Não aborde seu chefe no banheiro!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Com a folga liberada pelo Carnaval resolvi dar uma olhada geral em meus livros. Eis que, o passado de quinze anos surgiu através de Max Gehringer com o título “Não aborde seu chefe no banheiro!”. No livro, Gehringer enfatiza que é preciso evitar a qualquer custo:

 

  • Falar com o chefe se ocasionalmente encontrá-lo no banheiro
  • Interromper o chefe por gestos com ele ao telefone
  • Explicar a fala do chefe quando ele terminar de falar
  • Tratar o chefe como “intimo” na frente de terceiros
  • Interromper o chefe

 

Antes de prosseguir na leitura de tópicos que me levaram ao passado de forma divertida e inteligente, não pude deixar de recordar uma experiência similar que tive.

 

Foi em 1975 no CDI Conselho de Desenvolvimento Industrial do Ministério da Indústria e Comércio, ainda sediado no Rio de Janeiro. Estava acompanhando o processo que tinha encaminhado para obtenção de isenção de tributos sobre equipamentos têxteis no expressivo valor de US$ 500 mil, correspondendo a 100% do preço.

 

Os equipamentos estavam no porto e a empresa precisava da isenção porque os impostos não tinham sido previstos. A fábrica já estava pronta aguardando os teares.

 

Não havia tempo a perder, tomei um avião e me dirigi à sala do Secretário Geral Dr. Bello, homem forte do setor predominante naquela fase de crescimento do país. Na espera do atendimento a ser feito, vi quando o Secretário se dirigiu ao banheiro. Fui atrás e posicionado ao lado dele, cumprimentei-o declinando meu nome e o da minha empresa.

 

Sem aperto de mão, claro!

 

Dias depois recebi o telefonema do Assessor, informando que o meu pedido fora aprovado, e  a cena do banheiro foi citada pelo Dr. Bello como prova do árduo trabalho que desenvolvia no ministério.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

“A Noite da Virada”: comédia de qualidade estreia no banheiro mais próximo da sua casa

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A Noite da Virada”
Um filme de Fabio Mendonça
Gênero: comédia.
País: Brasil

 

 

ESTREIA DIA 18/12

 

O filme se passa na festa da noite de Reveillon. Ana, a anfitriã, convidou vários conhecidos, e parece que a festa será muito animada mas tudo – e mais um pouco – começa a dar errado. A maior parte do filme se passa nos banheiros da festa pois é uma adaptação da peça “O Banheiro”, de Pedro Vicente.

 

Por que ver: É um filme escandalosamente engraçado. As referências cinematográficas são excelentes, a direção muito inteligente; pois, vamos combinar, não é fácil segurar um filme inteiro em quase só uma locação e não ficar monótono! Os atores estão hilários! Julia Rabelo segurou a onda de protagonista mostrando que consegue ir além de algumas esquetes do Porta dos Fundos. João Vicente de Castro é impagável o tempo todo. A pequena grande atriz Luana Martau arrasa, Martha Nowil idem, Marcos Palmeira sempre bom, Luana Piovani consegue se emocionar em uma cena totalmente engraçada (isto é bem difícil), e tem também o Tamaturgo Ferreira, que fica engraçado apenas abrindo a boca pois aquela voz dele é demais. Que delícia assistir a um filme nacional que te prende do início ao fim e proporciona um momento de total diversão como este.

 

Como ver: Depois de algum perrengue bem bravo! Você terá um excelente momento de terapia do riso.

 

Quando não ver: saindo de uma rehab, se você tiver estômago fraco ou TOC de limpeza. Gente, a escatologia é gritante (a ponto de fazer o cinema inteiro gritar e depois cair na gargalhada de maneira coletiva). Ou você desmaia ou também pode te curar de vez! Terapia de choque. ECA!!!!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sempre disposta a deixar seu cinema mais interessante, escreve toda semana no Blog do Mílton Jung

Acampa Sampa: troca de afago e banheiro para o público

 

O pessoal do Acampa Sampa resiste no Vale do Anhangabau, centro de São Paulo, e o colaborador deste blog, Devanir Amâncio, da ONG EducaSP, toda vez que passeia por ali registra um momento desta ação. Para esta sexta-feira, publico dois “flagrantes” do local, assinados e fotografados pelo Devanir:

Banheiro do Ocupa Sampa

A privada do Ocupa Sampa – no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo – é de verdade e também poderia ser interpretada como um inteligente protesto contra a falta de banheiros públicos na cidade, e a falta de saneamento básico no Brasil e no mundo, principal causa de morte por diarréia, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O sem-teto Antonio da Silva Monteiro,40,pintor e pedreiro, diz que ainda não assimilou o objetivo do Ocupa Sampa, e não sabe nada sobre os 7 bilhões de pessoas no mundo, mas levou seus préstimos ao movimento: construiu um banheiro com plástico e pedaços de madeira encontrados no lixo.

“Fiz rapidinho…Se o prefeito usasse a cabeça construiria vários desses no centro. Na hora do aperto ninguém liga pra luxo[…]

Uma turista alemã achou fantástica a ideia do sem-teto.

Tapume do amor

O Movimento Ocupa Sampa quer melhorar  a comunicação com o povo  e transmitir seus objetivos com clareza.  Projetou no tapume da Praça da Artes – em construção – no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo, um frase cercada de coraçõezinhos: ” Kassab, mais amor por favor”.

                                           

Ex-Base da GCM dá segurança só para pombos

 

Ex-base da GCM

Nem segurança, nem necessitados, apenas pombos.

É o que restou na ex-base da Guarda Civil Metropolitana no Vale do Anhangabaú, centro da cidade, onde também havia um banheiro público.

Desativada desde 2007, a prefeitura fez promessa pública, no CBN SP, um ano depois, de que o local seria reformado e o policiamento voltaria. Mais um ano se passou e a desculpa foi de que houve mudança de orientação.

Agora não há mais o que esconder. Melhor, há sim. Escondeu-se os restos da base e do banheiro atrás de um paredão de concreto, novinho em folha e que guardará para sempre – ou até nova orientação e promessa – as dependências usadas pelos guardas e pelas pessoas que se socorriam em um dos poucos banheiros públicos na região.

Apenas um casal de pombos habita no local se aproveitando de uma pequena abertura no muro. Privilegiado casal que assiste ao movimento do centro com total segurança. O mesmo não se pode dizer daqueles que passeiam pelo Vale

Da estupidez da enchente à gentileza do banheiro

 

Por Abigail Costa

– Moço qual é o próximo voo?
– Para onde senhora?
O moço elegante e engomado da companhia área parecia surpreso.
– Destino? Qualquer um, desde que a chuva não pare a cidade.

Esse diálogo só aconteceu na minha cabeça, tamanho o desespero de ficar três horas e 10 minutos para percorrer 23 quilômetros do trabalho para casa.

Deu fome e pra encher o estômago água. A água engana mas enche a bexiga, logo…
O negócio começou a apertar.

No rádio, o Eros Ramazzotti cantava “Unica come sei”. E eu respondia: única e sem saída. Assim que encontrei uma, tive que decidir: entre a Marginal congestionada e a avenida lotada. Optei pela avenida. Pelo menos tinha a chance de encontrar um boteco – meu interesse imediato era um banheiro.

Nada de restaurantes, bares.
Um posto no meio do caminho, no meio do caminho um posto.
Aleluia !

Já não tinha mais vontade de nada. Sentia dores. Na bexiga? Nem sei dizer, já estava generalizada, sem exageros. Parei o carro, desci meio curvada tentando me equilibrar no salto alto (tão elegante sempre, e tão ridículo naquele momento).

Meu primeiro olhar encontrou a placa SANITÁRIO. Foi tipo paixão à primeira vista. Ela piscou pra mim. Antes precisava localizar o frentista. Estava na cara que a porta estava trancada. Imaginei uma linha reta e mirei o rapaz gordo de boné vermelho.

– Posso usar o banheiro?
Ele sem nenhum pudor:
Vai trocar o óleo, hein?
Não entendi a brincadeira, ou não quis. Queria sim um banheiro.

Sorridente, ele saca um galão de óleo vazio que servia para segurar uma pequena chave. Agarrei o galão como um troféu e me mandei. Claro que a caminha ao meu destino não foi fácil. Passar entre os carros com aquele negócio nos braços, chamava a atenção. E muito.

Alguns motoristas sabiam exatamente onde eu ia. Certamente muitos já teriam passado por isso. Mirei a setinha enquanto pensava: Mesmo que não tenha papel já tô no lucro. Quando abri a porta, estava num oásis. Limpeza, papel higiênico, papel toalha e sabonete líquido. Nem acreditei.

Passada mesmo fiquei quando li na parede:

“Senhores clientes, caso não encontre o recinto limpo, sem papel ou com problemas de iluminação, aperte a campanhia e avise a gerência”.

Como assim? Estou fora de São Paulo ?

Aquilo me fez engolir a vergonha que estava sentindo em ser paulistana e sentir orgulho das pessoas que tentam fazer desta cidade um pouco melhor. Evidentemente, fui agradecer ao frentista. Ele ficou até meio sem graça. Talvez como eu, não esteja acostumado a gentilezas.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung e teve de encarar com altivez o temporal de ontem na cidade de São Paulo

Meu lar é o banheiro

 

Morador de banheiro

Por Devanir Amâncio

Se não é humano morar em um banheiro público abandonado, no Vale do Anhangabaú, a 50 metros da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social, sobrevivência e criatividade se equilibram. Mulheres grávidas, crianças, adolescentes e outros visitantes dividem o teto. No entorno do maior chafariz da cidade – coberto de lodo – homens descamisados que lembram os simpáticos caiçaras de Ilha Bela. Ao lado do banheiro, latas sobre pedras e fogo; panelinhas de ferro e pedaços de madeira queimados se misturam a bananas assadas. Um cachorro meio amarelado come o tempo todo um punhado de comida: um mexido de feijão de corda, farinha de mandioca, jiló e ovo. A atração fica por conta de um tapume grafitado, muito bonito, cercando o espaço. É admirado por quem passa e pergunta: “o que tem lá dentro?”.

São Paulo terá banheiro público-privado

 

Banheiro públicoUrologistas do Hospital das Clínicas chamaram atenção ao lançar guia sobre a necessidade de haver banheiros públicos à disposição do cidadão. Estavam preocupados, principalmente, com as pessoas que sofrem de incotinência urinária, bexiga hiperativa e problemas de próstata. Também, com o fato de que conter a urina por muito tempo propicia problemas de saúde. A falta deste equipamento é sentida quando se circula no centro de São Paulo.

Foi na administração Paulo Maluf que se fechou boa parte dos banheiros públicos localizados nas áreas externas das estações do Metrô. Alegava dificuldade para conter o vandalismo e atos sexuais pouco recomendáveis em público. Desde então, para os paulistanos restaram o paredão mais próximo ou a condescendência dos donos de bares e padarias, que muitas vezes só ocorre após o pagamento do cafezinho.

São Paulo agora estuda a possibilidade de “privatizar” os banheiros públicos. Ou criar os banheiros públicos-privados, conforme projeto apresentado à Emurb. Os donos de restaurantes, bares e padarias que aceitarem o acordo abrem seus banheiros para quem quiser entrar e em troca podem colocar uma placa (15 x 15) na parte externa com o nome de quem financia a parceria. Pode ser o nome do próprio restaurante ou de algum patrocinador. Da mesma forma como ocorre com as praças.

Na entrevista para a Fabíola Cidral, o secretário municipal das Subprefeituras Andrea Matarazzo passou a imprensão de que banheiro público (saúde pública, segundo os urologistas do HC) não é prioridade. Ao ouvir a entrevista, o ouvinte-internauta Edivaldo Ferreira lembrou de um banheiro que encontrou em Santiago do Chile e nos enviou a foto que ilustra este post. Além de público, limpo e disponível, também é inclusivo, pois tem acesso para pessoas com deficiência.