Avalanche Tricolor: dois clássicos, quatro pontos

 

Grêmio 1×0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Fred comemora o nosso gol em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

A tabela do Campeonato Brasileiro impôs ao Grêmio dois clássicos logo na abertura. Um fora e o de hoje em casa. Clássicos costumam ser jogos difíceis por seu próprio histórico: no caso dos nacionais, reúnem equipes que disputaram finais de competição, ganharam títulos e construíram com o tempo rivalidade.

 

Diante das dificuldades que a tabela proporcionou, saímo-nos bem e deixamos registrado no placar dois resultados que também podemos chamar de clássicos: 0x0 fora de casa; 1×0 dentro de casa.

 

E saímo-nos bem a despeito do desempenho coletivo da equipe. Não que tenhamos feito partidas ruins, mas alternamos bons e maus momentos dentro do próprio jogo.

 

No desta tarde de domingo, isso ficou evidente. No primeiro tempo, equilibramos as forças e tivemos mais chances efetivas do que o adversário. A novidade na equipe, o lateral Edílson, cumpriu seu papel, defendendo com segurança e atacando de maneira produtiva. A persistirem os sintomas iniciais, o lado direito do campo estará bem resolvido com ele (e Ramiro a subistuí-lo quando necessário).

 

No segundo tempo, vimos nos primeiros dez minutos, o Grêmio que Roger nos ensinou a gostar. Movimentação rápida dos jogadores, deslocamentos inteligentes e próximos, bola de pé em pé, rodando com velocidade e para a frente, e chutes a gol. O goleiro defendeu um, dois, erramos o terceiro, quase chegamos lá … Dava prazer torcer!

 

Até que veio o escanteio para Fred fulminar de cabeça, a ponto de a bola explodir no “fundo do poço” (como diria nosso Milton Gol-gol-gol Jung), e dar a oportunidade do nosso zagueiro comemorar com a emoção de quem é contestado e esperava a chance sorrir para ele. Sorriu para ele e para nós, também. Foi o único gol da partida.

 

Dali pra frente, foi um sofrimento só, na bola jogada e no risco do empate. Até um incrível quase-e-raro-frango de Marcelo Grohe fomos obrigados a assistir nos minutos finais da partida. As poucas oportunidades que criamos foram desperdiçadas no passe errado, no chute no travessão ou na defesa do goleiro.

 

Um parêntese, por favor: é impressão minha ou a dupla Geromel-Fred, desde a partida anterior, acertou seu posicionamento e não deixa mais nada passar por cima, menos ainda por baixo?

 

Ao fim e ao cabo, somamos mais três pontos na tabela. Já ganhamos quatro, em dois clássicos.

 

Na semana que começa, no feriado de quinta-feira, teremos o terceiro clássico seguido – isso mesmo, a tabela do Campeonato Brasileiro nos premiou com esta sequência de jogos logo no seu início. Mais uma prova de fogo, fora de casa e contra adversário que nos tem entalado na garganta desde o ano passado quando marcamos o mais belo gol da Era Roger.

 

Mais uma decisão no nosso caminho!

 

Avalanche Tricolor: o gol de Luan vale bem mais do que um empate

 

Grêmio 2×2 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan comemora golaço de falta, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Vamos convir que o jogo pelo jogo pouca coisa nos valia. A classificação estava garantida e a liderança, também. Méritos que construímos ao longo do campeonato, disputado, não vamos esquecer, em paralelo com a mais importante das competições: a Libertadores, onde se encontra apenas a elite do futebol sul-americano.

 

Independentemente da qualificação da partida, do quanto acrescentaria no nosso currículo e de estarmos apenas com parte do time titular em campo, vamos combinar que não gostamos nunca de perder (nem em treino), especialmente dentro de casa. Por isso, a virada que tomamos no segundo tempo deixava um sabor amargo, neste fim de domingo, principalmente porque havíamos dado sinais de vitalidade no primeiro tempo e não aproveitamos as chances de gols construídas.

 

Mesmo com o resultado negativo, havia pontos positivos: Wallace Oliveira e Giuliano de volta aos gramados, por exemplo, nos ofereciam alternativas para a construção do time, mesmo que o desempenho deles não estivesse a altura do que são capazes de dar à equipe. No caso dos dois, porém, o mais importante é estarem disponíveis no grupo novamente, aumentando as opções para Roger.

