Você gosta, cuida, demonstra amor. Então, você para e espera – O que será que vem por aí, o que vou ganhar de bom?
Vazio. Silêncio. Nada.
A pessoa só segue a vida, se arrumando no espelho, com olhos fixos no celular, fazendo o relatório do trabalho… Você espera mais um pouco, mais umas horas, mais uns dias… Vazio. Silêncio. Nada.
“Que ingratidão. Não valorizou meu esforço, minha dedicação. Isso não é amor.” – Esses pensamentos pulam na sua cabeça e martelam infinitamente (é ensurdecedor). Afinal, amor de verdade é quando é correspondido, dizem… Será?
O amor nasce de um sentimento de respeitar e gostar junto de uma decisão de cuidar e desejar o bem. Sim, amor é construção da pessoa dentro de si; ela tem um objeto-alvo ou uma outra pessoa-alvo, porém, o amor é dela e quem sente é ela.
As consequências boas do amor são o peito preenchido, o suspiro doce, a sensação de um cobertor aconchegante. Então, sentir o amor é bom, porque é bom. A gente sente e saboreia!
Você não precisa ser correspondido, não precisa que criem isso dentro de você – está nas suas mãos, no seu corpo… no seu coração.
Vamos aos exemplos…
Você se ama porque sabe da luta que trava todos os dias pra levantar da cama, resistir à preguiça, fazer coisas que precisa, mas não gosta;
Você se ama porque sabe da luta entre o bem e o mal, a generosidade e o egoísmo, a coragem e o medo… A luta entre a luz e a sombra que trava aí dentro, quando as coisas dão errado, quando se compara com outras pessoas, quando toma decisões sobre sua carreira ou seu relacionamento.
E, pelos mesmos motivos listados acima, você ama pessoas ao seu redor.
Você merece ser amado por resistir, por seguir tentando, por lutar pra ser melhor. As pessoas merecem ser amadas por isso também.
Não precisa de retorno. Não precisa ganhar algo em troca. É respeito, admiração, consideração: por si mesmo e pelos outros. É amor.
Então, se você amar e não vier nada em troca… Siga amando.
Ame soltando – Porque estar ali oprime e sufoca.
Ame colocando limites – Porque o outro precisa aprender e você precisa se manter íntegro.
Ame sendo você uma pessoa melhor – Seja compassivo, compreensivo e sábio e entregue o melhor ser humano possível, se colocando como referência e como eixo para outras pessoas que não sabem amar.
O amor verdadeiro não é correspondido.
O amor verdadeiro é autossuficiente, se preenche e se basta – É amor e ponto.
Não economize. Ame.
Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve este artigo a convite do jornalista Mílton Jung
Suárez em mais uma tentativa de ataque, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Foram 25 chutes em direção ao gol — quase o dobro do adversário. Foram oito chutes no gol — o dobro do adversário. Luis Suárez fez de tudo um pouco. Driblou, serviu, lutou e atacou. No segundo tempo, quando já mancava de um das pernas, mesmo sob forte marcação, chutou de primeira de fora da área e a bola bateu no poste de um lado, correu sobre a linha e bateu no poste do outro lado. Na sequência, mais um lance do nosso time, e a bola se chocou no travessão. Já havíamos testado por baixo, por cima, de fora e de dentro da área. Quando não era um poste, havia um zagueiro. Quando não tinha zagueiro no meio de caminho, era o goleiro a impedir nosso gol – convenhamos, é para isso que estão lá.
Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Ao contrário do adversário que o que fez, fez bem. Nós fizemos muito. No primeiro tempo, menos. No segundo, mais. Nem assim fomos capazes de abrir o placar a nosso favor. Sair do Maracanã com um empate já teria sido lucro, considerando a pressão do estádio, o embalo do time da casa e o gramado mal acabado. Seria suficiente para nos manter entre os quatro primeiros antes da parada de 10 dias da competição. Não conseguimos. Perder estava na conta, também. Ninguém imaginava que seria fácil. Não precisava ter sido com esse placar elástico.
Assim como tem dia que não entra, tem árbitro que não ajuda. Pior, atrapalha! É caseiro. Passa pano para os de casa, pune com rigor o forasteiro. Eu não daria o pênalti reclamado, em que a bola bate na mão do zagueiro. Mas várias vezes, fomos vítimas dessa interpretação. Erraram contra nós nas vezes anteriores. Não erram a nosso favor ou contra eles. Faz parte do jogo e a gente sabe que o jogo tem de ser jogado assim.
Além disso, precisamos aceitar que neste campeonato também ganhamos partidas sem ter o mesmo volume de jogo do adversário.Portanto, ganhar ou perder é da vida. O importante é entender o que pode ser aproveitado daquilo que fizemos no Maracanã, investir mais para consertar os erros de marcação, aprimorar o acabamento das jogadas e torcer para que tenha sido hoje — e apenas hoje — o dia em que a bola fez um trato com o Diabo.
Bastidores da gravação com Luiz Calina, em foto de Priscila Gubiotti
“O preconceito é quebrado através do encontro da experiência do diálogo. Então, o diálogo acaba sendo uma das partes mais importantes do assunto”
Luiz Calina
“Contrato e depois não posso demitir?”. Eis aí uma preocupação se não legítima, bastante comum entre empregadores desafiados a contratarem pessoas com deficiência. A pergunta é apenas um dos muitos mitos que tornam a presença de cegos — e não apenas cegos — bastante limitada em ambiente de trabalho. Para começar bem essa conversa, então, vamos logo a resposta que Luiz Calina, entrevistado do Mundo Corporativo, me deu:
“Você contratando a pessoa certa para o lugar certo, ela tem que ter performance. Ah, e se não tiver, como é que eu vou fazer para demitir? Como você demite qualquer um. Suporte que a pessoa não tá performando, não tá entregando o resultado, e troque por outra pessoa, talvez outra pessoa com deficiência, mas que tenha interesse em trabalhar”
Tirada essa “barreira” da frente desse seu caminho de descrença, vamos às demais informações: Luiz Calina é sócio diretor da Calina Projetos. Ela comanda a produtora que está à frente do projeto “Diálogo no escuro” que tem se destacado como uma iniciativa pioneira que visa promover a inclusão dessas pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho. Esse tem sido um tema cada vez mais relevante e atual.
Criado na década de 80, na Alemanha, o projeto já percorreu mais de 170 cidades em 47 países, proporcionando uma experiência única aos participantes. No Brasil, chegou em 2015 e desde então tem se estabelecido como uma referência no combate ao preconceito e na promoção da diversidade.
O “Diálogo no escuro” consiste em uma exposição e um workshop, ambos realizados em ambientes totalmente escuros. Na exposição, os visitantes são guiados por pessoas com deficiência visual, simulando diferentes espaços urbanos. Através da audição e do tato, os participantes são desafiados a reconhecer e interagir com o ambiente. Já no workshop, os participantes realizam atividades no escuro, promovendo a reflexão e a superação de desafios.
O objetivo do projeto é proporcionar uma experiência imersiva que quebre preconceitos e estigmas em relação às pessoas cegas. Ao se depararem com a vulnerabilidade do escuro, os participantes são levados a repensar suas percepções e a desenvolver empatia em relação às pessoas com deficiência visual.
De acordo com Luiz Calina, os resultados do projeto têm sido positivos, com feedbacks que demonstram uma maior sensibilização e consciência por parte dos colaboradores das empresas envolvidas. A experiência no “Diálogo no escuro” proporciona descobertas surpreendentes e estimula a busca por recursos e soluções, mostrando o potencial das pessoas em enfrentar desafios.
Aos empregadores que se preocupam com o fato de ter um cego na sua equipe de trabalho e a necessidade de ter despender mais tempo do que o normal para que ele realize suas funções ou tenha de escalar um colega para ajudá-lo, Calina lembra a história que inspirou o projeto, lá na Alemanha, nos anos de 1980. O filósofo Andreas Heinecke recebeu a incumbência de orientar um estagiário cego que integraria sua equipe. Logo pensou que haveria a necessidade de colocar alguém em apoio para que o novo funcionário exercesse suas atividades. Surpreendeu-se ao descobrir que, apresentado ao espaço físico e explicadas suas funções, o colega tinha total autonomia.
“Eu estou aqui no estúdio da CBN. Não sei onde é o banheiro. Alguém vai ter que me mostrar a primeira vez e depois eu vou saber. A única diferença é que talvez a gente chegue ali na porta e alguém me aponte: “Ó, ali é o banheiro!”, e eu já vou saber. A pessoa cega você tem que levar e de preferência até você abre a porta do banheiro e fala “aqui está a cabine, tem a parte do mictório, tá bem em frente, a pia tá pra direita e o papel toalha tá à esquerda”. Se você fizer isso você vai ajudar bastante a ele, porque ele não não tem condição de ver. Só que isso é a primeira vez. Depois, tá tudo resolvido A única diferença é da primeira vez não indicar com a mão, é preciso levá-lo até o local. Depois, tá tudo resolvido”
Apesar dos avanços, ainda há muito desconhecimento e falta de educação sobre a realidade das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A lei de cotas estabelece a obrigatoriedade de empresas terem um percentual de colaboradores com deficiência, mas muitas vezes o cumprimento dessa lei é feito com pessoas com deficiências menores, que requerem poucas adaptações.
No entanto, empresas comprometidas com a diversidade e inclusão estão no caminho certo, promovendo a inclusão efetiva de pessoas com deficiência visual. Além de ser uma ação socialmente responsável, a inclusão traz benefícios para a empresa, como o reconhecimento da marca, o engajamento dos colaboradores e a ampliação do público consumidor.
“Então, se você tem um time bastante diverso para buscar novos produtos, você vai atender um número maior de possíveis consumidores, que eventualmente se você estiver em uma bolha; vamos dizer todo mundo igual ou na direção ou na área de marketing, talvez você não pense nesses outros consumidores que também vão fazer diferença no seu mercado consumidor”.
Portanto, a inclusão de pessoas com deficiência visual no mercado de trabalho é uma questão que vai além da obrigação legal, é uma oportunidade de promover a diversidade, quebrar preconceitos e construir um ambiente mais inclusivo e igualitário. O projeto “Diálogo no escuro” está com duas exposições, em São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital paulista, está na Unibes Cultural, da Oscar Freire, 2.500, e no Rio, está no Museu Histórico Natural, na praça Marechal Âncora, no Centro.
Para conhecer mais sobre como funcionam as exposições e o workshop Diálogos no escuro”, assista à entrevista completa no Mundo Corporativo, que tem as participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Guilherme Muniz.
Nasci em São Paulo e passei minha infância e adolescência na pequena Tambaú, no interior do estado. Voltei à capital, em 1978, quando passei no vestibular para cursar biblioteconomia, na Escola de Comunicações e Artes da USP. Durante o curso, estagiei em uma das bibliotecas universitárias do campus do Butantã e não sai mais daqui.
Venho todos os dias para a USP, desde 1978, ora trabalhando em bibliotecas, ora em arquivos; e é sempre uma alegria adentrar ao campus pela avenida principal e observar as árvores majestosas que ladeiam a passagem e, muitas vezes, escondem os prédios das diversas faculdades.
Trabalhar no campus tem essa magia de estar vivendo dentro de um parque. As sibipirunas, árvores enormes que estão por toda a Cidade Universitária, com seus troncos cobertos de hera, sustentam em seus galhos bromélias onde bandos de periquitos fazem ninhos. Em agosto, cobrem-se de flores amarelas, avisando que a primavera vai chegar e depois fazem um tapete no asfalto, quando suas flores caem. Das árvores que dão flores temos também o flamboyant, a quaresmeira, o ipê , a cerejeira japonesa…
Temos também pés de jaca, goiaba, pitanga, amora e, cada uma a seu tempo, dá frutos que fazem a festa, tanto daqueles que circulam pelas avenidas, como dos papagaios, periquitos, carcarás, tucanos, quero-queros, canarinhos, corujas, saguis e teiús que convivem livremente por toda parte.
Na avenida dos bancos, próximo ao prédio da Matemática e da FAU, temos diversas árvores da mata Atlântica. Nessas árvores foram colocadas placas que identificam as espécies: ipê-rosa, pinheiro bravo; aroeira mansa; canela–amarela; sambacu e muitas outras, que vamos conhecendo e aprendendo o nome à medida que caminhamos.
Além das árvores espalhadas pelo campus, temos também alguns parques internos como o Bosque da Física com sua pista de caminhada; o Jardim Japonês, próximo do Instituto de Biociências; o Bosque da Biologia, na rua do Matão; e a Raia Olímpica, que além das árvores abriga uma família de capivaras.
A USP é famosa pela qualidade do ensino, das pesquisas que produz, de suas bibliotecas e seus acervos documentais e de artes, mas para mim o que mais me encanta é poder, morando em São Paulo, conviver com essa natureza exuberante todos os dias.
Dina Elisabete Uliana é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem de São Paulo. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo
Tenho uma ótima notícia para compartilhar com você – especialmente se estiver em Brasília. No dia 13 de junho, às 19h, estaremos lançando, em parceira com a ENAP, o livro “Escute, Expresse e Fale! Domine a comunicação e seja um líder poderoso” (Editora Rocco), e tenho certeza de que será uma ferramenta valiosa para aprimorar suas habilidades de comunicação e liderança.
O livro foi escrito por mim, juntamente com meus colegas António Sacavém, Leny Kyrillos e Thomas Brieu. Nossa intenção é compartilhar ideias e estratégias práticas para ajudar você a se destacar nesses aspectos tão importantes no mundo atual.
Para celebrar o lançamento, estarei presente no evento para uma palestra sobre o tema central do livro: comunicação e liderança, ao lado de Thomas Brieu. É uma oportunidade única para trocar ideias e aprender com as experiências compartilhadas.
Vale destacar que a Biblioteca do Futuro (BdF), um projeto da Enap, está por trás dessa iniciativa. A BdF busca transformar o conceito tradicional de biblioteca, tornando-a um espaço de colaboração, construção de conhecimento e inovação. A crença que move seus organizadores é que cada pessoa é um acervo de sabedoria, e é com base nessa premissa que promovem a discussão sobre o futuro das bibliotecas.
Gostaria muito de contar com sua presença no evento e de compartilhar esse momento especial com você. As vagas são limitadas, então não deixe de se inscrever o quanto antes. Faça sua inscrição aqui e garanta o seu lugar.
Logo após nosso bate-papo, teremos uma sessão de autógrafos para aqueles que desejarem comprar um exemplar do livro “Escute, expresse e fale!” e ter um momento de interação pessoal com os autores.
A data do evento é 13 de junho, terça-feira, às 19h, na Biblioteca da Enap, em Brasília.
Tenho certeza de que será uma noite inspiradora e enriquecedora.
“A culpa já vendeu e continua vendendo bilhões e bilhões de reais para as respectivas empresas”
Jaime Troiano
No universo das marcas, há uma tática que tem se mostrado extremamente eficaz para impulsionar as vendas: a exploração da culpa. Por meio de mensagens sutis, as empresas colocam a responsabilidade e a vergonha nos ombros dos consumidores, induzindo-os a comprar produtos ou serviços como forma de aplacar esse sentimento. É o homem que olha com inveja para o carro novo do vizinho; é o filho que pede para descer longe da porta da escola por causa das roupas da mãe; é o colega de trabalho que fala escondido ao celular porque seu modelo é ultrapassado.
Este é um tema recorrente e delicado no branding. Muitas marcas se valem dessa abordagem, apelando para os sentimentos de responsabilidade dos consumidores. É preciso ter consciência do impacto dessa estratégia na sociedade e no comportamento de compra. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo alertaram para os riscos éticos que esta abordagem gera e a importância de se estabelecer limites para não manchar a imagem das marcas.
O uso da culpa como estratégia de marketing não é uma novidade. Desde a década de 80, comerciais têm sido criados com o intuito de enaltecer produtos ou serviços, ao mesmo tempo em que jogam a responsabilidade para o lado do consumidor. Um exemplo emblemático é o comercial da marca Mistral, no qual o icônico Clodovil aconselhava uma noiva a não se casar cheirando como um homem (veja o vídeo deste post). Essas abordagens, embora controversas, geraram e continuam gerando bilhões de reais para as empresas, mostrando que a culpa ainda é um poderoso fator de persuasão.
“E por que a culpa vende? Porque de certa forma o consumo é uma forma de aplacar essa culpa, tapar esse buraco.”
Cecília Russo
Um caso que teve menor projeção, porque não estava na mídia, mas causa enorme indignação a quem deparou com ele foi identificado pela própria Cecília Russo em visita a uma escola no bairro de Sumaré, em São Paulo. A diretoria achou por bem exibir na porta uma placa com os dizeres: “Mãe, faremos pelo seu filho tudo o que você faria se não tivesse que trabalhar”. Essa mensagem cutuca diretamente a culpa das mães que precisam trabalhar fora e ressalta a importância de refletir sobre os limites éticos dessa estratégia.
“Um soco na cara. Cutucar a culpa!”
Jaime Troiano
A publicidade também se utiliza de situações cotidianas para despertar esse sentimento nos consumidores. Há comerciais famosos que retratam indivíduos sendo julgados por suas escolhas ou posses materiais. No passado, havia um produzido para o Banespa — banco público já extinto – no qual um homem com roupas extravagantes e correntes de ouro no pescoço pisa no pé de uma moça, que pensa: “acho que ele não tem cheque especial Banespa”. Essas mensagens reforçam a ideia de que o consumo é uma forma de aplacar a culpa.
Apesar do potencial lucrativo da estratégia, é fundamental que as marcas ajam com responsabilidade e estabeleçam limites claros para não serem lembradas apenas por manipularem sentimentos íntimos das pessoas, especialmente em um mundo cada vez mais patrulhado e atento às questões sociais.
Ouça o comentário completo do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:
Cristaldo comemora o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Vencer era preciso. E o Grêmio venceu. Poderia ter sido mais bem resolvido pelo que mostramos no primeiro tempo. Porém, foi necessário virar o placar e ser resiliente durante os 54 minutos que duraram o segundo tempo da partida — tempo em que mais sofremos, até mais do que naqueles primeiros minutos de jogo em que levamos um gol em uma rara escapada de contra-ataque que não conseguimos impedir. Naquele momento, havia superioridade técnica do Grêmio e a dúvida era apenas quando sairia o gol de empate — empatamos e viramos.
Voltamos a sofrer para ficar com os três pontos, mas o que ouço nos botecos da cidade e nas resenhas esportivas é que saber sofrer é um mérito. E o Grêmio tem sabido. Hoje, o recuo da marcação para próximo da nossa área — que nunca sei se é tático, se é físico ou se é casual — fez com que tivéssemos de esperar até o apito final para comemorar a vitória que confirma nossa ascensão e nos coloca de volta no G4. Enquanto o jogo não se encerrava, o risco de uma sobra de bola ou chute desviado em direção ao nosso gol era enorme.
O jeito gremista de sofrer nessas últimas partidas tem aparecido, porém de forma controlada. Deixando a bola com adversário — mais do que eu gostaria — mas sabendo travar a jogada, fechar os espaços, sendo dominante nos cruzamentos sobre a nossa área — a despeito do vacilo no gol que tomamos — e se der, mas apenas se estiver muito certo de que dará, tentamos o passe e a aproximação. Não é o melhor jeito de se jogar, mas é funcional, especialmente diante de adversários que também têm dificuldade de armar o jogo.
A defesa dá sinais de que se acertou com os três zagueiros e, hoje, os laterais conseguiram aproveitar bem essa estratégia, com os dois se soltando pelos lados do campo, chegando no ataque com perigo, tabelando com os homens de meio e até marcando gol — foi o caso de Reinaldo que recebeu um passe adocicado de Luis Suárez, bateu forte e contou com a colaboração do goleiro adversário. Antes já havíamos empatado em outra jogada que passou pelos lados do campo e acabou centralizada para uma sequência de chutes de fora da área que resultou no pênalti bem cobrado por Cristaldo.
Alguns nomes voltaram a brilhar. E precisamos começar a lista por Kannemann que foi dominante na área. Fábio e Reinaldo fizeram muito bem suas funções. Villasanti cobre todos os lados, assim como Bitello aparece para tabelar por todos os lados. Cristaldo além do gol teve a oportunidade de ampliar após receber um passe magistral de Suárez. E Suárez, bem, esse é gênio e a cada movimento que faz no campo a expectativa é saber o que ele vai inventar para se desvencilhar de um marcador, que tipo de chute vai dar em direção ao gol ou qual a solução que buscará para dar assistência ao colega mais bem posicionado — foi assim que chegamos a vitória.
O Grêmio tem sofrido e tem vencido. E com sofrimento e vitorias seguimos em frente na Copa do Brasil e firme e forte em direção ao topo da tabela do Campeonato Brasileiro.
Nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto de Priscila Gubiotti
“Cada vez mais é importante que a sociedade se mobilize porque é dessa forma que a gente vai transformar a potência do jovem numa realidade para o país”.
Julio Campos, Movimento Jovens do Brasil
A população brasileira está prestes a assistir uma transformação no seu perfil demográfico. Atualmente, ainda temos uma quantidade enorme de jovens e adultos com potencial de levarem o país ao crescimento econômico e a dar um salto de qualidade. É o que os técnicos chamam de “bônus demográfico” — mais jovens e adultos do que idosos e dependentes da Previdência Social. Haverá, porém, uma queda expressiva da população e o aumento no número de idosos se acentuará — e diante dessa transição virá o “bônus demográfico”. Mais gente sendo sustentada pela Previdência, menos produzindo.
Temos uma janela de oportunidade se fechando e será preciso investir fortemente na juventude para inserir essa população no mercado de trabalho. Esse é um dos desafios do Movimento Jovens do Brasil uma iniciativa de Luiza Helena, do Magazine Luiza, e de Julio Campus, CEO da Compra Agora, que surgiu em 2018. Entrevistado pelo Mundo Corporativo, Julio disse que a educação é o fator primordial para inclusão dos jovens, oferecendo-lhes escolhas e preparo adequado.
“O acesso à educação e às oportunidades são fundamentais para que os jovens possam avançar em suas carreiras”.
O movimento tem como objetivo oferecer treinamento de habilidades técnicas, cognitivas, emocionais e sociais aos jovens, capacitá-los para que se tornem agentes de transformação na sociedade, conectá-los a oportunidades de trabalho e promover o diálogo entre gerações, unindo jovens e jovens por mais tempo — expressão que a instituição usa para identificar os mais velhos que se dispõem a colaborar nessa transformação.
Dentro do Movimento Jovens do Brasil, são trabalhados quatro pilares essenciais: desbravar, transformar, conectar e dialogar. Através dessas trilhas, o movimento busca fortalecer os jovens e prepará-los para o mercado de trabalho. A trilha do desbravar engloba a capacitação técnica, cognitiva e emocional. Já a trilha de ser um agente de transformação convida os jovens a exercitar um pensamento crítico sobre políticas públicas e seu papel na sociedade. O movimento também conecta os jovens às oportunidades de trabalho e cursos disponíveis. Por fim, a promoção do diálogo intergeracional fortalece tanto os jovens quanto aqueles que já têm mais experiência, incentivando a compreensão mútua.
Júlio também destaca a importância da mobilização da sociedade em auxiliar os jovens, especialmente aqueles que vivem em áreas periféricas, a superar as barreiras e alcançar seu potencial máximo. É importante destacar que o Movimento Jovens do Brasil busca formar jovens multiplicadores, capazes de impactar positivamente suas comunidades. Através do voluntariado e do entendimento de seu papel como cidadãos, esses jovens podem devolver ao seu território as oportunidades que receberam.
“Acho isso extremamente potente. Porque você traz gente que fala a linguagem dos seus semelhante, do seu igual, ele entende aquela realidade. Então, ninguém melhor do que ele para poder passar esse conhecimento. Então, a gente forma o jovem voluntário para que ele possa ser se agente multiplicador na sociedade.”
Para saber como participar desse projeto, seja em busca das oportunidades de conhecimento existente seja diante da possibilidade de oferecer o seu conhecimento ao movimento, visite o site jovensdobrasil.org.
Assista à entrevista completa com Julio Campos, do Movimento Jovens do Brasil, ao Mundo Corporativo que teve às participações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.
Parque da Independência em foto de arquivo da cidade
Nos meus tempos de criança, ouvia muito os meios de comunicação dizerem: “São Paulo, a cidade que mais cresce no mundo”. O presidente dos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, quando veio em visita ao Brasil, estava ansioso para conhecer a cidade, principalmente para conferir esse slogan. Foi em fevereiro de 1960, eu tinha nove anos mas não atinava esse progresso, já que eu morava num bairro pacato da zona leste que nem ruas asfaltadas tinha.
De fato, muitas empresas internacionais, atraídas pelo mercado que a cidade e o país propiciaria, vieram para São Paulo, principalmente a indústria automobilística, notadamente a Ford, que se instalou no bairro do Ipiranga. Os laboratórios farmacêuticos também seriam outra atividade de muita importância na cidade com várias industrias que se instalaram na zona sul. Incluía, talvez, o efeito da frase de Juscelino Kubitschek que em campanha à presidência da República, em 1955, prometeu “Crescer 50 anos em 5 anos”
O centro da cidade erguia edifícios que futuramente seriam sedes de bancos, nacionais e internacionais, cartórios, estabelecimentos comerciais…. Com isso, outro setor que crescia bastante era o da construção civil, atraindo a migração, principalmente de nordestinos para a cidade. Na maioria, os migrantes vinham do interior da Bahia, e logo os baianos foram conquistando a cidade, de tal forma que qualquer outro migrante do nordeste que chegava seria logo chamado de baiano. Até migrante de outros estados do nordeste, ou mesmo de outra região, para os paulistanos era baiano.
