Avalanche Tricolor: vitória para lembrar e relembrar

 

Grêmio 3 x 2 Portuguesa
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Ao deixar Porto Alegre, em 1991, meu primeiro encontro com o Grêmio foi na final da Copa São Paulo de futebol júnior, no estádio do Pacaembu. Fomos goleados pelo incrível time comandado pelo atacante Dener, da Portuguesa, que mais tarde vestiu a camisa tricolor, antes de ir para o Vasco, no Rio, onde morreu precocemente em acidente de trânsito. Fiquei admirado com a performance daquela equipe e passei a acompanhá-la com mais carinho. O encanto se encerrou quando, mais uma vez, a Lusa apareceu no caminho do Grêmio, na final do Campeonato Brasileiro de 1996. Aqui em São Paulo, todos torciam para a Portuguesa, ao menos ninguém lhe queria mal. Eu, cercado de paulistas por todos os lados, praticamente sozinho, com a força e a vontade que apenas os gremistas são capazes de ter diante das adversidades, defendia nossas cores e acreditava no título, mesmo depois da derrota por 2 a 0, no primeiro jogo, em São Paulo. Ao meu lado, havia apenas o Gregório, meu primeiro filho, que não tinha mais de 50 dias de vida, mas já se apresentava coberto no berço pelo manto do Imortal. De plantão, assisti à última partida na redação da TV Cultura, onde todos eram contra mim naquele momento. E foi diante de todos eles que comemorei como louco os gols de Paulo Nunes e Aílton, suficientes para nos dar o bicampeonato brasileiro.

 

Apesar do histórico restrito, se comparado aos demais grandes do futebol paulista, a Portuguesa sempre foi traiçoeira às minhas expectativas. No ano passado, você deve lembrar, foi a Lusa quem interrompeu a trajetória de vitórias gremistas no Brasileiro. Portanto, não me surpreendeu a dificuldade que tivemos para vencê-la no sábado à noite, na Arena. Não bastasse isso, outra vez nossos limites foram testados. Nem sempre a bola chegava ao ataque da forma que gostaríamos, apesar do talento de Zé Roberto. Nem sempre a defesa se posicionava da maneira que desejaríamos, mesmo tendo três zagueiros e dois volantes próximos da nossa área. E, como sempre, nos expomos a riscos e sofrimentos para provarmos quanto somos capazes de superar nossas restrições. De positivo, a sequência de jogadas pelas laterais e o desempenho de Kléber que deixou de ser apenas um trombador, para se tornar fundamental no ataque.

 

Outro fator importante, é que aos poucos construímos uma história na Arena Grêmio, levando para lá a força que emanava das arquibancadas do Olímpico Monumental, inclusive com o aumento na média de público por partida, próximo de 25 mil pessoas. Em nove meses de vida, foram nove jogos pelo Brasileiro e apenas uma derrota. Que essa fique para a estatística e o jogo contra a Portuguesa seja mais um na caminhada de 2013, quando espero comemorar o título da mesma forma que em 1996, mas com mais companheiros ao lado, pois hoje, além do Gregório tenho o Lorenzo.

De luxo

 

Por Maria Lucia Solla

 

Flor

 

Olá,

 

luxo? me perguntei, sequestrada pelo título do artigo de Ricardo Ojeda Marins.
Parei tudo, foquei o máximo que tenho conseguido focar numa coisa de cada vez e me dei conta de que tenho vivido o luxo a vida inteira. Já tive, já não tive, vivi na abundância, no aperto, amei, desamei, ri e chorei como todo mundo, de toda raça, de todo credo e de de todo tamanho de conta bancária. Fui e deixei de ser tanta coisa, vivi papéis variados, mas o luxo dos luxos ainda acho que é reconhecer o luxo do dia a dia.

 

Ter amigos que valem a pena e reconhecer que nem sempre se é o amigo que vale a pena, é luxo. Luxo é receber o telefonema de um amigo querido dizendo que vem te ver, e ele vem. Ter pouquíssimos ingredientes na cozinha e preparar um prato divino, é luxo. Luxo é não querer parecer o que não é e não sentir insegurança de mostrar o que é.

 

Viver é luxo. Fazer parte do elenco da maior novela já encenada, é puro luxo. Luxo é excelência sob medida em cada fase da vida. Comer pastel na feira com quem a gente quer bem, num papo firme daqueles, é luxo. Luxo é bolinho de chuva, é milho na espiga na praia num dia de sol, caminhada e silêncio; é a caixa de bolinhas de chocolate recheadas de licor, esvaziada durante a projeção de Meia Noite em Paris. Luxo é o vestido de couro italiano estampado comprado na Neiman Marcus em Nova Iorque e o Cornetto comprado no boteco da esquina em São Paulo para acompanhar mais um episódio de House.

 

Luxo é prestar atenção no outro. Paz e a simplicidade do Papa Francisco são luxo.
Luxo é saber se comportar sem luxesa, mas com finesa. Acordar e saber que os filhos estão vivos e bem, é luxo. Luxo é ser capaz de reconhecer o luxo disfarçado de trivial.
E você, se pergunta?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

PS: Bem vindo Ricardo Maríns. Parabéns pelo excelente texto. Um luxo.

 

Maria Lucia Solla escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung. Tê-la aqui desde o início deste blog é um tremendo luxo.

Mundo Corporativo: "lavar prato" para liderar melhor

 

 

É importante saber lavar prato, diz o presidente de Operações da Fogo de Chão, Jandir Dalberto, que comanda a maior rede de churrascarias do Brasil. Para ele, as habilidades que desenvolveu como garçom, logo que se iniciou na carreira em uma das lojas da Fogo de Chão, no Rio de Janeiro, são muito importantes para liderar a sua equipe, pois assim como ele aprendeu tendo como referência colegas que estavam mais tempo na profissão, entende que precisa ser referência para liderar sua equipe. Na entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN, Jandir Dalberto ensina o ponto certo para servir um bom churrasco e as melhores estratégias para ter sucesso no ramo de alimentação: “o ponto fundamental é gente, se você não tiver gente compromissada que abraça os objetivos da companhia você não atinge os resultados esperados”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br e os ouvintes-internautas podem participar pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Luxo é o privilégio de viver novas experiências

 

Ricardo Ojeda Marins é novo colaborador do Blog do Mílton Jung e escreverá às sextas-feiras sobre o mercado de luxo. Administrador de empresas pela FMU-SP, Ricardo tem MBA em Marketing pela PUC-SP e, atualmente, cursa o MBA em Gestão do Luxo na FAAP. É, também, autor do Blog Infinite Luxury. Seja bem-vindo, Ricardo; e você, caro e raro leitor, faça bom proveito do conhecimento deste novo colega:

Luxo é tema fascinante que ganha relevância no cenário brasileiro e mundial. Para muitos, o termo ainda está associado à ostentação, riqueza, consumismo, glamour e, até mesmo, futilidade. O luxo, no entanto, vem sendo desmistificado, é objeto de estudo em diversos países, e os números mostram que deve ser visto como um segmento de negócios como tantos outros, com suas especificidades, é lógico.

 

Durante séculos foram muitos os significados para definir o que é luxo. Está ligado à magnificência, conforto, suntuosidade e demais conceitos que demonstrem exclusividade. Na antiguidade, o luxo era ostentado mediante as riquezas materiais de uma classe alta da sociedade, principalmente pelos reis. Era um luxo material, de posses de bens e prova de alto reconhecimento social. Atrelado à ostentação e ao excesso, no passado, hoje o luxo mostra-se evoluído e com um consumo emocional: é tratado não apenas no sentido de possuir bens ou produtos; passa a ser visto como a era do ser; um luxo subjetivo, no qual o consumidor busca, sem dúvida, o raro ou exclusivo, mas, principalmente, qualidade de vida, sensações e experiências, como o prazer de utilizar um bem ou um serviço, sem, necessariamente, ter o intuito de ostentação. Antes, o produto em si era alvo de desejo; hoje, a experiência que esse produto proporciona ao cliente tornou-se o diferencial. O luxo deslocou-se para o subjetivo universo do consumidor, repleto de sentimentos, necessidades e valores que envolvem especialmente o aprimoramento sociológico das pessoas.

 

Um exemplo interessante é o turismo de luxo. O hóspede desses hotéis não quer torneiras de ouro ou lustres e decoração requintados. Para ele, o luxo está nas experiências de bem-estar que o lugar oferece: spa, jantar romântico em praia privativa, gastronomia especial, a história do próprio hotel e, principalmente, o sentimento de ser único ao receber tratamento personalizado, conforme suas necessidades e desejos específicos.

 

No varejo de luxo não é diferente. Clientes preferenciais de marcas de prestígio recebem privilégios como acesso às coleções antes de seu lançamento oficial, atendimento privativo e vivenciam experiências incríveis no ponto de venda.

 

Além de buscar qualidade de vida e bem estar, o consumidor, atualmente, está envolvido em questões como responsabilidade social, preocupa-se com o meio ambiente e se interessa pela origem do produto que vai comprar. O desafio está lançado para as empresas que, além de oferecem produtos que agucem o desejo de seus consumidores e tenham valores sustentáveis em sua cadeia social e ambiental, devem estar preparadas não apenas para atendê-los, mas entendê-los, surpreendê-los e encantá-los.

 

O "Mais Médicos" e o meu direito de escolher a profissão

 


Por Milton Ferretti Jung

 

O “Mais Médicos” da presidente Dilma me fez lembrar de episódios que vivi a propósito da época em que comecei a pensar na profissão para a qual eu imaginava ter mais aptidão. Cursava, então, o Clássico no Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário, em Porto Alegre. O meu pai fazia gosto de que me formasse em Direito. Creio que, se ele, na sua juventude, não precisasse trabalhar para garantir o sustento dos meus avós, teria optado pela advocacia. Ele apreciava assistir a júris, no Tribunal de Justiça, na capital gaúcha. Fez um curso de guarda-livros; ainda jovem, assumiu a gerência de uma drogaria – a Vargas – e de um laboratório, o Regius. Depois,p assou a trabalhar com máquinas de escrever e calculadoras. Foi, ao mesmo tempo, representante de um laboratório que, entre outros produtos, fabricava o tônico chamado Capivarol e um óleo para cabelo, o Óleo de Ovo. Viajei com meu pai por boa parte do Rio Grande do Sul, distribuindo o Almanaque do Capivaral (os almanaques, nos anos 50, eram muito apreciados pelas pessoas simples). O Citroën do meu velho estava sempre cheio dos preciosos livrinhos.

 

Lá pelos meus quinze anos, passei por uma experiência que dinamitou, praticamente, a esperança paterna de me ver advogado. Nas festas da igreja que eu frequentava e nas quais conheci a que viria ser a mãe dos meus filhos, a Ruth, morta em 1986, havia um serviço de alto-falantes batizado com o nome de Voz Alegre da Colina. Naquele tempo, a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus estava em construção e, mercê das festas, angariava-se dinheiro para dar sequência às obras. Um belo dia, na minha casa, não sei por que, alguém resolveu ligar o “Wells Radio”, aparelho importado dos States (não funciona mais por falta de válvulas, mas ainda existe) e ouvimos a Rádio Canoas anunciar que realizava teste para locutores. Apresentaram-se uns 200 candidatos. Três foram aprovados. Este que lhes escreve foi um deles. Fiquei quatro anos na Canoas, cujos estúdios sempre foram em Porto Alegre) e, em 1958, transferi-me para a Rádio Guaíba, onde estou faz 55 anos. Meu pai acabou sendo meu ouvinte.

 

Fosse vivo, e estaria escutando o Mílton na CBN. Não poderia ouvir o Christian, o meu filho mais novo, porque ele é mestre de cerimônias do Governo do Estado e embora use o microfone, atua em cerimônias raramente levadas ao ar nas rádios. Já a minha filha optou pelo magistério e gasta a sua voz tentando controlar crianças de cinco anos de idade, um legítimo sacrifício para quem tem de atuar no sistema de turno integral.

 

Se é que algum dos meus raríssimos leitores esteja se perguntando o que o “Mais Médicos” tem a ver com tudo o que escrevi até aqui, eu respondo: se o meu pai, em vez de ter torcido para que eu virasse advogado, tivesse de lidar, hoje, com um filho médico, ele gostaria de o ver trabalhando na profissão na sua cidade ou em algum distante lugarejo deste imenso Brasil? “Que vengan, entonces, los cubanos, pero que tengan que someterse a exames para probar su capacidad”.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, meu pai e quase foi advogado. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Lei Rouanet cai na passarela da moda

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Marta Suplicy, do “Você é casado?” ao candidato Kassab, do “Relaxa e goza” dos aeroportos, vem agora colocar a moda dentro dos incentivos do governo através da lei Rouanet. Gerando tanta repercussão quanto os episódios anteriores. Menos mal que o tema tenha o lema de “Quebrar o paradigma”, colocando a moda na cultura através do apoio financeiro oficial.

 

Ronaldo Fraga por apresentar projeto para desfilar no SPFW recebeu sem restrições R$2,1 milhões em direito de captação, onde deverá mostrar uma coleção de moda inspirado nos poetas Mario de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Alexandre Herchcovitch inspirado na Antropofagia Cultural Americana apresentará desfiles na SPFW e na Semana da Moda de New York com os R$2,6 milhões em direito de captação, que foram liberados com alguma dificuldade por incluir projeto fora do país. Pedro Lourenço com uma proposta de trabalho baseado no universo de Carmem Miranda não conseguiu aprovação de captação de recurso no valor de R$2,8 milhões para expor em Paris a sua coleção. Público reduzido e local foram os principais argumentos. Pedro entrou então com recurso à mesma CNIC – Comissão Nacional de Incentivo à Cultura e, por interferência de Marta, teve a aprovação. Foi o que bastou para que o mundo da moda entrasse em rebuliço. O Ministério, e parte do público em geral não ficaram atrás.

 

O concreto nesse episódio com tantas abstrações, quando se discute se a moda envolvida é autoral ou comercial, ou se moda é cultura, ou arte, ou nada, é que não se pode esquecer que a moda é uma indústria intensiva de mão de obra, sendo o segundo maior empregador nacional. Emprega diretamente 1,7 milhões de pessoas, e em toda a cadeia o total de oito milhões de trabalhadores, dos quais 75% são mulheres. Ao mesmo tempo é bom lembrar que países como a França e a Itália apoiam a moda como negócio e marketing nacional. Diante de tais fatos, a análise numérica do CNIC quando correlacionou o investimento com a previsão de 300 pessoas como audiência, é tangível e míope para um fato intangível, que é a formação de marca de um setor e de um país. E, contra isso Marta Suplicy retrucou firme:

“O Brasil luta há muito tempo para se introduzir e ter uma imagem forte na moda internacional. Essa oportunidade tem como consequência o incremento das confecções e gera empregos. E é um extraordinário ‘Soft Power’ no imaginário de um Brasil glamoroso e atraente”.

Só falta mesmo começar a usar marcas nacionais de expressão e divulgá-las. Como fazem as mulheres no poder de outros países. E, neste caso, ao invés de quebrar, criar um paradigma: o do uso feminino dos altos cargos para a difusão da moda brasileira.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: se aprendeu a lição, tudo bem!

 

Goiás 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada (GO)

 

O esporte é rico em histórias engraçadas. Lembrei na noite de hoje do caso de um colega do time de basquete que chegou no vestiário, colocou o uniforme, vestiu o abrigo e atentamente ouviu a orientação do técnico. Ficaria na reserva, mas com boas chances de entrar e, quem sabe, mostrar todo seu talento, garantindo lugar entre os cinco titulares nos próximos jogos. A partida se iniciou, a disputa era equilibrada, a marcação forte, mas o adversário tinha vantagem no placar. O treinador fez uma substituição, fez outra, tentou uma terceira, uma quarta formação, até que olhou para o banco e chamou meu colega. Chegava a chance de mostrar todo seu valor. Aqueceu tempo suficiente para pegar o ritmo do jogo. Quando estava pronto para entrar na quadra, arriou o abrigo e ficou apenas de cueca para a gargalhada dos torcedores. Havia esquecido de vestir o calção e com isso jogara fora a chance de assumir posição de destaque no time.

 

O jogador sem calção foi o Grêmio na noite dessa terça-feira, em Goiânia. Ficou preso no congestionamento, entrou atrasado em campo, perdeu o Hino Nacional, o pique do jogo e o toque de bola. Desatento, cometeu erros infantis e foi incapaz de superar suas limitações, ao contrário das partidas anteriores quando cometemos erros, tivemos dificuldades para executar jogadas, mas, mesmo assim, éramos maiores do que todas as nossas falhas. Com isso, desperdiçamos a oportunidade de seguir na disputa pela liderança do Campeonato e corremos o risco de cair na tabela de classificação.

 

Apesar de tudo isso, não há motivos para desespero. Nossos adversários também cometerão seus tropeços no decorrer das rodadas, quem sabe já nessa quarta-feira. O importante é aprender a lição, compreender nossas carências e resolvê-las durante a semana para que no próximo sábado quando nova chance surgir estarmos preparados para chegar à liderança (sem esquecer de vestir o calção).

Governo quer incentivar e-mail e aplicativos brazucas

 

 

Os smartphones produzidos no Brasil terão de sair de fábrica com até cinco aplicativos criados em solo nacional, a partir do mês que vem, e com pelo menos 50, até o fim de 2014, para que os fabricantes se beneficiem de isenção das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins. O Ministério das Comunicações entende que assim estará fomentando o mercado brasileiro de apps. Não é no que acredita o editor do jornal O Globo Pedro Doria que, em sua coluna desta terça-feira, escreve que a pretensão do Governo é marcada pelo desconhecimento; não leva em consideração, por exemplo, que nos smartphones mais baratos não há memória para carregar 50 aplicativos; nem se baseia no costume dos usuários desses modelos de celulares que têm em média 41 apps instalados (dados da Nielsen) e usam apenas 5, na maioria dos casos (dados do Centro PEW). A medida ainda esbarra na falta de mão de obra, pois faltam engenheiros de software com capacidade para atuar nesse mercado. Cálculo da Qualcomm é que dos 2,3 milhões de desenvolvedores que existem no mundo apenas 35 mil estão no Brasil.

 

Logo que li a notícia tive o interesse de contar quantos aplicativos já havia baixado no meu Iphone, comprado recentemente. Cheguei até agora a 67 dos quais apenas pequena parcela uso com frequência, outro tanto acesso de vez em quando e o restante tende a permanecer por lá tomando espaço da tela e da memória. Facebook, Twitter, WhatsApp e o viciante Candy Crush (sobre o qual ainda conversaremos nesse blog) são os que mais clico, além dos nativos da Apple tais como Mensagem, Calendário e Contato. Estou sempre em busca de novidades, mas boa parte das vezes, após baixar o app, o esqueço por lá ou o uso por tempo limitado, o que parece ser o hábito da maioria dos usuários, também. Não tenho a menor ideia de quantos desses que estão no meu Iphone foram fabricados no Brasil. Sei apenas que o último, da rede Adote um Vereador, foi montado dentro da plataforma da Fábrica de Aplicativos, que é ideia brasileira.

 

De volta a coluna de Doria, a sugestão dele é que o Governo se preocupe em ensinar programação nas escolas, estimular mais gente a buscar engenharia de software e montar cursos técnicos de código. São caminhos mais complexos, porém, efetivos para o desenvolvimento desse mercado no Brasil. Lembra, ainda, das iniciativas de instituições, inclusive públicas, que criam ambientes de competição e criação entre desenvolvedores, oferecendo condições para que eles apresentem aplicativos que ajudem o cidadão em diferentes serviços.

