Conte Sua História de São Paulo: a saga de Seu Orlando e do caloteiro da padaria

 

Por Andrea Magri

 

 

Seu Orlando (Laurenti) como todos os dias estava de pé na porta de sua padaria… já bem conhecida em São Paulo, principalmente dos descendentes italianos, no coração do Bixiga. Na frente havia o estacionamento, naquela época, meados de 1968, isso era um luxo.

 

Assim, ele viu parar aquele Volkswagen cor vinho com rodas brancas, impecável, novo em folha. De de lá um jovem senhor, talvez uns 45 anos — naquela época, mais de 40 era quase idoso. Mais velho que seu Orlando, que só tinha 30, mas bem apessoado, de mangas de camisa, paletó e sapato nos trinques. Cara de bom cliente, pensou seu Orlando.

 

O cliente pegou tudo que havia de bom e dava sinais de ser bem nascido, já que era conhecedor de queijos e vinhos. Encheu uns quatro cestos e assim que chegou no caixa, colocou a mão em um bolso e em outro …

 

— “Puxa, a carteira deve ter ficado no carro”.

 

— “Sem problema”, respondeu seu Orlando, que logo providenciou um funcionário para levar as compras até o fusca. Deram cinco minutos e o funcionário voltou sem compras, sem cliente e sem dinheiro:

 

—- “Foi embora e nem me deu caixinha”.

 

— “Minha nossa senhora da Achiropita! Não posso acreditar! Que prejuízo! Ele não pagou as compras”, gritou seu Orlando, desesperado.

 

Nem conseguiu pegar no sono naquela noite, só de pensar no golpe do bom cliente.

 

As noites mal dormidas e o prejuízo se dissolveram no tempo. Seu Orlando, empreendedor e trabalhador, fez sociedade com um amigo em uma lanchonete. Já tinha duas filhas e as coisas não eram fáceis. Trabalhava de dia na padaria e à noite, ali na praça Carlos Gomes, em frente ao Cine Joia.

 

Em uma noite daquelas, um homem de cavanhaque e bem vestido chega na lanchonete e pede ao garçom 10 chess-saladas, 5 porções de batata frita, 10 cachorros quentes e queria tudo para viagem. Seu Orlando estava na chapa e ficou curioso para saber quem havia feito aquele pedido todo. Foi quando saiu aos gritos:

 

— “Ei, você! Que está fazendo aí? Veio acertar comigo o que me roubou na padaria, é ?”

 

O safado saiu correndo, atravessou a praça e fugiu no seu fusca. Era o mesmo que havia aplicado o golpe na padaria, fazendo aquela história voltar a atormentar Seu Orlando.

 

Mais de um ano depois, em um domingo, Seu Orlando vai ao açougue da vizinhança. De repente, quem ele enxerga no caixa com sacolas de carne sendo levadas por um empregado até o carro.

 

— “Seu Jorge! Esse é ladrão, seu Jorge! Ele já pagou?

 

— “Que isso, o cliente vai pegar o dinheiro no carro”

 

— “Esse é ladrão! Me roubou na padaria! Do mesmo jeito! Chama a polícia, seu Jorge! Ele quer te roubar! Esse cara é um gatuno!”

 

E o cliente, sem jeito, disse que não precisava levar as encomendas no carro porque ele não era dessas coisas, não. Foi até lá, pegou a carteira, pagou as compras e resolveu sair por cima:

 

— “Você quer me difamar! Chama, sim, a polícia… Eu nem te conheço!

 

Foi, então, que a polícia chegou, o homem deu queixa contra o Seu Orlando, que estava desnorteado e acabou na delegacia para dar explicações do motivo da agressão verbal ao pobre cliente.

 

— “Vai ficar aqui até esfriar a cabeça”, ouviu do delegado, envergonhado e ultrajado.

 

Pois não é que o caminho dos dois cruzou novamente, dias depois.

 

Eram mais de dez da noite e seu Orlando foi ao restaurante ao lado da padaria para tomar um copo de cerveja com o dono, o seu Antonio. Ao chegar, depara com vários homens sentados em uma mesa, jantando. Entre eles, o infeliz. O sangue italiano ferveu e não o deixou sequer pensar!

 

— “É aqui seu próximo calote? Seu Antonio…muito cuidado! Esse é o homem que me roubou na padaria, quis me enganar na lanchonete e ia dar o golpe no açougue! Este é o gatuno que te contei!”

 

E, claro, foi aquele fuzuê. O almofadinha, diante de amigos, desta vez se rendeu com tantos encontros inesperados:

 

— Fala aí, quanto eu fiquei te devendo? Não aguento mais te encontrar. Você já está prejudicando a minha vida.

 

Sacou a carteira recheada de dinheiro, pagou a conta e foi embora. Assim como Seu Orlando, que viu justiça ser feita tantos anos depois. Hoje, ele tem 80 anos, três filhas — Andrea, Paula e Juliana —- e três netos — Luca, Matteo e Sofia. Dona Vilma, a esposa, já se foi. A padaria Basilicata, segue firme no mesmo endereço, há 102 anos, e ainda é da família.

 

Orlando Laurenti é o personagens do Conte Sua História de São Paulo, escrito pela filha, Andrea Magri. A sonorização é do Cláudio Antonio.Escreva o seu texto também e envie para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: o meu milagre de Nossa Senhora Aparecida

 

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Por Rubens Salles dos Santos
Ouvinte da rádio CBN

 

Foram quatro dias debaixo de sol, três noites dormindo no mato, mais de 200 quilômetros de intensa caminhada e um chinelo de dedo que não teria sola para nem mais um passo. Estávamos nos primeiros dias de 1971. Enquanto as pessoas ainda tinham esperança em cumprir as promessas de reveillon, eu pensava em pagar uma que eu havia feito três anos antes. E não era uma promessa qualquer, era uma promessa a Nossa Senhora Aparecida. Se eu conseguia andar àquela altura, devia tudo à intercessão dela.

 

Imagine um encanador que tinha certeza de que nasceu para ser jogador de futebol. Era eu. Naquela época, eu morava com minha família no Bixiga, bem no Centrão de São Paulo. Já estava mais enturmado com a italianada que os próprios descendentes que moravam ali. Quem me conhecia nem fazia ideia que, na verdade, eu era filho de português.

 

Fim de semana era um evento a parte. A gente juntava a turma da Bela Vista pra jogar bola, naquele famoso “casado contra solteiro”, em que todo mundo se achava craque. Foi em uma dessas peladas que marquei o gol mais bonito da minha carreira de encanador metido a boleiro. Uma matada no peito na entrada da área, numa virada rápida, num “sem pulo”. O “sem pulo” fez a festa de quem assistia, mas foi o terror para o meu joelho. Caí naquele terrão já sentindo que boa coisa não era. O joelho inchou, a dor surgiu e o hospital era inevitável. Aquele lance, que de habilidoso não tinha nada, estourou meu menisco. Veio remédio e repouso, conseguia andar de novo, mas com dificuldade. A dor não passava.

 

O médico foi categórico: tinha que operar. Eu pensava na cirurgia e já imaginava o médico mexendo na minha perna como eu serrando cano, soldando calha e rosqueando registro. Não bateu medo nem temor, bateu paúra mesmo. Marcou o dia, fui pro hospital e, na hora de internar, resolvi recorrer àquela em quem eu sempre tive fé – desde menino. Juntei as mãos, olhei pro céu e pedi pra Nossa Senhora Aparecida me ajudar a melhorar do joelho, me livrar daquela cirurgia, que se eu curasse iria a pé até (a então) Aparecida do Norte.

 

 

Eu era devoto desde menino. Mas também, desde menino, era teimoso e levado. Saí fugido do hospital, sem o médico me ver, contrariando todas as ordens. Não mais que de repente, a dor passou. Voltei a minha vida normal, subindo em forro, me pendurando em prédios e entrando em esgoto. Nada de dor no joelho. Foi milagre da Mãe.

 

Levei três anos para tomar coragem e cumprir a promessa. Mas, como bom filho de português, pra mim promessa sempre foi dívida. Devo, não nego. Pago quando puder. E eu não tinha desculpas pra não cumprir. Era janeiro de 1971 quando virei pra Josefina, minha mulher, e disse que iria pra Aparecida do Norte. Na ocasião, meu filho Roberto tinha 6 anos e minha filha Sueli só 3 anos. Minha mulher ficou ressabiada, mas sabia que eu ia de qualquer jeito pra lá.

 

Logo a Bela Vista inteira ficou sabendo. Foi quando meu pai, que tinha uma venda no bairro, me falou que o José, que vendia batata na feira do Bixiga  todo fim de semana, também tinha feito promessa. Eu só conhecia ele de vista, nunca tinha conversado. Bati na porta dele, contei minha história e falei: parto no dia 23 de janeiro, do marco zero de São Paulo, da Praça da Sé. Voltei pra casa com a palavra dele de que iria, mas só saberia mesmo no dia. Se ele aparecesse, teria companhia. Se não, eu iria sozinho enfrentar os mais de 200 km.

 

Chegou o dia. Ainda era madrugada e eu já estava de pé. Cheguei cedinho na Praça da Sé, só tinha eu e os pombos. Começou a espera angustiante. Será que o José vai aparecer? Será que vou ter de ir sozinho? Vai que me acontece alguma coisa no caminho. Vai que eu me perco. Vai que… Não, Nossa Senhora está comigo. A fé tinha que ser mais importante que tudo. E foi. Não só pra mim como pro José, que pra minha completa surpresa apareceu. Não perdemos tempo, começamos a caminhada.

 

Fomos totalmente sem preparo, afinal, decidimos de uma hora pra outra. Levamos só uma mochila com dinheiro, água pro dia, um chinelo e toalha. Assim que chegamos na Dutra, percebi que minha sandália não ia aguentar. Não ia demorar pra aparecer bolha no meu pé. E a viagem mal tinha começado. Peguei o chinelo de dedo na mochila e calcei. Não tirei mais. O verão de 1971 castigou a gente. O asfalto parecia um mar de fogo. O sol pelo interior de São Paulo era coisa de louco.

 

Bom, não demorou pra gente achar que aquilo tudo era coisa de louco mesmo. Naquela época, mal tinha acostamento e pra achar posto de gasolina tinha que rodar muitos quilômetros.A água logo acabou e o dinheiro não servia, porque nem tinha onde comprar nada. O jeito foi começar a parar nos casebres que encontrávamos na beira da estrada pra pedir de beber. E foi assim que a gente seguiu. Fazendo as moitas de banheiro, a sombra das árvores de cama, os postos de gasolina de refeitório e as fazendas no caminho de ponto de água.

 

Mal passou o primeiro dia e percebemos que tínhamos de adotar uma estratégia. Do contrário, não chegaríamos nem à metade. Passamos a caminhar de noite e cochilar ao meio-dia, na sombra. E não dava pra parar muito tempo. Era reduzir o passo e as dores vinham. Doía canela, coxa, costas, pescoço, tudo. E o cansado se mesclava com o medo dos carros e dos caminhões. De noite, qualquer sombra que se aproximava era motivo de susto. O temor foi tomando conta da gente, a promessa parecia um fardo pesado demais, muito maior do que podíamos carregar.

 

Quando alcançamos a placa que indicava a metade do caminho, bateu um desespero. José era mais novo que eu, mas já estava esgotado. Dava pra ver nos olhos dele. Ele virou pra mim e disse: “segue com Deus, meu amigo, vai você porque eu não aguento mais”. Naquele momento, confesso que quase sucumbi à tentação de desistir. Foi quando novamente juntei as mãos, olhei para os céus e pensei firme em Nossa Senhora Aparecida. Era isso que nos faltava, a confiança de que a Mãe estava conosco. Não deixei ele parar, peguei pelo braço, puxei e assim seguimos. Na manhã do quarto dia, já avistávamos aquela cidadezinha pequena, mas tão abençoada.

 

Essa basílica que vemos hoje, gigante, ainda não existia. O que havia era a Igreja antiga, que guardava a imagem de barro encontrada no Rio Paraíba do Sul. Quando nos deparamos com a imagem da Mãe… Bom, nem consigo descrever. Foi, sem duvida, o momento mais emocionante em toda a minha vida. Agradecemos, rezamos, assistimos a uma missa e era hora de pegar o ônibus pra voltar.

 

Não tinha celular, não tinha internet, no máximo um orelhão que se achava de vez em nunca. Foram quatro dias sem dar qualquer notícia pra família. Quando cheguei de volta no Bixiga, nem ‘bom dia’ recebi. Afinal, ninguém me reconhecia. Justo eu, que andava pela Treze de Maio e encontrava um conhecido a cada passo. Parecia que tínhamos ficado anos longe. Imagine um cara barbudo, com as roupas sujas e rasgadas, uma sandália destruída, os pés em carne viva, com cara de esgotado. Minha mulher, a Josefina, não sabia se festejava ou se chorava quando me viu. Nem sei quantas horas dormi depois. Nem do José, que depois perdi contato e nunca mais tive notícia.

 

Os anos passaram, os filhos cresceram, saí da Bela Vista, os netos vieram, reduzi o futebol – não na arquibancada, mas no campo – e até parei de beber. Em cada vitória minha, da minha mulher, dos meus filhos e dos meus netos, uma certeza: Nossa Senhora Aparecida está conosco. Hoje, está até tatuada no meu peito.

 

Rubens Salles dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

Conte Sua História de SP: no tempo em que não existia Minhocão no Bixiga

 

Por Walter Marques de Deus

 

 

Foi no ano de 1966 que nos mudamos para a Rua Maria José, na Bela Vista (mas pode chamar de Bixiga). Para quem não conheceu o Bixiga daquela época, não consegue imaginar como era legal viver ali. Não existia o Minhocão!  Existiam casas do século 19 bem no lugar do Minhocão…

 

Fomos morar num cortiço, onde éramos 13 famílias convivendo no mesmo quintal com as várias portas dos quartinhos alugados. Na maioria, eram ótimas pessoas.  A nossa rua era bastante estratificada, onde vizinhos se davam muito bem apesar das diferenças sociais. E acho que todo bairro era assim…

 

Casas com pessoas ricas e casas com pessoas pobres, que eram cortiços. A maioria não tinha garagem. Nem mesmo a dos ricos. Também, nem precisava.  Era só deixar o carro na rua, sem problemas.

 

Lembro bem dos ensaios da Vai Vai semanas antes do carnaval, onde os sambistas e foliões saíam pelas ruas, talvez para aquecer. Foram naqueles momentos,  nos meus cinco anos que comecei a conhecer o preconceito… É que os lojistas fechavam as portas para evitar contato com o pessoal da Vai Vai, na maioria negros.

 

Na nossa rua tinha uma feira, que existe até hoje!  A feira era um dia de festa pra mim! Por não existirem supermercados, as feiras eram mais agitadas, com todo tipo de pessoas. As relações eram bem mais próximas… De vez em quando vou comer pastéis nesta feira da Rua Maria José.

 

Em 1968, comecei estudar nas Escolas Agrupadas da Bela Vista, na rua Santo Amaro. Veja que o nome dado não fazia jus a uma escola com apenas três salas de aula. Mas eu adorava!  Jamais esqueci do nome da minha primeira professora, Dona. Gemma. Estudei ali, até a quarta série.

 

No Bixiga, existiam dois cinemas: o Rex e o Arlequim.  A primeira vez que fui num cinema, assisti a Peter Pan, no Cine Arlequim.  Quanta emoção!  É difícil explicar o que representava o ambiente de cinema para um garoto com mais ou menos sete anos de idade. Era algo realmente delirante!  Principalmente porque não tínhamos TV.

 

Mais tarde, graças a minha tia “Deusinha” que ficou nossa vizinha e comprou uma televisão, pudemos assistir aos jogos da Copa de 1970. Sim, pude ver a grande façanha da nossa seleção do sonhos.

 

Dias depois da conquista, senti o quanto era privilegiado em morar naquela rua pacata, uma simples travessa da Brigadeiro Luiz Antonio. Dali mesmo, pude ver a seleção do Tri em cima de um caminhão de bombeiros, descendo a Brigadeiro. Eu estava lá, do lado da requintada padaria Java! Que infelizmente não existe mais.

 

Conte Sua História de SP: embalei meu filho no samba da Vai Vai

 

Maria da Conceição Pereira nasceu em Sabinópolis, Minas Gerais, em 1951. Neta de portugueses, cresceu em ranchos feitos pelo pai, que trabalhava na agricultura como meeiro. Aos oito anos foi morar na casa do padrinho para poder estudar. Com 13, mudou-se para São Paulo onde começou a trabalhar com arte. Vivia em Santo Amaro, mas gostava mesmo de passear nos Jardins, sempre acompanhada da irmã e amigas. Foi lá, ainda com 18 anos, que conheceu o marido: homem bonito, de bigode e sempre com um carrão. Não era dele, era do dono do banco para o qual trabalhava. Motorista exemplar, era respeitado por todos os colegas, podia até levar o carro para casa. A mãe e a irmã providenciaram o enxoval, todo comprado na loja do Mappin. E Maria da Conceição Pereira casou-se, em uma igreja no Piraporinha, zona sul da cidade. Orgulhosa, diz que todo povo do banco compareceu. Foi morar no Bixiga, bem onde a escola de samba Vai Vai ensaiava para o Carnaval. No depoimento, gravado pelo Museu da Pessoa, Dona Conceição lembra de como o samba da Vai Vai a acompanhou durante toda a gravidez:

 

 

Maria da Conceição Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento dela foi gravado no Museu da Pessoa. Você pode contar mais um capítulo da nossa cidade, e registrar suas memórias, agendando entrevista, em áudio e vídeo, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Se quiser, mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br e leia outras história de São Paulo aqui no Blog.

Conte Sua Historia de SP: O Bixiga de Alencar Burti

 

Alencar Burti

Nascido na Liberdade e crescido em um dos mais tradicionais bairros da cidade, o presidente da Associação Comercial de São Paulo Alencar Burti reconhece a importância de sua avó e dos amigos na sua formação. No depoimento que gravou no estúdio montado pelo Museu da Pessoa, no Pátio do Colégio, durante o CBN SP em comemoração aos 456 anos de São Paulo, ele voltou aos tempos de menino que acompanhava as dicussões esportivas dentro um clube de futebol fundado na parte mais baixa da casa de vovó Rosália, no bairro do Bixiga:

Ouça o depoimento de Alencar Burti com sonorização de Cláudio Antônio

Grave seu depoimento e participe do Conte Sua História de São Paulo. Para agendar sua entrevistan, ligue para o número 011 2144-7150, ou entre no site do Museu da Pessoa.