Adote um Vereador: você é quem vai financiar a campanha eleitoral

 

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Encontro do Adote, em São Paulo Foto: Alecir Macedo

 

– Você vai?
– Vô.
– Eu, tô fora!
– Vai com a gente!?
– Sou contra.
– Eu não; sou apenas um observador.
– Quem sabe apareço lá.

 

Era o que se ouvia nas conversas em volta da mesa do café do Pateo do Collegio, durante o encontro do Adote um Vereador, que ocorreu um dia antes da manifestação contra o Governo Dilma, em boa parte do Brasil. Um diálogo que explica a essência do grupo que costuma se reunir no segundo sábado do mês, no centro de São Paulo: saudável, tolerável, democrático … possível, eu diria, apesar de pouco exercitado na maioria das rodas políticas.

 

Sim, ali, entre um café, um copo d’água e o suco de laranja – pagos pelo nosso próprio bolso, sem lei de incentivo, verba de gabinete ou pixuleco -, pessoas com tendências políticas divergentes são capazes de conversar, pois estão unidas pelo desejo de cobrar dos agentes públicos que atuem em respeito ao cidadão.

 

Parece-me, também, que não têm a ilusão de que precisamos de um salvador da pátria na política brasileira. Sabem que somente com o cidadão atento e fiscalizando o trabalho dos parlamentares conseguiremos melhorar a qualidade do legislativo.

 

No Adote um Vereador somos adeptos do lobby do bem para combater os grupos que tentam se beneficiar economicamente, influenciando projetos de lei e decisões no parlamento. E, apesar da aparente fragilidade diante dos grupos mais poderosos que atuam nas câmaras municipais – nosso foco de ação – acreditamos que a sociedade mais bem informada se fortalece e qualifica o seu voto na eleição.

 

Na tarde de sábado, enquanto alguns justificavam sua presença ou ausência no ato dominical, ouvi um dos grupos de conversa chamar atenção para tema que precisaremos divulgar com maior alarde neste ano de eleição municipal: o fundo partidário.

 

Em ano no qual os cofres públicos estão em frangalhos e os governos rapam o tacho para pagar suas contas, os partidos políticos garantiram repasse de R$ 819 milhões, quase o triplo do que era previsto inicialmente no Orçamento da União.

 

O fundo partidário é dinheiro que vem de parcela dos impostos que pagamos. Portanto, somos nós que tiramos do nosso bolso para financiar os partidos e seus políticos.

 

Do total reservado no Orçamento da União, 5% é distribuído de forma igual a todos os 35 partidos políticos constituídos no Brasil.

 

95% do dinheiro vai para as siglas na proporção de votos obtidos na eleição para a Câmara dos Deputados.

 

Tem partido que mal consegue um voto na eleição, é incapaz de eleger um vereador sequer, quanto mais um deputado federal, mas, mesmo assim, recebe nosso rico dinheirinho: algo em torno de R$ 1,1 milhão por ano. É muito mais do que a maioria das empresas brasileiras consegue arrecadar (vale mais a pena abrir um partido do que uma empresa, no Brasil?)

 

A justificativa para separar tanto dinheiro do Orçamento da União para os partidos, mesmo diante da crise econômica que enfrentamos, é a lei eleitoral que está em vigor. Está proibida a doação de empresas para as campanhas políticas. Só pode entrar na conta dinheiro doado pelo cidadão. E, claro, do fundo partidário, que também é financiado por mim, por você, por todos nós.

 

Este ano, as campanhas terão de ser mais comedidas e o dinheiro não vai jorrar com a mesma facilidade. Além disso, muitas empresas, que antes aceitavam pagar por fora – vulgo, Caixa 2 -, vão pensar um milhão de vezes, traumatizadas com os efeitos da Operação Lava Jato.

 

O Fundo cresceu, mais dinheiro nosso vai para as campanhas e, portanto, mais explicações esses partidos e políticos terão de nos dar.

 

Quando você deparar com um candidato, lembre-se: a campanha dele está sendo paga com o seu dinheiro; você tem o direito de saber como ele está gastando esse dinheiro.

 

Tenho certeza de que voltaremos ao assunto nos próximos encontros. E convidamos você a, desde agora, espalhar e discutir este tema entre seus amigos, familiares e colegas de trabalho, independentemente de ter ido, fugido, se escondido ou se colocado contrário as manifestações deste domingo. Porque o que nos interessa é ver o cidadão participando da política da sua cidade, honesta e legitimamente.

Os ruídos da Lei de Zoneamento em São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A lei de zoneamento, aprovada pela Câmara Municipal de São Paulo, que vai agora para a sanção do prefeito Fernando Haddad,  contempla claramente os desejos de comerciantes e construtores. O texto legaliza o que está consumado e amplia a penetração de ocupação não residencial dentro dos 4% das áreas preservadas do município de São Paulo. E, para demonstrar que o espírito é esse mesmo, foram apresentadas emendas para liberar áreas específicas para duas empresas: a Fonte Cristalina, no Jardim Petrópolis, a pedido do vereador Jair Tatto (PT), e uma construtora, proprietária de terreno na Rua Fidalga, por solicitação do vereador Dalton Silvano (DEM).

 

O ponto mais elucidativo desta nova Lei , quanto às intenções da qualidade de vida, surge na questão dos ruídos urbanos. O silêncio, tão valorizado nas sociedades desenvolvidas, é esquecido entre nós, pois o único controle existente, o PSIU, não atende a moradores e não é atuante. Por isso esperávamos que houvesse uma legislação a contento para o controle do barulho urbano, principalmente aquele decorrente de atividades comerciais como baladas, shows, lançamento de produtos e festas em locais improvisados, notadamente em áreas exclusivamente residenciais.

 

Essa expectativa estava sintonizada com o momento internacional, pois a humanidade trava a batalha mundial para baixar os índices de poluição. Eis que o Zoneamento proposto aumenta a tolerância aos ruídos. Específicos 45 decibéis para 50. Uma pequena derrota diante da redução da multa que terá seu teto de 40 mil reduzidos para oito mil reais.

 

Antes que os barulhos, real e metáforico, se propaguem, outro barulho será iniciado por algumas entidades de bairro e pelos vereadores Gilberto Natalini (PV), Ricardo Young (PPS) e Andrea Matarazzo (PSDB), através de ações judiciais.

 

As 232 emendas surgidas na quarta-feira que antecedeu a votação, o que impediu qualquer análise, e a equiparação de benefícios apenas aos bairros do Pacaembu, Lapa e Jardins, serão certamente argumentos lícitos.

 

Não podemos posar de surdos, quando os ruídos começam a incomodar.

 

E como as eleições estão aí, vale lembrar o nome dos vereadores que votaram contra a lei de zoneamento e a favor da cidade:

 

ABOU ANNI PV
ANDREA MATARAZZO PSDB
AURELIO NOMURA PSDB
MARIO COVAS NETO PSDB
NATALINI PV
PATRICIA BEZERRA PSDB
RICARDO YOUNG PPS
TONINHO VESPOLI PSOL

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

SP Zoneamento: lei será votada na quinta-feira

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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À véspera da votação da Lei de Zoneamento, surgiram 188 emendas. Onde se identifica algumas proposições que desvirtuam o mérito, enquanto outras se aprofundam na permissibilidade à preservação ambiental da cidade de São Paulo.

 

Vamos a elas.

 

1. Autorização específica do aumento do ruído urbano de 45 decibéis para 50 decibéis.

 

2. Diminuição do valor da multa do PSIU aos infratores. O valor máximo de R$ 38 800,00 passará parar R$ 8 000,00.

 

3. Manutenção de usos impactantes nas ZCor (zona corredor).

 

4. Aumento do gabarito construtivo que já tinha aumento de oito para 14 andares, extrapolado para 16 andares.

 

5. Retirada de 3,2 milhões de metros quadrados de áreas marcadas como zonas de proteção ambiental.

 

6. Liberação à construção civil de 1,4 milhão de metros quadrados de áreas de proteção aos mananciais.

 

7. Permissão para edificação de imóveis de cinco andares nas ZCor residenciais.

 

Todas estas medidas oferecidas à cidade se juntam aquelas específicas para as ZERs (zona estritamente residencial), liberando atividades comerciais em suas áreas até então preservadas.

 

Não bastasse isso, uma manobra política permitiu que a votação fosse feita com um quórum mínimo de 33 vereadores. Quando o normal para uma Câmara de 55 membros, é o quórum mínimo de 37 vereadores.

 

Suspeita-se que 33 é a quantidade de votos que Haddad tem para aprovar o Projeto.

 

Ontem, na Câmara Municipal de São Paulo os vereadores decidiram que a votação deste Projeto de revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, será realizada amanhã, quinta-feira, 25.

 

Se este Zoneamento for aprovado, “SÃO PAULO NÃO PODE PARAR” de tanto orgulho em um passado recente, terá que adotar o “SÃO PAULO NÃO PODE RETROCEDER”.

 

NON DUCOR DUCO, a luta continua.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Como impedir que os vereadores controlem as subprefeituras?

 

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Gente nova sempre é bem-vinda. No mínimo, é a prova da nossa existência e de que ainda conseguimos ser a esperança de mudança para alguém.

 

Gente nova também é importante porque renova o ambiente. No caso da Eliana Lucania, renova com o entusiasmo de quem acredita no poder do cidadão.

 

Ela chegou no meio do nosso bate-papo, no café do Pateo do Collegio, centro de São Paulo, onde todo o segundo sábado do mês, os incentivadores do Adote um Vereador se reúnem informalmente.

 

Eliana estava acompanhada do marido, Fabiano Alves. Um casal entusiasmado. Eles vieram da Aclimação. Dispostos a entender o que fazíamos ali. Talvez tenham ido embora sem entender bem como funcionamos, mas deixaram na conversa informações que nos serão muito úteis no controle da coisa pública.

 

A influência dos vereadores nas subprefeituras foi um dos temas que tratamos no encontro desse sábado.Independentemente das estratégias usadas pelo prefeito de plantão, a impressão que se tem é que o poder dos vereadores sempre se manteve. Seja apadrinhando o próprio subprefeito, que se transforma em um estafeta do parlamentar, seja indicando funcionários para cargos estratégicos.

 

No momento em que o vereador assume o comando de uma subprefeitura, mesmo que de forma indireta, está usurpando a função legislativa. Como legislador tem o papel de criar e discutir leis; e, também, obrigação de fiscalizar o executivo, ou seja, o prefeito, os secretários e o funcionamento de todos os órgãos ligados ao município, inclusive às subprefeituras.

 

Como fiscalizar, se a subprefeitura é dele? Como cobrar, se está se beneficiando do poder concedido pelo prefeito? (cartas para redação, como diriam meus colegas jornalistas de antigamente)

 

É aí que entramos. Nós, cidadãos. Precisamos descobrir formas de identificar esta ligação promíscua e deletéria entre prefeito e vereadores, que permite a aprovação de toda e qualquer barbárie na Câmara desde que interesse aos grupos que atuam em conluio.

 

Um recurso de controle das subprefeituras é o conselho participativo, que acaba de ser empossado, em novo mandato. A posse não é garantia de funcionamento. Por falta de interesse ou inépcia, prefeitura e subprefeituras não oferecem estrutura ou conhecimento para que estes conselhos se organizem e tenham capacidade de fiscalizar. Muitos dos seus participantes não sabem sequer por onde começar.

 

No nosso grupo, temos a Rute e a Gabi, que são da Vila Formosa. A primeira está nos conselhos desde a primeira eleição; a segunda é novata na função. As duas, porém, estão bem informadas e são muito esforçadas no desejo de fazerem diferença no trabalho que realizam. Vão precisar bem mais do que isso para mexerem nessas estruturas arcaicas e coronelistas mantidas há tantos anos em São Paulo. Ambas aceitam a sua sugestão. E gostaram de algumas ideias que surgiram na conversa desse sábado.

 

O Saul também esteve conosco. É do Bom Retiro. E acabara de sair de um encontro de integrantes de Conselhos de Segurança. Há um movimento com o objetivo de unir e fortalecer estas entidades. Poderiam trazer sua experiência para outros setores além da segurança pública.

 

Estiveram conosco também o Alecir da Cachoeirinha, a Lúcia e a Silma da Santa Cecília, o Vítor e a Aline de São Miguel, a Sílvia e o Fabiano da Aclimação, o Moty da Consolação e o Bruno da Móoca. Cada um vem de um canto e senta ao nosso lado disposto a palpitar, ajudar e fazer da cidade um lugar de todos nós e não apenas daqueles grupos que controlam os órgãos públicos (e as subprefeituras).

Adote um Vereador: “Se você não participa, os outros decidem por você”

 

 

“Se você não participa, os outros decidem por você”, diz Bruno Kim em conversa com os integrantes do Adote Um Vereador. Ele defende a ideia de que o cidadão acompanhe de perto o trabalho do vereador e interfira nas decisões que ele toma na Câmara Municipal.

 

Saiba mais sobre o Adote um Vereador aqui

 

O Adote um Vereador se encontra no segundo sábado do mês, no café do Pateo do Collegio, centro de São Paulo, das 14h às 16h.

Adote um Vereador: “exija transparência do seu vereador”

 

 

No Adote Um Vereador, Alecir Macedo e Sílvia Tiesenhausen falam da necessidade de o cidadão fiscalizar o mandato do seu representante na Câmara Municipal. Eles atuam no Adote, em São Paulo, e não se acanham em procurar onde for possível informações e dados que mostrem o que o vereador faz ou deixa de fazer pela cidade: “quem procura, acha”, diz Alecir, .

 

Ao mesmo tempo que o cidadão tem o direito de controlar o que faz um político, este tem obrigação de publicar seus atos. Caso informações como projetos apresentados, presença em plenário ou gastos com dinheiro público não estejam acessíveis, é nosso papel cobrar da Câmara e do vereador: “exija transparência do seu vereador”, recomenda Sílvia.

 

O Adote um Vereador tem a intenção de aproximar o cidadão da política e fazer com que este se transforme em um fiscal do legislativo municipal, ou seja, dos vereadores. Todo segundo sábado do mês, integrantes do Adote trocam experiência em encontro  que se realiza no café do Pateo do Collegio, no centro de São Paulo, das 14 às 16 horas. Todos são convidados a participar.

Adote um Vereador: tinha tudo para dar errado e deu tudo muito certo

 

 

Tinha tudo para dar errado.

 

Nunca nos encontramos em janeiro e sempre nos encontramos no segundo sábado do mês.

 

Era janeiro e este era o terceiro sábado do mês.

 

O Alecir nunca falta, mas tinha um casamento na agenda. Que a festa tenha sido à altura do merecimento dos envolvidos. Vida longa para o casal!

 

A Sílvia que sempre aparece, havia reservado o período para visitar os parentes. O que é muito saudável.

 

O Mário, que havia convocado nosso “Carnaval fora de época”, foi ao interior para atender uma emergência. E temos certeza de que lá a presença dele foi de profunda importância. Nossa solidariedade.

 

Ao chegar no café do Pateo do Collegio, onde o Adote um Vereador, em São Paulo, se encontra, até que havia bastante gente. Muita mais gente do que estamos acostumados a ver por ali. Eram turistas querendo conhecer detalhes do local em que São Paulo foi fundada há 462 anos.

 

Fico feliz em perceber o interesse das pessoas por aquele espaço. Mas nenhum estava lá para o nosso encontro.

 

Diante do movimento, restava uma mesa com quatro lugares, que ocupei com a expectativa de que seria suficiente para receber os demais. Ledo engano. Ainda não havia terminado de almoçar e a Lúcia já se aprochegava com as compras feitas no comércio popular das redondezas. Em seguida, apareceu o casal que inspira nossas lutas cidadãs: Danilo e Sonia.  Não demorou muito para o Saul, a Silma, a Rute, a Gabi, o Sandro, o Moty e o Marcos se juntarem a nós.

 

Era gente mais do que suficiente para buscarmos mesa maior e colocarmos o assunto em dia. E assunto não faltou (e logo encontramos outra mesa).

 

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Soubemos que os novos conselheiros das subprefeituras vão tomar posse no dia 25 de janeiro, data de aniversário da cidade. A Rute e a Gabi, que estavam à mesa, foram eleita e sinalizaram entusiasmo para o próximo mandato, apesar de incomodadas com a falta de estrutura para essas organizações influenciarem as ações dos subprefeitos.

 

A eleição direta para subprefeitos, proposta pelo prefeito Fernando Haddad, esteve no nosso cardápio, também. Eu já disse que sou a favor, com participação de partidos e candidaturas avulsas, mas na mesa havia votos contrários e desconfiados, sensação que se justifica dadas as referências que temos de partidos e políticos, no Brasil. Insisto, porém, que ambos são necessários na democracia, temos é que usar as ferramentas disponíveis para melhorar o funcionamento dessas instituições.

 

O Adote um Vereador está aí, desde 2008, exatamente com esta proposta: inspirar o cidadão a influenciar nos destinos da sua cidade a partir da fiscalização do trabalho dos vereadores. Sugerir mudanças e cobrar respeito. Denunciar condutas impróprias e mobilizar as pessoas.

 

Nossa causa costuma ganhar adeptos em ano de eleição municipal, por isso estamos confiantes de que este 2016 será importante para darmos nova dimensão ao trabalho do Adote um Vereador. No encontro deste sábado, apresentamos alguns dos vídeos que pretendemos espalhar nas redes sociais (um deles está aqui no post) nos quais falamos sobre nossa experiência e convidamos outras pessoas a vivenciarem esta mesma sensação.

 

 

E foi quando rodei os vídeos que percebi: o Mário estava ali com a gente, o Alecir e a Sílvia, também. Tinha ainda o Bruno, recém-chegado e com palavras inspiradoras já gravadas. Havia, também, um pouco da história de todos aqueles que estiveram conosco em algum momento desde a criação do Adote e já sentaram à mesa conosco no café do Pateo do Collegio.

 

Ao fim e ao cabo, aquilo que tinha tudo para dar errado, deu certo! Mais uma vez, deu certo!

Formandos do EJA do Colégio Santa Maria dão aula de cidadania

 

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Inspirar a cidadania é uma pretensão do Adote um Vereador, criado em 2008, com o objetivo de aproximar as pessoas da política da sua cidade. Pretensiosos que somos conseguimos avanços importantes, especialmente nos primeiros anos, com a criação de um grupo ativo, que agitou a Câmara Municipal de São Paulo, conseguiu provocar mudanças de procedimento e foi capaz, inclusive, de aprovar projetos de lei. O Adote contaminou cidadãos de outras partes que passaram a desenvolver ações em suas cidades, por sua conta e risco.

 

Neste mês de dezembro, às vésperas do início de um ano em que teremos eleições municipais, os pretensioso do Adote um Vereador têm o que comemorar. No Colégio Santa Maria, tradicional na zona sul de São Paulo e cenário de lutas políticas no passado, 97 alunos da Educação de Jovens e Adultos estarão se formando no ensino médio. Não é apenas mais uma turma que alcançou sua meta e tenta mudar sua própria vida. É uma turma que não satisfeita com seu ambiente urbano buscou mudar a vida de todos os demais que estão à sua volta e, há três anos, se engajou no Adote um Vereador.

 

Incentivados pela professora Maria Cecilia Ferraiol, foram conhecer o que se fazia na Câmara Municipal de São Paulo e, dada a primeira impressão, resolveram olhar mais de perto o trabalho dos vereadores. Mapearam oito parlamentares que se elegeram pela zona sul da capital paulista e mantém escritórios políticos próximos a escola e os acompanharam durante um ano. Promoveram debates com esses vereadores, colocando em pauta as observações que fizeram das atuações de cada um deles.

 

A mobilização dos estudantes os levou a participar das audiências públicas do Plano Diretor, os motivou a atuar na escolha de candidatos para os conselhos de representantes das subprefeituras e trouxe para a escola o programa “Câmara no seu bairro”, que contou com a presença de 32 vereadores. Foram ativos na campanha popular que permitiu a incorporação pela prefeitura do prédio do Hospital Santa Marina, que havia falido, e se transformou em um centro de atendimento de emergência, pediátrico e geriátrico.

 

Em outro projeto ligado ao tema “política e cidadania’”, a turma do EJA do Colégio Santa Maria participou do projeto “Cada gota conta” no qual criaram alternativas para enfrentar a crise hídrica e compartilharam suas experiências, a medida que a maioria já havia sofrido com a seca no Nordeste, com os alunos do ensino regular que nunca tinham passado por tal situação. Das discussões surgiram cisternas e aquecedores solares de baixo custo e campanhas de conscientização sobre a necessidade de racionalizar o consumo de água.

 

No dia 18 de dezembro, este pessoal todo estará comemorando mais uma etapa vencida com a formatura no ensino médio. Para nós, eles merecem mesmo é o diploma do Ensino Superior da Cidadania.

 

O Adote um Vereador se orgulha dessa gente!

#EuVotoPiracicaba permite que cidadão conheça e vote em projetos de lei

 

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O Observatório Cidadão de Piracicaba e a Rede Engajados lançaram canal de participação e aproximação do cidadão com o poder público: é a plataforma #EuVotoPiracicaba (www.euvotopiracicaba.org.br), que publica projetos de lei em discussão na Câmara de Vereadores e permite ao eleitor registrar se é contra, a favor ou se abstém em relação a proposta.O resultado será encaminhado aos vereadores com o objetivo de contribuir para o debate dos projetos e para as decisões da Câmara.

 

Para Tiago Lazier, da Rede Engajados, que trabalha com ferramentas colaborativas que estimulam o engajamento do cidadão, a plataforma vai permitir que os moradores de Piracicaba se conectem melhor com a cidade, informando-se e opinando sobre os rumos da política local.
 

 

A iniciativa é inspirada em experiência desenvolvida na Argentina, que já se repete nos Estados Unidos, Espanha, México, Ucrânia, Finlândia e foi lançada na cidade de São Paulo, esse ano.

 

A escolha dos projetos que constarão da plataforma será realizada pelo Observatório Cidadão de Piracicaba, que  está aberto a sugestões dos moradores e vereadores  da cidade, a partir de critérios  que levam em conta o  potencial de impacto:
 

 

Na qualidade da vida da população.
Na sustentabilidade e conservação ambiental.
Nos direitos humanos e na justiça social.
No desenvolvimento econômico do município.
Na transparência e na participação social nas decisões públicas.

 

Cada projeto ficará disponível na plataforma por tempo determinado, especificado no site.

 

Renato Morgado, coordenador de políticas públicas do IMAFLORA, conta que nas cidades onde a plataforma já existe cresceu a participação das pessoas nos debates das casas legislativas. Para ele, ”o #EuVotoPiracicaba contribuirá para o aprofundamento da democracia no município”.

Adote um Vereador: é preciso ir além das ideias!

 

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A menos de um ano das eleições municipais, a necessidade de nos comunicarmos mais e melhor no Adote um Vereador parece ter sido a tônica do encontro realizado neste sábado, no Pateo do Collegio, centro de São Paulo. A pretensão me pareceu estar nas linhas e entrelinhas que cada um dos participantes preencheu durante exercício provocado por Henrique Parra Parra, do Instituto Cidade Democrática, que nos visitou para apresentar o Concurso de Ideia Causas Comuns.

 

Vamos por partes:

 

O Henrique é velho batalhador, apesar de ainda novo de idade. Já esteve com a gente logo no início no Adote e participou, como faz até hoje, de diferentes iniciativas cidadãs. É inquieto. Está sempre inventando moda, como diria minha mãe. E tem uma incrível capacidade de engajar outras pessoas.

 

O Concurso de Ideias Causas Comuns é uma forma de promover a discussão de propostas em torno dos temas transparência, acesso à justiça e segurança e paz. Nesta primeira fase, o cidadão é convidado a pensar em uma ideia e publicá-la no site do Cidade Democrática para que outras pessoas colaborem com sugestões. Mesmo que você não tenha uma ideia nova, pode entrar lá e deixar sua colaboração às propostas já publicadas, assim como pode apontar um problema que precisa ser resolvido e provocar outras pessoas a oferecer uma solução. As 12 que receberem maior número de apoiadores receberão visibilidade nas redes sociais e serão levadas aos governos federal, estadual e municipal.

 

A ampliação do Adote um Vereador, ideia lançada em 2008 para incentivar o cidadão a se aproximar da política na sua cidade e controlar a ação dos vereadores, será inscrita no Concurso. A nossa intenção é encontrarmos novos adeptos, gente disposta a fiscalizar a câmara municipal, e uma estratégia que permita maior alcance do Adote. Em breve estaremos com nossa proposta na plataforma digital, antes disso, porém, recolhemos as sugestões por escrito de quem esteve no encontro deste sábado.

 

Organizar melhor as informações publicadas pelo Adote um Vereador em seus canais de comunicação, reproduzir vídeos com debate e com prestação de serviço a propósito do tema e melhorar a sinergia dos “adotadores” são, em resumo, as propostas apresentadas. Em outra frente, sugeriu-se, também, que o Adote convidasse, ano que vem, candidatos por região de São Paulo para participarem em debates públicos, nos quais apresentariam as ideias que defendem para a cidade.

 

O que ficou claro é que teremos muito trabalho pela frente e se realmente queremos que o Adote um Vereador sobreviva a mais uma eleição municipal, aqueles que acreditam terão de ir além das ideias, terão de partir para a ação.

 

É aí, vai encarar!?