‘Eu lembro’: pra não esquecer em quem votei

 

Eu lembro

Você ainda nem escolheu seu candidato para deputado federal na próxima eleição, mas uma certeza nós temos. Daqui a um ano, muito provavelmente você já esqueceu o nome dele. Dele, do candidato a deputado estadual e do Senador, talvez. Talvez consiga guardar apenas sua escolha para Governo do Estado e presidente da República.

É por isso, entre outras tantas coisas, que a renovação no parlamento costuma ser pequena, apesar do mau desempenho dos políticos. Por terem estrutura partidária, visibilidade pelo cargo que ocupam, e maior facilidade para obter recursos financeiros, conseguem se sobrepor aos demais concorrentes e garantem a manutenção no cargo – mesmo que tenham tido um papel irrelevante.

Foi com base nesta realidade que, em 2008, lancei a ideia do Adote um Vereador, convidando o cidadão a controlar seu representante no decorrer do mandato, levantar informações sobre ele e publicar em um blog para compartilhar com o restante da sociedade.

Uma nova ferramenta surge, agora, para ajudar nesta tarefa. A rede social Eu Lembro – que entrou hoje no ar – permite o acompanhamento do desempenho dos políticos pela internet. Ao entrar na rede, o cidadão cria um perfil onde poderá cadastrar os candidatos em que pretende votar ou apenas monitorar. O voto ficará registrado por lá e o eleitor sempre que acessar a rede novamente terá à disposição todo tipo de informações sobre o parlamentar.

Haverá o perfil, também, dos candidatos onde serão publicadas notícias, tweetes, vídeos e biografias disponíveis no Wikipédia. Este material também pode chegar às mãos do cidadão através do e-mail cadastrado por ele.

Conheça o site, pense bem em quem votar e não deixe de acompanhar o desempenho do político escolhido. É a única forma de melhorar a qualidade do parlamento brasileiro.

Operário do partido, candidato desconhece suplentes

 

Candidato PCOA primeira surpresa foi antes de a entrevista se iniciar. O candidato ao Senado pelo PCO Afonso Teixeira Fo. disse que não sabia que ele somente havia sido indicado ao cargo uma semana atrás. O nome dele estava inscrito, inicialmente, para vice-governador de Anaí Caproni, e o candidato ao senado era João Dorta.

Foi o próprio Dorta, único colega de partido que o acompanhou na entrevista ao CBN São Paulo, quem tentou resolver a questão. O ex-candidato ao Senado e agora candidato a vice-governador sorriu, ensaiou uma explicação e encerrou o assunto com um “foi decisão interna do partido”.

A segunda surpresa – se é que eu ainda teria motivo para tal – foi quando, no ar, pedi para falar sobre os dois suplentes ao Senado que formam a chapa dele. “Não sei (quem são)”, disse de forma lacônica. Muito prazer, então: Osmar Pereira Brito e Nilson Nascimento Ferreira. Apresentados os nomes, justificou que para ele tanto faz quem sejam os camaradas e qual o cargo que está disputando: “O partido é quem manda, estou aqui para defender nossos ideais”.

Bandeiras que carregam o discurso da Revolução Russa de 1917, conforme fez questão de explicar de maneira detalhada. Neste momento, o objetivo maior, porém, é usar a eleição para criticar o sistema eleitoral, considerado pelo PCO ilegítimo. E dá um exemplo: apenas os principais candidatos a presidente tem espaço no debate eleitoral.

Tentei contrapor, questionando como seria possível colocar todos os candidatos em um mesmo programa. Afonso Teixeira não vê qualquer problema e justifica: no futebol os campeonatos são disputados com até 40 clubes. Uh!

Ouça aqui a entrevista completa com o candidato ao Senado pelo PCO Afonso Teixeira Fo.