Sem dúvida, o progresso desta cidade se deve muito aos migrantes que, em busca de oportunidades de trabalho para melhoria de vida, a tornaram essa potência. Outra região da cidade, a Avenida Paulista começava a se modernizar, encerrando o ciclo dos casarões, hoje com vários edifícios .
Nos anos 50, a cidade teve a sua população aumentada de 2 milhões para 3 milhões e meio de habitantes, matematicamente um aumento de 75%. E, nos anos 60, já contava com quase 4 milhões de habitantes.
Tudo isso estou dizendo para tentar explicar como a cidade de concreto, infelizmente, deixou muito pouco para a preservação da natureza. Muitos lugares da cidade, onde hoje estão situados muitos edifícios, museus e outros ícones, como se diz popularmente: “era tudo mato”
Eu vivi em meio ao crescimento da cidade. Tudo acontecia e não cheguei a conhecer locais cuja preservação da natureza estava estabelecida. Já havia o Parque Ibirapuera mas, pelo que sei foi uma obra planejada para os festejos do Quarto Centenário de são Paulo.
Embora eu já tenha ouvido reivindicações de estudo do parque atribuído a outros paisagistas, oficialmente o projeto e concepção das áreas verdes é de Roberto Burle Marx, que teve também participação de Otávio Augusto Teixeira Mendes.
Temos o Parque da Aclimação , com suas garças maravilhosas, Parque do Carmo, Parque Buenos Aires, Praça da República (que já foi até local de touradas), mais recentemente Parque Augusta e outros, que são excelentes mas não me trazem a sensação de estar em contato com a natureza em seu estado mais puro. A revitalização do Rio Pinheiros, bem recente, está trazendo algo positivo em termos de local que se pode usufruir da natureza em São Paulo.
Porém, e sempre existe um porém, como dizia o dramaturgo Plinio Marcos, na verdade, um local que tem algum tempo que descobri e que frequento com certa assiduidade, acredito que trás o objetivo da narrativa ao encontro do tema proposto. Está localizado no bairro do Ipiranga, mais precisamente nos fundos do prédio do Museu, o Bosque, ou Bosque do Museu do Ipiranga, reconhecido pela importância enciclopédica da Wikipédia .
É fantástico apreciar a quantidade de vegetação do bosque formada por araucárias, pau-ferro (que os índios na língua tupi chamavam de Ubiratã) paineiras, árvore de borracha, amendoim acácia (essas que pesquisei) e árvores de frutos comestíveis, e muitas outras que me rendo pela minha total falta de conhecimento de botânica
Em pesquisa que realizei na internet, para se ter uma ideia, das 160 espécies localizadas no museu, 91 aparecem no Bosque. Algumas, mais precisamente 18, estão registradas em lista da União Internacional para a Conservação da Natureza na categoria de espécies ameaçadas de extinção (triste). Parece pouco, como o texto descreve, mas indica a falta de comprometimento do homem em preservar a natureza. Além desse aspecto, o texto denuncia que o bosque vem sofrendo com a perda de sua vegetação original muitas vezes pela interferência depredatória do homem, que não observa os limites de descarte de plásticos e embalagens que agridem a natureza. Os fatores climáticos também influenciam nessas perdas
Outra impressão que tenho do bosque é a de que, na sua essência, nunca foi modificado em seu acervo natural. Não houve modificação no seu fulcro apenas adaptações com determinação de trilha para os frequentadores correrem ou caminharem, bem como colocação de bancos e aparelhos de ginástica na beira da trilha.
Logo na entrada principal, antes de adentrar o núcleo do bosque, bem pertinho do prédio do museu, há espaço para crianças, com playground, e algumas mesas para convescote. Os sanitários para o público também ficam nessa área.
Há outra entrada próxima do Museu de Zoologia da USP, que, aliás, por muito tempo foi dirigido pelo professor, zoólogo e compositor musical de muito sucesso , Paulo Vanzolini.
O Museu de Zoologia está localizado numa área oposta que, de imediato , apresenta ao visitante sua exuberante vegetação. Nos dias mais quentes, as árvores frondosas propiciam aquelas sombras refrescantes tornando o Bosque um lugar ainda mais aconchegante. Sou suspeito, pois sempre que vou pra caminhada no museu, não deixo de fazer o circuito do bosque que, como eu disse, frequento há muitos anos desde quando morava no bairro de Vila Prudente (não tão distante, uns 3 a 4 km, mas eu vinha de carro)
Quando me mudei de Vila Prudente, um dos fatores decisivos na escolha de novo imóvel seria encontrar um local que eu pudesse praticar atividades físicas ao ar livre. Há 18 ano,s me mudei para o bairro do Ipiranga e distante apenas 400 metros do Bosque, que ,praticamente, é o quintal do edifício onde moro… agora, venho a pé!
Era sonho meu estar tão perto do bosque?
-“Sim , e …. foi realizado.
Julio Araujo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também um personagem de São Paulo. Escreva seu texto e envie para o email contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo
O Grêmio entra no Mineirão como um Gigante, foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA
Beiro os 60 anos. Está logo ali. E ainda sofro como aquele guri lá da Saldanha Marinho. MeoDeosDoCeo! Como sofro! Sofro por antecipação. A partida mal havia se iniciado no Mineirão, aquela torcida imensa contra nós e do outro lado do campo um campeão legítimo de Copas, assim como nós — e frente a tudo isso, eu pensava como conseguiríamos ser maior do que tudo aquilo. Havia um misto de temor pelas dificuldades do jogo anterior e de esperança pela recuperação do futebol nas últimas duas partidas. Em meio as dúvidas, o sofrimento.
Ainda no início da disputa, aos sete minutos, houve aquela bola mal cabeceada, que por desejo próprio se encaminhava às nossas redes. Confesso, não conseguia mais imaginá-la em outro destino. Foi então que surgiu o pé salvador de Bruno Alves para inverter a história e a despachá-la para fora quando estava prestes a cruzar a linha do gol. Eu sofria e Bruno se fazia gigante!
Em dez minutos, Kannemann recebeu o primeiro cartão amarelo do jogo quando teve de interromper lá no campo adversário uma tentativa de ataque em alta velocidade. Sacrificou-se mais uma vez e se colocou em risco, considerando as exigências que viriam nos demais 80 e tantos minutos que faltavam. Eu sofria com a possibilidade de expulsão. Apesar disso, nosso zagueiro não arrefeceu. Marcou muito. Travou todas as bolas que se aproximavam da nossa área. E foi gigante como Bruno. Já havia sido na partida anterior quando nos livrou de uma derrota.
Aos 27, a presença e pressão de Luis Suárez diante dos zagueiros os fez titubearem em uma saída de bola. Suárez não perde oportunidade. Se na partida anterior aproveitou uma das poucas chances que teve para chegar ao empate que nos manteve vivo na decisão, agora foi dele a roubada de bola e a assistência para o gol. Suárez é gigante pela própria natureza! E apesar de termos esse gigante mundial, eu sofria!
O gol foi de Villasanti, o volante! Há muito tempo, o paraguaio chega na área. E com pé lá dentro sempre se coloca como alternativa. Desta vez, nem precisou entrar. Recebeu o passe de Suárez um pouco antes da risca da grande área e bateu firme para as redes. Mas Villa não é gigante apenas pelo gol marcado. O é por todos os desarmes que é capaz de fazer durante o jogo. Pela maneira como fecha os espaços, impede a chegada mais forte do adversário e sai jogando quando domina a bola. Sofro até vê-lo interceder.
Lá atrás, ninguém foi maior do que Gabriel Grando. Fez defesas de todos os tipos. Nas cobranças de escanteio espantou o perigo. Nos chutes de fora da área estava bem posicionado. Nos raros espaços que os atacantes adversários encontraram dentro da área, Gandro também se agigantou. Defendeu uma, duas, três e quantas vezes mais foram necessárias para impedir o gol de empate, enquanto eu sofria!
Bruno Uvini, Fábio, Reinaldo, Carballo, Cuiabano, Bitello e todos os que entraram em campo foram gigantes ao seu modo. Lutaram até onde dava. Marcaram com força. Esforçaram-se mais do que podiam. Souberam jogar o jogo das Copas. E eu sofria como em todas as Copas!
O Grêmio foi gigante nesta noite de Copa do Brasil e está nas quarta-de-final. E eu quero o direito de continuar sofrendo até a conquista do título, assim como sofro desde os tempos daquele guri da Saldanha.