Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:  um tubarão e cinco motivos para encarar a concorrência

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“Veja seu concorrente não apenas como ameaça, mas como uma oportunidade de continuar aprendendo”

Jaime Troiano

Há quem garanta que a história a seguir não é de pescador, apesar de ser de pescaria. Aqui está contada porque Jaime Troiano e Cecília Russo a consideram uma excelente metáfora para o mundo dos negócios e das marcas —- que afinal é o nosso negócio:

Com os barcos japoneses precisando buscar peixes cada vez mais distante da costa, o produto chegava no mercado em qualidade inferior a exigida. O uso de freezer para manter os peixes frescos logo impactaram no sabor e fizeram aumentar as reclamações. Criou-se tanques que mantinham os peixes vivos até a chegada ao porto. Nem isso foi suficiente para agradar o exigente paladar dos japoneses, pois os peixes, a medida que tinham comida à exaustão e nenhum esforço para se manterem vivos naquele espaço de aparente segurança, perdiam vitalidade e isso influenciava no sabor da carne. Foi, então, que surgiu a ideia de colocar pequenos tubarões nos tanques dos navios, o que obrigava os peixes a se “virarem” para ficarem vivos. O movimento constante, mantinha o frescor da carne. E as vendas aumentaram. 

O tubarão, claro, é o concorrente da sua marca, que muito se teme, mas que é essencial para manter a vitalidade do negócio —- sem contar que, a presença dele no mercado, perpassa por uma questão ética: consumidores tem de ter o direito sagrado de escolha. A despeito dessa que é uma regra do capitalismo, Jaime e Cecília identificaram cinco boas razões para se incentivar a presença de concorrentes no branding. 

  • A existência de concorrentes é fundamental  para definir qual é o melhor posicionamento da marca — aquele  posicionamento em que a marca explora melhor suas potencialidades.
  • As marcas que lutam contra concorrentes se aprimoram adaptando-se mais depressa às necessidades dos consumidores. 

“As marcas mais fortes do mercado, as marcas líderes não são o que são à toa. Mas, sim, porque acompanham o tempo todo o que fazem seus concorrentes”.

Jaime Troiano
  • Uma grande vantagem do mercado concorrencial para as marcas ocorre dentro da empresa.: o reconhecimento de que existem concorrentes lá fora, diminui a vaidade corporativa.
  • Melhora nossa capacidade de entender o que pensam e sentem os consumidores. Quando eles são cativos de uma única marca não vemos como podem ser atendidos de outras formas. 
  • Estimula o pensamento criativo de quem fabrica, de quem planeja o marketing e a comunicação. Para quê? Para descobrir novos caminhos, novos produtos, novas formas de vender, nossas extensões de marca etc.

“Os melhores profissionais que já conheci vieram de empresas assim, que estão todo dia se reinventando. Enfim, concorrente nos ajuda a ser melhor e ajuda a entrega que fazemos aos consumidores.”

Cecília Russo

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo:


Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cinco passos para construir a sua marca

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“O produto tem de ser bom, tem ter qualidade, porque não existe marca boa com produto ruim”

Jaime Troiano

Começar um negócio nunca é fácil, por mais entusiasmados que os novos empreendedores estejam. A tarefa se tornará mais simples a medida que alguns processos sejam respeitados, a começar pelo desenvolvimento do produto e serviço, que exigem planejamento, tempo e recursos. É depois dessa etapa que se inicia a jornada em busca de uma marca que se identifique com os propósitos do negócio e entregue aquilo que está sendo prometido. 

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo e Jaime Troiano trouxeram um guia de construção de marca, com cinco passos que podem ser seguidos independentemente do ramo em que se pretende atuar: loja, roupa, escola, oficina técnica … enfim, o negócio você cria. A marca, a gente ajuda.

