Grêmio 2 x 1 Botafogo
Brasileiro – Arena Grêmio
Cheguei de viagem logo cedo, neste domingo, após 10 horas de vôo e cinco horas de fuso que atrapalham o sono, mas não tiram a satisfação de duas semanas de férias. Ao trabalho volto na terça-feira, oportunidade para matar a saudade de colegas, do programa e dos ouvintes. Hoje, porém, dedico-me a escrever sobre outra saudade resolvida: a do Grêmio. Não que eu tenha comparecido em corpo e alma na Arena, coisa que ainda estou devendo a mim. Assisti ao jogo em casa, já aqui em São Paulo, diante da televisão. E gostei muito do que vi, mesmo sendo submetido a forte pressão do adversário que, não se deve esquecer, era o líder e tem um jogador excepcional (quase tão bom quanto Zé Roberto – acho melhor deixar este comentário fora, vão dizer que é só porque sou gremista).
Fazia tempo não havia jogadores vestindo nossa camisa com tanta dedicação e, curiosamente, alguns deles estão há algum tempo por lá. A vibração nas bolas despachadas para fora, como fizeram Pará e Alex Telles, e com carrinhos salvadores que impediram o gol de empate, como ocorreu com Werley e Bressan, nos minutos finais, demonstra nova disposição da equipe. Arrisco dizer que até o impassível Dida se deu o prazer de comemorar defesas. Pra frente não foi diferente, seja com a dupla Zé Roberto e Elano, seja com Kleber e Vargas, este último com destaque especial ao marcar dois golaços. Por falar em gringo, apesar de mais uma vez ter o direito de jogar apenas alguns minutos, Maxi Rodríguez, que já conquistou o torcedor, segue mostrando utilidade.
Em meio a divididas duras, riscos de gol, algumas jogadas atabalhoadas e ao bom toque de bola do meio para o ataque, lembrei que Renato Portaluppi, durante a semana, havia alertado para o fato de estarmos disputando uma decisão de seis pontos contra o líder e da necessidade de se vencer os três primeiros, que poderiam fazer uma tremenda diferença no final. E sabemos bem que fazem. É importante que se tenha esta visão a cada partida em um campeonato de pontos corridos. É assim que se chega ao título e foi assim que perdemos vários deles, nesses anos todos.
Ao ouvir o jovem lateral esquerdo Alex Telles falando com repórteres de campo, assim que a vitória foi garantida, não tive dúvidas de que o espírito do qual tinha tanta saudades estava de volta: “Desde que chegou, o Renato falou que, quando ele foi campeão do mundo, precisou de muita entrega. Se a técnica não prevalecesse sempre, hoje a vontade prevaleceu. Nosso time está muito preparado, marcando muito forte. O Renato implantou isso na gente: nunca desistir”.
Vamos precisar mais do que vontade, mas enquanto esta estiver presente, não vamos desistir nunca.









