Na mala do Heródoto (I)

 

A dois dias de voltar ao batente, após um mês navegando em alto mar em busca de novidades rejuvenescedoras, Heródoto Barbeiro já desembarcou na cidade e desfaz as malas. Durante esta semana, vamos mostrar para você os “gifts” que encontramos em posse do professor. E começamos com os objetos de desejo do mestre: as pantufas e chinelos de dormir. O modelo da foto foi comprado como solução para quem é obrigado a acordar de madrugada em vista da apresentação do Jornal da CBN. Só não descobrimos se é preciso deixar a pantufa ligada na tomada durante a noite.

Conte Sua História de São Paulo: Namorar no trânsito

 

Por Júlio Salles
Ouvinte-internauta

Ouça este texto que teve sonorização de Cláudio Antonio

Era linda aquela moça no carro ao lado. O trânsito da 23 me deixou parado e me permitiu prestar atenção naquele rosto. Havia cabelos loiros escorrendo até o pescoço. E um sorriso que interrompia o meu olhar.

Pelo balançar da cabeça, ela acompanhava a música em uma rádio qualquer. Ou seria um CD. O balanço era suave como o olhar dela que não se alterava mesmo com o buzinaço dos motoboys que cruzavam em alta velocidade entre os carros.

Pobres rapazes. Andam tão rápido, tem tanto a fazer. Que jamais saberão o prazer de estar preso no congestionamento ao lado daquela moça.

Apesar de próxima, e da minha insistência em olhar por entre os vidros do carro, ela não parecia perceber minha presença. Nada parecia perturbar a atenção que tinha em seus próprios pensamentos. O que estaria pensando ? No encontro que teria assim que chegasse ao seu destino. No namorado que acabara de ligar falando-lhe coisas de amor. No trabalho da escola. No trabalho do trabalho. Nas coisas da vida. que podem ser muitas coisas.

A fila em que ela estava as vezes andava mais do que a minha, e eu a mirava pelo espelho lateral do carro dela. Quando chegava minha vez, passava a frente e continuava a acompanhar seu rosto agora intermediado pelo meu espelho. Aquele jogo de espelhos a tornava ainda mais atraente.

Qual será o nome dela ? Janete, Valéria, Norma, Regina … Todos os nomes cabiam na minha imaginação. Todos combinavam com ela e aquelas bochechas levemente avermelhadas, cor que acentuava a maciez da pele.

Dava o azar de o trânsito melhorar mais adiante e eu quase a perdia de vista. Mas logo o engarrafamento conspirava a meu favor. E nós nos encontrávamos. Ou eu a encontrava, pois ela permanecia impassível dentro de seu carro, conduzindo sua própria vida, distante de todos a sua volta, apesar de parecer tão pertinho de mim.

Já havia uns 20 minutos em que meu namoro se iniciara ali na 23. Até que de repente, a luz da seta se ascende e começa a piscar, um carro sai pela direta, o outro pela esquerda e um tunel nos separa. Ela não olha pelo espelho retrovisor como eu gostaria. Eu sou obrigado a olhar para frente.

De onde vem e para onde vão estas moças bonitas do trânsito de São Paulo ?

Você também participa do Conte Sua História de São Paulo enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: Questão de fé

 

Botafogo 3 x 3 Grêmio
Brasileiro – Rio de Janeiro

 

Indulgência plenária é instrumento santo concedido pelo Papa aos fiéis católicos em situações especiais. Muitas vezes é confundida com perdão dos pecados cometidos, quando é, na verdade, a retirada da pena temporal por eles devida. Portanto, não apaga o erro, mas a conseqüência deste.

Por que estou me imiscuindo na seara religiosa neste espaço dedicado ao esporte ? Perdão, ao futebol. E do Grêmio.

Deixe-me explicar: neste domingo o último do mês de agosto, é data comemorativa na paróquia de Santa Suzana da qual sou participante, e em especial atenção a esta comunidade o Vaticano concedeu a indulgência plenária a todos seus. A missa foi às seis da tarde, em local onde em breve se iniciará a obra para a construção do complexo religioso que, atualmente, conta com centro de educação para mais de 300 crianças.

Foi lá que estive durante o fim da tarde e início da noite deste domingo, enquanto o Grêmio seguia sua via sacra pelos campos brasileiros. Carregando um cruz que parece pesada de mais aos que nos representam hoje, deu sinais de que estava pronto para acabar com esta impressionante marca de nenhuma vitória fora de casa durante todo o Campeonato.

Assim que cheguei em casa e liguei a televisão, uma bola sobrenatural superou o esforço de nosso goleiro e nos impôs uma pena que sequer posso avaliar ser ou não justa, pois nada mais assisti.

