Adote um Vereador: participação intensa no primeiro encontro do ano

 

Parte do grupo que esteve na reunião do Adote um Vereador, em São Paulo

 

A mesa animada e cheia foi o melhor sinal que poderíamos ter recebido dos participantes do Adote um Vereador, no último sábado, quando os encontros mensais foram retomados. O recesso parlamentar havia se encerrado dias antes, o calor era intenso, alguns ainda estavam no ritmo das férias, mas nada disso foi desculpa. Desde cedo, já encontrava voluntários no café do Pateo do Colégio, que tem funcionado como espécie de recanto da cidadania para os adeptos do Adote. Animador, também, foi perceber a boa presença de integrantes do Movimento Voto Consciente, normalmente representado pelo casal Danilo e Sonia, mas que, desta vez, contou com ao menos mais quatro dos seus colaboradores. Digo que é animador, pois uma das missões da rede formada pelo Adote um Vereador é ser indutor das discussões políticas pelo cidadão. Não temos a pretensão de seremos um movimento amplo e organizado institucionalmente, apesar desta ser uma possibilidade, quem sabe. Queremos mesmo é motivar as pessoas a atuar em favor da comunidade em que vivem, abrir os olhos do cidadão para importância do seu papel na sociedade e de sua força para influenciar as políticas públicas. Portanto, saber que nossas reuniões informais se transformam em ponto de encontro desses cidadãos e permitem a troca de histórias e experiências demonstra que estamos no caminho certo. Aos trancos e barrancos, mas no caminho certo.

 

No sábado, por exemplo, soubemos que uma das participantes está no conselho popular da Subprefeitura de Aricanduva/Vila Formosa, motivada e disposta a emplacar ideias para melhorar a região, tanto quanto assustada com a burocracia imposta para o funcionamento do organismo. Há quem planeje aumentar a frequência na Câmara, estendendo a fiscalização hoje feita pela internet, pois entende que assim conseguirá levantar mais informações e compreender melhor a dinâmica do parlamento. Assim como tem gente que não acompanha vereadores, mas assiduamente participa do conselho de segurança da sua região. Existem, ainda, os cidadãos que se satisfazem em estar conosco, compartilhando suas opiniões, interessados em aprender, mesmo que não consigam monitorar o trabalho dos vereadores. Seja como for, muita água se bebeu para hidratar a turma ansiosa em contar as novidades. Aliás, é curioso que apesar de boa parte estar em contato pelas redes sociais sempre há algo a mais a dizer, um fato que foi esquecido ou um momento importante a se destacar. Os assuntos nunca acabam, têm sequência no próximo encontro ou se estendem para as conversas virtuais.

 

Enfim, após duas horas e pouco de água, mais suco, café e alguns quitutes, tão animados como chegaram, todos se foram com a promessa de voltar daqui a um mês. E levam consigo, a recomendação de sempre: controle os políticos, antes que eles controlem você.

Adote um Vereador: esperamos você em 2014

Caras novas e os velhos caras estiveram juntos no último encontro do Adote Um Vereador, nesta temporada, realizado sábado, do Pateo do Collegio, centro de São Paulo. Assim foi durante todo este ano, com a turma velha de guerra, formada por aqueles que aderiram na primeira hora, sentada em torno da mesa do café, recebendo e conversando com gente recém-chegada, a maioria curiosa para saber o que um cidadão é capaz de fazer. Alguns permanecem conosco, outros voltam de vez em quando e há os que tocam a vida em frente e vão reclamar em outra freguesia. Para começar basta querer, é o que dizemos sempre: escolha um vereador, veja o que ele faz, mande perguntas, faça sugestões e conte tudo para os outros.

 

O Alecir, o Sérgio e o Cláudio (chegou tarde mas chegou – ficou fora da foto oficial) são sempre os mais entusiasmados da conversa. A Sílvia e o Chico Jr. têm disposição para contar boas histórias. O Rafael prestou muito atenção no bate-papo antes de sair. O Erisnal quer montar o Adote em Santo André e busca a adesão de outros moradores da cidade. A Olívia voltou disposta a se juntar a causa, agora que já entregou seu trabalho de conclusão. O Jocivan é do Centro e falou de sua experiência como candidato para o conselho popular da Subprefeitura da Sé. Eu assisto a todos com uma ponta de orgulho, pois vejo que a ideia de 2008, aos trancos e barrancos, tem permitido o nascimento do desejo cidadão dentro de cada um daqueles que ali estão – e de outros tantos que não aparecem, mas acreditam, também.

 

Ano que vem, parte dos que ali estavam voltará, tenho certeza. Assim como tenho a esperança de que mais gente se juntará a nós disposta a monitorar, controlar e fiscalizar à Câmara Municipal. É o que temos feito desde o início e graças a esse trabalho abrimos canais de comunicação com os vereadores, levamos sugestões até os gabinetes, espalhamos por todos os cantos o que fazem ou deixam de fazer, causamos algum constrangimento e ganhamos desafetos, é lógico. Também conseguimos aprovar duas leis já em vigor na cidade e motivamos a atuação de grupos e escolas. O mais importante de tudo: nos tornamos cidadãos da nossa cidade.

 

Obrigado e parabéns a todos os envolvidos! Espero vocês em 2014.

Aumento do IPTU fez o cidadão descobrir que temos vereadores

 


Texto publicado originalmente no Site SP in foco

 

Foi a Câmara Municipal de São Paulo aprovar a proposta de reajuste no IPTU para os paulistanos descobrirem que temos vereadores nos representando. Imediatamente após a votação, tínhamos à disposição a lista dos que foram a favor e contra o aumento proposto pelo prefeito Fernando Haddad (PT). Não demorou muito, as redes sociais passaram a receber, também, outra lista na qual se verificava a contradição de muitos dos vereadores que estavam no cargo na legislatura anterior. A maioria dos que votaram contra o aumento agora havia apoiado o reajuste apresentado pelo então prefeito Gilberto Kassab (PSD). E vice-versa: dentre aqueles que votaram a favor da ideia de Haddad muitos tinham sido contra na gestão anterior. Ou seja, votaram por conveniência partidária, sem levar em consideração o equilíbrio financeiro do Orçamento Público e as condições econômicas do cidadão paulistano.

 

Em janeiro, quando os carnês começarem a chegar na sua casa, talvez se entenda com mais clareza o peso da decisão da Câmara Municipal de São Paulo. A persistirem as contas da prefeitura, muitos moradores da periferia da Capital perceberão que o projeto de lei segurou os valores cobrados pela prefeitura e, em alguns casos, até mesmo diminuiu. Outros, porém, sentirão no bolso o alto custo da medida aprovada pelos vereadores. Independentemente da sensação provocada com o novo IPTU em mãos, minha esperança é que os paulistanos compreendam a importância e o impacto do papel dos vereadores. Assim como eles podem aumentar nossos tributos, também aprovam leis que ajudam a melhorar a qualidade de vida na cidade, sem contar que têm instrumentos para fiscalizar a administração municipal e identificar como nosso dinheiro está sendo gasto.

 

É com esta intenção que se criou, em São Paulo, o Adote um Vereador: incentivar o cidadão a fiscalizar, monitorar e controlar o trabalho de um parlamentar, com o compromisso de que as informações levantadas sejam publicadas nas redes sociais (blog, Tumblr, Twitter, Facebook, Google+ e o escambau) para que este conhecimento seja compartilhado com a sociedade, construindo uma rede de cidadania. E se o conceito é de rede, deve ficar clara a intenção de que não existe um comando central nem mesmo uma visão política unitária. Cada voluntário tem o direito de expor seu pensamento de maneira livre sobre os mais diferentes temas relacionados a vida política. Cada membro é responsável por seu próprio trabalho e opinião.

 

A ideia surgiu logo após a eleição municipal de 2008 a partir de duas constatações. A primeira, que a maior parte do eleitor esquece o nome de seu candidato seis meses após a eleição. A segunda, que dois terços do eleitorado não consegue eleger seu representante na Câmara Municipal de São Paulo. Estas duas situações fazem com que o cidadão perca o interesse pela ação legislativa e entregue nas mãos dos vereadores o destino da cidade. Um erro que se repete com relação às assembleias legislativas, às câmaras Distrital e dos Deputados e ao Senado.

 

Com a rede Adote um Vereador conseguimos vitórias importantes a começar pelo engajamento dos cidadãos na política da sua cidade. Também abrimos canais de comunicação com a Câmara, membros são consultados sobre decisões a serem tomadas na Casa e as informações do Legislativo estão muito mais acessíveis do que quando iniciamos este trabalho. Dois projetos de lei sugeridos por integrantes da rede foram adotados por vereadores e transformados em leis que já estão em vigor na Capital. Porém, é preciso ampliar essa rede e expandirmos o número de vereadores fiscalizados, unindo forças com os demais grupos que acreditam no papel que o cidadão tem no desenvolvimento de sua cidade.

 

Controle os políticos, antes que eles controlem você.

 


Leia outros textos sobre São Paulo no site SP in foco

Café com cidadania: gente nova e velhos guerreiros presentes no Adote

 

 

Caras novas se juntaram à mesa do café do Pateo do Colégio, no centro de São Paulo, nesse sábado, no encontro mensal do Adote um Vereador. Uma delas, Dona Dolores, que chegou cedo, antes do encontro começar. Veio do Ipiranga e disse que há algum tempo pretendia participar de maneira mais ativa na política. Sentia falta de seguir o exemplo do pai dela que lutou pela democracia durante o Regime Militar. Parecia entusiasmada ao saber que pode ajudar a cidade não apenas controlando o trabalho dos vereadores na Câmara Municipal, mas atuando nos conselhos dos bairros e subprefeituras. Ou, simplesmente, reivindicando melhorias diante dos problemas na estrutura e nos serviços prestados. Deu a entender que o tema cidadania vai passar a fazer parte do conteúdo de sua página no Facebook.

 

Olívia Regina chegou da zona Leste e mesmo atribulada com a escrita do seu Trabalho de Conclusão de Curso da Faculdade de Administração, na Uninove, está disposta a acompanhar mais de perto a política da cidade. Os primeiros cafés ainda chegavam à mesa e ela já estava com o celular nas mãos em busca do nome de algum vereador para fiscalizar. Foi na lista dos 55 parlamentares que representam os paulistanos e no dedo (não a dedo) que chegou ao nome de Claudinho de Souza, do PSDB, a quem se comprometeu controlar a partir de agora. Logo foi assessorado pelo veterano de rede (só de rede) Alecir Macedo, responsável por manter o site e ter criado o aplicativo do Adote um Vereador (aliás, você já baixou nosso aplicativo – clique aqui). Além da experiência com o tema, Alecir conhece bem Claudinho, a quem acompanha de perto nas investidas do parlamentar em alguns bairros da zona norte de São Paulo. Contou, inclusive, que Claudinho costumava bloquear os críticos que aparecem na página dele do Facebook. Quero crer que tenha mudado este hábito. A conferir.

 

As cobranças indevidas do presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador José Américo, do PT, em função da ausência de cidadãos em reuniões abertas ao público, posições contraditórias de parlamentares em votações em plenário e o aumento do IPTU foram alguns dos assuntos que estiveram no cardápio da nossa conversa. Maria Cláudia Paiva, que divide seu tempo entre o Adote e o Movimento Voto Consciente, confirmou que enviou carta para reclamar do presidente da Casa por considerar a postura dele incompatível com o cargo: Américo fez críticas públicas à diretoria do Voto Consciente que não esteve na reunião de líderes, semana passada, como se a ONG tivesse obrigação de estar presente em todos os encontros da Câmara. Quem é pago para trabalhar na Câmara é ele, se não me engano.

 

Rafael Carvalho contou que pediu explicações ao vereador Ricardo Young, do PPS, pelo voto à favor do projeto que autoriza a Operação Urbana Água Branca, na zona oeste da cidade. Antes de aprová-lo, Young havia apontado defeitos no texto que estava em discussão. Carvalho, depois de trocar e-mail com assessores do socialista, ligou para o celular de Young e ouviu a seguinte justificativa: “conseguimos chegar a um consenso para votar emendas que melhoravam e reparavam as piores partes do texto do Executivo. Assim, acredito que prevaleceu o esforço suprapartidário e democrático construído ao longo do ano”.

 

Pelo celular, por e-mail, por carta e nas redes sociais. Nas reuniões da Câmara, nas audiências públicas, nos encontros de bairros e nas sedes da subprefeitura. Todos os caminhos que o cidadão tiver condições de explorar para acompanhar, monitorar e fiscalizar a política da nossa cidade são bem-vindos neste trabalho que realizamos no Adote um Vereador. Por isso, é tão estimulante ver sempre alguém novo se aproximar da gente, assim como assistir ao retorno de outros e à presença da velha turma que está nesta batalha desde os primeiros dias. O café na mesa fica muito mais saboroso, mesmo em um dia de calor intenso como foi esse sábado.

 

Em tempo: Cláudio Vieira estava em Minas Gerais e participou por alguns minutos da convera através do Facetime. Deliberamos que não será registrada falta ao nosso colega (espero que o vereador José Américo não recorra da decisão).

Lei Cidade Limpa corre risco em São Paulo

 

A Lei Cidade Limpa, aprovada em 2007, inovou e transformou a paisagem de São Paulo ao retirar os anúncios de rua e padronizar a fachada das lojas. Contra todos os interesses econômicos de fortes grupos que exploravam esta modalidade de publicidade e do próprio comércio, que temia prejuízos financeiros, a prefeitura convenceu os vereadores a aprovarem a legislação que combate a poluição visual. Apesar da melhoria da paisagem e do destaque internacional que a medida trouxe à Capital, a todo momomento surgem tentativas de afrouxar a lei. Na Câmara Municipal, calcula-se, existem 14 projetos que alteram pontualmente a Cidade Limpa e podem ser um retrocesso a ação audaciosa adotada por São Paulo.

 

A Câmara aprovou, recentemente, em primeira votação ,dois projetos de lei que liberam publicidade em casos onde hoje está proibida. Um deles permite que os nomes, logotipos e logomarcas de instituições religiosas e de saúde não sejam considerados anúncios – ou seja, aquela igreja perto da sua casa, logo vai ganhar um luminoso resplandecente para chamar a atenção dos clientes, desculpe-me, dos fiéis. Outro projeto possibilita a instalação de propaganda em ônibus e táxis, retomando a ideia dos outdoors ambulantes que tínhamos em meio ao trânsito paulistano. No início do ano, a prefeitura afrouxou as normas para anúncios de museus e teatros com fachada menor do que 12 metros.

 

Perceba que não incluo nessa lista de recuo da Lei Cidade Limpa os anúncios em abrigos de ônibus e relógio de rua, pois a publicidade no mobiliário urbano já fazia parte da legislação original, apesar de muitas pessoas terem se surpreendido quando viram as placas luminosas sendo instaladas nas calçadas, canteiros e praças. Uma das ideias ao se retirar os outdoors era valorizar estes espaços públicos, controlados pela administração municipal, e reverter o investimento para a cidade, sem prejuízo a paisagem urbana. Isto é facilmente perceptível nos pontos de ônibus que ganharam outra cara e bem menos nos relógios que, por mais que tenham tido cuidado com seu desenho, ainda me parecem intrusos na cidade. Sem contar que as informações – hora, temperatura e condição do ar – têm pouca importância diante do que os telefones celulares já nos oferecem em qualquer lugar que estivermos.

