Bebida alcóolica não é terapia

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

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A pandemia de COVID-19 exigiu mudanças no padrão de hábitos e comportamentos apresentados em todas as esferas da vida cotidiana. Exemplos disso são as reuniões de trabalho que trocaram os escritórios pelas plataformas digitais; os shows que saíram das casas de espetáculo e foram para as redes sociais; e o consumo de bebidas alcoólicas, que aumentou significativamente e migrou dos espaços públicos para o ambiente doméstico.

Dados da indústria de bebidas alcoólicas indicam um aumento de 25,4% na venda de cervejas no terceiro trimestre de 2020. Esse aumento também foi identificado na comercialização de bebidas alcoólicas pela internet, cujos dados apontam um aumento de 195% nas vendas entre março e outubro de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior. 

Um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) corrobora esses dados e indica que 18% dos participantes relataram um aumento no consumo de álcool durante a pandemia, relacionado especialmente às mudanças no estado de ânimo, como o aumento de sentimentos de tristeza. 

Apesar desse padrão observado mais recentemente, relatos apontam que o consumo de bebida alcoólica está presente desde tempos remotos, tanto em sociedades primitivas como industrializadas. 

As bebidas fermentadas se originaram na Índia, difundindo-se para o Oriente Médio, a Grécia e o Egito e, posteriormente, para a civilização mediterrânea, chegando ao Império Romano. Inicialmente a bebida limitava-se ao uso doméstico, porém, por exigências comerciais, passou a ser negociada em forma de troca. 

Derivada da cultura de arroz na Índia e da cevada no Egito, a cerveja foi a primeira bebida alcoólica produzida em grande escala

No Brasil, antes da colonização portuguesa, a bebida fermentada utilizada pelos indígenas era extraída da mandioca ou de suco de frutas, como caju ou milho, que eram mastigados, misturados, colocados para ferver em vasilhas cerâmicas e, em seguida, enterrados para fermentar por alguns dias. 

Com a colonização, foram instalados os engenhos de cana-de-açúcar no Nordeste, Rio de Janeiro e São Paulo, que serviam também para a produção de aguardente, possibilitando que os trabalhadores dos latifúndios se embriagassem. 

No cenário internacional, uma mudança significativa no consumo de bebidas alcoólicas ocorreu com a Revolução Industrial, uma vez que o aumento da produção reduziu os preços e aumentou a oferta, tornando-as mais acessíveis.

 Se por um lado o consumo de bebidas alcoólicas não é um fato novo, o aumento nesse consumo tem se tornado um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade, com impactos econômicos e sociais, sendo responsável por 10 a 50% das admissões hospitalares, grande parcela de contribuição em acidentes automobilísticos, homicídios, agressão sexual, violência familiar, abuso infantil, problemas ocupacionais e educacionais.

Em baixas doses, o álcool pode promover relaxamento, porém, o uso durante a pandemia, como forma de reduzir a tensão e a tristeza, podem aumentar os sintomas de ansiedade e depressão, promovendo um círculo vicioso. Além disso, o uso frequente pode aumentar os riscos de desenvolvimento da dependência e de outros problemas de saúde, como o aumento da pressão arterial.

Outro fator que deve ser considerado em tempos de pandemia é o aumento do risco de contaminação, uma vez que a pessoa alcoolizada tende a diminuir as medidas de proteção recomendadas contra o vírus.

O álcool carrega em si essa característica paradoxal: por um lado traz relaxamento a curto prazo; por outro, está envolvido em situações de violência e agressão e em casos de doença, como o próprio alcoolismo e aumento do risco de contaminação pelo coronavírus.

Essa linha divisória entre o consumo moderado e os transtornos relacionados ao uso do álcool nem sempre é tão nítida.

Se o consumo da bebida alcoólica é percebido como uma válvula de escape e está associado a relaxar e esquecer os problemas, isso pode ser um enorme sinal de alerta. Nesse caso, o consumo exagerado deve ser avaliado não apenas pela quantidade e frequência, mas também pelos prejuízos que o álcool possa trazer para si e para quem está à sua volta.

Bebida alcoólica não é remédio. Bebida alcoólica não é terapia. Realizar atividades físicas e de lazer podem contribuir de maneira significativa para aliviar o estresse. Medidas de prevenção e tratamento em saúde mental são mais eficazes e duradouras aos efeitos psicológicos causados pela pandemia. 

Além disso, passado o efeito do álcool os problemas ainda existirão e, mais do que isso, o álcool pode potencializá-los. E, vamos combinar, de problemas e pandemia já estamos fartos! 

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

O Estado reprovado como gestor avança como interventor

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A proibição total do aborto cogitada neste momento por uma minoria coloca em evidência a excessiva intervenção do Estado nos assuntos pessoais.

 

A Administração Pública não dá conta das atribuições que lhe compete, pois é má feitora, péssima gestora e interventora indevida, e agora quer ampliar a intromissão em direitos individuais das cidadãs brasileiras.

 

Ao mesmo tempo aflora a incongruência de liberar o fumo e o álcool, quando proíbe o jogo, o aborto e as drogas.

 

A proibição ao jogo é insustentável a qualquer argumento adulto. A não ser quanto a paternalismo ou estatismo.

 

O aborto tem seu melhor exemplo no caso americano da redução da criminalidade.

 

Rudolph Giuliani, prefeito de Nova Iorque, empossado em 1994, foi o herói aparente da mudança nos índices policiais. Entretanto o economista Steven Levitt e o jornalista Stephen Dubner foram os anti-heróis ao mostrar matematicamente que a causa real foi a lei que descriminalizou o aborto. Os filhos indesejáveis deixaram de nascer.

 

“O que o vínculo aborto-criminalidade nos diz é: quando o governo dá a uma mulher a oportunidade de escolha, ela pondera se está em condições de criar bem o bebê. Se não está, geralmente opta pelo aborto”.

 

O New York Times Magazine relatou:

 

“Em seu trabalho a respeito do aborto, Levitt e seu coautor avisavam que suas descobertas não deveriam ser erroneamente interpretadas como um aval ao aborto. Apesar de tudo, o assunto conseguiu ofender praticamente todo mundo. Os conservadores ficaram furiosos, os liberais manifestaram decepção com a discriminação contra as mulheres pobres e negras. Os economistas argumentaram que a metodologia não era sólida. Enquanto a mídia se esbaldava com o tema.”

 

A questão das drogas, a mais controversa de todas, não pode ignorar as pesquisas realizadas. Por exemplo, o Juiz Roberto Luiz Corcioli Filho em artigo apresenta a seguinte nota:

 

Conforme notícia publicada no jornal Folha de S. Paulo (Álcool provoca mais prejuízos que crack, heroína e maconha), “o álcool é uma droga mais perigosa do que o crack e a heroína e três vezes pior do que a cocaína e o tabaco, de acordo com pesquisadores do Comitê Científico Independente para Drogas do Reino Unido. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os riscos associados ao álcool causam 2,5 milhões de mortes por ano”.

 

Enfim, é preciso questionar as (ile)gítimas intervenções do Estado sob o propósito de proteger o cidadão de uma conduta auto lesiva.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.
 

Tomai , bebei e rezai, mas sem dirigir

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Nunca ouvi dizer que um padre católico fosse flagrado em blitz realizada por policiais federais, estaduais ou municipais dirigindo alcoolizado qualquer tipo de veículo. São tantos os agentes da lei que efetuam blitze  e tantos os padres que, hoje em dia, por força da profissão, necessitam conduzir, pelo menos, automóveis e caminhonetes que, talvez, haja relatos de algum flagrante do tipo desse por mim especulado. Abordo o assunto porque existe preocupação das autoridades eclesiásticas com o rigor da Lei Seca. Aliás, no Brasil é comum que, de uma hora para outra, endureçam determinadas leis de maneira exagerada. Duvido que um religioso, ao celebrar a Santa Missa, se embebede com o pingo de vinho que leva à boca na cerimônia da comunhão.

 

No Paraná, duas paróquias de Maringá e outras quatro de municípios da região, conforme informou o jornal O Diário no último dia 5, com medo da Lei Seca, andaram usando nas missas vinho sem álcool e/ou suco de uva. Já o arcebispo de Passo Fundo, Dom Antônio Carlos Altieri, disse à Zero Hora que o clero ainda não se reuniu para discutir o assunto. Lembrou, no entanto, que o vinho tem um significado muito forte na celebração da missa.

 

Particularmente, entendo que não há como se mudar o que disse Jesus aos seus discípulos na Última Ceia, ao erguer a taça de vinho: ”Tomai e bebei, este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos”. Fosse hoje, aqui em nosso país, essa frase, que me comove quando assisto à missa, não poderia ser a mesma pronunciada pelo Mestre, pois, no cálice sagrado, haveria apenas vinho sem álcool ou suco de uva.

 

Primeiro, proibiram que nas salas do judiciário gaúcho fossem exibidas imagens de Cristo na cruz. Agora, está em marcha a mudança, por força da Lei Seca, de uma frase do próprio Filho de Deus. O meu médico, Dr.Nelson Venturella Aspesi, por sua vez, não poderá mais me receitar um copo de vinho nas refeições, eis que eu teria de permanecer em casa até passar o efeito etílico dessa santa bebida. Tirante o exagero, viva a Lei Seca! Que seja aplicada, nos maus motoristas, com a eficiência que não pautou os aplicadores das leis destinadas a evitar tragédias como a da amaldiçoada Boate Kiss.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Foto-ouvinte: motoqueiro movido à álcool

 

Motoqueiro bêbado

 

Na imagem e no texto, a colaboração de Devanir Amâncio, sempre atento aos flagrantes da cidade:

 

“Um motoqueiro completamente embriagado caiu debaixo da própria moto e foi socorrido por um pedestre, na esquina da rua Conselheiro Ramalho com a rua Fortaleza, na Bela Vista, região central da cidade, sábado, 2/6, por volta das 16 horas. Sem ferimentos, levantou dizendo que caiu sozinho e estava ‘sentimentalmente’ estressado. O homem não aceitou ajuda para chegar em casa e a Polícia Militar foi acionada pelo 190 às 16h20. Não se sabe o desfecho dessa história”

Caça a motorista bêbado tem de ser predatória

 

Por Milton Ferretti Jung

Acidente de trânsito e carro clonado

A caça a motoristas que dirigem alcoolizados os seus veículos está se tornando, me permitam a expressão, cada vez mais predatória. Esta é, sem dúvida, uma boa notícia. São Paulo deu ao país um bom exemplo quando o governo estadual mandou à Assembléia Legislativa projeto visando a impedir que, em pontos comerciais, sejam vendidas bebidas alcoólicas, oferecidas ou que o seu consumo seja permitido a menores de 18 anos. No Rio Grande do Sul há uma idéia ainda mais abrangente. Pais e responsáveis também ficariam proibidos de deixar crianças e adolescentes beberem em sua companhia. Na lei paulista, apenas o proprietário do estabelecimento vendedor é responsabilizado. Uma equipe multidisciplinar, liderada pela Secretaria Estadual de Justiça e Direitos humanos gaúcha, pretende apresentar um projeto de lei acerca do tema em fins de setembro.

Mas tem mais. Tenho certeza de que meus leitores, se é que os possuo, já leram ou ouviram notícias sobre projeto aprovado na Câmara dos Deputados segundo o qual se proíbe que bebidas alcoólicas sejam transportadas nas cabines de veículos. Essas, então, apenas poderão ser levadas no porta-malas. Nada impedirá, porém, que um motorista “sedento” pare o veículo que dirige e abra uma das garrafas guardadas no maleiro. A referida lei é daquelas de difícil fiscalização. Foi Edson Lobão, hoje Ministro de Minas e Energia, quando senador, o autor do projeto que data de 2002. Não foi especificado por ele se as garrafas devem obrigatoriamente estar lacradas. Vá lá, o condutor do veículo não pode beber, mas e os passageiros? Seja lá como for ,a propostas volta ao Senado e necessitará de aprovação da presidente Dilma.

Vou insistir num dos pontos que já abordei em postagens antigas que tratavam de trânsito: nada resolverá os excessos tanto de ingestão de bebidas alcoólicas quanto de velocidade, nas estradas e nas ruas, se desde a mais tenra idade as crianças não forem educadas, em casa e na escola, a respeitar as leis. Por outro lado, as punições impostas aos maus motoristas, especialmente os bêbados, têm de ser revisadas. Hoje, quem comete um acidente por estar sob efeito de alcool e provoca a morte de alguém, é julgado por cometer crime culposo, quando o mais correto seria ser punido por crime doloso.

N.B: No homicídio culposo, sem intenção de matar, o motorista é julgado por um juiz. Se condenado, pode pegar de dois a quatro anos de prisão. A habilitação pode ser suspensa por um ano. No homicídio doloso, intencional, o motorista vai a júri popular. Se condenado, a pena é de 6 a 20 anos. A pessoa pode perder o direito de dirigir.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Etanol com apoio do Governo, sugere agência dos EUA

 

O álcool foi considerado combustível superior pela EPA e pode reduzir drasticamente o impacto ambiental quando usado no sistema de ônibus

Scania movido a etanol

Por Adamo Bazani

Imagine, repentinamente 15 mil carros desaparecem das ruas ? Numa cidade como São Paulo, poluída e congestionada, seria um alívio e tanto. Em relação ao trânsito ajudaria muito apesar de não ser a solução definitiva do problema.

Faça mais um exercício de imaginação e desapareça com várias frotas de 15 mil carros, pouco a pouco. Seria, sem dúvida, um sonho, mas não impossível ao menos do ponto de vista ambiental. E este resultado seria alcançado com políticas públicas e incentivos para a produção em escala de ônibus movidos a etanol.

De acordo com dados recentes do Cenbio (Centro Nacional de Referência em Biomassa), integrante do projeto internacional The BEST (BioEtanol for Sustainbale Transport), que atua no desenvolvimento do uso do combustível, se 1.000 ônibus urbanos a diesel fossem substituídos por ônibus a etanol seriam seriam retiradas 96 mil toneladas de CO2 da atmosfera, por ano. Isso é o equivalente a encostar 15 mil carros de passeio.

Só esse ganho já justificaria qualquer tipo de investimento nos ônibus a etanol, segundo o Cenbio. Mas as vantagens também são econômicas e sociais.

De acordo com a Única, a Associação dos Produtores de Cana de Açúcar no Brasil, 300 milhões de cana de açúcar novos podem gerar 70 mil postos de trabalho.

Voltando a questão ambiental, um ônibus urbano a etanol emite até 89% menos gases que provocam o efeito estufa em relação a um ônibus diesel comum. Além de ter menor material particulado na composição do combustível, a cana de açúcar também apresenta outra vantagem. Seu cultivo é um dos que mais captam carbono do ar.

No caso específico do Brasil, proporcionalmente as áreas de plantação são pequenas em relação às regiões disponíveis para a exploração. Assim, o aumento do cultivo de cana de açúcar não seria uma ameaça às reservas naturais. Muito mais ameaça é continuar a rotina de emissão de gases poluentes pelos veículos automotores, os maiores responsáveis pela má qualidade do ar.

Já discutimos o assunto neste espaço, mas sem estes dados recentes e a notícia a seguir.

Em agosto de 2010, a agência americana EPA considerou o álcool como combustível superior, ou seja, merece apoio governamental. E esse apoio já vem do mercado e das políticas públicas sendo expressados em números. Os Estados Unidos consomem 560 bilhões de litros de álcool combustível contra 40 bilhões de litros no Brasil. Em produção, áreas de cultivo e tecnologia, o Brasil não fica para trás dos Estados Unidos e Europa.

No quesito política pública e apoio governamental, o País é um fiasco.

Desde a última vez que abordamos o tema etanol para ônibus, já se passou quase um ano, e nada, nada, de uma quantidade significativa de ônibus nas ruas.

Enquanto isso, havíamos noticiado que Estocolmo, na Suécia, tinha 600 ônibus a etanol, com 80% do álcool consumido produzidos no Brasil. Essa frota agora beira 800 veículos, crescimento de 200 unidades, enquanto que neste ano, o maior produtor de etanol do mundo – leia-se Brasil – ganhou a “incrível” quantidade de dois ônibus novos. Em 2030, Estocolmo, a sede projeto The Best, deve ter todos os urbanos a álcool.

O site do projeto destacou a visita de Lula a Estocolmo, em 2007, e ressaltou que o presidente brincou com o fato de os ônibus a etanol de lá serem movidos por combustível brasileiro.

Brincar?

Os fabricantes de ônibus a etanol no Brasil dizem que o problema é sério e ônibus deste tipo só não é mais barato por falta de produção em escala, como relatou José Henrique Senna, da Scania

“Na medida em que haja escala, podemos produzir aqui. Tecnologia nós temos.  Por isso, é preciso articular mais densamente as iniciativas governamentais para o suporte financeiro desse projeto, para que exista estímulo a demanda por esses ônibus”

Nossos pulmões também não estão de brincadeira.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Ambientalista alerta governo Lula sobre preço da gasolina

 

Todos estão de olho no preço do álcool e reclamam com razão dos aumentos que ocorrem desde dezembro. Na ponta do lápis, contas feitas, abastecer com gasolina carro com motor flex já sai mais barato em ao menos dez estados brasileiros, incluidos São Paulo e Distrito Federal. A gritaria tem sido geral.

Hoje, porém, o ambientalista e ex-integrante do Ministério do Meio Ambiente (Gestão Marina Silva) João Paulo Capobianco chamou atenção para outro aspecto. A distorção no preço do combustível pode ter sido provocada pela estratégia do Governo Lula de segurar o valor do litro da gasolina para evitar pressão na inflação e conter críticas da opinião pública. Ele lembra que o álcool estava muito barato e o ajuste era necessário, mas se tornou problemático devido ao preço baixo da gasolina.

Apesar do custo, Capobianco sugere que o motoristas prefira abastecer o carro com álcool para evitar maior impacto ambiental. Ele citou pesquisa recente que mostra que o álcool combustível reduz em até 73% as emissões de gás carbônico – principal causador do efeito estufa – na comparação com a gasolina.

Ouça a entrevista completa de João Capobianco ao CBN SP

Aumento no preço do álcool faz mal à saúde

 

Tem muita gente reclamando do preço do álcool que subiu consideravelmente no último mês. Os usineiros falam em quebra de safra provocado pelas chuvas. Quem entende do assunto, diz que é especulação. Os produtores de cana estariam preferindo vender açucar no exterior a oferecer álcool aos carros brasileiros.

Hoje, conversamos com o professor e físico José Goldenberg que sugeriu intervenção do governo federal para segurar o preço do álcool, pois teme que o programa de incentivo ao uso do combustível mais limpo sofra forte revés. Além do impacto na economia, a substituição do etanol pela gasolina vai gerar prejuízos ambientais.

“Quando o Governo Federal reduziu de 23 para 21% a mistura de etanol na gasolina, os relógios de medição do ar em São Paulo passaram a registrar, em pouco tempo, piora na qualidade”, explicou o ex-secretário do Meio Ambiente.

Ouça a entrevista do professor José Goldenberg no CBN SP

Aos motoristas de carro flex a sugestão é que antes de se assustar com o aumento no preço do álcool façam a seguinte conta: se o litro do álcool custar até 70% do preço da gasolina, fique no álcool. Outro custo que deve ser avaliado é o ambiental.

Foto-ouvinte: Engarrafado

Campanha em favor da Lei Seca

Pra convencer os “convencidos”, campanha mostra o risco que se corre por beber antes de dirigir. A imagem é do ouvinte-internauta e colaborador do Blog do Milton Jung, Marcos Paulo Dias que registrou o anúncio em comemoração ao primeiro ano da Lei Seca, na rodovia Ayrton Senna, em São Paulo