Seja como for, ainda assim estamos na luta pois nossas carências não são suficientes para nos afastar dos líderes e de nosso maior objetivo: a Libertadores. Apenas o desafio está maior. A saga, mais difícil.

Poderia consolar os fiéis tricolores dizendo que teremos de passar por este purgatório para alcançarmos o paraíso, mas não quero fazer nova analogia com a religião, pois se concordo em alguma coisa com meu colega Juca Kfouri é que estes dois temas não devem se confundir em campo. Apesar de ter a impressão de que estamos pagando pelos nossos pecados.

De vida desimportante

Por Maria Lucia Solla


Assista ao vídeo com a leitura deste texto pela própria autora

Tem gente que olha para a própria vida, compara com a de quem é notícia, e a vê pequena. Descolorida
Mas esqueça a vida pequena e veja uma grande pedra, em cena.

Vai carregada por homens que se curvam ao seu peso, e chama atenção; primeiro pelo tamanho, depois porque não é todo dia que a gente vê uma pedra dessas andando de lá para cá, na via certa ou na contramão.

Teria sido condenada a ser, para sempre, o pilar de seja lá o que for, ou teria sido condenada a, por algum tempo, deixar de ser pilar para ser arrastada para outro lugar?

A gente sempre tende a achar que tudo na vida é condenação. A tal da herança judaico-cristã do auto-flagelo e da comiseração.
Da culpa, da culpa, e da culpa.

Tudo isso é retrato do óbvio, eu sei, e é por isso mesmo que merece especial atenção, pensei.
O óbvio confunde; o óbvio distrai. Leva tua atenção embora, te conquista e te trai.
Reina soberano, feito senador sacano que se locupleta e lambuza, e do óbvio se serve e abusa

A desimportância atribuída a própria vida, acaba virando fato banal;
esporte nacional.

Como vai?
A gente vai levando… diz a canção.
Como Deus quer!
Assim, assim.
Eu mereço!

Ainda tem o esporte de achar que tudo na vida, se não é crime é castigo.
Quem foi que teve a ideia de acorrentar o prazer na masmorra de algum inferno gelado?
Sem sua intervenção, você, eu, todo mundo está condenado.
A sorrateira da culpa campeia solta, começa na mente e toma de assalto o coração.
E então, morre a esperança de redenção.

O fato é que temos, todos, a mesma importância, na tessitura da Vida. Entramos na sociedade com a única coisa que temos para oferecer: a vida. Também por isso é importante lembrar que

A DOR DE VIVER É IGUAL EM TODOS NÓS
… e a alegria também

Quantas vezes a gente perde o foco e sofre a dor do outro, ou regozija pelo sucesso alheio que parece já ter vindo pronto.
A gente segue a cartilha que encontrou esquecida
no banco do carona, depois da sua descida.

E aprende a lição alheia
que leva a tecer, do outro, a teia.
Luta noite e dia
e acaba de alma vazia.
Derrama lágrima estrangeira
e suspira suspiros quânticos
sem sentido,
de coração partido
Sem nome, só um número de RG
Com fome, cena triste de se ver

Tudo isso devido ao erro tamanho,
de ter largado, lá atrás, à beira do caminho,
o fardo da própria vida que considerou tacanho
em busca de quê? Do sonho do vizinho.

E você, sabe por onde e a quantas anda a tua vida?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, reescreve o livro “De bem com a vida mesmo que doa” em parceira com seus leitores no Blog do Mílton Jung – livro que respira em cada anotação deixada por você.

Selvaço

 Por Vinícius Leyser da Rosa

bicicleta estaciona

Um dia prometeram mudar a forma de se ver o mundo. Uma gaiola protege contra o vento e a chuva, uma série de alavancas garante o controle, um motor ligado às rodas impulsionam o conjunto. Com um pouco de trabalho, qualquer que fosse, todos poderiam juntar dinheiro o suficiente para ter condições de comprar aquela carroça sem cavalos, de 100 cavalos. Poderia se ir mais longe, mais rápido, com mais conforto, com menos esforço. Era uma idéia tentadora, digna do desejo de trabalhadores que precisavam carregar quilos e quilos de materiais por longas distâncias todos os dias, cansando exaustivamente a si próprios e a seus animais. Digna também, porém, da futilidade do sedentarismo antinatural que tomou conta da civilização. Não se cansa mais, não se sua mais, não existe mais esforço senão aquele cujo único objetivo é justamente não mais se esforçar.

Era uma manhã como outra qualquer, acordei cedo. Peguei meu veículo e logo parei para abastecer numa padaria que serve um ótimo combustível. De tanque cheio, tomei meu rumo. Nessa hora, as ruas parecem currais de rinocerontes, búfalos, hipopótamos, elefantes e até dinossauros. São todos grandes, brutos, pesados, fedidos e esfomeados. Comportam-se como seres irracionais que são, apesar de adestrados por seres teoricamente racionais. Ineficiência temperada a aço e óleo que um dia acabarão. Nas mais variadas formas e tamanhos, essas bestas preenchem cada centímetro dos vastos labirintos que uma vez foram criados para os animais humanos, estes que agora mais parecem presentes troianos. Nessa realidade animalesca, sinto-me um leopardo: leve, esguio, rápido, prático. Eficiência abastecida a arroz e feijão, renovados a cada estação. E um pouco mais racional.

Leia aqui o texto completo que foi sugerido ao Blog pelo ouvinte-internauta Alexandre Afonso

Banca do Choro no Mercadão

 

Banca do Choro no Mercadão

Desde a Virada Cultural, o Mercadão ganhou mais um espaço para a cultura musical da cidade, aos domingos. A Banca do Choro que já reuniu dos mais importantes nomes da arte paulistana está aberta, do meio-dia às duas da tarde, na praça de Alimentação, no andar térreo. O colaborador do Blog, Luis Fernnado Gallo esteve por lá semana passada, gostou do que viu e ouviu e convida a todos para que voltem amanhã. Na banca, em que o som do cavaquinho e do violão de sete cordas grita mais alto, já estiveram Paulo Vanzolini e Dona Inah. Neste domingo, é a vez do grupo Levando a Sério, com os irmãos Luiz Macambira e José Carlos Macambira, mais João Gilberto Macambira, Áries e Marcelo.

Como será a internet na rede elétrica

 

Preços mais baixos e facilidade de acesso; fiação ruim e interferência de sinal. Aqui estão os prós e contras da internet pela rede elétrica, autorizada nesta semana pelas duas agências reguladoras envolvidas no setor, a Aneel (energia elétrica) e a Anatel (telecomunicações). Comprado o serviço de uma operadora autorizada – que não será a própria companhia de energia elétrica, apesar desta ter o direito de explorar o serviço através de subsidiárias -, bastará ligar o modem na tomada elétrica de casa e o sinal chegará ao seu computador.

A velocidade da transmissão ainda é uma dúvida para quem pretende contratar o serviço. Mas isto também ocorre com o sinal da internet emitido por cabos como conhecemos atualmente. No Brasil, onde o controle é menor, quem paga por banda larga de 4 mbps recebe no máximo 2 mbps. Sobre esse assunto, aliás, lembro de entrevista com a advogada Estela Guerrini, do Idec, nesta semana, no Jornal da CBN, na qual ela recomendava os clientes do Speedy – serviço que voltou a ser vendido – a registrarem queixa caso não estivessem recebendo a velocidade contratada. Pois podem começar, pois ninguém, nem eu nem você, recebemos. E não precisamos ser clientes do Speedy para sermos vítimas desta irregularidade.

Não sou especialista no assunto, mas você pode medir a velocidade da sua conexão usando alguns serviços online como o SpeedTest.

De volta ao assunto original deste post, a internet por rede elétrica. Conversei com Maurício de Britto Longo, especialista e autor de livros sobre tecnologia de informação, que explicou como funcionará a “internet elétrica” que só deverá estar a nossa disposição no ano que vem:

Ouça a entrevista de Mauricio de Britto Longo sobre a internet na rede elétrica

Segunda-feira que vem, Ethevaldo Siqueira do Mundo Digital conversa com a gente sobre o assunto no Jornal da CBN.

Foto-ouvinte: A morte da árvore

 

Morte da árvore

Decepada, cortada, assassinada. Assim ficou esta árvore após a ação violenta de trabalhadores contratados não se sabe por quem para ‘aparar’ os galhos que deveriam estar incomodando alguém. A foto do colaborador do Blog Marcos Paulo Dias foi feita na rua Padre Adelino, próximo do Shopping Metrô Tatuapé, no bairro da zona leste de São Paulo.

Foto-ouvinte: Nuvem baixa em São Paulo

 

 

Difícil andar nas ruas da cidade no fim da madrugada devido a neblina e ainda mais complicado ficou a vida de quem precisava viajar pelos aeroportos da capital e de Guarulhos. O colaborador do Blog Armando Italo logo cedo registrou a nuvem baixa em São Paulo. A neblina foi tanta que logo cedo nem os buracos a gente conseguia enxergar.