Avalanche Tricolor: a força do Grêmio na Era Roger

 

Grêmio 1 x0 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Encerrado o primeiro tempo, os jogadores escalados para a entrevista fizeram sua análise sobre o resultado até aquele momento. O Grêmio já vencia por um a zero e surpreendentemente com um gol na cobrança de escanteio e de cabeça, coisa pouco comum na Era Roger – desculpe-me se batismo este momento desta forma, posso até estar parecendo muito entusiasmado, mas há motivos para acreditar que a mudança de comportamento e na forma de jogarmos futebol, que se iniciou com a chegada do técnico, em maio deste ano, perdure por um bom tempo.

 

Bressan, autor do gol, disse que sua conquista foi resultado do trabalho coletivo e, especialmente, do treino feito por Roger um dia antes da partida, na qual insistiu nas cobranças de escanteio. Fiquei surpreso, pois há algumas semanas ouvi do próprio treinador, em entrevista ao programa Bola da Vez, na ESPN Brasil, que, historicamente, o aproveitamento destes lances é baixo e com as características dos atuais jogadores gremistas não adianta ficar insistindo em bolas pelo alto. Mas Roger sabe que se os jogadores certos estiverem no lugar certo no momento certo, o gol pode sair por ali.

 

Renato, capitão adversário, além de sair de campo reclamando injustamente do árbitro que supostamente não havia marcado irregularidade no lance do gol, afirmou de forma categórica que o Santos já sabia que o Grêmio é forte na “bola parada” (expressão que uso entre aspas porque não concordo com ela). Deixou muito claro que estavam fazendo a leitura errada do jogo.

 

O Grêmio, apesar desta noite ter vencido com gol marcado após cobrança de escanteio, é forte na bola tocada, e não na bola parada.

 

Durante toda a partida, ao menos durante os momentos em que dominou a partida, o Grêmio, como sempre tem sido na Era Roger, tocou muito bem a bola de pé em pé, graças a velocidade com que seus jogadores se deslocam no gramado e a forma como conseguem se aproximar para dar opção de passe. É assim que o Grêmio impõem perigo ao adversário, que se não for capaz de conter este domínio de bola vai ser surpreendido com um atacante na cara do gol, como ocorreu desde os primeiros minutos do jogo de hoje. Como nem sempre essas jogadas resultam em gol, às vezes se transformam em escanteio e aí sim valem os treinos de posicionamento dentro da área, realizados por Roger.

 

O que quero dizer depois de toda esta ladainha é que apesar de o Grêmio ter vencido hoje com um gol de cabeça após cobrança de escanteio, o que faz o Grêmio superior aos seus adversários, ao menos superior a maioria de seus adversários, é a bola que corre na grama com precisão, velocidade e muita categoria. Isso faz o Grêmio diferente. A “bola parada” é apenas mais um detalhe.

 

Mas deixe que pensem ao contrário, pois enquanto continuarem querendo impedir gols de “bola parada” continuaremos vencendo com a bola (muito bem) tocada.

Avalanche Tricolor: como assim, o que nos resta é a Libertadores?

 

Grêmio 1×1 Fluminense
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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O que nos resta é a vaga na Libertadores … Opa, que história é essa? Desde quando falamos em Libertadores neste tom de lamento quando nascemos para a Libertadores. Forjamos nossos caminhos pelos campos duros do interior do Rio Grande, subimos a Serra, invadimos o Pampa, atravessamos fronteiras e tomamos o Brasil, apenas porque queríamos ter o direito de conquistar a América.
Então, meu amigo, caro e raro leitor desta Avalanche, deixe de lamentações.

 

É claro que ter perdido a classificação à semifinal da Copa do Brasil em casa por não termos marcado gols fora de casa é sempre muito ruim. O resultado, porém, precisa ser analisado com a frieza que os minutos seguintes à desclassificação não permite. Entender o que impediu que a bola chegasse em condições de marcamos gols ou por que quando esta chegou até lá não entrou.

 

Azar? Jamais. Detalhe? Às vezes. Falta de precisão? Com certeza. Imaturidade? É algo a se pensar.

 

E por que falo na falta de maturidade? Porque temos de ter na nossa perspectiva a ideia de que iniciamos um ano com um time desmontado, mesmo que motivado pela relação emocional com nosso treinador na época. Vivenciamos uma reviravolta com a descoberta das qualidades de Roger e seu novo olhar na forma de jogar e se posicionar em campo. Recuperamos jogadores, revelamos outros, redescobrimos uma trajetória vencedora que nos colocou em uma privilegiada condição dentro da maratona que é o Campeonato Brasileiro. Mas é incontestável que este jogo que estamos jogando precisa amadurecer, ter suporte no plantel para que não se perca qualidade nas trocas necessárias, e reforçar alguns setores diante do desgaste natural.

 

Assim como aconteceu na época em que Mano Menezes levou o Grêmio à final da Libertadores, pouco tempo depois de nos recuperarmos da Batalha dos Aflitos, hoje, também, o time foi muito além do que estava planejado. Chegou à reta final antes da hora e por seus próprios méritos, diga-se. Produz muito mais do que a maioria de nós desenhava após os primeiros passos na temporada. E, principalmente, produz muito mais do que a maioria dos seus adversários, inclusive aquele que enfrentamos na noite de ontem, mas que, por circunstância do regulamento, nos superou no mata-mata.

 

Copa do Brasil e noves foras, o Campeonato Brasileiro está aí no nosso caminho e resistir ao assédio dos que tentam tirar nossa posição é preciso. Se os resultados paralelos colaborarem, por que não pensar em ir além, mesmo que o time ainda tenha de crescer e aprender a ser decisivo também nos momentos decisivos? Você e eu estamos ansiosos por um título, com certeza, mas não se pode perder de vista que temos de estar prontos é para vencer a Libertadores no ano que vem e, portanto, conquistar o direito de disputá-la e aproveitar o ano que nos resta para deixar o time mais “cascudo”.

Avalanche Tricolor: a teoria do omelete se confirmou

 

Grêmio 1×2 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Edinho tenta sair jogando (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

Edinho tenta sair jogando mas tem dificuldade para driblar o omelete (foto; Grêmio Oficial no Flickr)

 

Já falei pra você da teoria do omelete? Provavelmente, não. Aproveito o domingo, então, para dividir com você esta tese muito particular que venho construindo há algum tempo. Costumo lembrar dela nas manhãs dominicais quando acordo bem mais cedo do que toda turma aqui em casa, vou para a cozinha e começo a preparar meu café. Mudo muito pouco o cardápio matutino, dando preferência para o café preto, duas xícaras, normalmente, e um omelete (tem quem prefira chamá-lo de a omelete). Pode variar a quantidade de ovos e a mistura. Às vezes faço experiências nem sempre com sucesso. Mas me divirto diante do fogão, aliás, momento raro no meu cotidiano pois tendo a ser um desastre cozinhando.

 

Vamos, porém, ao que interessa: a teoria do omelete. Você deve saber que depois de despejar os ovos batidos com um fio de leite na frigideira, o que o deixa “espumoso”, cobrir com frios e salpicar a mistura do dia – pode ser azeitona, cebola picada, tomate cortado bem fininho ou qualquer outra coisa que aparecer na frente – deve-se esperar o momento certo para virar o omelete. Com a mão direita bem posicionada e dedos firmes envolvendo o cabo é necessário um movimento rápido e preciso que permita que a massa de ovos já consistente suba a meia altura, vire de cabeça para baixo e caia novamente na frigideira. Manobra que, você que já fez um omelete há de confirmar, nem sempre é feita com sucesso.

 

É no momento da virada do omelete que minha tese se concretiza. Porque se no início do domingo, quando a maioria das pessoas ainda dorme, os bichos me acompanham da porta da cozinha com olhar preguiçoso e os santos ainda aguardam nossos pedidos na parede da Igreja, o omelete sobe, vira e desce no ponto certo, sem sujar nada no fogão, eu tenho certeza de que aquele será um domingo especial. Um dia de satisfação com a família, sem visita de gente chata, pouco trabalho extra e, claro, uma vitória no futebol da tarde.

 

Tem domingo, porém, que a virada do omelete é feita sem muita firmeza, pega-se o cabo de forma desajeitada, o movimento para o alto sai inseguro, e o ovo despenca pelas bordas da frigideira, lambuzando o fogão por inteiro. Ao assistir à esta cena e antes mesmo de correr para pegar o pano de prato e tentar limpar a sujeira feita, fico sempre com a impressão de que alguma coisa vai dar errado naquele domingo. Coisas como o goleiro titular que está voltando ao time depois de três jogos ter torcicolo e não conseguir entrar em campo; o zagueiro que vinha realizando uma sequência de atuações perfeitas e acaba de servir sua seleção errar todos os botes que tinha para dar durante a partida; o craque da equipe tropeçar na bola; e a equipe que se destaca pelo toque refinado e marcação impecável errar mais de 40 passes no jogo e ser incapaz de segurar os contra-ataques adversários.

 

Acho que não preciso dizer para você o que aconteceu com o meu omelete nessa manhã de domingo. Mas, tudo bem: vou continuar tentando acertar meu omelete e jamais deixarei de acreditar no Grêmio.

Avalanche Tricolor: um empate no caminho do Tri

Grêmio 0x0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Assim como a história se constrói no tempo, um campeonato – especialmente de pontos corridos – se ganha no desempenho geral. Neste domingo, no qual nossa história foi relembrada, com as celebrações de 20 anos pelo Bi da Libertadores, conquistamos um ponto no Brasileiro. Ter somado os três possíveis, especialmente por estarmos jogando em casa e contra adversário supostamente mais frágil do que a maioria que está na disputa, seria o ideal para quem pretende se aproximar do topo da tabela. Porém, adepto da ideia de que o feito é melhor do que o perfeito, lamentar o desperdício de pontos é desperdício de tempo. Temos de enxergar o campeonato em perspectiva e, convenhamos, o iniciamos sem muita pretensão, em processo de desmonte de time e de sonhos. Hoje, estamos na disputa e temos uma equipe que joga com dignidade e qualidade. Se é verdade que marcamos passo na busca da liderança, também o é o fato de que consolidamos nossa posição entre os três primeiros e, especialmente, no G4, que nos devolve a Libertadores.

 

Estar em campo tão cedo e sob forte calor causou desgaste físico e prejuízo técnico, principalmente para uma equipe que se atreve a disputar ao mesmo tempo e com chances de título as duas competições mais fortes do futebol brasileiro. A maioria dos jogadores em campo sequer havia descansado do jogo duro de quinta-feira à noite, pela Copa do Brasil, e se viu obrigada a acordar cedo e sofrer diante da alta temperatura registrada neste inverno tropical. A maratona que, lembremos, algumas equipes têm o privilégio de não disputar, faz com que a perna pese mais e o passe perca precisão, o chute saia sem direção ou com força desmedida, e a marcação dê o bote fora da hora, o que resulta em mais risco à defesa, faltas e cartões. Era visível que, ao sol do meio-dia, a saúde dos jogadores dava sinais de estafa e os músculos começavam a reivindicar uma parada.

 

De volta, porém, ao que disse no início desta Avalanche: uma história se constrói com o tempo e um campeonato se ganha no conjunto da obra. O Grêmio foi bi da Libertadores com um empate na final contra o Nacional de Medellin, no Estádio Atanasio Girardot, na Colômbia. Talvez poucos se lembrem, mas nas quatro primeiras rodadas daquela competição havíamos perdido na estreia, empatado duas e vencido apenas uma partida, resultados que talvez tivessem espantado a esperança de qualquer outro torcedor. O que se seguiu, porém, colocou o Grêmio em outra dimensão, encaixamos uma sequência de goleadas e vitórias históricas até alcançarmos o título.

 

Se quiser jogar a toalha, jogue você. Eu – e o Grêmio, também – seguimos na luta, principalmente pelo Tri na Libertadores.

Avalanche Tricolor: o Grêmio privilegia a diversidade na busca do gol

 

Grêmio 3 x 1 Coritiba
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Gostei muito dos gols do Grêmio. Sei que esta frase vai soar óbvia demais para você, caro e raro leitor deste Blog, afinal gol é gol, de cabeça, de calcanhar, com o bico da chuteira ou com a mão (que os puritanos não me leiam), se a favor do nosso time, a gente sempre gosta, principalmente quando estes gols nos deixam mais próximos de um título, que foi o que aconteceu na noite de ontem, na disputa por uma vaga às quartas-de-final da Copa do Brasil. Para que não pareça tudo tão óbvio assim, explico por que gostei tantos dos gols que nos deram a vitória na Arena.

 

O primeiro contou com a participação de nossos dois zagueiros e surgiu da cobrança de escanteio. Na última temporada e boa parte desta, havíamos deixado de marcar ou tornamos raros os lances de “bola parada”, como os entendidos descrevem os gols feitos a partir de cobrança de falta e de escanteio. O que era contraditório, pois durante muito tempo fomos “acusados” de só ganhar jogos e campeonatos com “bola parada”. Quantas vezes, ouvi críticos dizendo que este era o forte do Grêmio, como se não soubéssemos jogar de outra maneira. Gols de escanteio e faltas são armas importantes no futebol e resultado de treinamento intensivo para que não se transformem em acaso. Nas últimas partidas, já havíamos assistido a algumas vitórias conquistadas desta forma. Ontem, foi o recurso mais perigoso até marcamos o gol de abertura e contamos com a presença decisiva de Erazo e Geromel.

 

O segundo gol foi de “bola jogada”, se é que você me permite usar esta expressão para contrapor à “bola parada”. Foi resultado deste novo Grêmio que temos assistido surgir na Arena sob a batuta de Roger. Passes rápidos e precisos, movimentação de jogadores com intensa troca de posição e, claro, apuro técnico, fundamental para que a bola role de pé em pé até seu destino final. Fernandinho foi genial ao perceber o aparecimento de Luan no meio dos zagueiros, quando todos imaginavam que o melhor seria Marcelo Oliveira que chamava atenção da marcação. Luan foi brilhante ao deslocar o goleiro com um toquinho de lado e oferecer a Douglas a oportunidade de concluir a jogada em gol. E Douglas, foi Douglas, o nosso camisa 10.

 

O terceiro gol, fruto de um erro do árbitro que marcou pênalti em falta que ocorreu na meia lua da área adversária, me deixou feliz porque mostrou quanto seguro está Luan vestindo a camisa do Grêmio. Pediu para bater, teve o aval do técnico e o fez de maneira magistral, tirando qualquer chance de o goleiro alcançar a bola antes dela chegar ao fundo do poço (expressão que roubei sem pudor do nosso Milton Ferretti Jung).

 

Ao descrever os lances, acredito que você já tenha percebido o motivo da minha alegria. Em uma mesma partida, mesmo que o desempenho geral não tenha sido excelente, fomos capazes de usar diferentes recursos para chegar ao mesmo objetivo: o gol.

 

O Grêmio de Roger joga futebol com a arte da diversidade.

Avalanche Tricolor: a essência de ser gremista

 

Grêmio 2 x 1 Joinville
Brasileiro – Arena Grêmio

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Só quem não é gremista ou esqueceu o que é ser, imaginava que após duas vitórias retumbantes no Campeonato Brasileiro, teríamos um resultado tranquilo apenas porque estávamos diante de nossa torcida e enfrentávamos um time da zona de rebaixamento. Sem dúvida, a goleada no clássico regional, domingo passado, e a conquista alcançada na casa do adversário, que disputa o título diretamente com a gente, na última quarta-feira, seriam motivos de sobra para acreditarmos que os três pontos desta rodada eram favas contadas. Perdão, mas o Grêmio não joga com a lógica do futebol. E o torcedor do Grêmio tem consciência disso. Se não o tem, está na hora de aprender a lição. Nascemos e escolhemos torcer por esse time porque o sofrimento nos torna maior, mais gremistas ainda.

 

Tudo bem, apesar dessa saga histórica que enfrentamos, não esperávamos um time tão apático no primeiro tempo. Tão distante daquele futebol que encantou nas últimas rodadas. Parecia queremos dar razão aos críticos que ainda põem em dúvida a qualidade técnica do Grêmio e a capacidade de disputar o título. Erramos o que não vínhamos errando ultimamente: na forma de marcar, de pressionar a saída de bola e de partir em velocidade. E deixamos de acertar o que foi nosso grande diferencial nas duas últimas vitórias: o passe.

 

Sei que agora é fácil escrever, mas se nada dava certo no primeiro tempo – nosso único mérito foi contar com a sorte – tinha esperança de que no vestiário as coisas se ajeitariam. Minha esperança era Roger. Têm falado muito das qualidades estratégicas dele e da maneira como conseguiu mudar a forma de jogarmos futebol e recuperou alguns jogadores que estavam desacreditados. Essa é uma obra que se realiza no cotidiano dos treinos e foi nele que ajustou a equipe, reposicionou jogadores e implantou o estilo moderno que vemos em campo. Hoje, porém, Roger foi colocado à prova, pois precisaria mudar o ânimo e o jogo nos poucos minutos que tinha entre o primeiro e o segundo tempos, no intervalo da partida. E conseguiu.

 

O Grêmio que voltou do vestiário foi o Grêmio que nos tem feito vibrar neste campeonato. Era um time completamente diferente já no primeiro minuto quando partiu para cima do adversário com força, velocidade e prudência. Curiosamente, nossa virada se deu por caminhos que não costumamos trilhar: na cobrança de escanteio, aproveitada por Erazo, e na de falta muito bem batida por Galhardo. “Fizeram gols de bola parada”, dirão alguns na tentativa de desmerecer nosso resultado. Ledo engano. Fizemos gols porque a equipe voltou para o segundo tempo convencida, por seu técnico, da qualidade e força que tem, e sabendo de que ambas somente fariam diferença se executadas à exaustão.

 

Daqui pra frente será sempre assim. Somos um dos times a serem batidos pelos adversários. A cada partida estaremos disputando uma decisão. É bem possível que algum revés apareça. Portanto, é bom que você esteja preparado, pois ainda haverá muito sofrimento até a conquista final. Essa é a essência de ser gremista!

Avalanche Tricolor: Pai, obrigado!

 

Grêmio 5×0 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

Time comemora a goleada no Gre-Nal (Foto álbum oficial do Grêmio no Flickr)

 

Fui cedo à igreja como sempre faço aos domingos. E na igreja que vou o padre é gremista. Não todos, mas o que reza as missas nas manhãs de domingo, José Bertolini, de quem já bem falei nesta Avalanche, o é. Para que não haja dúvida, ratifico, também, o que já escrevi por aqui: não vou a igreja porque ele é gremista nem por causa do futebol. No campo em que a bola rola, nossos deuses são profanos e nossas atitudes nem sempre são santas. De qualquer forma, é bom encontrá-lo por lá, pois fico sempre a espera de um cumprimento na porta da capela. Assim que cheguei, acenou com a mão aberta e os cinco dedos à mostra para em seguida balbuciar: e hoje, heim?! Que façamos por merecer, respondi de bate-pronto.

 

Lá dentro, na dinâmica que emprega, Bertolini aproveitou a data especial (e me refiro ao Dia dos Pais) para convidar os fiéis a falarem sobre seus pais. Antecipei-me na jogada, tomei o microfone e com duas palavras defini o meu, que você, caro e raro leitor desta Avalanche, já conhece muito bem, como incentivador e inspirador. Motivos não me faltam para descrevê-lo desta maneira e poderia, talvez, exemplificar com a escolha profissional que fiz, seguindo seus passos na carreira. Ou, ainda, lembrar as centenas de vezes em que esteve ao meu lado, sofrendo em cada jogada que me envolvia nas partidas de basquete e de futebol, esportes que pratiquei por muitos anos.

 

Hoje, porém, permita-me falar sobre apenas um dos aspectos que o tornaram tão especial para mim: a crença de que eu deveria ser gremista. Foi meu pai quem me guiou pela mão em direção ao Estádio Olímpico quando eu tinha seis anos de vida. E o fez usando sua autoridade de pai, pois percebeu que um primo de segundo grau tentava seduzir-me e levar-me a torcer para o time que, naquele ano, inaugurava seu novo estádio e quebrava sete temporadas seguidas de hegemonia regional do Grêmio. Fosse nos dias de hoje talvez sua atitude tivesse sido condenada, mas ao me ver com a bandeira do adversário na mão, tirou-a de mim e me passou um corretivo. Nada como um pai convicto de suas decisões e disposto a tudo para colocar o filho no caminho correto.

 

Neste domingo, foram intensas as lembranças provocadas graças a atitude de meu pai.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nosso time trocar passes – olha eu aqui mais uma vez enaltecendo o passe – com precisão, rapidez e criatividade.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele ao ver nossos jogadores marcando com a força e a prudência necessárias para impedir que o adversário jogasse.

 

Lembrei de meu pai e atitude dele ao ver Marcelo Grohe comemorando com os punhos cerrados um das poucas vezes em que foi exigido.

 

Lembrei de meu pai e a atitude dele no golaço com o pé esquerdo de Giuliano, no segundo e no terceiro gols com o pé direito de Luan, no quarto marcado após o drible em velocidade de Fernandinho e no quinto em que o adversário capitulou jogando contra sua própria rede.

 

Lembrei dele até no pênalti desperdiçado (sim, a goleada poderia até ser maior), pois me ensinou que nada está perdido enquanto se tem dignidade para lutar. E que força o Grêmio demonstrou na partida desta noite!

 

Foram tantas as lembranças e alegrias nesta goleada dominical, proporcionadas pelo caminho oferecido por meu pai, lá em 1969, que só posso encerrar esta Avalanche com um agradecimento:

 

Pai, obrigado por eu ser gremista!

Avalanche Tricolor: um gol decisivo, no talento e na marra!

 

Grêmio 1 x 0 Figueirense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Tem vezes que tem de ser na marra. Se no toque a toque e de cara para o gol a bola não entra, mete a cara e põe a bola pra dentro. Foi o que aconteceu aos 33 minutos do segundo tempo … sim, foi preciso mais de uma hora e 15 de jogo para furar a retranca do adversário .. e daí? O que importa é que a bola entrou. Finalmente entrou no gol deles e não entrou no nosso. Aliás, quase não demos chance para que isso acontecesse.

 

Para muitos foi apenas mais um gol qualquer no Campeonato Brasileiro que, pelo adiantado da hora de sábado, sequer deve ter o destaque merecido na programação esportiva de segunda-feira. Para mim, um gol especial, resultado de uma conjunção de fatores que fazem o futebol ser mais bem jogado. Não que estivéssemos jogando uma bolão. Até vínhamos tentando, pressionando, trocando bola, chutando e desperdiçando. Merecíamos mesmo a vitória nem que fosse na marra. E foi: na marra e no talento.

 

É provável que muitos não se lembrem como tudo começou. Foi no avanço de um dos nossos volantes, Maicon, que se aproximou da área, levou a bola para um lado, puxou para o outro, até encontrar um companheiro melhor colocado.

 

Era Mamute, que segue entrando no segundo tempo, quem aparecia ali na meia esquerda. Ele e o seu marcador (pobre dos marcadores de Mamute). O atacante ameaçou atropelar o adversário como gosta de fazer quando está na direção do gol, mas preferiu dar um passe de calcanhar para o lateral que descia para a linha de fundo.

 

Era Marcelo Oliveira, que já havia tentado alguns dribles interessantes, quem apareceu em disparada pela ponta esquerda. Desta vez não pensou em driblar nem avançar. De primeira, com a perna esquerda, fez o cruzamento para dentro da área, na aposta de que lá dentro haveria de surgir um centroavante com estatura suficiente para vencer os grandalhões do time catarinense.

 

Era Braian Rodríguez, que saiu do banco, do ostracismo, da insignificância, quem se jogou entre os zagueiros para deixar a bola explodir no seu rosto e ser desviada para dentro do gol. Um pouco antes havia feito algo parecido com os pés, quando aparentemente não tinha mais nem uma chance de superar o marcador. E eu fiquei pensando sobre o tamanho do desespero deste gringo para voltar a marcar com a camisa do Grêmio, algo que havia feito apenas uma vez, desde que chegou. Pois não é que, em seguida, ele marcou.

 

E Braian marcou um gol decisivo neste momento de dificuldades, porque o time e a torcida não suportariam mais uma rodada sem vitória e rondando a zona do rebaixamento. Isso é como um vírus que vai contaminando os espíritos, a alma, e provoca o desespero. De repente, tudo que se constrói, não se sustenta. O que se tenta, não se realiza. O gol de Braian despachou este risco no instante em que o Grêmio padece por suas estratégias erradas fora de campo e interesses individuais que se sobrepõem ao coletivo – fórmula perfeita para o desastre.

 


Sem perder o foco da minha conversa: disse lá no alto do texto que o gol gremista foi a conjunção de fatores que fazem o futebol ser mais bem jogado. Volante com saída de bola, atacante com passe preciso e desconcertante, lateral fazendo jogada pela linha de fundo, cruzamento na medida e centroavante oportunista.

 

Seria pedir demais repetir a dose semana que vem?

 

A foto que ilustra este post é da conta oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: a alegria do gol

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foram quatro gols na partida do fim deste sábado. Claro que vou me dedicar aos três que tiveram nossa marca – apesar de o deles também ter tido, mas, convenhamos, hoje não é dia de choradeira. Vamos ao que interessa e nos dá alegria.

 

O primeiro foi especial não apenas pela maneira como ocorreu: gol Olímpico para marcar a retomada das vitória na Arena. Mais do que um jogo de palavras, a importância do gol de Douglas se dá por ter acontecido quando a impaciência já tomava conta de parte das arquibancadas. E do time, também, pois, diante de mais um ferrolho, encontrava dificuldade até mesmo para chutar. Alegra-me saber que voltamos a ter a possibilidade de marcarmos do que, erradamente, batizou-se no futebol como sendo “gol de bola parada”. É jogada que precisa ser treinada e bem aproveitada, especialmente porque retrancas serão encaradas no Campeonato Gaúcho e nas primeiras rodadas da Copa do Brasil. Estávamos precisando incluir estes lances em nosso cardápio. Ainda estamos devendo na cobrança de falta.

 

O segundo resultou da marcação forte que vem se tentando fazer ainda no campo do adversário. No clássico da semana passada foi o que nos deu vantagem em parte do jogo, e hoje foi o que levou Marcelo Oliveira a roubar a bola e permitir o contra-ataque. A velocidade até a área e o chute forte de Everaldo, que havia entrado fazia pouco tempo, permitiram que Marcelo Oliveira concluísse em gol. O sorriso no rosto do polivalente volante foi a imagem mais marcante da partida na minha opinião. Andava cansado de ver aquelas caras fechadas e testas franzidas de preocupação; ou a indiferença nas comemorações, resumidas a algumas trocas de abraços e nenhum afago para a torcida. A felicidade de Oliveira mostra bem o quanto ele está engajado na ideia de dar a nós gremistas novas alegrias.

 

O terceiro veio na hora certa (se é que existe hora errada para marcar gol)! E nos pés do cara certo, também. Yuri Mamute é promessa já faz algum tempo. Faz gols com a camisa da seleção e gols nas categorias de base. No time principal, porém, ficávamos apenas na expectativa de vê-lo explodir em campo um dia. Domingo passado, se saiu bem, mas não foi além disso. Hoje, explodiu mesmo e com aquela massa muscular que se destaca saiu em disparada para o ataque sendo caçado pelo marcador. Por mais que fosse empurrado e chutado, não perdeu o controle da bola nem mesmo diante do goleiro. Teve calma para driblar e encontrar o espaço preciso. Foi comemorar nos braços da torcida e nos deu o direito de sorrir mais uma vez no Campeonato Gaúcho.

 

Se Mamute merecia este gol pelo esforço que faz em campo sempre que veste a camisa tricolor, nós, também merecíamos a alegria desta vitória. A alegria que só a repetição de gols como os deste sábado à noite é capaz de nos oferecer.

 

As fotos deste post são do álbum do Grêmio Oficial no Flickr

Avalanche Tricolor: porque eu sou gremista

 

Bahia 1 x 0 Grêmio

Campeonato Brasileiro – Fonte Nova (BA)

 

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Estive em Porto Alegre neste fim de semana. Oportunidade para conviver e relembrar, pois mesmo com poucos dias de estada visitei lugares marcantes para minha vida, a começar pelo fato de que sempre reencontro-me com a casa na qual cresci e amadureci (ou nem tanto), na Saldanha Marinho, no bairro Menino Deus, onde moram meu irmão, Christian, e minha cunhada, Lucia, bem próximo do saudoso estádio Olímpico, que, aliás, permanece lá, sem o anel superior e com estrutura cicatrizada pelo tempo, sofrimentos e conquistas. Convidado por meu sobrinho mais novo, o Fernando, irmão da Vitória (de belo e significativo nome, não?), fui assistir a atividade de encerramento de ano escolar no Colégio Marista Rosário, o mesmo onde estudei quando ainda levava o nome de Nossa Senhora do Rosário. Por lá joguei bola, fui campeão de basquete, namorei muito, me esborrachei no chão, presidi o grêmio estudantil e participei de intensos debates clubísticos com os colegas que teimavam em torcer para times adversários – lembro que alguns eram SER Caxias, outros São José, Cruzeiro ou times de menor expressão. Apesar de não ter citado na frase anterior, também estudei, mas não era muito fanático por esta prática.

 

Curiosamente, a atividade desse sábado pela manhã era no teatro da escola, onde frustrei minha carreira de cantor, depois de ser afastado do coral pelo irmão Alduino. Registre-se, ele tinha toda razão. No palco do teatro, porém, tive algumas passagens artísticas nas encenações de fim de ano organizadas pela professora Tânia. Assim com o teatro mantém muitas das lembranças daquela época, apesar de renovado, encontrei-as também passeando nos corredores do prédio original da escola, com os azulejos verdes na parede e o piso quadriculado em preto e branco. A cantina ocupa o mesmo espaço, assim como a sala do professores e a do GER – Grêmio Estudantil Rosariense. Lembrei de algumas salas de aula, provavelmente devo ter confundido outras, e as achei muito parecidas, exceção à lousa que não é mais de giz. O pátio tem mobiliário novo mas sofreu poucas mudanças. Caminhar dentro do Rosário, ver a sala de troféus e algumas fotos do passado me emocionaram.

 

Fiz questão de visitar a Arena Grêmio, no bairro Humaitá, na zona norte de Porto Alegre. Por incrível que seja, até hoje não assisti a partidas de futebol na nova casa gremista e apenas havia apreciado a bela arquitetura nas vezes que aterrisei no aeroporto Salgado Filho. Se do alto, a Arena chama atenção, é de perto que se tem noção clara das suas dimensões e do que pode representar quando tomada de torcedores. Havia alguns visitantes como eu percorrendo o entorno e parte de suas dependências, tirando fotografia, guardando recordações e sonhando com os títulos que virão. Havia os que se preparavam para a competição esportiva mais importante no fim de semana, em Porto Alegre: a Corrida do Grêmio que, soube há pouco, reuniu 5 mil pessoas, no domingo pela manhã. Consta que outra atividade estaria marcada para sábado à noite, na avenida Padre Cacique, mas de menor relevância; não sei bem o que se sucedeu por lá.

 

Prestei muita atenção no movimento daqueles gremistas que encararam o forte calor deste fim de semana porto-alegrense, na forma carinhosa com que apreciavam os paineis com ilustrações do tricolor, no interesse pelos souveniers oferecidos na loja GremioMania e nas conversas paralelas entre amigos, casais e famílias. Havia orgulho e alegria entre os muitos que vestiam nossa camisa. Nenhum parecia se importar com as dificuldades e falta de resultado que se avizinharam. Afinal, não somos gremistas porque ganhamos a vaga sejá lá pra qual for a competição, ou porque vencemos mais um título; nem deixaremos de sê-lo apenas por uma ou outra temporada sem conquistas, ou por um elenco que não nos agrade por completo. Somos gremistas porque o destino nos colocou neste caminho; alguém muito especial, uma luz qualquer ou um momento incrível – de dor ou de alegria – fez explodir esta paixão.

 

Diante de tudo isso, a partida desta noite em Salvador e a possibilidade de ainda termos um lugar na Libertadores do ano que vem ficaram menores, quase irrelevantes. Mas que eu queria ter visto nosso time brigando e acreditando até o fim, não tenha dúvida, eu queria. Porque eu sou gremista!