Avalanche Tricolor: Virtude e riscos na volta de Renato

 

gol7Uma foto na última página do jornal Zero Hora me motivou a migrar do departamento de esportes para o de jornalismo, da rádio Guaíba de Porto Alegre, na segunda metade da década de 80. A imagem no alto e em quatro colunas tinha como destaque Renato Portaluppi, na época o principal jogador do Grêmio, fugindo dos jornalistas. Logo atrás aparecia eu, braço esticado, com um gravador de fita K-7 apontando na direção do atleta, a espera de uma palavra sobre a última encrenca na qual ele havia se envolvido.

Uma hora antes da foto ser registrada, o jogador tinha desembarcado no aeroporto Salgado Filho com a delegação do Grêmio, que havia sido goleado sei lá por quem, no Rio de Janeiro, no dia anterior. O resultado causou indignação na torcida que ficou revoltada com a atitude do atacante flagrado em uma boate, logo após a partida, entusiasmado de mais para quem tinha sido derrotado. Renato fugia dos repórteres para não ter de dar explicações.

Ao ver a imagem no jornal de maior circulação do Rio Grande do Sul pensei como era ridícula aquela cena. Não havia me formado em jornalismo para correr atrás de alguém que, se tivesse aceitado abrir a boca, não seria capaz de dizer nada de importante. Decidi que estava na hora de mudar de editoria. Foi o que fiz e não me arrependo.

Renato Portaluppi era auxiliar de padaria, em Bento Gonçalves, cidade serrana, onde começou a jogar futebol. Perdeu o emprego após atirar a massa no patrão que, consta, havia desrespeitado a mãe dele. Foi apenas a primeira atitude destemperada que conhecemos na história deste personagem do futebol brasileiro.

Logo que chegou ao Grêmio, com 20 anos, frequentava o Bar do Ramon, na esquina do estádio Olímpico, onde permanecia não para beber, mas para namorar. Com o tempo passou a frequentar casas mais famosas. Sempre gostou da noite e nunca escondeu esta preferência, mesmo que isto pudesse lhe prejudicar em campo.

No futebol, assim como fora dele, a disciplina nunca foi sua marca. Perdia a cabeça com facilidade e se envolvia em confusão. No auge de sua carreira, foi cortado da seleção brasileira de 1986 por não respeitar hierarquia, algo inaceitável para o rígido Telê Santana.

Com a bola nos pés era esta irreverência somada a qualidade técnica e força física que o levaram a ser dos maiores ídolos que o Grêmio já teve. Foi graças a uma dessas loucuras que, cercado por três defensores de um lado e espremido pela linha lateral do outro, decidiu dar uma balão para dentro da área e encontrou o centroavante César, autor do último gol do primeiro título da Libertadores. A inconsequência de sua personalidade se traduzia em jogadas alucinadas como quando, duas vezes, partiu para cima da defesa do Hamburgo e nos ofereceu o título Mundial, em 1983.

Apesar de todas as suas conquistas, nunca fui um fã de Portaluppi, seu ar prepotente e sua falta de respeito – mesmo tendo um gênio tão esquentado quanto o dele quando tive oportunidade de participar de alguma atividade competitiva. Porém, jogando, ele era excepcional.

Agora, está de volta ao Grêmio, levado não por seu conhecimento técnico ou capacidade como treinador, mas pela história que escreveu no clube. Ocupará a vaga não pela razão, mas pela emoção. Continua sendo um cara que não costuma falar coisas interessantes.

A virtude dele é trazer a torcida de volta e confiante para o estádio Olímpico, esta rapaziada que consegue empurrar o time para o gol adversário mesmo quando nos falta competência.

Renato terá 25 partidas pelo Brasileiro e, na melhor das hipóteses, mais nove pela Sulamericana, para driblar suas carências assim como fazia com seus marcadores. Talvez sejam jogos demais para viver apenas do passado.

Tenho muito medo desta aventura populista na qual o Grêmio se mete por não ter encontrado profissional mais bem preparado. No vestiário e ao lado do campo não há espaço para gênio explosivo ou maluquices, é preciso serenidade e conhecimento.

Como os deuses que escrevem o destino do futebol são caprichosos, quem sabe ao colocarem Renato no caminho do Grêmio não estejam apenas levando o Imortal Tricolor e seu eterno ídolo a protagonizarem mais um capítulo fascinante da literatura esportiva.

Torço por isso. E sei que vou sofrer.

PCO informa: sai João, entra Afonso

 

CBN SPApenas na tarde dessa segunda-feira, o PCO – Partido da Causa Operária confirmou participação na série de entrevistas com os candidatos ao Senado, por São Paulo, promovidas pelo CBN SP. Mesmo assim, anunciou mudanças no nome que representará o partido na eleição.

João Dorta que havia sido inscrito para disputar uma das duas cadeiras de senador, no dia 27 de julho, retirou sua candidatura e assumirá o posto de vice na chapa de Anaí Caproni, ao Governo de São Paulo; Afonso Teixeira Filho que seria o vice disputará o cargo de senador e estará, hoje, respondendo as perguntas, ao vivo, entre 10h45 e 11 horas, no programa.

O TRE, de São Paulo, confirmou que a mudança anunciada pelo PCO foi oficializada e está registrada no tribunal. No Rio de Janeiro, o partido teve problemas burocráticos e devido a falta de documentação viu todos os seus representantes terem as candidaturas negadas.

Nesta eleição, uma das causas defendidas pelo PCO é a redução na jornada de trabalho para 35 horas semanais.

Os ouvintes-internautas poderão fazer perguntas pelo e-mail milton@cbn.com.br e pelo Twitter (@miltonjung). Podem, também, publicar sua opinião ou questionamento ao candidato no espaço reservados aos comentários deste blog.

Acompanhe o calendário de entrevistas com os senadores:

09/08, segunda-feira, Ana Luiza Figueiredo Gomes (PSTU)
10/08, terça-feira, Afonso Teixeira Filho (PCO)
11/08, quarta-feira, Dirceu Travesso (PSTU)
12/08, quinta-feira, José de Paula Neto (Netinho)  (PCdoB)
13/08, sexta-feira, Romeu Tuma (PTB)
16/08, segunda-feira, Moacyr Franco (PSL)
17/08, terça-feira, Alexandre Serpa (PSB)
18/08, quarta-feira, Orestes Quércia PMDB
19/08, quinta-feira, Ciro Moura (PTC)
20/08, sexta-feira, Antonio Carlos Mazzeo (PCB)
23/08, segunda-feira, Antonio Salim Curiati Júnior (PP)
24/08, terça-feira, Ricardo Young (PV)
25/08, quarta-feira, Aloysio Nunes PSDB
26/08, quinta-feira, Marcelo Henrique (PSOL)
27/08, sexta-feira, Marta Suplicy (PT)

Faixa reversível faria ônibus andar melhor

 

FAIXA REVERSÍVEL

A opinião é de especialistas em mobilidade urbana, que defendem a medida até mesmo para desafogar o número de passageiros do sistema de trens de São Paulo

Por Adamo Bazani

A cena é comum em várias vias de movimento intenso da Capital Paulista. Uma longa fila de carros e ônibus ladeada por uma faixa do sentido oposto, demarcada por cones, onde carros de passeio com dois, no máximo, cinco passageiros, trafegam com mais tranqüilidade. Enquanto isso, o ônibus, com 30, 50, 70 ou mais de 100 passageiros fica parado no meio do congestionamento.

Boa parte dos especialistas em trânsito e transportes vê nessa imagem que ainda a política de mobilidade das grandes cidades, em especial São Paulo, privilegia o transporte individual.

A pergunta parece ser simples demais, a resposta mais ainda: Se o ônibus consegue transportar na rua ou avenida o equivalente a até 70 carros, dependendo do seu porte, por que ele não recebere a preferência e as faixas reversíveis não se transformam em corredores?

Os investimentos seriam os mesmos. Os mesmos cones, os mesmos horários, os mesmos agentes e o mesmo dinheiro servindo um número maior de pessoas.

E quanto aos pontos de ônibus? Como seriam os embarques e desembarques?

Aí que viriam as vantagens financeiras e operacionais do sistema. Com um número menor de ônibus, as empresas e a cidade poderiam atender uma demanda maior de pessoas que necessitam de deslocamentos diários. Isso porque, a transformação de faixas reversíveis em corredores poderia propiciar a criação de linhas semi-expressas, que lotam já nos terminais e podem percorrer o trajeto até o fim de maneira mais rápida, com menos paradas.

A lógica é tão simples que, além de dinamizar e baratear os transportes por ônibus, incentivaria o uso de transporte coletivo nos horários de pico.

Mas e os carros com dois ou mais ocupantes?

É a lógica da democracia. A maioria tem prioridade. Se um carro leva duas pessoas em 4 metros de comprimento, um ônibus leva isso em apenas um banco repartido, sendo que, no mínimo, um ônibus convencional oferece de 35 a 40 lugares.

Foi isto que pensou Enrique Peñalosa, prefeito de Bogotá, que implantou o Transmilênio, considerado um dos sistemas de corredores de ônibus mais modernos e eficientes, cujas obras começaram em 1998 e em 18 de dezembro de 2000 foram concluídas. “É a democratização do espaço público” – defende até hoje o colombiano.

Além do trânsito e dos transportes por ônibus, a utilização de faixas reversíveis como corredores de ônibus pode ajudar a desafogar o quase esgotado sistema. É o que revela reportagem do Jornal Agora São Paulo, publicada nesse sábado, 7 de agosto.

O texto de Willian Cardoso destaca o sofrimento dos passageiros da linha 11 Coral, da CPTM, entre Guaianazes, na zona Leste da Capital e o bairro da Luz, no centro. Entre 6h30 e 7h30 passam pela estação 21 mil passageiros, sendo que a capacidade de transporte é de 20 mil, de acordo com a própria CPTM. O número de pessoas transportadas aumentou de maneira considerável nos últimos 10 anos: em 2000 eram 25 mil passageiros contra 200 mil no pico.

Na ocasião, o jornal entrevistou o especialista em transporte público Horácio Augusto Figueira, que defende o uso das faixas reversíveis para ônibus.

“A superlotação dos trens da zona Leste é uma tragédia anunciada. Ele defende a transformação da faixa reversível da Radial Leste em um corredor expresso para ônibus biarticulados nos horários de pico”- escreve o jornal. Isso, para Figueira, poderia atrair parte dos passageiros dos trens para o ônibus, auxiliando na diminuição da superlotação das estações.

Não só a Radial Leste, como, na visão de estudiosos, outras faixas de carros poderiam ser transformadas em corredor. Em São Paulo, há mais de 15 faixas reversíveis, sendo que a minoria prioriza o ônibus.

A faixa para ônibus na estrada M Boi Mirim, na zona Sul, tem se mostrado uma alternativa interessante.

Adamo Bazani, busólogo e repórter da CBN

Conte Sua História de SP: Estrela que me guia

 

No Conte Sua História de São Paulo, Euro Ribeiro da Silva, natural de Igaraçu, Pernambuco, onde nasceu em 1945, de onde saiu 16 anos depois. Deixou os pais, seu Severino e dona Raimunda, e dez irmãos em busca de um objetivo: trabalhar na capital paulista.

No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Euro Ribeiro conta que a expectativa da família dele se continuase vivendo na terra natal era ser policial militar, como o pai, ou político. Não queria nem acreditava neste destino. Através de cartas enviadas às tias, conseguiu uma casa para ser recebido na capital paulista, no início dos anos de 1960.

Pra viajar até São Paulo, contou com a ajuda de um amigo da família, policial que nas horas vagas fazia carreto em um caminhão. Foram seis dias de viagem até chegar na cidade e desembarcar diante das lojas Pirani, no centro. Foi a partir desta região que passou a desbravar a capital, onde contou com a ajuda de uma estrela guia.


