Conte Sua História de SP: o cemitério salvou minha vida

 

Por Paulo Roberto Nakashima
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Estava eu caminhando pela Rua Aurora, entre o Largo do Arouche e a Rua da Consolação, no final da década de 80, entre as 23:00 / 24:00, voltando da escola. Eu usava o cabelo bem comprido, algo pouco comum naquela época para um homem e seguia tranquilamente o meu caminho quando me deparei com um homem visivelmente embriagado, que falava alto em espanhol, abraçado por duas mulheres que, provavelmente, prestavam-lhe serviço como acompanhantes. Ao passar por eles o homem gesticulou algo para mim e tentou me beijar. Acho que me confundiu com uma mulher por causa do meu cabelo e as mulheres começaram a rir e zombar de mim. Empurrei o homem e respondi de forma impetuosa as mulheres. Uma delas começou a gritar enquanto que a outra entrou correndo em um barzinho próximo e logo saiu de lá acompanhada de um homem enorme, do tamanho de um armário, bufando com olhos arregalados, enquanto que a mulher falava: “ Foi aquele ali !” e apontava para mim.

 

Tenho que confessar que não me sinto envergonhado em dizer que não pensei duas vezes em sair correndo. Fui em direção a Rua da Consolação seguido pelo furioso armário ambulante que gritava: “Eu te mato, eu te mato, filho d#%¨¨&* !”.

 

Fui subindo a Consolação e só parei quando cheguei aos portões do cemitério, lugar bem conveniente para um descanso no caso dele me alcançar. Felizmente não vi sinal algum do homem. Fiquei surpreso com a minha capacidade atlética. Cheguei a pensar seriamente em participar da São Silvestre, mas desisti da ideia porque não tive a oportunidade de convidar aquele homem para correr atrás de mim, já que eu mudei o meu caminho que eu fazia para voltar da escola.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, após às 10h30 da manhã, no CBN SP. E você participa enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendado entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Avalanche Tricolor: Parabéns ao Inter!

 

Inter 4 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Centenário (Caxias do Sul)

 

Você, caro e raro leitor deste Blog, talvez estranhe o título desta Avalanche sempre disposta a identificar do lado gremista méritos, inclusive quando estes praticamente não aparecem. A paixão que tenho pelo Grêmio, declarada desde sempre e escancarada em qualquer oportunidade que surge, me faz, mesmo diante dos maiores fracassos, fechar os olhos para nossas fraquezas e identificar como heróicos lances insignificantes. Quantas vezes, você já deve ter colocado em dúvida minha razão por elogios ao chutão que despacha a bola pela lateral, ao carrinho destemido de um dos volantes, à coragem do atacante que, isolado, briga aos trancos e barrancos com seus marcadores. Nunca fiz questão de escrever estas linhas com a razão, prefiro deixar este papel para os entendidos em futebol, aqueles que enxergam os times pela formação tática e posicionamento em campo, que tentam dar lógica para movimentos de um jogo que é, na essência, improvisação. Eles é que têm de justificar o bom e o mau futebol, apesar de muitas vezes não me convencerem com o que dizem e escrevem. Seja lá como for, não estou aqui para reclamar dos comentaristas, e é bom voltar logo para a origem desta minha conversa, antes que você abandone meu texto imaginando que esteja sofrendo alucinações (convenhamos, não faltariam motivos para tal). Estou aqui é para justificar a manchete deste post em espaço sempre destinado ao azul, branco e preto. E o farei com mais precisão e sem delongas no parágrafo seguinte.

 

O Inter fez por merecer o título que conquistou em mais esta temporada do futebol gaúcho. Desde o início da competição liderou seu grupo com boa vantagem em relação a seus adversários diretos, a ponto de encerrar a fase inicial com a melhor pontuação, o que lhe ofereceu o direito de jogar as partidas finais em casa, se não em sua própria casa, que passa por reformas, ao menos naquela que escolheu jogar. Apesar de não ter os números em mãos, e prefiro não acessar os sites de futebol para confirmá-los (peço-lho licença para não fazer isto neste fim de domingo, por razões que me parecem óbvias), sei que o melhor ataque do campeonato foi o colorado; se não teve a melhor defesa em número de gols tomados, era, sem dúvida, a mais bem postada e organizada. Chegou à decisão tendo vencido todas as partidas nas quais disputou com o time titular, a única derrota em toda a competição foi quando atuou com os reservas. Foi assim até a final, onde fez dois jogos impecáveis. O primeiro venceu de virada na casa do tradicional adversário e o segundo, desfilou em campo. Como diriam os mais antigos do futebol, fechou com chave de ouro e fez a volta olímpica no Estádio Centenário, de Caxias do Sul, no interior, diante de pouco menos de 20 mil torcedores. O Inter foi grande no campeonato estadual e mereceu ser campeão pela quarta vez consecutiva, no Rio Grande do Sul. Poderia até ser rebatizado de Interregional.

 

O Grêmio segue firme e forte na Libertadores.

Muito tédio, pouco futuro

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Quem sou eu para dar palpite sobre qualquer coisa, ainda mais sobre política. Não sou voltada para ela. Não é o meu ramo. Palpitar, palpito pouco, até porque o som da palavra ‘palpito’ é de torcer o nariz e me lembra ‘dar -ou levar- um pito’, e lembra ‘arrogância’, que sopra um apito e dá pitos, de peito inflado e olhar altivo. Altivo eu acho bonito, mas a tal da arrogância não dá para engolir. Ela é doutora em alguma coisa que ninguém sabe bem o que é, mas dá aula para o palpite, o pito e o escárnio, que acabou de chegar na turma.

 

Mesmo que nos ‘propuséssemos’ -outra para colocar na lista- a criar uma lista das tais palavras, talvez não pudéssemos -essa é bem melhor- publicá-la porque escorregaríamos -essa é divertida- nas normas criadas pelo novo desgoverno autoritário; não ao pé da letra, é claro, porque nada mais é ao pé da letra, neste país. A letra muda ao sabor dos dominantes. Hoje somos divididos, pelo Grande Pai, em Nós e Eles. Inimigos. Nós devendo desprezar Eles. Nós, claro, são os dominantes e seus apoiadores; Eles é o resto, restolho, incluindo esta que vos fala. E assim, atiçando as flamas e apontando as flechas da intolerância e podando o preconceito na forma conveniente, Nós despreza Eles, e vice-versa.

 

Povo para ser dominado e controlado deve estar dividido. Lição Um. Todos os desgovernos autoritários fazem isso, seguindo modelo ultrapassado, embolorado e falido, que ficou tatuado em seus corações-zinhos, como trauma de adolescente rebelde, hoje propulsionado por arrogância e ganância.

 

Não é mais permitido dizer, escrever ou ouvir palavras como Negrinha, por exemplo, como eu era chamada por minha tia, ou Negrão, que eu achava que era o nome dele, um amigo do meu pai. Será que ainda se pode citar o Negrinho do Pastoreio? Será que é permitido pedir uns negrinhos na doceira lá de Porto Alegre?

 

Este atual Desgoverno Federal não é um governo; é um partido político que já está no poder há doze anos -a Era Vargas durou dezesseis, e o Regime Militar, vinte e um- aparelhando a máquina, como dizem, que na verdade quer dizer comprando gente. Sim, comprando pessoas de todas as raças e credos e partidos. O pelo não importa, importa o apoio para que a centopeia desvairada possa dançar como melhor lhe convier.

 

E por falar em Regime Militar, Boi da Cara Preta -será que pode?- até ele aceitou alternância de partidos. Partido Social Democrático, Aliança Renovadora Nacional, por DEZ anos! -oi! o PT já ultrapassou a marca e quer se perpetuar no poder?! -, o Partido Democrático Social, o Movimento Democrático Brasileiro, por cinco anos!, Collor, Itamar, até que Fernando Henrique fechou o ciclo com oito anos de Governo, filiado Partido da Social Democracia Brasileira. Agora, o PT sentou na cadeira do poder e gostou.

 

Ai que tédio!

