Resistência às mudanças: a técnica e a política diante da nova Previdência

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O debate que Mílton Jung fez com Ivan Valente do PSOL e Darcísio Perondi do PMDB sobre as mudanças na Previdência, no qual números e suposições se conflitaram, diante da pergunta se haverá risco futuro no pagamento de aposentadorias, terá sido esclarecedora aos ouvintes?

 

Ouça aqui o debate completo que foi ao ar no Jornal da CBN 

 

Antes do programa, de acordo com a pesquisa Data Folha, publicada no domingo, 71% da população não aprovava as mudanças e quando se tratava dos bem-informados esta quantidade aumentava para 78%.

 

Como não foi feita pesquisa após o programa, podemos fazer um exercício baseado na técnica apresentada por Eva Hirsch, no dia 15 de abril, no Mundo Corporativo da CBN, no qual dissertou sobre a tomada de decisões dos seres humanos em geral.

 

O cérebro criado para agir rapidamente em situações de risco, em defesa própria, diante do perigo não hesita em nos proteger. Na origem,  era contra o leão faminto, hoje é pelos prazos de entrega, pelas contas a pagar, pelos chefes exigentes, etc.

 

Essa arquitetura origina um viés cognitivo, formando atalhos que levam a decisões precipitadas. A tendência é sempre manter o status quo, quando é preciso fugir da similaridade. Ficamos sempre com iguais. Tal quais os programas de trainees, que admitem sempre os de perfis idênticos.

 

Por isso, um grupo de professores de Harvard, Washington e Virginia criaram o IAT – Teste de Associações Implícitas. Para evitar, por exemplo, o ocorrido no Google quando deram só nomes masculinos nas salas do novo edifício. Ou casos como o da altura dos CEOs americanos: 60% medem 1,83m enquanto a população apresenta apenas 15% com este tamanho. Certamente quem os promoveu também media os mesmos 1,83m.

 

É preciso evitar a certeza buscando a dúvida, a outra opinião, e os dados e fatos que apoiam e contradizem. Sabendo que o juízo de valor ou o viés cognitivo sempre existirá, mas é dever reduzi-los.

 

Diante do exposto, será que os 78% contrários às mudanças na Previdência neutralizaram os vieses cognitivos? Será que analisaram dados e fatos?

 

Será que para aqueles que tomaram conhecimento da entrevista dos deputados acentuaram as posições anteriores ou mudaram de opinião?

 

E os políticos que votarão a mudança, seguirão a técnica ou a política?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

 

 

 

 

 

CBN Debate: sem a Reforma, vai faltar dinheiro para pagar os aposentados?

 

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A Reforma da Previdência tende a passar na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, mas ainda precisa de esforço redobrado do Governo Temer para alcançar os 308 votos necessários no plenário. É emenda à Constituição por isso são necessários três quintos do total de deputados.

 

Nesta altura da discussão ainda há muitos pontos divergentes, e alguns intransponíveis, pois há quem entenda que a reforma é desnecessária, que não há déficit na Previdência e, portanto, dá pra manter tudo como está. Além disso, questionam a legitimidade do atual Governo para promover esse debate.

 

Hoje, o Jornal da CBN, convidou dois dois deputados que fazem parte da comissão especial da reforma para entender seus pontos de vista. O CBN Debates, que teve as presenças de Ivan Valente PSOL-SP e Darcísio Perondi PMDB-RS, se iniciou com pergunta feita por um dos ouvintes: José Luiz, de São Paulo, disse que estava preocupado com a discussão sobre a Reforma e queria saber se havia algum risco de faltar dinheiro para os aposentados, caso não sejam aprovadas as mudanças propostas pelo Governo.

 

O debate completo você ouve aqui.

 

 

 

Aposentadoria: você concorda com a ideia de igualar a idade mínima para homens e mulheres?

 

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Temer a caminho do discurso no Dia Internacional da Mulher (foto Palácio do Planalto)

 

 

O presidente Michel Temer ao discursar em cerimônia pelo Dia Internacional da Mulher se referiu ao papel da mulher na família e no lar. Disse também que, com as perspectivas de recuperação econômica, as mulheres terão mais oportunidades de emprego, além de cuidar dos “afazeres domésticos”. Em outro trecho, chamou atenção para o fato de somente as mulheres serem capazes de indicar os desajustes de preços nos supermercados.

 

Com essa sequência de afirmações, Temer deu a entender que cabe a mulher a função de cuidar dos filhos, trabalhar em casa e fazer as compras. Muita gente ouviu nas palavras presidenciais a reprodução de preconceito que há algum tempo a sociedade moderna busca eliminar.

