Fé e ideologia não serão capazes de conter os efeitos do aquecimento global

 

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Duas pessoas morreram em ônibus soterrado na Niemeyer. Foto: Bárbara Souza/CBN

 

Acordei logo cedo com a voz de uma autoridade carioca no rádio oferecendo aos ouvintes a garantia de que a prefeitura do Rio estava preparada para enfrentar as dificuldades impostas pela tormenta que havia atingido a cidade na noite anterior. Seiscentos homens estavam nas ruas para atender a população, as equipes da noite foram reforçadas por aqueles que estavam encerrando o expediente, alertas foram emitidos com base no monitoramento dos radares do clima e sirenes tocaram em áreas de risco.

 

Suas palavras não eram coerentes, porém, com a descrição que repórteres faziam ao vivo ou com as fotos e vídeos que já circulavam na internet. O lobby de um hotel era comparado a um navio naufragando, o barro ocupava o salão de uma academia de ginástica, um homem era levado pela correnteza ao som de gritos de moradoras que gravavam a cena, ruas e avenidas estavam tomadas pela água e pessoas buscavam proteção de maneira improvisada —- a maior parte contando mais com a sorte do que com qualquer apoio oficial.

 

A impressão era que um furacão havia passado pela cidade e deixado seu rastro por todos os cantos. Os técnicos fizeram questão de esclarecer que os furacões estão no topo de uma escala que vai do grau 0 ao 12 e registram velocidade de 118 quilômetros por hora ou mais. O que aconteceu no Rio foi uma tempestade, que está no grau 10, e se caracteriza por ventos de 89 a 102 quilômetros por hora.

 

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Chuva colocou Rio de Janeiro em estágio de crise. Foto: Reprodução/TV Globo

 

Ao morador do Vidigal e da Rocinha, duas das áreas mais devastadas pela tormenta, tanto faz o nome oficial daquilo que eles assistiram e sofreram ao longo da noite e madrugada. Para eles e para os demais cariocas —- mesmo aqueles protegidos em prédios mais altos ou em suas casas em bairros mais bem estruturados — foi um caos. Um desespero sem fim.

 

O Rio já encontrou seis pessoas mortas desde o início do temporal — duas delas soterradas, quando tentavam voltar para a casa, na avenida Niemeyer. A terra deslizou na carona de uma árvore centenária que despencou morro abaixo até atingir o ônibus onde estavam os dois passageiros e um motorista —- esse conseguiu escapar com vida. Por sorte. Ou por Deus, como até os descrentes costumam dizer.

 

É com a sorte — e talvez com Deus —- que devemos contar enquanto os administradores das nossas cidades não são capazes de investir na mudança estrutural necessária para os novos tempos. Cruzamos os dedos para que no momento da tormenta já tenhamos chegado a um lugar minimamente seguro. E oxalá nossos parentes e amigos mais próximos também tenham conseguido.

 

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Uma pessoa morreu no Vidigal Foto: Marcelo Carnaval/ Agência O Globo

 

Um mínimo de interesse nos estudos do clima nos faria entender que não sobreviveremos por muito tempo enquanto acreditarmos que nosso destino será traçado pelo acaso. Sorte e azar não são elementos a se ponderar quando cientistas comprovam que a temperatura global aumenta a níveis sem precedentes — 16 dos 17 anos mais quentes registrados aconteceram neste século e nos últimos 40 anos, a temperatura media global esteve acima da média do século 20.

A medida que as temperaturas globais aumentam, eventos climáticos extremos se repetem com mais frequência, com mais custo e com mais destruição. Sabe aquelas chuvas que acontecem uma a cada mil anos? Foram registradas seis vezes, em 2016, nos Estados Unidos —- esse mesmo país que é comandado por um presidente que questiona o aquecimento global. Cidades litorâneas —- como o Rio —- estão muito mais expostas agora aos efeitos das marés altas do que estiveram em todos os tempos. Nos últimos 50 anos, aumentaram de 364% para 925% as inundações, nas três costas dos Estados Unidos.

 

As medidas paliativas e as palavras vazias não serão suficientes para conter as tragédias que tendem a se repetir a cada ano. Ambientes urbanos como o da cidade do Rio, que tem uma geografia a desafiar administradores, ou a de São Paulo, com sua extensão territorial inimaginável, não podem se dar ao luxo de esperar mais tempo até iniciarem de forma inteligente e planejada ações que mitiguem os impactos provocados pelo clima.

 

Repensar a forma de ocupação do solo, criar áreas para absorção da águas das chuvas, ampliar a quantidade de árvores para diminuir o efeito das ilhas de calor, deslocar famílias dos pontos de alto risco, reurbanizar favelas, recuperar córregos, riachos e rios, rever os modelos de transporte e reduzir a emissão de carbono são algumas soluções já há muito conhecidas e, por mais complexa que seja a implantação destas medidas, quanto mais tempo demorarmos para atuar piores serão os efeitos sobre a qualidade de vida do cidadão.

 

E para o nosso azar — perdão, uso a expressão apenas por força do hábito —- o que vemos avançar no Brasil, em lugar de politicas públicas que adaptam as cidades para esse novo tempo, é o discurso de políticos negacionistas ambientais. Uma gente cega pela sua fé e ideologia, incapaz de compreender que as evidências científicas são contundentes. Retumbantes. Destruidoras, se levarmos em consideração o que aconteceu no Rio nas últimas horas.

 

A persistirem os sintomas, a análise mais crua e certeira — tanto quanto mal-educada —- que ouvimos foi a de um cidadão carioca, voltando para a casa em meio ao temporal, aparentemente bêbado, que se intrometeu na cobertura ao vivo de uma repórter da Globonews para decretar: —- “Tá todo mundo f….., essa m…. aqui”

Adaptação, mudança e coragem para combater enchentes

 

Debate na CBNSão Paulo tem jeito e recursos para enfrentar as enchentes, concordaram os três convidados do debate promovido pelo CBN SP, neste sábado. Há necessidade de se adaptar às mudanças do clima e rever nosso comportamento, disseram eles. Nem todos se entenderam, porém, quando o assunto era saber se as medidas que estão sendo adotadas seguem o caminho certo.

Em torno da mesa do estúdio que discutou “Ambiente urbano e mudança climática”, duas visões contaminadas pelo pensamento político, sim, mas muito bem intencionadas e embasadas: Eduardo Jorge, secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, ligado ao PV, e Nabil Bonduki, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e ex-vereador do PT. Ao lado deles, um técnico disposto a mostrar que há tecnologia e conhecimento sendo desenvolvidos, professor Hélio Diniz, do Instituto de Geociência da USP.

Eduardo Jorge deixa claro que se a discussão é sobre a mudança do clima não há tempo a perder, chegou duas horas antes do programa. Aproveitou para colocar em dia vários e-mails pendentes. Na camiseta desbotada, um recado: o meio ambiente é o equilíbrio. O professor Hélio fez aquecimento antes do debate ao explicar para o pessoal da redação o que leva a terra se mover a ponto de causar a tragédia assistida na área serrana do Rio. E Nabil Bonduki chegou quando todos estavam no estúdio e disposto a apontar erros das administrações municipal e estadual no combate às enchentes.

Com números e ações, o secretário Eduardo Jorge se esforça para mostrar as diferenças no comportamento dos governos paulista e paulistano com os do Rio de Janeiro diante da mudança do clima. Disse que enquanto na capital paulista foram removidas cerca de 20 mil famílias de áreas de risco, em seis anos, na serra fluminense tiraram apenas dez famílias.

Mesmo com estes dados, o problema na capital ainda é grave. Levantamento do IPT que não está à disposição do público mostra que ainda existem 29.993 famílias morando em 407 áreas de risco, informa o secretário.

Bonduki lembra que a prefeitura erra ao promover a saída das famílias através do pagamento de aluguel social. Segundo ele, é preciso políticas habitacional e fundiária para impedir que estes deixem uma área de risco por outra.

Pouco depois, o repórter Juliano Dip relata que encontrou famílias que viveram esta situação no Jardim Romano. Ficaram alagados ano passado, perderam a casa, receberam o aluguel social e se mudaram para o Jardim Pantanal. Estão alagados de novo.

E como o assunto é ocupação do solo, o professor Diniz comenta que fez pesquisa no Vale do Paraíba e identificou que 99% das estradas vicinais foram construídas ao lado do rio, em local impróprio e arriscado. Uma lógica que também marcou o desenvolvimento da capital paulista com avenidas sendo instaladas sobre e na várzea dos rios e córregos.

Foi a oportunidade para Eduardo Jorge alertar para a construção de parques lineares e o risco que mudanças no Código Florestal podem trazer para o ambiente urbano. Na réplica, Bonduki criticou o investimento na Nova Marginal que impermeabilizou a região e beneficiou o transporte individual.

Antes de encerrar perguntei sobre qual seriam as prioridades no combate às enchentes:

Eduardo Jorge

– Remover as quase 30 mil famílias de áreas de risco

Nabil Bonduki

– Políticas habitacional e fundiária para reduzir a especulação imobiliária e baratear o preço da terra;
– Desestímulo ao uso do automóvel com investimento em corredor de ônibus;
Liberar fundos de vales

Hélio Diniz

– Criação de selo verde para infraestrutura, ou seja obras apenas com respeito ao meio ambiente.
– Armazenamento da água da chuva

Acompanhe o debate nos links a seguir:

Governo promove ações para evitar o efeito estufa, diz Eduardo Jorge

Ações do governo são paliativas, critica Nabil Bonduki

Viabilização de Plano Diretor de Macrodrenagem é importante para evitar enchentes, afirma professor Diniz

Quais são as prioridades para evitar novas enchentes ?

A conversa esquentou com meu sogro

 

Por Rosana Jatobá

http://www.flickr.com/photos/mikaelmiettinen/

Ele quer uma neta. E deseja que chegue logo, com a cara da mãe.
– Já tem muito homem nesta família. Precisamos de mais beleza, graça e sensibilidade.

Sem cerimônias, elenca as recomendações para a futura criança :
– Ela vai crescer ouvindo os clássicos da música e da literatura internacional. Vai falar línguas desde cedo e frequentar museus e galerias de arte.

As sábias palavras são do meu sogro: homem de bem, de bom gosto e de personalidade forte. Com inteligência de sobra, comanda a conversa, discorda de tudo e dita as próprias verdades.

A bola da vez é o aquecimento global.

-Esses ambientalistas que você defende são uns imbecis! Ignoram a história da humanidade, os ciclos naturais da Terra, e se apossam de teorias fajutas de oportunistas, como Al Gore. Quem disse que o suposto aquecimento global é resultado da ação humana?

Como não resisto a uma provocação, exponho meus humildes conhecimentos.

– Esta foi a conclusão a que chegou um dos maiores economistas do mundo, Nicholas Stern, em outubro de 2006, antes mesmo de Al Gore surgir na cena ambiental com o seu panfletário filme: ” Uma verdade inconveniente” . Stern, ex-economista -chefe do Banco Mundial, demonstrou, por meio de um relatório de 700 páginas, que o acúmulo de gás carbônico é a principal causa do aquecimento terrrestre. Mais tarde, em 2007, cerca de 3 mil cientistas corroboraram a tese e publicaram o mais extenso e completo documento sobre as mudanças climáticas provocadas pelos gases de efeito estufa, o IPCC.

– Relatório manipulado para atender a grupos interessados nas polpudas quantias destinadas às pesquisas do clima!

– Nem todos os dados estão sob suspeita. E o relatório foi ratificado por quase toda a comunidade cientifica.

-Quem ousa desafiar a postura oficial é relegado ao ostracismo. Tem muito climatologista contrário à doutrina do aquecimento global sendo boicotado e impedido de publicar seus próprios trabalhos.

-Mas a meteorologia já aponta para um cenário devastador, que tende a piorar nas próximas décadas, caso não haja uma redução das emissões.

-Como eu posso acreditar que os modelos climáticos acertarão as previsões para daqui a 50 ou 100 anos, se eles não conseguem dar conta de eventos de curto prazo?

Para uma moça do tempo, essa crítica é como uma facada….Mas tomo fôlego e continuo o debate.

-Em que dados você se baseia para contestar o relatório?

-Na “mea culpa” feita por cientistas do próprio IPCC, como o climatologista Phill Jones. Ele reconheceu que parte das informacões do relatório não passa de especulação sem base científica. E o pior: que nos últimos 15 anos o mundo não teve aquecimento algum. Mojib Latif, outro cientista da mesma cepa , acaba de desmentir a doutrina que defendeu por anos. Ao invés de aquecimento global, vamos ter resfriamento global causado por alterações cíclicas naturais nas correntes oceânicas e nas temperaturas do Atlântico Norte.

-Você acha que toneladas de CO2 lançadas todos os dias na atmosfera sobem impunemente? Tanta poluição não vai cobrar um preço? É natural retirar materia orgânica das profundezas da terra, sedimentada em forma de petroleo, queimá-la e lançá-la pelos ares? Já temos 375 partes por milhão de CO2 na atmosfera.

– Em meados do século dezenove, quando mal se ouvia o barulho do motor, a concentração de CO2 chegou a superar 500 ppm. E há cerca de 35 milhões de anos, esse nível passou de 1000 ppm !!!!. E nós estamos aqui pra contar a história….Você, jornalista, não pode acreditar neste “catastrofismo climático” de projeções alarmistas!

