O importante em uma amizade é saber conservá-la

 

Dos amigos

 

Dos amigos que ficaram dos tempos do Rio Grande do Sul – e saiba que foram muitos tempos, pois troquei o estado natal por São Paulo apenas em 1991, por necessidades profissionais -, tem um que me acompanha desde lá, mesmo que nossos encontros e conversas sejam raros. Paulinho, que é como teimo em chamá-lo a despeito da idade e da responsabilidade que lhe permite estar há 21 anos em uma das maiores forjarias do Brasil, ficou em Porto Alegre, enquanto eu, de mala e sem cuia, me despachei para a capital paulista em história que você, caro e raro leitor deste blog, deve conhecer minimamente, pois já a relembrei várias vezes – se um dia você quiser, desconfio que não queira, dedico outro post para escrever sobre aquela decisão que foi definidora na minha vida. Desde que deixei o Sul, chegamos a passar anos nos falando por telefone e apenas no dia de nossos aniversários. O dele, curiosamente, é dos poucos que não preciso anotar na agenda para lembrar: dia 2 de janeiro – apesar de os amigos sempre terem desconfiado que ele nasceu um pouco antes,e o pai, já prevendo a carreira esportiva que o guri se dedicaria, o registrou dias depois, o que lhe renderia um ano de vantagem. Essa história, claro, sempre ficou no campo da especulação jocosa dos amigos mais próximos, mesmo porque Seu Valdemar, o pai do Paulinho, é homem de uma correção que pouco se vê por aí.

 

Mesmo que nossos contatos sejam esparsos, quase toda vez que Paulinho vem a São Paulo, por compromissos profissionais, tentamos um encontro. Nem sempre é possível devido as diferenças de agenda e esta necessidade que tenho de estar cedo na cama para madrugar no dia seguinte, na rádio. O bom das férias é que podemos esquecer o relógio e, mesmo que o avião atrase e o trânsito atrapalhe, se pode esperar os amigos até a hora em que ele chegar, como aconteceu ontem à noite, quando o recebi para jantar. Como sempre, excelente oportunidade para atualizar as notícias da vida e relembrar passagens vividas juntos, especialmente porque ele foi meu companheiro de basquete, de namoros, de viagem – a maioria das vezes para Pinhal, no litoral gaúcho, ou para Garopaba, no catarinense -, e de muitas outras coisas que costumamos fazer na adolescência e juventude. Paulinho era mais sério e metódico; eu, menos organizado, me adaptava mais aos hábitos dele; ambos casamos mais ou menos na mesma época e tivemos filhos com a mesma idade; ele se separou de uma amiga da adolescência, casou de novo e hoje tem mais uma menina. Eu estou com dois meninos. Ao contrário dos pais, os filhos pouco se conhecem.

 

Por estranho que possa parecer, especialmente àqueles que desconhecem a tolerância e para os que vivem de esteriótipos, ele é colorado e eu, você já sabe, sou gremista. Diferença clubística que mais nos aproximou do que dividiu, pois as conquistas de um e de outro serviam para nos divertir, um dia em favor de um, um dia em favor de outro. Bem verdade que houve momentos em que o melhor era aguardar alguns dias antes de conversar com o amigo, mas nada que tivesse nos separado em definitivo. Para atrapalhar ainda mais o julgamento dos descrentes, apesar dele ser torcedor do Inter, desses de comparecer na arquibancada ao lado da família, fomos colegas de basquete no Grêmio, onde joguei por 13 anos, e a preferência dele pelo co-irmão não o impedia de brigar em quadra pela vitória. Até há alguns anos, ele guardava no apartamento, em Porto Alegre, uma camisa de basquete tricolor que acabou me presenteando por entender que estaria mais bem venerada na minha casa em São Paulo. Mal imaginávamos que aquela troca de endereço seria fatal para o destino da camisa de manga de regatas com o símbolo do Grêmio no peito e o número 12 nas costas. Ao ter a casa invadida por bandidos, a camisa foi roubada (assim como todo o restante da coleção, a bandeira oficial e a medalha de campeão da Copa do Brasil; além de outros objetos como menor valor sentimental tais como computadores, televisão, roupas, etc).

 

É difícil entender o que faz duas pessoas se transformarem em amigos e, principalmente, o que as faz permanecer nesta amizade mesmo com suas diferenças e distâncias. Muitos em condições parecidas se foram sem deixar história ou saudade. Às vezes, as facilidades de acesso e busca no Facebook forjam reencontros que logo se revelam fugazes. Deve haver alguma explicação baseada na filosofia ou na psicologia, porém o mais importante em uma amizade não são os motivos que a justificam, mas a própria existência dela. Portanto, conserve-a.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Davi_Vazquez, no Flickr

De achismo

 

Por Maria Lucia Solla

 

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Foi amizade à primeira vista. Eu esperava pelo elevador de serviço, com a Valentina, para caminharmos lá em baixo, e para esticarmos as patinhas, namorando o Mar, mas ele não chegou vazio. O elevador. Elas estavam lá. Mônica e sua filha com um sorriso e um batom vermelho de arrasar quarteirão. Eu não as conhecia. Perguntei se se importavam que minha Valentina entrasse – quem a conhece sabe que ela é sedutora até não poder – e elas imediatamente agacharam para brincar com ela. Imagina, amamos cachorros; responderam.

 

Começou o papo.
Contei a elas que antes da Valentina eu jamais imaginava ter um cachorrinho. Tive cachorros grandes, que ficavam do lado de fora da casa e faziam a ronda nos protegendo, ou eu assim acreditava. Nosso contato não era próximo. O Doberman, que ficava no sítio, era alto e forte, e um pulo dele em mim seria um desastre, mas era eu que cuidava dele e o alimentava. Nosso relacionamento era muito bom, e ele era muito gentil comigo. Fazia festança com os maiores e mais fortes, lambia meus filhos que quase caiam de tanto rir e baixava a cabeça quando vinha me encontrar, para que eu lhe fizesse uma coleirinha na cabeça.

 

Contei também que quando eu via na rua alguém levando seu cachorrinho passear na calçada ou no parque, eu ‘achava’o ó! Sem preconceito, mas não podia me imaginar naquela situação. Eu? Nem pensar! Cachorro dentro de casa? Quarto? Cama?????

 

Isso foi assim, até a Valentina me encontrar, pular no meu colo, colocar seu inexistente focinho no meu pescoço (é uma Shi Tzu) e me conquistar para todo o sempre. Ela faz de mim, a cada dia, uma pessoa melhor.

 

E o papo incendiou e continuou na barraca da praia mais tarde: encasquetamos com o verbo ‘achar’e chegamos à conclusão de que está aí um verbo, num de seus sentidos mais populares, que deve ser mantido longe, ou de preferência aniquilado logo de uma vez.

 

Personagem 1: – Viu como ela anda de nariz empinado?

 

Personagem 2: -Vi e ‘acho’ que ela ‘acha’ que é melhor do que os outros.

 

Realidade: Ela se submeteu a uma cirurgia na coluna e ao se curvar, sente dor.

 

Pronto. Decretamos nossa ação contra o ‘achismo’

 

E você, ‘acha’ muito?

 

Pense nisso, ou não, e até breve.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: não perdemos nada, ou quase

 

São Paulo 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

 

 

Há certas amizades que conservamos para a vida e quando estes amigos querem estar ao nosso lado jamais devemos rejeitar o convite. Foi o que aconteceu neste fim de semana no qual um casal de amigos nos proporcionou momentos bastante agradáveis distante da capital paulista, o que nos impediu de estar no Morumbi, na noite de sábado. Eles não tinham obrigação de olhar a tabela do Campeonato Brasileiro nem nós de usá-la como desculpa e desperdiçar o convite que nos fizeram. Existem chances que não podemos perder de jeito nenhum na vida. E nós não a perdemos por completo. Até porque tive a oportunidade de assistir ao jogo pela televisão e acompanhado por bons copos de vinho, fator que deve ter amenizado o impacto do resultado final.

 

Tivemos a chance, e agora me refiro ao Grêmio, não mais ao prazer da companhia dos amigos, de terminar a sétima rodada do Campeonato Brasileiro como líder absoluto. No mínimo, como gostam de escrever alguns colegas do jornalismo esportivo, nós tivemos a oportunidade de dormir na liderança, expressão com a qual não concordo, pois quem dorme no ponto acaba sendo surpreendido, portanto o melhor é estar sempre à frente e atento, especialmente em competição tão equilibrada. Logo no começo, sabendo da parada que teremos na nona rodada, devido aos jogos da Copa do Mundo, cheguei a expressar aos mais próximos que o ideal era terminar esta etapa como líder ou, sem muita pretensão, no grupo dos quatro melhores. Isto certamente daria tranquilidade para Enderson Moreira encaixar melhor as peças no time, testar alternativas táticas e retomar o bom desempenho do início do ano quando arrasamos na primeira fase da Libertadores e passamos fácil até as finais do Campeonato Gaúcho. Houve uma queda de produção evidente e alguns jogadores que estavam se sobressaindo naqueles momentos quase desapareceram, incluo na lista nossa maior esperança de talento, Luan, que, parece, voltou a jogar bem ao vestir a camisa da seleção brasileira. Que seu bom futebol esteja na bagagem quando retornar ao Grêmio.

 

Ainda não jogamos fora a oportunidade de chegar à parada do Mundial em boa posição na tabela, independentemente da derrota de sábado e dos resultados paralelos deste domingo. Com seis pontos nas duas próximas partidas, quarta-feira à noite, contra o Sport, em Recife, e no domingo seguinte, contra o Palmeiras, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, ficaríamos em lugar privilegiado, com certeza. E o tempo necessário para ajeitar o time, voltar a atacar mais, chutar mais e marcar (gols) mais seria mais bem aproveitado. Ou seja, se não levarmos em consideração a atuação de alguns dos nossos na noite de sábado, o placar não chega a ser uma desgraça, pois muita gente grande vai deixar pontos no Morumbi e o próprio São Paulo desperdiçará os seus pelo caminho.

 

Não perdemos nada neste sábado; nem o Grêmio por tudo que ainda vem pela frente; nem eu que tive o resultado consolado por excelentes amigos e bom vinho. Agora, como escrevi no primeiro parágrafo desta Avalanche: existem chances que não podemos perder de jeito nenhum na vida. Não é mesmo, Barcos!?

 

(Atualizado na segunda, 6h45)

 

PS1: e após a rodada completa vê-se que o estrago foi pequeno mesmo e lá estamos nós no G4.

 

PS2: hoje, gravo Bola da Vez, na ESPN, com nosso atacante Barcos. O que você acha que eu vou perguntar para ele?

 

A foto desta Avalanche é do site Gremio.net

Férias, meninas!

 


Por Sérgio Mendes

 

As meninas encontravam se todas as tardes estudando na biblioteca, naquele tempo pouco frequentada por meninas por que não muitas delas chegavam a cursar a faculdade. Menos ainda em escolas que não fossem só para elas. Se juntaram meio que empurradas pelo instinto de proteção. Só depois, passaram a cumprimentar-se no café, na cantina, no bandejão e finalmente começaram também a freqüentar as casas e as famílias de cada uma.
Elas não foram amigas na infância, não liam os mesmos livros nem gostavam dos mesmos gostos. Partiram da vontade comum de ascender profissionalmente no mundo que até ali pertenceu só aos homens. Daí é que o tempo encarregou-se de esculpir nas quatro, laços para a vida toda. Igualzinho ao que fazem o vento e a água, moldam as pedras devagar e sutilmente.

 

Amélia ( Melinha), Corry, Júlia e Aida (Ida), sonhavam com carreiras promissoras e queriam ser mulheres independentes. Vida como a de suas mães e avós passava nem pela conversa delas. Queriam carreiras e conquistas pessoais numa época em que as mulheres ainda eram talhadas para o casamento e a submissão a seus esposos. O espaço feminino fora de casa recém era aberto por outras como elas.

 

Apesar da liberdade, a conta dos estudos, aquela era realidade incomum para moças em idade de se casar e os limites estavam bem ali às vistas. Seus pais as controlavam com horários muito rígidos. O que nunca as impediu estripulias ou de sonhar com elas.

 

Foi justamente nesse tempo que uma vez apareceu a idéia de um passeio sozinhas. Quiseram uns dias sem dar conta do que faziam a nada e a ninguém. Era a urgência de serem livres, independentes. Tudo não passava de um fim de semana na praia, complicado por aqueles dias, mas não mais impossível como teria sido uma ou duas gerações de mulheres antes delas. A aquela pausa chamaram de férias.

 

De qualquer maneira o passeio nunca aconteceu. Não antes que os ventos de muitas mudanças permeassem quase tudo na vida das quatro.

 

E eles não demoraram a soprar, mudando junto com outros objetivos tão sólidos como a vontade que eles continham, e transformaram instantaneamente as urgências de ao menos uma delas.

 

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Amizades que valem ouro

 

Por Abigail Costa

 

Começo hoje citando agradecimento dos autores W.Chan Kim e Renée Mauborgne do livro “A estratégia do Oceano Azul”:

 

“À amizade e às nossas famílias que tornam nossos mundos mais significativos”

 

Fui criada num universo totalmente rosa!
Pai… Mãe e três irmãs. Na soma prevaleceu o sexo feminino. Foi assim na infância até metade da adolescência. Assim que fui pra faculdade e comecei no trabalho, encontrei um mundo diferente de amizades, as masculinas. Nele tive o privilegio de conviver por quase 30 anos e ainda continuo com boa parte delas. Nesse tempo foi possível encontrar diferenças que me aproximaram ainda mais do sexo oposto.

 

Em casa convivo com três deles: marido, filhos, cachorros e gato – todos sem alterações hormonais, e confesso: é bem mais fácil lidar com eles sem a bipolaridade daqueles dias enfrentados por nós mulheres todos os meses ( deixo aqui minha constatação: mudanças de “personalidade” nada bem vinda com a chegada da TPM). Mas não é apenas a  troca de um olhar diferente que tornou a minha aproximação com os homens mais agradáveis.

 

No trabalho, era normal ter sempre três deles ao meu lado, diariamente. Não por ser a única mulher do grupo, mas sempre recebi um carinho especial….. Sem maiores interesses a não ser o de tornar a minha vida mais agradável, mais leve, mais luxuosa.

 

Eles tem características especiais (deixo as explicações teóricas aos especialistas), mas o fato é que são mais fáceis na lida do dia a dia. Aquela competição horrorosa, do tipo sou mais… Sou diferente de você… Porque você tem…. Olhares atravessados e comentários que em certos momentos te desmontam entre as mullheres, com eles isso não acontece com frequência, ou pelos menos com os bons e sinceros amigos.

 

Essa facilidade em me identificar com o sexo oposto (e aqui vai uma ressalva…. sem interesses que ultrapassam uma boa conversa e opiniões) me levaram a uma admiração e desejos em mantê-los sempre por perto. Um contato tão profundo que certa vez um amigo me pediu desculpas dizendo: “às vezes esqueço que você é mulher e me pego falando com um homem!”.

 

Minhas pouca e boas amizades femininas entendem que esse meu lado tendencioso em permanecer mais próximo deles não anula meu carinho por elas.

 

Não por que sou paparicada, por ser poupada de assuntos digamos mais pesados. Essas amizades são mais práticas, diretas e sem rodeios, e problemas que não merecem maiores dores de cabeça são tirados do caminho. Com eles tenho a sensação de aprender mais com uma linguagem mais simples.

 

Essas amizades deixam a minha vida mais prática!

 

Abigail Costa é jornalista, faz MBA de Gestão de Luxo e escreve no Blog do Mílton Jung

Casamento de celebridades

 

Adriane Galisteu casou com o filho no colo, leio em um portal de notícias e entretenimento. Não fiz questão de acessar a notícia. Nada contra a moça que leva a vida do jeito dela e feliz. Menos ainda contra o casamento, estou em um desses há 17 anos (e que muitos mais tenhamos pela frente). Mas é das notícias que não me chamam atenção, raras vezes me levam para dentro de um página ou me desviam do que procuro neste emaranhado que está a rede.

Apesar de que hoje ficaria muito feliz em saber notícias de um casamento em especial. Simone e Marcos não estão na lista dos casais VIPs, aqueles que são caçados pelos fotógrafos e procurados pelos patrocinadores, mas fazem parte de uma restrita lista que mantenho em minha caderneta de anotações (meu ‘contacts’ pra ser mais preciso). Eles não são, necessariamente, amigos de receber em casa ou trocar confidencias, mas são daquelas pessoas pelas quais estarei sempre na torcida pelo sucesso.

Conheci os dois por causa do Marcos quando ainda ele era estudante de jornalismo. Me levou a São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, pra conversar com algumas dezenas de alunos. A Simone estava ao lado, era namorada ainda. Os dois se tratavam com um carinho contagiante e se dirigiam a mim com uma reverência que não merecia. Logo vi que ali estava um casal pronto para viver em harmonia, capaz de entender que a relação deles está acima de qualquer desafio que, certamente, surgirá.

Ele se formou e segue trabalhando em meio a jornais e revistas, na banca que foi do pai, em frente a FGV, na Nove de Julho. Tem tino jornalístico, identifica os fatos que são notícia com facilidade, não se cansa de me sugerir reportagens, está sempre de olho nas cenas que valem a pena ser registradas e tem uma capacidade singular para transformá-las em fotografias – muitas estão lá no álbum digital do CBNSP, no Flickr.

Hoje à tarde, Simone e Marcos casaram em Atibaia, interior de São Paulo, em um sítio, acompanhados de pessoas que são importantes na construção da vida que eles imaginaram levar em frente. Seu Joaquim, pai do Marcos, não estava presente, pois decidiu-se pelo descanso eterno, há pouco tempo, provavelmente após ter tido a consciência de que o menino dele estava pronto para seguir sua caminhada. Seu espírito e o caráter que transmistiu aos filhos, tenho certeza, estavam lá.

Particularidades de família me deixaram distante desta celebração à felicidade. Fisicamente distante, apenas. Fiquei o sábado imaginando como estaria sendo este momento singular. Da alegria sincera e humilde do Marcos ao beijo apaixonado da noiva. Do olhar entusiasmado dos parentes à satisfação dos amigos próximos. Dona Maria, Seu José e Dona Genésia, pais e mães dos noivos, orgulhosos dos filhos que criaram. Não tenho dúvida, para todos eles testemunhar a vitória de gente bacana neste mundo contaminado do qual fazemos parte foi um momento especial.

Simone e Marcos foram hoje celebridades. E a eles transmito meu desejo de que a mesma magia que os uniu siga interferindo nas suas escolhas.

(e que o Marcos Paulo Dias não esqueça de seguir fornecendo informações e fotos para este blog)

A difícil arte de confiar

 

Por Abigail Costa

Penso que ninguém escolhe ninguém pra ficar ao lado já com desconfiança.
Isso no caso de pessoas normais.
Ninguém escolhe amigos e desta relação manter o pé sempre atrás.
Entre irmãos o natural é se doar, não renegar.
Mas em todo o momento da vida a pessoa se vê obrigada a fazer escolhas.
Quando acontece alguma coisa fora do esperado, puxamos o breque.

Sempre tive dúvidas em relação a uma traição.
– Dá pra recomeçar sem a desconfiança natural?
– É possível encarar o outro de novo sem fantasmas ?
– Será que vai se repetir ?

Numa relação de intimidade entre amigos, onde se faz tudo junto, se diz tudo despreocupado e se toma uma bola nas costas, por experiências pessoais, nada é como antes
Desculpas são aceitas. Mágoas esquecidas.
Mas dá pra sentar num restaurante e brindar a amizade?

Tenho que melhorar isso com a meditação.
Na família isso é complicadíssimo.
Se tira a pessoa das listas de festas, dos almoços de domingo.
Foge dos telefonemas desagradáveis.
Mas não se deleta do coração.

É um conflito entre a razão e a emoção.
Crescemos lado a lado, dormimos juntos, fizemos planos.
E, agora, cada um para um lado.

Deveria ser assim: O médico prescreve um remédio, alguns meses de tratamento e….
A confiança de volta!
Sem o remédio pra isso, fica o amargo de um sentimento que era, não é mais, e quem sabe se um dia voltará a ser.
Enquanto isso vamos no lema dos que umdia se entregaram ao vício e estão se recuperando.
Pelo menos por hoje vou confiar.

Abigail Costa é jornalista e, confiante, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Me dá um dinheiro aí !

 

Por Abigail Costa

Experimente contar um problema pra alguém.

– Isso não é nada!
– Imagine que….

Como se problema tivesse dimensão de mais ou menos, maior ou menor.
É problema e pronto.
Simples ? Não.

Fulano tem uma dívida, você ganha um pouco mais do que ele.
Logo, você vai dar uma força para cobrir a conta bancária do camarada.
Isso é o que ele espera, claro o teu salário é maior!
Mas e as suas despesas ? Elas também não são maiores ?

Tenho vivido fases parecidas.
Não se iluda, não falo de “gordos rendimentos”, mas dos que ainda acreditam que a obrigação é sempre dos outros.

Esse era um assunto que realmente não me incomodava. Deixava rolar.
Passou a incomodar quando começei a perder amigos e dinheiro.

É assim:

– Preciso da sua ajuda. No fim do mês, eu pag….

Sempre no fim de um mês que nunca chega.
Ele fugindo de você, e você sem jeito de cobrar.

E vem o pensamento:
– Por que não apliquei esse dinheiro na bolsa, lá se perdesse sabia do risco.

Passei por uma saia justa outro dia.
Eu e ele.
Quando desliguei o telefone, fiquei com raiva de mim.
Repeti em alto e bom som:
– Eu não aprendo !

Do fim do mês vai ficar para o dia 15.
Você acredita?
Quer apostar?
Não faça isso.
Corremos o risco de perder.
De novo.

Abigail Costas é jornalista, escreve às quintas-feira no Blog do Mílton Jung e, que fique claro, nunca me emprestou dinheiro.

De sentada na calçada


Pássaro por Maria Lucia Solla

Por Maria Lucia Solla

Ouça ‘De sentada na calçada’ na voz da autora

mas é real o que estou a ver
encontro e desencontro
tim tim
rindo a comer e beber
se fartando de mim

e quem está com os dois
não pode ser olhe lá
esperança e desesperança
não acreditaria se ouvisse falar

a Vida é mesmo mistério
digo rindo
e falando sério

pensava que fossem
de tribos opostas
que no mesmo ambiente
não estariam
nem de costas

no entanto parecem entrosados
os quatro
partilhando uns dos outros
copo e prato

tim tim
rindo a comer e beber
muito furtando de mim

há intimidade
é mais que um primeiro encontro
parece que vem de longe
que é sólida a amizade

riem
é só o que me falta
além do ar
desencontro abraçado
à esperança
os dois a gargalhar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de Comunicação e Expressão, escreve no Blog do Mílton jung aos domingos, e é ótima companheira para bater papo sentada na calçada.