Adote e Voto Consciente vão pedir fim de projetos "fora da lei"

 

 

Todo projeto de lei, antes de começar a andar na Câmara Municipal, assim como em qualquer casa legislativa, passa pela Comissão de Constituição e Justiça. Por desconhecimento, descuido ou complexidade legal, muitas propostas de vereadores não são ou da alçada do vereador ou da própria cidade. Por exemplo, não é possível aprovar lei que interfira nas forças de segurança pública, responsabilidade do Estado; assim como não se pode propor aumento de salário para professores municipais, projeto que cabe apenas ao prefeito. A CCJ é uma espécie de guardiã da constituição dentro do legislativo. Ou deveria ser. Muitas vezes, os vereadores fazem vistas grossas às irregularidades e aprovam projetos “fora da lei” para atender o pedido de um colega e até trocam favores para terem os seus projetos aprovados na primeira instância.

 

No encontro da rede Adote um Vereador, no fim de semana, ficamos sabendo que a Câmara Municipal de São Paulo, desde a gestão do presidente Antonio Carlos Rodrigues (PR_SP), entre os anos de 2007 e 2010, não apresenta mais o parecer do corpo jurídico da casa sobre os projetos de lei que dão base para a votação dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça. Se o relatório é feito – o que deve ocorrer, por ser uma norma da casa-, não é anexado ao projeto em análise na CCJ nem o cidadão tem acesso. Portanto, é trabalho desperdiçado e desdenhado pelos vereadores que fazem muito mais análise política do que jurídica, permitindo que projetos inconstitucionais continuem andando na Casa, ocupando a pauta, tirando espaço de debates importantes e, algumas vezes, despejados no colo do prefeito para que ele tenha o ônus de vetar a proposta.

 

Em mesa cheia, com gente nova e gente experiente (e tomada de garrafas de água e café), no Pátio do Colégio, a rede Adote um Vereador decidiu que vai pedir, em parceria com o Movimento Voto Consciente, ao presidente da Câmara, José Américo (PT_SP), que retome a prática de anexar os relatórios realizados pelos técnicos do setor jurídico da Câmara aos projetos de lei analisados pelos integrantes da CJJ. É importante que a Comissão, além de receber este documento e torná-lo público, leve em consideração a avaliação técnica para aprovar ou não os projetos de lei, independentemente do comprometimento político dos vereadores.

 

Outras conversas

 

No sábado, quando a rede se reuniu, em São Paulo, fomos apresentados a Henrique Trevisan, um dos integrantes do grupo que desenvolve o Monitor Legislativo, aplicativo que está em construção e pretende ajudar o cidadão a controlar o mandato dos vereadores. A ideia é colocar nas mãos do paulistano, um programa que facilite o acesso às informações do vereador e dos trabalhos da Câmara, tornando mais transparente a ação do legislativo municipal. A forma como muitas das informações estão publicadas no site da Câmara impedem, por exemplo, o cruzamento de dados. E já aprendemos que a transparência não se faz com informação publica, mas com informação acessível.

 

Lá no Pátio do Colégio, também, duas novas parceiras foram integradas ao grupo, interessadas em acompanhar o trabalho dos vereadores paulistanos. São elas, Rute e Gabriela Cabral, mãe e filha, que moram na Vila Formosa, onde vários parlamentares foram eleitos para a atual legislatura. Após ouvir a experiência de integrantes do Adote, ambas se comprometeram a monitorar, fiscalizar e controlar um desses vereadores.

 

E você está de olho no que o seu vereador faz pela cidade? Adote um vereador!

Avalanche Tricolor: por um toque de qualidade

 

Grêmio 0 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foi disputando cada jogo como se fosse o jogo de sua vida que construímos nossos 110 anos de história. Mas o que é um jogo diante de tudo que já vivemos até aqui? O passe errado – aliás, vários na mesma partida -, o chutão desesperado do zagueiro que não sabe o que fazer com a bola, a falta de criatividade no meio e a incerteza dos atacantes. São todos detalhes que passam despercebidos nos arquivos da nossa memória centenária – pequenos frente ao que somos. E pequeno como sou, peço licença, caro e raro leitor, para reproduzir, nesta Avalanche, texto de quem realmente tem talento, sabe ser diferente no trabalho que exerce e fez belíssima homenagem ao Grêmio em seu blog no Lance!Net. Aproveite o toque de qualidade do jornalista Mauro Beting, a quem agradeço por ter oferecido aos gremistas o momento de maior prazer deste fim de semana:

 

Grêmio. Desde 1903.
Não importam números, embora 1983 encerra discussões.
Não importam ou exportam nomes. Mas Lara é tema eterno. Portaluppi fez o planeta mais azul. Aírton é pavilhão. Iúra foi símbolo. Scolari faz cátedra. Foguinho acalenta. Valdo esfria. Everaldo rima e é seleção. Jardel é cabeça. De León é corazón. Alcindo é bugre. Gessy é Grêmio.
Vocês são Grêmio onde ele estiver.
A pé, em pé, caído em segundas divisões, primeiro em Libertadores e Mundial, veterano copeiro, imortal vencedor de jogos eternos. Aflitos e Olímpicos, Moinho dos Ventos e Arenas, Baixada e no Humaitá, azedo na Azenha, doce e amargo, Grêmio e Tricolor.
Até ganhar o BR-81 não era visto por Rio e São Paulo. Quando fez a América e fritou o Hamburgo passou a ser mais respeitado. Mas só passou mesmo a patrola na patrulha paulista e carioca quando foi parrudo e marrento ganhando as Copas do Brasil. Quando não era favorito para a mídia. Mas foi melhor que o Flamengo em 1997, no tri. Quando foi melhor que o Corinthians em 2001, no tetra.
Ninguém dava bola ao Grêmio. Mesmo campeão da Copa do Brasil em 1989. Mesmo bi em 1994.
Ninguém dava crédito ao Grêmio. Mesmo campeão da América em 1995. Mesmo vice nos pênaltis para o grande Ajax.
Muitos davam perdido o título brasileiro de 1996 até o chute final de Aílton.
Quase todos davam perdido o acesso em 2005 no pênalti de Galatto. No gol de Anderson que nem o mais fanático gremista (redundante) acreditava no fantástico e fabuloso.
Se é que gremista nasceu para não acreditar no Grêmio.
Ele não torce. Ele acredita.
Ele é Grêmio.
Eles são Grêmio para o que der e vencer. Mesmo que não venha, eles vão.
Fanáticos e fantásticos como tantos torcedores de tantos times com mais ou menos conquistas.
Mas os que são tricolores, que são gremistas, que já sofreram com o rival figadal, que já foram fidalgos ou não, esses parecem saber de algumas coisas que não sabemos quando o time deles joga.
Eles sabem que é possível. Podem ter menos time que os rivais. Podem ter menos dinheiro. Menos poder. Menos midia. Menos gente.
Mas eles nunca têm menos torcida. Jamais têm menos fé.
O poder do Grêmio é esse.
Eles mais acreditam que torcem. Eles se acham mais predestinados. Guerreiros. Imortais. Invencíveis.
Claro que eles não são tudo isso.
Mas vá enfrentá-los! Em campo e nos bancos. Nos botecos e nos batuques. Nas bolas e nos papos. Na grama e na fama.
O tricolor não verga. Ele esgrima. Ele Grêmio.
Pode não vencer. Mas ele vai lutar.
É preciso respeitar até quando não se gosta e não se tolera e entende.
É preciso ser um pouco Grêmio para vencer o brasileiro mais uruguaio. Mais argentino. Mais alemão. Mais Grêmio.
É preciso ter um pouco dessa alma de avalanche para atropelar quem estiver pelo caminho.
Você pode não gostar do jeito, do jogo, dos modos, dos meios.
Mas você tem de respeitar essa história. Tem de entender essa glória. Tem de admirar essa gente cujo hino é de um Lupicínio que cantava a dor-de-cotovelo de corações dilacerados e compôs uma letra que poucos clubes têm: não fala de conquistas de galerias de troféus. Fala de sofrimento e encantamento de quem torce. De quem ama. De quem acredita.
De quem é Grêmio antes de ser gente. De gente que é Grêmio antes de ficar e ir a pé onde ele estiver.

De tempos difíceis

 

Por Maria Lucia Solla

 

photo

 

Toda dor passa? Passa, mas deixa cicatriz.

 

Não acredito em dor grande, média ou pequena. Já tive dor de todo tipo, uma danada dor de dente que levou a intervenção no seio da face, uma cirurgia na coluna e, ai que dor! morfina por três dias. Tive dor de parto e de partida, de fratura e contratura, de incompreensão e solidão. Toda dor é simlesmente dor. Material e imaterial.

 

Já tive muita dor de amor e pouca dor de cabeça, sofri a dor da insegurança, das duas faces do ciúme, da indiferença, de maus-tratos e preconceito. Sofri a dor da traição, tanto de amor quanto de amigo, a do desdém, da descrença, da maledicência e do abandono.

 

Agora, levando em conta a tradição céu-terra-inferno, ou a dor passa aqui na terra, ou a gente perde a parada para ela e se joga, não na vida, mas para fora dela. Fica pulando entre inferno e terra, cada vez mais longe do céu.

 

O que fazer? Onde se apoiar? Na comida, na bebida, nos amigos, nos amores, na promessa do céu? Não. O apoio não está longe e muito menos fora. Está dentro. Mas onde? Como deixar irem as crenças embaladas desde o berço? Virar tudo de cabeça para baixo? Aceitar a situação em que o mundo se encontra, vivendo desencontros e desencantos?

 

Não sei. Confesso. Enquanto se está neste lugar de dor, fica tudo turvo, sem sentido.

 

Diz-se que é preciso dar valor a cada dia que costura os viezes da existência, que é preciso ter fé, é preciso meditar, comer bem, malhar, tomar vitaminas e regulador de humor, não descuidar dos afazeres nem dos amigos verdadeiros, aceitar as falhas alheias e as nossas, com uma boa pitada de humor.

 

Será?

 

Freud diz que humor é preciso, porque é o princípio do prazer que combate a crueldade das circunstâncias reais, mas o fato é que a cada dor que passa, outra chega, como se estes tempos estivessem mais inclinados à dor do que ao amor.

 

E então? Qual a saída quando a dor insiste em não dar trégua?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: o ranking de reputação das empresas no Brasil

 

 

São três as variáveis que levam as pessoas a formar a reputação de uma empresa: as ações e o comportamento, ou seja aquilo que ela faz; a comunicação e o marketing, portanto aquilo que ela diz; e o que dizem dela. A afirmação é de Ana Luiza Almeida, da Reputation Institute Brasil, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, que apresenta o resultado de pesquisa sobre a reputação das empresas brasileiras em 21 setores da economia. A seguir o quadro com as empresas que ficaram no topo de cada setor:

 

Brasil Reputation Pulse 2013

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Marcas de luxo aderem ao e-commerce

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

O e-commerce no segmento do luxo ganha cada vez mais relevância. Hoje, são evidentes e inúmeras as oportunidades para esse mercado na internet. Apesar de ter uma demanda bem maior nos Estados Unidos e Europa, o Brasil vem aumentando sua presença online com diversas marcas nacionais aderindo a esse formato.
Nos Estados Unidos e Europa, grifes como Ralph Lauren, Tiffany&Co., Louis Vuitton, Gucci, Prada, Armani e outras, há alguns anos, aderiram ao comércio eletrônico e vêm obtendo êxito. A Ralph Lauren, além do mercado americano, já possui loja online em nove países da Europa, Japão e, em breve, atenderá também a Coréia.

 

No Brasil, o e-commerce se amplia em segmentos como moda e acessórios, decoração e homeware. A Trousseau, especializada em homeware, por exemplo, tem mix de produtos oferecidos na internet que apresenta o mesmo requinte de suas lojas físicas. Pode-se comprar desde um sabonete à sua luxuosa linha de lençóis em algodão egípcio. A renomada boutique Mares Guia, loja multimarcas que reúne moda feminina de grifes de luxo, também possui ambiente de compras online, onde pode-se encontrar peças como saias, casacos ou, até mesmo, vestidos para festas.

 

A Boutique Daslu, um ícone no segmento do luxo no Brasil, desde os tempos áureos sob o comando de Eliana Tranchesi já apostava no comércio digital. Sua loja online disponibiliza itens da Daslu Casa, linha de homeware da grife, além de peças de roupa feminina, masculina, teen e bebê. De olho no público masculino, a grife Sergio K. também tem na internet peças-chave de suas coleções, como as cobiçadas pólos, camisas e sapatos da grife.

 

No site da dinamarquesa Bang&Olufsen, referência na produção de televisores, sistemas de som, caixas acústicas e produtos multimídia pode-se encontrar produtos como aparelhos de som, caixas acústicas e acessórios da marca. Admiradoras dos icônicos sapatos da grife Schutz também podem vivenciar experiências adquirindo seus produtos online. Sapatos, sandálias e bolsas estão entre os itens comercializados ali. Já o segmento de joias não ficou de fora. Grifes exclusivas como Silvia Furmanovich, Jack Vartanian e Carla Amorim também proporcionam a seus clientes online algumas peças de suas coleções.

 

O segmento de beleza e cosméticos é fortemente presente na internet. A Sephora, maior rede de produtos de beleza do mundo e que desde 2010 adquiriu o portal brasileiro Sacks, aposta na venda de produtos de beleza das melhores e mais desejadas marcas do mundo, como Chanel, Dior, Salvatore Ferragamo e outras, além de uma marca própria, a Sephora Collection. Também forte no segmento, o website ShopLuxo, que pertence à rede de lojas Suil, composta por Calèche, Vent Vert e Suil Parfumerie, aposta na venda de cosméticos de grifes desejadas.
Com uma proposta mais exclusiva, o site Umimo tem foco no mercado do luxo e premium, e une elegância e beleza com produtos de marcas prestigiosas. A prestigiosa grife Chanel já está no e-commerce brasileiro, disponibilizando a seus clientes itens de sua linha de beleza, como maquiagens, perfumes masculinos e femininos, esmaltes e outros.

 

O e-commerce de luxo no Brasil recebeu, em agosto deste ano, uma grife tentadora: a francesa Louis Vuitton, uma das mais desejadas e copiadas do mundo. Disponível para todo o país, a loja online da grife oferece produtos das linhas feminina e masculina de desejados acessórios, como suas icônicas bolsas, malas de viagem, óculos, cintos, lenços, relógios e sapatos. A LV online é uma forma de atender a seus consumidores residentes de cidades que ainda não possuem loja física da marca, além de poderem comprar produtos, por exemplo, para presentear alguém, o que online certamente lhes proporcionará uma economia de tempo. Afinal, ter tempo tornou-se um dos principais objetos de luxo do mundo contemporâneo.

 

Muitas marcas de luxo temiam que a venda pela internet afetasse sua aura de exclusividade, além de certo receio em provocar uma possível banalização das mesmas. No entanto, existe uma demanda do próprio consumidor pelos endereços eletrônicos das marcas de luxo. Para as marcas o maior desafio é, no mundo digital, oferecer a seu consumidor todo o luxo e experiência de compra já oferecidas em suas lojas físicas. É imprescindível investir em tecnologia, logística e uma comunicação eficaz entre a loja online e seu cliente. Um layout simples e elegante aliado a um atendimento de qualidade e agilidade de entrega certamente colaborarão para o sucesso da marca na internet. Os produtos de luxo já trazem em si o alto valor agregado, porém a percepção deste também é fortalecida no momento de experiência da compra. Vale lembrar que muitos consumidores utilizam a loja digital para se atualizar das novidades e conhecer peças de coleções novas, podendo decidir efetuar a compra pela internet ou até mesmo ir a uma loja da grife.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

O seguro morreu de velho

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O meu pai, seu Aldo, como preferia ser chamado, comprou o seu primeiro carro em 1937. Como nasci em 1935, não posso dizer que lembro desse automóvel. Conheci-o em fotografias, lamentavemente desaparecidas na poeira do tempo. Tenho uma vaga ideia de que o carrinho, com os seus dois cilindros, recusou-se a subir uma lomba em uma estrada de terra. Faltou-lhe força. A Segunda Guerra estava por começar quando papai trocou o DKW por um Chevrolet 1939, zero quilômetro, importado, como todos os automóveis daquela época, dos Estados Unidos. Desse tenho, até hoje,boas lembranças fotográficas, guardadas com saudade. Em uma dela, apareço já grandinho, junto com minha irmã, sentada sobre o capô.

 

Não sei qual era a quilometragem do Chevrolet quando o meu pai decidiu o colocar na garagem da nossa casa, sobre quatro cavaletes. Houve que preferisse usar o que chamavam de gasogênio, uma traquitana danada que substitua a escassa gasolina. Já o motor do carro do meu pai era ligado seguidamente a fim de evitar que sofresse danos com a longa paralisação. O meu querido velho acreditava piamente que, ao final da guerra, o preço dos automóveis não fosse subir. Mas aumentou de maneira considerável. Não tenho a mínima ideia de quanto obteve com a venda precipitada do Chevrolet.

 

O Citroën, terceiro carro do meu pai, veio da França, de navio. Era para ser negro brilhante. Aliás, como os primeiros Ford, nunca se viu um Citroën que não fosse, originalmente, preto. O revendedor da marca, explicou que a mão definitiva de tinta seria dada tão pronto o produto desembarcasse em Porto Alegre. Isso acabou caindo no esquecimento. Fosse hoje em dia e, no mínimo, a revenda iria se incomodar com o PROCON. Pintura à parte, o Citroën foi o primeiro automóvel que dirigi. Papai o adquiriu quando eu estava internado no Colégio São Tiago, em Farroupilha, na Serra gaúcha. Fui surpreendido com a visita do meus pais que foram me apresentar o francesinho. Ele acabou sendo o meu primeiro carro, depois de passar vinte anos na casa paterna. O seu Aldo o vendeu para mim em um negócio de pai para filho, isto é, sem juros. Precisei reformá-lo de cima para baixo. Saiu caro.

 

Após o Citroën, o meu pai passou a trocar de carro com mais frequência. Teve uma coleção de Fucas. O último, um 1966, quem herdou foi o meu caçula, o Christian. Hoje,ele tem um Fusca apetrechadíssimo. Já eu, sempre que papai comprava um Fusca zero km, ficava com o usado. E era um excelente negócio. Todos tinham baixa quilometragem. Só não consigo recordar a partir de qual automóvel passei a fazer seguro. A propósito de seguro-auto, fiz todo o intróito que se viu acima (se é que alguém enfrentou tal sacrifício), vou relatar a surpresa que tive ao renovar, faz uma semana, o do meu Beetle.

 

Depois de saber qual o preço do seguro, o moço do BB, que me ligou para acertar a renovação, disse-me que eu teria direito, em saídas noturnas, se houvesse ingerido bebida alcoólica ou, simplesmente, não estivesse disposto a dirigir, bastava ligar para determinado número de telefone para pedir que um táxi me buscasse. Tratava-se de um serviço gratuito, uma cortesia inesperada. Aí, o moço do Banco do Brasil lembrou-se de perguntar o ano do meu nascimento. Disse-lhe que era 1935. O rapaz ficou sem jeito e titubeou ao tentar explicar que, lamentavelmente, a cortesia valia somente para quem tivesse até 70 anos. Minha primeira reação foi dar uma risada. Desliguei o telefone e cai em mim. Por que será que pessoas com mais de 70 anos são discriminadas pela seguradora? Creio que os mais idosos teriam, inclusive, mais direito de se valer da “cortesia”.

Avalanche Tricolor: trabalho recompensado

 

Náutico 0 x 2 Grêmio
Brasileiro – Arena Pernambuco

 

 

A semana tem sido dura. Às manhãs normalmente difíceis pela responsabilidade de comandar o Jornal da CBN, se soma uma série de outros compromissos profissionais. Temos gravado edições extras para o Mundo Corporativo: na segunda, foi uma, hoje, mais duas. Estive em eventos nos quais realizei palestra sobre comunicação – atividade para a qual (ainda bem) tenho sido bastante requisitado -, além de apresentar o prêmio Melhores de São Paulo, entregue pela Revista Época São Paulo. Por mais que esses trabalhos me ofereçam momentos de prazer, o tempo de sono diminui, o corpo e a cabeça não descansam como deveriam, especialmente para quem, como eu, sai da cama ainda de madrugada (apenas acompanhado dos sabiás que cantam na janela). Imagine no meio da semana ficar acordado para assistir aos jogos do fim da noite, como foi o desta quarta-feira. Sei que muitos abandonariam essa tarefa, mas eu não consigo botar a cabeça no travesseiro sabendo que o Grêmio está em campo, principalmente na disputa de competição tão equilibrada quanto a desta temporada.

 

Diante da agenda cheia e do esforço para me manter em pé, a única coisa que esperava era ser retribuído por uma vitória gremista. Ganhei mais do que isso: vi Rhodolfo tomar conta da área e desarmar os adversários com dois carrinhos de dar inveja até ao Felipão; vi Wendell estrear com personalidade e talento apesar da pouca idade, sinalizando que não devemos mais nos preocupar com a ala esquerda; vi Maxi Lopes entrar em campo e desorientar sua marcação com belos dribles; além de ter visto Kleber brigar pelo espaço dentro da área, Barcos voltar a marcar e Paulinho comemorar o gol que concluiria os trabalhos desta quarta-feira à noite.

 

Com a vitória de hoje, que nos mantém na disputa pelo título, digo com tranquilidade que todo o meu trabalho foi recompensado. O de Renato e o do Grêmio, também

 


A foto que ilustra este post é de André Kuse/Grêmio.net

Um tratado para o Tordesilhas

 

Carlos Magno Gibrail

O estrelado e premiado restaurante Tordesilhas na capital paulista está protagonizando uma discórdia oriunda de moradores nas proximidades de seu endereço na Alameda Tietê. A especialidade da casa, focada na culinária brasileira, tem deixado a vizinhança “gordurosa”. O fato do olfato e do tato prejudicados pelas frituras, provavelmente passaria despercebido não fosse a fama do restaurante e a qualificação dos moradores.

 

Menos mal que o caso pontual esteja na mídia, pois pela tendência da ocupação do solo na cidade esta situação poderá ser cada vez mais frequente. O Plano Diretor de São Paulo está na pauta da cidade, e é preocupante se analisarmos a evolução dos anteriores, pois adensamento e uso misto das áreas urbanas vêm se acentuando através dos anos; com os argumentos de redução dos custos de habitação e de vida para o adensamento, e da melhoria da mobilidade para o uso misto. Quando na realidade precisamos também considerar a lei de mercado para os imóveis no caso do adensamento e a dificuldade da mobilidade em virtude das necessidades de deslocamento geradas pelo mercado de trabalho. Ou seja, as vantagens preconizadas não estão aparecendo, enquanto o sistema vigente está levando ao agravamento das condições. Além do que a população cresce em descompasso com eventuais melhorias.

 

O IBGE atualizou os dados censitários mostrando que São Paulo está com 11,8 milhões de habitantes, quase o dobro do Rio, a segunda maior cidade do país. Diante deste assustador número de gente, tudo indica que a convivência no uso misto do solo precisa ser encarada de forma civilizada, urbana e racional. Quem procurar morar perto de padarias, supermercados, lojas, restaurantes e demais atividades deve estar consciente dos reflexos inevitáveis destas operações. Ao mesmo tempo, os comerciantes instalados próximos a moradias devem respeitar os vizinhos, utilizando inclusive as tecnologias à disposição,para que todos possam usufruir condignamente os sentidos naturais do ser humano. Visão, audição, olfato, paladar e tato.

 

Aqui, nem o papa nem o meridiano resolverá. O tratado deverá conter o trato da liberdade de cada um indo até a liberdade do próximo. O Tordesilhas tem condição de cumpri-lo, e chamá-lo de Tratado da Tietê.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

A força relativa das redes sociais

 

O dono do Rock in Rio, Roberto Medina, em entrevista ao Caderno 2 do Estadão, na edição dominical, falou sobre como construiu o festival que se iniciou em 1985 e se transformou neste gigantesco espetáculo de música que viaja o mundo. Chamou-me atenção, dentre as muitas afirmações, a análise que fez sobre a importância relativa das redes sociais nas decisões que toma para escalar o elenco de atrações que, muitas vezes, extrapola a balada do rock. Não ignora a opinião que circula na rede, mas usa o termômetro certo para medir a temperatura do público. Lembra ter sido muito criticado quando contratou Shakira, na Espanha, e “endeusado” ao acertar com o grupo Rage Against the Machine. Enquanto ela foi um sucesso de público, eles foram um dos que menos pessoas levaram à Cidade do Rock na história do festival. Para Medina, “o cara que se manifesta nas redes sociais é o mais radical, o mais ativista, é mais duro e mais heavy. Muitos incorrem no erro de dar peso demasiado às redes sociais. Tem de olhar também, mas com cuidado”.

 

Destaco a análise do empresário porque vai ao encontro do pensamento que me pauta há algum tempo no comando dos programas na rádio CBN. Jamais podemos nos deslumbrar com o que escrevem nas redes sociais (e mesmo com a opinião enviada por e-mail) entendendo que lá está a opinião de todo o público. O ouvinte indignado tende a escrever mais, se dispõe a parar a atividade que realiza para reclamar, e quando escreve carrega na tinta, sendo até mais duro do que seria diante de um diálogo aberto, frente à frente. A indignação move às pessoas. A satisfação nem sempre. Além disso, os grupos mais articulados e organizados conseguem aparecer mais, fenômeno que ocorre historicamente antes mesmo do surgimento das redes digitais.

 

Recentemente, minha caixa de correio encheu de reclamações contra a decisão do prefeito Fernando Haddad, de São Paulo, de criar faixas exclusivas para ônibus, medida que espremeu os carros nas já insuficientes ruas e avenidas da capital paulista. Eram motoristas incomodados com o transtorno provocado pela prefeitura que privilegiou o transporte coletivo. Assim que os repórteres da CBN foram ouvir os passageiros, coletaram uma enxurrada de opiniões favoráveis devido a redução do tempo das viagens. Tivesse ficado apenas com o pensamento reinante na internet (e-mail, Facebook e Twitter) teríamos transmitido uma impressão errada da cidade em relação a ação da prefeitura.

 

Impossível ignorar as redes sociais, estas já mostraram sua força de mobilização, mas é fundamental que aqueles que tratam com a opinião pública e os que precisam tomar decisões em qualquer instância saibam equilibrar as forças, levem em consideração a parcela silenciosa da sociedade e, principalmente, confiem na experiência e no conhecimento que construíram. Quem sabe, assim, serão um dia elogiados também nas redes sociais.

Conte Sua História de SP: o pequeno espelho me faz feliz

 

Por Maria Lúcia de Oliveira Souza

 

 

Meus pais, “Seu Francisco” e  “Dona Conceição”, chegaram a São Paulo no início dos anos 60. Assim que desembarcou na rodoviária, minha mãe foi direto para maternidade Leonor de Barros, estava grávida do segundo filho, meu irmão José. Lembro-me do meu pai, caminhando pelas ruas frias da cidade e eu abraçada ao seu pescoço. Ele procurava um lugar como abrigo. Foi o Centro Imigração que cedeu acolhida por três dias. Tempo suficiente para meu pai conseguir trabalho e moradia na zona rural do município de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Em Mogi, meu pai foi trabalhar com japoneses. Teve que amassar muito barro para construir uma pequena casa. Eu tinha apenas dois anos de idade, meu irmão acabava de chegar do hospital e assim se iniciava a guerra pela sobrevivência desta pequena família que mais tarde se tornou bastante numerosa.

 

Meus pais estavam felizes, pois deixaram suas terras para vir para cidade dos sonhos. Aos fins de semana, para ampliar os ganhos com o trabalho,  meu pai era  “Seu Francisco, o Mascate” – o vendedor de porta em porta. Toda vez que via sua mala de trabalho aberta, com todos aqueles pequenos objetos para venda, eu ficava repleta de felicidade. Ela tinha um pouco de tudo. Eram, em sua maioria, objetos que agradavam as mulheres pobres do bairro. Nela se encontravam presilhas, pentes, lenços, brincos, colares, agulha, linha, espelhos, maquiagem, fitas, flores de pano … Tinham até sachês de chá! Mas o que eu gostava mesmo era do espelho. Pegava um daqueles e ficava me olhando, apreciando os cabelos cacheados, a cor morena, os tristes olhos e as sobrancelhas fortes. A pequena Maria, a menina de quatro anos de idade, sorria e voltava a guardar o espelho.

 

Um dia muito feliz era quando acordava cedo para acompanhar meu pai até a região do Brás para comprar objetos e fazer as reposições necessárias. O trajeto era feito sempre de trem, uma viagem muito longa. O início das compras sempre começava com um pastel de carne. Enquanto eu devorava, ele ficava observando serenamente a minha satisfação com a primeira refeição do dia. Depois de mãos dadas íamos às compras. Com uma das mãos segurava firmemente a minha e com a outra, a mala.

 

Passaram-se 50 anos e ainda vou para o Brás fazer compras. Meu pai não está mais de mãos dadas comigo. As barracas de pastéis mudaram de lugar e ganharam espaço mais confortável, (bem como o meu pai Francisco). A mala? Ah! A mala permanece a mesma, guardada no lado esquerdo do peito. Dela, agora não mais a menina Maria, mas a Dona Maria, tira o pequeno espelho e nele vê o passado que lhe faz tão feliz no presente.

 

Maria Lúcia de Oliveira Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Pode também mandar um texto para mim: milton@cbn.com.br