 

Além de aplicativos desenvolvidos na pátria Brasil, o Governo Federal está disposto a incentivar a criação de um serviço de correio eletrônico verde-amarelo para concorrer com o Gmail e o Hotmail e restringir a ação de espiões estrangeiros. Aleksandar Mandic, que trabalha na área desde os tempos das BBS e criou, em 1996, o servidor de e-mail que leva seu sobrenome, ao ser consultado pela Época Negócios, definiu assim a ideia do governo brasileiro:

“É uma viagem por que o Brasil não é maior que o mundo. Para isto funcionar, você vai ter que trocar e-mail só dentro deste provedor. Todo mundo vai ter que assinar este provedor, seja você americano, francês ou argentino. Não é bem assim. Ainda que o Correio faça isto, vai ter quantas contas? Um milhão de usuários? Quantas contas de email existem no mundo? Bilhões, provavelmente. Não é todo mundo que vai trocar.”

Pelo que leio dos especialistas, parece que as justificativas para construir um e-mail brazuca e os caminhos para desenvolver aplicativos tupiniquins vão apenas fazer volume na já extensa lista de ideias de jerico produzidas no Brasil.

Conte Sua História de SP: o Centro dourado do meu avô

 

Por Mariana Pereira da Rocha Cruz
Ouvinte-internauta da CBN
 

 

 

 

Aos 85 anos foi meu avô quem me fez enxergar São Paulo da maneira que vejo hoje. João Baptista Pereira Netto não é simplesmente um joalheiro ou ourives. Dedicado, faz do trabalho um lazer, do pó a peça e das jóias, pequenas obras de arte que vende com preço justo e honesto, muitas vezes criticado por minha avó, dona Ofélia.

 

 
Nasceu no bairro Santa Cecilia, cresceu ao lado de seus sete irmãos. A educação se dividiu entre o jeitão descontraído da minha bisa italiana e do meu biso português, que até bebericava sua cachaça, mas por um pouquinho só não foi padre.

 

 
A Igreja Sagrado Coração de Maria foi pano de fundo de toda uma infância, pobre é verdade, mas nem por isso infeliz. São muitas as histórias que meu avô costuma me contar em sua oficina. Entre uma peça e outra, ele descreve o centro da cidade de São Paulo e as ruas onde costumava brincar ou ver os bondes passarem.

 

 
Com o rádio sempre ligado, aumenta o volume quando o assunto é Corinthians, grande paixão e ,possivelmente, um dos únicos assuntos que consegue tirá-lo do sério. Cresceu na Santa Cecília, construíu família em Pinheiros e devido a queda nas obras da linha Quatro do Metrô veio morar no Butantã, bem perto da minha casa.

 

 
Não reclama dos acontecimentos da vida, aliás não costuma reclamar. E eu devo confessar: só agradeço de poder estar ainda mais próxima de meu avô. Enquanto admiro seu trabalho de artesão ele me conta do dia em que foi escolhido para provar a Coca Cola quando chegou ao Brasil. Foi ali na Praça Ramos de Azevedo, no antigo Mappin. Também conta dos títulos da seleção brasileira via rádio, ou através de auto falantes que podiam ser ouvidos na Rua Direita, ou na Praça da Sé.

 

 
Anhangabau, Praça da República, Praça Ramos: aí passaram todos os principais eventos da vida de meu avô. Notícias, paqueras, trabalho… Hoje é um grande sacrifício para um jovem da minha idade se locomover até o centro. Pensa-se no trânsito, nos moradores de rua, na sujeira, nos usuários de droga, no preço dos estacionamentos. Pensa-se muito até a desistência.

