Utilidade Pública

 

Por Juliana Furtado
Ouvinte-internauta, moradora do Itam Bibi


Era uma vez uma rua sem saída.
 


A moça bonita passa e joga uma bituca de cigarro, rosa como seu batom desbotado e cinza como seus pulmões.
 


O executivo ofegante joga um comprovante de pagamento, do bife à milanesa que aumentou em alguns pontos seu colesterol.
 


A loja ao lado joga uma caixa de produtos vazia, como o cérebro do seu dono.
 


Na caixa vazia o estudante joga um copo de café, que o manteve acordado na aula que não lhe interessa. 
 


Uma empresa joga um vaso com uma planta. Alguém leva o vaso e ali deixa a planta e a terra, mortas como aquela calçada, fazendo companhia para a bituca, o comprovante, a caixa e o copo de café.
 


E a entrada da rua vira um lixão.
 


Por muitos dias passei ali, com a esperança de que o ex-dono da planta a visse, que a prefeitura limpasse, que o lixeiro levasse. Mas nada aconteceu, nada ia acontecer.



Munidos de pá, vassoura e balde, destinamos um tempo do nosso feriado para limpar aquela sujeira que não era nossa, na rua que consideramos nossa.
 


Enchemos dois sacos grandes e uma caixa. Colocamos no porta-malas. Levamos a um lixo adequado. Esfregamos com água e sabão. Corremos o risco de uma leptospirose. Nos sentimos mais leves.
 


No dia seguinte, uma caixa. Hoje, talvez, novas bitucas e copos de café.
 


A cidade é suja como quem está nela. Porque tem diferença entre quem é da cidade e quem apenas está. Sem compromisso, sem consideração.
 


Quem fica sem saída somos nós.

 

Hiperpartidarismo e representatividade

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

O Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Ricardo Lewandowski, em recente evento, destacou o prejuízo que o “hiperpartidarismo” – hoje com 29 legendas registradas no TSE – pode trazer à governabilidade do país.

Diante das escandalosas imoralidades, infrações e omissões ocorridas ao longo das últimas décadas e eleições, é primordial que se estabeleça um mecanismo restritivo em função daquelas agremiações que não gozam de representatividade. Portanto, a exigência de aperfeiçoamento está atrelada à moralidade pública.

Depois, que se na teoria a legislação vigente – expressando paternalismo – convence porque dissemina uma isonomia a partir da qual todos os partidos tem direito aos mesmos benefícios legais, na prática, este aspecto é o mesmo que vitaliza o embrião das corrupções eleitorais e administrativas: as primeiras por conta de negociações de duvidosa probidade acerca dos horários de propaganda gratuita para a campanha eleitoral, as outras pelo loteamento de cargos públicos nas administrações.

De fato, partidos “sem voz” são aqueles que carecem dos elementos vitais em matéria de política: voto, prestígio e representatividade. Entretanto, nem mesmo esta anemia se revela capaz de barrar a concessão dos aludidos benefícios. É exatamente esta falsa igualdade que oportuniza negociatas em torno de espaços de rádio e televisão na formação de coligações, sendo que algumas destas, segundo o Professor Paulo Bonavides, ocasionam “uniões esdrúxulas” constituídas “intrinsecamente oportunistas (…) de partidos, cujos programas não raro brigam ideologicamente”.

Progressos e novos horizontes são necessários quando se constata que o atual formato da representação partidária está exaurido e vem consolidando, pleito após pleito, as deformações que são oriundas da campanha eleitoral, a qual, segundo dispara Barry Ames, “(…) enche o Legislativo de partidos fracos e indisciplinados, assim como de centenas de deputados que se preocupam muito mais com seu eleitorado pessoal e seus interesses particulares do que com grandes questões nacionais”.

Havendo uma regra de restrição vinculada ao desempenho eleitoral, os partidos serão obrigados a se qualificar perante o eleitorado, tanto para as disputas quanto para o exercício de cargos eletivos. Isto poderia significar um notável avanço no sistema. Com a redução ou eliminação dos benefícios atualmente assegurados a partidos sem representatividade, a tendência é que a arquitetura política para a formação de Governos seja menos complexa e mais transparente, o que facilitaria as tarefas de administração pública na medida que seriam menos partidos para satisfazer.

A base de apoio de qualquer esfera de Governo gozaria de mais solidez e provavelmente menos arranjos e fisiologismos porque somente os partidos dotados de representatividade integrariam as negociações. Nos Legislativos, seriam menos cargos, menos lideranças, menos voracidade por espaços de poder. Em contrapartida, a oposição teria mais consistência e visibilidade para cumprir integralmente o seu destino determinado pelas urnas.

A finalidade da cláusula de barreira ou de desempenho parlamentar é solidificar os partidos políticos, vez que a atomização partidária não fortalece as atividades parlamentares e ainda fragmenta o vigor das premissas doutrinárias.

Não se trata de regra objetivando vedar a criação de partidos mas de racionalizar o exercício de direitos e prerrogativas partidárias assegurados.

Acertou o Presidente do TSE. É insustentável que agremiações sem um único Vereador ou Deputado em todo o país permaneçam gozando dos mesmos benefícios daquelas dotadas de organização e melhor desempenho.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Morte na linha do trem da CPTM

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Morte na linha do trem CPTM

Três funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foram mortos por um trem da companhia por volta das 4h30 na madrugada deste domingo (27), próximo ao Metrô Belém, na Zona Leste de São Paulo. Segundo um agente da CPTM, os quatros funcionários caminhavam no leito da via quando em momento de descuido foram abalroados pelo trem que ia no sentido Brás. Um homem conseguiu escapar sem ferimentos.

A Polícia Científica compareceu ao local às 9h55. Curiosos se aglomeraram na estação do Metrô Belém.

Avalanche Tricolor: Mérito para quem luta

 

Grêmio 2 x 2 Atlético GO
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foi um fim de semana especial. E antecipo que não me refiro ao futebol, sobre este falem os entendidos. Prefiro escrever de metas, sonhos e conquistas alcançados na sala de aula, onde não chegava a ser um aluno exemplar, mas deixei boa impressão, sem falsa modéstia, tendo tido participação na política e no esporte do colégio em que estudei boa parte de minha juventude, em Porto Alegre. Além de ter sido presidente do grêmio estudantil e jogado em algumas das equipes principais de basquete do Colégio Rosário, também construí excelentes amizades com professores que conseguiam entender minha personalidade. Minhas notas não eram suficientes para me colocar no topo da lista dos melhores alunos, no entanto me garantiam no ano seguinte – exceção à sétima série, do primeiro grau – rebatizado ensino fundamental -, quando tomei bomba e fui obrigado a repetir. Mesmo esta experiência trágica me proporcionou momentos importantes e situações que guardo na memória até hoje.

Quando o boletim recheado de notas vermelhas (nunca me dei bem com esta cor) chegou em casa o pai estava viajando para transmitir uma partida de futebol pela rádio, o que me deu tempo para em uma tentativa desesperada negociar com a mãe uma forma de impedir que ele soubesse do resultado. Evidentemente que ela não aceitou, nem haveria como evitar a situação, e me convenceu de que o melhor mesmo seria eu contar a ele o que havia acontecido. Sem coragem de encará-lo prorroguei ao máximo o momento da verdade e tenho dúvidas se teria conseguido não fosse a intervenção de meu padrinho e técnico Ênio Andrade, que na época treinava o Grêmio. Em uma jogada combinada com o pai que, lógico, estava inteirado do meu infortúnio, Seu Ênio me convidou a passear pelo pátio do Estádio Olímpico e com a mão sobre meus ombros fez algumas perguntas do cotidiano até chegar ao ponto crucial: o desempenho escolar. Em seguida, quis saber por que não tinha coragem de contar ao pai, afinal ele era meu companheiro e seria mais fácil enfrentar aquele momento de angústia. Ele e minha mãe tinham razão, assim que falei, o sofrimento foi amenizado apesar de ter ouvido justificáveis reprimendas.