 

Wallace, aliás, apareceu bem pela direita na jogada que resultou no primeiro gol, após receber um passe incrível e de longa distância de Maicon. Já pela esquerda, testar Iago para a ausência de Marcelo Oliveira no próximo jogo da Libertadores também foi mais um mérito desta partida dominical. O jovem lateral precisa de mais quilometragem, devido aos desafios que teremos pela frente, mesmo assim mostra ser audacioso, ofensivo e driblador.

 

Como disse, porém, não gostamos nunca de perder (nem em treino).

 

Foi, então, que Luan apareceu para cobrar a falta na entrada da área, no momento em que a partida estava prestes a se encerrar. Pegou a bola, secou-a na camisa, esfregou-a com as mãos e a ajeitou cuidadosamente na marca de espuma deixada pelo árbitro sobre o gramado. Havia muita gente entre ele e o gol, mas todos estavam ali apenas para assistir à cobrança de falta magistral de nosso jovem talento. O guri deu apenas alguns passos até lançar a perna direita em direção a bola e tocá-la com tanta delicadeza que ela parecia não ter outra coisa a fazer do que agradecer, seguindo seu destino até as redes.

 

Gol de Luan; golaço de falta; cobrança de craque!

 

Ao contrário do que muitos devem estar pensando, aquele não era apenas um gol para empatar a partida. Era muito mais do que isso. Era a demonstração que o Grêmio, quando o talento, intensidade e velocidade não conseguem se impor com a bola rolando, pode contar com a qualidade individual de alguns de seus jogadores. Que o Grêmio, mesmo quando as coisas parecem estar conspirando contra, pode apostar na genialidade de alguns de seus craques. Que o Grêmio não desiste nunca, porque aprendemos na vida a lutar sempre!

Avalanche Tricolor: Pedro Rocha estava lá mais uma vez; e o Grêmio, também.

 

Grêmio 3×0 Lajeadense
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Pedro Rocha a caminho do gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Convidado pela ESPN, tive o prazer de entrevistar o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, no programa Bola da Vez, gravado na quinta-feira passada e ainda sem data para ir ao ar. Meus colegas de bancada queriam saber se com o dinheiro que entrará no cofre gremista, a partir da assinatura do contrato do clube com a TV Globo, seria possível fazer grandes contratações para as próximas temporadas. Eu disse que, por mim, não precisava contratar muita gente, não. Já ficaria feliz em ver quatro dos nossos jovens craques mantidos no elenco: Luan, Lincoln, Walace e Everton.

 

“Cinco”, corrigiu-me Bolzan, “tem o Pedro Rocha, também”. Cheguei a ponderar que Rocha costuma ser alvo de críticas do torcedor por seus altos e baixos, seus gols perdidos e tropeções durante a partida. “Mas ele está sempre lá”, retrucou o presidente, demonstrando sua confiança e admiração por esse garoto de apenas 21 anos, que surgiu no time ano passado, chegou a ser titular e depois foi perdendo espaço na equipe principal.

 

Bolzan tem razão ao fazer a ressalva. Seria uma injustiça não colocar Pedro Rocha na lista dos valores a serem preservados. Com a retomada da temporada e as disputas de três competições simultâneas, Roger obrigou-se a aproveitar maior número de jogadores e Pedro Rocha voltou a aparecer com mais frequência no ataque gremista. Ainda perde alguns gols que consideramos fáceis, dá uma tropicada aqui e outra ali, mas, como diz o presidente do Grêmio: “está sempre lá”.

 

Neste domingo de Páscoa, Pedro Rocha esteve lá, novamente. Tentou uma, tentou duas, passou a terceira, tropeçou na quarta, mas em uma “tabela” com o zagueiro adversário apareceu com velocidade diante do goleiro e foi precioso no toque que deu para desviar a bola para dentro do gol. Com esse quarto gol, é um dos goleadores gremistas no Campeonato Gaúcho, ao lado de Luan e Bobô.

 

Ao fim e ao cabo, o que se espera de um atacante é que marque gols. Ao menos que os busque de maneira insaciável. Pedro Rocha é assim, incansável. Só não aumentou (ou teria perdido?) a goleada desta tarde porque seu colega de ataque, Lincoln, acreditou que seria capaz de fazer o dele, também, e, em lugar de passar para quem estava mais bem posicionado, no caso Pedro Rocha, preferiu chutar a gol, quase no fim da partida.

 

Bobô abriu o placar e Batista, outro menino que chega ao grupo, com apenas 20 anos, completou a vitória tranquila do Grêmio, que nos mantém líder a duas rodadas do fim da fase de classificação. Ou seja, não é só Pedro Rocha que “está lá”. O Grêmio, também.

 

Aliás, de volta a entrevista na ESPN, Bolzan disse que acredita que ganharemos ao menos uma das quatro competições importantes que disputaremos esse ano. Sendo assim, é bom que sejamos líder agora, pois esta meta ficará mais próxima de ser alcançada se decidirmos na Arena as partidas da etapa seguinte do Campeonato Gaúcho.

 

E se queremos manter nossos jovens craques no time, nas próximas temporadas, é importante que os títulos comecem a chegar logo. É isso o que mais desejamos.

Avalanche Tricolor: vamos ao que realmente importa

 

Grêmio 0x0 Inter
Gaúcho/Copa Sul-Minas-RJ – Arena Grêmio

 

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Miller em mais um ataque gremista FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O Gre-nal deste domingo era um Gre-nal estranho. Valia por duas competições ao mesmo tempo (ambas sem muito valor), e estava intrometido entre dois jogos da única competição que realmente vale alguma coisa: a Libertadores.

 

Depois daquela atuação exuberante em busca do título sul-americano, com goleada em casa e o melhor desempenho até aqui na temporada, no meio da semana, o Grêmio foi apenas um esboço daquilo que o diferencia dos demais.

 

Nos primeiros minutos, bem que ensaiou o futebol de velocidade, precisão no passe e qualificado com o qual já estamos acostumados. E quase decidiu o jogo logo no seu início. Não teve sucesso.

 

Por mais motivados que pareciam estar nossos jogadores, lutando pelos espaços em campo (e alguns lutaram muito), disputando cada bola como se fosse a última, parece-me que se ressentiu da ressaca da Libertadores. Esteve mais lento do que o normal, mais distante do que de costume.

 

A retranca armada pelo adversário, típica dos times que enfrentamos no Campeonato Gaúcho, também nos fez sair das nossas características e nos levou a exagerar naquilo que mais nos faltava até aqui: chutes de fora da área.

 

De todos em campo, destaque para Geromel, o Senhor da Área. Ganhou todas as disputas que encarou e não deu chances aos atacantes que se atreviam a se aproximar de nosso gol. Nem precisou ser violento para isso.

 

Por cima, nosso zagueiro saltava mais alto do que qualquer outro e afastava o perigo de cabeça; por baixo, despachava para longe quando necessário ou buscava um companheiro mais bem colocado, se seguro fosse. E em baixo das traves impediu a consumação de uma injustiça com uma defesa incrível, no segundo tempo.

 

Por mais que a torcida, que fez belo espetáculo lotando a Arena, desejasse a vitória, porque vencer queremos sempre, do ponto de vista da competição estadual temos pouco a lamentar pelo empate, mesmo depois de assistir ao Luan desperdiçar o gol mais feito do jogo.

 

O que me preocupa é que este Gre-nal, em meio a dois jogos realmente importantes, causou baixa significativa para o Grêmio, com a perda de Miller (ex-Bolaños) por cerca de 30 dias, agredido no início da partida, sem que seu algoz fosse punido.

 

Temos elenco suficiente para superar a ausência dele no ataque, mas quando se está em uma competição de alto nível, privilégio de poucos no Rio Grande do Sul, é sempre bom contar com força máxima.

 

Que Miller volte logo.

 

Até quarta-feira, pela Libertadores, que, afinal, é o que realmente importa!

Avalanche Tricolor: Grêmio dá show na Libertadores

 

Grêmio 4×0 LDU

Libertadores – Arena Grêmio

 

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Miller marca na estreia com a camisa do Grêmio Foto: Lucas Lebel/Grêmio Oficial

 

Bola no chão, correndo rente ao gramado e em velocidade. Jogadores próximos uns dos outros, formando triângulos e losangos. Marcação intensa, sem dar espaço para o adversário respirar. E um desejo impressionante de chegar ao gol – algumas vezes até confundido com pressa ou precipitação.

