“A nossa marca de hoje só pode ser uma e com duas palavras: leia muito”
Jaime Troiano
Os livros têm papel fundamental na formação de todos os profissionais. Os gestores de marca não fogem dessa regra. É a partir deles que desenvolvemos conhecimento e nos inspiramos na busca de ideias inovadoras. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com os ouvintes sobre o tema e citaram uma série de autores que nos ajudam a pensar sobre branding — alguns são especialistas na área enquanto outros são geniais o suficiente para com suas palavras nos levarem a criar mais e melhor.
Jaime, por exemplo, mencionou a relevância da literatura em sua formação, incluindo autores como Machado de Assis, Fernando Pessoa, Dostoiévski, Eça de Queiroz e Jorge Amado. Ele também lembrou da extensa biblioteca de branding que mantém com a Cecília, que considera ser uma das maiores do Brasil sobre o assunto.
As seis dicas de Brad Vanauken
Um livro em particular foi lembrado pelos nossos comentaristas:“Brand + Aid,” escrito por Brad Vanauken, que oferece um guia prático para resolver problemas de marca e fortalecer o posicionamento no mercado. Os dois destacaram seis sugestões que estão no livro e podem nos ajudar a desenvolver a nossa marca:
1. Não reduza gradualmente a qualidade de seus produtos ou serviços com a intenção de reduzir custos.
2. Não se foque em resultados de lucratividade de curto prazo, para não comprometer os ganhos de longo prazo.
3. Reduza cada vez mais seus investimentos de comunicação. Isso é um perigo, é como treinar um peixe para ficar mais tempo fora da água.
4. Pense em branding e desenvolvimento da sua marca desde o início do processo, não apenas no fim.
5. Não estenda sua marca para outras categorias de produto, a menos que sua marca esteja muito saudável.
6. Evite mudar constantemente o posicionamento e as mensagens de sua marca, pois isso pode causar confusão e perda de vitalidade.
Uma biblioteca de branding
Vamos a lista de livros e autores citados por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
David Aaker – professor emérito de marketing da Haas School of Business na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e autor de “On Branding: 20 Princípios que Decidem o Sucesso das Marcas“,“Construindo Marcas Fortes” e “Relevância de Marca: Como Deixar seus Concorrentes para Trás”;
Kevin Keller – professor de Marketing da Tuck School of Business da Dartmouth College e autor de “Gestão Estratégica de Marcas”;
Gerald Zaltman – professor Emérito da Harvard Business School e autor e editor de 20 livros, um dos mais famosos “Marketing Metaphoria: What Deep Metaphors Reveal About the Minds of Consumers”;
Nizan Guanaes – publicitário e empresário brasileiro, autor de “Você aguenta ser feliz?: Como cuidar da saúde mental e física para ter qualidade de vida”
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo e vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã:
Tatyane Lucah em gravação do Mundo Corporativo, foto: Pricila Gubiotti
“O empreendedorismo é uma maneira de você remunerar a sua paixão”
Tatyane Lucah, Escola Brasileira de Empreendedorismo
Ser empreendedor no Brasil exige coragem, resiliência e uma série de outras habilidades para superar as barreiras que surgem na construção do próprio negócio. Se for uma empreendedora, haverá desafios ainda mais específicos, ressalta Tatyane Lucah, fundadora da Escola Brasileira de Empreendedorismo, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. Ela cita que a mulher está sujeita à “economia do Cuidado”, na qual, frequentemente, assume responsabilidades domésticas, precisa dar atenção aos filhos e até mesmo aos pais idosos.
Ela destaca que, de acordo com estatísticas de 2022, as mulheres têm 18% a menos de tempo disponível em comparação aos homens devido a essas responsabilidades. Tatyane enfatiza a importância de aprender a dividir o tempo entre tarefas urgentes, importantes e circunstanciais.
“Circunstancial é aquilo que dá para fazer? Ótimo! Não dá? Aprenda a dizer não. O urgente é você apagando fogo, você sendo uma empresária bombeira. E a questão do importante é, sim, meninas, sempre respeitem a sua agenda. Está na agenda, missão cumprida! Não está na agenda, não se culpe por não ter dado tempo ou não ter feito.”
Tatyane também discute como o empreendedorismo pode ser uma alternativa para as mulheres que buscam equilibrar suas vidas profissionais e pessoais, permitindo que elas sejam relevantes no mercado enquanto cuidam da economia do cuidado. Além disso, ela menciona a diferença entre empreendedoras e empresárias, ressaltando a importância da capacitação e da gestão empresarial para que as mulheres possam não apenas iniciar seus negócios, mas também torná-los bem-sucedidos e relevantes no mercado.
Uma Trajetória Empreendedora
A jornada de trabalho de Tatyane Lucah começou cedo, aos 11 anos, vendendo pastel na CEAGESP, com o apoio do pai. Aos 15, foi office girl em uma empresa que vendia molas para a Auto Latina (a junção da Ford e da Volkswagen). Posteriormente, trabalhou no SBT por dois anos antes de entrar na área de eventos.
Ela destaca a importância de seu pai e de um namorado que a incentivaram a buscar conhecimento e excelência em tudo o que fazia. Tatyane enfatiza que o conhecimento foi fundamental para acelerar o processo de crescimento e sucesso:
“Você quer dar certo, estude! Eu sei porque eu já ganhei muito dinheiro, já tive muito sucesso financeiro, mas por falta de educação empreendedora, eu já perdi muito dinheiro nesses meus 22 anos de empreendedorismo. E eu falo que é super desnecessário. Se eu tivesse o acesso à metodologia desenhada que eu tenho hoje, teria ido muito além.”
A partir dessa base de experiência, Tatyane fundou o Grupo Projeto Figital aos 21 anos, inicialmente como organizadora de eventos corporativos. Ao longo de 22 anos, expandiu a empresa para áreas como marketing digital, branding e logística, atendendo a clientes de grande porte, incluindo multinacionais.
Um dos principais aprendizados que Tatyane compartilha é a importância das conexões e do atendimento excepcional ao cliente. Ela enfatiza que as pessoas compram de pessoas, e a confiança e o relacionamento desempenham um papel fundamental no sucesso empresarial. Independentemente das barreiras que enfrentou ao longo de sua jornada, Tatyane sempre se concentrou no resultado final e acreditou que alcançaria seus objetivos.
A educação empreendedora é essencial
A ideia de fundar a EBEM – Escola Brasileira de Empreendedorismo surgiu de uma necessidade premente. Durante a pandemia, Tatyane viu seu mercado de eventos ser drasticamente afetado, perdendo contratos no valor de mais de 8 milhões de reais. Esse momento de crise a levou a refletir sobre o que poderia fazer para ajudar outras empresárias que estavam passando por dificuldades semelhantes.
Foi nesse contexto que ela decidiu criar uma metodologia e um curso digital chamado “Gestão Lucrativa”. No entanto, a economia do Cuidado e as preocupações decorrentes da pandemia fizeram com que muitas empresárias não conseguissem concluir o curso. Tatyane então adaptou a metodologia e trouxe um grupo de 20 empresárias para uma versão presencial do curso. Segundo ela, os resultados foram impressionantes, com empresas experimentando um crescimento significativo, incluindo escritórios de arquitetura, advocacia e varejo.
A fundação da Escola Brasileira de Empreendedorismo foi uma resposta à necessidade de oferecer educação e apoio às empresárias, focando em sua essência e bem-estar emocional como um primeiro pilar. Tatyane enfatiza que uma empresária bem cuidada é fundamental para o sucesso de seu negócio.
A escola oferece uma abordagem híbrida com aulas presenciais e online, incluindo um grande evento anual, formação em gestão lucrativa e uma mentoria de um ano chamada “Miss Mind” (Mente Mestra), onde a colaboração e a troca de experiências desempenham um papel fundamental no desenvolvimento das empresárias.
Desafios e princípios do empreendedorismo feminino
Na entrevista, Tatyane identificou três aspectos-chave para que as mulheres não repitam erros comuns na jornada empreendedora, que muitas vezes impedem o crescimento rápido de seus negócios.
Construção de Equipe: Ela enfatiza a importância de construir uma equipe sólida, destacando que um empreendedor não pode fazer tudo sozinho. Contratar as pessoas certas e atribuí-las às funções adequadas é fundamental. Tatyane recomenda a avaliação de perfis comportamentais ao contratar para garantir um encaixe adequado.
Treinamento: O treinamento é outra peça-chave do quebra-cabeça. Empresárias precisam estar dispostas a investir tempo e recursos no treinamento de sua equipe. Além disso, é importante gostar de pessoas e estar disposta a ensinar, pois o sucesso de um negócio depende em grande parte do engajamento e do encantamento dos colaboradores.
“Primeiro você constrói um time e esse time constrói a sua empresa. É um erro muito grande você achar que sozinha você vai construir o teu negócio. A contratação, o engajamento, o encantamento de pessoas vai fazer com que você se torne uma grande empresária”.
Liderança Inspiradora: Tatyane destaca que uma liderança inspiradora é essencial para capacitar e inspirar aqueles que buscam empreender. Ser congruente e autêntico em sua liderança é fundamental, pois as pessoas sentem a energia de um líder. Ela também faz um convite para que as mulheres adotem mais princípios femininos, como compartilhamento, co-criação e intuição, para equilibrar as energias masculinas presentes no mundo dos negócios.
Assista ao Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 22h, em horário alternativo. Você também pode ouvir em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Letícia Veloso, Renato Barcellos e Rafael Furugen.
Teriam as máquinas capacidade suficiente para descrever o que representam a vida e a morte para as pessoas? Descrever, talvez. Sentir, jamais. Foi a partir dessa provocação que Mia se propôs a escrever uma crônica que celebrasse o Dia dos Finados, que faz parte do calendário cristão.
Imagem criada no Dall-E
No cenário vasto da vida, há um dia que se destaca como um elo entre o presente e o além. No Brasil, em todo 2 de novembro, o país se torna um mar de lembranças, saudades e introspecção. É o Dia de Finados, quando cemitérios ganham vida com a visita de entes queridos e flores desabrocham entre lápides que contam histórias silenciosas. Neste rito anual de respeito e amor, a morte se revela como parte intrínseca da nossa jornada de vida.
Nas palavras de Jorge Luis Borges, ‘A morte é uma vida vivida. A vida é uma morte que vem’. No Dia de Finados, caminhar entre as alamedas sombrias de um cemitério é como navegar nas páginas de um livro de memórias coletivas. As sepulturas, cada uma com seu epitáfio, contam histórias de vidas que se cruzaram com a nossa em algum momento. Ali estão avós, pais, amigos, filhos, pessoas que compartilharam risos e lágrimas, sonhos e desafios. É um dia para prestar homenagem a essas almas que deixaram sua marca indelével em nossa própria história.
Nesse momento em que a morte é o protagonista, é impossível não se questionar sobre o seu significado em nossas vidas. Afinal, a morte é inevitável, um destino que todos compartilhamos. Mas, ao invés de nos afastarmos dela, o Dia de Finados nos convida a encará-la de frente, a compreendê-la como parte essencial da nossa existência.
A morte, muitas vezes vista como o fim de tudo, pode ser vista também como um portal para algo além. Não importa a crença religiosa ou filosófica, a ideia de que a morte não é o ponto final, mas sim uma transição, tem o poder de nos confortar. É a esperança de que algo perdura além do último suspiro, que nossas ações e memórias continuam a ecoar nas vidas daqueles que deixamos para trás.
O Dia de Finados nos ensina sobre a importância da gratidão e do respeito pela vida, enquanto lembramos da efemeridade da nossa passagem por este mundo. Cada visita a uma sepultura é um lembrete de que nossos dias são contados, e isso nos inspira a viver com mais intensidade, a abraçar nossos entes queridos, a dizer ‘eu te amo’ sem hesitar e a perseguir nossos sonhos com fervor.
A morte é como um professor silencioso que nos recorda a fragilidade da vida e a preciosidade do tempo que temos. Ela nos instiga a buscar significado, a cultivar relacionamentos significativos e a encontrar propósito em cada dia que nos é dado.
Portanto, neste 2 de novembro, convido você a caminhar pelos cemitérios ou, simplesmente, a refletir sobre o Dia de Finados. Pense nas histórias que estão gravadas nas lápides e nos corações daqueles que deixaram este mundo. Medite sobre o significado da morte na sua própria jornada de vida. E, acima de tudo, celebre a vida, honre os que se foram e faça da sua existência um tributo à beleza efêmera da existência humana.
Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade. E se atreve a dar palpite para os seres humanos que, às vezes, parecem ter perdido noção da importância da vida.
Festa do primeiro gol em foto de Richard Ducker/GrêmioFBPA
Toco tem 11 anos. Batizado Antonio, nasceu em Campinas e mora por lá. Os pais torcem para o Guarani e o irmão para o São Paulo. Um dia qualquer desses, ele avisou: eu tenho time, também, e meu time se chama Grêmio. De lá até hoje, nada foi capaz de demover seu desejo de ser gremista, que virou obsessão e hoje é paixão.
Conheci a história do Toco pela mãe dele, a Bianca Rosa, jornalista na EPTV, onde estive na manhã desta quarta-feira para conferir o investimento que a empresa faz em rádio e comemorar os 32 anos da CBN Campinas. Ela me mostrou a foto do menino vestindo a camisa tricolor, com a réplica do troféu da Libertadores em mãos e um enorme sorriso. Daquele tipo de sorriso que guardamos para a vida, como tantos que o Grêmio me permitiu ter pelas oportunidades que me ofereceu.
Essa coisa do futebol é curiosa. Nem sempre há uma razão lógica para a escolha que fazemos. O pai é verde, a mãe é preto e branco e, de repente, o filho se diz amarelo. Mais inexplicável é quando todos se apresentam vermelho e o piá teima que o melhor é ser azul. Quando se nasce na terra do time, a decisão parece fazer sentido. Quando se é um desterrado, como explicar? Afeição, simpatia, química, vi um dia e apaixonei. As mesmas justificativas que oferecemos quando alguém quer saber porque casamos com o companheiro ou a companheira amada. De verdade, não tem explicação. Acontece!
Foi assim na vida do Toco, na minha e na sua, caro e cada vez mais raro torcedor desta Avalanche. De repente você se percebe vibrando pelo gol marcado e sofrendo pelo gol sofrido. Acreditando no time mal treinado; se iludindo com a constelação de craque; sempre a espera de um milagre, mesmo quando você sabe que não se fez por merecer; ou frustrando-se pelas injustiças que a bola comete quando a vitória era tudo que seu time fazia jus. Ser fanático por um time de futebol é torcer para que ele não caia para a segunda divisão em uma rodada, é vibrar porque subiu para a primeira e, sem nenhuma razão, é acreditar que dá para ser campeão na seguinte.
Nós, gremistas, passamos por todos esses estágios nesses últimos tempos. Poucos dias atrás, maldizíamos a sexta colocação no campeonato; ontem, após mais uma vitória fora de casa — parece que aprendemos a lição ou será só ilusão? —, já comemorávamos a vaga a Libertadores; e, hoje, acordamos sonhando que é possível até ser campeão brasileiro. Já imaginou, Toco? Que loucura!
Essa história deve ser contada na primeira pessoa, não por prioridade, mas para expressar fielmente a realidade do sentimento. A generosa frieza da humanidade. Acordei lépido, depois de um sono, por minha consideração, longo, de cinco horas ininterruptas e o complemento posterior de mais três.
Um belo desjejum à base de frutas, sanduíche e o querido e esperado café, acompanhado de uma disposição incomum para a prática esportiva. O sentimento era de um senhor vigoroso, equilibrado e me lembro bem da atenção em manter o foco na minha pessoa.
Sai à rua em direção ao metrô Brooklin para cumprir um compromisso. O caminho se apresentava com uma energia colorida pelo sol forte, que esquentava o ambiente, mas o bem-estar interior se sobrepunha a qualquer pensamento negativo.
Entrei no espaço, comprei meu bilhete e caminhei em direção à plataforma. Sentia-me o melhor cidadão paulistano, admirando a simples educação popular nas escadas rolantes e o inesperado respeito ao entrar no vagão. Ambiente com lotação completa, o calor das pessoas era inevitável sentir, embora o ar-condicionado estivesse em perfeito funcionamento.
Subitamente, uma jovem se levanta me oferecendo seu assento. Sua expressão era de uma pessoa caridosa. Sinceramente, meu sentimento foi em direção oposta ao que eu sentia segundos atrás. Inesperadamente, tive a percepção de que transparecia a imagem de um frágil senhor, um idoso que carecia de um assento.
Agradeci, recusei e automaticamente olhei minha figura, que refletia na janela do veículo, e o esforço para encontrar aquele senhor vigoroso foi de certo modo desgastante. Passados alguns minutos, me desloquei para o centro do vagão, quando, acreditem, um senhor obeso, juro, bem obeso, se levanta para me ceder seu lugar.
Desculpem-me, mas é difícil demais andar em equilíbrio. Acho que vou comprar uma bengala para minha cabeça.
Ouça aqui o Conte Sua História de São Paulo
Marcelo Vieira Pinto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Ouça outros capítulos da nossa cidade no podcast do Conte Sua História de São Paulo.
Queremos comer açúcar e não inflamar nosso corpo nem engordar.
Queremos usar celular o tempo todo e não ter ansiedade.
Queremos estimular o cérebro até tarde da noite e dormir bem.
Esses são só alguns exemplos da nossa prepotência enquanto espécie humana.
Nós nos julgamos muito inteligentes, espertos, tecnológicos, avançados… e ficamos brigando com quem manda – a natureza.
Epidemias, catástrofes naturais, a parte sombria do ser humano que leva a ofensas, fome, guerras… isso tudo prova que quem manda não somos nós – “os grandes pensadores”, “a espécie especial”.
Temos sim algum poder de escolha das nossas atitudes; no entanto, a lei de causa e efeito é certeira e nos obrigará a sentir e viver as consequências de cada ato realizado.
E, para além do que nossa razão é capaz de compreender, existem fatores que não têm “explicação”, são “injustos”, mas ocorrem mesmo assim.
Então, perante essa clara realidade…
Até quando?
Até quando vamos nos desencaixar do que a natureza desenhou pra gente, insistir em fazer coisas fora do adequado e esperar um resultado “nada menos que perfeito”?
Coerência. Falta muito, pra nós, humanos dos tempos de hoje (talvez tenha faltado desde sempre). Não há colheita boa sem plantio de boas sementes, sem cuidado no cultivo, sem obedecer às leis universais.
Eu faço essa reflexão aqui dentro de mim e me pego nessa prepotência diversas vezes – faço um esforço (já que não é nada natural nem prazeroso) pra me corrigir.
Te convido a trabalhar a coerência, se encaixar no fluxo da natureza, agir de acordo com os resultados que deseja obter… Te convido a ser verdadeiramente esperto e estratégico ao caminhar pela vida e, assim, ser verdadeiramente dono de si e feliz.
A Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreva a convite do Blog do Mílton Jung
A força das marcas é um tema que tem ganhado cada vez mais relevância, especialmente no contexto do ambiente interno das empresas. Ao longo dos anos, a área de marketing, comunicação e branding costumava direcionar seu foco principalmente para o mercado externo, negligenciando muitas vezes a importância do que ocorria dentro das organizações. Esse cenário modificou-se, a despeito de algumas empresas ainda não terem percebido, como destacaram Jaime Troiano e Cecília Russo no programa “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”.
“A precipitação digital, a vontade de gerar resultados a curtíssimo prazo, a vaidade corporativa de não obedecer ao ritmo natural de evolução das coisas, tudo isso atropela o processo de amadurecimento interno da marca.”
Jaime Troiano
A necessidade de adotar um autêntico propósito
Um exemplo citado na conversa ilustra essa questão. Um conhecido relatou ter visto um comercial de um automóvel da empresa onde trabalha, mas só o viu na TV, demonstrando que, dentro da própria empresa, a comunicação interna sobre a marca estava sendo negligenciada. Isso reflete uma visão puramente comercial das marcas, que não considera seu papel coletivo e seu propósito interno.
Cecília e Jaime ressaltaram que, nos últimos anos, houve uma mudança significativa nesse cenário. Empresas orientadas por um propósito claro têm promovido uma maior integração interna, onde todos os colaboradores reconhecem o papel coletivo na construção da marca. Um exemplo notável disso é a empresa de chocolates, Dengo, que se destacou no mercado de forma rápida devido à adoção interna de um autêntico propósito.
A importância do RH na gestão da marca
Além disso, a gestão de marca tem envolvido cada vez mais a equipe de recursos humanos, que desempenha um papel fundamental na disseminação da cultura da marca entre os colaboradores. Exemplos como o da Cobasi, uma empresa que valoriza o alinhamento entre cultura, propósito e posicionamento, e a AEGEA, empresa de saneamento, que promove a ideia de “nossa natureza movimenta vida”, destacam como a gestão de pessoas desempenha um papel crucial na construção da marca.
“Nossa experiência nos últimos 10 anos, mais ou menos, tem nos levado a conviver com outros setores da empresa além da turma de marketing e comunicação. Um deles, em particular, que é a turma de gestão de pessoas, recursos humanos. Os nomes variam. Essa área, que tradicionalmente se concentrava apenas em operações mais burocráticas, hoje tem um papel central para quem quer que a marca seja cultivada e cresça saudavelmente.”
Cecília Russo
Portanto, a força das marcas reside principalmente no ambiente interno das empresas, onde a cultura, o propósito e o alinhamento com a estratégia são fundamentais. Essa força interna é o alicerce sobre o qual as marcas podem ser verdadeiramente respeitadas e, posteriormente, refletidas de forma autêntica no mercado externo. A mensagem é clara: o sucesso das marcas começa de dentro para fora, na integração e no comprometimento dos colaboradores com os valores e o propósito da empresa.
Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso
O comentário “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã, e é apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo.
Suárez comemora gol 550 na carreira, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
O Grêmio está de volta ao jogo. Não que tenha ficado longe dele em algum momento no campeonato. Mas havia perdido tração e corria o risco de deixar os principais adversários desgarrarem à frente na briga por vaga direta da Libertadores. As duas últimas vitórias nos devolveram à disputa — e é a esse jogo que me refiro na primeira frase desta Avalanche: o da classificação para a Libertadores.
Novamente, o Grêmio foi buscar o resultado depois de tomar o revés. No meio da semana, o feito foi muito mais difícil, considerando o potencial do adversário. Mas a vitória no início da noite deste sábado não deve ser desdenhada, mesmo que tenha sido contra o lanterna do Brasileiro. Por duas vezes atrás do placar, o Grêmio teve calma, brio e talento suficientes para chegar aos gols necessários. Um detalhe nada desprezível para a jornada gremista: duas viradas no mesmo jogo, disputado fora de casa, onde nosso desempenho tem sido pífio.
Diante da vitória em uma partida com sete gols e três viradas de placar, o comentarista Henrique Fernandes, da SporTV, foi perspicaz ao dizer que o Grêmio joga o “futebol entretenimento”. Na visão dele, fazemos a alegria dos apreciadores do jogo da bola, com a quantidade de gols que marcamos e levamos em uma só partida. Lembrou do 4 a 4 contra o Corinthians e do 3 a 2 contra o Flamengo.
Por curiosidade, conferi o placar das 30 rodadas em que o Grêmio participou no Campeonato Brasileiro. Em 19 delas foram assinalados três gols ou mais; em ao menos sete dessas, o resultado final teve cinco ou mais gols. As duas em que a rede mais balançou foram no empate contra o Corinthians, em São Paulo, oito gols no total, e na vitória por 5 a 1 contra o Coritiba, na Arena. Nessas estatísticas, também está registrada a goleada que sofremos do Palmeiras (4 a 1) no primeiro turno. Não por acaso o Grêmio tem o melhor ataque da competição (50 gols) e uma das piores defesas (45).
O que é entretenimento para os admiradores do futebol, é, na verdade, sofrimento para o torcedor gremista. O jogo de hoje foi uma montanha russa de emoções e sentimentos. Da certeza dos três pontos ao desespero por estar sendo superado por um dos adversários teoricamente mais fáceis da competição; da alegria de ver Suárez alcançar a marca de 550 gols na sua carreira, enquanto veste a camisa do Grêmio, à indignação pela facilidade com que os atacantes penetram na nossa área; do prazer da vitória à tensão pelo risco constante da derrota.
Ainda nos faltam oito partidas e quase dois meses até o fim da temporada, tempo suficiente para vivenciarmos os mais diversos sentimentos até garantirmos nosso retorno a Libertadores. O Henrique Fernandes, que foi meu colega no Sistema Globo de Rádio, quando fez parte da equipe de esportes da Globo/CBN BH — aliás, um ótimo comentarista —, e todos os demais admiradores do futebol terão muito para se divertir, assistindo ao Grêmio de Suárez e companhia. Quanto a nós, torcedores, resta lembrar de outro craque do microfone, Galvão Bueno: haja coração!
Gravação do Mundo Corporativo com Alberto Saraiva foto: Pricisla Gubiotti
“O mundo atual precisa de gente que tem a capacidade de controlar despesas. No passado, você se preocupava praticamente só com as vendas. As vendas eram muito aceleradas, as vendas eram muito fortes, então, você não precisava ser um grande administrador de despesa”.
Alberto Saraiva
Oferecer produtos a preços significativamente mais baixos do que a concorrência. Foi esse o caminho que Alberto Saraiva, português de nascença, encontrou para manter a padaria que o pai recém havia fundado no Belenzinho, região central de São Paulo. De verdade, Alberto queria ser médico, mas após um incidente trágico — o pai foi morto durante um assalto a padaria — viu-se obrigado a assumir o negócio para o qual não havia se preparado. Abandonou o curso e investiu na sua intuição para tornar a padaria possível em um bairro no qual a concorrência era enorme.
Alberto Saraiva é o fundador e presidente do Habib’s, um empreendedor de sucesso que construiu um império gastronômico a partir de uma jornada repleta de desafios e aprendizados. Sua história foi a inspiração para a nossa conversa no programa Mundo Corporativo, da CBN.
“O grande lance dessa padaria é que não tinha movimento nenhum. E eu não tinha como trazer cliente. Então, eu coloquei o pãozinho a um preço mais barato. Naquela época, o pãozinho era tabelado pela Sunab. Eu coloquei 30% mais barato que a tabela da Sunab. Meus patrícios diziam que o pãozinho não dava lucro”.
A importância de ter um carro-chefe
Com o preço mais baixo, a padaria de Saraiva ganhou uma clientela que foi fundamental para o sucesso do negócio: os “padeiros de rua”, que compravam o pão mais barato e, em seguida, revendiam para bares, botecos e condomínios, de porta em porta. A partir dessa experiência, Saraiva aprendeu a importância de ter um “carro chefe” em seu negócio, ou seja, um produto altamente popular e acessível. Ele enfatiza que, no início, não é necessário se preocupar muito com o lucro, pois ele é uma consequência natural do volume de vendas e da eficiência na gestão de despesas.
“Tente ter um produto que atraia o cliente pelo preço. Que tenha qualidade, que tenha aceitação do público. Carro-chefe é o seguinte: é um produto que você vende, que não tem rejeição, todo mundo quer, todo mundo procura. Então, se você consegue ter um produto desses com uma margem menor e consegue vender a preço acessível, eu diria que isso já é 70% do sucesso do negócio”.
Como o Habib’s se iniciou
A história do Habib’s teve início quando Saraiva encontrou um novo produto para impulsionar seus negócios: a esfiha aberta. Ao conhecer um senhor que sabia fazer esse prato tradicional árabe, Saraiva percebeu que havia encontrado seu “carro-chefe”, e lançou o Habib’s. O nome “Habib” significa “amigo” em árabe, refletindo a filosofia da empresa de oferecer comida a preços acessíveis e construir relacionamentos próximos com os clientes.
Para expandir sua rede de restaurantes, Saraiva adotou a verticalização, produzindo seus próprios ingredientes e controlando de perto a qualidade e os custos. Isso permitiu que o Habib’s mantivesse sua abordagem de preços acessíveis e qualidade consistente à medida que crescia.
A empresa tem de ser contaminada por seu líder
Bastidor da gravação do Mundo Corporativo foto: Priscila Gubiotti
Atualmente, o grupo de Saraiva inclui não apenas o Habib’s, mas também outras marcas como o Ragazzo, uma rede de comida italiana conhecida por sua coxinha, e o Tendall Grill, uma churrascaria que segue a mesma filosofia de preços acessíveis.
Saraiva destaca que um líder de sucesso precisa motivar sua equipe, estar constantemente inovando e cuidar das finanças da empresa com atenção. Ele enfatiza que é essencial acreditar em si mesmo e ter confiança em sua capacidade de realizar grandes feitos no mundo dos negócios.