 

A turma do Palácio se esforçou para desfazer o mal-entendido e justificou que Temer estava apenas constatando uma realidade brasileira, na qual às mulheres cabe o cuidado dos filhos e da casa, mesmo que já esteja trabalhando. O pessoal da assessoria lembrou que foi dele a iniciativa de abrir a primeira delegacia da mulher, na época em que era secretário de Segurança do Estado de São Paulo.

 

Os assessores palacianos poderiam ter lembrado uma outra iniciativa do presidente na busca da igualdade de direitos. No texto da Reforma da Previdência, em discussão no Congresso, o Governo Federal propõe que mulheres e homens se aposentem com a mesma idade, no caso 65 anos. Atualmente, a aposentadoria é por tempo de contribuição, sendo 30 anos para as mulheres e 35 para os homens.

 

Opa, mas aí talvez o tema ficasse ainda mais cabeludo. Afinal, a medida não é unanimidade nem mesmo entre as mulheres.

 

Ainda nesta quarta-feira, o Jornal da CBN promoveu debate para entender as diferentes visões que existem entre os que defendem e os que criticam essa equiparação da idade mínima entre os gêneros.

 

A economista e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto de Estudos Avançados de Berlim, Lena Lavinas, disse que medidas que tendem a homogeneizar padrões em sociedades desiguais têm consequências. Já a sócia-diretora da Better Governance, Sandra Guerra, entende que processos desiguais não levarão à igualdade que se almeja.

 

Caso você não tenha acompanhado ao vivo o Debate CBN, reproduzo a seguir os argumentos completos de cada uma das convidadas do Jornal para que você mesmo tire suas conclusões: homens e mulheres devem ter a mesma idade mínima para se aposentar?

 

Aposentadoria sem futuro: as novas gerações que se preparem

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Protecionismo, mecanismo que o Governo propõe, quando objetiva preservar mercados ou classes trabalhistas é um sistema que requer uma administração equilibrada. Para evitar que uma intensidade exagerada na medida não o leve a reduzir o tamanho destes mercados. Entretanto, raramente o equilíbrio é conseguido.

 

No Congresso, esses processos recebem os impactos de correntes ideológicas conflitantes, além de estarem nas mãos de alguns políticos carreiristas. Por isso, direitos ao trabalhador acima do padrão estão gerando custos elevados e as empresas perdendo poder de competição. Assim como as condições de aposentadoria estabelecidos em cenário diferente e mantidas até hoje leva ao Governo uma carga insuportável.

 

Se os poderes Executivo e Legislativo não agem ou atuam em dose exagerada como tem ocorrido, o mercado responde. O crescimento do número de PJ – Pessoas Jurídicas em contrapartida a CLT para salários mais altos e das Diaristas para sobrepor ao registro de Doméstica, é evidente. E, dentro desta mesma linha, no post do dia 26 deste blog, Mílton Jung relata que lendo reportagem de O Globo encontrou a pesquisa da Manpowergroup e da Reputations Leaders, a qual ressalta que a geração “millenials” espera trabalhar até a morte. É o mercado reagindo.

 

Mílton explica que os “millenials” são jovens nascidos na metade da década de 80. No mundo pesquisado 12% pensam desta forma, e no Brasil 10%, que se destaca pelo futuro, onde 60 a 69% estão otimistas.

 

Quanto a incerteza indagada por Mílton Jung de como o mercado reagirá a tanta gente trabalhando, acredito que o próprio mercado responderá.

 

As novas gerações que se preparem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Jovens não acreditam em aposentadoria e desafiam mercado de trabalho

 

 

Em arquivos pessoais, guardados em um dos muitos discos rígidos que mantenho em casa, encontro gafe cometida em entrevista à TV Câmara pelo então presidente da Casa, deputado Severino Cavalcanti. Diante da acusação de irregularidades cometidas por ele, acabara de se reunir com líderes dos partidos e sacado da maleta um pacote de medidas para o País, aquilo que os políticos costumam chamar de agenda positiva. Das medidas que Cavalcanti listou durante a entrevista, antes de sofrer um “apagão”e interromper a conversa ao vivo com o jornalista da emissora, estava a necessidade de o Brasil fazer a reforma da Previdência.

 

A gravação é de 2005 e pouco tempo depois Cavalcanti renunciou ao cargo para escapar da cassação por cobrar propina de R$ 10 mil por mês do dono de um dos restaurantes da Câmara dos Deputados. Pouco mais de 10 anos depois do ocorrido, o ex-deputado está com 84 anos e afastado da política. E a reforma da previdência segue sendo uma promessa não cumprida.

 

Com o governo em exercício de Michel Temer, o tema voltou à pauta. E sofre os mesmos ataques: mudanças nas regras não podem prejudicar quem já está dentro do sistema; aumento da idade mínima não resolverá as contas da previdência; o combate a fraudes e desvios seria suficiente para equilibrar o caixa; e mais uma série de afirmações que são usadas para que tudo fique como está.

 

Gente de primeira linha já mostrou por A + B que a previdência não resiste por muito tempo se não houver mudança no cálculo da aposentadoria e países – mundo afora – já deram mostras da encrenca que se aproxima aqui no Brasil. Prefiro, porém, deixar para quem entende profundamente do tema que use os argumentos mais apropriados para que a reforma avance.

 

Estou aqui lembrando do assunto pois leio, em O Globo, que 12% dos jovens entre 20 e 34 anos esperam trabalhar até morrer, segundo pesquisa feita pelo Manpower Group e pela Reputation Leaders, com 19 mil millennials (a geração que nasceu a partir de meados da década de 1980).

 

O Japão é o país com a maior porcentagem de entrevistados que não esperam se aposentar. São 37%, pouco mais de duas vezes o índice do segundo colocado, a China (18%). A Grécia, que deixou-se quebrar para depois fazer mudanças radicais nas regras da previdência, aparece em terceiro lugar, com 15% – informa a reportagem que você pode ler aqui.

 

O Brasil, diz a pesquisa, ocupa a 12a colocação: 10% dos jovens acreditam que vão trabalhar a vida toda, sem conseguir se aposentar. Um dado interessante é que de 60% a 69% dos millennials brasileiros estão confiantes ou otimistas com as perspectivas de suas carreiras.

 

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Vale a pena ler a pesquisa completa pois há outras informações importantes sobre o comportamento dos millennials em relação ao mercado de trabalho

 

O resultado deste estudo, em relação a perspectiva de aposentadoria, nos aponta para algumas verdades.

 

A primeira, e mais óbvia, é que há descrença quanto as regras da previdência pública, pois poucos acreditam que poderão contar com o dinheiro da aposentadoria para se manter.

 

A segunda é que precisaremos urgentemente pensar como o mercado de trabalho será capaz de acolher essa mão de obra. Se os jovens acreditam que terão de trabalhar até ficarem velhos (na melhor das hipóteses, muito velhos), onde estarão os empregos para os mais jovens que continuarão chegando a esse mercado?

 

Definitivamente, a discussão do Trabalho e da Previdência não tem mais espaço para gafes, esquecimentos e manobras nem pode ficar refém de políticos sem compromisso com o futuro.

Aposentados sem poder

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O poder é essencial à sobrevivência para países, empresas e pessoas. Às pessoas, cabe buscá-lo através do capital e do trabalho, mas quando se resume ao trabalho e este se finda, o indivíduo se restringe ao grupo dos aposentados. Sem poder de representatividade.

 

É por isso que se fala sempre do problema do sistema previdenciário, e não do aposentado.

 

O país vive uma situação inusitada em que o setor público paga mais que o privado, e age com magnanimidade com os servidores e realidade com os trabalhadores. Quem faz as leis, quem faz executar as leis e que as executa, sempre preserva seus pares, enquanto os trabalhadores privados ficam à mercê destes.

 

É por isso que o Senado aprovou a extensão da política do salário mínimo apenas como retaliação à presidente, que por sua vez vetou dentro da mesma linha de raciocínio de seus antecessores.

 

É por isso, também, que depois de nove anos os aposentados deixarão de receber na pensão de agosto o adiantamento de 50% do décimo terceiro que será creditada em setembro. Isto depois de ser noticiado que os pagamentos seriam desdobrados em dois. E, muito pior, isto sem anunciar antecipadamente para que o pensionista pudesse se preparar para esta falta de receita.

 

O que se vê é um critério soberano que se sobrepõe ao mínimo principio de uma hierarquia sadia. Aos menores sempre deverá ser dada a preferência nas dificuldades. Qualquer empresa privada consciente em dificuldade paga os menores salários na frente.

 

A longevidade que seria um presente ao cidadão do futuro pode ser um pesadelo, como já deveria ser para o poder público consciente. O fim do bônus demográfico que virá precisará de uma estrutura previdenciária organizacional e atuarial que nunca tivemos. Será que teremos?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

A foto deste post é do álbum de Pedro Ribeiro Simões no Flickr

O Carnaval dos aposentados

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Parte dos 30 milhões do total de aposentados do INSS deverá pensar em carnaval somente a partir de amanhã. Simplesmente porque recebem acima do salário mínimo nos primeiros dias do mês, e o INSS somente os pagará amanhã, sexto dia do mês. O contingente de aposentados que recebem no dia primeiro, por exemplo, está acostumado a ter seu crédito no sábado quando é o primeiro dia do mês, mas desta vez irá receber somente na quinta-feira, dia seis.

 

É verdade que esta é uma pequena indeferência, diante das acentuadas diferenças dentro do sistema de aposentadoria brasileiro. A começar pelo déficit de quase 60 bilhões para um milhão de aposentados do funcionalismo, enquanto o déficit para cobrir os 30 milhões de aposentados e pensionistas do INSS não chega a 50 bilhões. E essas discrepâncias não ficam nisso conforme elencou Ruy Altefender, presidente da APLJ Academia Paulista de Letras Jurídicas, em artigo na FOLHA de quinta-feira. Por exemplo, a média de ganho mensal entre os setores privado e público:

É bem verdade que estes “gaps” têm uma tendência a diminuir em função da EC14 de 2003, que acabou com a paridade entre servidores ativos e inativos, e da limitação de benefícios a partir de 2012, quando se estabeleceu que o optante pagasse mais pelo que quiser a mais. Entretanto, ainda há distorção na atualização monetária, pois o RGPS Regime Geral da Previdência Social aplicado à CLT tem apresentado índices de reajuste abaixo da inflação. Distorção esta que piora em muito aos que recebem acima do salário mínimo, pois além de abaixo da inflação, o reajuste a que fazem jus é inferior aos demais.

 

Aposentado, idoso e com valor acima do mínimo tem mesmo é que questionar e protestar. Na realidade a longevidade está cobrando um preço alto, pois as vagas especiais nos estacionamentos, as meias entradas, e as filas exclusivas nem de longe compensam planos de saúde sobretaxados e a atenção da família que muitas vezes vai diminuindo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Existe coisa melhor do que viver?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O novo salário mínimo de R$ 724,00, a vigorar em seis dias, traz um indicador que reflete um desfavorecimento significativo aos aposentados que contribuíram acima da base. Em 10 anos o teto passou de 10 vezes para 6 vezes o menor valor. Ou seja, hoje o teto do INSS será fixado em R$ 4 392,00 enquanto em 2004 equivalia a R$ 7 240,00. Enquanto as aposentadorias são reajustadas pela inflação, o salário mínimo ainda recebe o incremento da economia de dois anos antes.

 

Aparentemente é um mecanismo justo sob o aspecto social. Em 10 anos o teto será de 5 vezes o piso, e se mantido chegará à igualdade . Entretanto este sistema deverá inibir as contribuições acima do piso, reduzindo a arrecadação e gerando desequilíbrio. É tema a ser definido em 2015. Mesmo porque os valores não correspondem à realidade de parte dos pensionistas.

 

A situação é agravada pela longevidade alcançada hoje, a ponto de se questionar se viver, que indubitavelmente é a melhor coisa da vida, é indefinidamente um bem. A esse respeito o portal UOL divulgou segunda feira matéria de Richard Lilash no New York Times que aborda debate com especialistas em envelhecimento cujo tema vai fundo no ponto crucial: “Viver mais é uma benção ou uma maldição?”

 

Sarah Harper, gerontóloga britânica e fundadora do Instituto do Envelhecimento Populacional da Universidade de Oxford, observou a transição demográfica que não foi prevista, apresentando queda acentuada da taxa de natalidade, ao mesmo tempo em que a longevidade surgida também não foi considerada no grau que ocorreu. Segundo Harper, isto gerou quatro pontos a serem analisados.

 

1. O conceito de sucessão geracional, isto é a transmissão de posse, poder, riqueza e status de uma geração para outra. O alongamento das vidas irá modificar a validade destes valores.

 

2. O período dos estudos e do trabalho será menor que o período da aposentadoria. Como equilibrar estas fases?

 

3. O contrato geracional que estípula que você cuida dos filhos que cuidarão de você no futuro, poderá estar prejudicado, se considerarmos uma longevidade acentuada. Se você tiver 80 anos e seus pais 100 anos quem cuida de quem?

 

4. O sistema de saúde precisará se adaptar ao fato da morte estar sendo postergada, ao mesmo tempo em que será preciso manter todos saudáveis.

 

À questão recorrente “Existe coisa melhor do que viver?” respondemos “Sim, viver bem”.

 

FELIZ NATAL

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: Tem vida após os 60

 

A maior parte das empresas e executivos brasileiros ainda não planeja sua vida pós-carreira o que poderá gerar uma série de dificuldades profissionais e pessoais quando este momento chegar. Para o consultor Dorival Donadão, sócio-fundador da DN Consult, que atua na área de recursos humanos, a partir dos 30/35 anos é preciso desenvolver uma estratégia de atuação que leve em consideração a aposentadoria produtiva, a qual pode ser exercida dentro da mesma empresa ou com um reposicionamento na carreira. Na entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Donadão conta a história de executivos que voltaram a estudar após os 50 anos para investir em uma carreira musical ou se transformar em chef de cozinha. Há situações, também, em que a própria empresa planeja a carreira deste profissional visando aproveitar a experiência dele no papel de conselheiro, consultor ou coach. Ele alerta, porém, para o preconceito que ainda existe em relação a idade e a ideia da aposentadoria, apesar de estar mais do que evidente que há muita vida após os 60 anos.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, às 11 horas, com transmissão exclusiva no site da CBN (www.cbn.com.br) e participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. O programa é retransmitido aos sábados, no Jornal da CBN

Aposentados e renegados

 

Por Carlos Magno Gibrail

Da intrínseca cultura brasileira reverenciamos a juventude e renegamos a idade. A começar pela própria. A aposentadoria não poderia encontrar destino melhor do que aquele que vimos ontem, vemos hoje, e certamente, veremos amanhã se não se fizer algo para mudar.

Se as pessoas fossem tomadas como produtos, fato não recomendável, o ciclo de vida provavelmente teria tratamento técnico melhor do que o dos aposentados pelo INSS. O Boston Consulting Group de Harvard estabeleceu quatro etapas dentro do Ciclo de Vida de produtos: Introdução, Crescimento, Maturidade e Declínio. Também chamadas de Criança Prodígio, Estrela, Vaca Leiteira e Abacaxi. A ciência é prolongar a Maturidade alongando a chegada ao Declínio ou, até mesmo, descartando-o e criando diversificações.Este inevitável ciclo, como o da vida das pessoas, exige acompanhamento permanente para adaptação às mudanças do mercado, aqui considerado como meio ambiente.

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Entretanto, não é o que tem sido aplicado à vida profissional dos cidadãos brasileiros. Embora, há décadas os aposentados ocupem um proeminente espaço na agenda política nacional.

Collor e FHC postaram medidas a favor da Previdência e, aparentemente, em detrimento dos trabalhadores. Direção que Lula também tomará, quando anuncia veto ao projeto aprovado pela Câmara e que foi votado ontem no Senado. Reajuste acima de 6,14% e fim do fator previdenciário.

O balizamento essencialmente político que tem sido dado aos aposentados tem levado de um lado a uma posição homogênea de quem está no poder e, de outro a um afastamento da técnica, da demografia e principalmente da sociologia.

Há nove meses observávamos que:

“Dos 26,5 milhões de brasileiros aposentados 8,5 milhões ganham acima de um salário mínimo. Não possuem mais força competitiva no mercado de trabalho, que os rejeita. Não recebem reajustes compatíveis na pensão devida pelo Estado, que os discrimina. E são taxados no valor que recebem de aposentadoria pelo Sistema Tributário, que os assalta. Ainda assim são acusados de ameaçar o INSS, como se fossem os responsáveis pela incapacidade atuarial de Governos passados e pela frieza contábil do Governo presente”.

(leia o artigo completo, publicado em 01/07/2009)

Na sexta, o deputado Flavio Dino saiu em defesa dos 8,5 milhões em artigo que elege como justiça social o aumento de 7,7% aprovado pela Câmara e baseado em 80% do PIB de 2008. Acresce ainda que o PIB de 2010 deva crescer pelo menos 6%.

Ontem, o editorial da Folha endossou a posição do economista Fabio Giambiagi, que, há 20 anos, defende mudanças nas regras da Previdência Social propondo equilíbrio contábil e alertando contra as bases numéricas em momentos de economia positiva. A “Bomba demográfica” que intitula o artigo é provavelmente inspirada no livro de Giambiagi: “Demografia, a ameaça invisível”.

Este cenário conturbado fica ainda mais nebuloso quando se introduz a recente opinião dos candidatos Dilma e Serra. Dilma propõe intervenções especificas e momentânea. Serra endossa o que Lula decidir. Ora, Lula já avisou que veta aumentos acima de 6,14%, e a retirada do fator previdenciário. E, assim como nunca neste país, é hora de o jornalismo consciente entrar neste quadro eleitoral e pressionar a posição dos candidatos sem tangenciar para também não renegar os 8,5 milhões de aposentados.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung