ADOTE UM VEREADOR
Identifica posts que estejam relacionados a campanha Adote um Vereador
Debate em vídeo sobre os protestos históricos no Brasil
Os protestos pela qualidade do serviço público, a corrupção e mais uma variedade de temas que mobilizam o Brasil há duas semanas motivaram debate que realizei com leitores e equipe da revista Época São Paulo, através do serviço de hangout do Google. A discussão foi durante os manifestos da semana passada, dia 17 de junho.
Mais do que afetar a cidade, os protestos precisam ser entendidos como uma manifestação democrática. E que, como tais, eles integram a cartilha de direitos dos cidadãos paulistanos. Não tinha dúvidas de estar diante de um momento histórico para o Brasil capaz de mudar nosso destino.
Se você perdeu o hangout ao vivo, assista no vídeo acima.
Dos meandros da ação política
Por Nei Alberto Pies
professor e ativista de direitos humanos
Não somos anjos em voo vindos do céu,
mas pessoas comuns que amam de verdade.
Pessoas que querem um mundo mais verdadeiro,
pe“ssoas que unidas o mudarão”.
(Gente, de A. Valsiglio/Cheope/Marati).
Em uma recente sessão ordinária ocorrida na Câmara de Vereadores de Passo Fundo, ocorreu uma discussão inusitada sobre como fazer política entre os Nobres Edis: por consciência ou por demagogia. Este tema nos oportuniza uma importante reflexão sobre a ação política, da qual todos e todas fazemos parte.
Muitos de nós gostaríamos que os políticos fossem anjos. Se assim fosse, estaríamos imunizados de todas as situações e oportunidades que não promovem o bem comum e a prática da bondade. Mas os políticos, assim como cada um de nós, não são anjos e sim humanos, também não perfeitos. A política não é um espaço para a ação de anjos, mas espaço de disputa dos mais diferentes interesses que estão em jogo na sociedade. A disputa destes interesses é legítima, desde que os mesmos estejam sempre bem explicitados, para que todos saibam o que move os políticos quando se propõem a representar os interesses da população.
As contradições no exercício do poder estão sempre presentes nos movimentos que operam a política. Os políticos posicionam-se a partir das conjunturas e contextos de cada momento, das articulações e negociações que são possíveis para aprovar os projetos que estão em pauta, das forças sociais que estão mobilizadas em cada momento histórico. É natural que joguem com seus interesses pessoais, mas é inaceitável, numa democracia, que estes se sobreponham aos interesses coletivos.
As agremiações partidárias (partidos) expressam e materializam os projetos de sociedade que estão em disputa nas cidades de nosso país. Estes projetos traduzem-se em propostas concretas de como governar, de como construir as políticas públicas, de como distribuir a renda, de como construir oportunidades de desenvolvimento das nossas cidades e da própria nação. Os interesses pessoais e a defesa de projetos coletivos andam “sempre juntos e misturados” e traduzem-se em diferentes conseqüências. É preciso, no entanto, sempre contemporizar as posições e atitudes pessoais dos políticos com os projetos que os mesmos representam, observadas as circunstâncias e as intencionalidades em que ambas acontecem.
Os nossos políticos não representam a si próprios, mas representam interesses em disputa na sociedade. Talvez fosse mesmo melhor sermos governados por anjos, seres sobrenaturais imunes a qualquer interesse mundano. Como não é possível, cabe a cada um e cada uma avaliar o projeto com o qual cada um dos nossos representantes está comprometido. O compromisso com a vida humana, com a sociedade, com o bem comum e com as virtudes é o bem maior que deve ser resguardado, pelos políticos e pela gente.
Ideia do Adote Um Vereador vira lei em São Paulo

O Serviço de Atendimento ao Cidadão, no site da prefeitura de São Paulo, passará a estampar um ícone que permitirá o envio de fotografias pelos moradores que registrarem reclamações sobre buraco na via, calçada ruim, árvores necessitando de poda ou semáforo quebrado, por exemplo. O mesmo benefício também será oferecido a quem procurar o SAC, pessoalmente, nas 31 praças de atendimento das subprefeituras.
O prefeito Fernando Haddad (PT) transformou em lei a ideia que foi apresentada por Cláudio Vieira, do Adote um Vereador, ao seu “afilhado”, o vereador Marco Aurélio Cunha (PSD). O parlamentar apresentou o projeto de lei, no ano passado, e antes de ser aprovado pelos colegas da Câmara já havia recebido prêmio da Fundação Mário Covas por “Boas Práticas Legislativas”. De acordo com o verador Cunha, a lei “vai melhorar para o munícipe, que poderá embasar melhor seus pedidos, e para a prefeitura, que vai agilizar o atendimento da solicitação, já que a zeladoria do município terá a real dimensão da solicitação ao ver a imagem”.
A transformação em lei de uma ideia que surgiu de um cidadão é motivo de orgulho para todos que participamos do Adote um Vereador, pois além de mostrar que somos capazes de interferir no desenvolvimento da nossa cidade, ratifica a importância de as pessoas se aproximarem do legislativo e acompanharem de perto o trabalho dos parlamentares. Cláudio Vieira já tem outra de suas ideias transformada em projeto de lei e aprovada em primeira votação, na Câmara Municipal. É a que obriga os valets a registrarem a quilometragem do carro no boleto entregue ao motorista. Uma forma de impedir que o veículo seja usado indevidamente pelos manobristas.
Parabéns ao Cláudio e a todos que acreditam no poder do cidadão. Obrigado ao vereador Marco Aurélio Cunha por ouvir a palavra do cidadão.
Como buscar informações para controlar seu vereador
Milton,
Eu queria “adotar um vereador“. Em quais fontes eu consigo informações seguras e atualizadas sobre eles?
Durval Salinas
É comum a dúvida do ouvinte-internauta Durval Salinas, enviada por e-mail. Ao mesmo tempo, é motivadora, pois revela o interesse do cidadão em acompanhar o trabalho dos vereadores na sua cidade. Vou, então, tentar ajudá-lo e, por tabela, todos aqueles que podem se engajar na rede Adote um Vereador.
No jornalismo temos a figura da fonte primária, ou seja, o personagem principal do fato, o protagonista da notícia. Em lugar de querer saber o que pensa a autoridade através de seus assessores ou pessoas de seu círculo pessoal, ouve-se diretamente a fonte. Nem sempre esta estratégia funciona devido a falta de acesso ou interesse da fonte em falar com o jornalista. Mesmo que fale e diga o que pensa, aquela opinião não está isenta de checagem, cabendo ao jornalista consultar outras pessoas que podem ajudar a entender se o que a fonte principal disse é o que realmente pensa ou se é o que quer que seja publicado. Esta prática é frequente, principalmente no mundo da política. O papel do jornalista é mediar todas as opiniões em busca da verdade.
O cidadão também pode fazer este exercício para controlar o seu vereador. Por isso, ouvir a opinião dele é importante e para tal pode-se ligar para o gabinete, ir até a Câmara ou, mais fácil, enviar-lhe um e-mail (os endereços costumam estar no site da Câmara). Pergunte sobre os temas que lhe interessam, os projetos de lei que apresentou ou estão em discussão, a forma como utiliza o dinheiro do gabinete, entre outros assuntos. Talvez você se surpreenda ao perceber que alguns vereadores respondem as mensagens, seja diretamente seja através de seus assessores. Se não responderem, você já tem um bom motivo para pegar no pé dele, pois se os vereadores são nossos representantes, são obrigados a prestar conta para o público.
Acompanhar o noticiário no rádio, na TV, nos jornais e na internet costuma ser uma boa alternativa para ter informações sobre o trabalho do vereador, principalmente os mais ativos ou os que ocupam cargos de comando. Aproveite, também, o serviço de alerta do Google e o programe para enviar-lhe e-mail sempre que surgirem citações com o nome do vereador. De vez em quando, dê uma busca nele.
O site da Câmara Municipal da sua cidade deve ser uma fonte de informação. Lá têm de estar listados os projetos de lei apresentados pelo vereador e o estágio que estes PLs estão (em discussão, nas comissões, aprovados ou rejeitados). Tem de ter ainda a lista de presença nas sessões e nas comissões. Lembre-se cada vereador integra uma das comissões da casa (finanças, constituição, transporte, saúde, etc). Seu vereador tem comparecido a todas as votações? De qual comissão ele participa? E como votou cada projeto? Tem de estar tudo registrado no site. Assim como é fundamental que estejam publicadas as contas do gabinete: quanto de dinheiro foram gastos para pagar funcionários, material de escritório, combustível, aluguel de carro, dentro outros custos. Caso você não encontre estas informações, que são um direito do cidadão, comece uma campanha cobrando o presidente da Câmara e o seu vereador.
Existem muitas outras formas de levantar dados sobre o vereador que você adotou, algumas você mesmo vai descobrir no decorrer do trabalho de fiscalização. Mas se usar os métodos citados acima, certamente terá um arsenal de dados que pode lhe ajudar a avaliar melhor o trabalho do parlamentar. Por favor, publique todas as informações em um blog, Tumblr, Facebook ou qualquer outra rede social, sempre exercitando o seu direito de crítica e análise.
Controle os políticos, antes que os políticos controlem você.
Adote um Vereador motiva cidadãos a agir

– Tô pelas tampas
Assim dona Sônia se apresentou na reunião do Adote um Vereador, nesse sábado, no Pátio do Colégio. Com discurso acelerado e incomodada com a mudança de linha de ônibus que passava na rua dela, no bairro de Mirandópolis, próximo da Praça da Árvore, sentou à mesa querendo saber o que é preciso fazer para reclamar aos vereadores e pedir outras providências que considera essenciais para a cidade. Ficou surpresa quando dissemos que poderia ligar para o vereador – o telefone está no site da Câmara – ou ir até lá e procurá-lo no gabinete. Se não encontrá-lo, teria a oportunidade de falar com os assessores. Entusiasmada, foi embora com dois nomes anotados em um guardanapo de papel: Ricardo Young, em quem votou, e José Police Neto.
Entusiasmados também estavam Vanderson e Paulo Henrique que haviam chegado de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, onde lançaram recentemente o Movimento Voto Consciente, e já contam com o apoio de 28 pessoas. Vanderson explicou que diante de tantas mazelas pretendia ajudar a cidade onde mora, mas não apenas reclamando e, por isso, decidiu mobilizar a rede de amigos e conhecidos em uma página no Facebook. o encontro, no Pátio, serviu para trocarem experiência com o Danilo e a Sonia Barbosa que estão à frente do Voto Consciente, em São Paulo.
A presença de cidadãos contando suas experiências e o desejo de melhorarem o ambiente em que vivem, incentivados pelo trabalho realizado pelos voluntários do Adote um Vereador, nos motiva a persistir, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentamos para avançar. Temos limites, carências e nos falta estrutura para ações mais bem organizadas, mesmo assim temos provas a cada dia – ao menos a cada reunião – que somos capazes de mexer o sentimento de cidadania muitas vezes adormecido dentro das pessoas. Quando elas descobrem do que são capazes mudam a si mesmo, antes de mudarem a cidade.
Curitiba terá alunos no Adote um Vereador
A participação de jovens na política pode ser o início de um processo de transformação e conscientização, por isso saber da iniciativa de uma escola em Curitiba, no Paraná, em lançar o projeto “Adote um Vereador”, envolvendo os alunos, me deixa bastante satisfeito. Para entender como vai funcionar, publico
o texto que encontramos no site Bonde:
A professora Sônia Regina Cordeiro Silva apresentou à Câmara Municipal de Curitiba, na sessão da última segunda-feira (1º), a campanha “Adote um vereador”. Implantada com alunos do 3º ano do Ensino Médio do Colégio Estadual João Paulo II, a iniciativa integra o projeto “Manifestações políticas nas ruas e praças da cidade: um ato público de cidadania”, elaborado pelo Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) do governo estadual.
“A cidadania não nasce com a gente. Precisamos aprender a ser cidadãos, e a escola é espaço para isso”, destaca a docente, que participou da sessão a convite da vereadora Professora Josete (PT). “O projeto pretende motivar a reflexão crítica do papel do aluno como cidadão. Também envolve a participação política”, complementou. O trabalho desenvolvido por Sônia tem a orientação do professor Dennison Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e integra a disciplina de História do Colégio Estadual João Paulo II.
Os estudantes vão acompanhar, por meio da campanha “Adote um vereador”, o mandato de cada um dos 38 parlamentares da Casa. A atuação será avaliada com base em proposições protocoladas, assiduidade, entrevistas nos gabinetes, informações divulgadas no site da Câmara de Curitiba e notícias veiculadas pela imprensa, dentre outros critérios. Os dados coletados serão publicados em página criada na rede social Facebook, intitulada “Terceirão da cidadania”, e os alunos têm visita agendada ao Legislativo no próximo dia 10.
Época São Paulo: É proibido ideia de jerico na cidade
Coluna pública na edição de abril da revista Época São Paulo

Adote um vereador: da petição a indignação, tem de haver participação

Mesa cheia, gente entusiasmada e ideias a serem levadas a frente marcaram o bate-papo do Adote um Vereador. Como sempre ocorre no segundo sábado do mês, os voluntários sentaram no café do Pátio do Colégio para conversar. Havia pessoas novas o que demonstra que o interesse em saber o que acontece na Câmara Municipal tende a aumentar, apesar das muitas iniciativas de vereadores para impedir o acesso ao Legislativo. São reuniões fechadas, discussões que não podem ser gravadas e, soube agora, vídeos que deixarão de ser armazenados no site da Câmara.
O encontro serviu, também, para conhecer a iniciativa de dois cidadãos dispostos a expor os vereadores que temem as investigações contra Aurélio Miguel (PR). A Corregedoria, por iniciativa do vereador Milton Leite (DEM), mais uma vez se negou a cumprir seu papel e deixará que a Justiça procure irregularidades que, por ventura, tenham sido cometidas pelo ex-judoca. Os cidadãos querem denunciar esta farsa, e foram pedir a colaboração do Adote. No Avaaz, abriram petição para colher apoio popular à iniciativa. Esperam que assim alguns vereadores se sensibilizem. Visite o link com a petição eletrônica, e se gostou da ideia assine em baixo. Eu já assinei.
Um dos muitos assuntos tratados em diferentes rodas de conversa foi a dificuldade para se mobilizar outros cidadãos a fiscalizar os políticos. Os compromissos pessoais e profissionais se somam as barreiras impostas pelos próprios parlamentares e gestores públicos que tentam restringir ao máximo o acesso à informação, mesmo aquelas que a legislação obriga. E se isto ocorre em São Paulo, imagine nas cidades menores como Cotia, na região metropolitana. Um dos participantes do encontro contou cada coisa que é de arrepiar o cabelo. Vereadores que são despachantes do prefeito, comissões que não se reúnem ou comissões que se reúnem escondidos do público, além dados que não são divulgados fazem parte desta lista.
Café, água mineral, quiches, bolo e muita conversa depois, saímos do Pátio do Colégio com a convicção: para cada barreira que um vereador crie, mais um cidadão indignado se somará ao grupo. E na soma desta indignação reforçaremos o controle sobre os políticos.
Adote um vereador !
Desculpa da licitação é "pra boi dormir", diz Voto Consciente
Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo
A luta pela maior participação da sociedade e a transparência nos atos públicos, na Câmara Municipal de São Paulo, sofreu revés no início da atual legislatura, com o fechamento das reuniões da Mesa Diretora e a proibição de transmissão na internet. As discussões da reunião de Líderes também estão sob ameaça de ser fechada, não tendo sido, por exemplo, anunciada publicamente, semana passada. As medidas foram defendida pelo presidente da Casa, vereador José Américo (PT), com o apoio de todos os integrantes da Mesa Diretora que tem vereadores do PSDB (2), PR, PSD, PMDB, PV e PTB.
Nesta semana, a coordenadora do Movimento Voto Consciente, Sonia Barboza, que atua na Câmara Municipal, divulgou nota com o título “Para boi dormir !”, criticando o comportamento dos vereadores e mostrando que as justificativas feitas por José Américo para impedir a participação popular não se sustentam
Reproduzo a seguir, o que pensa o Voto Consciente sobre o assunto:
O presidente da Câmara, José Américo, para justificar fechar as reuniões da Mesa Diretora ao público, acabando com a transparência delas, no dia mesmo em que fechou a primeira, declarou que queria ter liberdade para chamar atenção de seus funcionários, sem constrangê-los perante uma plateia.
Depois, talvez achando que a desculpa não “pegou”, resolveu usar como justificativa o sigilo que as licitações impõem. Disse inclusive que antigos presidentes tinham atitude hipócrita ao permitir a entrada da imprensa e dos membros da sociedade que compareciam às reuniões.
Tanto uma como a outra são razões inaceitáveis. Quanto à primeira, bastaria que tivesse cuidado com suas palavras ao se dirigir aos seus funcionários. Não estamos falando aqui de funcionários quaisquer, somente o alto escalão da Casa participa daquelas reuniões, alguns deles doutores e de muita competência.
A segunda também não procede. As licitações são feitas na Câmara pela Comissão de Julgamento de Licitações (CJL). Ela as prepara, em qualquer modalidade, e pede autorização à Mesa para dar-lhes prosseguimento. Recebida esta autorização, a CJL finaliza a preparação e lança um edital. Só então aparecem as propostas, que a Comissão recebe fechadas dos concorrentes. No dia marcado para a abertura destas propostas, a Comissão as abre em sessões públicas, terminando aí qualquer sigilo. As licitações são então adjudicadas, isto é, o vencedor e os preços de todos já são conhecidos. A CJL pede então à Mesa que as homologue (ou não) a licitação. Para isso não há sigilo. Quem faz todo o trabalho é a Comissão, que o faz de portas abertas.
Então, senhor presidente, procure outra razão para eliminar a transparência das reuniões da Mesa, porque estas só são boas para boi dormir!!!
Sonia Barboza
Coordenadora dos voluntários na CMSP
Movimento Voto Consciente
