Mundo Corporativo: Ilana Berenholc diz como cuidar da sua imagem

 

 

“Gerenciamento da sua marca pessoal é um processo investigativo, é uma ferramenta estratégica na qual você vai definir qual é o seu diferencial e, a partir dele, criar uma reputação em relação ao seu nome, uma boa reputação”. A opinião é de Ilana Berenholc, estrategista em personal branding e imagem, entrevistada do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Em conversa com o jornalista Mílton Jung, a consultora ensina que “o tempo todo você está comunicando uma mensagem; não existe roupa neutra, não existe comportamento neutro, não existe gestual ou expressão facial que vai ser percebida como não-me-disse-nada, sempre diz alguma coisa”. Na entrevista você terá dicas de como se comportar em diferentes situações na sua empresa e no contato com outras pessoas.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo assistindo ao programa, ao vivo, no site http://www.cbn.com.br, toda quarta-feira, às 11 horas da manhã, e enviar perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br ou para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN).

Bentley põe sua marca de luxo nos carros elétricos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A montadora inglesa Bentley Motor revelou três modelos híbridos durante o Beijing International Automotive Show, no início deste mês. A premissa da marca é a excelência e, nesta linha, a Bentley não mediu esforços para desenvolver os carros com essa tecnologia trazendo leveza e eficiência e, ao mesmo tempo, mostrando o quão luxuoso um automóvel híbrido pode ser.

 

Esteticamente, o Bentley Hybrid Concept mantém a aparência de elementos tradicionais de design da marca, sem deixar de ser ousado no projeto. A fabricante apostou na criação de um veículo luxuoso que oferece potência ao motorista com um pouco dessa paz de espírito que muitas vezes vem com a condução de um híbrido, diminuindo a sua emissão de carbono. Em relação às versões convencionais, o modelo híbrido é capaz de aumentar a potência em 25%, enquanto corta a emissão de carbono em até 70%, tendo ainda bateria com duração de pelo menos 50 quilômetros apenas com o modo elétrico. O material e detalhes em cobre estão presentes em várias partes do carro como nos faróis, pinças de freio, moldura da grade e painel.

 

A indústria automotiva tem investindo no segmento de carros híbridos, não apenas pela rigidez do mercado atual em relação à sustentabilidade e outras questões ambientais. Essas empresas mantêm o foco no consumidor que busca desempenho, conforto e velocidade em automóveis de alto luxo. A velocidade é valor intrínseco desses carros que proporcionam a seus consumidores o prazer de dirigir, porém de maneira mais consciente em relação a seus impactos ao meio ambiente. As grandes marcas estão de olho no consumidor de alto poder aquisitivo que busca conforto, velocidade e, também, se preocupa com as questões globais. É O retrato de um luxo consciente no mundo contemporâneo.

 


Ricardo Ojeda Marins, administrador de empresas pela FMU-SP, MBA em Marketing pela PUC-SP e em Gestão do Luxo na FAAP, autor do Blog Infinite Luxury, escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Um passeio de bonde

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Há várias semanas,não mais que de repente,deu-me uma saudade danada do primeiro veículo de transporte público que conheci:o bonde. Quando,com bem menos de um ano de vida meus pais alugaram uma casa em Porto Alegre,na Rua Conselheiro Travassos,onde nós três,eles e eu,recém nascido,passamos morar,esta cidade já era servida por bondes. Não cheguei a conhecer esses veículos que,no início da sua existência eram tracionados por mulas, rodavam sobre trilhos de madeira que, mal sedimentados, produziam barulho insuportável e,pior do que isso,descarrilavam com frequência. Nasci em 1935. Somente em 1908 iniciou-se o tráfego dos bondes elétricos. Os primeiros bairros que percorreram foram Menino Deus,Glória,Teresópolis e Partenon. Até estar em idade de viajar sozinho nos que faziam,já então,as linhas Floresta e São João,passaram-se muitos anos.

 

Os dois primeiros nos quais me desloquei foram os que percorriam as duas linhas que acabei de citar. Ambas me levavam ao Colégio Anchieta,no qual estudei vários anos. O Floresta,quando chegava à parada que ficava na Rua Benjamin Constant,quase na esquina da São Pedro,em geral,estava lotado.O remédio era viajar,perigosamente,no estribo. É evidente que eu e os guris da minha idade,não nos importávamos de correr riscos. Cada viagem com bonde cheio era uma aventura apreciada por nós. O Anchieta ficava na Rua Duque de Caxias. Eu desembarcava do Floresta, na Praça 15 de Novembro,subia a Borges de Medeiros e a escada do viaduto. Na volta,fazia o caminho inverso. Era uma pernada e tanto.Com 11 anos,porém,ou pouco mais que isso,a gente resiste a muito mais.

 

Ao retornar para casa,muitas vezes dava preferência ao bonde São João,que tinha o terminal na Praça Parobé. Esse,tinha,no entanto,uma particularidade:ia do centro até a Rua São Pedro,esquina com a Farrapos. Dali em diante,havia apenas um trilho. Se existia um bonde na São Pedro com Floresta,o que visava seguir,tinha de esperar o retorno do outro veículo. Seja lá como fosse,quando o bonde acabava chegando ao fim da linha,os guris que viajavam nele corriam para trocar o engate desse ao cabo que o ligava ao fio que eletrificava a máquina.Os cobradores de passagens,de tanto ver a gente,ficavam amigos e nos deixavam fazer o serviço do qual eles eram os responsáveis.Outra coisa que fazíamos,era fazer de conta que estávamos no controle do bonde. A gente disputava a permanência na roda,que ficava ao lado dos controles do motorneiro e cuja função era frear o veículo em caso de emergência. Nunca fiquei sabendo que fosse necessário esse tipo de freio.

 

Os bondes da minha saudade,no distante ano de 1926,chegaram a alcançar mais de uma centena em circulação.Eles seguiram em operação durante décadas. Passaram,então,a ser substituídos por empresas de ônibus. Essas,na base do devagar se vai ao longe,foram tomando conta do promissor mercado que para elas se abriu. Porto Alegre chegou a aturar os Trolebus, ônibus elétricos que,entretanto, não deram certo. Problemas de voltagem e defeitos nos freios,desaconselharam. Convém lembrar que,na Europa,os bondes continuam rodando – e silenciosamente – facilitando a mobilidade urbana.

 

Jamais,imagino com pesar,voltarão a atividade. No dia 8 de março de 1970,o último deles circulou,com direito à solenidade de despedida. Por iniciativa de Ruth Muller Jung,a mãe dos meus filhos,esses viajaram,de graça,no último bonde de Porto Alegre.Vou encerrar o meu texto desta quinta-feira com um anúncio que a gente não podia deixar de ler nos nossos bondes.Que os meus netos não se espantem com o arcaico português da propaganda:

 

Veja illustre passageiro
O bello tipo faceiro
Que o senhor tem a seu lado…
E,no entretanto,acredite
Quase morreu de bronquite,
Salvou-o o RHUM CREOSOTADO.

 

Milton Ferretti Jung é radialista, jornalista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: emoções que forjam minha paixão Imortal

 

Grêmio 1 (2) x (4) 0 San Lorenzo
Libertadores – Arena Grêmio

 

 

Somos todos sofredores desde o momento em que nos permitimos nos apaixonarmos por uma causa. No futebol, a minha é o Grêmio. Não escondo isso. Nunca tentei fazê-lo, mesmo na época em que, repórter esportivo, cobria o tradicional adversário em Porto Alegre. Por lá, sabiam todos da minha preferência e respeitavam minha escolha tanto quanto eu me esforçava para impedir que a paixão influenciasse a postura profissional. Acredito que tenha conseguido separar as coisas. Hoje, atuando em área e cidade distantes posso tratar do tema com muito mais tranquilidade a ponto de escrachar minha paixão sempre que escrevo esta Avalanche. É aqui que compartilho com você, caro e raro leitor, as emoções que o futebol gremista me proporciona. E quando falo de emoções não estou me atendo apenas as alegrias da conquista. Refiro-me ao coração apertado diante da bola que bate no travessão, do grito rouco no gol anulado e, principalmente, da angústia em perceber que nossa crença vai além das forças do próprio time. As mãos esfregam o rosto repetidas vezes, os dedos se entrelaçam enquanto recebem mordidas que deixam marcas, os braços se abraçam sobre a cabeça, com os pés chuto bolas imaginárias e, às vezes, me envergonho de tanto murmurar palavras impronunciáveis como se estivesse sozinho diante da televisão. Nesta noite que ainda será longa, vivi muitos desses momentos. Acreditei sempre que seríamos premiados com ao menos um gol, mesmo que atropelássemos a lógica do futebol para chegar até lá. Haveríamos de marcar se não pela técnica, pela insistência; se não pela tática, pelo canto da torcida. Eu reivindicava o direito a esta alegria e fui atendido na bola que explodiu no rosto de Dudu e se esparramou na rede. Eu explodi junto com aquela bola disparada por Rodriguinho, arranquei os óculos, cerrei os punhos, soquei o ar e as almofadas próximas de mim. Comemorei como se fosse o último gol que comemoraria em minha vida, mesmo sabendo que ainda não seria o suficiente para alcançarmos a vitória que precisávamos. Azar! Decidi que merecia aquele prazer fugaz, pois em todos os demais minutos da partida a mim só haveria de ser oferecido o sofrimento. Independentemente do que tenha havido e do que haverá de acontecer daqui pra frente, das línguas afiadas dispostas a encontrar um culpado, como se apenas um houvesse, das bocas tortas que vão babar de prazer enquanto atacam nossos ídolos, das mudanças e confirmações, estou aqui para agradecer ao Grêmio (e ao futebol, também) por me proporcionar todos estes sentimentos. Um turbilhão de emoções que forja minha paixão Imortal.

Poluição sonora. Conscientização Já!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

A concentração urbana intensificada tem tornado as áreas de silêncio na cidade de São Paulo como algo raro. Artigo de luxo. O que, convenhamos, é um absurdo. Entretanto, graças a movimentos contemporâneos a cidade deverá contar com novidades nesta área. Mílton Jung entrevistou na segunda feira o presidente da Comissão de Política Urbana da Câmara, Andrea Matarazzo, que anunciou a instalação da I Conferência Municipal sobre Ruído e Perturbação Sonora. Há muito por fazer (ouça a entrevista ao fim deste texto). É essencial a conceituação, a atualização da legislação, a estratégia de planejamento e controle. Além do Mapeamento Sonoro, como já existe em Almada, Valência e Fortaleza.

 

A comemoração hoje, do Dia Internacional da Conscientização do Ruído, dá uma forte conotação simbólica ao tema. E há urgência, pois os 50 decibéis recomendados pela OMS Organização Mundial da Saúde não são encontrados nem nas áreas mais silenciosas. O Psiu, entidade de controle para pessoas jurídicas, atende poucos e resolve pouco. As 30.000 chamadas em 2013, correspondentes a reclamações contra bares (59%), Igrejas (11% ) e obras ( 9% ), resultaram em 2% de autuações apenas. A PM, a quem cabe o atendimento a residências, dificilmente corresponde ao chamado. Quando está disponível, falta legislação para coibir e punir. E os ruídos do lazer, bem diferente do que disse Matarazzo, podem levar a loucuras. A negação do direito de dormir pode acarretar atitudes como vender o imóvel, dormir no carro, dar tiros ao ar, ou até no vizinho.

 

O alento vem de entidades como a “ProAcústica” , “Ouvido no Ruído” e de ações como este evento coordenado por Matarazzo e que se encerra hoje.

 

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Digital ou analógico, o livro sempre será essencial

 

 

Para a produção de sua monografia, a estudante de comunicação Carmen Barreto, da ECA/USP, está coletando opiniões sobre novas tecnologias e o uso do livro digital. Tem consultado profissionais ligados as áreas de cultura, educação e comunicação (na qual me encontro). Por e-mail, enviou-me algumas perguntas que respondi na medida do possível e do meu conhecimento. Pedi licença a ela para reproduzir a entrevista aqui no Blog, antes da conclusão do trabalho, mesmo porque este será muito mais profundo e rico. Portanto, a seguir, publico um pouco do que penso sobre o assunto com a esperança de que você, caro e raro leitor deste Blog, compartilhe sua opinião, também:

 

1-Qual é a sua opinião sobre a chegada das novas tecnologias? Como você se sente em relação a isso?

 

No caso específico do rádio, meio para o qual tenho me dedicado nos últimos anos, a internet e todas as possibilidades que surgiram a partir dela serviram como oxigênio, renovando o veículo, oferecendo novas dimensões para o trabalho desenvolvido. Para o jornalismo de uma forma geral, um horizonte incrível surge, pois todas as inovações digitais dependem de conteúdo, produto no qual os profissionais da nossa área são especialistas.

 

2-Como você se adaptou à transição das tecnologias e como essas transformações impactaram sua vida e sua forma de pensar?  [como, por exemplo, sistema analógico/digital, carta impressa/mensagem eletrônica, máquina de escrever/computador, telefone fixo/celular, celular/smartphones (com internet e novos recursos), livro impresso/e-book, antigos sistemas e as revolucionárias plataformas, readers, tablets, Ipad,Ipod] ?

 

Nasci no jornalismo analógico, cresci nas redações sem computador e com mesas tomadas por máquinas de datilografia, conversas por telefone fixo e de pouco alcance, contato com o público por carta e notícias chegando na sala de teletipo. A chegada das novas tecnologias não me intimidou, ao contrário, me motivou. Abriram-se novas possibilidades e o acesso às fontes foi facilitado, assim como estas se diversificaram. Hoje, qualquer cidadão, com um gadget em mãos, pode emitir informação importante e ser alcançado pelo jornalista.

 

3-Hoje, o que o livro ou a leitura representam para você?

 

O mesmo de sempre: fonte inesgotável de inspiração e informação.

 

4-Você já leu algum livro digital (e-book)? Qual? Quando foi? Você gostou?

 

O primeiro livro digital que li foi a biografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson. Comprei a versão original em inglês e aproveitei todos seus recursos, provocado pela minha professora de língua estrangeira, Maria Lucia Solla (nossa colega de todos os domingos). Não abri mão, porém, de adquirir o livro impresso (já em português) para guardar na minha biblioteca – talvez resultado desta mania de colecionador que ainda mantenho. Lembro que apesar de ter assistido à toda série House na televisão e baixado vídeos no computador, assim que a coleção chegou às lojas, comprei todos os DVDs e, creio, que sequer os abri. De volta à leitura, apesar das facilidades que o livro digital me oferece no acesso e na navegação, principalmente para pesquisa de temas relacionados, ainda tenho preferido os livros impressos. Força do hábito. Mas não tenho nada contra a digitalização (desde que meu leitor eletrônico esteja com bateria).

 

5-Como você compara a leitura de um livro impresso e um livro digital (e-book)? Considere os itens que parecerem relevantes para você, como, por exemplo, preço, tempo de leitura, praticidade, recursos de formatação de letras e luminosidade.

 

Parece-me que a diferença de preço é mínima, salvo engano. O digital é mais prático de comprar e o impresso, de ler. Digo isso, muito mais pelo hábito de folhear e rabiscar frases e trechos relevantes. Costumo cansar mais rapidamente ao fazer a leitura no tablet. É incomparável a facilidade que o digital nos oferece em termos de pesquisa.

 

Curiosamente, trocaria qualquer jornal impresso pela edição digital. Hoje, logo que acordo baixo a versão de O Globo em meu tablet e sequer dou tempo para a entrega do Estadão pelo jornaleiro. Prefiro o digital. Uma das facilidades é o compartilhamento de informações nas redes sociais ou com os amigos e colegas. Algo inimaginável na versão impressa.

 

6-Você acredita que o livro impresso irá desaparecer? O que você pensa a respeito disso?

 

É uma tendência, a medida que as gerações que viveram a era do livro impresso forem desaparecendo. Uma questão de tempo, mas de muito tempo, pois por anos a fio ainda iremos conviver com os dois formatos. O importante é termos consciência de que o livro e a leitura serão essenciais para o nosso desenvolvimento como sempre foram, apenas estarão em um outro ambiente, o digital.

 

Conte Sua História de SP: poema da cidade

 


Por Dryca Lys
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Eu nasci e cresci nesta cidade maravilhosa chamada São Paulo. E com seus mistérios e sua fantástica frieza aconchegante. São Paulo é uma experiência de vida, é uma chance única de encontrar vários países em um único lugar.

 

Você pode conhecer a cultura alemã, entrar em contato com a cultura indígena, se sentir no Japão, conhecer a cultura coreana, judaica entre várias e várias culturas sem sair de São Paulo. Graças a magia que existe aqui, você pode se inspirar e difundir arte. Para o aniversário da minha São Paulo, envio este poema. É o que sinto e o que vejo nesta metrópole que chamo de lar

 


Este poema é parte integrante do livro Clube de Autores

 

São Paulo

 

Existem lugares que te fazem sonhar
outros fazem você se sentir mal
mas existe um lugar que te enfeitiça
um lugar que acende seus desejos, atiça
sua vontade de estar ali presente
um lugar único que te faz voar…

 

Mesmo caminhando nos becos escuros
as ruas brilhando como diamante
a música se espalhando e de repente
as estrelas caem e você anda pela poeira sideral
todos os cantos desse lugar parecem seguros
nem sempre… Mas um tapete brilhante

 

se estende aos seus pés, você chora
sozinho, canta em meio a multidão
nos dias de chuva, a brisa aquece
seus anseios, a noite vem, incandesce
seus desejos, a noite se esconde, vai embora
nos dias de sol você vê a sua solidão…

 

Você pode estar em vários lugares, sem sair
de dentro dela, mas não há nada
melhor do que estar lá, faça
o que for, corra, vá e volte, você pode ir
mas ela esta dentro de você, a saudade
te queimará inteiro, você sempre volta para esta cidade.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar deste quadro enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: esta gurizada é espaçosa mesmo

 

Grêmio 2 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

As cores na camisa nova são mais fortes e o tricolor das faixas verticais é mais equilibrado em suas dimensões. A primeira impressão que tive ao ver o time entrar na Arena no fim da tarde deste domingo era de que a camisa parecia mais intensa do que o time escalado com apenas três jogadores considerados titulares ao lado de muitos jovens. A cabeça, a minha, a sua e da própria equipe, está mais concentrada, com toda razão, na partida de quarta-feira quando decidiremos vaga à próxima fase da Libertadores e precisaremos vencer de qualquer maneira. Ao mesmo tempo sabíamos que vencer hoje seria importante para dar tranquilidade ao técnico e seus comandados, além de impedir uma escapada dos líderes desta maratona de pontos corrridos que é o Campeonato Brasileiro.

 

Bastou a bola rolar para percebermos que algo mais além da camisa tinha intensidade no gramado da Arena. A gurizada não permitia que o adversário respirasse e, atrevida, partia para o ataque driblando o marcador, passando com velocidade e precisão, se deslocando com rapidez, pedindo a bola e chutando sempre que um espaço aparecia. Às vezes, como na falta que resultou no primeiro gol, se não havia espaço, a força do chute e a velocidade abriam este espaço. E se você prestou atenção na cobrança de Alan Ruiz, a bola buscou o seu próprio espaço com um movimento rápido momentos antes de se aproximar do goleiro desviando-se para as redes. No segundo gol, apesar de os críticos destacarem a falha na defesa, foi o Grêmio quem fechou os espaços, obrigou o recuo da bola e permitiu que Lucas Coelho chegasse tão rapidamente para driblar o goleiro e encontrar o gol livre para marcar.

 

Fomos muito superiores aos titulares que formavam o time adversário que, por sinal, também quer ter espaço na próxima fase da Libertadores. No segundo tempo, não conseguimos ser tão intenso, mas fomos seguros e proporcionamos alguns belos dribles que deixaram os veteranos do lado de lá de boca aberta (alguns pareciam incomodados por não conseguirem espaço para jogar). Até mesmo o não-jogo necessário dos minutos finais para impedir a injustiça de um empate refletiu uma maturidade que estava acima da idade dos nossos jovens.

 

Os titulares que voltam a campo na quarta-feira decisiva têm muito a agradecer a esta gurizada que ajudou a aumentar a autoestima do time, trouxe um pouco de paz para o vestiário e, certamente, motivou o torcedor. Aliás, torcedor, faça sua parte: vamos tomar todos os espaços da Arena.

Degradê

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Ainda é politicamente correto confessar fragilidade, insegurança e dúvida? Ou a pauta é sempre – e só – maldade e falsidade.

 

E chorar, pode?
‘Nós’ choram também, ou só ‘eles’ choramos?

 

Na Era da certeza que mata a liberdade, da unificação sem noção, ou você é, ou você não é, seja lá o que for, que eu nunca entendi o que é ou o que deixa de ser. Quero saber onde é que foi parar a flexibilidade. Está na lista negra? Ooops, não pode, mas agora já foi. E falando em foi, onde foi que a aprisionaram? E cadê o degradê? O gato comeu? A moda exigiu, e ele, puff, se extinguiu? A preguiça venceu, ou o eu-sou-o máximo-e-tudo-o-que-não-for-eu-é-pior-do-que-eu tomou conta do pedaço?

 

A flexibilidade, o meio-termo e o degradê foram todos deportados, ou também foram viver em Miami? Tolinha! não havia mais espaço para eles: ou você é magro, ou é gordo, é rico ou pobre. Se é rico, ferrou, porque de ladrão e de inimigo alguém já rotulou. Ou a gente pula e grita na euforia, ou, imobilizado, chora embalada pela depressão.

 

O cenário é blindado contra oração, mas se dobra aos oradores e a seus templos.

 

É tempo de energético de dia e calmante de noite, para aguentar os tropeços em palanques ruindo, sob o peso de foras-da-lei, do preconceito exacerbado da camarilha desatinada.

 

Cadê o ‘tudo bem’, de verdade, cadê o riso solto na sala de visita, num papo alto astral, cheio de coragem e de moral? Virou coisa de burguês? É pecado?

 

eu
no canto
encharcada
de espanto

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung