Conte Sua História de SP: poema da cidade

 


Por Dryca Lys
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Eu nasci e cresci nesta cidade maravilhosa chamada São Paulo. E com seus mistérios e sua fantástica frieza aconchegante. São Paulo é uma experiência de vida, é uma chance única de encontrar vários países em um único lugar.

 

Você pode conhecer a cultura alemã, entrar em contato com a cultura indígena, se sentir no Japão, conhecer a cultura coreana, judaica entre várias e várias culturas sem sair de São Paulo. Graças a magia que existe aqui, você pode se inspirar e difundir arte. Para o aniversário da minha São Paulo, envio este poema. É o que sinto e o que vejo nesta metrópole que chamo de lar

 


Este poema é parte integrante do livro Clube de Autores

 

São Paulo

 

Existem lugares que te fazem sonhar
outros fazem você se sentir mal
mas existe um lugar que te enfeitiça
um lugar que acende seus desejos, atiça
sua vontade de estar ali presente
um lugar único que te faz voar…

 

Mesmo caminhando nos becos escuros
as ruas brilhando como diamante
a música se espalhando e de repente
as estrelas caem e você anda pela poeira sideral
todos os cantos desse lugar parecem seguros
nem sempre… Mas um tapete brilhante

 

se estende aos seus pés, você chora
sozinho, canta em meio a multidão
nos dias de chuva, a brisa aquece
seus anseios, a noite vem, incandesce
seus desejos, a noite se esconde, vai embora
nos dias de sol você vê a sua solidão…

 

Você pode estar em vários lugares, sem sair
de dentro dela, mas não há nada
melhor do que estar lá, faça
o que for, corra, vá e volte, você pode ir
mas ela esta dentro de você, a saudade
te queimará inteiro, você sempre volta para esta cidade.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às dez e meia da manhã, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar deste quadro enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: esta gurizada é espaçosa mesmo

 

Grêmio 2 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

As cores na camisa nova são mais fortes e o tricolor das faixas verticais é mais equilibrado em suas dimensões. A primeira impressão que tive ao ver o time entrar na Arena no fim da tarde deste domingo era de que a camisa parecia mais intensa do que o time escalado com apenas três jogadores considerados titulares ao lado de muitos jovens. A cabeça, a minha, a sua e da própria equipe, está mais concentrada, com toda razão, na partida de quarta-feira quando decidiremos vaga à próxima fase da Libertadores e precisaremos vencer de qualquer maneira. Ao mesmo tempo sabíamos que vencer hoje seria importante para dar tranquilidade ao técnico e seus comandados, além de impedir uma escapada dos líderes desta maratona de pontos corrridos que é o Campeonato Brasileiro.

 

Bastou a bola rolar para percebermos que algo mais além da camisa tinha intensidade no gramado da Arena. A gurizada não permitia que o adversário respirasse e, atrevida, partia para o ataque driblando o marcador, passando com velocidade e precisão, se deslocando com rapidez, pedindo a bola e chutando sempre que um espaço aparecia. Às vezes, como na falta que resultou no primeiro gol, se não havia espaço, a força do chute e a velocidade abriam este espaço. E se você prestou atenção na cobrança de Alan Ruiz, a bola buscou o seu próprio espaço com um movimento rápido momentos antes de se aproximar do goleiro desviando-se para as redes. No segundo gol, apesar de os críticos destacarem a falha na defesa, foi o Grêmio quem fechou os espaços, obrigou o recuo da bola e permitiu que Lucas Coelho chegasse tão rapidamente para driblar o goleiro e encontrar o gol livre para marcar.

 

Fomos muito superiores aos titulares que formavam o time adversário que, por sinal, também quer ter espaço na próxima fase da Libertadores. No segundo tempo, não conseguimos ser tão intenso, mas fomos seguros e proporcionamos alguns belos dribles que deixaram os veteranos do lado de lá de boca aberta (alguns pareciam incomodados por não conseguirem espaço para jogar). Até mesmo o não-jogo necessário dos minutos finais para impedir a injustiça de um empate refletiu uma maturidade que estava acima da idade dos nossos jovens.

 

Os titulares que voltam a campo na quarta-feira decisiva têm muito a agradecer a esta gurizada que ajudou a aumentar a autoestima do time, trouxe um pouco de paz para o vestiário e, certamente, motivou o torcedor. Aliás, torcedor, faça sua parte: vamos tomar todos os espaços da Arena.

Degradê

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Ainda é politicamente correto confessar fragilidade, insegurança e dúvida? Ou a pauta é sempre – e só – maldade e falsidade.

 

E chorar, pode?
‘Nós’ choram também, ou só ‘eles’ choramos?

 

Na Era da certeza que mata a liberdade, da unificação sem noção, ou você é, ou você não é, seja lá o que for, que eu nunca entendi o que é ou o que deixa de ser. Quero saber onde é que foi parar a flexibilidade. Está na lista negra? Ooops, não pode, mas agora já foi. E falando em foi, onde foi que a aprisionaram? E cadê o degradê? O gato comeu? A moda exigiu, e ele, puff, se extinguiu? A preguiça venceu, ou o eu-sou-o máximo-e-tudo-o-que-não-for-eu-é-pior-do-que-eu tomou conta do pedaço?

 

A flexibilidade, o meio-termo e o degradê foram todos deportados, ou também foram viver em Miami? Tolinha! não havia mais espaço para eles: ou você é magro, ou é gordo, é rico ou pobre. Se é rico, ferrou, porque de ladrão e de inimigo alguém já rotulou. Ou a gente pula e grita na euforia, ou, imobilizado, chora embalada pela depressão.

 

O cenário é blindado contra oração, mas se dobra aos oradores e a seus templos.

 

É tempo de energético de dia e calmante de noite, para aguentar os tropeços em palanques ruindo, sob o peso de foras-da-lei, do preconceito exacerbado da camarilha desatinada.

 

Cadê o ‘tudo bem’, de verdade, cadê o riso solto na sala de visita, num papo alto astral, cheio de coragem e de moral? Virou coisa de burguês? É pecado?

 

eu
no canto
encharcada
de espanto

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Roberto Colacioppo diz o que os números fazem por você

 

 

Foi ao ler os números e entender as estatísticas que uma seguradora conseguiu melhorar seu desempenho, reduzir custos e qualificar o atendimento aos seus clientes. Com base nos dados obtidos na empresa, identificou-se que o envio de equipe de socorrista seria muito mais produtivo do que um guincho para resolver o problema dos seguradoras. Este é um dos exemplos apresentados pelo estatístico Roberto Colacioppo em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, para mostrar com os gráficos podem ser um aliado do empreendedor. Colacioppo é dono da Anova Consultoria e Treinamento e autor do blog Atirei o Pau no Gráfico, no qual busca desmistificar dados e números que muitas vezes estão à disposição dos gestores mas que não são interpretados da maneira correta. Na entrevista, ele também dá sugestões a quem precisa fazer apresentações com base em estatísticas e gráficos.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo às quartas-feiras, a partir das 11 horas da manhã, no site da rádio CBN, e enviar perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorporCCBN). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN.

Ferrari: velocidade e luxo esportivo unidos na hotelaria da Espanha

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A italiana Ferrari, ícone do alto luxo automotivo, anunciou planos de abrir seu primeiro parque temático, na Europa, levando seu nome e prestígio para o resort PortAventura, a apenas uma hora de Barcelona. Com inauguração prevista para 2016, serão nada menos que 75 mil metros quadrados abrigando o acelerador mais rápido, vertical e horizontalmente, e hotel de 250 quartos, reproduzindo o desenho da asa dianteira de um fórmula 1. Será o primeiro hotel cinco estrelas da marca. O projeto terá investimento global de 100 milhões de euros e será construído pelas empresas de private equity Investindustrial e KKR com a licença da marca Ferrari, A promessa é de oferecer experiências dentro e fora do parque aos entusiastas da Ferrari.

 

 

De acordo com Andrea Perrone , CEO da divisão de marca da Ferrari, após a abertura do Ferrari World, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em 2010, a marca italiana de automóveis esportivos de luxo tinha recebido muitos pedidos para a construção de novos parques ao redor do mundo. Afinal, luxo e esportividade casam muito bem nessa parceria.

 

Essa não é a primeira expansão de marca da grife italiana. Um ícone inegável do segmento de automóveis esportivos de luxo, a Ferrari é considerada um estilo de vida e toda sua comunicação e marketing foram focados em manter este estilo. Peças de vestuário que levam seu nome podem ser encontradas em suas lojas próprias em diversas cidades dos Estados Unidos, Europa, Ásia, em lojas multimarcas ao redor do mundo e também em sua loja virtual. O mesmo cuidado em sua gestão de expansão da marca está sendo adotado na estratégia do parque temático e hotel de luxo na Espanha.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung

Pot-pourri II: da pena de morte aos carros em alta velocidade

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Volto a cumprir o meu compromisso das quintas-feiras com o Mílton usando expediente que utilizei não faz muito:o pot-pourri. Ocorre que três notícias presentes na mídia nos últimos dias prenderam,especialmente,minha atenção.

 

O assassinato do menino Bernardo

 

Confesso que não sabia o que pensar da pena de morte para punir quem comete crimes hediondos. Trata-se de uma questão que divide as opiniões do povo brasileiro. A gota de água que me fez descer do muro foi o assassinato de Bernardo Boldrini,um menino de 11 anos,que morava em Três Passos-RS. Jamais imaginei que pessoas de classe alta,supostamente por ganância – pai cirurgião e dono de um mini-hospital,madrasta enfermeira,mancomunada com uma assistente social – tenham cometido crime tão torpe e cruel quanto esse. Espero que a polícia faça a sua parte,mas o jornal Zero Hora publicou nessa terça-feira,dia em que entrego o meu texto, que o exame da substância capaz de produzir a morte do garoto ou facilitar a decomposição do seu corpo,estava parado. Seja lá como for,passei a ser defensor da pena de morte,pelo menos, quando a vítima for menor de idade e fique comprovado, sem sombra de dúvida,a torpeza e crueldade do crime. Não acredito,entretanto,que esse tipo de penalização venha a ser adotado no Brasil.

 

Os malefícios da Copa do Mundo

 

Li com algum espanto que,aqui no Rio Grande do Sul,dois mil PMs (ou brigadianos,como são chamados em meu estado natal),vindos do Interior,vão reforçar a segurança,em Porto Alegre,durante a realização da Copa. A Famurs – Federação das Associações de Municípios – convocou reunião para esta quarta-feira (não sei o que ficou decidido porque entrego na terça-feira o meu texto para o blog). Não faz muito tempo,pequenos e até médios municípios gaúchos,viviam sendo assaltados por ladrões de bancos. Muitas dessas cidades se ressentiam da falta de policiamento capaz de impedir os constantes roubos. As cidadezinha nem sequer contam com guarda municipal. A diminuição da segurança é notada inclusive quando PMs trabalham como salva-vidas,na chamada Operação Golfinho,que dura o verão inteiro.A Famurs tem razão para reclamar. Afinal,estão despindo um santo para vestir outro. Ah,esta Copa do Mundo!

 

O trânsito e os seus crimes

 

Não tinha previsto escrever novamente sobre trânsito. Aliás,o que costuma acontecer nas rodovias que cortam o Rio Grande nos feriados prolongados,como o da Páscoa,por exemplo,lamentavelmente,é coisa que se repete. Refiro-me aos acidentes fatais. Na quinta-feira passada,escrevi sobre um sujeito que,pela terceira vez,foi flagrado dirigindo contramão na Freeway,sendo que na última que cometeu a irregularidade colidiu com outro veículo. Passou-se uma semana desse evento e já se tem notícia do carro de um deputado que,dirigido pelo próprio ou por um subalterno,corria a 164 km/h na BR-386,velocidade registrada pelo radar,cuja foto está na Zero Hora.A caminhonete,uma Ranger,tem quatro multas,todas por excesso de velocidade. Edson Brum,esse o nome do deputado,diz que o veículo possui multas,mas é um carro do seu gabinete e que pode ser dirigido por um motorista. Pois, que seja.O interessante é que a PRF,no caso desse feriado,não teve como saber quem era o condutor da Ranger porque o movimento na rodovia era intenso e questões de segurança precisavam ser respeitadas. E não seria desrespeito à segurança dos outros veículos correr a 164km/h?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: alguém aí não acredita? vai …

 

San Lorenzo 1 x 0 Grêmio
Libertadores – Buenos Aires (ARG)

 

 

