Foto-ouvinte: Encaixotando Leopoldina

 

Abuso na Vila Leopoldina

“Caixas e lixos na rua, caminhões em fila dupla, pregos que furam pneus e a inexistência de calçadas”. A cena assim descrita pelo ouvinte-internauta Hélio Figueiredo ocorre na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. Ele disse que está cansado de reclamar para a prefeitura, mas o problema parece não ter solução.

Triturador pode ser solução, escreve Soninha

Reproduzo aqui comentário deixado no Blog pela subprefeita Soninha Francine, sobre o problema das caixas que armazenam produtos transportados para o Ceagesp:

“E o desespero que me dá quando tenho o impulso de dizer “o problema parece não ter solução mesmo”?! Uma operação de apreensão para liberar uma única rua exige cerca de 60 caminhões da prefeitura. E no dia seguinte, a caixaria estará funcionando lá a todo vapor. Como outros tipos de comércio irregular e ilegal, ele é favorecido por circunstâncias locais – a Ceagesp, com seu imenso impacto na vizinhança – e pelo valor econômico. Se ninguém comprasse os tais dos caixotes; se o consumidor exigisse embalagens corretamente rotuladas etc., o comércio morreria de inanição. No ano passado, como cheguei a comentar com o Milton Jung no ar, me animei com a perspectiva de usar um terreno cedido pela Ceagesp e um triturador doado por empresas da região para dar muito mais agilidade às operações de apreensão – e um outro valor econômico para os caixotes. Mas a doação “micou” (não era tão simples qto os empresários tinham dado a entender – “é só a prefeitura querer!”) e a Ceagesp tb não quis mais ceder o terreno, que pretende usar como estacionamento. Estamos, agora, firmando uma parceria com uma cooperativa de catadores para instalar o triturador em uma área municipal – surgem contratempos aqui e ali, mas parece que vai dar certo. Enquanto isso, fazemos operações esporádicas em pontos específicos, mas é uma lástima ver o quanto o resultado mal aparece. A cadeia produtiva é muito mais forte e poderosa do que nosso poder de fiscalização, e isso me dá um desgosto imenso. Não é à toa que tantos defendem que a Ceagesp diminua de tamanho e mude boa parte de suas atividades para outro local, mais moderno e menos favorável ao subemprego e exploração que vicejam no seu entorno”

Foto-ouvinte: Seu José, plantador de árvore

 

Seu José planta árvores

Seu José tem 52 anos, guarda carro, varre a calçada, pinta as guias e planta árvores. Acha um desrespeito a prefeitura não cuidar das calçadas, então faz o trabalho por conta própria. E ensina o cidadão paulistano: “Na minha rua todo buraquinho que aparece eu planto uma árvore”.

O corretor de imóveis Marcelo Escobar encontrou Seu José na rua atrás do prédio da IBM, na Vergueiro. Eu o encontrei no blog do Marcelo. Vá até lá e conheça “Pessoas Legais e Lugares Bacanas”

Escravo da rua

 

Morador de rua

Os quilombolas eram escravos que fugiram dos engenhos de cana-de-açúcar e se protegiam em vilarejos distantes dos centros urbanos. Aqui, a “história dos quilombolas” protege o morador de rua que foge da realidade dormindo nas calçadas de São Paulo.

De sentada na calçada


Pássaro por Maria Lucia Solla

Por Maria Lucia Solla

Ouça ‘De sentada na calçada’ na voz da autora

mas é real o que estou a ver
encontro e desencontro
tim tim
rindo a comer e beber
se fartando de mim

e quem está com os dois
não pode ser olhe lá
esperança e desesperança
não acreditaria se ouvisse falar

a Vida é mesmo mistério
digo rindo
e falando sério

pensava que fossem
de tribos opostas
que no mesmo ambiente
não estariam
nem de costas

no entanto parecem entrosados
os quatro
partilhando uns dos outros
copo e prato

tim tim
rindo a comer e beber
muito furtando de mim

há intimidade
é mais que um primeiro encontro
parece que vem de longe
que é sólida a amizade

riem
é só o que me falta
além do ar
desencontro abraçado
à esperança
os dois a gargalhar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de Comunicação e Expressão, escreve no Blog do Mílton jung aos domingos, e é ótima companheira para bater papo sentada na calçada.

Prefeito veta lei que garante acesso a cegos em lan house

 

Uma lei vetada e outra a espera da palavra decisiva do prefeito Gilberto Kassab (DEM) levaram a vereadora Mara Gabrilli (PSDB) a questionar o compromisso da administração municipal com a causa da pessoa deficiente. Descartada, foi a proposta de obrigar as lan houses a adaptarem computadores e ambiente para cegos; no aguardo, o projeto que cria o censo da inclusão e pretende mapear onde vivem as pessoas com deficiência ou restrição de mobilidade.

Mara Gabrilli foi secretária municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida na administração Serra/Kassab, por isso o tom de sua crítica durante entrevista ao CBN SP surpreendeu e revelou o quanto ela está incomodada com as atitudes tomadas até aqui pelo prefeito, ao menos em relação ao tema.

Na conversa, além de explicar a que se prestam as duas leis aprovadas na Câmara, a vereadora tucana também falou sobre regras que estão em vigor há algum tempo mas não estão sendo cumpridas na capital: uma de 1988 que obriga tornar acessível todas as calçadas no entorno de prédios públicos; outra, mais recente, que exige a recuperação de cerca de 3 mil km de calçadas localizadas em rotas estratégicas do município.

Ouça a entrevista da vereadora Mara Gabrilli (PSDB)

Em tempo: a lei que obriga as lan houses a se adaptarem para clientes cegos, é de autoria da vereadora Gabrilli e do vereador Ricardo Teixeira (PSDB).


Agora o outro lado
(atualizado 12:30 de 23/12)

O secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Marcos Belizário, disse que não sabe os motivos ténicos que levaram a prefeitura a decidir pelo veto ao projeto de lei que prevê acessibilidade de cegos a lan houses. Em entrevista ao CBN SP, apesar de ter explicado que o parecer da secretaria dele havia sido favorável,
ressaltou que donos de lan houses teriam alegado dificuldades técnicas para a implantação do sistema exigido.

Ouça a entrevista com o secretário Belizário que falou também sobre os problemas das calçadas não-acessíveis

Foto-ouvinte: Calçada verde

 

Calçada verde em São Paulo (Paula Calloni)

Um novo conceito de calçada ecológica ? Não, apenas descaso de quem realizou o serviço de poda na esquina das ruas Jesuíno Maciel com República do Iraque, no Campo Belo, em São Paulo. Segundo a ouvinte-internauta Paula Calloni passou por lá um dia depois da foto e já havia caixas de papelão e tapetes velhos depositados na mesma calçada.

Construtora transforma calçada em pátio de obras

 

Calçada ocupara por construtora

A conversa com o ex-prefeito de Bogotá (Colômbia), Enrique Peñalosa, inspirou o repórter Fernando Andrade, da CBN, no fim da tarde desta segunda-feira. Após o entusiasmo com as palavras de um dos colombianos responsáveis pela mudança radical na forma de tratar o cidadão naquela cidade, Fernando se deparou com a realidade paulistana. E escreveu este lamento para os leitores do blog:

“Após cobrir o Seminário Transportes para Cidades Melhores na USP, nesta segunda-feira, no qual o ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia, Enrique Peñalosa, fez excelente apresentação mostrando que para revitalizar áreas degradadas, primeiro se contrói calçadas, depois os parques e, por último, se asfalta as ruas, me lembrei da atitude de uma construtora que na zona norte de São Paulo.

Peñalosa ressaltou que a democracia de uma cidade se mede pelo tamanho da calçada. E ilustrou isso com fotos de calçadas de diversas capitais.

Aí, voltando pra casa, depois de descer do ônibus e seguir a pé o restante do trajeto – faço isso por opção e adoro meu “rolê” -, decidi fotografar como a incorporadora BrasilArt trata os pedestres. Há anos, o edifício de alto padrão de quatro dormitórios na rua Benta Pereira, 160 – Santa Teresinha vem sendo construído e há anos perdemos a calçada. Como é possível ver nas fotos, o impacto da obra na região foi enorme. Não seria melhor ter privilegiado os moradores, pedestres do bairro ?

Como isso não ocorreu até agora, mudo de calçada e continuo desviando dos cocôs dos cachorros do outro lado. Mas fica aqui meu protesto!”

Ouça a entrevista de Fernando Andrade com o ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa

Canto da Cátia: Viciado em lixo

 

Entulho na calçada 2

Um “passeio” pela cidade, sem precisar ir muito longe, é suficiente para a repórter Cátia Toffoletto encontrar pontos “viciados” de lixo em São Paulo. Nesta manhã, passou pela avenida Presidente Wilson, no Ipiranga, e encontrou a calçada tomada pelo entulho. Em seguida se deparou com outro desrespeito à cidade na rua Coelho Netto, na Vila Prudente. Fotografou e conversou com os moradores e comerciantes da região que não gostam nada desta situação.

Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto

Depois que a reportagem foi ao ar no CBN São Paulo, a Secretaria Municipal de Serviços enviou nota ao programa afirmando que o lixo seria recolhido e as subprefeituras responsáveis pelas áreas iriam intensificar a fiscalização no local para punir os autores desta irregularidade.

Interessante constatar que todos na região sabem do problema, o serviço de limpeza já esteve lá em outras oportunidades, mas somente agora prometem “intensificar a fiscalização”.

Canto da Cátia II: Sem saída

 

Rua da Cantareira

A chuva mal havia começado no meio da manhã, nesta segunda-feira, e a repórter Cátia Toffoletto já se deparava com alagamento da rua da Cantareira, próximo do Mercado Municipal de São Paulo. Sujeira nas calçadas e bocas de lobo entupidas davam sinais de que seguimos despreparados para os temporais na capital paulista.