Relatos selvagens: o que te faria surtar?

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Relatos Selvagens”
Um filme de Damián Szifron.
Gênero: Suspense, Comédia, Drama.
País:Argentina, Espanha

 

Um avião, uma estrada, uma mansão,um restaurante, uma repartição pública e um casamento; nessas locações acontecem situações prosaicas mas com desfecho inesperado e muito selvagem.

 

Por que ver:
Este diretor consegue te capturar em um ritmo incrível. É um filme 6×1; seis histórias diferentes, e completas, em apenas um filme. Por vários momentos me questionei se não reagiria da maneira que os personagens reagem. Muitas vezes essa identificação com a história não é imediata, mas esse filme te faz imergir e se colocar no lugar de cada história te fazendo flertar com a babárie. As situações são tão corriqueiras e vão tomando uma proporção de loucura plausível em um ritmo perfeito entre direção, atuação e roteiro. Nesse filme, os personagens vão um pouquinho além e te levam junto… O que te faria surtar? Me conte nos comentários abaixo.

 

Como ver:
Depois de um dia duro de trabalho. Diversão na certa! Um dos melhores filmes dos últimos tempos.

 

Quando não ver:
Se você tiver raivinha de Argentinos… Vai te dar mais raiva ainda ao perceber quão talentosos este hermanos foram na execução desse filme. Não quero te ver surtar, hein! Está avisado(a)…

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Buenos Aires: apesar da crise, a cidade ainda encanta

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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A crise na Argentina parece piorar a cada dia. O mercado do luxo no país é um dos que mais se abalaram com a situação do país presidido por Christina Kirchner. Como já falamos anteriormente, aqui no Blog do Mílton Jung, diversas lojas de marcas internacionais fecharam suas portas, em Buenos Aires, por conta da intensificação das medidas adotadas pelo governo argentino para restringir importações e operações em moeda americana.

 

Ralph Lauren, Louis Vuitton, Nina Ricci são algumas das que já deixaram o país por conta dessa situação. As poucas que restaram estão saindo, o que mostra uma situação com tendência a piorar. Ermenegildo Zegna, que ainda mantinha sua linda loja na Avenida Alvear, no bairro da Recoleta, também fechou, há alguns meses. Tiffany&Co é uma das poucas grifes internacionais que ainda não deixaram o país e segue no Shopping Patio Bullrich, também na Recoleta. A falta de produtos nas lojas dessas marcas foi um dos principais problemas decorrentes da limitação às importações que as impediam de abastecer com artigos do exterior.

 

Em minha recente visita a Buenos Aires, foi triste notar que, a cada ano, a cidade está mais descuidada e suja e a Argentina, com inflação assustadora. Em relação a junho de 2014, quando estive ali pela última vez, notei que de lá para cá muitos produtos, inclusive os menus em restaurantes tradicionais, tiveram um aumento de 50%. Apesar da moeda argentina estar desvalorizada perante o real brasileiro (1 peso = 3,10 reais), a capital portenha hoje está longe de ser um destino barato para os brasileiros ou ao menos barato como há alguns anos esteve em relação a São Paulo.

 

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Apesar da crise e suas conseqüências, os segmentos de hotelaria, gastronomia e arte ainda garantem à capital portenha seu charme e sofisticação. Hotéis de luxo como Palacio Duhau-Park Hyatt, Four Seasons, Alvear Palace e Faena investem cada vez mais na excelência em serviços prestados e em sua gastronomia. Chás da tarde, brunch aos domingos além do ambiente dos hotéis. O Faena, por exemplo, projetado por ninguém menos que Philippe Starck, é um ícone do luxo contemporâneo e o favorito dos mais antenados que valorizam design, luxo e gastronomia. O ambiente do hotel é moderno e incrível, bem como de seus restaurantes e sua famosa piscina, que tem uma imponente coroa.

 

Buenos Aires, bem como toda a Argentina, vive uma situação como nunca. Um país que não tinha pobreza, hoje tem na capital federal inúmeros moradores de rua. É triste e inaceitável, como em nosso lindo Brasil, ver um povo chegar a tamanha pobreza e miserabilidade. Como tudo depende do olhar de quem vê, apesar desse cenário, eu ainda olho a capital portenha com brilho nos olhos. O seu luxo intrínseco e seu charme estão vivos em suas construções, em sua história e em seu ar de cidade sofisticada, de que sempre teve fama. A arte, a cultura, a arquitetura e as experiências gastronômicas felizmente parecem ser imortais na capital da Argentina.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Conte sua história do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Sou fã de carteirinha do Conte Sua História de São Paulo. Não se trata de corujice do pai do Mílton. Não perco os textos que ele posta com este nome no seu blog. Caxiense por nascimento e porto-alegrense por adoção,as pessoas de outros estados do Brasil e mesmo estrangeiros que desembarcam em SP,em geral,ainda crianças,têm sempre boas histórias para relatar dos seus primeiros anos na capital paulista.

 

Nestes tempos em que,por motivos para lá de importantes, as mídias de toda espécie estão voltadas para os escândalos protagonizados por políticos e/ou funcionários governamentais,meus textos pareceriam ter virado samba-de-uma-nota-só,contaminado pela fartura de notícias do mesmo tipo. O Mílton que me desculpe,mas me obriguei a dar um tempo nos textos das quintas-feiras que escrevo,normalmente,no blog por ele capitaneado.

 

Talvez meu débito com o Mílton,quem sabe o único leitor das páginas que posto neste blog,aumentaria consideravelmente,se eu não tivesse lido o mais recente episódio do Conte Sua História de SP. Encontrei analogias entre a chegada de Dina Gaspar – este o nome dela – e a minha infância, apesar de a menina assustada com os estranhos barulhos que ouvia ao ter de entrar naquela que seria sua segunda casa, ”agarrava-se fortemente ao pescoço da prima Ercília visando a não entrar no seu novo lar”.

 

Dina não deixava de ter razão. Os autores da barulhada sequer falavam a sua língua. Afinal,ela vinha de uma “pobre aldeia argentina”. E o barulho soava,contou,como perigo iminente. Mal sabia que estava – palavras dela – sendo apresentada ao rádio,”aquela caixa de madeira escura de uns 60cm x 40cm”. Adorei a frase de Dina Gaspar no seu texto:”No mundo infantil não existiam apenas vozes sem corpo”. Não deixava de estar certa.

 

Dina Gaspar,se a minha matemática não está errada, diz no belo texto que escreveu, ”que, dessa intensa e intrincada vivência, os 70 anos seguintes nos mudaria a ambas: a mim e a São Paulo!”.

 

Falei na minha analogia com Dina porque,apesar dos 10 anos de diferença entre nós,na casa paterna,em Porto Alegre,de certa forma descobrimos, ainda muito cedo, que o rádio não faz mal a ninguém. Bem pelo contrário. Ouvi rádio desde pequeno, depois já adolescente. Meus avós,que moravam conosco,eram pagos para controlar se,no rádio,os anúncios de determinadas firmas íam ao ar nos horários combinados. Foi em um serviço de rádio escuta desses que tomei conhecimento de que uma pequena emissora havia aberto testes para candidatos a locutor. Fui um dos três que passaram no teste na Rádio Canoas.

 

Muito mais longe de sua casa paterna foi o Mílton Jr. que,com uma feliz combinação entre nós,passou a ser conhecido com Mílton Jung. Mais corajoso que o pai,ele fez teste na TV Globo. E passou. Acho que a história dele em São Paulo bem que poderia ser contada pelo próprio.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Cara de quem ganha é bem diferente da cara de quem perde

 

Por Milton Ferretti Jung

 

 

Cara de quem ganha é bem diferente da cara de quem perde. Basta que,como diria o Mílton,os meus raros leitores tenham aberto o vídeo acima deste texto e, tanto visto quanto ouvido, a coreografia dos Campeões do Mundo ao gozar com os argentinos. Malena,minha mulher,acha muito feio o que os alemães fizeram ao lembrar,cantando a plenos pulmões,enquanto dançam alegres, que “asi andan los gauchos” – de cabeça baixa – enquanto eles,como vitoriosos que foram,ficam eretos. Não é de se duvidar que os gaúchos deste lado do continente prefeririam ver os germânicos dançando com os pataxós aqui no Brasil,imagem bem mais simpática,aliás,que a do vídeo que encabeça o que,antigamente,se chamaria de mal traçadas linhas. Malena,que torceu pelos “hermanos” como se estivessem vestidos com a camiseta do Grêmio,não digeriu a brincadeira da turma que representou a Deutschland Über Alles na Copa do Mundo. É bem possível que os argentinos tenham visto a farra alemã como brincadeira de mau gosto.

 

Pode-se discutir a correção dela,mas é indiscutível que o título que premiou a Alemanha não teve nada de ocasional. Ocasional,me atrevo a dizer,seria se a Seleção Brasileira, mesmo que não houvesse sido vitimada por goleada vexatória e,em seguida,por outra derrota,deixou claro não merecer resultado menos infeliz. Fosse apenas a deficiência técnica da Seleção Brasileira a causa do cataclisma, a preocupação de quem deseja que,nos próximos anos,o nosso futebol viva tempos melhores,aumenta ao invés de diminuir,quando a gente se dá conta de que o exemplo da Alemanha dificilmente será seguido.Afinal,os nossos pró-homens(?)são todos da mesma casta,para não dizer, laia. Olha-se para o futuro e o que se vê? Dos gestores da CBF aos das Federações regionais será que existe algum que o amigo leitor se encorajaria de aceitar como genro?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Fora da Área: para quem vou torcer?

 

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Foi cansativo driblar os textos que me ofereceram para ler, nesta semana, sobre a final da Copa do Mundo, mas consegui eliminar de todos eles a expressão “hermanos” que, insistentemente, acompanhava as notícias relacionadas a Argentina. Não porque cultive qualquer incomodo com os argentinos, muito antes pelo contrário. Como sabe bem o caro e raro leitor deste blog, sou gaúcho, gentílico de todos os nascidos no Rio Grande do Sul, mas que também identifica o povo ligado à pecuária em especial os da região dos pampas, da Argentina e do Uruguai. Portanto, a proximidade vai além da geografia, se faz pelos hábitos, expressões e atitudes. Não gosto de chamá-los de “hermanos” simplesmente porque se transformou em lugar comum e uma de nossas tarefas no jornalismo tem de ser a pureza da língua e a limpeza do discurso. Portanto, lembrando brincadeira do colunista Ancelmo Gois, de O Globo, sempre que depara com o exagerado uso de expressões estrangeiras: “hermanos” é o c…..

 

Não gosto de “hermanos”, mas não tenho nada contra eles. Por isso, apesar de muitas vezes compartilhar das brincadeiras que os brasileiros costumam fazer todas as vezes que se referem aos argentinos, os admiro pela bravura, pela elegância no vestir (mesmo diante da crise econômica) e pela carne saborosíssima. Sendo assim, não haveria qualquer motivo para torcer contra a seleção comandada pelo técnico Alejandro Sabella nesse domingo na final contra a Alemanha, no Maracaña. Mesmo porque eles tem Messi, jogador que potencializou à sua genialidade síndrome apontada como uma forma branda de autismo, a de Asperger. Joga com rara qualidade e a cada partida nesta Copa parece melhorar a capacidade de extrapolar com seu sorriso sem jeito os limites emocionais que o transtorno o impõe. Vê-lo jogando é um privilégio. A Argentina, claro, tem Messi, mas também tem Mascherano, tem Zabaleta, tem Di Maria e tem uma torcida de causar inveja. Isso não quer dizer que torcerei para os argentinos.

 

Nascido de família meio italiana e meio alemã, lá no Rio Grande do Sul, escolhi o Jung como sobrenome para me acompanhar na vida profissional. Nem me pergunte porque abri mão do Ferretti que se parece muito mais com a minha personalidade. Mas sendo Jung teria motivos que chega para torcer pela Alemanha. Parentes, que devem viver nas colônias germânicas formadas no meu estado natal, certamente ficarão bastante satisfeitos com a vitória da equipe comandada por Joachim Löw. Se me faltassem motivos para torcer, a seleção ainda tem como maior destaque Thomas Müller, atacante que carrega o sobrenome da minha mãe, não bastasse jogar bola como poucos. Independentemente dessa familiaridade, o tetracampeonato da Alemanha teria um fator pedagógico para o futebol mundial devido a estrutura construída pelo país para chegar ao nível atual, desde a derrota para o Brasil, na Copa de 2002. Sim, na semifinal fomos vítimas de uma criatura que se reconstruiu a partir da lição que aprendeu ao perder para nós por dois a zero no Mundial do Japão e da Coreia. O governo alemão ajudou a reestruturar os times de futebol do país e os obrigou a adotar escolas na região em que atuam, nas quais professores foram capacitados a partir de conhecimento desenvolvido em cursos da Uefa, novos talentos foram identificados e submetidos a uma série de conhecimento técnico e tático e preparados física e psicologicamente. Para se ter ideia, Özil tinha 14, Müller 13, e Kross 12 anos, quando isso começou. O que vemos em campo não é resultado do acaso ou do improviso, como costume aqui no Brasil. O título alemão seria um incentivo a quem acredita em planejamento, trabalho, competência e, claro, muito talento. Isso não quer dizer que torcerei para os alemães.

 

Entre Argentina e Alemanha, no domingo, ainda escolho o Brasil, pois, como já escrevi neste blog, sou torcedor contumaz da nossa seleção.

Motoristas argentinos não pagam multa no Brasil

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Em minha recente visita à Argentina tomei conhecimento de que as multas de trânsito tiveram o seu valor elevado para preços capazes de assustar até mesmo os motoristas financeiramente mais abonados. Lá,não só paga caro,além de sofrer outras penas,os que bebem antes de dirigir. Furar o sinal vermelho,estacionar em local proibido,enfim,cometer qualquer tipo de irregularidade custará os olhos da cara. Não me dei ao trabalho de converter o valor das penalidades em reais. Acreditem-me,porém,os argentinos terão de ter muito cuidado ao saírem às suas avenidas,ruas e rodovias para que não sejam multados.

 

Já sobre os nossos vizinhos, o jornal Zero Hora do dia em que escrevo o texto semanal para o blog do Mílton,ou seja,terça-feira,abriu esta manchete:

 

– De volta para o verão, hermanos devem R$20 milhões em multas

 

O número de penalidades não pagas é impressionante.Todos os anos as nossas autoridades tentam,sem sucesso,cobrar as infrações cometidas não só por argentinos,mas por outros estrangeiros. Em 2011 e 2012,o percentual de multas pagas por motoristas de outros países – os da Argentina,claro,são a maioria dos devedores – ficou em míseros 4%. Entre janeiro e dezembro de 2013,o índice é de 13%. O baixo número de infrações quitadas se explica pelas dificuldades que a Polícia Federal enfrenta para cobrá-las,seja nas estradas,seja nas fronteiras. Não é possível fiscalizar todos os veículos de turistas. Há os que se dão mal,são parados pela PRF e têm de pagar. Resta às autoridades brasileiras criarem maneiras de conscientizar os turistas afim de que não cometam infrações. Confesso que não acredito quase nada em campanhas com tal propósito. Seja lá como for,não custa colocá-las em prática e torcer para que deem certo…ou ajudem a diminuir o número de infratores dos países vizinhos.

 

Pemitam-me que mude radicalmente de assunto. Vivendo e ainda aprendendo. Do alto dos meus 78 anos,acabei de tomar conhecimento de uma palavra cuja existência e o seu significado nem de longe haviam passado por minha velha cabeça:selfie.Descobri tratar-se de importante estrangeirismo,mais um dos muitos com que temos de lidar. Afinal,li que o Oxford Dictionary,respeitadíssimo – como não ? – elegeu-a a palavra do ano. Fui ao Google – o salvador da pátria – e este me esclareceu sobre o significado de selfie:fotografia que a pessoa tira de si mesma,geralmente com um smartphone ou webcam e é carregada em um site de mídia social. Em resumo:selfie não passa de um autorretrato sofisticado graças ao uso,pelo autorretratista,de aparelhos modernos ou nem tanto,uma vez que experimentei me fotografar com um Nokia C3-00. Perdão,esqueci,também cheguei a utilizar para fazer uma foto minha,há tempo,com a webcam do PC,a fim de ilustrar (?)o meu perfil no Skype. Prometo que a ninguém assustarei com a minha selfie.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A elegância das argentinas que não existe mais

