Conte Sua História de SP: já vivi tantas loucuras na cidade

 

Por Ari Lopes
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Já vivi tantas loucuras na cidade
Quero contar para você
Vi carro mergulhando
Nas águas do Rio Tietê
No rio Pinheiros não foi diferente

 

Ouça o que estou te contando
Vi um corpo
Naquelas águas estava boiando

 

Flagrei uma cena
Que achei muito chata
Um homem e o cachorro
Comendo no mesmo prato

 

Imagina o que aconteceu um dia
Nesse caso fiquei muito assustado
Um homem tirou toda a roupa
Dentro do meu carro ficou pelado

 

Ir atrás de carro suspeito
Até isso eu consegui
A esposa pegou em flagrante
Seu marido com um travesti

 

Em São Paulo já vi de tudo
Até o que não quis
Um corpo cai despedaçado
Na calçada da Avenida São Luis

 

No incêndio do Joelma
Eu estava lá perto vendo
Depois de muitos anos
Só agora isso eu estou escrevendo

 

No edifício do Andraus
Vi tudo acontecer
Gente se jogando por causa do fogo
Sabendo que ia morrer

 

São Paulo que todo dia tem problema
Correria é de rotina
Peço sempre para todos
Que tenham proteção divina

 

No túnel do Anhangabaú
Já vi água até o teto
Vários carros um em cima do outro
Antes não fechou, o túnel estava aberto

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30 da manhã, no programa CBN SP, tem narração de Mílton Jung e sonorização de Cláudio Antonio

Acampa Sampa: troca de afago e banheiro para o público

 

O pessoal do Acampa Sampa resiste no Vale do Anhangabau, centro de São Paulo, e o colaborador deste blog, Devanir Amâncio, da ONG EducaSP, toda vez que passeia por ali registra um momento desta ação. Para esta sexta-feira, publico dois “flagrantes” do local, assinados e fotografados pelo Devanir:

Banheiro do Ocupa Sampa

A privada do Ocupa Sampa – no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo – é de verdade e também poderia ser interpretada como um inteligente protesto contra a falta de banheiros públicos na cidade, e a falta de saneamento básico no Brasil e no mundo, principal causa de morte por diarréia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O sem-teto Antonio da Silva Monteiro,40,pintor e pedreiro, diz que ainda não assimilou o objetivo do Ocupa Sampa, e não sabe nada sobre os 7 bilhões de pessoas no mundo, mas levou seus préstimos ao movimento: construiu um banheiro com plástico e pedaços de madeira encontrados no lixo.

“Fiz rapidinho…Se o prefeito usasse a cabeça construiria vários desses no centro. Na hora do aperto ninguém liga pra luxo[…]

Uma turista alemã achou fantástica a ideia do sem-teto.

Tapume do amor

O Movimento Ocupa Sampa quer melhorar  a comunicação com o povo  e transmitir seus objetivos com clareza.  Projetou no tapume da Praça da Artes – em construção – no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, um frase cercada de coraçõezinhos: ” Kassab, mais amor por favor”.

                                           

Beto Tatu, buracos e bananas da cidade

 

Na crônica fotográfica de nosso colaborador Devanir Amâncio, da ONG EducaSP, um passeio por buracos e fedores da cidade. Vamos ao texto e as fotos:

Esgoto no metrô

Para Beto Tatu, São Paulo está perto de ser a “cidade ideal”, e agora vive criando factóides que o ‘povão’ não entende. Enquanto isso, jorra sujeira grossa do esgoto da Sabesp no Metrô Anhangabaú, na rua José Bonifácio, centro (desde o dia 20/1), a 30 metros da Prefeitura-Palácio.

Buraco no Anhangabau

No mesmo Vale, tem buraco sinalizado com folhas secas de coqueiro. Esqueitistas do Anhangabaú foram lacônicos: “O Prefeito está dentro daquele carro preto. Claro que é ele. Sempre ele dá umas voltinhas de carro no calçadão, sorri e dá tchauzinho.”

Banana para eles

No M’Boi Mirim, zona sul, o buraco é mais embaixo. O aposentado e vendedor de bananas, José Muniz, protestou em cima de um dos muitos buracos da rua Abílio César, próximo do número 622, Jardim Jangadeiro. Quer que a Prefeitura resolva o problema com urgência . “Mando ‘banana’ para quem tem a obrigação de cuidar da cidade e não cuida.” É o mesmo buraco onde foi colocado o Urso , amigo do Beto Tatu.

Foto-ouvinte: Árvore acorrentada

 

Árvore na Ladeira da Memória

Por Devanir Amâncio

Uma grande árvore com  tronco oco  está segura por uma corrente  na Ladeira da Memória,  ao lado do Metrô Anhangabaú, centro de São Paulo. A corrente amarrada no muro do monumento está no limite de sua resistência . Em caso de queda da árvore, danos materiais e humanos serão inevitáveis.

Foto-ouvinte: O esgoto da UBS

 

UBS - República

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

O esgoto da Unidade Básica de Saúde (UBS) na Praça da Bandeira – ao lado do Pálacio Anhangabaú – está entupido e transbordando. Precisa de encanador urgente. A água grossa e escura  que sai do banheiro de deficientes alaga toda a unidade.Durante cerca de 30 dias,faxineiros,seguranças  ,enfermeiros e médicos se revezam na limpeza. No dia 28/9 ,mais uma vez todos se uniram para  retirar a água podre. Os funcionários da UBS afirmam que a Prefeitura foi comunicada sobre o problema da rede de esgoto no início de setembro ,e  até agora  nenhuma providência foi tomada. 

Um esgoto transbordar por tanto tempo dentro de uma Unidade de Saúde é uma grande negligência. Isso é mais do que preocupante. É grave !
 

Ex-Base da GCM dá segurança só para pombos

 

Ex-base da GCM

Nem segurança, nem necessitados, apenas pombos.

É o que restou na ex-base da Guarda Civil Metropolitana no Vale do Anhangabaú, centro da cidade, onde também havia um banheiro público.

Desativada desde 2007, a prefeitura fez promessa pública, no CBN SP, um ano depois, de que o local seria reformado e o policiamento voltaria. Mais um ano se passou e a desculpa foi de que houve mudança de orientação.

Agora não há mais o que esconder. Melhor, há sim. Escondeu-se os restos da base e do banheiro atrás de um paredão de concreto, novinho em folha e que guardará para sempre – ou até nova orientação e promessa – as dependências usadas pelos guardas e pelas pessoas que se socorriam em um dos poucos banheiros públicos na região.

Apenas um casal de pombos habita no local se aproveitando de uma pequena abertura no muro. Privilegiado casal que assiste ao movimento do centro com total segurança. O mesmo não se pode dizer daqueles que passeiam pelo Vale

Meu lar é o banheiro

 

Morador de banheiro

Por Devanir Amâncio

Se não é humano morar em um banheiro público abandonado, no Vale do Anhangabaú, a 50 metros da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social, sobrevivência e criatividade se equilibram. Mulheres grávidas, crianças, adolescentes e outros visitantes dividem o teto. No entorno do maior chafariz da cidade – coberto de lodo – homens descamisados que lembram os simpáticos caiçaras de Ilha Bela. Ao lado do banheiro, latas sobre pedras e fogo; panelinhas de ferro e pedaços de madeira queimados se misturam a bananas assadas. Um cachorro meio amarelado come o tempo todo um punhado de comida: um mexido de feijão de corda, farinha de mandioca, jiló e ovo. A atração fica por conta de um tapume grafitado, muito bonito, cercando o espaço. É admirado por quem passa e pergunta: “o que tem lá dentro?”.

Foto-ouvinte: O Centro respira arte

 

Um centro vivo, tomado pelas cores do espetáculo “Os Estrangeiros” e pela criatividade dos brasileiros Os Gêmeos e dos franceses do Plasticiens Volans. Estas imagens, feitas nos dias 13 e 14 de novembro, no Vale do Anhangabau, em São Paulo, animaram os ouvintes-internautas Marcos Paulo Dias e Luis Fernando Gallo. Satisfeitos e acreditando em um dia ver o coração paulistano renovado, compartilham com os leitores do Blog do Mílton Jung alguns dos momentos que gostariam fossem permanentes.

Foto-ouvinte: Espetáculo de plástico

 

Gêmeos no Anhangabau

Os bonecos de plástico fizeram a plateia vibrar no palco que se transformou o Vale do Anhangabau, na noite de sexta-feira, em São Paulo. O espetáculo O Estrangeiro teve a presença do grupo francês Palsticiens Volants e da dupla brasileira Os Gêmeos, em uma das atividades de encerramento do Ano França-Brasil. O colaborador do blog Marcos Paulo Dias explica que o grupo de teatro faz coreografia com plásticos que inflam e criam formas de animais, manipulados por atores pelo alto ou pelo chão, combinando música, voz e acrobacia.

Se tiver reclamação, o gabinete do prefeito é lá

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Escada rolante quebrada

Os deficientes físicos e idosos tem sofrido na Praça da Bandeira, centro de São Paulo. É que uma das principais escadas rolantes do terminal urbano que dá acesso à estação do metrô Anhangabaú está quebrada, há mais de um mês. O terminal, ainda não dispõe de elevadores e é comum os vigilantes carregarem pessoas nos braços. Quem não gostou de ver a escada sendo fotografada foi um agente a serviço da SPTrans: “Meu amigo, aqui não pode tirar foto não”. Questionado sobre o tempo da manutenção do equipamento, disse: “Aqui,eu sou só pau-mandado, quando manda, carrego até aleijado. se tiver alguma reclamação, o Gabinete do Prefeito é naquela janela lá,” apontando para o Palácio do Anhangabaú.