Mercadante, do PT, será entrevistado no rádio e internet

 

CBN SP painelA leve melhora nas pesquisas eleitorais ainda não foram suficientes para garantir o candidato Aloízio Mercadante (PT) no segundo turno das eleições para o Governo do Estado de São Paulo. Geraldo Alckmin (PSDB) ainda em larga vantagem sobre ele e os demais concorrentes, conforme os dois últimos levantamentos feitos pelo Ibope e Datafolha. Aproximar-se da imagem do presidente Lula é uma das estratégias do petista para melhorar seu desempenho.

Nesta terça-feira, Mercadante estará no CBN São Paulo onde falará deste cenário político e das propostas que tem apresentado durante a campanha eleitoral. A entrevista será transmitida pelo rádio e internet, simultaneamente, das 10 e meia às 11 da manhã.

Nas duas semanas que antecederam a série com os candidatos ao Governo, o CBN São Paulo conversou com especialistas e técnicos sobre educação, saúde, transporte, meio ambiente e gestão pública, além disso abriu o e-mail para receber perguntas e sugestões de ouvintes-internautas. A entrevista com Mercadante, assim como as demais, será feita com base nas informações levantadas.

Você pode participar da entrevista, também, com perguntas enviadas para milton@cbn.com.br. Todas as mensagens serão encaminhadas ao candidato, após a entrevista, para que as dúvidas possam ser respondidas.

Acompanhe o calendário de entrevistas no CBN São Paulo:

Dia 08.09 – quarta – Paulo Skaf (PSB)
Dia 09.09 – quinta – Celso Russomano (PP)
Dia 10.09 – sexta – Paulo Roberto Bufalo (PSOL)
Dia 13.09 – segunda – Luiz Carlos Prates, Mancha (PSTU)

Dia 14.09 – terça – Aloizio Mercadante (PT)

Dia 15.09 – quarta – Anai Caproni (PCO)
Dia 16.09 – quinta – Geraldo Alckmin (PSDB)

Dia 17.09 – sexta – Fábio Feldmann (PV)

Dia 20.09 – segunda – Igor Grabois (PCB)

Etanol com apoio do Governo, sugere agência dos EUA

 

O álcool foi considerado combustível superior pela EPA e pode reduzir drasticamente o impacto ambiental quando usado no sistema de ônibus

Scania movido a etanol

Por Adamo Bazani

Imagine, repentinamente 15 mil carros desaparecem das ruas ? Numa cidade como São Paulo, poluída e congestionada, seria um alívio e tanto. Em relação ao trânsito ajudaria muito apesar de não ser a solução definitiva do problema.

Faça mais um exercício de imaginação e desapareça com várias frotas de 15 mil carros, pouco a pouco. Seria, sem dúvida, um sonho, mas não impossível ao menos do ponto de vista ambiental. E este resultado seria alcançado com políticas públicas e incentivos para a produção em escala de ônibus movidos a etanol.

De acordo com dados recentes do Cenbio (Centro Nacional de Referência em Biomassa), integrante do projeto internacional The BEST (BioEtanol for Sustainbale Transport), que atua no desenvolvimento do uso do combustível, se 1.000 ônibus urbanos a diesel fossem substituídos por ônibus a etanol seriam seriam retiradas 96 mil toneladas de CO2 da atmosfera, por ano. Isso é o equivalente a encostar 15 mil carros de passeio.

Só esse ganho já justificaria qualquer tipo de investimento nos ônibus a etanol, segundo o Cenbio. Mas as vantagens também são econômicas e sociais.

De acordo com a Única, a Associação dos Produtores de Cana de Açúcar no Brasil, 300 milhões de cana de açúcar novos podem gerar 70 mil postos de trabalho.

Voltando a questão ambiental, um ônibus urbano a etanol emite até 89% menos gases que provocam o efeito estufa em relação a um ônibus diesel comum. Além de ter menor material particulado na composição do combustível, a cana de açúcar também apresenta outra vantagem. Seu cultivo é um dos que mais captam carbono do ar.

No caso específico do Brasil, proporcionalmente as áreas de plantação são pequenas em relação às regiões disponíveis para a exploração. Assim, o aumento do cultivo de cana de açúcar não seria uma ameaça às reservas naturais. Muito mais ameaça é continuar a rotina de emissão de gases poluentes pelos veículos automotores, os maiores responsáveis pela má qualidade do ar.

Já discutimos o assunto neste espaço, mas sem estes dados recentes e a notícia a seguir.

Em agosto de 2010, a agência americana EPA considerou o álcool como combustível superior, ou seja, merece apoio governamental. E esse apoio já vem do mercado e das políticas públicas sendo expressados em números. Os Estados Unidos consomem 560 bilhões de litros de álcool combustível contra 40 bilhões de litros no Brasil. Em produção, áreas de cultivo e tecnologia, o Brasil não fica para trás dos Estados Unidos e Europa.

No quesito política pública e apoio governamental, o País é um fiasco.

Desde a última vez que abordamos o tema etanol para ônibus, já se passou quase um ano, e nada, nada, de uma quantidade significativa de ônibus nas ruas.

Enquanto isso, havíamos noticiado que Estocolmo, na Suécia, tinha 600 ônibus a etanol, com 80% do álcool consumido produzidos no Brasil. Essa frota agora beira 800 veículos, crescimento de 200 unidades, enquanto que neste ano, o maior produtor de etanol do mundo – leia-se Brasil – ganhou a “incrível” quantidade de dois ônibus novos. Em 2030, Estocolmo, a sede projeto The Best, deve ter todos os urbanos a álcool.

O site do projeto destacou a visita de Lula a Estocolmo, em 2007, e ressaltou que o presidente brincou com o fato de os ônibus a etanol de lá serem movidos por combustível brasileiro.

Brincar?

Os fabricantes de ônibus a etanol no Brasil dizem que o problema é sério e ônibus deste tipo só não é mais barato por falta de produção em escala, como relatou José Henrique Senna, da Scania

“Na medida em que haja escala, podemos produzir aqui. Tecnologia nós temos.  Por isso, é preciso articular mais densamente as iniciativas governamentais para o suporte financeiro desse projeto, para que exista estímulo a demanda por esses ônibus”

Nossos pulmões também não estão de brincadeira.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Mancha do PSTU quer polícia única e comunitária

 

Sem glamour de candidato nem apoio de filiados ou acompanhado por uma equipe de televisão, mas com o discurso do partido na ponta da língua. Assim, Luis Carlos Prates, o Mancha, do PSTU, se apresentou na quarta entrevista da série com os candidatos ao Governo de São Paulo, no estúdio de internet da CBN, nesta manhã.

Mancha faz parte dos candidatos sem-gravata, apelido que ganharam os representantes de partidos nanicos e de esquerda que disputam o pleito este ano após a indumentária masculina ter sido citada no primeiro debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes. Alckmin (PSDB) “acusou” Mercadante (PT) e Russomano (PP) de usarem gravatas iguais; e Paulo Bufalo (PSOL), único representante dos socialistas, aproveitou para mostrar que era tão diferente dos demais que nem gravata vestia.

O candidato do PSTU usa camisa de gola aberta, manga levemente arregaçada e calça jeans. O sapato não lembro bem, mesmo porque estava mais interessado em ouvir as propostas dele do que me ater as vestimentas.

A propósito disto, não é apenas a falta de gravata que o aproxima dos demais candidatos de esquerda, nesta campanha. Defende a bandeira socialista, redução na jornada de trabalho sem redução de salário, aumento do mínimo para os trabalhadores, reestatização e fim das privatizações, entre outros pontos.

Planos de governo vieram à tona, também, provocados por perguntas de ouvintes-internautas e assim Mancha falou sobre segurança, defendendo a criação de uma polícia unificada e comunitária; sobre educação disse ser a favor do fim da progressão continuada e a diminuição do número de alunos por sala de aula; e sobre transporte pediu o fim dos pedágios. As propostas dele você acompanha assistindo à entrevista no vídeo acima.

Antes de ir embora, perguntei sobre o cadastramento dele no site do Ficha Limpa. Assim como todos os demais candidatos ao Governo de São Paulo ainda não se cadastrou, mas disse que talvez o faça. Neste caso, tanto faz usar ou não gravata, todos se parecem.

Perguntômetro

Durante a entrevista, 9 perguntas e comentários foram enviados ao candidato do PSTU, Mancha, e todas foram encaminhadas a ele para que possa responder aos ouvintes-internautas.

Debate reúne diretores das 6 melhores escolas do Enem

 

A educação é o tema que mais preocupa o eleitor paulista. Pesquisa do Ibope havia constatado esta realidade e, enquanto converso com os candidatos ao Governo de São Paulo, fica evidente o interesse pelo tema nas mensagens enviadas pelos ouvintes-internautas. Lamento apenas que todo o debate esteja voltado para a progressão continuada que se transformou em bode expiatório para o maus resultados obtidos pelas escolas públicas.

Hoje à noite, terei oportunidade de enxergar outra realidade. Estarei mediando debate promovido pela Época São Paulo que vai reunir os diretores dos seis colégios paulistanos com melhor desempenho no Enem2010. O encontro é uma das etapas de reportagem produzida pela revista com o tema “Em busca da escola perfeita” e será aberto ao público que poderá participar ao vivo ou por e-mail. Estarão no encontro os diretores do Vértice, Objetivo, Móbile, Santa Cruz, Bandeirantes e Instituto Federal de SP.

A Época SP pretende ajudar os pais na definição de critérios para a escolha da escola mais apropriada para a educação de seus filhos. Assim, “o debate passará por temas que têm a ver com a construção de um ensino médio ideal: infraestrutura, laboratórios, educação humanística, valor de mensalidade, carga horária, ambiente escolar, convivência com o diferente, tendência a priorizar exclusivamente a preparação para o vestibular, entre outros”, como explica o editor Camilo Vannuchi.

O debate será hoje, às sete da noite, na sede da Editora Globo (Av. jaguaré, 1485). Para quem pretende assistir ao encontro a inscrição pode ser feita no e-mail rsvpeventos@edglobo.com.br. Para perguntas, use o e-mail cvannuchi@edglobo.com.br e coloque a palavra “Debate” no campo do assunto.

Direito de resposta é exceção

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

A maioria dos pedidos de direito de resposta que chegam à Justiça Eleitoral são descabidos. Os requerentes confundem suas dores emocionais e mágoas infantis com ofensas e ataques políticos. Questões sem referências nominais e fazendo indeterminado. A rigor, fazer uma alusão à situações a muito tempo noticiadas e conhecidas não significa ofender a honra de ninguém.

A propósito, o Tribunal Superior Eleitoral já decidiu assim:

Representação. Agravo. Direito de resposta. Horário gratuito. Propaganda eleitoral. Não-divulgação de fatos sabidamente inverídicos (rombo no governo, telefones celulares nos presídios). Calúnia não configurada. Não caracterizada nenhuma divulgação de afirmação caluniosa, injuriosa ou sabidamente inverídica, é de ser indeferido o pedido de resposta. Agravo a que se nega provimento.
(Representação Nº 492, rel. Min. Gerardo Grossi, j 26.09.2002).

Até porque, a lembrança é parte integrante do discurso:

Recurso especial eleitoral. Direito de resposta. Rememorar fatos da história de políticos não constitui ofensa a ensejar direito de resposta. Recurso não conhecido.
(Recurso Nº 20.501, red. designado Min. Luiz Carlos Lopes Madeira, j. 30.09.2002).

Se a indignação é contra a situação geral e se o discurso político é crítico e contundente, não há como prosperar o DIREITO DE RESPOSTA, que é uma exceção, não dá em árvore!

Afinal, se os governos podem exercer o seu direito de propaganda, às oposições deve se garantir o de ataque. Questões políticas decorrentes de fatos e temas políticos naturalmente relevantes que são, por exemplo, a má-administração pública e seus desdobramentos, podem ser veiculados no rádio e na televisão.

Direito de resposta exige que se tenha presente a calúnia, a difamação ou a injúria, ainda que de forma indireta, por conceito, imagem ou afirmação. Críticas ou imagens explorando temas políticos e de interesse da população, não se fazendo ataques pessoais, mas de caráter geral, não ensejam o seu deferimento.

Críticas ríspidas, mesmo de natureza político-ideológica, que desprestigiam mas não chegam ao ponto de atingir a honra subjetiva e objetiva daquele contra quem foram proferidas, não justificam a concessão do direito de resposta. Se foram encetadas buscando a responsabilização de gestores pela má condução das atividades de Governo, consubstanciam típico discurso de oposição. Aspereza e indignação política não se confundem com ofensa.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Nos porões da Câmara Municipal

 

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Restos de móveis, marcas deixadas por vazamento e pedaços de patrimônio público estão aos montes na parte mais baixa da sede do Palácio Anchieta, sede da Câmara Municipal de São Paulo. Na realidade, no que é conhecido por lá como anexo da Câmara, local pouco ou nunca visitado pelo cidadão que sustenta a Casa com os impostos que paga.

As fotografias foram apresentadas pelo Alecir Macedo (tem mais aqui) durante a reunião mensal do Adote um Vereador, que ocorreu sábado, no bar do Centro Cultural São Paulo, em torno de uma mesa cheia de café e água que, desta vez, ganharam a companhia de alguns pastéis, obra do financiamento obtido para o encontro. Calma lá ! Não é dinheiro público, não. Apenas grana tirada do bolso de um dos participantes, no caso o Mário Nogales.

Quanto de dinheiro está depositado nos porões da Câmara ? Esta foi uma pergunta que nos fizemos no bate-papo que durou cerca de duas horas e meia. É difícil saber a resposta, pois as contas da Casa não são transparentes a ponto de permitir que qualquer número esteja à disposição.

Surge uma esperança, porém. Cláudio Vieira recebeu a informação de que na quinta-feira, a Câmara apresentará seu novo site, mais moderno, mais ágil, mais … Será mais útil ? Vai depender do que os parlamentares decidiram em suas reuniões e as soluções oferecidas pela empresa contratada com o nosso dinheiro.

É consenso de que a página na internet tem de servir ao público, abrindo acesso a todos os serviços, dados e informações possíveis. Há três meses, o Adote um Vereador se reuniu e fez uma série de sugestões que foram publicadas aqui no Blog (leia). E se você não tiver tempo para ler o que escrevemos, saiba que o resumo da ópera era a defesa de um site cidadão.

Sérgio Mendes e Massào Uéhara também estiveram no encontro e falaram da experiência de visitar a Câmara em um dia de sessão. Semana passada, logo após o feriado, estiveram por lá em história que também já contamos aqui no Blog (leia). O vazio nas galerias, no plenário e de ideias chamou atenção de todos eles.

Para o cidadão é difícil entender como funciona a comunicação entre os parlamentares. Não bastasse a ausência da maioria, mesmo com registro no painel eletrônico, o que um discursa os outros não ouvem; as conversas paralelas parecem mais atraentes a eles; troca de provocações ocorrem de vez em quando.

Propaganda eleitoral

Como é que vai a campanha ? – grita Milton Leite (PMDB)
Só tem foto do seu filho – responde Penna (PV)

Sarcasmo do vereador-candidato verde em relação a avalanche de publicidade em favor dos filhos do peemedebista que usam a base eleitoral do pai na região sul para chegar na Assembleia e Câmara dos Deputados. Cartazes que algumas vezes estão em locais proibidos como no centro esportivo Tiradentes, no Grajau, que aparece na foto acima, que também chegou aqui graças a ação do pessoal do Adote. Consta que estes banners já foram recolhidos.

Pra fechar a conversa, além de acompanhar o site da Câmara, assumimos o compromisso de ficarmos de olho nas várias ferramentas interativas que levam o nome do Adote um Vereador. Todas podem ser encontradas no site Adoteumvereador.net. Também, vamos pensar na criação de um portal próprio – para o qual contamos com a colaboração de quem estiver disposto a nos ajudar.

Teve ainda a distribuição de adesivos do Adote e a satisfação de contarmos com a presença de Armando Italo, comentarista frequente aqui do Blog, que participou do encontro para ver como pode entrar nesta briga.

Hora de ir embora. Tchau, até mais, voltamos a nos conversar e …

Afinal, quanto de dinheiro está depositado nos porões da Câmara ?

Mancha, do PSTU, na entrevista do CBN SP

 

CBN SP painelO PSTU está sozinho na disputa deste ano. O partido não fez coligação com nenhum dos demais partidos de esquerda e extra-esquerda e decidiu lançar candidato para todos os cargos, inclusive para as duas vagas ao Senado. Para o governo do Estado, o nome escolhido foi o do metalúrgico e sindicalista Luis Carlos Prates, que atende por Mancha.

Ele será o entrevistado desta segunda-feira, no CBN São Paulo, na série com os candidatos ao Governo de São Paulo que se iniciou semana passada. A entrevista terá transmissão simultânea no rádio e na internet (com imagens), das 10 e meia às 11 horas da manhã. Ouvintes-internautas participam com perguntas que podem ser enviadas para milton@cbn.com.br, as quais serão encaminhadas ao candidato, após a entrevista, para que ele possa respondê-las diretamente

Os temas discutidos na entrevista com os candidatos foram sugeridos pelo público, nas duas últimas semanas. O CBN São Paulo conversou também com especialistas nas áreas de transporte, educação, saúde, segurança, meio-ambiente e gestão pública.

A ordem dos entrevistados foi decidida em sorteio com a presença dos representantes das nove coligações que disputam o cargo ao Governo de São Paulo:

Dia 08.09 – quarta – Paulo Skaf (PSB)

Dia 09.09 – quinta – Celso Russomano (PP)

Dia 10.09 – sexta – Paulo Roberto Bufalo (PSOL)

Dia 13.09 – segunda – Luiz Carlos Prates, Mancha (PSTU)

Dia 14.09 – terça – Aloizio Mercadante (PT)

Dia 15.09 – quarta – Anai Caproni Pinto (PCO)

Dia 16.09 – quinta – Geraldo Alckmin (PSDB)

Dia 17.09 – sexta – Fábio Feldmann (PV)

Dia 20.09 – segunda – Igor Grabois (PCB)

Conte Sua História de SP: Meu avô, meu ídolo

 

Por Suely Montenegro
Envaido ao Museu da Pessoa

Ouça este texto com a sonorização de Cláudio Antônio

Nasci em São Paulo, Capital, em março de 1954, no bairro do Belém. Neste ano tivemos um acontecimento importante que foi a morte do Getúlio Vargas, presidente do Brasil.

Sou neta de imigrantes que fugiram da Primeira Guerra.

Meus avós paternos vieram de Portugal e meus avós maternos da Espanha.

Meus avós portugueses me contavam muitas histórias sobre sua cidade, Trás dos Montes, por isso sei muita coisa do que acontecia em Portugal. Por outro lado, não sei quase nada da Espanha. Minha avó espanhola já havia falecido quando eu nasci e meu avô não contava histórias.

O que eu sei é que, por uma incrível coincidência, ele trabalhou como administrador em uma fazenda cafeeira na cidade de Bocaina, cujo proprietário era avô do meu atual marido. Só fui descobrir isto depois de casada.

Minha infância foi muito gostosa, pois no bairro em que morava todos se conheciam, coisa que atualmente é muito difícil.

Brincávamos na rua sem problemas. Quase não tinha carros e não corríamos o risco de sermos atropelados, a não ser pelas bolas dos diversos jogos que brincávamos.

Me lembro que éramos muito criativos, pois quase não tínhamos brinquedos, exceto alguns carrinhos e bonecas. Então nós “fabricávamos” nosso brinquedos com barro, madeira, mato, etc. Fazíamos panelinhas, mesas, cadeiras e tantas coisas que hoje penso como deve ser sem graça pegar os brinquedos prontos e não inventar nada.

Creio que seja por isso que hoje as crianças ficam tanto tempo no computador.

Subíamos em árvores, abríamos túneis através dos matos que cresciam bem alto nos terrenos baldios, enfim, inventávamos o que fazer. E não tínhamos nenhum problema de picada de inseto, medo de seqüestro e todos os outros problemas comuns nos dias de hoje.

Vi muitas avenidas que hoje são congestionadas serem construídas, como a 23 de Maio.

Era gostoso andar de bonde, pisar no barro…

Adorava ir para a casa dos meus avós paternos. Meu avô era meu ídolo. Eu absorvia tudo o que ele me contava, pois ele me abria um mundo que eu desconhecia. Passava todas as férias na casa dele, era muito divertido.

Foi muito difícil aceitar a morte dele, pois só tinha 11 anos e era a minha primeira perda importante. Era também o início da minha adolescência.
Mas isto é uma outra história.

Conte a sua história de São Paulo, também. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou escreva seu texto no site do Museu da Pessoa.

De 11 de setembro

 




Por Maria Lucia Solla

Hoje é 11 de setembro.

Nunca mais, 11 de setembro, será um dia como outro qualquer; para ninguém; no mundo. Há quem veja de um ângulo, há quem veja de outro, mas de ângulo nenhum cabe o sorriso; a leveza. É um dia que chega bonito, claro, ensolarado, porque assim é a vida; se renova. Mas, de início, a memória investe o dia de uma atmosfera grave, cinza, triste; de pesada energia de dor, de incompreensão, de tudo que serve para inquietar sem trazer resposta, deixando em nós mais incompreensão, mais inquietação e, consequentemente, dor.

A noite do dia 10 nem tinha terminado, a meia-noite do relógio estava longe de chegar, mas ele, o 11, já se insinuava. E chegava arqueado, abarrotado de lembrança que não se quer lembrar. Vinha carregado de historia interrompida, de cama vazia, de coração partido.

Há nove anos, quando me mudei para o apartamento onde moro, vi, no meu primeiro dia aqui, o último de tantos; ao vivo, a morte deles.

Mas nem tudo está perdido. Ao contrário! é daí que nasce a oportunidade de mudar de canal e transformar a gravidade em responsabilidade, de pintar o cinza do que restou, com cores vibrantes, de fazer, da tristeza, aliada que alavanca determinação. Excelente oportunidade para, na carona da inquietação, partir para a reflexão e buscar respostas no coração, e na certeza de que eu sou tua; e você, meu irmão. Oportunidade de nos interessarmos pela beleza e pelo mistério de nossos irmãos muçulmanos, judeus, africanos, americanos, chineses, japoneses, orientais e ocidentais, nortistas e sulistas. Detalhes.

Oportunidade para peneirarmos os nossos sentimentos e nos liberarmos da intransigência com costumes diferentes, da impaciência com o ritmo do outro. Todos nós: maria, sara, yasser, irina, mary, annette, yasmin, cheng, naomi, aysha, manuel, jose.

Que tal um pouco de silêncio, hoje, em respeito à tragédia daqueles que a causaram e daqueles que foram vítimas físicas dela. Na verdade, somos todos vítimas do preconceito que alimentamos, dia a dia, palavra a palavra, pensamento a pensamento.

Pobres de nós que, cega e preguiçosamente, permitimos que outros homens nos levem pela mão, ao encontro de Deus. Que cremos nos seus poderes, que seguimos cegamente suas receitas, mesmo que para isso tenhamos que abrir mão da paz, da alegria, do bem-estar; mesmo que tenhamos que abrir mão da própria vida.
Esses homens, esses líderes, são vampiros de almas; se alimentam de você e de mim.

Sobram líderes, abundam regras e dogmas, de leste a oeste, de norte a sul; e falta Deus.

Pai, que ao respirar nos dá a vida, tenha piedade de nós.

Maria Lucia Solla é terapeura, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Carta à Dona Dirma

 

 

Corinthians 0 x 1 Grêmio

Brasileiro – Pacaembu (SP)

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Dona Dirma,

Como está a senhora ? Imagino que tenha tido um sábado bastante agradável, apesar da chuva forte em Porto Alegre.

Confesso que eu andava preocupado com a senhora, desde que seu filho me encontrou há pouco mais de uma semana e falou de um telefonema que a senhora havia feito para ele. Disse que não estava muito bem, voz baixa, um pouco triste, incomodada com o desempenho do nosso time.

Seu filho também não parecia muito legal. O baixo astral da mãe e os resultados do time dele – que não é o mesmo que o nosso – estavam deixando-o cabisbaixo, apesar do sucesso no trabalho que realiza aqui em São Paulo.

Em meio a um encontro de autoridades e especialistas, ele interrompeu o almoço e veio até minha mesa. Pegou-me pelo braço e me perguntou: “O que eu digo pra minha mãe ? O que está acontecendo com o Grêmio ?”. Nem tanto pela surpresa da pergunta, muito mais pelas coisas que aconteciam em campo (e fora dele), fiquei sem resposta. Ao menos, sem resposta convincente.

Lembro que ensaiei algumas possibilidades como a falta de organização do time, jogadores pouco engajados, gente não muito preparada para tomar as decisões e crença de mais na mística de nossa camisa. Nenhuma delas, porém, foi apresentada com a segurança que o momento solene exigia.

Saí daquele encontro pensando na senhora e no seu filho. É triste a gente não ter uma palavra de consolo para a mãe, ou um pensamento animador, ou um gesto capaz de oferecer esperanças de melhora.

Cheguei a começar uma carta para lhe explicar o que vinha acontecendo. Ou o que eu achava que vinha acontecendo. Deletei antes do primeiro parágrafo nas duas vezes. É Dona Dirma, agora as cartas são deletadas, não mais rasgadas como antigamente.

Pensei comigo: tem que haver algum sinal, um momento mágico capaz de virar as coisas a nosso favor; quem sabe um lance que me anime a escrever para a senhora sem que meus olhos fujam dos seus como fazem os meninos que contam lorota.

Fim de semana passado, quando fizemos o gol de empate contra o Botafogo no finzinho do jogo, cheguei a me entusiasmar. Mas resolvi esperar um pouco mais. Nesse meio de semana quando vencemos o Guarani em casa, achei que estava bom, mas ainda não era o ideal.

Hoje, Dona Dirma, a magia se realizou diante de nós. E logo aqui em São Paulo, onde seu filho trabalha há tanto tempo. Bem pertinho dele, para que tivesse oportunidade de pegar o telefone e contar à senhora de viva voz: “Mãe, eu vi !”. Sei lá se ele já teve tempo para ligar para sua casa nesta noite de sábado. Ou vai esperar o Palmeiras dele jogar amanhã.

Mas eu não tive dúvida de que o momento para lhe escrever era esse.

E comecei a pensar nestas linhas no momento em que Douglas carregou a bola em direção a defesa corintiana. A forma como ele conduziu a jogada, a maneira como se deslocou e apareceu diante do gol adversário, o movimento que fez para chutar longe do alcance do goleiro e a rede estufando no estádio do Pacaembu foram demais para mim.

Comemorei como nos tempos de menino, sozinho no meu quarto, com uma satisfação quase rídicula, distante de todos da casa, mas pensando na forma como a senhora deveria estar feliz, também, aí em Porto Alegre. Repeti os gestos e sentimentos ao assistir ao Vitor se esticar todo naquele cobrança de penâlti. E guardada suas dimensões, festejei cada despachada de bola de nossa área para segurar um time centenário e forte como é o Corinthians com apenas 10 em campo.

No apito final de um jogo interminável corri para o computador para lhe escrever. Hoje eu teria algo verdadeiro para lhe dizer. Uma resposta sincera, encorajadora, que a levasse a continuar acreditando no nosso Grêmio.

Pois agora que estou diante do computador fico pensando se ainda preciso lhe dar alguma explicação ou se seu filho precisa telefonar para lhe contar como foi esta vitória heróica, depois de tudo que o rádio já contou.

A senhora e seus 87 anos de torcedora gremista sabem mais do que ninguém o que acontece com o nosso time, o que nos leva a sofrer tanto um dia e vibrarmos como loucos no outro. Sabe quantos momentos de provação tivemos de enfrentar nestes 107 anos de história.

Dona Dirma, como a senhora mesmo já deve ter dito para tantas outras pessoas – inclusive para seu filho – isto só acontece com a gente porque somos o Imortal Tricolor!

Com carinho e respeito,

Mílton Jung