Avalanche Tricolor: nada pode ser maior!

 

Grêmio 2×0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Estou aqui para falar de vida e peço perdão se você, caro e raro leitor desta Avalanche, esperasse ler – se é que alguém me espera – sobre a vitória do Grêmio na tarde de domingo, em Porto Alegre, que praticamente lhe garantiu presença na Libertadores – faltam apenas alguns pontinhos. Desta vez, por estar de corpo presente na Arena, na minha estreia neste palco impressionante do futebol, até poderia tratar da bola rolando com mais precisão do que quando assisto aos jogos pela televisão. Mas não haveria espaço para tal diante das emoções que senti desde que cheguei à capital gaúcha e especialmente à arena gremista.

 

Claro que a vitória renderia um ótimo papo com você, pois foi construída a partir de dois tempos bastante distintos e dois gols que mostraram a categoria do time de Roger – um time que joga com paciência, segurança e talento, mistura que às vezes é difícil de ser entendida pelo torcedor. O primeiro dos gols, aliás, foi obra prima, pois se iniciou com a visão de jogo e o passe preciso de Douglas, o drible de categoria e a humildade de Luan, coisa rara no futebol competitivo que temos, e, claro, a velocidade e oportunismo de Everton. O segundo, valeu também pelo conjunto da obra, mas gostei muito de ver a calma do atacante Bobô para escapar da marcação e tocar a bola distante do alcance do goleiro.

 

Como disse, porém, não vim aqui falar de futebol. Quero falar de vida!

 

A partida desse domingo foi o presente de 80 anos que escolhi dar ao pai, que, convenhamos, não requer mais apresentações. Foi ele quem me ensinou ser gremista – entre outras tantas coisas boas que fez por mim na vida. Nunca havíamos assistido ao Grêmio na Arena e eu fazia questão de lhe proporcionar este momento levando-o até lá, assim como ele me levou de mãos dadas algumas centenas de vezes ao Estádio Olímpico. E não fomos sozinhos. Estavam lá filhos e netos. Queríamos que fosse um momento especial. E foi muito mais do que isso.

 

Velhos conhecidos o paravam para saudá-lo enquanto caminhávamos até o espaço reservado para assistir ao jogo. Entre abraços havia lembranças das épocas de narrador, e na voz de quem o cumprimentava a saudade dos tempos do Milton Gol-gol-gol Jung! Ouvir o locutor do estádio anunciar os gols da partida com os três gritos repetidos que se transformaram em sua marca parecia mais do que uma coincidência: soava como exaltação. Aliás, os gols – que não tinham como estar programados para a festa, mas que foram muito bem-vindos – me deram a chance de vibrar ao lado do pai mais uma vez como fizemos tantas outras no passado. Dei-lhe um abraço com a alegria que as vitórias costumam nos oferecer. Não esta que o futebol nos proporciona, já que esta é fugaz. Refiro-me a vitória que é estar vivo para compartilhar nossas alegrias em família, mesmo diante de todos os percalços que a vida nos impõe. Vê-lo sorrindo e com o olhar brilhando e ter filhos e netos ao lado dividindo a mesma emoção foi muito especial.

 

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Ao fim do jogo novas emoções nos esperavam, pois a direção do Grêmio o recebeu para cumprimentá-lo e lhe presenteou com uma camisa do clube. Lá estavam o presidente Romildo Bolzan, o vice-presidente de futebol César Pacheco, o supervisor Antônio Carlos Verardi – companheiro dele de antigas batalhas -, o diretor executivo de futebol Rui Costa dos Santos e o técnico Roger Machado, que antes de seguir para a entrevista coletiva foi apertar-lhe a mão. Assim como eles, antigos funcionários do clube também passaram para trocar algumas palavras e demonstrar admiração. Confesso que não sei se o pai percebeu a dimensão daquele gesto, pois ele sempre foi comedido nestes momentos, mas posso garantir que, assim como meus irmãos e os netos dele, assistimos a tudo com muito orgulho.

 

Obrigado, Grêmio! De todas as alegrias que você me deu até hoje, nenhuma poderia ser maior do que o respeito demonstrado ao pai.

9 comentários sobre “Avalanche Tricolor: nada pode ser maior!

  1. Que coisa linda , meu pai também me ensinou a ser gremista e muitas me levou ao Olimpico , pena que logo após a inauguração da Arena e ficou doente e venho a falecer , não consegui assistir um jogo com ele na Arena . Fico Feliz quando vejo os filhos levando os pais ao estádio .
    Parabéns Milton por realizar este sonho .

  2. Eu sei o quanto Seu Milton é respeitado e o quanto as pessoas do Grêmio reconhecem a sua importância. Mas como radialista e jornalista, tenho que reconhecer que um dos meus orgulhos foi ter dividido um estúdio com esta lenda do rádio.
    Ele é muito importante pra nós e que bom que conheceu a Arena com uma vitória contra o Flamengo. É um jogo do tamanho dele…
    Se puder, mande um abraço meu, Milton.

  3. O título do texto resume tudo: Nada pode ser maior. Quem é Gremista sabe o que isso significa nos bons e maus momentos. Compartilho da sua felicidade ao lado do pai e familiares em data tão importante. Felizmente o nosso time proporcionou uma tarde que coroou com grande exito esse encontro.

  4. O Mílton veio a Porto Alegre para visitar os seus familiares que moram em Porto Alegre e aproveitou para me fazer uma fantástica surpresa: levou à Arena os meu filhos Christian e Jacque e Fernando,Gregório e Lorenzo. Ficamos todos muitíssimo felizes por conhecer o Estádio do Grêmio,ver o time derrotar o Flamengo e,ainda por cima,sermos recebidos após o jogo pelo meu velho amigo Verardi,pelo presidente do nosso time,Romildo Bolzan,além dos comandantes do futebol tricolor e, claro,de Roger Machado,o nosso técnico,um profissional que nos enche de orgulho.

  5. Que maravilha de presente você proporcionou. Ele deve ter ficado bem feliz de ver frutificar o que semeou. Que essa alegria se prolongue por muito tempo. Também acabo de chegar do Serra Dourada com meu pai. Meu Vila Nova x Brasil de Pelotas. Felicidades ao seu pai.

  6. Milton, parabéns pelos 80 anos do pai… que muito ouvi pelo rádio, quando aí vivi metade da minha vida; e parabéns pelo presente, muito bem escolhido. Na verdade, o que vocês estavam comemorando é um valor hoje cada vez mais escasso nas famílias: festejar a vida. Na sua mais pura concepção. Um grande abraço.

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