É claro que uma fera como meu sogro, Mestre pela FGV, com especialização em Standford, iria esgotar meus argumentos. O silêncio veio como um soco no estômago, seguido da inevitável dúvida:

-Será que fui ingênua o bastante pra me deixar envolver pelo discurso da moda?

Relembrei o dia em que comecei a estudar com mais afinco as mudanças climáticas, inspirada pela palestra do Al Gore na Oca do Ibirapuera; os congressos que frequentei, as entrevistas a que assisti; os fins de semana debruçada sobre livros e apostilas do curso de gestão ambiental….. Será que fui iludida, que é tudo uma farsa? Um lobby perfeito da indústria verde?

A inquietação me acompanhou por dias e dias. E só perdeu sentido quando subi ao palco de um importante auditório em São Paulo para apresentar um evento da maior rede varejista do mundo. O Wal Mart anunciava o seu Pacto de Sustentabilidade. A rede, que até pouco tempo era conhecida pela falta de preocupação com o meio ambiente e com as condições de trabalho de seus funcionários, agora exibia uma ampla plataforma de projetos de responsabilidade econômica, social e ambiental.

Na esteira do Wal Mart, milhares de empresas dão o exemplo. E ainda que a motivação seja puramente capitalista, para obter vantagens competitivas, o fato é que a estratégia de negócios está reduzindo a sobrecarga sobre o planeta.

Essas companhias não esperaram para ver se há mesmo aquecimento global ou não; ou se o fenômeno decorre dos caprichos da natureza ou dos desmandos do ser humano….

A questão ficou pequena diante da maior urgência, que é a de preservar os recursos naturais para garantir a nossa sobrevivência e a das futuras gerações. Se mantido o ritmo atual de consumo, vamos precisar de dois planetas no ano de 2050, calcula o grupo conservacionista WWF.

Desejo que a neta do meu sogro frequente as aulas de balé e os concertos de música clássica, sem precisar usar máscaras de oxigênio no percurso até as academias. Que ela caminhe pela faixa de areia fina e branca da praia, não invadida pelo mar. Que ela tenha o prazer de admirar Ipês, Paus-ferro, Pinheiros e Jatobás.

E que seja tão inteligente quanto o avô para perceber que “há que se cuidar do broto, pra que a vida nos dê flor e fruto”!!

Vai contestar, meu querido sogro?


Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade – e de família, também

O aquecimento global e a chuva de hoje no Roda Viva

 

Carlos Nobre do Inpe no Roda Viva

O Roda Viva é daqueles programas que o entrevistado não consegue dizer tudo que pensa, os entrevistadores não conseguem perguntar tudo que querem e o telespectador não ouve tudo que precisa. Mas todos querem participar, o público, inclusive. Nesta segunda, ao entrevistar o pesquisador do INPE Carlos Nobre, das maiores autoridades sobre clima no País, a sensação não foi diferente, tanto que a conversa seguia em frente no intervalo do programa. E não parou ao fim.

Nobre olhou de mais para o aquecimento global, e demonstrou confiança nos dados que tem servido de base para as previsões de impacto com as mudanças climáticas. Entende que se há erros – e estes tem sido usados para desacreditar os estudos apresentados – são poucos e justificáveis. Para ele, grupos econômicos que tem interesses contrariados estão por trás das críticas. Parte da indústria de petróleo, citada pelo Heródoto Barbeiro, estaria neste grupo.

“A ciência é neutra” tentou explicar. E os cientistas ? Respondeu-me voltando o olhar para o alto do estúdio, hábito que manteve durante a hora e meia de entrevista. Parecia querer encontrar no céu a resposta para as coisas da terra. Não chega a ser surpresa, foi decifrando estes códigos que ele e os colegas pesquisadores chegaram a conclusões trágicas para o futuro do planeta se nada for feito. Acredita que os cientistas tem convicções e usam de dados concretos para convencer o mundo. Ou seja, não mentem. Mas podem cometer erros.

Na outra oportunidade que tive de perguntar, tentei olhar o impacto do nosso comportamento no ambiente urbano. Afinal, o Roda Viva abriu com um proposta registrada em vídeo: descobrir se a enchente em São Paulo ou a nevasca na Europa são efeitos do aquecimento global alardeado pelos cientistas. Sim e não, disse Nobre.

Fiquei com a impressão de que não. O que temos é resultado de hábitos que desrespeitam a lógica da natureza: ocupação desordenada, devastação de áreas verdes, impermeabilização do solo e falta de gerenciamento urbano. Não fomos capazes, ainda, de preparar a cidade para novos parâmetros, como o volume maior de chuva em relação há 50 anos. Nem de crer no que mostram os mapas meteorológicos.

O risco de esgotamento das represas em São Paulo foi anunciado em setembro pelo Inpe, a Sabesp fez simulações de controle de vazão, mas na hora H segurou o que pode e tenta até hoje convencer os municípios alagados de que a culpa não é dela . É da chuva, de Deus ….

Adaptação foi tema de outra questão que me permiti fazer em meio a tanta gente especialista no assunto: Washington Novaes, Martha San Juan França e José Carlos Cafundó. Queria saber o que isto significa de maneira prática. Resumo do que disse Nobre: investir até onde a engenharia permite, implantar plano de macrodrenagem com novos parâmetros e remover famílias de áreas de risco.

Em determinado momento da conversa, levado pelo próprio entrevistado, o olhar se voltou para o campo, apesar de boa parte da população brasileira – e mundial – ser urbana. E no instante mais bem humorado e não menos sério do Roda, o cartunista Caruso desenhou um boi temendo por seu destino e soltando pum. A flatulência e os arrotos dele e seus parentes emitem 50% mais gases de efeito estufa do que todo setor de transportes.

Foi o gancho que precisava para ao menos chamar atenção do cidadão sentado no sofá diante da televisão que aquela altura deveria estar imaginando: por que deixar meu carro em casa se o boi é que faz a m ….. no campo ? As ações não são isoladas, a mudança de hábito deve ocorrer na cidade e na fazenda, as medidas precisam ser adotadas pelo indivíduo, sim, mas também pela iniciativa privada e o poder público.

Estamos todos neste mesmo barco que pode afundar daqui 50, 100 anos por causa do aquecimento global como insistem os cientistas – ao menos boa parte deles – ou emborcar amanhã mesmo com uma chuvarada que faz despencar nossas casas e vidas.

Veja mais imagens do programa no álbum da Tv Cultura no Flickr e detalhes no programa no site da emissora.

“A esperança se foi”, diz Greenpeace na COP-15

 

Imediatamente após a fala dos presidentes Lula e Barack Obama na Conferência do Clima, conversamos com o diretor da campanha Amazônia do Greenpeace Paulo Adário que definiu assim a percepção dele sobre as posições apresentadas oficialmente: “a esperança se foi”.

Adário se referia principalmente ao discurso do presidente americano de quem esperava alguma proposta mais arrojada no combate ao aquecimento global. Para o representante do Greenpeace Obama foi arrogante, enquanto Lula foi generoso.

Ouça a entrevista de Paulo Adário, do Greenpeace

No CBN SP, conversamos também com a Miriam Leitão, comentarista da CBN na Dinamarca, que entende que o o encontro se encerrará com avanços no combate ao aquecimento global, citando principalmente em relação a ajuda para conservação das florestas, e resumiu assim seu olhar sobre os resultados da COP-15: “teremos o acordo possível para os líderes políticos mas muito aquém do desejado pelos cientistas”.

Um número que pode salvar o planeta: 350

 

Crianças nas Filipinas formam o 350 em defesa da Terra

Crianças nas Filipinas formam o 350 em defesa da Terra

Neste sábado, 24, milhares de pessoas em torno do mundo farão parte do Dia Internacional da Ação do Clima, enviando uma mensagem clara aos líderes mundiais: não é mais possível adiar as medidas de combate as mudanças climáticas. A intenção é pressioná-los a assumirem compromisso com soluções para a questão do aquecimento global durante o encontro em Copenhagen, Dinamarca, em dezembro. E um número em especial tem de estar diante de qualquer que seja a decisão: 350.

De acordo com cientistas, 350 partes por milhão é o limite máximo de segurança para a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Há dois anos, após observarem a velocidade do derretimento do gelo no Ártico e sinais assustadores de alterações climáticas, pesquisadores entenderam que o planeta estava em risco de catástrofe natural e humana se as concentrações de CO2 na atmosfera se mantivessem acima das 350 partes por milhão.

O desafio é gigantesco e exigirá mudanças drásticas de comportamento que devem ser decididos no encontro de dezembro. Por isso, é fundamental a pressão cidadã sobre os líderes globais e seus representantes. A coalisão 350.org imagina que haverá mais de 4 mil eventos em 170 países, neste sábado.

Uma das tarefas dos participantes é produzir uma foto com o número 350 e enviá-la pelo site 350.org que se vai construir durante todo o evento gigantesco painel eletrônico no Times Square, em Nova Iorque. Todo o material fotográfico será distribuído para repórteres que cobrirem o evento com a intenção de provocar reações também da mídia.

Veja aqui as atividades propostas para moradores da cidade de São Paulo.