Deputado do DF será fiscalizado pelo #AdoteUmDistrital

 

A Câmara Legislativa do Distrito Federal foi palco de maracutais que chamaram atenção do País, no ano passado, quando estourou o escândalo que enterrou de vez a vida pública do Governador José Roberto Arruda. Neste início de ano se deparam com decisão judicial que impede a contratação de funcionários porque extrapolou o limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Casa tão agitada assim não pode mesmo navegar sozinha e precisa ter atenção redobrada do cidadão. Nesta semana, começa a ser discutida a criação do#AdoteUmDistrital aos moldes do #AdoteUmVereador, lançado em 2008, em São Paulo.

Fui informado sobre a iniciativa através do jornalista Rodrigo Fernandes (@rodrigo_fnandes) e soube que por lá o programa será coordenado pelo Comitê Ficha Limpa-DF, uma das entidades que integram o Movimento de Combate à Corrupção. Quem também está mobilizando os moradores do Distrito Federal é Diego Ramalho (@diegorf), presidente do NIC – Núcleo de Incentivo à Comunidade do Distrito Federal.

A reunião que vai discutir a criação do #AdoteumDistrital vai ocorrer na quinta-feira (13), a partir das 19h, no Edifício da OAB (SAS, Qd 05, Bl “N” 1º Andar, Brasília-DF).

A chuva é natural, a tragédia é humana

 

Texto de abertura do CBN São Paulo desta terça-feira, dia 11.01, mais um dia de verão na capital paulista obrigada a encarar a ironia de comemorar sua fundação no mês de janeiro, quando costuma enfrentar seus dias mais difíceis:

… em que mais uma vez São Paulo sofre pela falta de planejamento e dinheiro desperdiçado; em que o paulistano fica parado em enormes congestionamentos e em meio a uma enchente que sequer é novidade; em que a imprensa soma números de mortos nas manchetes, são 9 apenas nesta madrugada, em uma matemática sem graça resultado do desrespeito com o ambiente urbano – entupido de obras, prédios, cimento, falta de cidadania e incompetência administrativa.

Somos todos responsáveis pelo que assistimos nesta terça-feira. Seja porque não cuidamos do nosso entorno; seja porque não cobramos de quem tem nas mãos dinheiro – o dinheiro dos nossos impostos – e equipamentos, também.

O rodízio de carros foi suspenso; mas o lixo que entope os bueiros, impede o escoamento da água, este continua circulando por toda a cidade, jogado indevidamente e esquecido pela prefeitura que se não tem capacidade para recolher é porque também não teve para educar.
As pessoas seguem despencando dos morros, embaixo de suas casas, construídas indevidamente, mas permitidas pela falta de opção oferecida pela prefeitura – a mesma prefeitura que entrega todo o ano a conta do IPTU para estes moradores.

Aqui no CBN São Paulo, os repórteres estarão na rua – como sempre – atualizando as informações, sobrevoando a cidade e monitorando os pontos de alagamento, porque a chuva de verão não tem como evitar, é da natureza. O que não é natural é a maneira como ainda aceitamos esta tragédia urbana sempre que o verão chega.

Kobra desenha São Paulo de 1925

 

A São Paulo de 1925 será retratada na fachada de um dos prédios da avenida Tiradentes em mais um trabalho do artista plástico Eduardo Kobra. A curiosidade do desenho que ocupará as duas laterais do Senac, na região central, é que pela primeira vez ele e equipe farão um painel em um espaço vertical. Durante todo o dia, estarão trabalhando a 40 metros de altura. Na série ‘Muro da Memória’, Kobra vai usar o espaço para reproduzir cena da rua Direita e do Viaduto do Chá. A ideia é entregar o trabalho até o dia 25 de janeiro, quando a capital paulista completará 457 anos.

“iPad, um superbrinquedinho divertido”, diz produtor musical

 

Logo que o iPad chegou às minhas mãos, escrevi post neste blog receoso de estar dizendo bobagens sobre o novo gadget da Apple, afinal sou apenas um jornalista que gosto de mexer nestas traquitanas, mas que entendo muito pouco de tudo.  O resultado não foi ruim, pois recebi o apoio de alguns amigos na área de comentários e os que não gostaram tiveram a sensibilidade de não registrar a bronca (ou não me deram a oportunidade de ouvir o outro lado).

Na leitura da última edição da Mac Mais (#055), gostei da conversa do editor Sérgio Miranda com o produtor musical Sérgio Rezende. Ele conta como migrou para o mundo digital através dos equipamentos criados por Steve Jobs e em um trecho da entrevista falou sobre o iPad.

Achei interessante a resposta de Sérgio Rezende, pois em parte combina com o que pensava dessa máquina logo que comecei a usá-la. Destaco, ainda, o alerta que faz para o tempo que dedicamos à tecnologia em detrimento da criação:

Você  têm um iPad? O que mudou para você com o Ipad?

Olham, eu comprei por consumismo [risos]. Ele, para mim, não servia para nada. Perguntaram-me porque eu ia compra um, e eu dizia que era porque eu queria ter, embora achasse que não serviria para nada. Mas ele é um superbrinquedinho divertido. Como algo útil, não está me trazendo retorno algum. Eu gosto é de brincar com ele. Quando eu colocar um chip, talvez ele tenha mais utilidade. Para mim, se preciso acessar internet em qualquer lugar, o Iphone segura a onda. E em uma reunião de produção, é muito mais fácil levar o MAcBook. Se preciso de uma música, alguém me manda e eu aperto o Play, bem mais simples de fazer no Mac. No iPad, o processo não é tão fácil. Mas eu adoto o iPad, acho-o o máximo. Para ler livros, é ótimo ! Estou muito confiante no futuro dele.

Ele vai substituir o laptop?

Acho que mais adiante, sim. Para que vamos levar um notebook para todo o lugar? Todo músico é igaul: pega um teclado USB pequeno, um microfone, um fone de ouvido e coloca tudo na mochila para passar o final de semana na praia. E montar tudo isso dá uma preguiça danada [risos] Resultado: não usa. E você começa a pensar “não vou pegar tudo isso, vou descansar”. O neotebook é igual, Mas o iPad pode ser diferente, acho que ele pode ser útil, mas não agora [risos]

O que você acha que alguém como John Lennon faria se tivesse a tecnologia de hoje?

Penso que se o Lennon, ou qualquer outro cara desses, tivesse um Mac, não teria composto a metade do que fez, porque ficaria o resto do tempo atualizando software. [risos]

Leia a entrevista completa na Mac Mais

Hoje, convivo com meu iPad de casa para o carro, do carro para a redação, da redação para o estúdio e no estúdio uso com frequência durante o CBN SP. Mesmo assim, ainda o considero um ‘brinquedo legal’ e não essencial. Mas um dia será.

Foto-ouvinte: Mobílias em chamas

 

Móveis queimados
 
Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Para o desespero dos profissionais da reciclagem e dos ambientalistas , o lobby do incinerador  trabalha a todo vapor  para limpar a cidade de São Paulo. Enquanto isso,há muito tempo,  a queima de  parte do lixo doméstico já é feita na Rua Modelar,no Capão Redondo, Zona sul. As chamas e a fumaça preta  que saem do “crematório”, no espigão da Cohab Adventista , podem ser vistas  da Subprefeitura de Campo Limpo.
 
                                                                                       Devanir Amâncio

Assis, de promessa do futebol a fazedor de promessas

 

Por Airton Gontow
Jornalista e cronista

Você se lembra do jogador Assis? Não, não falamos do ótimo atleta do Fluminense e do Atlético-PR, que marcou época no futebol brasileiro, formando com o centroavante Washington a versão brasileira do Casal 20.

Nos referimos a Roberto de Assis Moreira, o empresário, conhecido no mundo do futebol, como ‘o irmão do Ronaldinho Gaúcho”.

Baixinho e habilidoso, foi um dos grandes casos de craque excepcional que acabou não acontecendo. Integrou diversas Seleções Brasileiras e atraiu o interesse dos europeus que tentaram “sequestrá-lo” para a Itália. Foi resgatado pelo Grêmio e brilhou por pouco mais de um ano no tricolor gaúcho, que conduziu ao título da Copa do Brasil de 89, com atuações estupendas. Fez um dos gols na vitória gremista de 2 a 1 na partida final contra o Sport. Na semifinal, o time gaúcho havia despachado o Flamengo com uma humilhante goleada de 6 a 1.

Na época, o empresário Juan Figer chegou a afirmar que Assis era a promessa mais valiosa do futebol mundial.

Com muitas perspectivas, em estranhíssima transação Assis foi jogar no vibrante futebol suíço: no FC Sion. Lá seu futebol não evoluiu, apesar de algumas boas atuações. Pelo contrário, piorou, murchou. Quase sumiu. Mesmo assim, conseguiu transferir-se em 95 para o Sporting Clube do Porto, onde ficou pouco tempo. Em 96, jogou seis meses no Vasco e outro semestre no Fluminense. Voltou ao Sion e, novamente, a Portugal, para jogar no poderoso CF Estrela da Amadora. Pouco depois foi atuar na equipe japonesa do Consadole Sapporo. No ano 2000, foi defender o Corinthians e, em 2001, foi à França, para jogar no Montpellier, onde encerrou sua carreira.

Assis acabou não acontecendo. Percorreu o mundo, mas não chegou ao estrelato. Fracassou, para a surpresa de todos que o acompanharam nas equipes de base do Grêmio e da Seleção Brasileira.

Com a morte prematura do pai, tornou-se a figura paterna para o pequeno Ronaldo. E quando Ronaldinho Gaúcho confirmou as previsões de que seria o maior craque da família Moreira, Assis passou a gerenciar a sua carreira. Não deixaria o irmão repetir seus próprios erros, garantiu.

Roberto de Assis Moreira é presidente e fundador do Porto Alegre Futebol Clube, criado em janeiro de 2006. Após alguns anos na Segundona Gaúcha, o Porto Alegre conquistou o título em 2009 e a ascensão à Primeira Divisão. No ano passado, garantiu a permanência na elite da competição estadual. Em 2011, estará novamente entre os principais times do estado.

Assis é um homem rico. Mas não conseguiu cumprir a promessa de ser um bom gerenciador para a carreira do irmão.

Ronaldinho Gaúcho ganhou competições importantes, foi campeão do mundo pela Seleção Brasileira, foi duas vezes eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA, tem uma fortuna estimada em 100 milhões de euros, mas está claro para todo mundo – mídia e torcedores – que – quando o assunto é apenas futebol e não situação bancária – é um jogador que desperdiçou o enorme talento que “Deus lhe deu”.

Nunca um gênio do futebol amargou tantos momentos no banco de reserva. Foi assim no Grêmio, ainda que em início de carreira; assim foi no Paris Saint-Germain, no Milan e até mesmo no Barcelona. Aos 30 anos, não foi convocado para a Copa do Mundo de 2010.

Ronaldinho Gaúcho é um craque que não é o grande ídolo em nenhum dos clubes em que atuou. Teve, sabemos, milhões de admiradores no mundo inteiro. Mas não é amado por torcida alguma. Não deixou saudades no Paris Saint-Germain e no Milan. Saiu vaiado do Barcelona, onde foi substituído e implacavelmente superado por Messi.

Não tem nem a paixão da torcida brasileira. As vozes que cobraram Dunga por sua desastrosa convocação para a última Copa pediam Ganso e Newmar. Poucos reclamaram a ausência de Ronaldinho Gaúcho.

Nada indica que se for para o Flamengo o excepcional jogador conseguirá ocupar na história do clube e no coração do torcedor rubro-negro o espaço que é de Zico. Sua última chance de se tornar um ídolo para a história era no Grêmio.

Há poucos indícios de que o jogador está realmente disposto a resgatar seu grande futebol. As notícias sobre o craque gaúcho mostram que ele encontrou Romário na churrascaria Porcão, que foi esta semana a uma feijoada e que ontem foi até Florianópolis para assistir, às duas da manhã, ao show de Amy Winehouse. Nenhuma informação ou imagem trazem o Ronaldinho entrando em uma academia ou correndo na praia, em busca de entrar em forma, ainda que todos os times já estejam em plena pré-temporada.

O leilão promovido por Assis e a ridícula coletiva de imprensa no Copacabana Palace desgastaram ainda mais a marca Ronaldinho Gaúcho. Se o futebol do jogador já estava em declínio desde 2006, sua imagem parece seguir o mesmo caminho, ainda que seu provável destino seja o Flamengo, time com a maior torcida do futebol mundial.

Promessa e Assis são palavras que andam, inexoravelmente, juntas. De eterna promessa, Assis é um homem que promete para todo mundo.

É triste a atual imagem de Ronaldinho Gaúcho.

Seu famoso sorriso faceiro parece hoje, para a maioria das pessoas, o riso de um homem sem personalidade, um bobo alegre, que deixa tudo nas mãos do irmão.

Assis e Ronaldinho Gaúcho flertaram ao mesmo tempo com pelo menos três clubes, deram a palavras de que o negócio estava fechado e fizeram promessas que não cumpriram. Juras de amor foram apenas para o Grêmio. Cairão, porém, nos braços de outros torcedores.

Para os gremistas que estão tristes e indignados, digo o que falaria para um bom amigo, traído pela mulher:

– Chora não. Ela não presta!

Conte Sua História de São Paulo: A volta

 

No Conte Sua História de São Paulo, Vera Helena Praxedes, moradora do Jardim Jabaquara, lembra neste texto de quando veio morar na capital paulista:

Ouça o texto de Vera Helena Praxedes sonorizado por Cláudio Antônio

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Voltamos, deixando para trás a vida solta, o sol quente, a quiçaça, o pé no chão, as frutas do campo, as parlendas, enfim, parte da infância. Viemos morar bem longe, o interior de onde voltávamos parecia à capital e a capital parecia o interior. Lá o sol era claro e abrasador, aqui frio cinzento de garoa infinda. Ainda bem que chegamos no verão, mas em janeiro de chuvarada.

A casa grande de tijolos, pintada de amarelo, úmida, descobri o bolor, diferente da outra de madeira seca e aconchegante. Algo me causou espanto; o fogão, aqui de carvão, pequeno acanhado, levava horas para cozinhar feijão. Batia uma saudade do outro de lenha, grande, com fagulhas estralando feito fogos de artifício, água quente por todo o dia, pronta para fazer café.

A casa foi dividida para acomodar três famílias: a nossa, a dos meus avós e a de um tio. No total dezesseis pessoas. Lá no interior morávamos em casas próximas, mas aqui todos ficaram juntos. Mais tarde ao ler “O Cortiço” de Aluísio Azevedo me senti sua personagem.

A vila distante, com ruas sem calçamento e transporte. Fazendo todos caminharem por quilômetros para chegar ao trabalho. Quando chovia carregávamos outro par de sapatos para trocá-los antes do destino final.

Os donos da casa amarela eram um casal de negros. Morava no mesmo quintal, nos separando apenas um terreiro. A esposa com cinqüenta e poucos anos, o marido já bem idoso, um neto criança e uma filha viúva por uma tragédia, isso havia a alguns meses enlutada a família.

O genro dos velhos em um ato transloucado, havia se suicidado, envenenando-se, mas antes disso matou a filha de dois anos, deixando a mulher grávida ainda sem sabê-lo.

A mudança causou espanto e surpresa a mim e minhas três irmãs e, sem dúvida, também para as outras crianças da família.

Minha pobre avó não tirava o agasalho de lã um só dia, parecia não parar de chover nunca. O frio, por falta de costume, deixou-a jururu e adoentada por todo o ano.

Mas aqui, ao chegar, fiz uma grande descoberta, a mulher do nosso senhoril possuía um rádio e adorava ouvir novelas à noite. Logo após nossa chegada, engajei-me junto a ela, o marido mais o pequeno neto e, ouvíamos todos os dias às 21:00 horas uma rádio novela.

Dona Dita, esse o seu nome. Sentávamos em uma copa cimentada com móveis coloniais; um tajer, uma cristaleira sem cristais, sobre ela uma garrafa, representando um velho, inclinado sobre o peso do líquido azul por papel crepom.

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Da maçã



Por Maria Lucia Solla


Ouça ‘De Maçã’ na voz e sonorizado pela autora

A intenção do Criador nunca foi nos deixar viver no paraíso. Passado o período de gestação, era preciso que saíssemos de lá. Era preciso continuar; nascer para uma nova vida.

E nascer dói; assusta. Parto não é coisa bonita e leve, e nós o cercamos de flores alegres. A morte é irmã gêmea do nascimento, e nós a cercamos de flores tristes. E porquê? Por que ela é para nós mais um nascimento, e sabemos que nascer dói; a cada dia, a cada hora, na mesma vida; que dizer de nascer para uma vida desconhecida.

Na mulher, o parto dói; para cada uma na sua medida, mas que dói, dói. A mãe sofre, o bebê sofre; choram e gritam da dor física, da dor da alegria e da dor do medo. Tudo misturado. Ela expulsa, de dentro dela, o ser de quem foi hospedeira, e a quem vai chamar de filho. Saímos do útero materno, todos nós, sem distinção, do mesmo jeito, chame ele Paraíso, Maria, Rita ou Joana. Somos expulsos do lugar conhecido, seja ele confortável ou não, para o desconhecido; para o desafio.

Todos nós, descendentes do primeiro homem e da primeira mulher, filhos de Deus e da Deusa, fomos expulsos do útero dela, do paraíso, onde havia fartura, beleza, harmonia, amor, para um lugar que insistimos em transformar num vale de lágrimas, na terra do sofrimento, em desarmonia, em desamor.

Mas voltando ao Criador e ao fluir da Criação, no início da nossa raça humana, com apenas dois exemplares prontos, ele sabia muito bem que era só proibir alguma coisa que o casal, iria correndo atrás, e não deu outra. Foi ele decretar a proibição do fruto do conhecimento que a gente caiu.

Demos a primeira mordida e nascemos para a vida do conhecimento e da experiência. Logo na estreia, experimentamos o que é covardia; a cobra levou parte da culpa, e o resto ficou para a mulher, considerada fraca, volúvel, traiçoeira. Certo que o mundo está cheia delas, mas prova-se hoje que o privilégio logo logo se estendeu a eles também. E nós, até hoje não entendemos o que aconteceu, e ainda nos servimos do conhecimento, da experiência, ressabiados, achando tudo errado, feio, meia-boca; achando que é pecado. Não é. Foram o Pai e Mãe que nos arrancaram da zona de conforto, da fase que já dominávamos, com uma ajudinha da cobra, que não por acaso a gente odeia.

O final da história é que a gente entrou pelo canal vaginal da Vida e caiu na real. E o fato é que continuamos de quatro no chão, batendo pés e mãos, xilicando, nos considerando sempre – que porre! – vítimas de tudo e de todos, criando caos à volta, a cada ataque de birra.

Tenho vergonha! e você?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

O poder da tatuagem

 

Por Dora Estevam
 
Elas aparecem espalhadas pelo corpo ou mais timidamente por trás dos cabelos, na nuca; também estão discretamente nos tornozelos e punhos; as mensagens são inúmeras; o desenho, ora incrível ora estranho, dependendo o ponto de vista. Frases apaixonadas e dedicadas aos namorados, amores, filhos, maridos e religião. Enfim, cada tatuagem tem seu motivo.

Esta moça da foto é tão apaixonada pela Chanel que resolveu fazer o desenho do logo na pele. Esta é de verdade.  
 
É que na coleção Primavera/Verão 2010 as tatuagens fake da Chanel viraram febre. Bastava pressionar o desenho na pele, e pronto.
 
Dizem que Karl Largerfeld  teria se inspirado no livro de Lee Tulloch, Nobodies Fabulous, de 1989, no qual a personagem principal, Reality Nirvana Tuttle (uma espécie de Carrie Bradshaw dos anos 80), tem tatuagens Chanel em seus pulsos e nas coxas. Curiosamente o livro vai virar filme em breve e foi escrito depois que a autora foi demitida da Harper’s Bazaar australiana. A expectativa é que o filme tenha um figurino maravilhoso, já que a heroína do livro é tão louca por moda que dá até nome para suas roupas.
 
 

A palavra tatuagem origina-se do inglês tattoo. O pai da palavra “tattoo” foi o capitão James Cook , que escreveu em seu diário a palavra “tattow”, também conhecida como “tatau”, uma onomatopéia do som feito durante a execução da tatuagem, em que se utilizavam ossos finos como agulhas, no qual batiam com uma espécie de martelinho de madeira para introduzir a tinta na pele. A partir de 1920 a tatuagem foi ficando mais  comercial, tornando-se mais popular entre americanos e europeus. Surgindo uma gama de tatuadores que eram artisticamente ambiciosos. Eles acharam muitos clientes nas décadas de 1950 e 1960. Durante muito tempo, nos Estados Unidos, a tatuagem esteve associada a classes sócio-econômicas mais baixas, aos militares, aos marinheiros, às prostitutas e aos criminosos.

 
  
De acordo com os historiadores, não havia um aborígene que não estivesse tatuado. A tatuagem percorreu mares e Américas e até hoje é cultuada em todo o mundo. Particularmente, não tenho um risco na pele, mas é muito difícil encontrar alguém que não tenha feito uma por inteiro.
 
A “arte na pele” já foi muito marginalizada, mas hoje está na pele de pessoas de todos os níveis sociais.
  
As celebridades aparecem nas entregas dos grandes prêmios sem nenhum pudor. Vestidos que deixam  ombros e costas a mostra para apresentar o desenho no corpo.  

Ano passado, os  tatuadores e fãs se reuniram em uma convenção internacional na capital tailandesa, Bangkok. O evento de três dias trouxe profissionais da Ásia, Europa e América e mostrou técnicas e estilos de arte corporal em diferentes culturas.

Entre os tatuadores que participaram do evento estava Arian Noo, o artista tailandês que teve o prazer de tatuar a atriz Angelina Jolie.

Muitos concursos também são realizados na conferência, incluindo melhor desenho do dia, melhor tatuagem oriental e melhores obras de frente e nas costas.
 
As convenções sobre tatuagens acontecem no mundo inteiro.
 
No entanto, é preciso tomar algum cuidado na hora de fazer a sua arte na pele. Procure um lugar seguro, limpo, conhecido. Espere até completar a idade adulta para ter certeza de que é essa a sua escolha. Pesquise bem antes de entregar a sua pele às agulhas.

Você se lembra do caso daquela menina de 18 anos da Bélgica que dormiu durante a tatuagem e acordou com o rosto cheio de estrelas? Depois se arrependeu.

Converse com o especialista para saber qual a melhor forma de começar. Homens e mulheres têm preferências diferenciadas: homens gostam de fazer o braço inteiro, já mulheres partes das costas, lombares e nucas.

De acordo com os dermatologistas, a maioria das pessoas que tentam removê-las é mulher. Elas até gostam do desenho, mas se sentem pressionadas com as críticas e comentários maldosos a respeito.
  
Se você faz parte desta legião de fãs das tatuagens aproveite para ver algumas fotos de pessoas que foram clicadas nas ruas da Europa e EUA.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Dono do Belas Artes acredita na manutenção do cinema

 

O cine Belas Artes deixa a Consolação, mas não deixa São Paulo. É a impressão que tive ao fim da entrevista com André Sturm, sócio proprietário da empresa que mantém as salas em um dos espaços culturais mais tradicionais da cidade. Ainda parece emocionado quando fala do encerramento das projeções de filmes no dia 27 de janeiro, mas se esforça para mostrar entusiasmo em vista da mobilização que ocorre na capital e fora daqui.

Ouça a entrevista com André Sturm, no CBN São Paulo

Hoje mesmo, iniciou-se mobilização pela internet convocando os paulistanos a participarem de ato em frente ao Belas Artes, no sábado, dia 15 de janeiro, às oito da noite. Nas redes sociais, corre petição pública contra o fechamento dos cinemas, também. Na Folha, Ruy Castro dedicou crônica ao tema na qual escreve:

Um cinema que fecha é uma calçada, um pipoqueiro e uma fila a menos numa cidade. É mais um quarteirão sem luzes, sem movimento noturno e sem possibilidade de encontros, amigáveis ou amorosos. É um lugar a menos para flanar, para fazer hora, até para paquerar. E é também um cenário a menos para que os jovens descubram e troquem ideias sobre cultura, história, comportamento.

O fim do cine Belas Artes é marcado por algumas ironias.

Ao contrário de tantas salas de cinema na cidade, não faltam público nem dinheiro. O dono do imóvel, Flávio Maluf (não confundam com o filho de Paulo Maluf), prefere entregar o local para uma loja, não quer mais ter o Belas Artes como inquilino.

Além disso, o encerramento das atividades será na mesma semana em que São Paulo estará comemorando 457 anos. Se um novo espaço não surgir, a festa terá um gosto amargo.