Grêmio 3 x 2 Portuguesa
Brasileiro – Arena Grêmio

Ao deixar Porto Alegre, em 1991, meu primeiro encontro com o Grêmio foi na final da Copa São Paulo de futebol júnior, no estádio do Pacaembu. Fomos goleados pelo incrível time comandado pelo atacante Dener, da Portuguesa, que mais tarde vestiu a camisa tricolor, antes de ir para o Vasco, no Rio, onde morreu precocemente em acidente de trânsito. Fiquei admirado com a performance daquela equipe e passei a acompanhá-la com mais carinho. O encanto se encerrou quando, mais uma vez, a Lusa apareceu no caminho do Grêmio, na final do Campeonato Brasileiro de 1996. Aqui em São Paulo, todos torciam para a Portuguesa, ao menos ninguém lhe queria mal. Eu, cercado de paulistas por todos os lados, praticamente sozinho, com a força e a vontade que apenas os gremistas são capazes de ter diante das adversidades, defendia nossas cores e acreditava no título, mesmo depois da derrota por 2 a 0, no primeiro jogo, em São Paulo. Ao meu lado, havia apenas o Gregório, meu primeiro filho, que não tinha mais de 50 dias de vida, mas já se apresentava coberto no berço pelo manto do Imortal. De plantão, assisti à última partida na redação da TV Cultura, onde todos eram contra mim naquele momento. E foi diante de todos eles que comemorei como louco os gols de Paulo Nunes e Aílton, suficientes para nos dar o bicampeonato brasileiro.
Apesar do histórico restrito, se comparado aos demais grandes do futebol paulista, a Portuguesa sempre foi traiçoeira às minhas expectativas. No ano passado, você deve lembrar, foi a Lusa quem interrompeu a trajetória de vitórias gremistas no Brasileiro. Portanto, não me surpreendeu a dificuldade que tivemos para vencê-la no sábado à noite, na Arena. Não bastasse isso, outra vez nossos limites foram testados. Nem sempre a bola chegava ao ataque da forma que gostaríamos, apesar do talento de Zé Roberto. Nem sempre a defesa se posicionava da maneira que desejaríamos, mesmo tendo três zagueiros e dois volantes próximos da nossa área. E, como sempre, nos expomos a riscos e sofrimentos para provarmos quanto somos capazes de superar nossas restrições. De positivo, a sequência de jogadas pelas laterais e o desempenho de Kléber que deixou de ser apenas um trombador, para se tornar fundamental no ataque.
Outro fator importante, é que aos poucos construímos uma história na Arena Grêmio, levando para lá a força que emanava das arquibancadas do Olímpico Monumental, inclusive com o aumento na média de público por partida, próximo de 25 mil pessoas. Em nove meses de vida, foram nove jogos pelo Brasileiro e apenas uma derrota. Que essa fique para a estatística e o jogo contra a Portuguesa seja mais um na caminhada de 2013, quando espero comemorar o título da mesma forma que em 1996, mas com mais companheiros ao lado, pois hoje, além do Gregório tenho o Lorenzo.