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Faz alguns anos que,na Rádio Guaíba,me permitem gozar férias em duas etapas. Tirei a segunda parte,desta vez,para passar dez dias em Buenos Aires. Maria Helena,minha mulher,ensinou-me a gostar de visitar a capital da Argentina. Bem antes de nos conhecermos,acostumou-se,com os seus pais, a fazer isso com certa frequência.Os Frantz,nos anos 70,fizeram de ônibus as suas primeiras viagens para o país vizinho. Depois,entretanto,iam de avião. Em geral,escolhiam, para visitar BsAs, nas épocas em que,como está ocorrendo agora,o nosso dinheiro valia mais que o argentino. Já eu estive em Buenos Aires,se não me falha a memória,no mínimo duas vezes,mas a serviço. Deveria ter permanecido,um mês por lá na Copa do Mundo de 1978. Como não quis ficar todo esse tempo longe da minha família,narrei apenas um jogo daquela competição:Áustria 1 x 0 Suécia,no Estádio Monumental de Nuñez. Assisti,também,a um jogo de basquete entre o Obras Sanitárias (argentino) e o Sírio Libanês (brasileiro).

 

Maria Helena foi a Buenos Aires com o filho dela,o André,a Márcia,mulher dele e a neta Luciana,em novembro de 2011. André e Márcia nos acompanharam agora. Como de hábito,já na primeira noite elegemos o show de tangos que,de antemão,sabíamos ser o melhor: Señor Tango. O chefão da magnífica casa de espetáculos é Fernando Soler,nome que,pelo menos para os amantes do tango,é sobejamente conhecido até aqui em Porto Alegre. O cenário é fantástico,posso garantir. Na nossa segunda noite,experimentamos assistir à exibição dos bailarinos e bailarinas da Madero Tango,cujo nome se deve à zona na qual está situado:o Puerto Madero. Na orla do Rio de La Plata,o bairro assim denominado está repleto de restaurantes famosos pelas iguarias que oferecem. Na noite do show do Madero Tango chovia a cântaros. As vans que conduziram hóspedes de vários hotéis,inclusive o nosso,em atitude que provocou protestos generalizados,deixou-nos longe do prédio no qual jantaríamos e assistiríamos ao show. O resultado foi mulheres com penteados desfeitos pela água e todo o mundo com as roupas molhadas. A apresentação dos bailarinos,entretanto,de certa maneira,salvou a noite.E a janta também.

 

O nosso terceiro programa foi um passeio turístico. Maria Helena imaginou ter combinado um aquático, pela beira do Rio de La Plata. Estranhamos o roteiro do ônibus que nos levava,eis que era muito parecido com um nosso velho conhecido. Não estaríamos indo visitar novamente o Delta do Rio Tigre,em que se permanece durante mais de uma hora dentro de um catamarã,olhando nas margens,antigas mansões abandonadas e algumas ainda em bom estado de conservação,essas,com píeres em que os proprietários ancoram os seus barcos? Imagino que,no auge da região,agora decadente,a vista dos prédios deveria ser bem interessante. Fizemos – com perdão pela expressão que talvez seja politicamente incorreta – um legítimo “passeio de índio”.

 

Quem nunca foi a Buenos Aires ou faz muito que não põe os pés nessa grande e bela metrópole,informo que vale a pena comprar artigos de vestuário,tanto masculinos quanto femininos,porque são bem mais baratos do que no Brasil. Não se gasta muito,igualmente,para tomar o café da manhã com maravilhosas “medias lunas”. Além disso,duas coisas chamaram a minha atenção,uma positiva e outra que eu diria ser negativas,ou muito me engano. Não vi congestionamentos no trânsito do tipo a que estamos acostumados a enfrentas nas grande cidades brasileiras. Buenos Aires criou corredores de ônibus em uma das principais vias da cidade: a Nueve de Julio.E esses funcionam muito bem. Claro,os pedestres têm de ter uma certa paciência porque essa avenida é larga e os semáforos demoram quando fecham para quem anda a pé. BsAs era famosa – e aí vai o fato negativo – porque,a cada passo,antigamente,deparávamo-nos com belas e bem vestidas mulheres. Não pensem que guardei só para mim tal percepção:Maria Helena concordou comigo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O luxo na Argentina morre aos poucos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

A crise no Mercado do Luxo na Argentina não é novidade. Desde o ano passado, diversas lojas de marcas internacionais fecharam suas portas em Buenos Aires, capital do país, por conta da intensificação das medidas adotadas pelo governo argentino para restringir importações e operações com dólar. Marcas prestigiosas como Empório Armani, Escada, Cartier e Louis Vuitton são algumas das que já deixaram o país por conta dessa situação. Ao que parece, o cenário tende a piorar.

 

Com o objetivo de desencorajar o consumo extravagante, a presidenta Christina Kirchner anunciou novos impostos sobre produtos de luxo. A medida é a última de uma série de movimentos governamentais destinados a conter a inflação. A Argentina sofre com a queda mensal de US$ 1 bilhão nas reservas do Banco Central e com a alta dos preços varejistas que as consultorias privadas apontam em quase 30% ao ano. No segmento automotivo, um dos que mais serão afetados, argentinos de alto poder aquisitivo compram veículos importados cotados em pesos à taxa de câmbio oficial, mas com dinheiro que trocam no mercado paralelo a 10 pesos por dólar americano. Assim, quem possui um carro de luxo consegue pagar a metade do valor em dólares ou euros. As reservas do Banco Central caíram de US$ 42 a US$ 31 bilhões este ano, na pior sangria desde 2001.

 

A falta de produtos nas lojas de luxo da capital portenha foi um dos principais problemas para as marcas. A limitação às importações afetou as marcas de luxo que, impedidas de abastecer suas lojas com artigos que chegam do exterior, começaram a fechar as portas. Sem produtos em suas prateleiras, consumidores, muitos deles brasileiros e com sede de consumo, frustravam-se por não poder comprar. A loja da Louis Vuitton, localizada na prestigiosa Avenida Alvear, no bairro nobre da Recoleta, até então vizinha de outras grifes como Hermès e Ralph Lauren, foi a primeira loja da grife francesa na América do Sul.

 

Se no varejo de luxo a crise está assustadora, para os hotéis de luxo a situação é menos drástica. Buenos Aires ainda é uma cidade atrativa para os amantes de gastronomia, arte e cultura. Os hotéis de luxo tem investido em programas com temáticas ligadas a temas como gastronomia, caso do hotel Palacio Duhau Park Hyatt Buenos Aires, que além de seus pratos de alta gastronomia em seus restaurantes, é criador do Masters of Food & Wine, programa especial que reúne eventos gastronômicos no hotel.

 

É triste ver um país que, no passado, foi um dos principais alvos do segmento de luxo na América do Sul. Em um movimento contrário, países vizinhos como Brasil e Chile estão avançando sua participação nesse segmento e com perspectivas de crescer ainda mais.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A culpa é da Cristina

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os pais de Maria Helena, minha mulher, fizeram inúmeras viagens de turismo à Argentina. A primeira visita do casal Edvino e Wanda ocorreu em 1948. Na ocasião, Juan Domingo Perón governava há dois anos o país vizinho. Seu mandato, que terminaria em 1952, como Perón foi reeleito, se estenderia até 1958, mas não chegou a esse ano por força do golpe militar que o retirou do poder. Após 18 anos de exílio,Juan Domingo Perón voltou ao poder. Faleceu, porém, sem completar o seu terceiro mandato.

 

Fiz esse introito para lembrar a quem não se liga a fatos históricos quando não se trata do nosso país que, décadas atrás, o turismo de brasileiros na Argentina não chegou a ser muito prejudicado por questões políticas, envolvendo os seus governantes e governados, o que está acontecendo agora sob o governo de Cristina Fernández de Kirchner. Aliás, os prejudicados pelas absurdas exigências presidenciais não são apenas os brasileiros que gostam de visitar “los hermanos”, mas, o que é pior, os argentinos que viajam ao exterior.

 

Maria Helena e o seu filho André foram várias vezes à Argentina antes que eu e ela, ano após ano, passássemos parte das minhas férias em Buenos Aires. Nesta década, além dos passeios, da abundância de ótimos restaurantes, cafés e imperdíveis shows de tangos, a moeda argentina sempre perdeu para a nossa. Assim, reforçar o guarda-roupa com artigos oferecidos por lojas tradicionais e shoppings, era obrigatório.

 

Escrevi a frase anterior colocando o verbo no passado, pois neste ano que dá os seus derradeiros suspiros, não estivemos em Buenos Aires. Quebramos, com isso, o que tinha se transformado para nós em agradável rotina. E a culpa é de Cristina. Ficamos com medo de manifestações realizadas pelos que são contrários a Presidente. Essa, além de certas medidas estapafúrdias que machucaram impiedosamente o bolso dos patrícios dela, investe contra o Grupo Clarín, com a Lei da Mídia, fingindo que está democratizando a mídia e restringindo monopólios. “Dueña” Kirchner imita, de certa forma, Chávez, Evo Morales e outros que tais sul-americanos. Convém não perder Cristina de vista. Ditadores e seus aprendizes adoram cercear a liberdade de expressão.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve, às quintas-feiras, no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Telê Santana tinha razão, também no basquete

 

Joguei basquete por 13 anos, boa parte deste tempo vestindo a camisa do Grêmio. Era uma época em que assistir aos jogos da NBA aqui no Brasil era um privilégio, pois ainda não tínhamos a TV a cabo e faltavam espaço e dinheiro na grade de programação dos canais abertos. Ficávamos esperando ansiosos pela chegada de um amigo qualquer que tivesse tido oportunidade de visitar os Estados Unidos, pois sabíamos que traria na mala alguns pares a mais de tênis All Star. Enquanto não nos era possível calçar uma daquelas relíquias, contentávamos com o Charrua, comprado nas lojas uruguaias de Rivera, cidade separada por apenas uma avenida de Santana do Livramento, no extremo do Rio Grande do Sul.

 

Meus tempos de quadra me renderam algumas poucas convocações para a seleção gaúcha e um título estadual estudantil, além de muito atrevimento para enfrentar os grandalhões com meu 1 metro e 74 de altura. Em um dos períodos em que treinei no Grêmio, o futebol era comandado por Telê Santana que adorava basquete e fazia questão de levar grupos de jogadores, em dia de concentração, para assistir às nossas partidas. Telê se espelhava nos técnicos de basquete para montar seus treinos táticos e organizar jogadas ensaiadas, além disso arriscava alguns palpites. Lembro que ele criticava a forma como cobrávamos o lance livre, impulsionando a bola com uma só das mãos e movimentando uma complicada engrenagem do braço para que esta alcançasse a cesta. Dizia que o mais óbvio e certeiro seria que cobrássemos no estilo lavadeira, arremessando com as duas mãos abaixo da cintura, usado até as décadas de 1960 e 1970. Aqui no Brasil, alguns devem lembrar que o lendário jogador brasileiro Ubiratan usou este recurso devido o baixo desempenho dele nos lances livres.

 

Ao assistir o basquete brasileiro enfrentar a Argentina, nas quartas-de-final dos Jogos Olímpicos, nesta tarde, não tive como não lembrar do saudoso Telê Santana. Talvez se nossa equipe, hoje cheia de estrelas da NBA, coisa inimaginável no meu tempo, arriscasse alguns lances livres de lavadeira ainda estaríamos na disputa de uma medalha e não teríamos assistido à festa argentina. Alguém deverá pensar que a ideia é ridícula no basquete moderno. Eu penso que ridículo é um time com a qualidade do brasileiro acertar apenas metade dos arremessos de lance livre em uma partida decisiva.

 

Não é que Telê tinha razão, mais uma vez.