Mundo Corporativo: a opinião do consumidor para Aloísio Pinto, da WMcCann

 

A pesquisa é um poste que você usa para encostar ou para iluminar. Se for para encostar e jogar a responsabilidade de suas decisões sobre os dados coletados, haverá erro de estratégia. Porém, pode ser muito útil para clarear ideias e, a partir delas, traçar processos de comunicação. A opinião é de Aloísio Pinto, vice-presidente de planejamento da agência de publicidade WMcCann, entrevistado do programa Mundo Corporativo, na rádio CBN. Aloísio Pinto lembra que hoje o consumidor está “escolado” com pesquisas e muitas abordagens acabam coletando dados irreais pois o entrevistado usa filtros e camadas culturais ao escolher suas respostas.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

6 comentários sobre “Mundo Corporativo: a opinião do consumidor para Aloísio Pinto, da WMcCann

  1. Parabéns ao Aloísio Pinto pelo conhecimento demonstrado. Citou o cuidado com pesquisas de produtos e serviços que ainda não existem e registrou a importância dos conceitos existentes. Alertou pelos filtros que pesquisados aplicam nas respostas. Opinou favoravelmente pelos currículos escolares ensinarem as teorias das ciências humanas. Questiono apenas sobre a criação de marcas, pois a oportunidade de mercado surge só quando há potenciais consumidores. Por exemplo os cosméticos para pele negra. Creio que ao se falar “marcas” é preciso considerar algum produto ou serviço pertinente.
    Fica claro também que um bom profissional de pesquisa precisa saber lidar com Comunicação, Antropologia, Economia e Marketing.

  2. Como profissionais da área de pesquisa, gostaríamos de registrar alguns aspectos que discordamos do Aloísio.

    (a) O entrevistado entra na sala de grupo fantasiado para assumir um papel: na nossa longa/ longuíssima experiência, isso pode acontecer, mas não é o padrão. Um bom moderador é capaz de perceber eventuais ‘máscaras’ e encontrar meios de desmontar qualquer discurso politicamente correto. O Aloísio menciona que um consumidor jamais assumiria que toma pinga às 9h da manhã. Ele está precisando assistir a mais grupos de qualidade. Já tivemos grandes revelações de comportamento, atitudes, valores, completamente fora dos padrões ‘aceitáveis’, que nos levaram a grandes insights de posicionamento de marca e comunicação.

    (b) É óbvio que o consumidor não tem condições de projetar o futuro em termos de inovações concretas de produtos e serviços; mas ele tem condições de relatar as suas necessidades não atendidas. É a partir daí, que os especialistas de desenvolvimento de produto vão trabalhar. A pesquisa, portanto, é uma ferramenta valiosa no rastreamento de oportunidades.

    (c) Existem profissionais muito qualificados na análise do discurso do entrevistado. O bom analista vai muito além do que é verbalizado porque às vezes a resposta está naquilo que não foi anunciado, mas observado. E, ainda, o profissional de qualidade sabe identificar o que tem e o que não tem relevância na fala do entrevistado, em função dos objetivos do projeto ou áreas de investigação.

    Para terminar, afirmamos com convicção que há muitos pesquisadores de alta qualidade no mercado brasileiro. A gente acredita na pesquisa como uma importante ferramenta de conhecimento do consumidor e de geração de negócios. É por isso que, com orgulho, estamos há muitos anos neste mercado.

  3. A alta qualidade dos comentários de Clarice Herzog e Carla Vasques, é um convite para voltar a este espaço.
    Usuário assíduo das pesquisas , não entendi que Aloisio tenha desconsiderado as qualitativas, apenas citou eventuais riscos que devem ser evitados.
    Na CORI durante 40 anos sempre usamos as pesquisas quantitativas e qualitativas, de forma que decisões estratégicas eram embasadas também na opinião do mercado consumidor. Fomos ainda pioneiros com o comprador misterioso através da Buy&Test, hoje SHOPPER EXPERIENCE..
    Na BARBARA STRAUSS, durante os 3 anos em que estive lá, a qualitativa serviu para reposicionar e reconceituar a marca, quando se abriram mais de 20 lojas.
    Na STROKE, onde estou hoje, de dois em dois anos se faz pesquisa para sentir o mercado.
    Esta longa prática me leva a certeza de que a pesquisa exige preparo do cliente e do pesquisador. Mais até do cliente, que precisa saber pedir e usar.

  4. Na VEJA desta semana há matéria feita com DAVID KELLEY, um dos renomados consultores da APPLE, que entre outras teses interessantes, destaca que algumas empresas costumam ter grandes ideias para depois avaliá-las com os possíveis consumidores. Quando se o projeto começa pelo lado humano, não é preciso estudar se elas vão querer aquilo, porque tudo já partiu do desejo de quem usará.
    Foi assim que contribuiu para grandes projetos para a APPLE e a PROCTER & GAMBLE.

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