe usar a experiência e qualidade do passe de alguns de seus jogadores. Teve o juiz, também, claro que teve. Foi inseguro, trocou marcações e fez aumentar a intranquilidade de um time que há algumas rodadas ronda o G-4 e não o alcança em definitivo. Mas não a ponto de chamá-lo de ladrão.

 

Então, porque o título desta Avalanche? – deve estar se perguntando você, caro e raro leitor. Por que lembrei do meu colega de rádio CBN e torcedor do São Paulo, Carlos Alberto Sardenberg, depois do jogo deste sábado. Ele costuma brincar que só existem dois resultados no futebol: ou meu time ganha o jogo ou o juiz é ladrão. O time dele ganhou. O meu … você já sabe.
Foto do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Conte Sua História de SP: embalei meu filho no samba da Vai Vai

 

Maria da Conceição Pereira nasceu em Sabinópolis, Minas Gerais, em 1951. Neta de portugueses, cresceu em ranchos feitos pelo pai, que trabalhava na agricultura como meeiro. Aos oito anos foi morar na casa do padrinho para poder estudar. Com 13, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar com arte. Vivia em Santo Amaro, mas gostava mesmo de passear nos Jardins, sempre acompanhada da irmã e amigas. Foi lá, ainda com 18 anos, que conheceu o marido: homem bonito, de bigode e sempre com um carrão. Não era dele, era do dono do banco para o qual trabalhava. Motorista exemplar, era respeitado por todos os colegas, podia até levar o carro para casa. A mãe e a irmã providenciaram o enxoval, todo comprado na loja do Mappin. E Maria da Conceição Pereira casou-se, em uma igreja no Piraporinha, zona sul da cidade. Orgulhosa, diz que todo povo do banco compareceu. Foi morar no Bixiga, bem onde a escola de samba Vai Vai ensaiava para o Carnaval. No depoimento, gravado pelo Museu da Pessoa, Dona Conceição lembra de como o samba da Vai Vai a acompanhou durante toda a gravidez:

 

 

Maria da Conceição Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento dela foi gravado no Museu da Pessoa. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade, e registrar suas memórias, agendando entrevista, em áudio e vídeo, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br e leia outras história de São Paulo aqui no Blog.

Mundo Corporativo: Luiz Felipe Marques, da WMcCann, e o novo comportamento do consumidor

 

 

Nos últimos dez anos, o brasileiro transformou-se em um consumidor mais maduro, mudança que impactou a estratégia de vendas das empresas e marcas. Para Luiz Felipe Marques, planejador da WMcCann, uma das diferenças que se percebe, atualmente, é que este consumidor se vê sempre em clima de compra, ou seja, acabou a história de sair para comprar, isto pode acontecer a qualquer instante. Ao mesmo tempo, o brasileiro está muito mais bem informado sobre seus direitos, benefícios que pode obter e vantagens oferecidas pelos concorrentes. Depois de ouvir 10 mil pessoas em 10 países, Marques conta como as empresas devem se adaptar aos novos hábitos, às vendas pelo celular e ao e-commerce, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo site http://www.cbn.com.br com participação dos ouvintes no e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a produção e edição de Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Ernesto Foschi.

 

A margem de erro de pesquisas eleitorais

 


Por Julio Tannus

 

As pesquisas eleitorais assumem importância fundamental no processo de eleições. Não somente balizam os candidatos para orientarem seus trabalhos de convencimento de eleitores, mas também podem orientar e influenciar o eleitor durante o processo eleitoral. São instrumentos de prospecção e de condução do processo. Por isso, as autoridades que ordenam o processo de eleições fazem exigências como o registro de pesquisas, a nomeação de um responsável técnico e a declaração da margem de erro. Sendo assim, na apresentação do resultado de pesquisas de intenção de voto, as empresas de pesquisa declaram que a margem de erro é tantos por cento, para cima ou para baixo, com tal porcentagem de confiança.

 

Isto posto, afirmamos que:

 

1. a amostragem conduzida pelo IBOPE/Datafolha/outras empresas não é probabilística, ela se baseia no esquema de cotas, ou seja, nem todo eleitor tem a probabilidade de responder a pesquisa, como ocorre na amostra probabilística;

 

2. o esquema de cotas é usado, em que pese o reconhecimento das “vantagens” de um esquema probabilístico, por questões de tempo de execução e pela dificuldade de uma amostra probabilística nos tempos atuais;

 

3. somente o uso correto de amostragem probabilística possibilita a determinação e uso da margem de erro.

 

A amostragem por cotas, largamente usada em pesquisas de opinião e em pesquisas de mercado, não pode ser considerada alternativa válida à amostragem probabilística se considerada a inclusão da margem de erro. Problemas de presteza na execução e de orçamento não servem como justificativa.

 

As margens de erro declaradas, como afirmam o IBOPE/Datafolha/outras empresas, são baseadas em fórmulas de amostragem aleatória simples. Mas as margens de erro não se aplicam à amostragem por cotas ou a qualquer método de amostragem não probabilística.

 

Não há uma justificativa matemática, logicamente correta. Infelizmente, somos obrigados a dizer que as justificativas apresentadas são, em si mesmas, falsas, pois não tem anteparo técnico.

 

Outro aspecto à consideração diz respeito à questão do acerto e erro das prévias eleitorais. Já citei, em outros momentos, o texto escrito, em 1896 (século XIX) por Gustave LeBon “The Crowd” – que dizia algo assim: :

sejam quais forem os indivíduos componentes, sejam ou não semelhantes seu modo de vida, suas ocupações, seu caráter ou sua inteligência, o fato de terem sido transformados em multidão confere-lhes a posse de uma espécie de cérebro coletivo, que os faz sentir, pensar e agir de modo completamente diverso do que cada um dos indivíduos sentiria, pensaria ou agiria em um estado de isolamento. Há certas ideias e sentimentos que não surgem e não se transformam em atos exceto no caso de indivíduos formarem uma multidão…

O fenômeno multidão aqui considerado por LeBon refere-se a situação de aglomeração com a presença física dos indivíduos. Assim, o ato de sair à rua, como ocorre nos dias de eleição, efetivamente introduz um caráter de multidão. É esse caráter que descarta a ideia absoluta de prévia na pesquisa eleitoral, pois não se pode contar com algo que ainda não se constituiu.

 

Fica evidente a função da pesquisa eleitoral não como uma ação que visa antecipar resultados, mas sim como balizamento para a Opinião Pública, permitindo o acompanhamento do processo eleitoral pelo seu principal ator: o cidadão.

 

Ou seja, as prévias eleitorais não acertam ou erram, mas sim são tecnicamente bem feitas ou mal feitas.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)