Era apenas uma brincadeira o comentário de Juca Kfouri, na manhã de quarta-feira, quando conversamos no Momento do Esporte, no Jornal da CBN. Ele disse que estava ali, ao vivo, quando normalmente grava o quadro, preocupado com meu comportamento diante dos últimos resultados gremistas. Chegou a dizer que soube nos bastidores de um mau humor que estaria influenciando meu relacionamento com os colegas de trabalho. Claro que não gosto de derrotas, mas o futebol não chega a me influenciar a ponto de estragar a boa relação com os amigos (ao menos é o que eu imagino). Sou adepto da tese de que rir de si mesmo nos aproxima mais daquilo que somos e, baseado nisso, achei engraçada a “pegadinha” dos colegas de Jornal que, hoje cedo, reproduziram o gol do San Lorenzo na narração de um histérico locutor argentino. Adoraria ouvi-lo na semana que vem no jogo de volta. O que não gostei muito foi de ler minha timeline no Twitter, durante a partida de ontem à noite, pela qual sigo vários torcedores do Grêmio. Entendo que algumas coisas que vemos são de tirar do sério: chutar a bandeirinha em lugar da bola ou despachá-la por cima do travessão na cobrança de falta técnica dentro da pequena área chega a ser bizarro. Mas tive a impressão de que o pessimismo do pessoal não estava a altura do jogo jogado e do resultado final. Mais incômodo do que isso: a descrença não condiz com nossa história. Sempre defendi a ideia, e falei isso para o Juca na conversa de ontem, que até 3 gols contra viramos em casa. Sou otimista, com certeza. Mas meu otimismo está pautado por nossas conquistas. O placar de ontem à noite, em Buenos Aires, está dentro do roteiro, especialmente porque percebemos que somos capazes de superar a marcação argentina, teremos o retorno de Wendell e Luan, e estaremos jogando ao lado de nossa torcida. E espero que estejam na Arena apenas os torcedores que, como eu, acreditam na nossa força. Aqueles que invadem hotel para ameaçar em lugar de incentivar jogadores, aqueles que duvidam do poder do Grêmio, aqueles que antes mesmo de iniciada a fase final apostavam na nossa desclassificação … estes todos tirem suas camisas e fiquem em casa vendo novela.

 

Eu acredito! Sempre!

A nova oligarquia do futebol brasileiro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A partir de 2011 um novo ciclo financeiro foi estabelecido para os times brasileiros em decorrência de mudanças nas cotas de TV, principal receita da maioria dos clubes. Visando a hegemonia existente da TV GLOBO, o CADE determinou, em nome da livre concorrência, uma licitação entre as empresas interessadas no direito de transmissão do campeonato brasileiro. O Clube dos treze, que negociava todos os contratos, lançou então um edital no valor de R$ 516 milhões que sucedia o anterior de R$ 269 milhões.

 

Por influência da CBF e da TV GLOBO, e assediados pelo presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, os clubes aceitaram tratar diretamente com a televisão. Negociados individualmente os contratos chegaram em torno de R$ 1 bilhão. O Clube dos treze que representava os clubes mais influentes e intimidava a CBF e a TV GLOBO foi extinto. E, a partir de 2012, o Brasil passou a ter a quinta maior cota de TV do mundo. Atrás apenas da Inglaterra, Itália, França e Espanha. Tamanho salto deixou a maioria dos times exultantes. Não perceberam que a negociação individual, embora trazendo aumento significativo naquele momento, iria fortalecer os mais fortes e enfraquecer os mais fracos.

 

Até então, Flamengo, Corinthians, São Paulo, Vasco e Palmeiras recebiam R$ 25 milhões. Santos, 16 milhões. Cruzeiro, Atlético MG, Grêmio, Inter, Fluminense e Botafogo, 16 milhões. Sport, Bahia, Vitória BA, Coritiba, Atlético PR, Guarani, Portuguesa e Goiás, 13 milhões. Pela nova negociação Flamengo e Corinthians tiveram aumento de 340%, o São Paulo de 220%, Vasco e Palmeiras 180%, e os times da última faixa apenas 107%.

 

Essa tabela, válida até 2015, deverá alimentar a desigualdade ainda não visível entre as equipes. A competitividade estará seriamente ameaçada se as novas cotas de TV recém-divulgada na mídia se concretizar. Flamengo e Corinthians terão aumento de 50% enquanto as faixas abaixo receberão reajustes menores, tendo a ultima segmentação apenas 10%.

 

Ou seja, o “gap” entre a receita dos clubes será acentuado. Exatamente o oposto daquilo que tornou o torneio da NBA um sucesso, onde os ganhos são equivalentes. E onde habita o campeonato espanhol de dois times, quando a exceção é um terceiro time chegar à final.

 

Vamos gravar os últimos seis anos de campeonato brasileiro com seis campeões diferentes. Pode ser que nunca mais aconteça.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: carta de um ouvinte gremista

 

Uma Avalanche, escrita ainda durante o Campeonato Gaúcho, motivou a carta/e-mail do ouvinte Danier Boucinha Viana, gremista como nós que costumamos ler este espaço no Blog. A mensagem chega em semana decisiva para o Grêmio, seja por estarmos diante da fase final da Libertadores seja pelos últimos acontecimentos do time. Por isso, torno pública as palavras e a esperança de Danier para que nos inspirem na partida dessa quarta-feira, contra o San Lorenzo:

 

Prezado Mílton,

 

Faz muito tempo que estou para lhe escrever e aproveito o feriadão para fazê-lo. Espero não incomodá-lo com a extensão do texto mas necessário por misturar vários assuntos represados. A ocasião é propicia face o que temos vivido nesses últimos dias com o nosso Grêmio bem como os dias que antecedem ao jogo de quarta-feira próxima na Argentina.

 

Sou Gaúcho, Gremista de “Quatro Costados”, nascido na fronteira (Dom Pedrito) em 1958. Seu fã incondicional de todos os dias na rádio CBN mas mais ainda do seu querido pai. Coincidentemente no ano em que nasci o seu pai, A Voz do Rádio, iniciou as transmissões na antiga Rádio Guaíba. Atualmente estou com 55 anos. Saí da minha querida Dom Pedrito aos 17. Trabalho no BB e moro em Campinas-SP há 15 anos. Mais Gremista do que nunca!

 

Menino cresci escutando a Guaíba lá no interior, juntamente com meus irmãos mais velhos todos Gremistas, naqueles tempos áureos do nosso Heptacampeonato. No meu imaginário infantil somente existiam Alberto, Airton Pavilhão , Sérgio Lopes , Everaldo, Joãozinho, Flecha , Alcindo, Volmir Massaroca, entre tantos outros. O Meu Grêmio era Imbatível! Adolescente cresci e sofri com o esplendor do tradicional adversário na década de 70 (campanha do octa e bi-brasileiro). Ironicamente naquela época forjei-me como verdadeiro Gremista vindo a entender mais tarde que foi necessário todo aquele crescimento do Inter para impulsionar e tornar-nos a potencia futebolística mais tarde. Meus heróis, embora não vencedores, já eram outros. Mas eram igualmente heróis! Ao ler a sua crônica de 26/03/2014 na CBN intitulada “Pelo Direito de ser Aquele Guri mais uma vez” a emoção foi muito grande. Ali estavam exatamente meus heróis daquela época: Loivo (minha mãe hoje com 95 anos chama-se Loiva) e o maior de todos e que deve ser pronunciado em toda a sua extensão: Atílio Genaro ANCHETA Weigel. Sim o maior de todos os tempos pois tenho uma teoria: Ele foi infinitamente superior ao Figueroa. Por quê? O Figueroa jogou em uma timaço tendo a sua frente nada menos do que Falcão, Carpeggiani, Batista, Caçapava, etc… e o Ancheta ? Bom é melhor não lembrar. E mesmo assim havia a comparação de quem era o melhor. Não há dúvidas. Tivesse o Ancheta jogado no outro lado (sacrilégio) não haveria termos de comparação! Pois bem você teve o privilégio de estar ao lado deles, algo que eu ficava imaginando a minha vida toda poder ter tido a oportunidade naqueles tempos de guri lá no Sul.

 

Essa crônica sua me fez lembrar de tudo o que já vivemos com o Imortal tricolor e que somente quem é Gremista sabe da emoção que é ser Gremista! Da nossa redenção em 77 com a raça Gremista dos inesquecíveis Iura, Ancheta, Tarciso, passando pela categoria de Tadeu Ricci , Éder e culminando lá na frente com o nosso Redentor André Catimba, comandados pelo saudoso Mestre Telê Santana. Como não lembrar do primeiro Brasileiro em 03/05/81 em cima do poderoso São Paulo em pleno Morumbi lotado? E da noite fria de 28/08/83 com o cruzamento mágico do Renato e o gol de peixinho do César em cima do não menos poderoso Penharol? Adentramos ali madrugada adentro comemorando na certeza de que com a conquista da América pela primeira vez no Sul nada poderia ser maior. Mas poderia sim: vieram o Mundial, outra Libertadores, as incontáveis Copas do Brasil, novamente o Brasileirão.

 

Como é bom ser Gremista! Poderia escrever um livro para descrever todo o meu sentimento e emoção ao falar do Grêmio mas em consideração ao seu tempo vou terminar por aqui mas não sem antes fazer uma referência toda especial ao seu pai, o grande Milton Ferretti Jung. Do seu inicio na antiga Guaíba em 58 até abandonar as narrações em 88, voltando a narrar em 98 desde que fosse somente em jogos do Grêmio (isso é demais Cara!). Acompanhar então sua preparação para narrar o último Gre-Nal do Olímpico em 02/12/2012 foi emocionante. Você é um privilegiado por ter um pai como esse. Parabéns!

 

Apesar dos últimos acontecimentos e mesmo lendo a coluna de hoje do Wianey Carlet na Zero Hora “O Grêmio não vai longe” que apontam exatamente ao contrário, continuo acreditando que o Tri virá com o espírito e a garra de sempre do Imortal Tricolor.

 

Grande abraço e ótimo trabalho.

 

Danier Boucinha Viana

Conte Sua História de SP: os pirilampos da Mooca

 

Por Cleide Cais
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Era 1954. Eu tinha sete anos. Morávamos na Mooca, bairro de preferência dos descendentes de italianos que haviam imigrado em busca de terras férteis. Minha avó, que viera de Mantova, tinha sua chácara naquele mesmo bairro, onde cultivou por muitos anos verduras que vendia e com cujo produto criou seus quatro filhos.

 

A Mooca era mágica para mim. Naquela época eu já revelava a semente de leitora contumaz, que sou. Aprendera a ler com seis anos e sempre estava procurando leitura, me recordo de que minha diversão era ler o que quer que fosse que estivesse em placas de ruas do bairro.
Meus horizontes eram a Mooca. A Rua Florianópolis onde estava nossa casa no número 629 não tinha asfalto, muito menos calçadas. Era um lamaçal quando chovia; um lamaçal lindo, onde eu afundava minhas alpargatas para horror da minha mãe.

 

Adorava a chuva, que continua até hoje a ser alvo de minha extrema paixão. Tinha uma ligação mágica com um limoeiro que estava plantado no terreno daquela modesta casa: seus frutos eram alaranjados e sua polpa também. Mas a magia vinha dos pirilampos que nele tinham sua morada.
À noite, além das estrelas e da lua, quando presente, eu tinha as luzes multi-coloridas dos pirilampos.

 

Porém uma noite foi especial: a noite do 25 de janeiro de 1954: a Cidade de São Paulo fazia 400 anos. Uma grande festa foi programada a ser realizada em um parque muito distante do Bairro da Mooca.

 

Minha mãe colocou em mim e na minha irmã, então com cinco anos, nossos melhores vestidos, meias brancas e o par de sapatos brancos de dias de festas. Fomos nós quatro: minha mãe, linda, brilhando em sua modéstia, meu pai, belo e magnífico, elegante em seu único terno.
Fizemos uma longa viagem em duas linhas de ônibus, até chegarmos ao local da festa do quarto centenário da Cidade.

 

São Paulo era, na ocasião, a maior cidade da América Latina com 2,5 milhões de habitantes. Os preparativos para as comemorações tiveram início três anos antes da data, culminando com a entrega aos paulistanos do Parque do Ibirapuera espaço com cerca de um milhão e meio de metros quadrados, cujo projeto arquitetônico foi feito por Oscar Niemeyer e o paisagismo por Roberto Burle Marx.

 

O parque foi o presente para a Cidade destinado a ser um símbolo do patrimônio coletivo e ponto de referência obrigatório da Cidade de São Paulo como constou do “Boletim Informativo da Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, n. 02 – São Paulo – Brasil – Junho 1953, Arquivo Edgard Leuenroth”.

 

Chegando ao local, após a longa viagem, eu estava encantada com tudo o que via, automóveis, muita gente alegre, luzes, fogos, porém, o clímax de repente me atingiu: de um aviãozinho chovia do céu milhares e milhares de estrelas de papel prateado sobre todos nós! Eram estrelas comemorando o IV Centenário da minha Cidade! Quanta emoção ao notar todas as crianças correndo para tentar pegar aqueles lindos pedaços de papel prateado, aquelas magníficas estrelas que brilhavam como a luz dos pirilampos do meu limoeiro.

 

Por muitos anos guardei a minha estrela de papel laminado dentro de um livro. Porém, o tempo passou, para chegar aos meus 67 anos fui perdendo coisas, perdendo pessoas, perdendo bichos, perdendo amigos, perdendo até a mim mesma, e, com essas perdas se foi a estrela do quarto centenário da minha Cidade.

 

Mas a emoção eu não perdi , hoje, lembro de tudo, como se a festa estivesse se repetindo e todas as pessoas amadas estivessem ao meu lado, correndo para catar as estrelas de papel prateado que o aviãozinho derramava.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando seu texto para milton@cbn.com.br ou agendando entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa (contesuahistoria@museudapessoa.net).