Governabilidade: verdades, mitos e barreiras

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Plenário do Senado

 

No tiroteio de acusações à Marina, protagonizado por Dilma e Aécio, a governabilidade foi um dos fatores mais destacados, quando se esmiuçou os parcos indícios de estrutura partidária da candidata. Abrigada provisoriamente no PSB, encurralada por uma decisão jurídica, que a impediu de registrar a Rede Sustentabilidade, Marina foi comparada a Jânio Quadros e Fernando Collor. Ambos, eleitos sem a maioria na Câmara, sofreram efeito fulminante, cuja resultante legou uma renúncia e um impeachment.

 

Se a comparação serviu como ataque, embora com resultado eficiente, é parcial, pois a causa da governabilidade política é mais abrangente e remete a um sistema inglório de trocas. Uma rápida análise histórica do poder legislativo federal chegará inevitavelmente ao real toma lá dá cá. Não só para Marina, mas para todos que assumirem sem a maioria absoluta, a qual nem Dilma nem Aécio possuem.

 

Portanto, é agora e é a hora de perguntar a Aécio e Dilma, como vão obter a maioria para a governabilidade na Câmara. Vão apelar ao patriotismo dos deputados, ou a verbas, ou a favores, ou ainda a mensalidades? A empreitada que já era difícil tornou-se mais árdua, pois os 22 partidos de então viraram 28.

 

Dilma, que começava tendo na sua base do PT e PMDB 164 deputados passa agora a ter apenas 136 deputados. Terá então que procurar aliados dentre os 377 deputados restantes.

 

Aécio, cujo PSDB manteve as 54 cadeiras na Câmara, adicionando as 22 do DEM, ficará com 128. Precisará encontrar dentre os 385 parlamentares a quantidade suficiente para a governabilidade.

 

Dilma e Aécio, para honrarem as promessas de reforma tributária, política e administrativa terão de reduzir as fontes de trocas com os parlamentares e os partidos. E, serão eles que aprovarão.

 

Aprovarão?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

3 comentários sobre “Governabilidade: verdades, mitos e barreiras

  1. Prezado Carlos, não vai ser fácil para os dois.
    Para Dilma, já que tem o apoio do PMDB, PDT, PC do B e etc., será uma questão de oferta e procura.
    O difícil é admitir as alianças em conflito com a história de fundação do partido.
    Para Aécio, este sim, terá que matar um leão por dia e também se entender com o PMDB.
    Ou terá que se apresentar como um líder e estadista surpreendente.

    A verdade que a constituição de 1988 nos deixou um parlamentarismo branco e ate o veto do Presidente pode ser vetado.
    Somente em um momento senti este poder estremecer. Quando das passeatas nas ruas.
    A voz de milhões de pessoas faz o congresso nacional rever decisões.
    Talvez o novo Presidente terá que contar com esta força.

  2. Prezado Rafael, será uma tarefa difícil, pois como sabemos o “É dando que se recebe” existe. Desde o Império os comerciantes de escravos manipulavam o imperador, e chegamos no mensalão. De outro lado para diminuir os ministérios, reduzir empresas e cargos por nomeação. Proibir a reeleição, reduzir o numero de deputados, equalizar a representatividade, reformar a estrutura tributária, etc. precisamos dos votos dos deputados.
    Aguardemos.

  3. Caro Jung, lhe escuto toda a manhã aqui em Floripa e gosto muito do teu jeito de conduzir. Uma Senhora Gaucha me disse que escutava Vosso Pai, lá no RS. Pena que não temos mais o Cony na Liberdade de Expressão e com o hora do expediente, o qual não gosto (Colar em sala de aula, não dá !!!). Sou advogado e ex membro do PSDB, hoje e há muito tempo sem partido. E escuto o Madureira, que é PARCIAL (Frequentava a casa do Sérgio Guerra). E o pior é Arnaldo Jabor. Pois segunda-feira 06/10/14, MENTIU ao dizer que a DILMA só ganha no Nordeste e por causa do Bolsa Família. Ele que leia mais o Mapa de Votação e não MINTA, pois o teu RS, MInas do Aécio, e o Rio também foram Dilma.

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