“Quer dizer, o líder precisa ter sempre um projeto novo que motive as pessoas a tocar o existente. E sempre estar criando e inovando. Eu acho que isso são coisas que contaminam. Uma empresa precisa estar contaminada pelo seu líder”
É preciso estar atento às oportunidades
Além disso, Saraiva não tem medo de correr riscos calculados e acredita que o empreendedorismo é sobre aproveitar as oportunidades sem hesitação. Ele enfatiza que os empreendedores devem ter a determinação de seguir em frente, mesmo diante de desafios e incertezas. Por exemplo, a pandemia da COVID-19 trouxe novos desafios para o setor de restaurantes, mas Alberto Saraiva e sua equipe continuam a inovar e adaptar seus negócios para enfrentar essas dificuldades. Uma das soluções foi usar a infraestutura das cozinhas do Habib’s para produzir marmitas:
“O que que eu fiz: eu transformei um pedaço dessa cozinha numa cozinha da Mita. Então, eu uso toda a estrutura do Habib’s e tem uma marca digital lá que ninguém sabe que é do Habib’s nem de onde vai nem como é que vai. E com essas cozinhas, eu consigo fazer a expansão porque eu já tenho a infraestrutura montada. Então, a Mita em oito meses já tem 50 lojas, e agora chegamos a faturar R$ 12 milhões”.
Em resumo, a história de Alberto Saraiva e o sucesso do Habib’s são um testemunho da importância de acreditar em si mesmo, adotar uma mentalidade empreendedora e estar disposto a enfrentar desafios em busca de seus objetivos no mundo dos negócios.
Assista ao Mundo Corporativo
O programa Mundo Corporativo traz uma entrevista inédita todas às quartas-feiras, 11 da manhã, no canal da CBN no YouTube e no site da CBN. O Mundo Corporativo também pode ser ouvido em podcast, no Spotify. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Veloso, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
A casa ainda está lá. Quando nasci em meados da década de 40, ela era muito mais bonita. Um sobradão amarelo com quatro janelas dando para a rua. As do andar superior exibiam duas pequenas jardineiras lotadas de lírios azuis, paixão de vovó. Tempos diferentes aos de hoje. Nossa porta permanecia sempre bem aberta para facilitar a entrada dos parentes e dos vizinhos. O único telefone disponível naquela rua era o nosso, exceto um outro que pertencia ao Lourenço da mercearia.
Pois é. Nasci e cresci ali, numa rua ainda sem asfaltamento e quase nenhum trânsito. De minha porta, podia perfeitamente avistar a pequena igreja de São José do Maranhão, onde fiz a primeira comunhão. Tínhamos dias comuns e bucólicos, com o verdureiro passando logo cedo com sua carroça de frutas, legumes e verduras. Sentadinha no degrau da porta da rua, eu acompanhava a cantoria das donas de casa batendo suas roupas nos tanques e seu vai e vem com bacias equilibradas nas cabeças, em direção ao gramado, onde estendiam sua fileira de roupas alvas e humildes.
Por volta do meio dia, o cheiro de frituras variadas invadia o ar. Vovó fazia uns bolinhos de polvilho sensacionais. A infância que vivi difere completamente da infância atual.
Meu local para brincar e aproveitar a vida era a rua. Com um bando de garotos, eu desaparecia por entre recantos fascinantes do meu querido bairro do Tatuapé. Gozei de uma espetacular liberdade de movimentos, onde não se cogitava ainda da presença de quaisquer perigos.
Muito pequena, aprendi a me virar sozinha quando foi preciso estudar um pouco mais distante de casa. O velho bonde era meu meio de transporte favorito. Eu esperava por ele ali na Celso Garcia e seguia até o bairro da Penha, descendo no ponto final. O colégio religioso ficava logo atrás da igreja da Penha. Durante sete anos, fiz este percurso. Expandi minhas andanças tão logo comecei a fazer um cursinho pré-universitário na região central de São Paulo. Acho que foi nesta época que caí de amores pela minha cidade. Ao relembrar as ruas de minha São Paulo antiga, muitas vezes ainda sou tomada por uma emoção marcante e singular.
Fui uma pequena exploradora que percorreu com amor e curiosidade todas aquelas ruas que ainda mantenho vivas na arquitetura de minha mente. Tomei o famoso chá no Mappin da Xavier de Toledo. Fazia meus lanches na Leiteria Americana. Comprei meus vestidos de baile nas butiques da rua do Arouche. E como namorei! Namoros ingênuos, regados a músicas românticas e passeios de mãos dadas. Hoje, tenho três filhos, seis netas e um casamento com o companheiro que está aqui ao meu lado há cinquenta anos.
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Waldizia Moniz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.