 

Foi assim que o Grêmio de Roger apresentou-se nesta noite de Libertadores, impondo um ritmo alucinante na partida.

 

Ainda antes dos 15 minutos, era possível perceber que a troca de passes, que marcou o belo desempenho da temporada passada, estava de volta. E foi assim que Maicon marcou o primeiro gol, após assistência de Luan.

 

A velocidade nos permitiu ampliar a diferença com pouco mais de meia hora de partida: Miller (ex-Bolaños), em sua estreia, desviou para o gol outra bola bem servida por Luan.

 

A vantagem se tornou possível, também, devido a expulsão de um adversário, logo na retomada do jogo no segundo tempo. Registre-se: expulso por não conseguir acompanhar a velocidade do ataque gremista.

 

Henrique Almeida e Everton, dois dos que saíram do banco para brilhar, completaram a goleada, com chutes precisos, oferecendo ao torcedor uma tranquilidade inesperada, levando-se em consideração ser esta partida de Libertadores.

 

Goleadas assim estamos mais acostumados nos clássicos gaúchos, não é verdade?

 

Miller jogou como um velho conhecido de seus colegas, apesar de estar apenas estreando na equipe. E mostrou que está pronto para dar nova dinâmica ao ataque.

 

Henrique Almeida chutou uma só bola no gol, de fora da área e depois de se livrar da marcação. Mostrou, assim como no fim de semana, qual é o seu papel no time.

 

Douglas, Giuliano e Luan formaram o trio que nos ensinou, no ano passado, que é possível fazer do futebol uma arte.

 

O Grêmio de Roger voltou a se apresentar.

 

Seja bem-vindo e eterno!

Avalanche Tricolor: gols, pipoca e rock and roll

 

Grêmio 3×2 Glória

Gaúcho – Arena do Grêmio

 

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Foi um fim de sábado intenso, que começou ali pelas cinco horas da tarde com a partida do Grêmio, na televisão, e se encerrou depois da meia-noite quando voltei a pé do Morumbi, após assistir ao show dos Rolling Stones.

 

Cheguei a titubear: ver o jogo do Grêmio até o fim e chegar em cima da hora para o show, arriscando ficar distante do palco? Não ver o jogo do Grêmio e garantir espaço nas primeiras filas da pista?

 

Não sei porque ainda encaro esses dilemas quando sei de antemão a resposta: assisto ao jogo do Grêmio, sempre (ou na maioria das vezes). Foi o que fiz e por pouco não me arrependi. Não que lá no estádio, pela hora que cheguei, não tenha conseguido uma boa visão do palco, muito beneficiada pelos incríveis telões que integravam a paisagem eletrônica.

 

O arrependimento bateu forte quando vi, já no segundo tempo, aquela escapada pelo corredor que havia no lado direito da nossa defesa, a bola cruzando toda a área para encontrar o atacante que entrava livre pelo nosso lado esquerdo.

 

Este show já havia assistido, nesta temporada. O Grêmio com muito mais futebol, chegando à defesa alheia com velocidade, chutando e desperdiçando oportunidade atrás de oportunidade. Consagrando o goleiro adversário. De repente, uma bobeada e tomamos o gol. Outra, e gol novamente. Ontem, corremos riscos mais duas ou três vezes. Ainda bem que nosso goleiro é sagrado.

 

Para ver espetáculo com o mesmo enredo, tivesse seguido mais cedo para o Morumbi, pensei cá com as listras tricolores da minha camisa. Lá estava com encontro marcado com velhos conhecidos: no palco estariam os mesmos astros e seus clássicos que curti em janeiro de 1995, no Pacaembu, e em abril de 1998, na pista de atletismo do Ibirapuera, apenas com uma roupagem diferente. Sim, eu estive com eles nas duas vezes anteriores e só não me meti entre os 1 milhão e 200 mil pessoas que assistiram à apresentação, em 2006, em Copacabana, porque casamento e filhos nos dão um certo senso de responsabilidade.

 

Gosto dos Stones e poucos são capazes de me emocionar como eles, especialmente quando somos milhares no mesmo espaço comungando o som que tocou minha geração. E, pela juventude que pulava ao meu lado, a de muitos outros, também.

 

Assim como das outras vezes, a expectativa era ouvi-los em “Jumpin’ jack flash”, “You can’t always get what you want” e “Satisfaction” – os sucessos de sempre. Já sabia que Mick Jagger conversaria com a gente em um esforçado português britânico, iria saracotear de uma lado para o outro e brincaria com a turma do palco.

 

Apesar da impressão de que tudo aquilo já havia sido visto anos atrás, mais uma vez assistir aos Stones seria único, grandioso e emocionante. Um espetáculo que queria ver de novo, e de novo, e mais uma vez se possível. Diferentemente daquele que o Grêmio apresentava na Arena, em Porto Alegre, e eu insistia em assistir até o fim, mesmo que isso pudesse atrapalhar meu compromisso mais tarde.

 

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Luan marca mais uma vez Foto Grêmio Oficial/Lucas Lebel

 

Quando o Grêmio joga, mesmo nos piores de seus dias, sempre quero acreditar que algo surpreendente possa acontecer. E estamos bem distante destes maus dias. O que ocorre hoje é apenas a necessidade de afinar melhor nossos instrumentos: o passe, a aproximação, o deslocamento, a marcação, o chute a gol e a confiança. Roger, que comanda a nossa banda, tem se esforçado neste sentido, pois conhece bem o potencial de cada um dos seus integrantes. Sabe que somos capazes de oferecer um espetáculo vitorioso. E que faremos isso, em breve.

 

A surpresa veio quando já havia trocado minha camisa tricolor pela que estampa a cara envelhecida dos Stones: minha insistência, e muito mais a de Roger e dos jogadores, foram premiadas com dois gols no fim da partida, com Henrique Almeida (que seja o primeiro de muitos) e Luan (mais um de muitos que já marcou) completando o que Giuliano e Geromel haviam iniciado. Uma goleada construída de maneira estranha, mas que foi muito mais realista ao que havia acontecido em campo.

 

Mesmo com o adiantado da hora, cheguei em tempo de entrar no gramado do Morumbi e me intrometer no meio da massa que ocupava quase todo o espaço disponível. Fiquei no centro do campo, diante do palco e com milhares de pessoas embevecidas pelo espetáculo que assistíamos desde o primeiro acorde. Emocionei-me de novo com Mick, Keith, Ron e Charlie. E fui surpreendido com algumas performances no palco, além da beleza de “She’s a rainbow” e o ineditismo de “All down the line”(ao menos nesta turnê). Assim como o Grêmio, os Stones sempre me surpreendem.

 

Na volta para casa, ainda entorpecido pelo som dos Stones, cruzei por um pipoqueiro na saída do estádio: “doce ou salgado?”, perguntou-me. Quero um grande com o sabor da alegria (e uma pitada de ironia, por favor).

Avalanche Tricolor: o necessário, somente o necessário …

 

Grêmio 1×0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Luan comemora com Roger o gol da vitória (álbum Flickr do Grêmio Oficial)

Luan comemora com Roger o gol da vitória (álbum Flickr do Grêmio Oficial)

 

“Eu uso o necessário
Somente o necessário
O extraordinário é demais”

 

Via o Grêmio jogar, na noite desta quinta-feira, quando lembrei da letra de música que embalava os meninos aqui de casa sempre que assistíamos a um dos muitos DVDs da Disney, que faziam parte da coleção de entretenimento deles quando eram bem pequenos ainda. Hoje, os dois estão grandinhos e cada um fazendo das suas, mesmo assim a música voltou à memória, principalmente depois do gol gremista. Gol, aliás, resultado de uma tranquila cobrança de pênalti de Luan, pênalti bastante claro, registre-se, apesar de ter acabado de ver no Twitter que alguns colegas de jornalismo esportivo o chamaram de polêmico. Se houve polêmica, isto se deu porque o autor do pênalti, aquele que colocou a mão na bola, não foi punido com um cartão amarelo, o que resultaria em sua expulsão, pois já havia recebido um por uma falta no segundo tempo.