 

 
Comigo é diferente. Ir ao centro da cidade com meu avô é descobrir uma São Paulo encantadora. Enquanto andamos na procura das pedras perfeitas ou vamos ao encontro de um antigo amigo dele, onde compra o ouro em pó, consigo vislumbrar São Paulo em sua mais perfeita elegância. Em um piscar de olhos, os postes são de ferro, os homens de chapéu, as mulheres de vestido… E o centro da cidade palpita …

 

 
João Baptista Pereira Netto, homem de fala mansa, trejeitos calmos e pacientes, é uma antítese em meio à confusão da cidade. Neste mundo em que todos trabalham demais, engolem a comida e ganham apenas o suficiente para pagar as muitas contas, ele é um dos poucos privilegiados que pode se dar ao luxo de viver da sua arte. Nas suas palavras, um verdadeiro presente de Deus.

 

 
Nas minhas palavras apenas posso agradecer por ter esse avô que me fez enxergar que a Vila Madalena, Vila Olímpia, Itaim, Moema, Jardins, são sim bairros lindos e jovens, cheios de restaurantes e lojas … mas que a história e o pulsar de São Paulo estão mesmo no centro dela.

 

 
 
Mariana Pereira da Rocha Cruz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: agende entrevista em audio e video no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ouça outras histórias de São Paulo no meu Blog, o Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: estranhas e boas sensações

 

Grêmio 1 x 0 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Memória curta ou seletiva, lembro de alguns poucos jogos e lances do passado. Por curioso que seja, não esqueço do sabor amargo que carreguei, ao lado do meu pai, enquanto deixava o setor de cadeiras do Estádio Olímpico, no dia em que fomos derrotados pela Ponte Preta na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981. O placar era suficiente para nos classificar à decisão contra o São Paulo, pois havíamos vencido a primeira partida por 3 a 2, em Campinas (SP), mas fiquei com a sensação de que algo ruim nos esperava logo ali na esquina do futebol. Perguntava-me por que tinha de ser sofrido daquele jeito, com nosso time, mesmo apoiado por um estádio tomado de gremistas, espantando bola para longe da área para não tomar o segundo gol do adversário que nos tiraria da final. Será que estávamos prontos para sermos campeões naquele ano? A história mostrou que sim, mas meu coração, provavelmente, ainda não estava forjado para entender que ser gremista é padecer no paraíso.

 

As lembranças daquela partida, em 1981, até hoje, me levam a ter uma sensação estranha, difícil de explicar, quando vamos enfrentar a Ponte Preta. Sempre tenho a impressão de que será uma partida complicada com placar enviesado capaz de provocar uma reversão de expectativa. Nesse jogo de sábado à noite, não foi diferente e meu sentimento era de que o clima estava propenso a um tropeço, vínhamos de quatro vitórias seguidas, com chances de colarmos no líder, embalados pela classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil e diante de nossa torcida. Os acontecimentos na Arena ratificaram essa percepção, pois apesar de termos time superior não conseguíamos alcançar o resultado que desejávamos e precisamos que um adversário fosse expulso – justamente, registre-se – e outro fizesse uma barbeiragem em campo para chegarmos ao gol. Antes ainda tomamos um tremendo susto ao ver a bola nas nossas redes, mas, felizmente, o auxiliar atento sinalizou o impedimento. É preciso, claro, para não sermos injustos, dizer que os erros da Ponte foram influenciados pela nossa forma de jogar e marcar.

 

Independentemente das minhas sensações do passado, resultados como o desse fim de semana mostram que temos de estar sempre alerta. Jamais podemos deitar em berço esplêndido porque esta não é nossa origem. Há que se avançar a cada partida, encará-las como decisões nas quais os três pontos é que nos interessam, mesmo não apresentando o futebol que agrada os críticos. Por isso, gostei de ouvir no intervalo um de nossos jogadores dizer que para o Grêmio 1 a 0 é goleada. É com esse espírito que temos de partir para cima de todos os nossos adversários, superando a eles e as nossas limitações. Essas existem, sim, apesar do lugar privilegiado na tabela de classificação. O bom é saber que estamos conscientes delas e temos, no elenco e no comando da equipe, gente capaz de vencê-las e, quem sabe, repetirmos a conquista daquele inesquecível ano de 1981.