Vamos ao passo a passo:

  1. Definir o público-alvo com que a marca quer conversar: raramente uma marca fala para todo mundo, por isso decidir o perfil dos clientes é ponto de partida sempre. Uma dica: faça uma descrição completa, não apenas em termos sócio demográficos, mas também comportamentais.
  2. Definir o posicionamento: quais são os diferenciais do seu negócio? O que se quer que as pessoas pensem dele? É preciso listar diferenciais e eleger os mais relevantes. Um posicionamento não pode ser uma extensa soma de atributos, pois as pessoas não conseguirão captar tudo.
  3. Nome da marca: tem de estar apoiado no produto e na promessa que o negócio carregará. O nome não conseguirá contar tudo, mas não pode atrapalhar. Fuja do lugar-comum e busque algo que ajude você a ser lembrado. Nomes muito genéricos ficam perdidos na paisagem. 
  4. Criar logotipo e identidade visual: essa etapa vai guiar todas as expressões da marca — design, fachada, ambiente, símbolos e cores — para dar coerência ao negócio, e, por isso, temos que respeitar o posicionamento definido no passo dois.
  5. Fazer a comunicação: é preciso que o público conheça a marca e passe a considerá-la. Nessa etapa entram todas as iniciativas de comunicação, on e offline, desde fazer parcerias com outros negócios, usar as redes sociais, fazer publicidade e desenvolver conteúdo que podem ser aproveitados nas mais diversas mídias.

“Dediquem-se a construir um produto excelente, claro, mas não atropelem a construção da marca. É a partir dela que seu produto vai acontecer”

Cecília Russo

No programa que você ouve a seguir, Jaime e Cecília ilustram os cinco passos para construção da marca, tendo como exemplo o desenvolvimento de um buffet infantil. Vale a pena ouvir para entender como você pode aplicar a fórmula no seu produto ou serviço:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando a “Sucessão” dá certo!

Cena de Sucession em foto: divulgação

“Não existe uma receita de bolo pra isso”

Jaime Troiano

Logan Roy é um famoso bilionário que lidera uma rede mundial de comunicação e construiu um império empresarial, nos Estados Unidos. Ao descobrir uma série de complicações de saúde, sai em busca de alguém da família para substituí-lo, movimento que abre uma sucessão de dramas, conflitos e escândalos que, se não resolveram o problema da empresa familiar até agora, proporcionaram ao público uma das melhores séries de televisão de todos os tempos. Roy é interpretado pelo ator Brian Cox e a série Sucession, que está em sua terceira temporada, tem roteiro assinado por Jesse Armstrong e a direção de Adam McKay. 

Além de entretenimento garantido, Sucession tem todos os elementos para quem pretende entender os motivos que levam empresas familiares ao sucesso ou ao fracasso. Foi o que disse Jaime Troiano na conversa de sábado, ao lado da Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Como não havia uma receita de bolo para oferecer, Jaime deixou a cozinha de lado e foi encontrar a resposta na sala de TV:

“A melhor lição de casa que eu poderia sugerir. Uma aula sobre relações familiares e empresariais”.

Jaime Troiano

No comentário, que foi ao ar no Jornal da CBN, Jaime e Cecília listaram cinco razões que explicam porque algumas marcas familiares alcançam a longevidade e outras ficam no meio do caminho. 

Vamos a elas:

  • Famílias estruturadas que partilham de valores humanos sólidos, que pautam o que fazem por meio deles, dão mais certo. Famílias, onde há respeito entre as gerações tendem a crescer e se preservar.
  • Quando o corpo de funcionários sente como os que gerenciam a família, se entende bem e nutrem relações construtivas entre si, esse clima passa a todos.
  • A falta de harmonia familiar contamina o ambiente e o bem-estar dentro da empresa e leva cada um a ter uma visão, um olhar sobre as marcas da empresa diferente. 

“A energia interna despendida em disputas drena a energia que poderia fortalecer a marca”

Cecília Russo

  • A importância de os fundadores e os que vêm depois terem no sangue uma habilidade particular e uma paixão por aquilo que fazem. 
  • Outro fator que compromete a sucessão de uma empresa é não ser pautada por um propósito claro e muito bem disseminado. Um propósito que revele qual a razão de ser dessa empresa no mundo. 

“Quando suas autênticas qualidades se cruzam com as necessidades do mundo, aí está nesta intersecção o seu Propósito” 

Aristóteles

Antes de correr para a tela e assistir a Sucession, clique no arquivo a seguir e ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com sonorização de Paschoal Júnior:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h55 da manhã. 

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: cuidado com a tentação de querer ser jovem e moderno

Farinha Dona Benta é um exemplo de marca que mantém as raízes Foto: Kaique Lopes on Pexels.com

“The fruits are in the roots” 

Joey Reiman, sócio-fundados da Bright House

A frase “os frutos estão nas raízes” surgiu originalmente em inglês, língua pátria do publicitário Joey Reiman, e inspirou seus sócios aqui no Brasil de tal forma que até hoje se ouve esta máxima nas conversas, formais e informais, de Jaime Troiano e Cecília Russo. Foi assim, no inglês mesmo, que eles trouxeram o assunto para o nosso bate-papo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. E se o fizeram era pela lição que não deve ser esquecida por marcas e por pessoas: o respeito às suas raízes.

Especialmente em momentos de enorme e rápida transformação, como este que vivemos, é enorme o risco de as empresas e seus gestores terem ideias “geniais, jovens e modernas”. Isso significa que as marcas estão condenadas a serem o que sempre foram? Não, necessariamente! No entanto, qualquer mudança que se pretenda fazer, precisa estar conectada com a sua história: 

“Aquilo que as marcas são nos momentos ou anos iniciais de suas vidas determina como ela se desenvolverá e será vista no decorrer de sua história. Essa é uma visão fundamentalista? Uma condenação que as engessa para sempre? Não. Ao contrário, é a verdadeira fonte de oportunidades que a marca pode aproveitar. É sua fonte de inspiração. É aquilo que faz dela ser ela mesma”

Jaime Troiano

A forma como as marcas são vistas pela sociedade não nasce de repente, fruto de de uma nova campanha de comunicação, de uma nova ação digital ou de uma decisão gerencial de alta direção. O fruto está nas raízes … ops, perdão pela redundância: 

“Como psicóloga, eu aprendi na vida do meu consultório, na vida da minha psicoterapia, nos cursos que fiz, nos livros que li que as raízes nos perseguem, nos orientam, nos inspiram a vida toda. Lembrei de uma coisa: a sombra do Peter Pan fugia dele e precisou ser costurada. Nossa raízes e das marcas não precisam ser costuradas, elas não se descolam de nós”. 

Cecília Russo

Uma das marcas que ilustram bem essa verdade é a ‘Dona Benta’, criada em 1979, pela A.J Macedo, uma empresa que atua no mercado de moagem de trigo. fundada em 1939. Sempre obedeceu suas raízes ao trabalhar com produtos relacionados a comidas saborosas e com “receitas de carinho”, que é o seu lema. A farinha de trigo, os cookies, a mistura pronta para bolo .. todos são frutas das suas raízes, ou seja, do trigo. 

“As marcas que ignoram suas raízes, porque querem dar um salto maior que a perna ou porque um novo dirigente da empresa quer impor uma nova identidade à marca, sempre quebram a cara. O tempo senhor da razão!”

Cecília Russo

Uma área em que a busca pela modernização põe em perigo a manutenção de uma marca é a do setor de bancos, a media que se tem uma ebulição digital, das fintechs, do open banking, do banco digital. Uma transformação que faz com que alguns bancos esqueçam de que solidez, maturidade confiabilidade são as raízes mais importantes de uma instituição financeira: 

“O Itaú é um belo exemplo do quanto o respeito por suas raízes, tem sempre inspirado o crescimento e prestígio do banco. Aliás, seria coincidência que a raiz da palavra Itaú em tupi-guarani significa pedra preta? E se há uma sólida é uma pedra, né?”  Cecília Russo

Diante de todas essas referências, a marca do Sua Marca não poderia ser outra, diz Jaime Troiano: 

“Para as marcas também, assim como para muitas outras coisas na vida, ‘the fruits are in the roots’.”

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo. O programa vai ao ar, no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h55 da manã.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: em busca da simplicidade de Da Vinci e do ladrão de patos

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“A simplicidade é a suprema sofisticação” 

Leonardo Da Vinci

Que a frase de Da Vinci se transforme um dia em mantra do branding! Essa é a esperança de Jaime Troiano, incomodado com a maneira de algumas marcas se comunicarem, com a sobreposição de conceitos, com arquiteturas de marcas que mais se parecem com um puxadinho e com soluções de design extremamente rebuscadas. E olha que o Jaime não é um cara de se incomodar com pouca coisa. Quem o conhece nos bastidores, sabe que humor — o bom —- é uma das suas marcas.

A necessária e sofisticada busca da simplicidade foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso. Jaime e Cecília Russo identificaram três razões para algumas empresas, produtos e serviços insistirem na complexidade da comunicação:

A primeira é a dificuldade que profissionais têm de fazer escolhas, abrir mão e depurar aquilo que verdadeiramente importa. Preferem falar muito achando que dessa forma não estarão deixando nada de fora. Ledo engano!

“O resultado disso é vermos uma enorme confusão e, de tudo, fica nada”

Jaime Troiano

A segunda é porque existe ainda uma mentalidade, em alguns segmentos profissionais, que associa complexidade com valor. É aquela visão que acredita que, se eu colocar várias coisas sobre uma marca, ela irá demonstrar superioridade. Se falar pouco, ficará apequenada. 

A terceira razão é que ser simples é muito mais difícil do que ser complexo. Para se chegar a uma ideia simples é preciso analisar, selecionar, depurar, organizar e priorizar. É preciso pensar muito para partir do complexo e se chegar no cerne, no verdadeiro insight. Enfileirar uma lista de características da minha marca é muito mais fácil. 

“Desde lá de trás, quando Nike assinava “Just do it” ou quando Bayer fala “se é Bayer é bom”, em ambos os casos, estamos falando de ideias simples, que trazem uma mensagem fácil de ser assimilada. Não estou julgando o valor dessas ideias, apenas as trazendo para falar desse ângulo, da simplicidade”

Cecília Russo

Ouça aqui o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, com Jaime Troiano e Cecília Russo

Em tempo: pra provar que o Jaime, mesmo quando incomodado com algo é bem humorado, na marca do dia, lembrou de história que teria sido protagonizada por Ruy Barbosa e ilustra quão simples devemos ser ao transmitirmos nossas ideias e mensagens. Reproduzo, a seguir, vídeo em que Sílvio Matos, humorista e ator, conta o caso do doutor e do ladrão de patos:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: mulheres, um caleidoscópio de possibilidades

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“Ainda há muito espaço para as marcas serem promotoras da igualdade de gênero, de trazerem iniciativas em favor das mulheres, mas que não sejam apenas discursos vazios, que tenham, na prática, políticas genuinamente transformadoras”

Cecília Russo

Num estudo americano, pesquisadores mediram a expectativa das pessoas em relação às marcas promoverem inclusão e diversidade. E os dados deixaram evidentes as demandas que esse mercado tem de atender se pretende estar sintonizado com os mais jovens. De acordo com a pesquisa, 63% das pessoas que fazem parte da geração X e 76% dos millenials esperam que as marcas se inspirem e ajudem a impulsionar os movimentos de equidade de gênero e etnia, por exemplo.

Para eles — e para todos que vivem neste tempo — seria inadmissível o modelo de mulher que era estampado nos anúncios publicitários, no passado. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Cecília Russo lembrou de uma propaganda dos Lençóis Santistas, publicada na revista Cláudia, dos anos de 1960, em que uma mulher e sua filha apareciam segurando as pontas de um lençol branco sob o título: “essa é uma dona de casa feliz!”.  

“Hoje, a vida das marcas ficou muito mais complicada, ainda bem. Somos uma soma de muitas coisas, quase como um caleidoscópio de possibilidades”

Cecília Russo

Jaime Troiano trouxe da memória história mais recente: um restaurante que visitou em São Paulo que trazia na parede a frase: “aqui servimos igualdade”:

“…traz essa ideia que hoje estamos discutindo. Ser uma marca que fomenta relações mais equilibradas em todos os sentidos, inclusive na questão de gênero”.

Jaime Troiano

Essa transformação já ocorre e está explícita na própria produção cultural. Os canais de streaming, por exemplo, todos trazem filmes e séries que ilustram essa realidade:

“Várias marcas de streaming, ano após ano, trazem filmes e séries tendo as mulheres como protagonistas. Nessa linha, me lembro das séries “And Just Like that”, no HBO; “Marvelous Mrs. Maisel”, no Prime; “Three Magnólias” do Netflix; e “Encanto na Disney””

Cecília Russo

Jaime, por sua vez, alerta que, apesar das mudanças e da pressão das mulheres, em especial, ainda existem barreiras a serem superadas. A mesma pesquisa que mostrou a expectativa dos jovens em relação a comunicação das marcas, também revelou que 74% das mulheres que estão na universidade não creem que receberão o mesmo salário de seus colegas homens.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com sonorização de Paschoal Junior

O Sua Marca vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h55 da manhã

Sua Marca: 1922 o ano que não aconteceu no branding

Cartaz da Semana de Arte Moderna de 1922. Foto: Reprodução/ SMC de SP

“As repercussões dos ares de 1922 praticamente nunca chegaram à nossa vida em marketing e branding”  

Jaime Troiano

Havia um tom de lamento. De exaltação, também. Havia uma mistura de sentimentos quando Jaime Troiano e Cecília Russo propuseram uma conversa, no último programa de fevereiro, sobre o impacto da Semana de Arte Moderna de 1922 no marketing e no branding. O estrangeirismo que permanece a identificar essas duas matérias diz muito sobre as influências que realmente foram significativas na prática, aqui no Brasil. 

“Somos herdeiros diretos na mentalidade americana e europeia de como fazer branding. Os livros, os cursos, os treinamentos, os exemplos vêm sempre de lá”.

Cecília Russo

Mário de Andrade, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade, e Villa Lobos, dentre outros, causaram espanto na sociedade e se surpreenderam com a dimensão que tomou esse movimento realizado em três dias oficiais de atividades, em São Paulo No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime exaltou  a influência da Semana que completou 100 anos e as raízes deste movimento que penetraram profundamente em manifestações culturais, mesmo muitos anos depois.

Lembrou o tropicalismo de Gil, Caetano e Gal, que chegou 45 anos depois também com a intenção de redescobrir o Brasil, a partir de um olhar próprio, sem vergonha de trazer referências internacionais. Jaime identificou ainda a ruptura da Bossa Nova, comparada com a época dos sambas-canção e músicas de dor de cotovelo, como herdeira na busca de algo que fosse autenticamente brasileiro.

E o branding? A gestão de marcas? 

“Tudo, ou quase tudo que se faz em Branding, é fruto de uma inspiração técnica, metodológica, conceitual do que aprendemos e do que vimos os americanos, em primeiro lugar, fazer. Em segundo lugar, com alguns países da Europa, talvez Inglaterra mais do que os demais. E em áreas como design há algumas, não muitas pistas, que vieram de países asiáticos”.

Cecília Russo

Uma crítica? Não, uma constatação, a partir de uma realidade que pode ser vista pela ótica de Eduardo Giannetti. O economista, professor e autor do livro “Tropicos Utópicos” discute o quanto nosso destino como nação oscila entre o modelo Mimético e o Profético. 

O Mimético é o que tem inspirado até hoje a nossa história, na busca pelo desenvolvimento, reproduzindo o caminho que aprendemos com países ocidentais avançados. O Profético é aquilo que é criado pelas nossas próprias tradições, pelo estilo próprio de nossa cultura sincrética de tantas origens que se mesclaram em nosso país. 

“O Profético depende de um olhar corajoso para si mesmo, para nós mesmos, como fizeram os protagonistas da Semana de 1922 nas artes. Creio que o Giannetti está sugerindo em seu livro, não é abrir mão de uma das duas visões, simplesmente. Mas a verdade é que o peso da visão Mimética tem sido absolutamente predominante, no branding”. 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso com Jaime Troiano e Cecília Russo; e sonorização de Paschoal Júnior

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h50 da manhã.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a Belina, o branding, o mocinho e o vilão

 

Anúncio de revista da Belina Ford 1987

“Será que somos nós os culpados de criar desejos antes ainda inexistentes, e contribuir para o consumo pouco consciente?”

Jaime Troiano

Quem já teve carro a álcool  — álcool raiz, não esse etanol moderno que temos hoje — sabe o drama que era ligar o motor nas manhãs de inverno. Precisava injetar gasolina, tentar uma ou duas vezes, torcer para não forçar a bateria e, às vezes, deixar o motor ligado por algum tempo para não sair titubeando pelo caminho. 

O Jaime, nosso colega do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, teve um Passat – Passat raiz, não este alemão e chique que roda hoje em dia. Era a álcool e câmbio mecânico. Dureza! Um dia, um amigo deu-lhe  carona em uma Belina à gasolina e automática. “Ainda vou ter uma dessas”, pensou Jaime, que assim que chegou ao trabalho esqueceu da promessa que fez a si mesmo. Algumas semanas depois, abriu a revista Quatro Rodas e deparou com o anúncio da Belina a espera dele. Mas sabe como é …. projeto pra entregar, família pra cuidar. Deixa o desejo da troca de carro para outro dia. Duas semanas depois, ele passou diante da concessionária Ford e voltou a ver a Belina dos sonhos. Entrou, negociou, barganhou e levou. 

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e descubra qual foi o destino da Belina do Jaime Troiano

O que o fez comprar: a necessidade de um carro mais moderno, a experiência que teve com o amigo, o anúncio na revista ou a fachada da loja no caminho de casa?  Ele próprio responde: a mistura de desejo e necessidade. É assim que costuma funcionar nossa jornada de compra, do carro (nem álcool nem gasolina, eu sonho com um elétrico) à camisa; do computador ao sapato. Quem faz a gestão de marcas sabe como isso funciona, tem estratégias para conquistar o cliente mas precisa ter consciência de que não pode criar armadilhas. 

A história e a reflexão que se seguiu surgiram no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso depois que perguntei ao Jaime Troiano — o dono da Belina — e a Cecília Russo — que não sei se algum dia pegou carona no carrão dele — se o branding é mocinho ou vilão do consumidor. 

“É uma questão que invade o território ético. Será que somos nós os culpados de criar desejos antes ainda inexistentes, e contribuir para o consumo pouco consciente? Já refletimos muito sobre isso, e nossa conclusão é que essa dualidade, mocinho e bandido, não faz muito sentido.”

Cecília Russo

Quando profissionais de branding fazem seu trabalho a partir de marcas sérias e comprometidas com suas entregas, produtos e serviços, estão atuando dentro de limites éticos e atendendo a necessidades das pessoas, explicam Jaime e Cecilia. Um exemplo, para ir além da Belina, é quando sentimos sede. Não é  a marca quem provoca essa sede. A sede nos leva a marca. E aí sim entra o trabalho do branding: direcionar a pessoa que sente sede para um determinado produto. 

“Seres humanos somos uma fábrica de desejos. Eu já os tenho dentro de mim e são esses desejos que me levam ao consumo. As marcas fazem parte daquela equação que já falamos no programa: o que eu sou mais alguma coisa que me falta, é uma soma, digamos assim, que me conduz ao que eu quero ser, ao meu eu ideal”. 

Cecília Russo

Leia aqui mais sobre a equação citada por Cecília Russo

Estar comprometido com a transparência e desenvolver o projeto de branding baseado na verdade da marca e em um profundo conhecimento das pessoas a quem elas se destinam é uma responsabilidade que os profissionais da área têm de assumir.  

“Branding não é uma máquina de vendas. É um caminho para criar significados autênticos para as marcas satisfazerem necessidade e desejos igualmente autênticos nos consumidores”

Jaime Troiano

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a síndrome do lateral esquerdo e outras reflexões

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“When I get older losing my hair, 

Many years from now” 

John Lennon e Paul McCartney 

Das lições que a longevidade de algumas marcas nos oferecem a necessidade de darmos um propósito para o trabalho que realizamos. Da escolha do nome da sua marca a importância de estar bem posicionado no mercado. Jaime Troiano e Cecília Russo reuniram em livro 22 temas que ajudarão você a pensar sobre estratégias de gestão de marca.  Um conhecimento compartilhado, de graça, e no formato de e-book que você acessa no site da TroianoBranding

Uma das histórias publicadas em “Brandpedia Feliz Marca Nova, 22 reflexões sobre marcas e sociedade” faz do futebol analogia para se entender a necessidade de a marca ter identidade própria, bem definida, Jaime lembra dos garotos que chegam atrasados para jogar bola e a eles é reservada a lateral esquerda. Posição que, dizem por aí, é pouco querida pelos meninos.

“No mercado é exatamente assim. Se você não escolhe o seu melhor, mais adequado posicionamento, as outras marcas vão te empurrando pra um cantinho mental na cabeça dos consumidores. E você acaba sendo visto como a marca da “lateral esquerda”. Perde sua melhor identidade”. 

Jaime Troiano

O que diriam dessa tese Nilton Santos, Marcelo, Roberto Carlos, Júnior e Everaldo, dos maiores laterais esquerdos que o futebol já assistiu jogar? Deixa pra lá. Aqui, o importante é que você entenda a analogia e não permita que os outros decidam por você em que posição sua marca vai jogar.

Na conversa que tivemos sábado, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, falamos de futebol; e de música, também. Nesse último caso, foi Cecília quem arriscou cantarolar parte da letra “When I’m Sixty-Four”, de 1967, um dos tantos sucessos dos Beatles. Lennon e McCartney levam para a música o tema do envelhecimento em uma época na qual pessoas com 64 anos eram consideradas velhas. Hoje, nessa idade, estamos em plena atividade. Somos 30 milhões no Brasil com mais de 60 anos. Assim como a população é longeva, seja pela ciência seja por mudanças no estilo de vida, as marcas também podem ter vida longa”

“O mesmo acontece com as marcas, ou melhor, com aquelas marcas que, assim como nós seres humanos, fizeram boas escolhas para terem vidas longevas”

Cecília Russo

Ouça o comentário completo do Jaime e da Cecília, a seguir. E baixe o livro para conhecer as demais reflexões que eles propõem para que a sua marcas seja um sucesso:

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: as lições que aprendemos do caso Djokovic

O tenista Novak Djokovic. (Foto: OSCAR DEL POZO / AFP), no site CBN

“A marca está associada diretamente ao atleta, e não se pronunciar é usar tapumes e esconder o problema”

Cecília Russo

Rafael Nadal transformou-se recordista de títulos de simples em Grand Slams, que reúne as quatro maiores competições do tênis mundial, nesse domingo, ao conquistar o Aberto da Austrália. Além da marca de 21 títulos e dois mil pontos no ranking da ATP, a conquista em Melbourne rendeu ao espanhol pouco mais de R$ 10,8 milhões.  No uniforme do super campeão estavam estampadas as marcas Nike e Babolat, que nada têm a reclamar sobre o valor que o espanhol agrega a história de cada uma delas.

O mesmo não pode dizer a francesa Lacoste que, apesar de estar em destaque no uniforme do russo Daniil Medvedev, que perdeu a final para Nadal, se viu envolvida na polêmica provocada por seu principal patrocinado, o número 1 do mundo do tênis, Novak Djokovic – com quem mantém contrato em torno de U$ 9 milhões ou R$ 49,7 milhões. O sérvio foi impedido de entrar na Austrália por não ter se vacinado contra a Covid, além de ter apresentado documentação falsa na tentativa de burlar a regra do país. 

A encrenca causada por Djokovic é tema de reflexão entre os profissionais do branding, e foi assunto no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, desse sábado, no Jornal da CBN. Jaime Troiano e Cecília Russo já alertaram, em comentários anteriores, sobre os cuidados e riscos de marcas se associarem a figuras públicas – estratégia bastante comum, especialmente no esporte.  

“A primeira coisa a se pensar, e já demos essa dica aqui no programa, é sempre escolher muito bem as parcerias e as pessoas as quais sua marca vai estar junto”

Jaime Troiano

O caso Djokovic mostra o quão complexa é a tarefa de definir essas parcerias. Ele é dos maiores tenistas que o mundo já assistiu a jogar; lidera o ranking atual; tem o maior número de títulos individuais da ATP; e soube como poucos aproveitar o aumento das premiações por vitórias no esporte: com 34 anos, faturou US$ 154,76 milhões em prêmios.

Por outro lado, além de se negar a tomar vacina contra a Covid, doença que matou mais de 5,6 milhões de pessoas no mundo, já se envolveu em outras polêmicas ao defender teses no mínimo questionáveis, para não dizer absurdas: acredita, por exemplo, que com o pensamento positivo pode limpar a água contaminada; e apoio sua mulher quando ela usou o Instagram para divulgar uma teoria de conspiração envolvendo a tecnologia 5G e a pandemia. 

“É primordial que exista sintonia entre marca e parceiro, assim, o consumidor não vê com estranheza a parceria” 

Jaime Troiano

A despeito das polêmicas, Djokovic está muito bem servido de patrocinadores: além da Lacoste, tem contratos milionários com Hublot, Peugeot, Asics e Head, marcas com enorme exposição entre quem acompanha o tênis. De todas, apenas a marca francesa de roupas se pronunciou, mesmo assim para dizer que iria sentar e conversar com o tenista. Até hoje, não divulgou o resultado desta conversa – se é que ocorreu. 

“A marca está associada diretamente ao atleta, e não se pronunciar é usar tapumes e esconder o problema, e já repetimos aqui a frase famosa: marca não é tapume”. 

Cecília Russo

A exposição que as marcas têm e a pressão que sofrem, especialmente nas redes sociais, tornam necessárias respostas precisas e transparentes em relação aos fatos que podem afetar sua imagem. Nem que seja para fazer uma avaliação ou até mesmo para assumir que errou, porque o público tende a ser mais condescendente diante de um posicionamento honesto da marca. 

“É importante que a marca tenha um conhecimento profundo da sua própria identidade, assim, fica mais fácil escolher parcerias com pessoas que compartilhem das mesmas crenças”

Jaime Troiano

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo lembram de outros casos envolvendo atletas de renome como o do ciclista Lance Armstrong, envolvido em um escândalo de doping, e o jogador de futebol Robinho, condenado por estupro, na Itália.

Ouça o comentário completo, com sonorização de Paschoal Junior:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar no Jornal da CBN, aos sábados, às 7h55 da manhã.