 

Lembrei da música porque percebi que, em campo, o Grêmio fazia o necessário, somente o necessário, para levar os três pontos nesta sua caminhada para o Tri da Liberadores – jamais devemos esquecer que este é o nosso objetivo maior. E quando digo que fazia o necessário, longe de mim desmerecer o que era feito. Pelo contrário. Marcava o suficiente para impedir a chegada do adversário, apesar de uma bobeada logo no início que quase atrapalhou nossos planos. E marcava a saída de bola como Roger gosta, sem dar muito espaço e retomando o domínio do jogo rapidamente. O necessário.

 

Assim que a bola estava nos pés gremistas, os jogadores se deslocavam no gramado sempre apresentando-se como opção de passe e assim faziam com que o passe tivesse maior precisão. Tanta movimentação acabava gerando lances de gols que, na maior parte do jogo, eram desperdiçadas pela insistência de sempre querer alguém mais bem colocado para concluir. Um mérito ou um defeito – dependendo do resultado final – deste time que não abre mão de jogar futebol com qualidade, porque qualidade no futebol é preciso.

 

Até que veio o pênalti. E Luan converteu com a tranquilidade de um veterano, que ele não é, mais uma vez fazendo o necessário. Sem paradinha, sem precisar de ginga, sem muitas delongas, apenas com precisão, a necessária precisão (e tranquilidade) dos cobradores de pênaltis.

 

O restante do jogo foi trocar bola de pé em pé, uma prática irritante para os adversários que sempre acaba em expulsão ou punição, quando o árbitro não se omite de sua responsabilidade – e hoje por mais de uma vez se omitiu, apesar de ter expulsado um deles aos 18 do segundo tempo. Sei que muitos dos torcedores devem ter temido algum revés, mas, convenhamos, a partida ficou sob controle. Os três pontos foram garantidos, a manutenção da vaga da Libertadores, também, e seguimos distantes dos que se engalfinham mais atrás.

 

Fizemos o necessário, apenas o necessário. O extraordinário … que venha no domingo!

Avalanche Tricolor: nada pode ser maior!

 

Grêmio 2×0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Estou aqui para falar de vida e peço perdão se você, caro e raro leitor desta Avalanche, esperasse ler – se é que alguém me espera – sobre a vitória do Grêmio na tarde de domingo, em Porto Alegre, que praticamente lhe garantiu presença na Libertadores – faltam apenas alguns pontinhos. Desta vez, por estar de corpo presente na Arena, na minha estreia neste palco impressionante do futebol, até poderia tratar da bola rolando com mais precisão do que quando assisto aos jogos pela televisão. Mas não haveria espaço para tal diante das emoções que senti desde que cheguei à capital gaúcha e especialmente à arena gremista.

 

Claro que a vitória renderia um ótimo papo com você, pois foi construída a partir de dois tempos bastante distintos e dois gols que mostraram a categoria do time de Roger – um time que joga com paciência, segurança e talento, mistura que às vezes é difícil de ser entendida pelo torcedor. O primeiro dos gols, aliás, foi obra prima, pois se iniciou com a visão de jogo e o passe preciso de Douglas, o drible de categoria e a humildade de Luan, coisa rara no futebol competitivo que temos, e, claro, a velocidade e oportunismo de Everton. O segundo, valeu também pelo conjunto da obra, mas gostei muito de ver a calma do atacante Bobô para escapar da marcação e tocar a bola distante do alcance do goleiro.

 

Como disse, porém, não vim aqui falar de futebol. Quero falar de vida!

 

A partida desse domingo foi o presente de 80 anos que escolhi dar ao pai, que, convenhamos, não requer mais apresentações. Foi ele quem me ensinou ser gremista – entre outras tantas coisas boas que fez por mim na vida. Nunca havíamos assistido ao Grêmio na Arena e eu fazia questão de lhe proporcionar este momento levando-o até lá, assim como ele me levou de mãos dadas algumas centenas de vezes ao Estádio Olímpico. E não fomos sozinhos. Estavam lá filhos e netos. Queríamos que fosse um momento especial. E foi muito mais do que isso.