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: a opinião do consumidor para Aloísio Pinto, da WMcCann

 

A pesquisa é um poste que você usa para encostar ou para iluminar. Se for para encostar e jogar a responsabilidade de suas decisões sobre os dados coletados, haverá erro de estratégia. Porém, pode ser muito útil para clarear ideias e, a partir delas, traçar processos de comunicação. A opinião é de Aloísio Pinto, vice-presidente de planejamento da agência de publicidade WMcCann, entrevistado do programa Mundo Corporativo, na rádio CBN. Aloísio Pinto lembra que hoje o consumidor está “escolado” com pesquisas e muitas abordagens acabam coletando dados irreais pois o entrevistado usa filtros e camadas culturais ao escolher suas respostas.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Nina Ricci e Ladurée: uma união doce e floral

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

No início deste ano, as grifes Nina Ricci e Ladurée uniram forças na criação de dois produtos exclusivos: o perfume La tentation de Nina, inspirado nos famosos macarons, e macarons inspirados nas notas da fragrância, frutos de uma parceria entre o perfumista da grife, Olivier Cresp, e Vincent Lemains, o chef responsável pelas delícias da Ladurée, pâtisserie francesa que aguça os sentidos de muitos consumidores ao redor do mundo com seus macarons e outras guloseimas.

 

A fragrância tem como base um floral frutal gourmand que combina bergamota e grapefruit com baunilha, musk branco e sândalo, contando ainda com notas dos principais ingredientes do macaron: framboesas, amêndoas, limões e rosas búlgaras. Já os macarons tem a mesma cor do frasco do perfume e são cobertos com folhas de ouro.

 

A prática de co-branding, utilizada pelas duas griffes de luxo, é muito comum na gestão de marcas, e no mercado do luxo o modelo de negócio também é importante. A prática consiste no desenvolvimento de um projeto unindo duas marcas com o objetivo de valorizá-las e divulgá-las. O co-branding é uma das ferramentas mais importantes para solidificar ou posicionar uma marca de luxo.

 

Vale lembrar que, além de poder propiciar o fortalecimento das marcas, o co-branding tem sido explorado com frequência no cenário competitivo global, no qual cada vez é mais difícil diferenciar-se diante de consumidores extremamente exigentes. A aliança entre duas marcas pode também proporcionar ganhos financeiros e ainda fortalecer o relacionamento com seu público alvo. É comum também a união de duas marcas onde uma delas busca trading-up, ou seja, une-se a uma marca mais forte e já prestigiosa, para aumentar a sua percepção de valor, o que não é o caso de Nina Ricci e Ladurée, ambas já consagradas mundialmente.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: estou mais perto de ti, Libertadores

 

Grêmio 1 x 0 Nacional
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Haverá quem reclame de passes errados, de falta de criatividade, desperdícios de gols e do espaço para o adversário jogar. Talvez seja mesmo importante apontar falhas, pois se corrigidas farão o Grêmio ainda mais forte e preparado para seus desafios. A identificação das fragilidades faz parte da construção de um grande time e permite o desenvolvimento técnico e tático. Em competição na qual tivemos tantos méritos até aqui, não nos fará mal a humildade e a aceitação das críticas, porque esta é uma das virtudes dos campeões. Deixarei essa tarefa, porém, aos mais críticos, exigentes ou mal-humorados, que, normalmente, já realizam esta tarefa com maestria (e às vezes, exagero).

 

Eu, que encarei mais uma maratona de trabalho, compromissos e futebol até à meia-noite, prefiro dedicar-me a alegria de mais uma vitória e da belíssima campanha nesta primeira fase da Libertadores que nos coloca entre os favoritos ao título (são os especialistas que estão dizendo). Quero dormir com o sorriso do torcedor que assistiu ao seu time lutar muito para garantir a liderança do grupo e descobriu excelentes talentos e grandes batalhadores no elenco. Torcedor que vibrou na defesa “invertida” de Marcelo Grohe, no bicão do Pará, no domínio de bola de Wendell e, claro, na cobrança de pênalti do Barcos. Vou descansar agora com a satisfação de encerrar esta fase como a segunda equipe mais bem classificada, e invicto, enquanto a maioria já está fora da disputa. E eis aí mais um motivo para comemorarmos: nosso sonho pelo Tri da Libertadores está mais próximo do que quando iniciamos esta jornada. Ainda haverá muito caminho, carrinho e pontapé para encararmos até a conquista final e, experientes que somos nesta guerra travada nos campos sul-americanos, sabemos que as batalhas mais árduas surgem agora. No mata-mata, reduz-se a margem para erros. Mas, como disse, não quero pensar nos erros agora, quero é comemorar.

 

Dá-lhe, Grêmio!

