Parques serão unidos por ciclovias, em São Paulo

 Foto da BikeTour 2009 do álbum de Alexandre Nascimento no Flickr

Do parque da Aclimação ao Ibirapuera; dali até o parque das Bicicletas é um pulo só; de lá até o parque do Povo e, depois, ao Villa Lobos. Este circuito poderá ser feito de bicicleta se a ideia em debate entre a Secretaria de Esportes e do Verde e Meio Ambiente convencer o prefeito Gilberto Kassab (DEM), mas, principalmente, se passar pela resistência da CET.

As ciclofaixas seriam abertas aos domingos pela manhã quando se calcula de 700 mil a 800 mil pessoas andam de bicicleta na capital paulista. Inicialmente, deve ligar apenas dois parques para depois se estender a locais mais distantes.

A inspiração de São Paulo são as ciclovias de Bogotá, na Colômbia, cidade que fez a opção pelo uso de transporte mais limpo e inteligente (incluo neste conceito, claro, o transporte público). No entanto, se o secretário Walter Feldmann, dos esportes, for a Porto Alegre, em um fim de semana, já encontrará experência semelhante quando as “Faixas Verdes” estão abertas.

Na capital gaúcha, existem faixas pintadas no asfalto que são usadas pelos ciclistas para sair de um parque a outro da cidade. Sábado e domingo, as pistas são das bicicletas. Durante a semana, não há exclusividade, mas a preferência naqueles locais é dos ciclistas (mas não recomendo que você acredite piamente no respeito do motorista de carro na hora do rush).
Calcula-se que em São Paulo existam 5 milhões de bicicletas e todos os dias 300 mil pessoas pedalam, muitos a caminho do trabalho. A quantidade de bicicletas na cidade pode parecer grande, mas ainda é menor do que a frota de carros, estimada em 6 milhões.

Ouça a entrevista do secretário de Esportes Walter Feldmann ao CBN SP

* Para ver outras fotos de Alexandre Nascimento clique aqui

Com que roupa eu vou

Cartaz da Pedalada Pelada
Indecente ? É perder 3.500 vidas em “assassinatos” no trânsito. Com esta chamada, os organizadores da Pedalada Pelada, em São Paulo, justificam a adesão ao evento que internacionalmente é conhecido por World Naked Bike Ride e deve se realizar em 150 cidades. Na capital paulista, mais puritanos, os participantes se contém e não costumam “vestir-se a rigor” para o encontro. No ano passado, apenas um ciclista avançou a “moral e bons costumes” sofrendo advertência policial.

André Pasqualini, ciclo-ativista, explica que a WNBR se iniciou na cidade espanhola de Zaragoza, em 2001, ganhando apelo mundial dois anos depois. “Muitos usam o nu como uma referência a sensação de insegurança e desproteção que o ciclista sofre no trânsito das grandes cidades. Já os naturistas, buscam celebrar a beleza do corpo humano, livre das ditaduras das belezas, onde nenhuma barriguinha ou celulite será perdoada”, escreve no Blog CicloBR.

Prá que ninguém fique com a mesma dúvida que a Odete, ouvinte-internauta, que deixou mensagem logo aí embaixo: o André Pasqualini não é organizador do WNBR São Paulo, apenas o utilizei como fonte da informação, pois mantém um blog de credibilidade e sempre está por dentro do que se realiza em torno da bicicleta. A propósito, não sei se ele ficou nu no evento do ano passado. Nem sei se ficará no deste ano. Se você quer tirar a dúvida, vá até a Paulista amanhã.

Foto-ouvinte: O cachorro e o ciclista

O ciclista e o cachorro

Foi um colega de escritório do ouvinte-internauta Pitter Rodriguez quem flagrou esta cena inusitada de um passeio de bicicleta na avenida Paulista. Se o melhor amigo do homem é o cão por que não levá-lo para dar uma volta de bicicleta. Clique na imagem acima e você verá mais uma série de fotos desta pedalada canina.

Alunos usam bicicleta para ir a escola

Bogotá tem sido exemplo para a melhoria do espaço urbano desde que a cidade assumiu o compromisso de melhorar a qualidade de vida dos seus moradores. A presença de entidades civis cobrando do poder público medidas coerentes e sustentáveis fez, por exemplo, que por lá se desenvolvesse projeto que incentiva o uso da bicicleta para as crianças irem a escola.

A ideia foi apresentada a diretoria do Colégio Véritas, em Sorocaba, pelo ativista André Pasqualini, um dos organizadores da Bicicletada, que ocorre toda última sexta-feira do mês, na avenida Paulista. Soube pelo Blog FelizCidadeFeliz, do ouvinte-internauta Roberto Neumann que, nesta semana, o programa foi lançado na cidade que fica próxima da região metropolitana de São Paulo:

Hoje, o colégio Véritas, em Sorocaba, provou isto ao lançar o projeto “Caminho para a Escola”. Agora, os alunos têm a opção de ir para a escola pedalando, acompanhado por monitores que fazem um itinerário – como as vans – e vão encontrando com os alunos e suas bikes pelo caminho. Na hora de ir embora é a mesma coisa: um itinerário, um monitor e a crianças com suas magrelas percorrendo o trajeto até a porta de casa. Para os pais mais corujas e superprotetores é possível acompanhar o filhote. Pedalando, claro! (trecho reproduzido do blog FelizCidadeFeliz)

Casa do Saber sugere uso de bicicleta, se possível

Ao anunciar sua programação para 2009, a Casa do Saber traz uma interessante orientação para todos que forem até uma das suas sedes em São Paulo. Alerta para o uso do serviço de manobrista e sugere que as pessoas deem preferência ao transporte público e “se considerar possível” usem a bicicleta para ir até a rua Doutor Mario Ferraz, no Jardim Paulistano.

A prática poderia se tornar comum no material de publicidade enviado pelas demais instituições comerciais ou não. Com o domínio do automóvel nos centros urbanos, a preocupação do comércio há muito tempo tem sido oferecer vagas para os carros, haja vista os shoppings e hipermercados que tem tanto espaço no estacionamento quanto dentro da área de lojas, quando aquele não é maior do que este. Muito recentemente, os locais para motos aumetaram, também. Resultado do fenômeno da procriação de motoboys. Os bicicletários, porém, são raros.

Na academia de ginástica que frequento, um dia desses, fui pegar meu carro estacionado pelo manobrista e o encontrei indevidamente encostado no que deveria servir de vaga para bicicletas. Verdade seja dita, jamais vi uma só bicicleta ali parada.

Eis o recado da Casa do Saber:

A Casa do Saber não é responsável pelo serviço de manobrista e recomenda que você procure alternaitvas seguras e rápidas para estacionar seu carro, principalmente no horário de entrada e saída dos cursos, quando o fluxo de pessoas é intenso. Há estacionamentos nas proximidades da rua mario ferra. para diminur os transtornos com o trânsito, você pode utilizar outros meios de transporte, como ônibus, metrô ou trem (nesse caso, consulte alguém da equipe para conhecer as linhas mais apropriadas). Você pode formar um grupo e vir de táxi. Se considerar possível, venha de bicicleta e guarde-a na garagem da Casa do Saber.

Foto-ouvinte: Por um trânsito ético

Bicicleta e ônibus

Reproduzo mensagem e foto enviados pelo ouvinte-internauta Paulo Assis.

“Milton,

Li diversos comentários a respeito de morta da ciclista na Paulista esta semana. Cada um com determinado ponto de vista e ao final de todos fica uma sensação de que o que, de uma maneira geral, o que falta é EDUCAÇÃO. Educação para a população pois esta é a base que nos dá conhecimento para possamos saber de respeito, direitos e deveres.

Encaminho aqui uma imagem que me chamou demais a atenção e gostaria de compartilhar contigo.

Há dois anos fomos, eu e minha esposa, em viagem de férias para o interior de Europa. Um dos lugares que fomos conhecer foi Salzburg ( Austria ) e lá flagrei a foto que te envio em anexo, onde na faixa de onibus e ciclovia ( a inidicação do chão mostra que são uma única ) há uma freira com seu habito à frente de um onibus. Não houve qualquer insulto ou mesmo buzina para que ela saísse do caminho.

Abraços,

Paulo Assis”

Alguém se dará conta que o volume de trânsito na cidade alemã, cenário da fotografia, é muito menor do que na capital paulista e usará este fato para justificar a violência nas avenidas e ruas de São Paulo. Mera desculpa. O problema aqui, como bem ressalta o ouvinte-internauta, é de educação, respeito.

Por um trânsito ético !

CET só multou um motorista por desrespeito a ciclista, em São Paulo

Foi uma das perguntas ao superintendente de planejamento da CET Ricardo Laíza, quantos motoristas foram multados por desrespeito ao ciclista. Durante a entrevista que foi ao ar nesta sexta-feira, no CBN São Paulo, ele disse que não tinha a informação naquele momento.

A pergunta tinha como objetivo apenas chamar atenção para a prioridade da fiscalização de trânsito na capital paulista, pois na conversa Laíza se esforçou para mostrar que a CET está agindo para reduzir a violência que resultou na morte de uma ciclista, nessa quarta. Citou a participação em discussões de grupo, estudos para implantação de ciclovias e palestras para motoristas de ônibus, como exemplos das medidas adotadas (?). Na realidade, reproduziu em parte o que dizia a nota da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente que está publicada um pouco mais abaixo aqui no

Na opinião dele, a morte de Márcia foi um caso isolado. O número de mortes de ciclistas está diminuindo, apesar de ainda ser alto (veja quadro da violência do trânsito aqui mesmo no blog). Para andar com segurança, o ciclista tem de ter noção de “direção defensiva”.

Pelo menos não aproveitou a situação para por a culpa na administração anterior, como fez o prefeito Gilberto Kassab (DEM) em entrevista na quinta-feira, ao repórter Fernando Andrade, da CBN.

Pelas mensagens que recebi desde que a entrevista foi ao ar – e, infelizmente, restrições técnicas no blog me impedem de reproduzi-la, assim como as demais feitas no programa -, as justificativas de Ricardo Laíza não covenceram os ciclistas da cidade que esperam muito mais da prefeitura.

André Pasqualini, um dos organizadores da Bicicletada, escreveu que também havia feito à CET a mesma pergunta sobre o número de multas por desrespeito a lei de trânsito que exige que os motoristas mantenham distância de até 1,5 m das bicicletas.

Leiam a resposta que recebeu:

Informamos que em pesquisa realizada foi encontrada 01 (uma) autuação no
enquadramento Código 589-4 (Deixar de guardar a distância lateral de 1,50m ao passar/ultrapassar bicicleta no período de dez/2007 a nov/2008. )

No CBN SP, Ricardo Laíza, apesar de não se lembrar do número de autuações, deu uma “resposta defensiva”: “há dificuldades técnicas para os fiscais da CET multarem este tipo de infração”.

Escolha pelo carro, matou a ciclista na Paulista, diz Osvaldo Stella

Ciclista, ambientalista e comentarista, Osvaldo Stella participa do quadro Ambiente Urbano no CBN SP, toda segunda-feira. E apresenta aqui seu olhar sobre o acidente que matou a ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, na avenida Paulista:

“Esta semana a trânsito na cidade de São Paulo deixou mais um corpo estendido no chão. A morte da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado no início da manhã da última quarta feira na AV. Paulista além da comoção, reacende a questão da carnificina em curso na cidade de São Paulo.

Anualmente mais de 1.500 pessoas perdem a vida no transito na cidade de São Paulo, uma parte das mais de 20.000 vítimas que escapam da morte carregando para sempre diversos tipos de sequelas.

A grande maioria das vítimas é pedestre, mais da metade, seguida dos motociclistas. Em média 4 pessoas perdem a vida diariamente em acidentes de trânsito na cidade de São Paulo ou seja a cada seis horas alguém morre lá fora em decorrência do caos no trânsito de São Paulo. Um número bem menor que o de soldados americanos mortos no Iraque.

A reação natural ao trágico acidente é culpar o condutor do ônibus que atropelou e matou a ciclista de 40 anos. Infelizmente, o condutor é apenas uma parte de um enorme problema decorrente da opção pelo transporte indivudual, a opção em construir uma cidade voltada para o automóvel. E quando este se espalha e ocupa o seu espaço na paisagem urbana acaba passando por cima de alguns obstáculos, alguns deles não saem vivos deste encontro”.