Avalanche Tricolor: é sempre bom voltar para casa

 

Brasil-Pel 0 x 0 Grêmio

Gaúcho — estádio Bento Freitas/Pelotas-RS

 

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Pepê em destaque na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA 

 

Foram apenas alguns dias, mas foram dias intensos esses que fiquei em Porto Alegre. Fui para lá na sexta-feira e voltei no domingo. Se insistir de ficar mais um ou dois dias —- e esta é a vontade que não me falta —- logo estarão espalhando por aí que estou de férias. Por isso, ontem à noite já estava em casa, aqui em São Paulo.

 

É curiosa essa sensação do “estar em casa”.

 

Deixei Porto Alegre em 1991 quando vim embora para a capital paulista. Se minhas contas estiverem certas e meus planos se realizarem, desde metade do ano passado já vivi mais tempo em São Paulo do que no Rio Grande do Sul.

 

Aqui me fixei profissional e pessoalmente. E me realizei. Minha carreira de jornalista se expandiu. A mim foi oferecido espaço no rádio, na TV, na internet e em revista. Muito mais importante, porém, foi que aqui encontrei a mulher amada e com ela tive filhos amados — e com eles convivo até hoje. É na casa de São Paulo que recebo amigos e para a qual convido a família para aproveitar seus dias. É o meu lar.

 

Apesar disso, ainda teimo em dizer, sempre que tenho viagem marcada para Porto Alegre, que vou para casa. Refiro-me a casa onde morei na Saldanha Marinho, em Porto Alegre, na qual hoje vive meu irmão com a família dele — minha cunhada, meu sobrinho e minha afilhada —-, que me recebe sempre com muita generosidade

 

Foi lá que passei a maior parte dos meus dias de infância e adolescência. Onde minha mãe trocou minhas fraldas, vestiu minha primeira calça de brim coringa e nela bateu com chinelo, sempre que fiz por merecer. Corri atrás de galinha no quintal da casa da Saldanha. Brinquei de esconde-esconde na calçada, em frente. Deixei meus pais de cabelo em pé, atravessando de bicicleta a rua de paralelepípedo.

 

Quando acreditava ter idade para tal, deixava minha casa para me divertir nas discotecas da época, no encontro com os amigos na mesa de bar e na paquera na Cidade Baixa — programas que contribuíram, e muito, para o número de cigarros consumido pelo pai, que só dormia depois que eu voltava para casa.

 

Lá da casa da Saldanha, saía ao lado do pai para ver os jogos do Grêmio, no vizinho estádio Olímpico — onde também treinei futebol, joguei basquete e criei raízes. E essa sequência de experiências —- e tantas outras que deixei de registrar aqui —- impregnaram na alma a ideia de que quando chego na Saldanha, estou em casa. Estou mesmo. Uma sensação que em nada desmerece a ideia de que meu lar está em São Paulo, daqui de onde escrevo essa Avalanche.

 

Ops, perdão, somente agora lembrei que este texto ocupa o espaço dos posts que fazem referência ao Grêmio e seu desempenho em campo — e fora dele. Infelizmente, porém, a viagem de volta a São Paulo deu-se no momento em que o Grêmio começava mais um compromisso pelo Campeonato Gaúcho. Mal consegui assistir aos minutos iniciais na tela do celular. A comissária de bordo logo anunciou o fechamento das portas do avião. Assim que aterrissamos ainda consegui ver o apito final da partida em que empatamos jogando fora de casa — resultado que nos mantém isolado e distante na liderança da competição.

 

Semana que vem, segunda-feira, o Grêmio volta aos gramados e, dessa vez, jogando em casa. E estar em casa é sempre muito bom. Não é mesmo!?

Avalanche Tricolor: o Grêmio é cruel!

 

Grêmio 4×0 Brasil-PEL
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Jael

Jael comemora com Everton o 3º gol (reprodução SPORTV)

 

A goleada na primeira partida da final dá a dimensão da diferença técnica entre o Grêmio e os demais times que disputam o Campeonato Gaúcho. Mesmo aquele que teve a melhor campanha até aqui na competição não foi capaz de conter o talento tricolor e acabou praticamente nocauteado, nessa tarde de domingo.

 

Haverá alguém que questione esta diferença e justifique o placar ampliado pela expulsão do zagueiro adversário pouco antes do fim do primeiro tempo. É verdade, o cartão vermelho facilitou nosso serviço. Mas se aconteceu, pode colocar na conta do Grêmio.

 

A velocidade das jogadas, a forma como o time se movimenta em campo, a quantidade de passes trocados e a precisão desses passes faz com que os espaços se abram. Por mais esforçado que seja o adversário é preciso correr mais, dobrar a marcação e ser muito cirúrgico na roubada de bola.

 

É cruel!

 

A paciência do marcador diminui com o passar do tempo, as faltas ocorrem com mais frequência e por mais permissivo que seja o árbitro as punições ocorrem. Um amarelo aqui, outro ali, uma bronca acolá e, daqui a pouco não tem mais opção: vermelho.

 

Foi o que aconteceu na Arena, mais uma vez.

 

O Grêmio entrou em campo com dois volantes que dizem muito sobre a qualidade do time. Geralmente as equipes têm um volante com algum talento na saída de bola e outro no desarme. Maicon e Arthur rodam pelo meio de campo e conduzem a bola com uma habilidade impressionante.
É cruel!

 

À frente dos volantes aparece Luan que é perseguido por um, dois, três … hoje chegou ter cinco jogadores em volta dele … e não perde a bola por nada neste mundo. A cabeça está sempre erguida para enxergar um companheiro mais bem colocado. A corrida pelo gramado é elegante. Dificilmente é desarmado. E só resta ao marcador derrubá-lo. Ou atropelá-lo, como fez o zagueiro justamente expulso no fim do primeiro tempo.

 

É cruel!

 

Pelos lados aparecem Everton, um velocista, e Ramiro, um incansável. Everton finaliza mais, Ramiro marca mais. Cada um com sua características, sempre aparecem livres para receber, pois têm agilidade e conseguem dar boa sequência na jogada.

 

Everton, aquele que nos colocou na final do Mundial, dá sinais que vai pelo mesmo caminho de seu antecessor Pedro Rocha. Muitas vezes cobrado por desperdiçar jogadas de gol, começa a se posicionar melhor em campo e finalizar melhor. Hoje marcou dois.

 

Ramiro descobriu-se cobrador de falta. Mais uma vez soube aproveitar o chute de longa distância, bateu forte na bola e deu a ela efeito capaz de “driblar” o goleiro.

 

É cruel!

 

E lá na frente …. bem, lá na frente tem o Cruel em pessoa.

 

Jael faz cara feia quando não marca, faz cara feia quando recebe falta e faz cara feia para o adversário. Mas sorri como nenhum outro quando percebe a utilidade de seu futebol para o time do Grêmio.

 

Hoje, foi imprescindível no passe. Sempre recebendo de costas para o zagueiro, toca para um companheiro mais bem colocado e, com a humildade que o caracteriza, os deixa em condições de fazer o gol. 

 

Colocou a bola por trás dos marcadores para Everton fazer o primeiro, forçou a defesa do goleiro permitindo que Alisson fizesse o segundo e deu passe de letra magistral para Everton fazer o terceiro. Só não participou do quarto gol porque já não estava mais em campo.

 

O Grêmio que já havia vencido a primeira partida das quartas-de-final por 3 a 0, a primeira da semifinal por 3 a 0, começa a decisão do Gaúcho com uma goleada clássica: 4 a 0.

 

O Grêmio é cruel com seus adversários!

Avalanche Tricolor: prazer em revê-lo!

 

Brasil 1×3 Grêmio
Gaúcho – Centenário/Caxias do Sul

 

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Foto:Lucas Uebel/Álbum oficial do Grêmio, no Flickr

 

O estádio era o velho Centenário, na Serra Gaúcha, onde assisti a muitos jogos pelo Campeonato Gaúcho – e lá também trabalhei, nas épocas de repórter de campo pela Rádio Guaíba de Porto Alegre. A imagem da vizinhança sobre a laje das casas que rodeiam o local, transformada em arquibancada, permanece. A impressão é que os arredores, no bairro de Marechal Floriano, pararam no tempo, apesar do crescimento da cidade de Caxias do Sul.

 

O adversário na estreia do Campeonato Gaúcho também era bem conhecido, aliás é um dos mais tradicionais do Rio Grande: o Brasil de Pelotas, que teve de migrar para Caxias, neste primeiro jogo, devido a punição imposta pela Federação Gaúcha de Futebol, ainda na competição do ano passado. O time tem sido o melhor do interior gaúcho nas últimas temporadas, acaba de subir para Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro e sempre é empurrado por uma fanática torcida

 

Apesar de Caxias, o Centenário e o Brasil de Pelotas me trazerem boas lembranças dos tempos em que morei no Rio Grande do Sul, a saudade que sentia, até a bola começar a rolar, era do Grêmio que encantou o futebol brasileiro no ano passado. Era daquele estilo de futebol que Roger nos ensinou a gostar: marcação sobre pressão, pouco espaço para o adversário jogar, time se movimentando com rapidez, bola saindo de um pé para o outro sem precipitação e muita precisão.

 

Já havia assistido às duas partidas anteriores, o amistoso contra o Danubio e a estreia na Copa Sul-Minas-Rio, ambos sem muito entusiasmo, seja porque a primeira nada valia, seja porque a segunda era com time reserva, que pouco se entendia.

 

Hoje, não! Hoje começava a temporada propriamente dita.

 

Time titular em campo e competição tradicional em disputa faziam desta partida a mais importante até aqui. As circunstâncias do jogo tornaram o resultado ainda mais relevante, pois encaramos um adversário esforçado e com marcação persistente, um árbitro metido a disciplinador e um gramado que se desmontava a medida que era pisoteado pelos jogadores. Não bastassem essas intempéries, ainda falhamos na marcação logo no início da partida e saímos atrás no placar.

 

Apesar das dificuldades iniciais e da irritação aparente de alguns jogadores, o Grêmio não abriu mão de sua maneira de jogar. O pouco espaço que restava em campo, devido ao sistema defensivo bem montado pelo técnico adversário, era usado para fazer a bola rolar de pé em pé.

 

O time parecia consciente de que somente tendo o domínio total da bola é que conseguiria chegar ao gol. Apesar de ter criado poucas chances, no primeiro tempo, o talento foi premiado com a jogada pelo lado direito em que Luan foi forte na marcação e veloz para encontrar Maicon, que corria em direção à área. De presente, Luan recebeu o passe de volta e empatou a partida.

 

No segundo tempo, ficou evidente que a conversa com Roger no vestiário mais uma vez colocou as coisas nos seus devidos lugares. Luan e Maicon voltaram a ser protagonistas ao servirem com categoria Everton e Pedro Rocha, no primeiro e no segundo gol, respectivamente.

 

O Grêmio está de volta!

 

Foi um prazer revê-lo!

Avalanche Tricolor: paciência, muita paciência!

 

Grêmio 0 x 1 Brasil de Pelotas
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Ganha uma, perde outra, ganha uma, perda outra …! Paciência! Assim será por algum tempo e enquanto estivermos em construção. No time, muitos jogadores novos e muitos novos jogadores. Alguns apesar de recém-chegados, estão apenas voltando. Há os velhos conhecidos, também. Essa mistura impõe tremendo desafio em um início de temporada. Especialmente, em uma temporada como esta na qual o Grêmio além de acertar a equipe em campo terá de acertar as contas no banco. Com essa receita, esportiva e financeira, não é possível esperar resultados extraordinários.

 

Verdade que eu esperava bem mais do que assistimos na noite de hoje, principalmente por estarmos jogando em casa. Mas, convenhamos, parece que o tal fator casa tem pesado muito pouco a nosso favor desde que nos mudamos para o Humaitá. Não que eu não goste do novo estádio, não! Nada disso. É um orgulho saber que aquela é a nossa nova casa. Apenas ainda não conseguimos criar um clima favorável, que impactasse o adversário – exceção a alguns raros momentos. Parece que os times vão jogar na Arena como se estivessem em campo neutro, mesmo com o grito forte da torcida no ouvido. Nos últimos dois jogos que fizemos em Porto Alegre, por exemplo, até as torcidas adversárias se motivaram a ocupar seu espaço. A impressão é de que todos se sentem confortáveis por lá. Conforto para os torcedores nas arquibancadas eu entendo e concordo, mas dentro de campo …!?

 

Hoje, vimos mais uma vez alguns ensaios de boas jogadas, uma ou outra iniciativa individual e raríssimas chances de gol. E se não as criarmos, teremos que contar com a sorte. Esta, porém, costuma estar do lado dos que mais acertam passes, jogam pelos flancos, se movimentam com velocidade e lutam incessantemente. Por enquanto, a luta da maioria dos nossos é com a bola e para se manter entre os titulares. E enquanto isso não mudar, será este ganha uma, perde outra, ganha uma, perde outra …! Paciência, muita paciência!

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr