50 debates para o Brasil: planos de saúde populares ampliam o acesso ou deixam pacientes desprotegidos

Planos de saúde com mensalidades mais baixas podem facilitar o acesso a consultas e exames, mas deixar de fora internações, cirurgias e tratamentos complexos. O tema foi discutido na série 50 Debates para o Brasil, do Jornal da CBN, por Bruno Sobral, diretor-executivo da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde), e Lígia Bahia, professora do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Os planos populares ofereceriam uma cobertura mais limitada do que os convênios tradicionais. A principal dúvida é o que aconteceria quando um exame identificasse uma doença grave. Sem cobertura para as etapas seguintes, o paciente teria de recorrer ao Sistema Único de Saúde.

Mais acesso a consultas e exames

Bruno Sobral defendeu a regulamentação de serviços que já são oferecidos por cartões de desconto e clínicas populares. Segundo ele, essas empresas não estão sujeitas às mesmas exigências impostas às operadoras de planos de saúde, como garantias financeiras, obrigações com os clientes e regras para a rede de atendimento.

“Esse produto, esse serviço, já existe. Ele não está sendo inventado”, afirmou.

Na avaliação do diretor da FenaSaúde, permitir a oferta regulada de planos mais baratos aumentaria o número de pessoas atendidas e facilitaria a realização de exames preventivos. Ele citou a mamografia como exemplo de procedimento capaz de identificar precocemente uma doença e ampliar as possibilidades de tratamento.

Sobral reconheceu que esses planos não resolveriam todas as necessidades do paciente. Por isso, defendeu uma articulação com o SUS para dar continuidade ao atendimento quando fossem necessários procedimentos não cobertos. Para ele, o diagnóstico precoce também poderia reduzir os custos futuros do sistema público.

O risco da assistência fragmentada

Lígia Bahia afirmou que planos com cobertura reduzida podem criar uma falsa sensação de segurança. O paciente paga para realizar consultas e exames, mas pode descobrir que não tem proteção justamente quando precisa de cirurgia, internação, medicamentos caros ou tratamento contra o câncer.

“Você está colocando sua vida em risco. Isso é uma enganação”, disse.

A professora lembrou que a Constituição define a saúde como um direito e prevê atendimento integral. Na visão dela, separar o diagnóstico do tratamento fragmenta o cuidado e transfere ao SUS as etapas mais caras da assistência.

Lígia defendeu uma articulação entre os setores público e privado, desde que as políticas de saúde sejam orientadas pelo interesse público. “Os negócios têm que se encaixar na Constituição de 1988, não o contrário”, afirmou.

O debate expõe uma escolha que vai além do preço da mensalidade. Planos populares podem abrir uma porta para consultas e exames, mas essa porta precisa levar a algum lugar.

“50 Debates para o Brasil” tem a produção de Carlos Grecco e Leticia Valente. As entrevistas vão ao ar, de segunda a sexta, logo após às 8h30 da manhã, no Jornal da CBN.

Dez Por Cento Mais: Matheus Rotta explica como prevenir o câncer colorretal

“Quanto mais cedo eu fizer o diagnóstico, maior a possibilidade de cura.”

O câncer colorretal pode crescer sem produzir sintomas e, quando descoberto no estágio inicial, apresenta até 90% de possibilidade de cura. A doença, que atinge o intestino grosso e o reto, tem aparecido em pessoas cada vez mais jovens, segundo o médico coloproctologista Carlos Matheus Rotta, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes. Prevenção, sinais de alerta e diagnóstico precoce foram temas de entrevista no Dez Por Cento Mais, apresentado pela jornalista e psicóloga Abigail Costa.

O médico explicou que o câncer se desenvolve a partir de uma alteração nas células, que passam a crescer de maneira desordenada. No caso do câncer colorretal, fatores relacionados à alimentação e ao estilo de vida podem contribuir para o aumento do risco.

“Na fase inicial do câncer colorretal, ele é curável. Isso que é o mais importante. Se nós pegarmos na fase inicial, nós chegamos a ter 90% de cura”, afirmou.

De acordo com Rotta, a incidência da doença é maior a partir dos 50 anos, mas a idade recomendada para iniciar a investigação vem sendo reduzida. Ele defendeu que pessoas a partir dos 45 anos conversem com um médico sobre o rastreamento, principalmente quando existem casos de câncer na família.

Uma das formas de rastreamento é a pesquisa de sangue oculto nas fezes. O teste consegue identificar pequenos sangramentos que não são percebidos a olho nu.

Um resultado positivo não significa que a pessoa esteja com câncer. Indica, porém, que existe um sangramento e que a causa precisa ser investigada. A partir desse resultado, o paciente pode ser encaminhado a um coloproctologista ou cirurgião do aparelho digestivo. A colonoscopia é o principal exame para observar o interior do intestino, identificar lesões e retirar pólipos.

Colonoscopia também previne a doença

A maioria dos casos de câncer colorretal se desenvolve a partir de pólipos, pequenas formações que surgem na parede interna do intestino. Nem todo pólipo se transforma em câncer, mas alguns precisam ser retirados e analisados.

Segundo Carlos Matheus Rotta, um pólipo com potencial de malignidade pode levar pelo menos cinco anos para se transformar em câncer. Esse intervalo oferece uma oportunidade para identificar e retirar a lesão antes que a doença se desenvolva.

“Que melhor tratamento para o câncer do que você tirar a chance de ser? Não existe. Então, a colonoscopia é feita para isso”, disse.

A frequência com que o exame deve ser repetido varia de pessoa para pessoa. Depende do tipo e da quantidade de pólipos encontrados, do histórico familiar e do intervalo em que novas lesões aparecem.

O médico também abordou o medo da colonoscopia. Ele explicou que o preparo intestinal, necessário para eliminar as fezes e permitir a visualização da parede do intestino, costuma causar mais incômodo do que o exame.

“Se não sair tudo, pode ser que bem no local onde ficou um pouco de fezes ali está o tumor e você não vê”, alertou.

A presença de sangue nas fezes é um dos principais sinais de alerta. Rotta ressaltou que muitas pessoas atribuem o sangramento à hemorroida e adiam a procura por atendimento médico.

“Tirar isso da cabeça que só hemorroida sangra. Sangrou, o médico tem que pensar primeiro num câncer”, afirmou.

Outro sintoma é a sensação persistente de que a evacuação não foi completa, mesmo depois de a pessoa sair do banheiro. Esse quadro é conhecido como tenesmo. Fezes mais finas também merecem atenção, pois podem indicar uma redução do espaço interno do intestino.

Mudanças persistentes no funcionamento intestinal precisam ser investigadas. Uma pessoa pode evacuar mais de uma vez por dia ou passar dois ou três dias sem ir ao banheiro sem que isso represente uma doença. O sinal de alerta aparece quando o ritmo habitual se altera sem uma explicação conhecida.

“Todo mundo um dia teve diarreia, um dia ficou preso. Então, são sintomas que são normais, mas, se persistentes, não são”, explicou.

Emagrecimento sem causa aparente e anemia sem origem identificada também podem estar relacionados ao câncer colorretal.

Histórico familiar exige atenção antecipada

Pessoas com parentes de primeiro grau que tiveram câncer colorretal devem iniciar o acompanhamento mais cedo. O médico citou ainda a relação com históricos familiares de câncer de mama e de útero.

Pacientes com doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, também precisam de acompanhamento médico regular.

O medo do diagnóstico, segundo Rotta, pode levar algumas pessoas a ignorar os sinais. Essa demora reduz as possibilidades de tratamento.

“A melhor coisa é vir aqui e eu falar: ‘Não é nada’”, afirmou. Nos estágios mais avançados, as possibilidades de cura diminuem, embora o tratamento ainda possa beneficiar parte dos pacientes.

O médico também fez um alerta sobre o abandono do tratamento indicado em favor de terapias alternativas. Para ele, práticas complementares não devem substituir cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou qualquer outra conduta definida pela equipe médica.

Alimentação, atividade física e rotina intestinal

A prevenção também passa pelo estilo de vida. Rotta recomendou uma alimentação com frutas, verduras, legumes, grãos e produtos integrais. Esses alimentos fornecem fibras, que ajudam a formar o bolo fecal e facilitam o funcionamento do intestino.

“A laranja não se chupa, se come. Se você chupar, você não ingere fibra nenhuma”, exemplificou. Segundo ele, a parte branca da fruta e as cascas comestíveis são fontes de fibras.

O médico sugeriu variar os alimentos para que a mudança possa ser mantida. Em vez de concentrar a dieta em uma única fruta, a pessoa pode alternar frutas, verduras, legumes e grãos.

“A alimentação saudável está mais na feira que no supermercado. Lembre-se disso”, disse.

O consumo de carnes processadas, como salsicha, presunto, salame e mortadela, deve ser reduzido. Rotta também recomendou evitar o cigarro, o excesso de bebidas alcoólicas e o sedentarismo.

A atividade física não depende necessariamente de uma academia. “Uma caminhada diária de 20 minutos já é o suficiente para o intestino funcionar”, afirmou.

Criar um horário para ir ao banheiro, de preferência depois de uma refeição, também pode ajudar. Quando a comida chega ao estômago, o organismo produz um estímulo para o funcionamento do intestino. Respeitar essa vontade e evitar segurar a evacuação contribui para estabelecer uma rotina intestinal.

Observar as fezes faz parte desse cuidado. Sangue, alterações persistentes no formato, na consistência ou na frequência devem ser levados ao médico.

“Mais importante que tudo para o câncer de colo é informação. Você sabendo, você procura e nós vamos diminuir as mortes por câncer de colo”, concluiu.

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Dez Por Cento Mais: psicóloga Beatriz Breves diz que não ter medo de sentir ajuda a chegar ao fim do ano

Detalhe da capa do livro “Falando de Sentimentos”

Dezembro tem um jeito próprio de cobrar a conta do ano. O corpo segue, a agenda insiste, as festas aparecem no calendário, e a cabeça começa a fazer balanços que ninguém pediu. Na conversa com a psicóloga e escritora Beatriz Breves, uma pergunta atravessa o período: como cuidar da saúde mental ao longo dos meses para não chegar ao fim do ano esgotado? O tema foi discutido no programa Dez Por Cento Mais, apresentado pela psicóloga e jornalista Abigail Costa.

Autora do livro “Falando de Sentimentos” (Mauad X), Betriz propõe um critério direto para perceber quando o desgaste passou do ponto: “Sofrimento. Excesso de sofrimento”. Ela faz uma distinção importante: sofrer faz parte do caminho. O problema começa quando a dor “atrapalha” o cotidiano, o trabalho e os afazeres. Nesse caso, a orientação é clara: buscar ajuda. “A medida é o quanto a pessoa aguenta… quanto você aguenta o peso”, resume.

A conversa também vira o espelho para o outro lado da balança: o que seria um ano emocionalmente bem vivido? Para Beatriz, não é um inventário de metas cumpridas para agradar os outros. É mais íntimo e menos exibível: “um ano que você tá satisfeito com o que você é e fez”. Ela reforça que não existe régua única. “Cada ser humano é único”, diz, ao criticar a mania de enquadrar pessoas em modelos de sucesso e produtividade.

Metas, comparações e o cansaço de viver a vida do outro

Ao falar de metas, Beatriz usa uma imagem simples: saber tudo sobre bicicleta não ensina ninguém a pedalar. “Para realizar, a gente tem que viver”, afirma. A crítica dela mira o excesso de teoria e a promessa repetida, ano após ano, sem experiência concreta no meio do caminho.

A pressão social aparece como motor desse cansaço. “A pessoa às vezes se exige… por uma exigência social”, observa, citando exemplos comuns: corpo, hábitos, fins de semana, padrões de vida. O ponto, segundo ela, não é abandonar a saúde ou desistir de melhorar. É calibrar o que cabe. “A gente tem que viver o que a gente é. Simples assim. A vida é muito simples. A gente é que o complica.”

Essa lógica se conecta a um tema recorrente no fim do ano: a ansiedade. Beatriz define de forma direta: “A ansiedade é você estar perdido em si mesmo”. A saída, para ela, começa num gesto pequeno: parar, reconhecer o tumulto interno e reconstruir um caminho possível. “Calma. Confia”, diz, como quem dá um comando simples para uma mente que está acelerada.

Sentimentos não andam sozinhos

Um dos pontos centrais da conversa é o que Beatriz chama de alfabetização emocional — a capacidade de nomear o que se sente. Ela afirma que muita gente trava quando é convidada a listar emoções: “Me dê 10 sentimentos. As pessoas não conseguem.” A partir daí, ela desmonta uma ideia comum: a de que um sentimento aparece isolado. “A tristeza é uma orquestra”, explica. Por trás do que está em primeiro plano, há outras emoções sustentando a pessoa, mesmo que discretas.

Ela dá outro exemplo, com o amor: “O amor constrói depende com quem ele tá andando.” Se caminha com posse, ciúme e inveja, vira destruição. Se anda com altruísmo e generosidade, pode virar construção. A chave está no conjunto e, principalmente, no que se faz com aquilo que se sente. “O problema não é sentir, o problema é o que você vai fazer com o que está sentindo.”

A inveja, um sentimento que costuma ser escondido, também surge na conversa. Beatriz defende o reconhecimento, não a celebração. “Se eu posso sentir inveja e devo sentir inveja”, diz, explicando que perceber o que está dentro ajuda a ler o que acontece fora. O trabalho, então, passa a ser de contenção da ação e transformação do estado emocional, não por apagamento, mas por mistura, como na metáfora do café com leite: “você pede um café e põe o leite, aí já não é mais café, nem leite”. 

Coragem para escolher o que é coerente

Quando a conversa chega ao tema das prioridades, Beatriz aponta para uma coragem pouco valorizada: escolher diferente da maioria. “É preciso coragem para você tomar uma decisão que a maioria não toma.” Ela conta uma história de início de carreira, em que decidiu seguir a própria intuição na inscrição de um concurso. O desfecho virou argumento: escolhas carregam risco, e a gente só conhece o caminho depois de andar. O termo que ela escolhe para amarrar esse raciocínio é “coerência”: “A gente tem que ser coerente com o que está sentindo, com o que está vivendo e com as nossas escolhas.”

No fim do ano, essa coerência costuma ser testada pela saudade, pela nostalgia e pelo balanço do que mudou. Beatriz descreve o período como uma “salada de frutas” de emoções: lembranças de quem se foi, comparações inevitáveis, uma sensação de que “várias vidas” cabem dentro de uma vida só. O cuidado, segundo ela, não é abafar o passado nem viver preso nele. É reconhecer o sentimento, “convidá-lo” e seguir sem ficar refém.

Ao falar de compaixão e cobrança, ela recorre a uma experiência antiga numa enfermaria com pacientes idosas. O aprendizado, segundo Beatriz, vinha do contraste: quem conseguia olhar para trás com algum grau de satisfação sofria menos. Ela sintetiza a lição num formato que serve para qualquer idade: não dá para fazer tudo, mas é possível buscar uma vida em que “o que eu fiz me satisfez”.

A dica final do episódio, com a marca do Dez Por Cento Mais, vira quase um bilhete de fim de ano sem frase feita: “Não tenha medo de sentir… se permita se conhecer.” Para Beatriz, a dificuldade maior não é a falta de informação. É a falta de contato consigo. “A gente tem um mundo interno tão grande quanto o externo”, diz, lembrando que o autoconhecimento não é luxo; é higiene emocional.

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O que o sono faz pelo seu bem-estar

Entre todos os pilares do bem-estar, o sono é o que mais me inquieta. Minha rotina começa às 4h15 da manhã, e não há despertador que convença o corpo de que acordar tão cedo é algo natural. Talvez por isso eu esteja sempre à procura de novas explicações que me ajudem a entender como lidar melhor com esse descanso tão necessário, e tão desafiador, para quem vive entre programas de rádio, entrevistas, leituras e outras tarefas essenciais (?) como assistir ao meu time de futebol jogar até tarde da noite..

O que a ciência revela apenas reforça essa inquietação. Não se trata apenas de dormir um certo número de horas; trata-se da qualidade do percurso que o cérebro faz durante a noite. Estudos mostram que noites interrompidas, sejam por insônia, apneia ou despertares frequentes, aumentam o risco de demência e comprometem funções como memória, atenção e velocidade de raciocínio anos mais tarde.

Duas fases, em particular, cumprem um papel decisivo nessa história: o sono profundo e o sono REM. No primeiro, o cérebro regula hormônios, organiza o metabolismo e ativa seu sistema de “lavagem interna”, removendo resíduos como as proteínas associadas ao Alzheimer. No segundo, processa emoções, consolida lembranças e ajusta os circuitos que usamos para aprender e tomar decisões.

Quando essas etapas falham, o desgaste aparece. Pesquisas de longo prazo mostram que a falta crônica dessas fases acelera a atrofia de áreas ligadas à memória — um declínio semelhante ao observado nos estágios iniciais do Alzheimer. Não se sabe ao certo se a privação de sono causa a demência ou se as duas condições se alimentam mutuamente. O que os cientistas afirmam, com segurança, é que o sono ruim cobra um preço.

O desafio, para quem acorda antes do sol, é encontrar algum equilíbrio. Sete horas por noite é a recomendação mais clara, porque permite ao cérebro completar ciclos suficientes para se recuperar. Exercícios físicos, aprender algo novo e manter horários consistentes também ajudam a aprofundar o descanso. No fim das contas, o melhor termômetro é simples: como me sinto ao despertar? E quanto tempo demoro para adormecer de novo quando a noite é interrompida?

Continuo ajustando essa equação, ciente de que dormir bem não é luxo — é manutenção preventiva. Quando o cérebro consegue apagar a luz, reorganizar a casa e limpar o que não serve, a vida clareia. Mesmo para quem madruga.

Por que escolhemos acreditar?

Dr Nina Ferreira

@psiquiatrialeve

Por que escolhemos acreditar?

Porque precisamos.

Acreditar é pensar que é possível, visualizar uma melhora, sentir esperança.

Quando acreditamos: tentamos estudar para evoluir na carreira; tentamos mudar a forma de trabalhar para conseguir mais retorno financeiro; tentamos desenvolver qualidades como disciplina e coragem para vencer nosso comodismo e nossos medos.

Para a vida ser construída, é necessário refletir, desejar algo, planejar o caminho até lá e executar. Percebe que é necessário muito movimento?

Então, escolhemos acreditar porque é isso que nos faz seguir em frente. Venhamos e convenhamos, não é nada fácil aguentar frustrações, fazer esforço, abrir mão de sombra, descanso, prazer…  Se não temos um motivo pelo qual tolerar isso tudo, dia a dia, empacamos. E quando empacamos, vai só ladeira abaixo.

Então, diga para mim: você tem selecionado com cuidado e intenção aquilo em que você acredita? Em quem você se espelha como referência? Que tipos de planos você constrói? Quais são os sonhos que enchem seus olhos de brilho?

Você acredita no que TE importa ou você compra as crenças da família, dos amigos que parecem bem-sucedidos, da sociedade?

Perceba que escolher acreditar e selecionar em que e em quem acreditar é a força motriz dos seus passos pela vida. Você pode não perceber, mas isso está moldando seu presente e seu futuro.

Já que precisamos acreditar (por uma questão de sobrevivência, inclusive), reflita bem sobre o que tem te movido. Para muito além de escolher acreditar, escolha concretizar um legado que seja seu – e que seja agradável de vivenciar, no hoje e no amanhã.

Escolha acreditar em ser, genuinamente, você.

Dra. Nina Ferreira (@psiquiatrialeve) é médica psiquiatra, especialista em terapia do esquema, neurociências e neuropsicologia. Escreve a convite do Blog do Mílton Jung.

Sobre esquecer o passado

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

“Às vezes é preciso parar e olhar para longe,

para podermos enxergar o que está diante de nós”

John Kennedy

O filme “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” (2004) traz a história de Joe e Clementine, um casal que após diversas tentativas para que o relacionamento dê certo, opta por esquecer um ao outro. Para isso, eles contratam uma empresa com tecnologia especializada em apagar as lembranças dolorosas. Porém, no meio do processo, Joe percebe que também tem boas memórias sobre Clementine e não quer perdê-las, apesar do rompimento atual.

Na ausência de uma tecnologia que nos permita tal feito e embalados pela ficção, se você pudesse apagar da sua mente as lembranças indesejadas, você o faria?

Me desculpe a insistência das perguntas, mas você desejaria apagar apenas as lembranças “ruins”? E por que não as “boas” memórias?

A resposta pode parecer óbvia, mas se assim for, compreendo que o desejo não é pelo esquecimento das experiências ou aprendizagens, mas sim, para evitar o sofrimento que essa lembrança evoca.

Nossas memórias, sejam de experiências boas ou dolorosas, falam da nossa história. Falam sobre quem somos. E se somos quem somos, é porque nossas experiências nos permitiram as aprendizagens sobre a vida, sobre o mundo e sobre nós mesmos, constituindo a nossa identidade, isso que nos torna únicos.

Não é possível registrar apenas o lado bom da vida. Porque isso não seria a vida real… Isso não significa que precisamos viver afunilados pelas situações dolorosas. Porque isso também não exprime tudo o que vivemos. Mas é preciso olhar além…

Onde estamos quando tantos sofrem os horrores da guerra?

Onde estamos quando tantos sofrem a devastação causada pelas mudanças climáticas?

E se apagássemos isso da nossa memória, numa busca desenfreada para mantermos apenas as lembranças positivas?

Só poderemos agir de maneira diferente e construir uma vida mais significativa, se olharmos para as nossas vivências e compreendermos o que elas nos ensinam.

Viver exige que estejamos de olhos bem abertos. Não me refiro, obviamente, à capacidade visual. Viver exige que estejamos presentes em nossas próprias vidas. E estar presentes em nossas vidas significa viver o momento atual, esse mesmo que muda o tempo todo e não nos pede permissão.

Diante dos desafios em vivermos o momento presente, muitos buscam em medicamentos as soluções para driblar o cansaço da rotina extenuante. Muitos buscam em medicamentos as soluções para esquecer os problemas e dificuldades que se apresentam, como num entorpecimento da realidade, fugindo de suas vidas, mergulhados num sono que de tão rápida a sua chegada nem permite reflexões.

E assim, enveredamos pelos caminhos do não sentir: não queremos experimentar a tristeza, o medo, a solidão…

Evitar situações ou eventos que desencadeiam emoções difíceis não tem nenhum efeito permanente no nosso bem-estar. A evitação pode até diminuir temporariamente as emoções dolorosas, mas não terá nenhum efeito na maneira que reagiremos a essas situações ou eventos no futuro, porque cada emoção tem a sua função, mesmo aquelas que são mais difíceis. Elas nos comunicam sobre o que acontece a nossa volta, sobre o que nos acontece e nos motivam para a ação. Se desejamos esquecer algo, é porque sabemos que podemos construir algo melhor, mais significativo. Mas como saberíamos se nos esquecêssemos disso?

Sendo assim, espero que aquela pergunta inicial se torne obsoleta, porque como dizia o professor Iván Izquierdo:

“O passado contém o acervo de dados, o único que possuímos, o tesouro que nos permite traçar linhas a partir dele, atravessando o efêmero presente que vivemos, rumo ao futuro”.

Simone Domingues é psicóloga especialista em neuropsicologia, tem pós-doutorado em neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das fundadoras do canal @dezporcentomais, no YouTube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung. 

Na Semana do Sono, um convite para repensar a forma como dormimos, inspirado em Cristiano Ronaldo

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Acordar às 4h15 da manhã para trabalhar faz parte da minha rotina. Nada a reclamar! Considero-me um privilegiado. Levanto-me ainda na madrugada, de bem com a vida, para fazer o melhor que poderia desejar no trabalho que escolhi. Ao longo da carreira profissional, enfrentei horários ainda mais estranhos. Quando cheguei em São Paulo, em 1991, meu expediente começava à meia-noite. Mesmo que isso tenha acarretado alguns desgastes físicos e emocionais – e até um acidente de carro -, sobrevivi.

Apesar do horário em que acordo, vou para a cama mais tarde do que o recomendável, causando preocupação na família e espanto nos amigos. À medida que os anos passam – e já se foram 60 – presto cada vez mais atenção à necessidade de melhorar a qualidade do meu sono, um dos pilares de uma vida saudável, ao lado da alimentação, da atividade física e da saúde mental.

Minha curiosidade se intensificou ao saber que Cristiano Ronaldo, figura que dispensa apresentações, adota uma estratégia de sono que inclui dormir cinco vezes ao dia, por uma hora e meia — ao menos é o que li na manchete de um site. A imprecisão das notícias a respeito dos méritos do futebolista português sugeriu que, além das oito horas de sono noturno – consideradas ideais pela maioria dos especialistas – ele também fazia estas sestas durante o dia. Essa informação pareceu desencontrada, a conta não fechava, especialmente ao considerar os compromissos profissionais do craque.

Na realidade, Cristiano Ronaldo segue a “dieta do sono” de Nick Littlehales, um ex-jogador de golfe britânico que dedicou seus estudos a entender como podemos dormir com mais qualidade. Como principal “treinador do sono” de figuras notáveis do esporte, desde o ciclismo até o futebol, da NBA à NFL, Littlehales aplicou seus estudos em equipes como Manchester e Liverpool, bem como no British Cycling e no Team Sky. Ele é enfático ao desmentir o mito de que “dormir oito horas por noite” é essencial, uma ideia que tem tirado o sono de muitas pessoas, inclusive eu.

Interessante notar que o treinador não nega a necessidade de descansarmos cerca de um terço do dia. Contudo, está ciente de que manter um sono contínuo de oito horas é praticamente impossível. Obrigado, Nick!

Nesta semana, concluí a leitura de “Sono, mude seu modo de dormir em 90 minutos”, de Nick Littlehales, lançado no Brasil pela editora Rocco. O livro se mostrou providencial, não só pela minha crescente preocupação com o tema, mas também por coincidir com a Semana do Sono, que se celebra até o dia 17 de março, domingo. A obra esclareceu as notícias desencontradas sobre o hábito de sono de Cristiano Ronaldo e me fez repensar minha própria rotina de descanso.

Alerto, no entanto, que antes de você se arriscar por qualquer fórmula que possa lhe fazer dormir melhor, é fundamental que procure um médico de confiança e especialista no assunto e discuta a melhor estratégia, considerando sua rotina e necessidades.

Littlehales enfatiza a importância de respeitarmos o ciclo natural de 90 minutos do sono, crucial para não interrompermos as distintas fases pelas quais passamos enquanto dormimos. Ele sugere que, em 24 horas, devemos completar de quatro a cinco desses ciclos, sejam eles contínuos ou fragmentados, tal como Cristiano Ronaldo aparentemente pratica.

Contrariando a opinião da maioria dos especialistas, Littlehales vê a possibilidade de recuperarmos o sono perdido. Ele propõe que, se não conseguirmos completar os cinco ciclos de sono em um dia, tentemos alcançar 35 ciclos em uma semana. Porém, destaca: se dormimos mal durante a semana, não basta simplesmente prolongar o sono nos fins de semana.

O autor aconselha que definamos um horário para acordar e o sigamos religiosamente. Com base nisso, calculamos o total de sono necessário. Se planejamos acordar às 6h30, o momento de dormir deve ser escolhido para não interromper um ciclo de sono de 90 minutos, podendo ser às 21h30, 23h, 0h30, 2h, 3h30 ou 5h.

Na visão do ‘coach do sono’, descansar vai além de dormir. Integrar períodos de recuperação controlada (CRP), que durem 30 minutos, pode ser extremamente benéfico. Práticas como meditação, relaxamento e música são algumas das formas de CRP sugeridas por Littlehales.

A posição ao dormir também é crucial. Preferencialmente, devemos dormir de lado, com o braço predominante para baixo e os joelhos levemente dobrados, numa posição que remeta à fetal. Isso porque o cérebro se sente mais protegido e propenso ao relaxamento.

Antes de ir para a cama, é importante ‘descarregar’ o dia e se desconectar do celular, evitando distrações que possam impedir o sono. Dormir em um ambiente totalmente escuro, sem as luzes stand-by de eletrônicos, e manter o quarto em uma temperatura mais baixa do que o resto da casa são práticas recomendadas. Trocar as roupas de cama com frequência e considerar dormir sozinho para evitar perturbações mútuas também fazem parte das sugestões de Littlehales.

Refletindo sobre as orientações de Littlehales e aplicando-as à minha experiência, percebo que buscar um sono de qualidade transcende o âmbito pessoal, tocando numa necessidade coletiva. Nosso mundo valoriza a ocupação constante, muitas vezes em detrimento do descanso necessário. Porém, ao adotarmos uma abordagem mais consciente e adaptada ao sono, não beneficiamos apenas a nós mesmos, mas também fomentamos uma mudança cultural que reconhece e valoriza o descanso como um pilar fundamental para uma vida saudável e produtiva. Ao compartilhar nossas descobertas e práticas, podemos inspirar outros a repensar suas rotinas de sono, contribuindo para uma sociedade mais descansada, saudável e eficiente. Pensamento que se conecta com o tema central da Semana do Sono, promovida pela Sociedade Brasileira do Sono e entidades parceiras: “oportunidade de sono a todos para saúde global”.

Mundo Corporativo: Ernesto Haberkorn e 10 princípios para ter qualidade de vida

 

 

Ter sucesso na carreira profissional e manter a qualidade de vida é um desafio para os trabalhadores que vivem sob pressão e em busca de metas que muitas vezes parecem inatingíveis. Para ajudá-los a vencer esta batalha, o empresário Ernesto Haberkorn apresenta 10 princípios básicos que aplicou em sua própria vida com resultados positivos, nesta entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Haberkorn é diretor da TI Educacional e tem a carreira dedicada à área de tecnologia da informação. Ele foi um dos fundadores da TOTVS e lançou o livro Dicas Para Chegar Lá, distribuído gratuitamente em suas palestras. Para receber o livro em casa, basta fazer o pedido pelo e-mail ernesto@tieducacional.com.br

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, e você assiste, ao vivo, no site da rádio CBN. As perguntas podem ser enviadas para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

IRBEM: Educação foi nota 10, mas não é tudo

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Destacado pela mídia, o resultado da primeira etapa do Irbem – Indicadores de Referência de Bem-Estar – mostrou que o tema educação está no topo da lista de prioridades do cidadão. Não surpreende a escolha, haja vista a forte influência que teve a opinião de estudantes da rede pública em especial no ensino municipal que responderam o questionário apresentado pelo Movimento Nossa São Paulo. Das cerca de 36 mil pessoas que deram sua opinião, pouco mais de 22 mil são crianças e adolescentes.

Houve uma espécie de “lobby do bem”, expressão que usei em conversa pelo Twitter com o secretário municipal da Educação Alexandre Schneider que comemorou o resultado com toda razão. Dentro deste tema, são prioridade para as crianças “transporte escolar gratuito”, “escola limpa e conservada”, e “educação para os direitos das crianças e adolescentes”.

Apesar de os temas apresentados no levantamento inicial serem um bom sinalizador, este ainda não é um retrato das prioridades da cidade de São Paulo. O questionário foi aberto ao público, sem nenhum critério científico. Apenas se quis dar oportunidade para que a população participasse da construção desses indicadores de maneira democrática em vez de, simplesmente, apresentar à sociedade uma pesquisa dirigida.

Assim, poderemos saber o que realmente é importante para a capital paulista apenas após a apresentação do resultado final com base em pesquisa científica, com amostra proporcional aos vários segmentos da população de São Paulo, organizada pelo Ibope, que deve ser entregue em 19 de janeiro de 2010.

Leia mais sobre o tema e veja o resultado da consulta pública no site do Nossa São Paulo.

IRBEM prorroga entrega de questionário

 

A primeira etapa para construção dos Indicadores de Referência de Bem-Estar foi prorrogada por mais uma semana. Com 28 mil questionários entregues até agora e uma demanda que segue crescendo, o Movimento Nossa São Paulo ampliou o prazo para 7 de outubro, quarta-feira. Oportunidade que você terá para responder “O que é importante para a sua qualidade de vida, para o seu bem-estar ?” em 24 temas propostas que vão de educação a meio-ambiente.

Oded Grajew, do Nossa São Paulo, disse que a participação de empresas e das escolas tem sido importante nesta primeira etapa de onde sairá a base para pesquisa que será realizada uma vez por mês para identificar o nível de satisfação do paulistano com a sua cidade.

Ouça a entrevista de Oded Grajew, do Nossa São Paulo