 

Historicamente sabemos que para acabar com uma lei basta começar a criar exceções. Em pouco tempo seu objetivo estará desvirtuado e ninguém mais saberá ao certo o que está valendo, com prejuízo à fiscalização feita pelos próprios cidadãos. Por isso, é preciso estar atento ao que os vereadores paulistanos pretendem fazer, acompanhar de perto as discussões no parlamento e interferir neste debate com a presença nas audiências públicas, encontros das comissões e votações em plenário. Pode-se ainda pressionar o parlamentar por e-mail, no Twitter e no Facebook, pois todos eles, com as exceções de praxe, estão atentos ao que os eleitores dizem nas redes sociais. O vereador Nabil Bonduki, do PT, convenceu a Comissão de Política Urbana a reunir os 14 projetos que mudam a Lei Cidade Limpa para que sejam analisados em conjunto e se tenha ideia do impacto que estas mudanças possam ter na paisagem da cidade.

 

O prefeito Fernando Haddad, em entrevista a jornalista Fabíola Cidral, da rádio CBN, nesse sábado, disse que não simpatiza com as mudanças propostas pelos vereadores na Câmara. A opinião dele, se mantida, é importante, a medida que o prefeito tem o poder de veto às leis municipais, como fez, por exemplo, ao proibir publicidade nas bancas de jornal. Para garantir o sucesso da Lei Cidade Limpa e o combate a poluição visual na Capital, insisto, será preciso atenção redobrada do cidadão paulistano.

Adote e Voto Consciente vão pedir fim de projetos "fora da lei"

 

 

Todo projeto de lei, antes de começar a andar na Câmara Municipal, assim como em qualquer casa legislativa, passa pela Comissão de Constituição e Justiça. Por desconhecimento, descuido ou complexidade legal, muitas propostas de vereadores não são ou da alçada do vereador ou da própria cidade. Por exemplo, não é possível aprovar lei que interfira nas forças de segurança pública, responsabilidade do Estado; assim como não se pode propor aumento de salário para professores municipais, projeto que cabe apenas ao prefeito. A CCJ é uma espécie de guardiã da constituição dentro do legislativo. Ou deveria ser. Muitas vezes, os vereadores fazem vistas grossas às irregularidades e aprovam projetos “fora da lei” para atender o pedido de um colega e até trocam favores para terem os seus projetos aprovados na primeira instância.

 

No encontro da rede Adote um Vereador, no fim de semana, ficamos sabendo que a Câmara Municipal de São Paulo, desde a gestão do presidente Antonio Carlos Rodrigues (PR_SP), entre os anos de 2007 e 2010, não apresenta mais o parecer do corpo jurídico da casa sobre os projetos de lei que dão base para a votação dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça. Se o relatório é feito – o que deve ocorrer, por ser uma norma da casa-, não é anexado ao projeto em análise na CCJ nem o cidadão tem acesso. Portanto, é trabalho desperdiçado e desdenhado pelos vereadores que fazem muito mais análise política do que jurídica, permitindo que projetos inconstitucionais continuem andando na Casa, ocupando a pauta, tirando espaço de debates importantes e, algumas vezes, despejados no colo do prefeito para que ele tenha o ônus de vetar a proposta.

 

Em mesa cheia, com gente nova e gente experiente (e tomada de garrafas de água e café), no Pátio do Colégio, a rede Adote um Vereador decidiu que vai pedir, em parceria com o Movimento Voto Consciente, ao presidente da Câmara, José Américo (PT_SP), que retome a prática de anexar os relatórios realizados pelos técnicos do setor jurídico da Câmara aos projetos de lei analisados pelos integrantes da CJJ. É importante que a Comissão, além de receber este documento e torná-lo público, leve em consideração a avaliação técnica para aprovar ou não os projetos de lei, independentemente do comprometimento político dos vereadores.

 

Outras conversas

 

No sábado, quando a rede se reuniu, em São Paulo, fomos apresentados a Henrique Trevisan, um dos integrantes do grupo que desenvolve o Monitor Legislativo, aplicativo que está em construção e pretende ajudar o cidadão a controlar o mandato dos vereadores. A ideia é colocar nas mãos do paulistano, um programa que facilite o acesso às informações do vereador e dos trabalhos da Câmara, tornando mais transparente a ação do legislativo municipal. A forma como muitas das informações estão publicadas no site da Câmara impedem, por exemplo, o cruzamento de dados. E já aprendemos que a transparência não se faz com informação publica, mas com informação acessível.

 

Lá no Pátio do Colégio, também, duas novas parceiras foram integradas ao grupo, interessadas em acompanhar o trabalho dos vereadores paulistanos. São elas, Rute e Gabriela Cabral, mãe e filha, que moram na Vila Formosa, onde vários parlamentares foram eleitos para a atual legislatura. Após ouvir a experiência de integrantes do Adote, ambas se comprometeram a monitorar, fiscalizar e controlar um desses vereadores.

 

E você está de olho no que o seu vereador faz pela cidade? Adote um vereador!

Adote um Vereador ganha aplicativo para celular

Com as facilidades oferecidas pela Fábrica de Aplicativos, criação do engenheiro de computação Guilherme Santa Rosa, a rede Adote um Vereador ganha mais uma ferramenta digital para facilitar o acesso às informações e análises sobre os vereadores e as câmaras municipais. O aplicativo do Adote pode ser baixado em qualquer telefone celular e foi desenvolvido pelo Alecir Macedo, um dos fundadores da rede de cidadãos que se dedica a controlar o trabalho do legislativo nas cidades brasileiras. A ideia é simples e oferece com apenas um toque informações como o telefone e e-mail dos vereadores da cidade de São Paulo. É possível encontrar ainda as notícias do Adote um Vereador no Facebook e Twitter, além de vídeos que ensinam como participar deste projeto. O aplicativo está em fase de implantação, já passou por algumas atualizações e está à disposição do cidadão e dos especialistas em mídias digitais para que fique ainda mais adaptado as demandas do cidadão. Se você tiver uma boa ideia, mande para nós, visitando o site www.adoteumvereadorsp.com.br. E adote um vereador.

Rede Adote um Vereador é destaque na TV Câmara

 

 

A rede Adote um Vereador, criada em 2008, foi destaque no programa Sala de Visita, da TV Câmara, veículo da Câmara Municipal de São Paulo, a convite do vereador Ricardo Young do PPS. Cláudio Vieira que acompanha a candidatura de Marcos Aurélio Cunha do PSD e Rafael Carvalho que adotou Young foram entrevistados e contaram suas experiências no trabalho de fiscalização dos parlamentares.

"Meio passo à frente", diz Voto Consciente sobre Mesa Diretora

Por Danilo Barboza
Diretor Geral do Movimento Voto Consciente

 

Soube pelo jornalista Milton Jung, da CBN, que a reunião da Mesa Diretora da Câmara de São Paulo, realizada na última terça-feira 8 de agosto, foi aberta ao público. Pela mesma fonte, soube que não foi transmitida pela internet. Meio passo à frente, então. Soube ainda que a Web Rádio da Câmara estranhou o não comparecimento de organizações da sociedade civil àquela reunião. Fui à página da Rádio, e sob o título Vereadores se reúnem para tratar de assuntos administrativos, escrito por Jean Silva, encontrei “As reuniões da Mesa Diretora são abertas para a participação das organizações da sociedade civil, mas apesar disso nenhuma compareceu.”

 

Não conheço Jean Silva, mas ele com certeza entrou este mês para a Câmara. Se estivesse lá há mais tempo, saberia que as reuniões da Mesa eram abertas na legislatura passada, e foram fechadas por todo o primeiro semestre deste ano por decisão da Mesa Diretora empossada nesta. Saberia também que o motivo alegado para tal fechamento foi que nas reuniões se discutiam licitações públicas, e sua análise em reuniões abertas poderia prejudicar o processo licitatório. Talvez soubesse ainda das contestações que fizemos, nós do Movimento Voto Consciente, a esta decisão, inclusive mostrando-a falaciosa, pois as decisões sobre compras eram e são tomadas pela Comissão de Licitação, e meramente homologadas ou rejeitadas pela Mesa.

 

Note-se que, na matéria mencionada, foi relatado que entre os temas discutidos na reunião estavam várias aquisições e substituições de equipamento, todas elas necessariamente assunto de licitações, presentes ou futuras. Ora, ou o motivo alegado não era real – e quando do fechamento da primeira reunião do ano, a que as organizações estavam presentes, o motivo oferecido foi outro – ou os membros da Mesa mudaram seu entendimento sobre o sigilo da discussão das licitações.

 

O que Jean Silva não poderia no entanto saber é que, na reunião de instalação da CPI dos transportes, o Presidente da Casa nos prometeu verbalmente que as reuniões passariam a ser abertas no segundo semestre, e que ele avisaria a sociedade desta mudança. No Movimento Voto Consciente, não recebemos qualquer aviso.
Finalmente nós e as outras organizações da sociedade civil dependemos da agenda da Câmara para saber o que acontecerá na Casa a cada dia. Na terça-feira dia 8 não havia menção de reunião da Mesa Diretora.

 

O importante disto tudo, no entanto, é que as reuniões serão abertas doravante, e por esta mudança damos parabéns aos vereadores. Tentaremos estar presentes a cada uma, mas talvez seja necessário optar por assistir à alguma pela internet, em cujo caso esperamos que a transmissão das reuniões também seja aberta.

Serviço oficial da Câmara "reclama" ausência de cidadão em reunião da Mesa

 

“As reuniões são abertas para organizações da sociedade civil, mas apesar disso ninguém compareceu”. A frase encerrou boletim produzido por Jean Silva, da Web Radio da Câmara Municipal de São Paulo, serviço de informação do legislativo paulistano. Ele se referia a reunião da Mesa Diretora que se realizou na terça-feira, quando entre outros temas a Casa anunciou que estuda a compra de um novo painel eletrônico do Plenário com tecnologia full HD de 51 polegadas. Segundo o informativo oficial não teria havido a presença de nenhum cidadão no encontro além de um grupo restrito de vereadores, todos devidamente nomeados na reportagem. A frase pode ter sido usada de forma casual, incluída sem nenhuma intenção obscura, mas soou como puxão de orelha nas entidades que se comprometem a fiscalizar a ação dos parlamentares. Um indevido puxão de orelha diga-se de passagem. A começar pelo fato de que ninguém tem obrigação de estar assistindo às reuniões do parlamento. Mas, principalmente, porque foi a própria Mesa Diretora que fechou as portas à participação popular, no primeiro semestre do ano. A justificativa é que nos encontros dos integrantes da Mesa estariam sendo discutidos temas referentes a licitações públicas que deveriam ser mantidos em segredo para não causar prejuízos ao processo. Pelo visto, estes assuntos foram superados e, portanto, as reuniões da Mesa voltam a ser abertas e os cidadãos passam a ser bem-vindos, novamente, pelos vereadores. Boa notícia, infelizmente contada de forma provocativa. Desculpe-me, ao menos que soou provocativa, pois a mesma reportagem, por exemplo, esqueceu de informar ao cidadão o nome dos parlamentares que – assim como as organizações da sociedade civil – estiveram ausentes da reunião (talvez nem fosse necessário lembrar, mas os parlamentares, estes sim, têm obrigação de comparecer as atividades da Câmara).

 

Apenas mais uma referência ao caso: assim como as portas, as transmissões pela internet da reunião da Mesa também podem ser reabertas, isto aumentará a participação de cidadãos. Parece-me que a reunião de terça não foi transmitida. Se eu estiver enganado, por favor me corrija, porque quando erro gosto de pedir desculpas em vez de fazer ameaças.