Cidadãos de Lages tentam barrar aumento de vereadores

 

Os moradores de Lages, interior de Santa Catarina, se mobilizam para barrar o aumento de 12 para 19 vereadores, aprovado em março deste ano pela Câmara Municipal com base em Emenda Constitucional nº 58/2009. Com a campanha “Diga não para o aumento de vereadores”, pretendem arrecadar cerca de 6.800 assinaturas de apoio a projeto de lei de iniciativa popular que propõe a manutenção do atual número de parlamentares.

Panfletos distribuídos na cidade estampam a frase: “Não precisamos de mais vereadores, precisamos que os vereadores façam mais”. Em 2010, os 12 parlamentares aprovaram 92 leis. Considerando o valor total gasto pela Câmara no ano, de R$ 5,75 milhões, cada lei aprovada custou aos cofres públicos cerca de R$ 62,5 mil, informa o jornal Correio Lageano.

Hoje, o salário de um vereador, sem encargos, é de R$ 7.019,00 além da verba de gabinete de R$ 1.200,00. De acordo com cálculo feito pelos organizadores do movimento, mais sete vereadores representariam gastos de mais de R$ 690 mil por ano ao município. Nesta conta devem ser acrescidos o valor do salário pago aos assessores, além de gastos com encargos empregatícios, e os custos para ampliar o número de gabinetes e adaptar o plenário.

Os vereadores de Lages, assim como da maioria das Câmaras que aprovaram o aumento no número de vagas, tentam convencer o cidadão de que os custos da casa não aumentarão pois o repasse de 6% do Orçamento municipal será mantido. O que eles não contam é que parte deste dinheiro costuma ser devolvido aos cofres públicos e pode ser investido no ano seguinte em áreas prioritárias. Com o aumento no número de vereadores, o custo da Câmara atingirá o teto ou, em um cenário ainda pior, haverá um esforço para aumentar a arrecadação da cidade, o que significa aprovar o aumento do ISS e IPTU.

Por um banco de reciclagem na sua cidade

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP
Transporte reciclável

Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem? […]

A reciclagem foi e ainda é vista por alguns setores da sociedade, como atividade – ganha pão – dos miseráveis.Talvez a visão curta de nossos gestores sobre sustentabilidade e desenvolvimento econômico explicaria a falta de uma política de reciclagem na cidade de São Paulo. Quem são os candidatos à Prefeitura de São Paulo realmente comprometidos com a geração de renda que vem da reciclagem ? , e não dos discursos, com frases de efeito sobre o tema ,elaborados por marqueteiros.

Banco de reciclagem

Se a reciclagem dá tão certo para milhares de pessoas , resultando numa importante movimentação financeira para São Paulo e o País, por que não adotá-la como política de prioridade?

Um prefeito ousado e comprometido com o meio ambiente e vida das pessoas criaria o Banco da Reciclagem na cidade de São Paulo […].

Eleição de 2012 sem mudanças

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

No dia 7 de outubro último expirou o prazo de anualidade para que alguma “lei nova” entrasse em vigor em relação ao pleito municipal de 2012 cujos prazos já estão na praça. Com isto, salvo alguma pendência de interpretação acerca da Lei das Fichas, nada foi ou será alterado, muito menos para 2014 (ou você imagina que os congressistas que trocaram de partido ficarão sem horário de rádio e TV?).

Contudo, é essencial, é necessário, é preciso repetir e refletir que não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação tanto na sociedade quanto na própria classe política. Sim, na classe política. Afinal, os políticos não são todos iguais. Há exceções muito nítidas na causa pública. Ocorre que a sucessão de Comissões e adiamentos, legislatura após legislatura, a par do desperdício, impulsiona a sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se a um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma Política numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas vigentes.

No início do século XX, o dramaturgo alemão Bertold Brecht cunhou uma manifestação que se tornou célebre:“O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não sabe o custo de vida, preço do feijão, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio, depende de decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais”.

Reforma Política no Brasil do Fundo Partidário, da Coligação para eleger deputado e vereador, da votação secreta por decoro parlamentar, não significa somente a necessidade de alteração mas de uma nítida evolução nos mecanismos de acesso e desempenho de mandatos.

A sistemática atual, defasada e desacreditada ética e instrumentalmente, exige recomposição para viabilizar o resgate da Política como atividade digna e respeitável mas hoje em desalento. Esta necessidade é inadiável pois, infelizmente, as relações entre candidatos, partidos e mandatos estão num processo de saturamento que beira a hipertrofia.

No entanto, conforme apontam estudos e análises, nenhuma das alterações preconizadas, especialmente aquelas mais divulgadas, encerra uma solução definitiva. Há um regime de interdependência. Até porque, uma modificação integral jamais será executada, seja porque as resistências são sólidas, seja porque algumas propostas são incompatíveis à realidade brasileira.

Prova disso foi novamente em 2011 a ausência de consenso para colocar o tema ao menos em discussão.

No tocante à corrupção, não há como divinizar o eleitor quando decisões da Justiça Eleitoral comprovam que a corrupção passiva é tão praticada quanto a ativa.

É certo que a cada legislatura um contingente de respeitáveis e respeitados parlamentares se mobiliza visando reação. Contudo, eles expressam minoria. Nem mesmo os anêmicos índices de credibilidade que as pesquisas de opinião conferem à maioria dos Congressistas e Legislativos tem sido suficientes para substituir a semântica pela atitude. Esta engrenagem frustra a cidadania pois a sensação dominante é de que não há respaldo às demandas sociais, especialmente aquelas mais eloquentes e sobre as quais existe um clamor quase diário exigindo aperfeiçoamentos.

O saneamento do sistema – triste sistema – exige o fim da inércia. Somente a participação ativa e direta da sociedade opinando e sugerindo através de eventos, fóruns e similares é que determinará alguma mudança positiva. Opções existem e o momento é este. A geografia dos debates confinou a Reforma Política à Brasília e isto – a inacessibilidade ao debate – sempre foi um poderoso e eficiente fator impeditivo à transparência e às reivindicações.

O eleitor, destinatário final desta situação, deve despertar e ser protagonista. Já dizia o político e jurista Assis Brasil, pioneiro da legislação eleitoral no Brasil: “O voto deve ser a voz, não o eco”.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Desistir de fiscalizar é entregar o ouro para o bandido

 

A aparição de movimentos instigados pelas redes sociais, a cobrança por transparência nas ações públicas e a necessidade de dialogar com a sociedade são realidades muito distantes de parcela da classe política no Brasil. Tentativas frustradas de cidadãos no contato com seus representantes no parlamento são os sinais mais claros desta realidade. Nestes dias, recebi ao menos duas mensagens de ouvintes-internautas descrevendo o descaso como foram atendidos.

Um deles é Marino Verardi que decidiu consultar os 513 deputados federais sobre qual havia sido o voto deles e a justificativa no pedido de cassação de Jaqueline Roriz, aquela moça que “tem a política no DNA” e entende que não há problema em ser corrupto, desde que tenha sido antes de eleita. Pesquisou no site da Câmara o e-mail de um por um e enviou mensagem a cada um deles, individualmente. Na primeira leva de mensagens fez a pergunta para 150 parlamentares, recebeu resposta de apenas três deles: Dr Rosinha (PT), Edinho Araújo (PMDB) e Eduardo Barbosa (PSDB). Todos disseram terem votado a favor da cassação. Desistiu de continuar o trabalho pois logo percebeu que seria malsucedido em sua iniciativa.

No outro caso, Fernanda de Andrade, moradora de Nova Lima, em Minas Gerais, se entusiasmou com a ideia do Adote um Vereador. Ela enviou mensagem para o vereador Marcelino Antonio Edwirges (PT) nos dias 10 e 22 de setembro. Se na primeira, não obteve resposta, na segunda o e-mail retornou, ou seja, sequer deve ter entrado na caixa de correio dele. Estava lotada ou inoperante – o que no fim das contas vai dar no mesmo. A tentativa dela agora será pelo site do vereador.

O cidadão, nos dois casos, não reivindica nada além de uma resposta, uma atenção, um respeito que seja. Mas os parlamentares parecem não estar dispostos – ao menos parte deles – a incentivar esta conversa. Este comportamento, contudo, não deve tirar o eleitor do seu propósito, é um direito dele cobrar, fiscalizar e monitorar seu representante. É obrigação do vereador, deputado ou senador justificar seu comportamento, ideia e voto. O cargo não o torna imune a críticas e cobranças, menos ainda ao diálogo.

Mesmo que as respostas não apareçam, aos dispostos a encarar a ideia do Adote um Vereador, minha sugestão é que pesquisem sobre o adotado por outros caminhos. No site da Câmara costuma ter os projetos apresentados por ele, uma boa oportunidade para desenvolver o olhar crítico sobre as ideias que o vereador defende. Dê um Google para ver o que está publicado na internet, o que os outros estão falando dele. Procure informações nos jornais da cidade, preste atenção no noticiário de rádio. Todo dado levantado pode virar um post no blog, de preferência agregando sua opinião sobre o tema ou um simples curti ou não curti, ao estilo Facebook.

Desistir de fiscalizá-los é entregar o ouro para o bandido – me perdoem, isto é apenas forma de falar, não tem nenhuma outra conotação a realidade política no Brasil.

Avalanche Tricolor: Na chuva, no barro e histórica

 

Santos 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro

No futebol quando o time perde vai para o brejo, se o jogador tem talento dá o drible da vaca e quando despacha a bola manda para o mato porque o jogo é de campeonato. Se a partida está ruim, dizem que é de várzea. Mato, brejo, várzea e vacas nos acompanharam no encharcado que se transformou a Vila Belmiro após dias seguidos de chuva forte em parte do Estado de São Paulo. Jogadores torciam a camisa para tirar o excesso de água, a grama foi ficando marrom do barro que subia a cada passada e a bola, pobre dela, era empurrada para frente do jeito que dava. A estatística na televisão mostrou a certa altura que as duas equipes haviam errado 70 passes sem que os 90 minutos tivessem se encerrado. Deveriam informar quantos foram os certos.

Se a chuva não para, o campo encharca e o barro aparece, azar dos outros. Para quem cresceu jogando nos gramados do interior gaúcho estes são desafios que se aprende a superar quando pequeno. Se a bola não quer entrar na primeira, empurrasse para dentro do gol na segunda, como no pênalti não convertido por Douglas e concluído por Escudero, este argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento (repito aqui definição publicada em Avalanche anterior).

A vitória histórica – a primeira em um Campeonato Brasileiro na Vila – renova minha esperança, mesmo que o futebol jogado não tenha sido lá estas coisas. Mas ver Fernando dando um carrinho dentro da área para impedir o gol adversário, como ocorreu quando ainda estava 0 a 0, me entusiasma. Olhar a tabela de classificação e ver que saltamos dois postos neste fim de semana, me instiga pensamentos maliciosos. Ler como li em reportagens pós-jogo que o Grêmio ainda tem chances remotas de chegar a Libertadores e saber que a turma lá de cima se digladia como louca, me faz pensar. Será que ainda dá ? Não sei, não. Mas se continuar a chover deste jeito, quem sabe isto não acabe em uma incrível Avalanche Tricolor.

De tolerância

 

Por Maria Lucia Solla

De tolerância

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora

Tenhamos compaixão; a dor de viver é igual em todos nós!

Criticamos o outro porque achamos risível a dor que não é nossa. Dizemos que fulana faz tudo errado, que um é metido, o outro é babaca. Uma é gracinha, a outra oferecida. Meu filho é esperto, inteligente. O teu? Um traste.

Não sei se fomos feitos assim, desconjuntados, para aos poucos aprendermos o que é certo e juntarmos os pedaços – se é que existe o certo – ou tanto faz, ou se fomos feitos direitinho na receita perfeita, no equilíbrio confortável, e aos poucos fomos perdendo o bom-senso pelo caminho da vida. Mas isso não importa agora. O certo é que cada um tem lá as suas crenças, e muitos se subjugam a elas e acabam vazios de busca. Cheios de si. Agarram-se a certezas que fortalecem a intolerância que se alimenta do que ainda resta de tolerância.

Queremos consertar a vida do outro. Dizemos que não entendemos como isso ou aquilo pode ser, na vida do outro. Na nossa é fatalidade; na do outro, burrice.

Honestamente, ninguém tem as coordenadas para o caminho certo. Se tivéssemos, ele já teria se mostrado e se instalado no teu programa e no meu, na tua vida e na minha, e nossos barcos hoje singrariam mares calmos, com lindos nasceres e pores do sol, com brisa suave e sempre alguém ali, na tua frente, para te olhar profunda e docemente nos olhos e te fazer sentir vivo.

Quantos são os ingredientes que nos levam a sermos mais ou menos tolerantes? Muitos, seguramente, mas um deles é doido de perigoso: o medo. Ele é o combustível de guerra, guerrilha, assassinato, violência dentro e fora de casa, bullying, suicídio. Tudo bem que não é o único, mas quem precisa de mais?

Se não tivéssemos medo, não passaríamos um tempo precioso com quem amamos, falando de quão errado está o mundo. E por que fazemos isso? Por medo. Medo de que descubram que não estamos certos porque, na verdade, não temos certeza de nada. Medo que engatilha a intolerância, mãe da dor. Na verdade nos consideramos pouco, pequenos, ineptos, assim rebaixamos o resto do mundo para tentarmos nos destacar.

Triste, não é? Quando alguém vocifera e olha o outro de cima, olha bem para ele, olha bem para ela, não está dominado pela força, pela nobreza, mas pela fraqueza, pela covardia. Pelo medo que exala em cada alento. É assim que eu vejo; e você?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

#BAD2011: Um albergue para matar a fome

 

Seu Francisco vai mudar de endereço. Ele está sempre de mudança. Morava em casa, foi para a rua, consegue, vez em quando, um albergue. Chegou a vez do albergue se mudar de um número para outro na mesma Cardeal Arcoverde, rua de Pinheiros, primeiro bairro em que busquei abrigo quando cheguei em São Paulo. Ao contrário de Francisco, carroceiro, não precisei mudar muito de casa nem vivo na rua ou passo fome. Menos ainda sofri preconceito como ele e todos os que usam as dependências do albergue para serem acolhidos pela dignidade. Moradores do entorno os querem bem distantes dali, pois vão afugentar clientes, sujar o ambiente urbano e desvalorizar o patrimônio. Deveriam valorizar mais suas próprias vidas e privilégios conquistados -imagino, a duras penas – entendendo que nem todos têm os mesmos direitos e oportunidades.

Escrevo neste domingo sobre o caso de Pinheiros, destaque nos jornais e motivo de reportagem lá na rádio, aproveitando-me de campanha mundial que reúne mais de 1.500 blogueiros de 80 países, o Blog Action Day 2011. Desde 2008 participo desta manifestação digital – o BAD começou em 2007 – quando pessoas de todo o mundo se comprometem a escrever no dia 16 de outubro ao menos um post sobre tema previamente escolhido. O resultado tem sido excepcional a ponto de provocar reações de chefes de Governo e de Estado, além de celebridades, que falam do assunto e expõem suas ideias. No BAD já se tratou da pobreza, da mudança do clima e da água. Nesta edição, como hoje é o Dia Mundial da Alimentação, o combate a fome é o objetivo maior. Costumo convidar os ouvintes-internautas e os raros e caros leitores deste blog a publicarem textos, frases, fotos e vídeos sobre o assunto. E contamino a pauta do programa na rádio da mesma forma. Como este ano caiu em um domingo, quando estou fora do ar, assumi por minha conta e risco a responsabilidade de participar do BAD.

Calcula-se que cerca de 11,2 milhões de brasileiros não tenham o que comer, de acordo com a Pnad – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio. Número bem maior é daqueles que não se alimentam direito, 54,4 milhões, às vezes falta dinheiro ou sofrem alguma restrição. Mesmo assim, programas de distribuição de renda e políticas específicas reduziram pela metade a parcela da população que passa fome, na última década. Derrubaram, também, o índice de crianças de até 4 anos com peso abaixo do esperado – indicador usado para mensurar desnutrição infantil – de 4,2% para 1,8% – segundo dados do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Sempre que se fala de fome, lembramos de famílias que vivem no Norte e Nordeste. Não por acaso. As pesquisas mostram que lá estão 18,5% das pessoas mais afetadas pelo problema – muitas crianças e a maioria na zona rural. Porém, você não precisa ir longe para enxergar o tamanho desta tragédia. Aqui em São Paulo, não fossem iniciativas públicas e privadas, iríamos nos deparar com famílias inteiras de esfomeados. São pessoas que vivem na indigência com menos de R$ 79 por mês – dinheiro insuficiente para se ingerir o mínimo de calorias necessários para ficar em pé e tentar um trabalho.

Há alguns anos, conheci o belo projeto da União dos Moradores de Paraisópolis, segunda maior favela da capital, que mantém cozinha e um seleto grupo de cozinheiras, todos os dias, preparando pratos a base de doações generosas que recebem do comércio mais próximo e de moradores. Filas enormes se formam próximo do meio dia em busca das “quentinhas” que serão divididas com mais quatro ou cinco pessoas em cada casa. Soube de barracos que chegam a ter mais de uma família. Não fosse esta ajuda, o sofrimento seria ainda maior e a dificuldade para encontrarem um novo caminho bem pior.

Albergues como o que está no centro da polêmica em Pinheiros, frequentado pelo Seu Francisco, não apenas são lugares para passar a noite como única opção para se alimentar de boa parte dos moradores de rua e carroceiros. São extremamente importantes como programas de inserção (salvação) dessas pessoas. Porém, diferentemente da casa usada para alimentar os mais miseráveis que vivem em Paraisópolis, não estão escondidos dentro de uma favela. Estão na porta das nossas casas. Pela relevância, deveriam ser bem-vindos e não provocarem asco, como ficou claro na declaração de alguns moradores de Pinheiros. Teriam de ser apoiados, não renegados. Sei que é muito difícil conviver com estas diferenças; negá-las, contudo, não é a solução. Não mata a fome de ninguém. Mata pessoas e nosso sentido de solidariedade.

Leia mais aqui sobre a campanha contra a fome do Blog Action Day 2011

Fixe seu olhar na maquiagem

 

Por Dora Estevam

Qual seria a maquiagem mais bonita dos desfiles de Paris, Milão ou Londres? Difícil. Todas são bonitas e fazem parte de um contexto. O cenário de um desfile contempla tudo o que aparece na passarela. Roupas, maquiagem, música, decoração, plateia, luzes … e por ai vai.

A força da roupa, sem dúvida, chama mais atenção do que a da maquiagem, desde que não seja um make muito diferenciado com adereços espalhafatosos. Geralmente, não fixamos muito o olhar na maquiagem. Já em fotos é muito diferente. Vê-se com todos os detalhes o que foi feito nos olhos, na boca e na pele. Pérolas, strass, sobrancelhas postiças, tudo vira quase surreal nas mãos dos maquiadores.

Na foto da esquerda, o nude quase natural ganhou destaque sutil e engraçado nos olhos. Na imagem do meio, a modelo surge com aparência elegante e muito glamourosa, resultado do tom da sobrancelha brilhante com os olhos escuros. Um jogo de sedução e de oposição. A sobrancelha clara faz parte do desejo de algumas marcas que gostam de escondê-las para acentuar os olhos. A maquiagem da direita foi feita para a Fendi. Com folhas de ouro nas sobrancelhas, deixando o olhar com efeito  quase mágico.
 

A modelo de Giorgio Armani que aparece na foto da esquerda está chic e selvagem ao mesmo tempo. Com dois golpes de pincéis como que num descuido, a pálpebra ganhou um olhar de felino. O toque de doçura ficou para os lábios rosados. Já a da esquerda, que desfilou para Emílio Pucci, traz a reinvenção do olhar escurecido com nuances circundando os olhos como se estivessem borrado. Você percebe a sombra preta escapando nas laterais dos olhos.


 
E não pense que este é um trabalho fácil. Pense no desafio encarado por Peter Philips no desfile da Chanel que você assiste no vídeo. O maquiador teve de usar um técnica especial para manter a aparência natural diante de um cenário totalmente branco. O truque foi destacar o rosto. A pele ficou branca e os olhos e bocas levemente brilhantes.
 
Agora é com você, suba no pódio e faça a maquiagem a sua maneira, usando as tendências apresentadas aqui. Cores em tons de mel, damasco nas pálpebras, rosto ora muito pintado ora muito pálido, bocas com paladar de framboesa nas cores vermelho ou laranja, sobrancelhas mais claras. Tudo pode ser usado para você ficar mais linda e fascinante.
 
É isso bloguetes, espero que tenham gostado.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Mundo Corporativo: Ajude seu filho a ser bem-sucedido

 

Boa leitura, qualidade no texto e no vocabulário e lições de empreendedorismo dentro de casa, são algumas das dicas do psicoterapeuta Léo Fraiman para os jovens que se preparam para o mercado de trabalho. Na entrevista ao Mundo Corporativo, em homenagem aos 20 anos da CBN, Léo fala como as gerações Y e Z vão impactar as relações dentro das empresas nas próximas duas décadas, quais os critérios que devem ser avaliados na escolha da profissão e apresenta alguns endereços e sites que podem ser visitados na busca de um melhor desempenho destes adolescentes. Na entrevista, ele destaca que é um erro imaginar que as novas gerações são capazes de realizar inúmeras tarefas ao mesmo tempo com a mesma qualidade. Sugere que haja dedicação para cada atividade, identificando aquelas que são prioritárias na realização do trabalho.

Léo Fraiman é autor do livro “Meu filho chegou a adolescência, e agora ? – Como construir um projeto de vida juntos” (Editora Integrare) e responsável pelo site OPEE, onde é possível encontrar uma série de ensinamentos que podem ser úteis para seu desenvolvimento pessoal e profissional.

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, no site da CBN, às 11 horas da manhã, e você pode fazer perguntas pelo e-mail. No dia 19 de outubro, ainda dentro das comemorações dos 20 anos da CBN, vamos entrevistar o comentarista Max Gehringer.

Leon Cakoff foi genial e pautou São Paulo

 

A morte de Leon Cakoff incomoda muito. Não era amigo nem parente. Nunca devo ter conversado com ele ao vivo e em cores. Fiz, porém, algumas entrevistas obrigatórias. Não impostas, como podem entender alguns ao ler a frase anterior. Mas por mérito. Impossível pensar e discutir São Paulo sem ser pautado por ele. Cakoff foi genial em seu propósito e fez da cidade um circuito internacional de cinema trazendo para cá criações que jamais teríamos oportunidade de assistir nas telas comerciais. Nos proporcionou parte dos prazeres que teve na época de menino em que morou no bairro do Tremembé, zona norte da capital. Foi lá que viu seus primeiros filmes projetados em 16 milímetros em um lençol esticado na rua por um dos vizinhos, na paróquia da Igreja de São Pedro em sessões organizadas pelo Padre Bruno ou nas poltronas do Cine Ipê, que visitava acompanhado pela mãe. Em depoimento ao Conte Sua História de São Paulo, que apresento na CBN, Leon Cakoff lembrou que o Tremembé era um bairro distante do centro onde respirava os ares do interior: “sentia-me um pequeno índio em uma aldeia sendo nutrido por esta curiosidade pelo cinema”.

Ouça o depoimento de Leon Cakoff ao Conte Sua História de São Paulo, em 2007

Leon Cakoff morreu nesta sexta-feira, aos 63 anos, vítima de câncer. Uma notícia que incomoda demais por revelar como somos frágeis e dependemos de homens como ele. São Paulo sentirá muita falta deste gênio.