Lembrei desta história, no fim de semana, depois que voltei da escola de meus filhos com o boletim deles em mãos. Ao mostrar a avaliação para o mais novo, recebi um comovido abraço seguido de lágrimas para as quais fiquei sem palavras. Me coube retribuir com um lento cafuné deixando o tempo passar e a emoção, também. Meu pequeno não chorava notas ruins nem a necessidade de realizar provas de recuperação, muito antes pelo contrário. Este havia sido um ano no qual teve pequenos tropeços, nada de anormal, e, talvez, não conseguisse passar por média pela primeira vez. Neste último trimestre, ele se dedicou muito, esteve mais atento e foi preciso nas lições de casa, além de ter mantido o bom hábito de participar das discussões na sala de aula. Em praticamente todas as matérias melhorou seu desempenho e teve seu esforço reconhecido pelos professores no Conselho de Classe. Chorou de alegria pela conquista alcançada em uma satisfação que me encheu de orgulho. Ele sai deste ano com mais uma lição aprendida e a certeza de que mereceu o prêmio recebido.

O mérito da vitória não existe para aqueles que não lutaram por ela. Ele lutou e nós vibramos muito com isso. Não posso dizer o mesmo do meu time.

De princípio de polaridade

 

Por Maria Lucia Solla

Janela

Ouça “De princípio de polaridade” na voz e sonorizado pela autora

Somos treinados para viver de dedo em riste; ora no nariz de um, ora no nariz de outro, do alto do pódio onde cada um se coloca. Sempre certos, e o mundo à volta, errado. Aprendemos pelo exemplo, e atire a primeira pedra quem não aprendeu a criticar, em domicílio.

esse menino não presta pra nada
tua filha tá perdida
teu pai é um banana
tua mãe uma louca
a tia é lelé
o tio um perdido
vovó um peso
vovô pinéu

para ninguém
hoje
se tira o chapéu

No entanto a todo minuto nos vemos confrontados. Há urgência de recolhermos o dedo. E não dá mais tempo de bobear. Será que foi assim também para os que vieram antes de nós, com a mesma sensação de velocidade estratosférica? Dos exatos porquês de hoje só desconfio, mas concordo com o comando e com a urgência, apesar da dificuldade do caminho. Tem que ser politicamente correto, mas vencer a todo custo. Tem que ser generoso e competitivo num pacote só, estratégico, paciente e pró-ativo, organizado, planejado e expontâneo, ao mesmo tempo. Tem que ter uma pá de amigos no Facebook, mesmo que você nunca os tenha visto, seguir e ser seguido no Twitter, plugado o dia todo e a noite também; sem esquecer de cultivar amigos, amores e flores, meditar, dormir oito horas, de preferência à noite, ler as notícias do país e do mundo, antes de malhar, puxando ferro e tentando encontrar o próprio centro vital, nessa mixórdia. Cabelos têm que brilhar, dentes têm que ser mais brancos. Tem que encarar a moda e, querendo ou não, entrar na roda. Tem que ser perfeito, tendo em mente que a perfeição não existe.

simples caso de fronteira
extremos da mesma essência
se encontrando no xis

fica todo mundo igual
querendo ser diferente
da unha do pé
ao dente da frente

se busca ser diferente
com medo da diferença
perdendo no trajeto
por ele
a paixão
suportando a dita cuja
com cara de nojo
e foice na mão

diferentes sim
só em grau
parte do mesmo todo
onde extremos
queira ou não
se tocam no final

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Use o brilho e arrase

 

Por Dora Estevam

Perua ! Você já ouviu falar, com certeza. E já falou, também, ao se referir às meninas/mulheres que amam se enfeitar. A expressão está até meio ultrapassada. O fato é que depois dos anos 90, nos quais o minimalismo tomou conta da moda, ficou mais claro na cabeça das mulheres o que era simples ou exagerado. As que gostavam de se arrumar com muitos anéis e pulseiras os deixaram de lado por conta do modismo na época. Uma período em que a mulher teve de abrir mão do gosto pessoal em nome da ditadura da moda: use isto, não use aquilo. Imagine quantas e quantas roupas foram jogadas fora ou abandonadas em um fundo de armário.

Hoje eu estou aqui para dizer que você, querida leitora, pode usar todos os seus acessórios e ousar ainda mais nas roupas brilhantes. Nas ruas das principais capitais do mundo o que se vê é uma mistura de acessórios e roupas com muito brilho que levantam qualquer visual. Deixe de lado aquele seu olhar simplesinho e volte a ser aquela super produzida que tem dentro de você. Que delícia poder usar um par de pulseiras douradas, uma em cada braço; colocar uma calça toda em paetês misturada com uma camiseta básica; uma saia dourada, tudo sem culpa. Sem contar as bolsas de mão, as clutches, que são maravilhosas e charmosas, além de muito femininas.

As fotos de street style que separei neste post é para você ter ideia do que estamos conversando. Eu tenho certeza que na sua próxima virada de armário as suas produções já vão ganhar outro ar.

A intenção aqui é mostrar que hoje em dia você pode usar o que quiser, basta seguir seu estilo e bom senso na escolha das produções. Chega de ficar olhando as celebridades bonitonas e achar que só elas é que podem. Agora é com você, inspire-se, boa escolha e antes de ir em frente assista ao vídeo da DKNY.


Dora Estevam é jornalista é escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

As imagens são reproduções dos sites Stretstrut, Carolinesmode e Streetfsn

Mundo Corporativo: A cultura do seu negócio

 

A cultura das empresas está ligada ao comportamento dos seus gestores e funciona muito mais pelas ações do que pelas palavras, é a combinação de sistemas, processos e símbolos. Este foi o tema da entrevista de Timothy Altaffer, da Consultoria Axialent ao Mundo Corporativo da CBN. Nesta perspectiva, ele ressalta a importância do líder: “um líder consciente entende sua posição pautada em valores e tem comprometimento com os valores da empresa; no momento em que enxerga que o seu mundo não é único, que você pode aprender com o concorrente, você começa a agir no mercado de uma forma diferente” – disse na conversa que você assiste acessando o vídeo:

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e e-mail milton@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Alckmin tem de vetar lei que proíbe garupa de moto

 

Motos na Radial

Zé é cuidador da rua, passeia com os cachorros da vizinhança e mora em uma favela próxima de casa. Há 15 anos cumpre a função religiosamente e conseguiu com o dinheiro arrecadado trocar os pés pela bicicleta e esta por uma moto, a primeira caindo aos pedaços e a mais recente novinha em folha. Pouco antes de chegar ao trabalho deixa a mulher Sônia na casa da patroa, onde vai buscá-la no fim do expediente. Uma mão na roda para ambos. Desde que “evoluiu” na vida nunca se envolveu em um acidente de trânsito nem assaltou ninguém que passava por perto – até onde eu saiba. Nem ele nem a mulher. Apesar disso serão tratados como criminosos, em breve, se o Governador Geraldo Alckmin cometer o erro de sancionar a lei que proíbe garupas em motocicletas de segunda à sexta-feira nas cidades paulistas com mais de um milhão de habitantes, entenda-se por Capital, Guarulhos e Campinas (calma, gente: no fim de semana pode).

O projeto foi aprovado pelos deputados estaduais paulistas convencidos pelo autor da ideia, Jooji Hato, que já havia ensaiado a iniciativa na época em que foi vereador paulistano, mas foi vetada pela então prefeita Marta Suplicy, em 2003. De acordo com o deputado do PMDB a medida é para controlar assaltos cometidos por garupas que seriam, segundo ele, responsáveis por 61,5% dos crimes de “saidinha de banco” e mais de 60% dos crimes contra o patrimônio, na capital paulista. Além disso, se evitaria uma quantidade enorme de acidentes de trânsito que, sempre segundo ele, ocorrem pela insegurança em transportar um passageiro na moto.

O Código de Trânsito Brasileiro permite o transporte de duas pessoas em motocicletas, é assim que está determinado, inclusive, na documentação do veículo. A Constituição Federal prevê que cabe à União legislar sobre trânsito, portanto nem Estado nem município têm esta competência. Não bastasse ser inconstitucional, a ideia carece de estudo técnico e se baseia em números que não são confirmados pela Secretaria de Segurança Pública que, por incrível que pareça, diz não ter nenhuma estatística sobre o assunto. Deveria ter para planejar ações de inteligência e evitar que soluções mágicas fossem tiradas do bolso dos paletós de deputados paulistas apenas iludindo parte da sociedade que se sente acuada pela violência. Na dúvida, consulte a opinião do delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Marcos Carneiro Lima. Resumo em duas palavras o que ele disse da lei: desnecessária e inconstitucional.

Vamos, então, ao outro motivo que levou os deputados paulistas a aprovarem a lei.


Clique aqui e leia o texto completo no Blog Adote São Paulo, na revista Época Sp

Dinheiro de multa para educar o trânsito

 

Por Milton Ferretti Jung

Mesmo correndo o risco de me tornar repetitivo por insistir, em meus textos de quintas-feiras, no tratamento de questões referentes a trânsito, volto hoje ao assunto que me causa grande preocupação. Retorno ao tema para saudar a iniciativa do senador Eunício Oliveira, peemedebista cearense, que viu aprovado projeto de lei de sua autoria cuja finalidade é evitar o desvio de recursos provindos de multas de trânsito. Como a aprovação se deu em caráter teminativo, que dispensa seja a matéria levada ao plenário, permitindo o seu envio direto à Câmara dos Deputados, é meio caminho andado para que seu conteúdo não tenha o destino de muitos outros, isto é, que fique esquecido.

Há muito se fazia necessário projeto com o teor deste. Oliveira, lembro, é presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A sua proposta determina que o dinheiro das multas seja utilizado, em educação para o trânsito e em despesas de sinalizações de vias, este um acréscimo de autoria de Romero Jucá, líder do governo no Senado Direção defensiva, cultura da paz, combate à violência no trânsito, algo comum nas grandes e mesmo nas pequenas cidades deste país, e divulgação de campanhas contra o consumo de álcool e drogas pelos motoristas, inscrevem-se entre os assuntos versados pelo projeto de lei.

Conforme o relator Demóstenes Torres, o país é campeão absoluto em acidentes, mortes e invalidez, causadas pelo trânsito. Nem seriam necessárias estatísticas para se chegar a esta conclusão. Basta que se acompanhe na mídia, especialmente logo após feriados prolongados ou até no noticiário de fins de semana, os registros sobre ocorrências trágicas tanto nas vias urbanas quanto nas rodovias. O projeto de lei do senador Eunício pretende, igualmente, evitar que o caixa de governos estaduais e municipais seja preenchido, graças ao desvios dos valores arrecadados com multas, no pagamento do funcionalismo. Para este e outros fins ainda menos dignos funciona também a “indústria da multa”, que dispensa explicações.

Aproveito, mais uma vez, para cumprimentar Eunício Oliveira. Ele sabe que a EDUCAÇÃO (a caixa alta é proposital) é por onde tudo começa em nossa vida.

O petróleo é nosso, o vazamento é deles

 

Por Carlos Magno Gibrail

Ontem foi estancado o vazamento de petróleo ocasionado pela Chevron, empresa petrolífera autorizada a operar no Campo de Frade na bacia de Campos.

O IBAMA aplicou 50 milhões de reais em multa, que poderá chegar a um total de 150 milhões, segundo estimativas de órgãos federais. A empresa é acusada de negligência em relação à segurança e de omitir e falsear informações a respeito. Além de não possuir equipamento e tecnologia de segurança exigida.

O desastre ecológico chegou afetar ,segundo dados da ANP , 160km2 de área através de visão via satélite nos dias 12 e 14. No dia 18, por observação, estava com 11,8km2 de área poluída.

Neste campo, já cimentado, a Chevron não operará mais. E poderá também ficar fora da continuidade das operações futuras, inclusive do Pré-Sal.

Certeza apenas quanto aos danos causados ao meio ambiente. E incertezas sobre os novos rumos da exploração e divisão das riquezas do petróleo nacional.

Alerta essencial para a segurança das gigantescas condições exigidas para as atividades no Pré-Sal. Sinalizando que a preocupação e a preservação do meio ambiente é algo que precisa ser controlado competentemente.

A falha da Chevron levanta também a questão dos municípios e estados produtores afetados por estes desastres. E poderá contribuir para uma solução mais equilibrada na proposta do deputado Ibsen Pinheiro, vetada por Lula e, agora em outubro através do substitutivo Vital do Rêgo, aprovado no senado. Que deverá ser recusada por Dilma, apesar da unanimidade dos governadores dos estados não produtores.

Na hora de usufruir dos royalties da exploração do petróleo do estado produtor, todos os estados solicitam a equânime divisão. E neste momento de desastre como dividir os prejuízos?
Equanimamente?

Tira-se mais de 11% da receita do Rio, equivalentes a quase 8 bilhões de reais e deixa-se a conta do prejuízo por lá? Isto sem falar no Espírito Santo e São Paulo.

O petróleo é nosso, mas a despesa é somente dos municípios e estados produtores?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung