Conte Sua História de SP: pequenos medos na grande cidade

 

No Conte Sua História de São Paulo, pequenas histórias de grandes lembranças dos nossos ouvintes-internautas:

 

 

A história de Rinaldo em São Paulo se iniciou em 1971, embarcando e desembarcando na rodoviária, ao lado da Estação da Luz. Ele conta que tinha muito medo, na época, não da cidade, mas da escada rolante. Aos 14 anos, começou sua vida profissional, no trigésimo-primeiro andar do Edifício Zarzur, no Vale do Anhangabau. E aí sim, lá do alto do Mirante do Vale, diante da vista maravilhosa da cidade, Rinaldo sentiu medo de enfrentar aquela selva. Os medos ficaram para trás, e, hoje, totalmente inserido, vê São Paulo, com sua imponência durante o dia e as luzes da noite, acolhendo e encantando a todos que chegam.

 

A segunda lembrança é de Maria Antonia Araújo. De Piracicaba, no interior, chegou há cerca de quatro anos e com ela trouxe o medo de dirigir na Capital. Com uma vizinha expôs a preocupação que sentia por ter de um dia guiar um automóvel pelas avenidas. “Não se preocupe – disse a conselheira – em São Paulo você vai andar tão devagar que não tem como ter problema”. Mesmo assim, Maria Antonia, ainda prefere o metrô.

 

Maria Antonia e Rinaldo são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade, mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou agende uma entrevista em aúdio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ouça e leia outras histórias de São Paulo aqui no Blog do Mílton Jung.

Como atualizar o iWork (e o iLife) da Apple no OS X Mavericks

 

Fã confesso da Apple e do Keynote, programa de apresentação da empresa consagrada por Steve Jobs, venho enfrentando dificuldades com meu computador desde a atualização do sistema operacional para o OS X Mavericks. Apesar de os programas que fazem parte do iWork me pedirem atualização e da Apple anunciar que esta seria de graça, toda vez que acessava a AppleStore só tinha opção de baixar as novidades se pagasse. Fiz algumas consultas sem sucesso até encontrar o blog MacMagazine.com e artigo assinado por Eduardo Marques (leia o artigo completo aqui) que ofereceu uma fórmula simples para atualização gratuita – funciona, também para o iLife’11. Reproduzo aqui a estratégia para caso você, caro e raro leitor deste blog, tenha passado pela mesma dificuldade ou conheça o amigo do primo de um vizinho que esteja enfrentando este problema:

 

1. Mude o idioma do sistema para inglês (vá em Preferências do Sistema e Idioma e Região)

 

2.Reinicie o computador

 

3. No menu superior, clique na Maçã e depois em Software update

 

A atualização deve aparecer na App Store, ao menos foi o que aconteceu comigo. Caso não apareça, o Eduardo sugere que você vá no Featured, clique em Account e depois no botão Reset (“Reset all warning for buying and download).

 

Faço mais um alerta: se você já tiver apresentações prontas no seu computador, feitas com as versões anteriores do Keynote, repasse uma a uma. É grande a possibilidade de alguma transição ou efeito não funcionar como antes. No meu caso, um vídeo ficou sem áudio e tive de reinseri-lo na apresentação, além disso fui obrigado a refazer um slide porque o movimento “scale” apresentava problema. Com um pouco de tempo, está tudo em ordem.

 

A dica que o Eduardo transcreveu em seu site chegou através de outro usuário Mac e estava publicada em um fórum de discussão. Ou seja, o que trago para este post é resultado de ação colaborativa e, por tanto, agradeço a todos os envolvidos na obra e reforço a ideia de que a internet é uma prova de que a humanidade ainda tem jeito, mesmo com todo mau uso que vemos aqui e acolá.

 

PS: Sá falta agora regularizar o Mandic no Mail e acertar o modo de apresentação do keynote para ter a prévia do slide na minha tela de computador. Ainda chego lá!

Adote um Vereador: esperamos você em 2014

Caras novas e os velhos caras estiveram juntos no último encontro do Adote Um Vereador, nesta temporada, realizado sábado, do Pateo do Collegio, centro de São Paulo. Assim foi durante todo este ano, com a turma velha de guerra, formada por aqueles que aderiram na primeira hora, sentada em torno da mesa do café, recebendo e conversando com gente recém-chegada, a maioria curiosa para saber o que um cidadão é capaz de fazer. Alguns permanecem conosco, outros voltam de vez em quando e há os que tocam a vida em frente e vão reclamar em outra freguesia. Para começar basta querer, é o que dizemos sempre: escolha um vereador, veja o que ele faz, mande perguntas, faça sugestões e conte tudo para os outros.

 

O Alecir, o Sérgio e o Cláudio (chegou tarde mas chegou – ficou fora da foto oficial) são sempre os mais entusiasmados da conversa. A Sílvia e o Chico Jr. têm disposição para contar boas histórias. O Rafael prestou muito atenção no bate-papo antes de sair. O Erisnal quer montar o Adote em Santo André e busca a adesão de outros moradores da cidade. A Olívia voltou disposta a se juntar a causa, agora que já entregou seu trabalho de conclusão. O Jocivan é do Centro e falou de sua experiência como candidato para o conselho popular da Subprefeitura da Sé. Eu assisto a todos com uma ponta de orgulho, pois vejo que a ideia de 2008, aos trancos e barrancos, tem permitido o nascimento do desejo cidadão dentro de cada um daqueles que ali estão – e de outros tantos que não aparecem, mas acreditam, também.

 

Ano que vem, parte dos que ali estavam voltará, tenho certeza. Assim como tenho a esperança de que mais gente se juntará a nós disposta a monitorar, controlar e fiscalizar à Câmara Municipal. É o que temos feito desde o início e graças a esse trabalho abrimos canais de comunicação com os vereadores, levamos sugestões até os gabinetes, espalhamos por todos os cantos o que fazem ou deixam de fazer, causamos algum constrangimento e ganhamos desafetos, é lógico. Também conseguimos aprovar duas leis já em vigor na cidade e motivamos a atuação de grupos e escolas. O mais importante de tudo: nos tornamos cidadãos da nossa cidade.

 

Obrigado e parabéns a todos os envolvidos! Espero vocês em 2014.

De graça e agradecimento (revisitado)

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

O fim do ano chega e bate indiscriminadamente na porta do bom e na porta do não tão bom, do amigo e do não tão amigo assim. Vem arrastando um balaio cheio de lembrança bordada com emoções que fazem sorrir outra vez, e trazendo outras que a gente prefere esquecer. Não há como fugir. É encarar e selecionar, acalentando e nutrindo as que têm um doce sabor e espantando e tentando evitar aquelas que atacam e viram do avesso o fígado e arredores. 

 

Presente de Natal então assombra grego e troiano. É um sufoco que evito porque vem com tarja de compulsório. Todo ano penso em me organizar e criar o presente certo para cada um, só que dezembro chega, me pega de surpresa, me passa uma rasteira certeira, e acabo não fazendo nada nesse sentido. Na verdade não gosto da ideia de presente de Natal.

 

Pois é nesse emaranhado de emoções que procuro aquietar corpo e mente, e agradeço. Agradeço e agradeço mais uma vez vez.

 

Agradeço ao Arquiteto de Tudo e a seus auxiliares. Agradeço aos mestres aprisionados em corpos mortais e aos que não posso ver com os olhos do corpo. 

 

Agradeço a meu pai e minha mãe, e a seus antepassados, pela oportunidade da vida. 

 

Agradeço ao pai dos meus filhos e a seus pais e antepassados, a vida dos meus tesouros mais preciosos. 

 

Agradeço aos amores que passaram pela minha vida e que me enriqueceram e me ensinaram a amar cada vez mais, quando achava que já sabia tudo sobre amor, respeito e admiração, prazer e dor. 

 

Agradeço aos companheiros de trabalho, superiores, pares e subordinados, que passaram e ainda passam pela minha vida, com quem aprendi e aprendo muito. 

 

Agradeço aos anjos em forma de gente, que me impulsionam no caminho do aprendizado e da abertura da minha consciência. 

 

Agradeço à minha tia Inês, que é a minha família presente, cuidadosa e carinhosa em todos os momentos, com quem divido alegrias, tristezas, vitórias e frustrações, e que me ouve com um amor que só ela sabe oferecer. 

 

Agradeço aos que eram amigos e deixaram de ser, pelos mais diversos motivos. Enquanto tinham amor para dar, me inundaram com ele; quando o amor secou, bateram em retirada, deixando lições que se eu souber aproveitar, cresço ainda mais. 

 

Agradeço aos professores, pelas descobertas fascinantes de um mundo cada vez maior e fascinante.

 

Se decidisse listar as bênçãos recebidas inesperadamente e as cultivadas com determinação, preencheria páginas e páginas. 

 

Se por outro lado listasse as desventuras e frustrações, não conseguiria preencher uma só.

 

Vou domando meu ego cheio de manha, e reconhecendo que sei ainda muito pouco da vida, e que há muito para aprender, mas é exatamente isso que me dá o impulso necessário para continuar vivendo. Quero mais.

 

E você?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

(Este texto foi postado, originalmente, neste blog, em 16.12.2007)

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: estratégias para as mudanças culturais na empresa

 

 

Cultura organizacional é o “jeitão” de acontecer as coisas dentro da empresa, de acordo com a consultora Beth Zorzi, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Apesar de a explicação parecer simples, a estratégia para enfrentar as mudanças culturais necessárias na empresa é bastante complexa e exige planejamento por parte dos líderes. Beth Zorzi, autora do livro “Empresas em Movimento – mudança de cultura para novo patamar de resutado” (ed. Qualitymark), entende que transição cultural é uma trajetória coletiva, de disciplina e paixão. Nessa entrevista, apresenta alguns cuidados que devem ser adotados para momentos como fusão e aquisição, preparação para abertura de capital, crise de sobrevivência de empresas e sustentação da liderança de mercado.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, no site da rádio CBN e você pode participar com perguntas enviadas ao e-mail mundocorporativo@cbn.com.br, pelo Twitter @jornaldacbn ou no grupo Mundo Corporativo da CBN, no Linkedin. O programa é reproduzido, aos sábados, no Jornal da CBN.

Aeronave fretada: luxo, economia de tempo e outros privilégios

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Conforto, privacidade e exclusividade. Esses são alguns dos principais fatores que impulsionam a busca por serviços de fretamento de aeronaves no Brasil. A economia de tempo e o tratamento personalizado também são atrativos para os consumidores de alto poder aquisitivo. Enquanto as companhias de aviação comercial estão reduzindo custos e oferecendo menos opções de serviços, as empresas de fretamento de jatos, aeronaves e helicópteros investem na excelência de serviços e na customização. Desde modelos que comportam poucos passageiros a aeronaves de grande porte, essas empresas oferecem serviços como embarque e desembarque vip, facilidades nos aeroportos, economia de tempo por evitar filas comuns nas companhias aéreas são fatores que levam consumidores de alto poder aquisitivo a utilizar esse serviço de alto luxo em vez de vôos regulares.

 

A aviação executiva tem crescido a uma taxa anual de 7% no Brasil. Essa expansão pode ser explicada, em parte, pela busca dos consumidores de alta renda por conforto, privacidade, sofisticação e um serviço de bordo sob medida. Outro fator fundamental é o aumento da renda do consumidor brasileiro da classe C, que possui um acesso cada vez mais facilitado às viagens aéreas. A demanda excessiva de passageiros na aviação comercial e a falta de investimentos em infra-estrutura justificam a crescente necessidade de evitar aborrecimentos como atrasos, cancelamentos, overbooking e filas nos aeroportos. Atualmente há cerca de mil companhias dedicadas à aviação executiva no país, de acordo com a ABAG. Chapman Freeborn, Líder Aviação e TAM Aviação Executiva são alguns dos principais players do segmento.

 

 

Viajar em um Private Jet tem ainda um benefício muito atraente: dependendo a frequência com que o cliente viaja, muitas vezes possuir um avião próprio não vale a pena pela relação custo/benefício, sendo mais vantajoso o fretamento, que proporciona ao passageiro o mesmo conforto. Agilidade e flexibilidade para viagens de negócios também são motivos importantes, já que muitas cidades ainda não possuem vôos diretos com saída do Brasil. Evitar a perda de tempo com escalas ou conexões antes do destino final e planejar o trajeto de acordo com as próprias necessidades são as principais vantagens em optar pelo Private Jet. Quem viaja a trabalho leva em consideração o benefício de não ter que enfrentar a espera no check-in e a demora para retirada de bagagens.

 

Apesar de ainda ser um serviço acessível a poucos, optar pelo fretamento de um avião pode não ser apenas uma questão de luxo e conforto, mas sim de economia. Muitos negócios em grandes empresas podem depender da rapidez da viagem, e correr o risco de perder horas em aeroportos ou até mesmo por vôos cancelados pode acarretar prejuízos que façam valer a pena pagar pelo serviço de um jato privativo. Os custos de um vôo charter podem variar conforme o tamanho e a potência do motor do avião, tempo da viagem, distância e outros fatores, de acordo com a demanda do cliente.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A elegância das argentinas que não existe mais

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Faz alguns anos que,na Rádio Guaíba,me permitem gozar férias em duas etapas. Tirei a segunda parte,desta vez,para passar dez dias em Buenos Aires. Maria Helena,minha mulher,ensinou-me a gostar de visitar a capital da Argentina. Bem antes de nos conhecermos,acostumou-se,com os seus pais, a fazer isso com certa frequência.Os Frantz,nos anos 70,fizeram de ônibus as suas primeiras viagens para o país vizinho. Depois,entretanto,iam de avião. Em geral,escolhiam, para visitar BsAs, nas épocas em que,como está ocorrendo agora,o nosso dinheiro valia mais que o argentino. Já eu estive em Buenos Aires,se não me falha a memória,no mínimo duas vezes,mas a serviço. Deveria ter permanecido,um mês por lá na Copa do Mundo de 1978. Como não quis ficar todo esse tempo longe da minha família,narrei apenas um jogo daquela competição:Áustria 1 x 0 Suécia,no Estádio Monumental de Nuñez. Assisti,também,a um jogo de basquete entre o Obras Sanitárias (argentino) e o Sírio Libanês (brasileiro).

 

Maria Helena foi a Buenos Aires com o filho dela,o André,a Márcia,mulher dele e a neta Luciana,em novembro de 2011. André e Márcia nos acompanharam agora. Como de hábito,já na primeira noite elegemos o show de tangos que,de antemão,sabíamos ser o melhor: Señor Tango. O chefão da magnífica casa de espetáculos é Fernando Soler,nome que,pelo menos para os amantes do tango,é sobejamente conhecido até aqui em Porto Alegre. O cenário é fantástico,posso garantir. Na nossa segunda noite,experimentamos assistir à exibição dos bailarinos e bailarinas da Madero Tango,cujo nome se deve à zona na qual está situado:o Puerto Madero. Na orla do Rio de La Plata,o bairro assim denominado está repleto de restaurantes famosos pelas iguarias que oferecem. Na noite do show do Madero Tango chovia a cântaros. As vans que conduziram hóspedes de vários hotéis,inclusive o nosso,em atitude que provocou protestos generalizados,deixou-nos longe do prédio no qual jantaríamos e assistiríamos ao show. O resultado foi mulheres com penteados desfeitos pela água e todo o mundo com as roupas molhadas. A apresentação dos bailarinos,entretanto,de certa maneira,salvou a noite.E a janta também.

 

O nosso terceiro programa foi um passeio turístico. Maria Helena imaginou ter combinado um aquático, pela beira do Rio de La Plata. Estranhamos o roteiro do ônibus que nos levava,eis que era muito parecido com um nosso velho conhecido. Não estaríamos indo visitar novamente o Delta do Rio Tigre,em que se permanece durante mais de uma hora dentro de um catamarã,olhando nas margens,antigas mansões abandonadas e algumas ainda em bom estado de conservação,essas,com píeres em que os proprietários ancoram os seus barcos? Imagino que,no auge da região,agora decadente,a vista dos prédios deveria ser bem interessante. Fizemos – com perdão pela expressão que talvez seja politicamente incorreta – um legítimo “passeio de índio”.

 

Quem nunca foi a Buenos Aires ou faz muito que não põe os pés nessa grande e bela metrópole,informo que vale a pena comprar artigos de vestuário,tanto masculinos quanto femininos,porque são bem mais baratos do que no Brasil. Não se gasta muito,igualmente,para tomar o café da manhã com maravilhosas “medias lunas”. Além disso,duas coisas chamaram a minha atenção,uma positiva e outra que eu diria ser negativas,ou muito me engano. Não vi congestionamentos no trânsito do tipo a que estamos acostumados a enfrentas nas grande cidades brasileiras. Buenos Aires criou corredores de ônibus em uma das principais vias da cidade: a Nueve de Julio.E esses funcionam muito bem. Claro,os pedestres têm de ter uma certa paciência porque essa avenida é larga e os semáforos demoram quando fecham para quem anda a pé. BsAs era famosa – e aí vai o fato negativo – porque,a cada passo,antigamente,deparávamo-nos com belas e bem vestidas mulheres. Não pensem que guardei só para mim tal percepção:Maria Helena concordou comigo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A batalha de Joinville

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As imagens do estádio de Joinville mostrando a batalha entre atleticanos e vascaínos com os modernos recursos de transmissão construíram o cenário da espetacularização da violência para o deleite ou a repulsa do mundo. Dependendo da mente de cada um. A partir daí, mais uma vez, surgiram variadas sugestões para solucionar a violência nos estádios de futebol. E isto diante do já existente estatuto do torcedor, que se aplicado resolveria a questão.

 

Fica claro então que a aplicação é barreira maior do que a sua criação. Verdade gritante comprovada pela imagem do vereador, autor de projeto de prevenção de delitos nos campos de futebol, atuando cinematograficamente como baderneiro.

 

Ao ler as declarações de Petraglia, presidente do CAP acusando os vascaínos de premeditarem a confusão para levarem ao tapetão o resultado do jogo e, ao saber da proposição de Dinamite, ídolo maior do Vasco, para anular a partida tentando ganhá-la fora de campo, não creio que a solução definitiva esteja no controle do campo de batalha. Como chegaremos aos torcedores controlando-os e punindo-os quando necessário, se os dirigentes não respeitam as torcidas adversárias nem mesmo os colegas diretores e presidentes de outros clubes?

 

Se os clubes, as confederações e as autoridades pertinentes não estão executando a lei que existe, é hora da parte mais importante do sistema entrar em ação. Os jogadores, através do Bom Senso F.C. Que tal uma greve para irritar torcedores, diretores e patrocinadores?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: guiando por uma São Paulo que foi embora

 

Por Rodrigo youssef
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Uma historia que lembro foi da época em que estava tirando carteira de motorista.
Era 1994. Meu instrutor tinha 85 anos. Enquanto rodávamos a cidade, ele me fascinava com seus relatos de como era São Paulo quando ainda era criança.

 

A Avenida José Maria Withaker, no bairro da Saúde, contava, era um riacho onde ele nadava com os primos. O cavalo do tio dele aparava o mato alto de onde hoje é a Avenida Paulista. A 23 de Maio tinha muita terra vermelha nas sua margens havia um riacho, também, e, consta, seu solo era muito bom pra plantar milho.

 

Cada pedaço de asfalto e construção era um invasor, uma tampa de bosques e ribeiros, que se encolheram sob a minha cidade.  Fiquei tão impressionado com aquelas histórias que lembro até hoje do senhor magro de pele escura, contando devagar sobre uma São Paulo que parecia surreal para mim.

 

Rodrigo Youssef é o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: as árvores do vovô no Ibirapuera

 


Por Mônica Santos
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Gostaria muito poder compartilhar com todos os paulistanos sobre a riqueza de conhecimento do meu Nono, Henrique Margulhano, nascido em 1922 na cidade de Mogi Mirim – São Paulo. Após se casar, aos 20 anos, se instalou no Jaçanã onde vive até hoje, ainda é bem conhecido na comunidade, mas era muito mais quando minha Nona era viva e os dois presidiam o curso de Noivos na Paróquia São Benedito. Eles foram casados por longos e amorosos 63 anos e o testemunho de vida serviu de inspiração para muitos casais. O Nono tem uma trajetória brilhante, completamente lúcido, carismático, lembra de todas as fases do dinheiro (do “réis” até o cruzeiro atual), da Revolução de 1932, dos desafios de comprar um imóvel em São Paulo, de como era a saúde, o Viaduto do Chá quando era uma plantação de chá, a chegada do Metrô.

 

Lembro que, enquanto eu entrava na 1ª série do 1º Grau, meu Nono estava fazendo “Mobral”. Talvez poucos lembrem desse trabalho que trouxe educação aos brasileiros que não puderam frequentar uma escola e foram trabalhadores braçais por longos anos. Depois que saiu da “roça”, como ele mesmo diz, e veio para São Paulo, trabalhou em vários locais desde limpeza de terreno, ajudante geral, linha do trem e, como sempre, amou a natureza, a terra, as plantações. As árvores sempre foram seu encanto, então,  conseguiu trabalho no Parque do Ibirapuera e teve o prazer de conviver com Niemayer. Esse capítulo da vida do Nono é fascinante. Conta que ele e o irmão plantaram praticamente todas árvores no Ibirapuera e, semanalmente, eram agraciados com abraço do Oscar Niemayer que, com sua simplicidade, fazia o Sr. Henrique mostrar, uma a uma, quais árvores havia plantando naquela semana.  É de brilhar os olhos.

 

Depois desse trabalho, o Nono entrou na Prefeitura de São Paulo, especificamente no Gabinete do Prefeito. Ele saiu em várias fotos na época porque ficava de terno azul marinho, alinhadíssimo,  exatamente em frente a porta de entrada da sala do Prefeito. Como é de se imaginar, o Nono foi muito querido por todos que trabalharam com ele, pela sua humildade e grande sabedoria adquirida durante a vida. Hoje, aos quase 91 anos, sonha ainda em ganhar na Mega Sena e comprar uma chácara, além de ajudar os cinco filhos, netos e bisnetos.

 

O texto é de Mônica Santos, mas o personagem desta história é o avô dela, Seu Henrique. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou me envie seu texto: milton@cbn.com.br