De susto

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

A vida é assim, por vezes um lago calmo, por outras um mar revolto; e o segredo para sofrer menos é manter a calma e não perder a esperança. Fácil dizer difícil fazer, mas com treino se consegue quase tudo.

 

Segunda-feira passada, dia quatro de junho, íamos meu filho e eu pela Marginal Pinheiros. Meu filho dirigindo o carro dele, e eu de carona ao seu lado. Íamos quietos. Exauridos pela pressão de dias difíceis, em busca de alívio. O tráfego era denso, mas ainda sem congestionamento. Não chovia, não ventava, e o sol ainda não tinha terminado a tarefa de brilhar neste canto do mundo. Fazia a sua parte, como sempre faz desde o começo dos tempos, e nós fazíamos a nossa, cada um na sua medida, segundo sua capacidade.

 

À nossa frente ia um carro pequeno, vermelho, dirigido por uma moça. Trafegávamos na pista da esquerda da via expressa. Nosso destino, a Marginal do rio Tietê. Pedi ao meu filho que ligasse o rádio e sintonizasse na 90.5 para ouvirmos as notícias na CBN. O assunto era o de todos os momentos nos últimos tempos, a bandalheira generalizada entre os dirigentes, que escolhemos para cuidar do interesse social, e seus tentáculos egocêntricos, gananciosos e criminosos. Bandidos. Verdadeiras quadrilhas. Eu ouvia atenta, de coração apertado, sentindo que minha esperança insistia em me abandonar, na força contrária do meu esforço para mantê-la viva e por perto. Estava triste e sonolenta. Tínhamos saído mais cedo para evitar o sufoco do congestionamento, mas a fila de carros já se adensava.

 

Os carros foram brecando, até que o carro vermelho à nossa frente parou. Meu filho, atento, parou também. Foi aí que o mundo virou de cabeça para baixo, a tristeza tomou forma de dor, e a sonolência virou desespero. Atrás de nós, uma ambulância transportava um menino de quinze anos, que tinha sofrido uma cirurgia num hospital de São Paulo, acompanhado de seus pais, Voltavam para Catanduva, cidade onde moram. Além deles, conduzindo a ambulância, apenas um motorista desatento e apressado. Não havia um médico acompanhando o paciente. Essa ambulância, que vinha em alta velocidade, não parou e nos atingiu violentamente, nos atirando contra o carro da frente. O baque foi forte demais. Meu corpo frágil foi projetado para frente como se tivesse sido arremessado por um estilingue e, com a mesma violência, voltou para trás. Uma dor lancinante se apossou de mim. Meu peito, apertado pelo cinto de segurança, queimava e me apresentava a uma dor que eu nunca sentira.

 

Quatro e cinquenta. Meu filho ligou para 190. Pediu socorro policial e uma ambulância. Um carro da CET chegou rapidamente e fechou todas as pistas, para remover os carros acidentados até a faixa zebrada que separa a pista expressa do acesso à pista local, que tem entrada para a Avenida Rebouças. Desimpediram o tráfego que engordava em ritmo acelerado. E nós? Ali ficamos. Eu, gemendo pela dor insuportável, mal conseguia respirar. Meu filho, desesperado, assistia ao meu sofrimento, fazendo o que podia. Ligava insistentemente para a polícia e para amigos que tinham contato com policiais que também tentavam ajudar por telefone. Cada um apelando aos contatos possíveis e aos que porventura estivessem por perto. A moça do carro vermelho era dentista. Pediu para ver a minha boca e mediu meus batimentos cardíacos, dizendo que iria embora porque o carro dela estava bem. Só tinha amassado um pouco o pára- choque, e ela tinha pressa. Algo nos dizia que a documentação dela ou a do carro não estivesse em ordem e ela preferiu ir embora. Disse que também iria tentar falar com a polícia no 190, para que viessem nos socorrer.

 

Cinco e meia. Seis horas. Sete, sete e meia. Oito horas. A noite caía e a dor subia. Por volta das oito e meia chegou a ambulância do Samu. Dra. Naira e o motorista me imobilizaram com perícia e rapidez admiráveis, me instalaram na ambulância e me levaram ao hospital mais próximo. A dor foi comigo. Se apegara a mim. A polícia, no entanto, só deu o ar da graça por volta das nove e meia da noite. O carro foi rebocado pelo guincho da companhia seguradora, e meu filho foi à delegacia para o procedimento necessário nessas situações. O caso era de lesão corporal grave. Meu filho pediu a um amigo que fosse ao hospital e me acompanhasse. Enzo não saiu do meu lado nem por um instante. A polícia também esteve no hospital para verificar os fatos e a minha situação. Fui parcialmente imobilizada devido a contusões graves no osso esterno e na musculatura que o suporta, e ganhei um colar cervical que protege a medula espinhal e imobiliza o pescoço. Meu filho só foi liberado da teia burocrática, à uma e meia da manhã.

 

É importante dizer que, apesar da demora inimaginável do socorro, a equipe do Samu me atendeu com perícia e carinho. No entanto eu, apesar de pagar alta mensalidade por um plano de saúde, precisei esperar na maca da ambulância, num dos corredores do hospital que transpirava sofrimento e dor. Enfermeiros e médicos cansados e apressados corriam para lá e para cá. A dra. Naira precisou correr atrás de um médico para que me atendesse. Ela dizia que não podia entender a demora do pessoal do 190 em chamá-los. Disse também que deram a eles a posição errada de onde estava o nosso carro, e que por isso tiveram que rodar um bocado até nos encontrarem.

 

Hoje, aqui estou, felizmente pra mim, viva e de volta ao jogo da vida. As dores insistem em não me abandonar, apesar dos remédios fortíssimos para driblá-las. O colar mantém meu pescoço onde deve estar. Meu filho fica atento a tudo, dia e noite. Me ajuda a deitar, a sentar, a levantar e a me alimentar. Inverteram-se os papéis. É ele quem cuida de mim.

 

E nós dois, o que temos a dizer? Só podemos agradecer à vida, pela vida, e aos amigos que torcem por nós e que têm mantido contato diário. Ao Dr. Cristóvão Colombo dos Reis Miller, amigo querido que nos orienta na sequência dos procedimentos legais e pelas orações dos que estão longe.

 

Durante esse tempo todo, quatro dias e dezenove horas, não me sai da cabeça a oração que diz:

 

Senhor, dá-me serenidade para aceitar o que não pode e não deve ser mudado. Dá-me força para mudar tudo o que pode e deve ser mudado, e sabedoria para distinguir uma coisa da outra.

 

Maria Lucia Solla é professora, realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

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Foto-ouvinte: motoqueiro movido à álcool

 

Motoqueiro bêbado

 

Na imagem e no texto, a colaboração de Devanir Amâncio, sempre atento aos flagrantes da cidade:

 

“Um motoqueiro completamente embriagado caiu debaixo da própria moto e foi socorrido por um pedestre, na esquina da rua Conselheiro Ramalho com a rua Fortaleza, na Bela Vista, região central da cidade, sábado, 2/6, por volta das 16 horas. Sem ferimentos, levantou dizendo que caiu sozinho e estava ‘sentimentalmente’ estressado. O homem não aceitou ajuda para chegar em casa e a Polícia Militar foi acionada pelo 190 às 16h20. Não se sabe o desfecho dessa história”

Água mole em pedra dura

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Criei-me ouvindo esse provérbio da boca dos meus avós. Eles devem o ter escutado dos seus avós. Curioso, coloquei-o no Google para ver se esse sítio da internet, acostumado a responder a milhões de perguntas sobre as mais variadas questões levantadas por internautas do mundo inteiro, deixou-me a ver navios – este também não um provérbio, mas um dito popular cuja idade igualmente desconheço. Se é que alguém, talvez desavisadamente, começou a ler este texto, apresso-me a explicar por que lembrei o provérbio ancestral. Ocorre que, tal qual já fiz em mais de uma dessas quintas-feiras, inclusive na da semana passada, na qual escrevi acerca de uma ciclovia porto-alegrense que, antes de ser inaugurada, foi alvo de polêmicas, vou tratar outra vez de trânsito.

 

O jornal Zero Hora de sexta-feira passada, publicou excelente matéria sobre o assunto que tanto me preocupa. “Motoristas morrem mais aos sábados”. Essa foi a chamada de capa, seguida de um texto, em corpo menor, onde se lia que, das 482 mortes em acidentes no primeiro trimestre de 2012 no RS,117 ocorreram no último dia da semana. O número de acidentes com vítimas fatais vem subindo ano a ano. Com certeza, a quantidade crescente de veículos que enchem as rodovias federais, estaduais e municipais, principalmente nos fins de semana, é uma das razões da existência dessa trágica estatística. Eu diria que, além dos carros novos, cuja aquisição se tornou possível, em especial, devido às elásticas modalidades de prestações oferecidas pelas concesssionárias, existem, rodando por aí, principalmente nas estradas municipais, veículos usados, alguns apelidados de seminovos, dirigidos por “barbeiros” ou por irresponsáveis.

 

Há outras causas que se somam às por mim citadas. Zero Hora lembra que, sábado, é o “dia da balada”, em que muitos bebem. As estatísticas indicam também que 47,8% dos mortos aos sábados no primeiro trimestre de 2012 tinham entre 18 e 34 anos. ZH revela que, em abril, houve 29 mortes aos sábados, contra 7 às sextas-feiras e 20 aos domingos. O jornal lembra que o DETRAN contabiliza os mortos em hospitais até 30 dias após os acidentes. O que as autoridades podem fazer visando a diminuir esses malditos números? Fiscalizar, fiscalizar e fiscalizar, não só nas estradas, mas igualmente nas cidades. Encerro o texto como comecei: água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Excessos na direção e na fiscalização

 

Por Milton Ferretti Jung

 

O trânsito é um tema que se tornou recorrente nos meus textos. Quem me acompanha nas quintas-feiras, mesmo não sendo leitor assíduo, deve ter-se dado conta da minha preocupação com a matéria. Aqui no Rio Grande do Sul, de onde escrevo, as autoridades às quais cabe a difícil missão de cuidar do comportamento de motoristas, motociclistas e ciclistas, em especial nos feriados prolongados, pródigos em acidentes, muitos deles trágicos, costuma agir com mais rigor do que em épocas normais para coibir abusos, principalmente os dois piores, isto é, a velocidade excessiva e a embriaguês. Imagino que tal procedimento seja idêntico nas principais rodovias do país.

 

No feriado de Páscoa, deixaram Porto Alegre cerca de 180 mil veículos, em migração que começou na última quinta-feira. Envolveram-se na Operação Viagem Segura, Brigada Militar (é como chamamos a Polícia Militar), Comando Rodoviário da BM, Polícia Rodoviária Federal, além da Polícia Civil e, claro, da Empresa Pública de Transporte e Circulação. Mesmo com todo esse controle, verificaram-se 1.071 acidentes nas estradas gaúchas. Morreram nesses 15 pessoas e 548 resultaram feridas. Pelas contas do DETRAN (Departamento Estadual de Trânsito), o número de acidentes, em comparação com os feriados anteriores, teve redução de 46 por cento, sinal de que o trabalho das autoridades foi bem feito e seria completamente louvável se, no retorno a Porto Alegre, os motoristas não fossem surpreendidos com aquilo que considero o tipo de “cuidado” desnecessário.

 

Ao chegarem à capital do Rio Grande do Sul, depararam-se, para desespero geral, com blitze policiais nas duas principais entradas da cidade. O resultado delas, como não poderia deixar de ser, foi um congestionamento fantástico, algo que aí em São Paulo é habitual, mas ainda causa revolta aqui. Eu gostaria de saber que cabeças decidiram realizar blitze na chegada de um feriadão. Alessandro Barcellos, Diretor-Presidente do DETRAN, entende que todo o processo de fiscalização pode trazer algum tipo de inconveniência. Põe inconveniência no que ocorreu nesse domingo. Barcellos tranquiliza, porém, os motoristas que se não houver avaliação positiva do episódio – creio que não haverá – não há razão para que tal tipo de blitze volte a interferir no trânsito.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Preservem os ciclistas

 

Ciclovia na Radial Leste

 

A morte de mais uma ciclista na avenida Paulista, sexta-feira, ocorreu no dia seguinte a reportagem publicada no Jornal Nacional a qual mostrava que a bicicleta ganhava espaço na cidade. Ao assisti-la na noite de quinta-feira, além da satisfação de ver meu incentivador Andre Pasqualini como personagem, pensei como esta poderia influenciar a visão das pessoas e, principalmente, atenuar o medo que meu pai sente sempre que tem notícias de que irei pedalar na cidade. Ele, por mais de uma vez, escreveu nos posts de quinta-feira aqui no Blog, às muitas restrições que tem ao uso da bicicleta em ruas tomadas por automóveis, e defendeu a ideia de que o comportamento dos motoristas e a diferença de forças entre os dois modos de locomoção são um risco a vida de quem pedala. Importante ressaltar que meu pai, aos 76 anos, gosta de dar suas pedaladas aos fins de semana e aproveita a proximidade para exercitar as pernas de casa até as margens da praia de Ipanema, no Rio Guaíba, na zona sul de Porto Alegre. Em seus textos já confessou, porém, que prefere usar as calçadas e faz questão de descer da bicicleta toda vez que precisa atravessar a rua até chegar a ciclofaixa disponível ao longo do rio. Ao ler as notícias que chegam de São Paulo, seu temor de que serei vítima de acidente vai se acentuar, não tenho dúvidas. Quase consigo ouvi-lo: “não te avisei ?”

 

O fato é que ciclistas morrem todas as semanas na cidade de São Paulo – um por semana, dizem as estatísticas oficiais. Quando esta se registra em avenida tão conhecida ganha caráter simbólico, provoca protestos, mensagens indignadas e pedidos de punição exemplar. Em Porto Alegre, não é diferente, foi lá que um tresloucado acelerou seu carro e atropelou vários ciclistas durante uma bicicletada. Lembra? Fez um ano há poucos dias. Precisamos, porém, perceber que além de ciclistas, morrem pedestres, também. E muitos. Assim como motociclistas e motoristas de carros – estes últimos em menor número. Nem por isso, defendemos o fim dos passeios a pé – apesar de que este parece ser o sonho de alguns governos de tanto que incentivam o uso do transporte motorizado individual.

 

Onde quero chegar com este texto, é mostrar a você que me acompanha no Blog que não adianta deixarmos as bicicletas em casa sob a alegação de que do jeito que as coisas estão é praticamente um suicídio encarar o trânsito pesado. Sei que esta é a primeira reação da maioria, eu mesmo pensei duas vezes antes de sair pedalando no fim de semana, em São Paulo. Meu temor havia aumentado. Mas isto é o que desejam aqueles que seguem acreditando que os carros são os donos das ruas. Nós precisamos é ocupar, cada vez mais, as cidades com bicicletas, pois enquanto pedalar for um fator surpresa no trânsito, muitas mortes vão ocorrer. Precisamos transformá-la em lugar comum, abrir espaço e tomar as vias públicas, ganhar o respeito dos demais que a utilizam a bordo de um automóvel, ônibus ou caminhão – e, também, respeitá-los, seguindo as regras de boa convivência e de trânsito. Ao menos assim, quando souber que fui andar de bicicleta, meu pai, em lugar de medo, terá orgulho. E eu, também, da cidade que escolhi viver.

Fiscalizem o uso do cinto de segurança

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sinto-me obrigado, volta e meia, a retornar a um assunto sobre o qual não gostaria de ser tão repetitivo: o lado negativo do trânsito. Faz algum tempo, numa dessas quinta-feiras da vida, nas quais, a convite do meu filho, escrevo neste blog, relatei uma pequena viagem a Tramandaí, em que estava acompanhado por Maria Helena, minha mulher. Então, ainda era de 100 quilômetros por hora a velocidade máxima, para veículos leves, na Free-Way, apelido recebido pelo trecho da BR-290 que leva às praias do Rio Grande do Sul, quando se acreditava que a rodovia fosse, realmente, permanecer free, o que não aconteceu. Subiu, hoje, para 110, tratando-se de veículos leves. Já os pesados, ônibus e caminhões, não podem (ou não deveriam) ultrapassar 90 por hora.

 

Fiquei revoltado, especialmente no retorno da viagenzinha, com os motoristas dos veículos pesados que rodavam bem acima da velocidade permitida. Afinal, com minha Tucson a 100 por hora, era ultrapassado por ônibus e caminhões. Pois bem, nos últimos dias, sem falar nos caminhões tombados ao longo de rodovias gaúchas, o que ocorre com frequência, quatro ônibus se envolveram em trágicos acidentes em estradas gaúchas. As causas desses desastres ainda não foram explicadas, mas é difícil que o excesso de velocidade não tenha estado presente.

 

Fiquei sabendo que os ônibus, fabricados antes de 1990, não estão obrigados, por lamentável falha da legislação, a oferecer cinto de segurança para os passageiros. Não me lembro quando o cintos passaram a ser acessórios obrigatórios em veículos leves. Sei, porém, que já faz muitos anos. Ora, por que os ônibus anteriores a 90 também não são forçados a se atualizarem? Caso isso não ocorra, que sejam descartados. O diabo, é que mesmo muitos condutores de automóveis dispensem o uso deste apetrecho que salva vidas. Nunca peguei um táxi, por exemplo, cujo motorista, apesar de eu estar sentado ao seu lado, me alertasse para afivelar o cinto. Se sento atrás, então, nem se fala.

 

A Polícia Rodoviária Federal, aqui no Sul, pretende, visando às viagens do carnaval, fiscalizar os ônibus a fim de tentar conscientizar motoristas e passageiros para a necessidade de usar cinto de segurança. Sem ele, basta apenas uma travada mais forte – imaginem uma queda ou trombada de qualquer tipo – para que as pessoas sejam projetadas contra os bancos que ficam à frente. Seria interessante que a PF desse uma olhada, igualmente, nos motoristas e passageiros de veículos leves.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Canto da Cátia: Prédio desaba em São Bernardo

 

Prédio desaba em São Bernardo

 

O que está acontecendo com os prédios no Brasil? A pergunta voltou a se repetir desde que na noite de segunda-feira despencou parte de um prédio na área central de São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista. Há pouco mais de uma semana, a tragédia foi no Rio de Janeiro, com três edifícios se transformando em entulho e pó e soterrando uma quantidade enorme de pessoas. A repórter Cátia Toffoletto que acompanhou o trabalho de resgate do Corpo de Bombeiros conversou com o prefeito de São Bernardo, Luis Marinho, que se antecipou às críticas de que há falta de fiscalização do setor público dizendo que a documentação do prédio estava em dia. Perícia técnica e investigação serão feitas nos dois casos para que se tenha ideia de quem é o responsável pelos acidentes, mas, historicamente, aqui no Brasil, sabe-se que boa parte destes dramas poderia ser evitada se houvesse trabalho preventivo e responsabilidade do cidadão e das autoridades. Infelizmente, o jeitinho brasileiro, sempre alardeado como sendo uma habilidade para saírmos de situações complexas, tem se transformado em um desastre para nossa sociedade.

 

Para ver mais imagens do desabamento em São Bernardo, feitas pela repórter Cátia Toffoletto, visite nosso site no Flickr, clicando na foto acima.

Viagem segura e com cinto

 

Por Milton Ferretti Jung

Mais vale prevenir do que remediar. Em se tratando de trânsito, convém lembrar, remediar nem sempre é possível. Nesse feriado prolongado, que culminou com os festejos da virada do ano, mesmo que o fato não tenha sido divulgado com destaque pela mídia do Rio Grande do Sul, a Operação Viagem Segura, realizada pela Polícia Rodoviária Federal, Comando Rodoviário da Brigada Militar e Departamento Estadual de Trânsito, foi executada com sucesso. É verdade que, apesar disso, 2012 começou com uma tragédia, cujo palco foi a Estrada do Mar. Três carros envolveram-se em acidente que provocou duas mortes. A motorista de um dos veículos estava visivelmente embriagada e não possuía carteira de habilitação. O automóvel, que ela dirigia, se chocou frontalmente contra outro veículo que, por sua vez, atingiu um táxi.

Neste réveillon, nas 60 horas em que se desenvolveu o programa preventivo criado pelas autoridades, foram aplicadas, por hora, 91 multas. Na mesma época de 2010, em que a maioria dos infratores abusou da velocidade, o número de multas foi superior: 126 por hora, em três dias de rigorosa fiscalização. Agora, falando apenas nas estradas gaúchas, controladas pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, uma irregularidade chamou-me a atenção: foram multados 353 motoristas, porque eles ou passageiros dos veículos que dirigiam, não faziam uso do cinto de segurança. Eu imaginava que esta infração fosse das menos expressivas, mas me enganei. Ficou em segundo lugar, com 353 autuações, perdendo somente para as ultrapassagens proibidas, que levaram 484 motoristas a perder pontos na carteira de habilitação.

O motorista e o passageiro que fica ao seu lado, em geral, atam seus cintos. Os que viajam no banco traseiro, porém, porque não sabem o perigo que correm e aquele a que expõem os que estão à sua frente, não se dão ao trabalho de afivelar este verdadeiro salva-vidas. Sempre que ando de táxi, não só trato de usá-lo, mas peço a quem viaja atrás, que aperte o seu. Não quero correr o risco de ter a cervical rompida por um passageiro catapultado desse local, caso ocorra uma colisão ou, até mesmo, uma freada brusca e forte. Seja lá como for, torço para que as autoridades responsáveis pelo trânsito, em cada fim de semana, pelo menos, repitam a Operação Viagem Segura.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Morte em duas rodas

 

Por Milton Ferretti Jung

O jornal gaúcho Zero Hora em sua edição de 30 de outubro do corrente ano destacou, na sua página inicial, duas notícias, uma falando sobre os exames que detectaram câncer no ex-presidente Lula, outra ressaltando as 39 vítimas de outubro, chamada para a matéria que ocupou cinco páginas e na qual reconstituiu todos os acidentes fatais sofridos por motociclistas (não me agrada a palavra motoqueiro) ou caroneiros. No topo da página 29 lia-se “A Guerra em duas rodas” e, abaixo da primeira serie de fotos das 39 vítimas, mais uma manchete forte: “Outubro sangrento”. Dessas, onze se acidentaram durante a madrugada, seis pela manhã, sete à tarde e 15 à noite. Contribuíram para a composição dessa terrível estatística 24 municípios do Rio Grande do Sul.

Lembro-me que relatei, numa dessas quintas-feiras, meu dia de escrever no blog do Mílton, passeio que fiz para uma cidade serrana e os sustos que levei no retorno a Porto Alegre ao ver motos potentes ultrapassarem em altíssima velocidade o Peugeot dirigido pelo meu cunhado. Ao olhar os jovens malucos que as pilotavam fiquei imaginando quantos deles chegariam à minha idade. Quem sabe alguns não apareceram nas fotografias publicadas por Zero Hora. Não é, porém, apenas nas estradas que alucinados motociclistas correm com seus veículos colocando em perigo não somente a própria vida, mas a de motoristas e pedestres. Nossas vias urbanas estão cada vez mais cheias de motoboys e de quem usa motocicleta para os mais diversos fins. E a maioria comete loucuras no trânsito citadino, misturando-se perigosamente a motoristas que também não lhes ficam atrás.

O Código de Trânsito Brasileiro não permite, mas ao mesmo tempo não proíbe que os motociclistas ziguezagueiem entre os veículos maiores ou os ultrapassem pela direita, geralmente em alta velocidade. Por outro lado, as lombadas eletrônicas e os radares não registram em suas câmeras a velocidade das motos. E seus pilotos se aproveitam dessa falha. Por mais rigoroso que ainda venha a ser o CTB muito pouco conseguirá mudar no comportamento dos motociclistas se não se investir para valer em educá-los, na criação de cursos de direção defensiva, em processo de habilitação que exija mais do candidatos a dirigir motos e numa fiscalização mais presente. Enquanto isso não for feito, não apenas os outubros, mas todos os meses do ano serão sangrentos.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Foto-ouvinte: Sem parada

Ônibus arranca cobertura

Por Devanir Amâncio

Um ônibus circular arrancou um ponto na esquina da rua Conselheiro Crispiniano com Avenida São João, na região central de São Paulo. O acidente ocorreu por volta das 8 horas desta terça-feira (13). Segundo informações de uma comerciária a batida foi forte e o prédio 404 da Conselheiro Crispiniano tremeu. No momento do acidente não havia passageiros no ponto e nenhum passageiro do ônibus se feriu. A prefeitura ainda não removeu o equipamento danificado .