Pot-pourri de assuntos (a pedido do autor)

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Acostumei-me a escrever às quintas-feiras no blog do Mílton. Ao contrário do que ocorre comumente na vida das pessoas,o espaço que ocupo não passou de pai para filho,mas de filho para pai. O papel do meu rebento – era como a mãe de um atleta da Sogipa,equipe rival do Grêmio nos campeonatos de basquete,costumava chamar o meu filho pensando em provocá-lo – é,neste blog,criar título para as minhas colunas.Hoje,no entanto,vou pedir que ele me dê licença de intitular, nada mais,nada menos,do que um pot-pourri de assuntos. Trata-se de uma experiência.Quando comecei a atuar na radiofonia gaúcha,pot-pourri era uma palavra corriqueira na profissão. De vez em quando anunciávamos que os caros ouvintes acompanhariam uma seleta coletânea de músicas brasileiras ou estrangeiras. Isso agradava a quem estava na escuta porque as “páginas musicais” não eram interrompidas a todo instante por spots ou jingles. Desta vez,agora que os meus compromissos radiofônicos já deixaram de existir,aí vai um rápido pot-pourri de textos:

 

Porto Alegre declara guerras à sujeira

 

O Rio de Janeiro – não sei se São Paulo também – já conseguiu reduzir o lixo em 60 por cento – nas ruas da cidade. Com certeza, pensando,provavelmente,nos turistas que nos visitarão durante a Copa do Mundo,a Prefeitura de Porto Alegre, divulgou na última segunda-feira, o novo Código Municipal de Limpeza Urbana. O jornal Zero Hora postou,em manchete,que “Começa a caça a sujões”. Será? Os argentinos,quando tratam de normas legais,usam esta frase ”Hecha la ley,hecha la trampa”. Se no futebol as autoridades não conseguem reprimir da forma pretendida aqueles que são responsáveis por todos os tipos de desordens,proibindo-os de assistirem a jogos e obrigando-os a se apresentar em delegacias em dias de partidas,imaginem como não parece nada fácil punir os que sujam as ruas. A Prefeitura,o que vejo como boa ideia,pensa em fazer convênio com a Brigada Militar (a Polícia Militar dos gaúchos)para que os seus elementos acompanhem a fiscalização,eis que esses têm condições de tomar medidas oficiais penalizar os infratores.

 

Entendo,particularmente,que são necessárias campanhas na mídia a fim de conscientizar os barbados e,como não,as crianças,porque,desculpem-me pelo adágio comum,é de pequenino que se torce o pepino. A propósito, quero deixar os meus cumprimentos ao DMLU porto-alegrense pela rapidez com que providenciou a retirada de um colchão de casado que algum papeleiro sujão deixou cair de sua carroça na frente da minha casa. É necessário,no entanto,que os vizinhos não fiquem na moita quando se trata de telefonar para o numero 156,do Fala Porto Alegre,sempre que,em frentes às suas casas,existam galhos de árvores e capim impedindo a circulação pelas calçadas.

 

Anseios da juventude

 

David Coimbra,que escreve na Zero Hora texto de quase uma página sob o título de Código de David,intitulou o de domingo,6 de abril,de “Um tempo sem kiwi e sem heróis”. Jamais provei kiwi. Na minha infância – a infância vem antes da juventude – tinha,sim,alguns heróis. Afinal,eu lia – trepado na garagem da casa paterna,junto com o meu amigo Bruno – exemplares do Gibi e do Almanaque Globo-Juvenil, sempre recheados de personagens que me deslumbravam com as suas aventura. Dê-lhe Super-Homem,dê-lhe o Homem Aranha,dê-lhe Fantasma,dê-lhe Capitão Marvel e tantos outros. Enquanto,líamos às escondidas, aproveitávamos para aliviar as peras do vizinho.O David nasceu muito depois de mim. Percebi,ao ler sua página,que ele bem que gostaria de ganhar de Natal um autorama. Este só se tornou realidade para mim quando o Mílton nasceu – a Jacque,pouco mais velha,brincava com as suas bonecas – e eu dividia com ele os carrinhos velozes.Bicicleta,já contei isso,ganhei apenas ao passar em segunda época em matemática. Antes,só pedalava em bicicletas emprestadas (odeio os novos nomes que deram a esse simpático veículo. No meu tempo,a bola da zona tinha um dono.E não era eu. Jogávamos até a mãe dele chamar para a janta. Vejo,hoje,os meus netos brincam em computadores e lidarem com celulares como gente grande. Perdão,nós é que ficamos pequenos perto deles quando se trata desses dispositivos. Ah,eles já possuem coisa mais moderna que simples celulares. Sim,os andróides.

 

E o pot-pourri onde ficou?

 

Descobri que o pot-pourri de textos é bem diferente daquele da minha então incipiente carreira no rádio. Afinal,ele ficou somente nos dois títulos que,sem bancar o pessimista,talvez nem tenham sido lidos. Seja lá como for,meu propósito não é produzir textos do tamanho dos do David Coimbra nem os da mina sobrinha Cláudia Tajes,colunista do Caderno Donna. Ela escreveu na edição desse domingo e falou,meio braba,sobre a porcentagem de pessoas que acham mulher com pouca roupa merecer ataques sexuais. Não sei se a Claudinha ficou menos insatisfeita ao saber que não são 65%,mas 26% os maus-caracteres. Até o Ipea se engana.

 


Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Financiamento das eleições, ideologia e fisiologia

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Após anos de intensos debates, o financiamento pelas empresas a candidatos e partidos finalmente foi votado, e reprovado.

 

Simultaneamente, há uma semana, o STF Supremo Tribunal Federal e a CCJ Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, do Senado, votaram pela proibição das pessoas jurídicas doarem dinheiro para as eleições.

 

Enquanto o excesso de tributação e o alto grau de corrupção são realidades constatadas por todos, não é tão visível a distorção no sistema eleitoral nacional, ocasionada pela interferência das doações empresariais a candidatos e partidos. Quero crer, menos por ideologia e mais por fisiologia.

 

Os números mostram, por exemplo, que a Petrobras tem forte participação nas doações de campanha através de seus fornecedores. De acordo com a AGÊNCIA ESTADO são responsáveis por 30% do total das contribuições corporativas. Como na atual “Operação Lava Jato” da Polícia Federal, relatada na FOLHA de ontem, em que a Jaraguá Equipamentos, apontada como participante do esquema do doleiro Alberto Youssef, é uma das nove fornecedoras da Petrobras, que depositaram R$ 34,7 milhões na conta da MO Consultoria. Empresa que de 2009 a 2013 é suspeita de ter repassado R$ 90 milhões para funcionários públicos e políticos.

 

Os números da TRANSPARÊNCIA BRASIL também registram que dos R$ 790 milhões em doações de 2002 pulamos para R$ 4,6 bilhões em 2012, e, o custo do voto em 10 anos passou de R$ 1,30 para R$ 20,62. Ao mesmo tempo, há uma incomoda concentração entre os maiores doadores, onde despontam as grandes construtoras.

 

 

A proibição, entretanto ainda não é em termos definitivos, pois no STF embora seis ministros já tenham declarado voto a favor, Gilmar Mendes pediu vistas, como fez Teori Zavascki em dezembro. Ambos contra a proibição, alegando o mesmo que a CPI do PC Farias em 1993, ou seja, é melhor às claras do que às escondidas. Contrapondo ao argumento dos demais, que evocaram o equilíbrio dos pleitos e a desqualificação das pessoas jurídicas, pois não votam. Aliás, a mesma tese do relator da CCJ no Senado, Roberto Requião, que só encaminhará à Câmara dos Deputados se não houver recurso para votação no plenário do Senado.

 

Esperamos que a espera ora ocasionada por Gilmar Mendes e por eventual recurso no Senado seja uma ação democrática e não fisiocrática.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: minha festa de debutante não foi por água abaixo

 

Por Beth Russo
Ouvinte-internauta da CBN

 


 

Minha rua ficava no Bairro do Cambuci. Rua Freire da Silva. Eram os anos 50/60. No começo nem era asfaltada e o esgoto era a céu aberto. Depois veio o asfalto. Foi uma grande melhoria. Só tinha um problema. Eram os dias de chuva. Enchia a qualquer chuvinha. Todas as casas tinham um murinho na porta ou comportas para a água não entrar. Mas não adiantava. A água é poderosa e quando não “pulava” o murinho, vertia pelas paredes. Minha mãe colocava pedaços de jornal nas frestas da porta, mas também não adiantava muito. Para meu irmão e eu era uma festa: fazíamos barquinhos de jornal e ficávamos na janela vendo-os partir. Às vezes passava um caminhão na enchente e formavam grandes ondas e aí entrava nas casas. As mulheres saiam a xingar, mas as crianças adoravam ver aquele mar bem na sua porta.

 

Eu estudava no Colégio Rainha dos Apóstolos (tinha bolsa, porque era ótima aluna). Para ir para escola, os bombeiros levavam os moradores de barco até a parte seca. Era uma festa. Sentia-me em Veneza. Outras vezes tínhamos botas de borracha, cano alto. Sempre que alguém precisava sair, um familiar acompanhava até onde não havia água e trazia as botas de volta. Nunca ficamos doentes. Quando a água baixava era hora da limpeza. Dava um trabalhão. Desinfetar tudo, esperar secar, raspar o chão, escovão, etc.

 

Quando completei 15 anos, era moda fazer uma festa, com 15 pares de amigos, com velas acesas e tudo mais. Era em nossa casa mesmo. Tinha a vitrola, um bolo, pão com patê e cuba libre. Só que no dia caiu a maior chuva e encheu a rua. Não teve festa. Mas no dia seguinte apesar de tudo conseguimos reunir todo mundo e eu tive minha festa de 15 anos. Era tudo tão simples! Contentávamos-nos com tão pouco! E éramos felizes!

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode enviar sua história para milton@cbn.com.br ou agenda entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net

A língua certa para não cair da cadeira

 

A história quem contou foi Gaudêncio Torquato em coluna publicada no Estadão de domingo e tem como protagonistas Jânio Quadros e Delfim Neto, que não carecem de apresentações. Na campanha à prefeitura de São Paulo, em 1985, aquela em que Fernando Henrique caiu da cadeira, o candidato Jânio levou Delfim para um dos poucos comícios na periferia e o ex-ministro tascou do alto do palanque: “A grande causa do processo inflacionário é o déficit orçamentário”. Jânio chamou Delfim no canto e apontou para o público: “Olhe para a cara daquele sujeito ali. O que você acha que ele entendeu de seu discurso? Ele não sabe o que é processo, não sabe o que é inflação, não sabe o que é déficit e não tem a menor ideia do que seja orçamentário. Da próxima vez, diz assim: a causa da carestia é a roubalheira do governo”.

 

Falar a língua do povo é uma das habilidades necessárias para os políticos de plantão, mas serve também para todos que trabalham em comunicação. No jornalismo, há algum tempo os veículos têm adaptado o discurso ao seu consumidor. Um texto de economia do Valor, por exemplo, jamais deve ser reproduzido na programação de rádio. Estaria se cometendo dois erros: primeiro, no jornal escreve-se para quem lê, enquanto no rádio, para quem ouve; segundo, o leitor do Valor tem mais intimidade com os temas relacionados à economia do que o ouvinte do rádio. Isso significa que quem lê o Valor não ouve rádio? Não. Apenas que o rádio fala para um público mais amplo do que o jornal e o esforço é fazer com que todas as pessoas entendam perfeitamente a mensagem transmitida. Se você é um empresário e precisa se comunicar internamente tem de definir se seu público são os acionistas da empresa ou os peões do chão de fábrica. Mantém-se o conteúdo, mas muda-se a forma.

 

Do artigo dominical de Gaudêncio Torquato, no qual compara a fala de políticos do PT e do PSDB, destaco mais algumas colaborações para quem pretende falar a língua das pessoas. “Desconforto hídrico temporário” deve ser substituído por “seca braba”; “redução compulsória do consumo de energia elétrica” é “corte de energia”; “retracionismo na empregabilidade” significa “desemprego” e “compensação pecuniária às distribuidoras pelo déficit que enfrentam devido ao racionamento” nada mais é do que “aumento de tarifas de energia”. Importante, porém, lembrar que toda mudança na linguagem deve ser coerente com nossa personalidade. Quem passou a vida falando de maneira pernóstica e antiquada não vai convencer ninguém apenas porque convida as pessoas para um “papo reto”.

 


LEIA AQUI O ARTIGO “O PETÊ E O TUCANÊS” DE GAUDÊNCIO TORQUATO NO ESTADÃO