Avalanche Tricolor: um cara curioso, sortudo e com muito talento

 

Grêmio 1×1 Atletico-GO
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Renato no comando do Grêmio em foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA

 

 

Éramos apenas oito mil torcedores na Arena nesta tarde de domingo. Era possível identificar alguns pais e seus filhos, mães, amigas, colegas, talvez de trabalho, de escola ou daqueles que se conhecem no estádio mesmo e têm sua amizade restrita às arquibancadas. Para todos era mais um programa de domingo, sem muitas pretensões, afinal estávamos de passeio. O Campeonato termina semana que vem e estamos apenas guardando posição.

 

Verdade que ao lado do gramado via-se Renato tentando por ordem na casa, irritado com o baixo desempenho de alguns jogadores, esbravejando pelo desperdício de passes, pelo deslocamento mal feito, pela bola mal dominada. Para ele pouco interessa que o time seja do terceiro escalão: se é Grêmio tem de suar, tem de lutar e tem de vencer.

 

Nosso técnico é uma figura curiosa, mesmo.

 

Sempre passou a imagem de um playboy que apreciava tanto a bola quanto a balada. Aprontou muito na noite. Divertiu-se o quanto pode. Falou mais do que devia. Fez galhofa. Pagou pela língua. Da mesma maneira, com suas palavras e provocações foi essencial na motivação dos colegas com que jogava ou do time que comandava.

 

Em campo, com o 7 estampado nas costas, era um gigante disposto a vencer qualquer barreira. Se uma tropa de uruguaios o prensava contra a linha lateral, não se fazia de rogado. Sem mesmo olhar para o lado, despachava a bola para o alto e a jogava dentro da área. Foi assim que marcamos o gol da vitória que nos deu o primeiro título da Libertadores, em 1983. Se uma blitz de alemães se portasse diante dele, despachava-os com uma sequência de dribles para um lado e para o outro, assim como o fez duas vezes na final do Mundial, no mesmo ano.

 

Como técnico, soube se reinventar. E o fez porque estudou muito o futebol e os adversários, ao contrário do que a afirmação polêmica feita ano passado tenha dado a transparecer. Haja vista a diferença do comandante que tivemos nas primeiras passagens pelo Grêmio (em 2010, 2011 e 2013) e deste que assumiu em 2016 para conquistar a Copa do Brasil e oferecer ao torcedor o futebol mais bonito do país, em 2017. Entendeu que não haveria mais espaço apenas para chutões, jogadas diretas e chuveirinho – apesar de ter consciência de que às vezes são recursos necessários. Que o diga o gol que nos dá vantagem nesta final de Libertadores.

 

Renato percebeu que tinha de reproduzir no time que comandava a mesma simbiose que o tornou um craque: talento no drible, velocidade na jogada, precisão no passe e um desejo incrível de se superar, suar, lutar e vencer a qualquer custo. Técnica e raça. Soma-se a isso, uma pitada de sorte, aquela que costuma acompanhar os melhores. Senão, vejamos: na quarta passada, Jael e Cícero que tinham recém-entrado foram os protagonistas do gol da vitória; hoje, em jogo que sequer valia muito, quem empatou a partida de cabeça no segundo tempo? Lucas Poletto, primeira substituição feita por Renato.

 

Que nosso técnico siga sendo esse cara curioso, sortudo e, principalmente, de muito talento e inspiração para todos nós!

Avalanche Tricolor: pra não dizer que não falei de futebol

 

Atlético Paranaense 2×0 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada/Curitiba-PR

 

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Já falei com vocês de eSports?

 

Isso mesmo, eSports. Ou esporte eletrônico: esse negócio que muita gente confunde com videogame.

 

Certamente já tratei do assunto no meu blog, talvez jamais nesta Avalanche.

 

O esporte eletrônico tem surgido no noticiário com incrível destaque e as equipes que se formam aqui no Brasil se organizam de maneira profissional. Especialmente as que disputam o League of Legends – Lol para os íntimos.

 

Muitas delas mantém suas equipes em casas e apartamentos, e treinam com o suporte de técnico, analista, psicólogo, nutricionista e preparador físico. Sim, a garotada tem de estar em forma, física e mentalmente, para aguentar a tensão das disputas.

 

Neste fim de semana, quatro das melhores equipes do Brasil se enfrentaram para decidir quem teria o direito de estar na final do CBLol – o Brasileirão de Lol – que será disputado no sábado, dia 9 de julho, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

 

Enquanto assistia pela televisão ao futebol, agora há pouco, estava com meu celular em mãos acompanhando a semifinal entre INTZ e Pain Gaming.

 

Pelo celular, você consegue ver os jogos transmitidos diretamente do estúdio onde são disputados, em São Paulo. A cobertura também é profissional: imagem de qualidade, edições bem feitas; narrador, comentarista e repórter detalhando cada lance.

 

Confesso que entendo pouco do jogo e por isso me atentava a animação do narrador de Lol, capaz de me dar noção de que uma equipe estava superando a outra em lances eletrônicos difíceis de serem percebidos por leigos, como eu.

 

A variação do placar, atualizado em tempo real, no alto da tela, me animava sempre que uma equipe era capaz de virar em cima da outra, apesar de minha torcida estar voltada apenas a um dos times.

 

Ao fim e ao cabo, a INTZ, que dizem ser uma das maiores campeãs do Lol brasileiro conquistou vaga para a final e encara a CNB, que garantiu passagem ao vencer a semifinal disputada no sábado.

 

Boa sorte aos finalistas!

 

Ah, perdão, caro e cada vez mais raro leitor, se tomei seu tempo nesta Avalanche falando de um esporte que você não tem o menor interesse.

 

Eu também preferiria dedicar esta Avalanche ao Grêmio, como faço tradicionalmente, mas passei a tarde inteira tentando encontrá-lo em campo e o Grêmio não apareceu. Ao menos não aquele Grêmio que Roger no ensinou a gostar.

 

Fico na expectativa de que ressurja na próxima quarta-feira.

 

E por falar em eSports: meu time venceu e está na final do Lol.

Avalanche Tricolor: vitória deixa o Grêmio na briga pelo título

 

Atlético(PR) 1×2 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira/Curitiba

 

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

Time comemora o gol da vitória em Curitiba (foto Portal Grêmio.net)

 

Dos gremistas que andam por São Paulo, é o Sílvio quem compartilha comigo as percepções sobre o Grêmio com mais frequência. Praticamente toda a semana trocamos telefonema para falar de nosso time, em geral nos dias que antecedem a partida e, com certeza, no dia seguinte. Hoje não foi diferente, e quando o Sílvio me ligou querendo saber o que seria desta noite, em Curitiba, não tive dúvida em dizer que era o jogo definitivo.

 

Explico porque resposta tão drástica (ou definitiva): depois de duas partidas sem vitória, de vermos o líder do campeonato se distanciar e, principalmente, os demais concorrentes à vaga para Libertadores se aproximarem, teríamos pela frente duas disputas fora de casa. Vencer, hoje, poderia não nos deixar mais próximo do topo, mas nos manteria na briga do título, fora do alcance daqueles que vêm logo atrás e, fundamentalmente, dentro da Libertadores. Perder ou empatar, além de revelar uma fragilidade que ainda não havia se revelado desde a chegada de Roger, passaria a se ver ameaçado por uma quantidade grande de times que vêm reagindo nas últimas rodadas.

 

O que vimos no Couto Pereira foi a manutenção de um futebol que tem sido jogado desde que Roger assumiu o Grêmio. Até tivemos momentos de baixa produção neste campeonato, mas o tipo de jogo imposto pela nova gestão se manteve durante toda a competição: intensa troca de passe e movimentação de jogadores, além de marcação eficiente desde a área adversária. Isso se repetiu nesta noite, mesmo diante da forte pressão. Até poderíamos ter ficado mais tempo com a bola no pé, mas houve um ingrediente que me chamou atenção e agradou muito: privilegiamos o passe para frente em detrimento do recuo de bola. Isso faz com que o time se torne mais ofensivo ainda e fique mais perto do gol.

 

Os dois gols que assistimos foram resultado do mesmo tipo de jogo. Deslocamento de jogadores com troca de posição constante, confundindo a marcação, e passes precisos que deixaram nossos atacantes na cara do gol. Tudo isso se somou a categoria e a tranquilidade com que Douglas e Luan concluíram as duas jogadas fatais.

 

Em resumo: estamos na briga!

Avalanche Tricolor: desistir, jamais!

 

Grêmio 0 x 0 Atlético PR
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

Renato já havia convocado a torcida. E o torcedor atendeu a seu pedido. Foi retribuído com a escalação do Zé da Galera. Apostou em Barcos e Kléber. Colocou Elano e Vargas. Arriscou com Mamute. Tentou em uma partida fazer com que o Grêmio fizesse o que não vem conseguindo há alguns jogos: o gol. Apesar de todo o esforço, chutes no travessão, chutes para fora e chutes defendidos pelo goleiro adversário, não conseguiu marcar mais uma vez. E com isso está fora da Copa do Brasil, esta competição pela qual temos todo carinho e vários canecos. A temporada segue, a busca pela vaga da Libertadores persiste e nossas chances de disputar a competição sul-americana é real.

 

Quanto a nossa Imortalidade, caro e ralo leitor deste blog, esta sempre estará conosco, pois, como já ensinei muitas vezes, não somos Imortais porque jamais perdemos. Somos Imortais porque jamais desistimos.

Avalanche Tricolor: a experiência é nosso trunfo

 

Atlético PR 1 x 0 Grêmio
Copa do Brasil – Curitiba (PR)

 

 

O diabo sabe mais por velho do que por diabo. Por muitos anos ouvi o ditado no vozeirão de meu pai, este que você conhece bem e tem oportunidade de ler toda quinta-feira aqui no Blog. Costumo repeti-lo em minhas palestras sobre comunicação quando me refiro aos meus quase 30 anos de carreira profissional dedicados ao jornalismo. Com todo esse tempo consegui aprender muitas diabruras. Ou seja, ganhei experiência que me impede de repetir velhos erros. Tanto quanto eu – ou quase -, o Grêmio também tem experiência em Copa do Brasil. Somos quatro vezes campeões e já estivemos em muitas finais. Sabemos que o mata-mata é disputado em 180 minutos e nada se decide no primeiro jogo, principalmente quando um dos times (e me refiro ao nosso) tem o dom da superação. É por isso que não me canso de defender a tese: até três gols de desvantagem, a gente vira em casa. Portanto, estamos no jogo.

Avalanche Tricolor: por um toque de qualidade

 

Grêmio 0 x 1 Atlético MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foi disputando cada jogo como se fosse o jogo de sua vida que construímos nossos 110 anos de história. Mas o que é um jogo diante de tudo que já vivemos até aqui? O passe errado – aliás, vários na mesma partida -, o chutão desesperado do zagueiro que não sabe o que fazer com a bola, a falta de criatividade no meio e a incerteza dos atacantes. São todos detalhes que passam despercebidos nos arquivos da nossa memória centenária – pequenos frente ao que somos. E pequeno como sou, peço licença, caro e raro leitor, para reproduzir, nesta Avalanche, texto de quem realmente tem talento, sabe ser diferente no trabalho que exerce e fez belíssima homenagem ao Grêmio em seu blog no Lance!Net. Aproveite o toque de qualidade do jornalista Mauro Beting, a quem agradeço por ter oferecido aos gremistas o momento de maior prazer deste fim de semana:

 

Grêmio. Desde 1903.
Não importam números, embora 1983 encerra discussões.
Não importam ou exportam nomes. Mas Lara é tema eterno. Portaluppi fez o planeta mais azul. Aírton é pavilhão. Iúra foi símbolo. Scolari faz cátedra. Foguinho acalenta. Valdo esfria. Everaldo rima e é seleção. Jardel é cabeça. De León é corazón. Alcindo é bugre. Gessy é Grêmio.
Vocês são Grêmio onde ele estiver.
A pé, em pé, caído em segundas divisões, primeiro em Libertadores e Mundial, veterano copeiro, imortal vencedor de jogos eternos. Aflitos e Olímpicos, Moinho dos Ventos e Arenas, Baixada e no Humaitá, azedo na Azenha, doce e amargo, Grêmio e Tricolor.
Até ganhar o BR-81 não era visto por Rio e São Paulo. Quando fez a América e fritou o Hamburgo passou a ser mais respeitado. Mas só passou mesmo a patrola na patrulha paulista e carioca quando foi parrudo e marrento ganhando as Copas do Brasil. Quando não era favorito para a mídia. Mas foi melhor que o Flamengo em 1997, no tri. Quando foi melhor que o Corinthians em 2001, no tetra.
Ninguém dava bola ao Grêmio. Mesmo campeão da Copa do Brasil em 1989. Mesmo bi em 1994.
Ninguém dava crédito ao Grêmio. Mesmo campeão da América em 1995. Mesmo vice nos pênaltis para o grande Ajax.
Muitos davam perdido o título brasileiro de 1996 até o chute final de Aílton.
Quase todos davam perdido o acesso em 2005 no pênalti de Galatto. No gol de Anderson que nem o mais fanático gremista (redundante) acreditava no fantástico e fabuloso.
Se é que gremista nasceu para não acreditar no Grêmio.
Ele não torce. Ele acredita.
Ele é Grêmio.
Eles são Grêmio para o que der e vencer. Mesmo que não venha, eles vão.
Fanáticos e fantásticos como tantos torcedores de tantos times com mais ou menos conquistas.
Mas os que são tricolores, que são gremistas, que já sofreram com o rival figadal, que já foram fidalgos ou não, esses parecem saber de algumas coisas que não sabemos quando o time deles joga.
Eles sabem que é possível. Podem ter menos time que os rivais. Podem ter menos dinheiro. Menos poder. Menos midia. Menos gente.
Mas eles nunca têm menos torcida. Jamais têm menos fé.
O poder do Grêmio é esse.
Eles mais acreditam que torcem. Eles se acham mais predestinados. Guerreiros. Imortais. Invencíveis.
Claro que eles não são tudo isso.
Mas vá enfrentá-los! Em campo e nos bancos. Nos botecos e nos batuques. Nas bolas e nos papos. Na grama e na fama.
O tricolor não verga. Ele esgrima. Ele Grêmio.
Pode não vencer. Mas ele vai lutar.
É preciso respeitar até quando não se gosta e não se tolera e entende.
É preciso ser um pouco Grêmio para vencer o brasileiro mais uruguaio. Mais argentino. Mais alemão. Mais Grêmio.
É preciso ter um pouco dessa alma de avalanche para atropelar quem estiver pelo caminho.
Você pode não gostar do jeito, do jogo, dos modos, dos meios.
Mas você tem de respeitar essa história. Tem de entender essa glória. Tem de admirar essa gente cujo hino é de um Lupicínio que cantava a dor-de-cotovelo de corações dilacerados e compôs uma letra que poucos clubes têm: não fala de conquistas de galerias de troféus. Fala de sofrimento e encantamento de quem torce. De quem ama. De quem acredita.
De quem é Grêmio antes de ser gente. De gente que é Grêmio antes de ficar e ir a pé onde ele estiver.

Avalanche Tricolor: da terra dos Portaluppi

 

Atlético PR 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Curitiba PR

 

 

Distante do Brasil, mas próximo dos Portaluppi. Daqui de onde estou, em direção ao norte, pouco mais de 400 quilômetros me separam da região de Verona, onde haveria registros da presença da família Portaluppi, que se dedicaria a função de notário, ainda no século 13. Pouco antes tem Milão, onde nasceu o arquiteto Piero Portaluppi, no finalzinho do século 19, que deixou sua marca em prédios e casarões, tendo ajudado no desenvolvimento urbano com seu talento e conhecimento. Impossível saber no momento em que publico este post se pendurado na árvore genealógica de algum deles estaria seu Francisco, casado com dona Maria, que adotou a cidade de Bento Gonçalves para criar seus 13 filhos, seis mulheres e sete homens, um deles, o único Portaluppi que realmente me interessava no fim da noite de sábado, aqui em Ansedonia.

 

A despeito de toda a riqueza histórica que me cerca na Itália e diante do Mar Tirreno que me acompanha nestas férias, estava antenado mesmo era na possibilidade do filho do Seu Francisco reconstruir em poucos dias a obra retorcida deixada por seu antecessor. Alguns minutos de jogo, assistidos na pequena tela do Ipad, através da minha caixa mágica que copia pela internet as imagens de meu televisor em casa, no Brasil, foram suficientes para perceber que estava exigindo de mais na reeetreia de nosso técnico. Renato já fez muito com a bola nos pés, inclusive aqui na Itália, quando jogou pelo Roma, na temporada de 1988/1989 e teve alguns bons momentos como técnico, a última com o próprio Grêmio, em 2010, mas para colocar o time em ordem precisará de tempo, bem mais do que alguns dias de treino. Não que seja necessário mudar muitos jogadores de lugar, mas terá de encaixá-los nas funções para as quais estão mais bem qualificados. As bolas chutadas por cima do meio de campo, a falta de companheiros mais bem colocados para receber o passe e o aparecimento de jogadores fora de posição revelam um desarranjo na equipe. Além disso, caberá ao nosso Portaluppi mexer com a cabeça e o ânimo de cada um deles para recuperar a alma sugada pela passagem de Luxemburgo.

 

No jogo mal jogado de sábado, que me fez dormir de madrugada, dado o fuso horário, ao menos a satisfação de ver, quase ao final, o lance mais bonito da partida, quando Maxi Rodríguez, há pouco tempo em campo, com precisão e distância, acertou lançamento no pé de Barcos, atacante que já incomodava por não deixar sua marca. A jogada certeira de Maxi e a retomada dos gols de Barcos, quem sabe, abrem esperança para que Renato Portaluppi nos devolva a satisfação de ver o Grêmio em campo. Enquanto isso não ocorre em definitivo, fico por aqui aproveitando as alegrias e prazeres que a terra dos Portaluppi têm a nos proporcionar.

Avalanche Tricolor: é tempo de calar e esperar

 

Atlético (MG) 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Arena do Jacaré, Sete Lagoas (MG)

 

 

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus …” Começa assim o texto de Eclesiastes que lembrei durante a partida desta noite de domingo, em Belo Horizonte, quando pensava no que escrever nesta Avalanche. A passagem que me levou a este livro da Biblia Cristã ensina que há “tempo para procurar, e tempo para perder … tempo para calar, e tempo para falar”. E para calar é preciso sabedoria, pois sem ela corremos o risco de transformarmos em terra arrasada, campo fértil. E nós, gremistas, sabemos bem que existem valores que precisam ser preservados, assim como temos joio a ser arrancado para que o trigo seja cultivado e a boa safra possamos colher.

 

Ao me calar hoje, dispenso a oportunidade de reclamar do pegador que se transformou em fazedor de pênalti; da zaga dura, firme e forte, que cedeu a velocidade ou altura dos atacantes; de laterais que esqueceram o caminho da linha de fundo; de jogadores criativos que perderam o brilho do drible; e goleadores que se esparramaram no chão antes de mostrarem seu desejo de matar.

 

Neste cenário, o melhor mesmo é calar, e esperar, pois há “tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado”. Mas para isso é preciso de um excelente agricultor.

 

Para não perder o domingo, fico com a satisfação de assistir à vitória da seleção brasileira sobre a França no comando de Luis Felipe Scolari, este sim um técnico que sabe colher. E merece cada conquista alcançada em sua história

Avalanche Tricolor: Um bom resultado e boas histórias do rádio

 

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte (MG)

 

Nesta semana que se inicia, teremos um dia dedicado ao rádio, dia 25, terça-feira, e muitos admiradores do veículo falarão sobre o assunto. Na sexta-feira que passou, gravei programa sobre o tema ao lado de nomes consagrados como Joseval Peixoto, da Jovem Pan, José Paulo de Andrade, da Bandeirantes, e Heródoto Barbeiro, ex-colega da CBN, sob o comando de Haisen Abaki, âncora da rádio Estadão/ESPM, que promoveu o encontro. Na conversa descontraída, me emocionei ao ouvir histórias do passado do rádio e citações feitas ao meu pai, Milton Ferretti Jung, este que você lê às quintas-feiras, aqui no Blog. E das muitas, Joseval contou como eram as transmissões esportivas nos anos de 1960 e 1970. Com histórico muito mais recente no rádio e histórias menos heróicas para levar ao ar uma partida de futebol, recorri às lembranças do Milton pai, que, em junho deste ano, relatou em post a aventura que foi não transmitir partida entre Grêmio e Atlético Mineiro, no estádio Independência, em Belo Horizonte, na década de 60.

 

Os detalhes do feito (ou do não feito) você lê em “Uma boa história do rádio”, publicada no dia seis de junho, mas em resumo o que Milton pai escreveu é que por incapacidade da Radional, operadora nacional responsável por levar as transmissões ao ar, e carência tecnológica, ele e o comentarista Ruy Carlos Ostermann, narraram um jogo inteiro e somente souberam que a partida não estava sendo transmitida para o Rio Grande do Sul, pela Rádio Guaíba de Porto Alegre, minutos antes de se encerrar. Talvez por prudência ou falta de memória, meu pai, tão ou mais gremista do que eu, nunca me disse qual foi o placar daquele jogo, afinal ainda era uma época em que os times gaúchos não eram vistos com o devido respeito pelos clubes do centro do país.

 

Aqueles eram outros tempos, pois hoje as transmissões de rádio e a tecnologia disponível não nos impõem mais este tipo de risco, salvo a falta de energia elétrica nos transmissões e outros quetais. O rádio está, inclusive, na internet. E nós torcedores conseguimos assistir aos jogos pela televisão, ao vivo, com precisão e uma sequência incrível de cenas captadas por câmeras espalhadas em todo o campo. O Grêmio também é outro, foi campeão Mundial uma vez, Brasileiro e da Libertadores, duas, e é visto por seus adversários como um inimigo difícil de superar. É com base nesta imagem que vejo o empate deste domingo contra o mesmo Atlético Mineiro, um dos protagonistas da história radiofônica descrita por meu pai, como um bom resultado para quem ainda tem pretensões de chegar a mais um título brasileiro. Verdade que naquela época, anos 60, também éramos pretensiosos, mas ainda não tínhamos a fama de Imortal Tricolor. E isso conta muito.