 

Velhos conhecidos o paravam para saudá-lo enquanto caminhávamos até o espaço reservado para assistir ao jogo. Entre abraços havia lembranças das épocas de narrador, e na voz de quem o cumprimentava a saudade dos tempos do Milton Gol-gol-gol Jung! Ouvir o locutor do estádio anunciar os gols da partida com os três gritos repetidos que se transformaram em sua marca parecia mais do que uma coincidência: soava como exaltação. Aliás, os gols – que não tinham como estar programados para a festa, mas que foram muito bem-vindos – me deram a chance de vibrar ao lado do pai mais uma vez como fizemos tantas outras no passado. Dei-lhe um abraço com a alegria que as vitórias costumam nos oferecer. Não esta que o futebol nos proporciona, já que esta é fugaz. Refiro-me a vitória que é estar vivo para compartilhar nossas alegrias em família, mesmo diante de todos os percalços que a vida nos impõe. Vê-lo sorrindo e com o olhar brilhando e ter filhos e netos ao lado dividindo a mesma emoção foi muito especial.

 

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Ao fim do jogo novas emoções nos esperavam, pois a direção do Grêmio o recebeu para cumprimentá-lo e lhe presenteou com uma camisa do clube. Lá estavam o presidente Romildo Bolzan, o vice-presidente de futebol César Pacheco, o supervisor Antônio Carlos Verardi – companheiro dele de antigas batalhas -, o diretor executivo de futebol Rui Costa dos Santos e o técnico Roger Machado, que antes de seguir para a entrevista coletiva foi apertar-lhe a mão. Assim como eles, antigos funcionários do clube também passaram para trocar algumas palavras e demonstrar admiração. Confesso que não sei se o pai percebeu a dimensão daquele gesto, pois ele sempre foi comedido nestes momentos, mas posso garantir que, assim como meus irmãos e os netos dele, assistimos a tudo com muito orgulho.

 

Obrigado, Grêmio! De todas as alegrias que você me deu até hoje, nenhuma poderia ser maior do que o respeito demonstrado ao pai.

Avalanche Tricolor: um resultado que não muda absolutamente nada

 

Grêmio 2 x 3 Chapecoense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Walace é um dos novos talentos em busca de experiência (foto do álbum do Grêmio Oficial no Flickr)

Walace é um dos novos talentos em busca de experiência (foto do álbum do Grêmio Oficial no Flickr)

 

Há algumas rodadas ensaiei, nesta Avalanche, contagem regressiva para o título, uma aposta de que teríamos condições de, em uma arrancada fulminante, atropelar os adversários que estavam à frente, baseada no futebol qualificado que temos apresentado neste campeonato. Claro que era muito mais uma ação inspirada na crença do torcedor do que na lógica da competição, a medida que os times que brigam diretamente pelo título vêm mostrando muito equilíbrio e maturidade em suas atuações até aqui. Precisaríamos contar com o acaso, com a sorte, com tropeços inesperados, além de nos apresentarmos com desempenhos bem acima da média – sem isto, aliás, nada seria possível.

 

Foi também aqui nesta Avalanche que compartilhei com você, caro e raro leitor, o prazer de assistir ao time do Grêmio em campo por seu futebol envolvente, troca de passes precisa, movimentação veloz de seus jogadores, domínio do jogo graças a posse de bola, e bola possuída graças a marcação eficiente. Coisa bonita de se ver, que há muito não se via no time gremista.

 

O Grêmio cresceu muito rapidamente de produção nesta temporada e se transformou desde a chegada de Roger, em maio. Algo surpreendente devido a contenção de despesas e carência de contratações. Diante disso, é justificável que alguns de seus talentos reflitam em campo a falta de experiência e apresentem desempenho com oscilação, especialmente nos momentos decisivos. Aceite ou não, a inteligência emocional influencia no esporte. Portanto, como também já havia escrito por aqui, entendo que alguns resultados negativos têm de ser postos na conta da falta de maturidade de um time que vem sendo construído com jovens talentos.

 

Sei que alguns de nós vamos explicar o revés deste fim de tarde de domingo culpando este ou aquele jogador, identificando falhas nas escolhas feitas pelo técnico ou na postura adotada pelo time no segundo tempo, mas quero deixar claro, em alto e bom som (se é que isso fosse possível em um texto escrito), que a derrota nesta rodada não muda absolutamente nada na minha forma de pensar e ver o Grêmio jogar. Aliás, não muda nada na trajetória gremista para conquistar o que realmente sonhamos conquistar: a Libertadores no ano que vem – quando, então, teremos um time com mais quilômetros rodados e, portanto, com experiência para saber “matar” com um jogo no qual conseguiu colocar dois gols de vantagem sobre o adversário.