Para conhecer melhor esta história, ouça o depoimento de Euro Ribeiro

Você também pode participar deste quadro no CBN São Paulo. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

Candidata do PSTU defende fim do Senado

 

 

Ana Luiza PSTU A candidata a senador pelo PSTU de São Paulo, Ana Luiza Figueiredo, defende a extinção do Senado Federal e a revisão no número de deputados na Câmara, além de o aumento na participação popular nas decisões parlamentares. Ela foi a primeira convidada a participar da série de entrevistas promovida pelo CBN São Paulo, que irá ao ar das 10h45 às 11h.

Ana Luiza é funcionária pública e chegou sozinha ao estúdio, no centro da cidade, depois de desembarcar na estação Santa Cecília do metrô. Ao contrário dos principais candidatos, não trouxe assessores nem se apresentou com uma estrutura partidária. O PSTU tem pouco dinheiro e não pretende gastar mais de R$ 150 mil na campanha. Tão curto quanto a grana, é o tempo disponível no horário eleitoral. Os 15 minutos destinados a entrevista no CBN São Paulo é muito mais do que todos os candidatos do partido terão para falar no rádio e na TV.

Foi este o tempo que aproveitou para defender algumas das ideias socialistas que, segundo ela própria, são vistas com estranheza e preconceito pela população: calote na dívida pública, reestatização de empresas como a Vale, intervenção no sistema financeiro, entre outras.

Quanto ao fim do Senado, Ana Luiza entende que o fato de ter três vagas para cada Estado, independentemente do número de eleitores, provoca uma distorção na representatividade dos cidadãos. Ela é a favor do sistema unicameral.

Ouça a entrevista da candidata ao Senado pelo PSTU-SP, Ana Luiza Figueiredo.

Série com candidatos ao Senado começa com PSTU

 

CBN SPUm partido disposto a retomar as empresas privatizadas e estatizar o sistema financeiro, defender o reajuste mensal dos salários e congelar preços, tarifas e mensalidades escolares, assim como lutar pela redução da jornada de trabalho. Este é o PSTU de Ana Luiza Figueiredo, servidora do Tribunal Regional Federal, que abrirá a série de entrevistas com os candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo, promovida pelo CBN SP, que se inicia nesta segunda-feira, dia 9 de agosto, às 10h45.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados se apresenta nesta eleição com candidato próprio à presidência da República, Zé Maria, e ao Governo de São Paulo, Luiz Carlos Prates. E como neste ano estão em disputa duas das três vagas do Estado no Senado, o PSTU também lançou o nome de Dirceu Travesso.

Todos os 15 candidatos ao Senado foram convidados a participar das entrevistas com duração de 15 minutos que serão comandadas por mim e nas quais se pretende entender o que cada um deles propõe ao eleitor paulista. As suas perguntas também farão parte destas entrevistas e podem ser publicadas aqui no blog, enviadas por e-mail para milton@cbn.com.br ou pelo Twitter (@miltonjung), usando a hastag #cbnsp.

A ordem das entrevistas foi feita em sorteio do qual participaram representantes dos partidos políticos:

09/08, segunda-feira, Ana Luiza Figueiredo Gomes (PSTU)
10/08, terça-feira, João André Dorta Silva (PCO)
11/08, quarta-feira, Dirceu Travesso (PSTU)
12/08, quinta-feira, José de Paula Neto (Netinho)  (PCdoB)
13/08, sexta-feira, Romeu Tuma (PTB)
16/08, segunda-feira, Moacyr Franco (PSL)
17/08, terça-feira, Alexandre Serpa (PSB)
18/08, quarta-feira, Orestes Quércia PMDB
19/08, quinta-feira, Ciro Moura (PTC)
20/08, sexta-feira, Antonio Carlos Mazzeo (PCB)
23/08, segunda-feira, Antonio Salim Curiati Júnior (PP)
24/08, terça-feira, Ricardo Young (PV)
25/08, quarta-feira, Aloysio Nunes PSDB
26/08, quinta-feira, Marcelo Henrique (PSOL)
27/08, sexta-feira, Marta Suplicy (PT)

O novo formato das campanhas eleitorais

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Nos pleitos anteriores, logo na arrancada das campanhas, as cidades amanheciam “sinalizadas” com banners, pirulitos, faixas e cartazes. Por conta dos excessos, a propaganda eleitoral em bens públicos exigia a imposição de restrições porquanto a maioria dos candidatos abusava da liberdade e poluía passarelas, postes e calçadas. Mais que isso: não retirava o material após o pleito. A propaganda remanescia de um pleito para o outro, deixando o que já não era muito limpo e agradável ainda mais horrendo.

Entretanto, se agora não predomina a poluição visual, as significativas alterações introduzidas em 2006 e 2009 intimidam candidatos, coordenadores e demais partícipes do cenário eleitoral. Vigora um excesso de regulamentação que, além dos receios, estabelece irrealismo. Prova está que passado o primeiro mês das campanhas, as mesmas permanecem discretas. Afinal, a simples fotografia de um parlamentar, a necessidade de dois CNPJs na propaganda, de comitês obedecerem limites de pintura ou se saber se um apito é brinde, inibem a propaganda.

Noutro passo, regras estabelecendo que muros e painéis devam ser “espontâneos e gratuitos”, proibindo outdoors ou limitando a publicação de “santinhos” expressam anacronia. De positivo, ressalte-se a proibição de distribuição de brindes e o recente questionamento em torno da antecipação das campanhas junto às desincompatibilizações, eliminando o inseguro período das “pré-candidaturas”.

Relativamente aos registros, a Lei Complementar 135/10, severa porém necessária para a reconstituição da atividade política num sistema saturado, impôs um volume adicional de impugnações de candidaturas, as quais desaguarão no TSE tornando esta eleição mais judicializada do que as anteriores, sobretudo após as diplomações. Isto potencializa uma demasiada litigância em torno de mandatos populares, o que não é normal.

No tocante ao setor das doações, o empresariado, fonte previsível e frequente de recursos, mostra-se retraído e cauteloso. Pudera, visto que além da injusta e sistemática demonização que sofre, a referida LC 135/10 prevê a responsabilização de pessoas físicas e dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais reputadas ilegais, ainda que de baixa monta. Por conta disso, a atuação de contadores com experiência eleitoral é indispensável.

Sobre as prestações de contas, o extravio de uma nota fiscal, o não-lançamento de um pedágio ou a utilização de um cheque que não for da conta exclusiva da campanha, pode vulnerá-las e resultar na impugnação do mandato. Mais do que nunca, os candidatos devem manter um acervo completo e organizado de todos os documentos relacionados às receitas e gastos.

A ausência de razoabilidade ou mesmo bom senso na regulamentação das campanhas resulta tanto da superficialidade do Congresso Nacional no tocante aos projetos legislativos quanto do rigorismo de interpretações pela Justiça Eleitoral. O TSE, que deveria irradiar segurança jurídica e estabilidade, rompeu seu limite se convertendo em verdadeiro órgão legiferante a ponto de definir conceitos e direitos em pleno processo eleitoral.

Se a propaganda eleitoral se tornou burocrática e ofende a Democracia, se doadores de pequenas quantias são responsabilizados severamente, é porque falta harmonia entre os Poderes para equacionar este fato social. Campanhas e eleições são expressões máximas e soberanas da liberdade que merecem tratamento condizente à sua magnitude.


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Foto-ouvinte: Arte e rabisco na porta do Teatro

 

Tapumes, antes e depois

Os grafites que ilustravam os tapumes que estão em torno do Teatro Municipal de São Paulo foram “atacados” por cartazes mal-colados, conforme registrou o colaborador do Blog Marcos Paulo Dias. As duas imagens que você vê acima foram feitas por ele. A primeira há alguns meses quando as cores e traços chamaram a atenção dele, pois quebravam a monotonia da obra de reforma do teatro mais importante da capital. A segunda, dia 5 de agosto, quando os papéis colados sobre os desenhos lhe causaram uma reação negativa.