Avalanche Tricolor: o Sincero, o Precoce, o Craque e o show do Grêmio!

 

Chapecoense 3×6 Grêmio
Brasileiro – Arena Condá – Chapecó/SC

 

 

– Você viu o goleiro adiantado pra fazer esse golaço?
– Não, tentei lançar e a bola entrou!
– E já tinha feito dois gols em uma só partida?
– Já!

 

Michel, preciso na marcação e bom na saída de bola. O volante que teve a responsabilidade de substituir o capitão da equipe e um dos principais jogadores da conquista da Copa do Brasil, em 2016, revelou na noite de hoje outra nuance de sua personalidade.

 

Esforçado sabíamos que era, pela forma como luta para impedir que a bola chegue a nossa área. Aparece de um lado ou de outro da defesa, conforme o caminho que o adversário usar para tentar se aproximar do nosso gol. Trabalha em silêncio, sem chamar a atenção do torcedor. Não tem o apelo de Arthur, que nasceu com jeito de craque. Nem a dominância de Ramiro, que sabe jogar na frente, atrás ou na lateral, conforme as necessidades do time. É humilde!

 

Hoje, em entrevista, mostrou, também, que é sincero.

 

Everton, por sua vez, tem cara de moleque. Parece sempre disposto a aprontar alguma. Nunca conseguiu se firmar no time, como fez Michel. Mas seguidamente aparece em momentos decisivos. De tão veloz, é capaz de atrapalhar os já atrapalhados comentaristas da televisão – como na transmissão que acabo de assistir. Mas a velocidade dele, conhecemos há algum tempo. Nesta noite, em Chapecó, fez história, não apenas por marcar três gols em um só jogo, mas por fazer dois deles estando a apenas dois minutos em campo e com apenas dois toques na bola.

 

Além de veloz, Everton provou que pode ser, também, precoce.

 

Em um jogo incrível, no qual sequer o protagonismo do árbitro foi capaz de estragar, Luan que serviu seus colegas boa parte da partida acabou sendo servido no final. Marcou mais um, consagrando-se como dos maiores goleadores da história recente do Grêmio. Já é o que mais gols marcou na Arena, com 29 no total; nesta temporada fez 12; e, desde que assumiu como titular, em 2014, assinalou 51.

 

Se Michel se revelou sincero, e Everton, precoce; Luan apenas confirmou o que sabemos dele há algum tempo: é show! Assim como o Grêmio!

 

Grêmio Show!

Avalanche Tricolor: o padrão de jogo que nos faz melhor e a lição que aprendi com o Grêmio

 

 

Grêmio 2×0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Renato comemora 1º gol (reprodução Premiere)

 

 

Um olho no peixe e outro no gato. Pra ser preciso: um na TV e outro no Ipad. Na tela pequena, o Grêmio, paixão ensinada pelo meu pai. Na tela grande, a Keyd Stars, torcida aprendida com meus filhos. A agenda esportiva deste domingo colocou no mesmo horário futebol e LoL, esporte tradicional e eletrônico, time do coração e coração de pai; e tive de me desdobrar em emoção e sofrimento.

 

Menos mal que o Grêmio deu poucos motivos pra sofrer, apesar do equilíbrio da partida na primeira meia hora e alguns riscos de gols de tirar nossa respiração. O pênalti bem marcado e raramente visto – convertido por Barrios – amansou o adversário e o domínio passou a ser nosso. Mantivemos o padrão de jogo que tem entusiasmado cronistas aqui no centro do país.

 

Aliás, permita-me um parênteses: é tanta badalação que, confesso, até desgosto. Prefiro quando meus colegas de trabalho ficam de oba-oba com os adversários e nós vamos comendo pelas beiras, sem chamar atenção.

 

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Luan comemora o 2º gol (reprodução Premiere)

 

Tivemos boas chances de ampliar e reduzir o risco do empate. Mas desperdiçamos a maior parte delas. Por outro lado, se o ataque não fazia, o meio de campo mantinha o domínio da bola e a defesa estava firme sem dar chances para o adversário. Éramos melhores.

 

A superioridade pode ser simbolizada pelo gol que fechou o placar e a partida, aos 48 do segundo tempo. Luan usou de seu talento para driblar dentro da área, passou a Léo Moura que entrou em velocidade pela direita, que entregou a Maicon, que com um tapa na bola tocou para Gastón Fernández, que marcado deu de calcanhar para Luan completar em gol.

 

Talento, velocidade, precisão no passe, deslocamento e o gol como maior objetivo o tempo todo – sim, porque se perdemos tanto é porque criamos muito. A somatória desses fatores tem feito o Grêmio superior e justifica nosso ótimo desempenho no Brasileiro, na Copa do Brasil e na Libertadores.

 

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Time da Keyd Stars (reprodução Riot Games)

 

Mas como disse lá no início dessa Avalanche, passei o domingo à tarde entre as emoções provocadas pelo Grêmio e o sofrimento diante dos abates e ataques contra a Keyd Stars, na estreia do 2º Split do CBLol – o Circuito Brasileiro de League of Legends. Desta vez, não tivemos sucesso, mas assim também foi no primeiro semestre e acabamos na final da competição.

 

E se tem coisa que aprendi com o Grêmio, guris, é que jamais devemos desistir.

Avalanche Tricolor: pagamos o preço das nossas escolhas

 

 

Sport 4×3 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife PE

 

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Gol de Thyere em reprodução do Canal Premiere

 

Sei lá de onde surgiu esta coisa de touca no futebol. E me parece que a expressão só é usada no Rio Grande do Sul mesmo. Se estiver enganado, não deixe de me ensinar. Imagino, como já escrevi nesta Avalanche, em setembro de 2015, que venha da expressão “marcar touca”, que significa bobear diante de uma situação qualquer. 

 

Dado o histórico das últimas partidas contra o adversário desta noite, pode-se colocá-lo na lista de “toucas” do Grêmio? Ano passado, mesmo com a boa campanha que tivemos, perdemos seis pontos para eles. E veja que os caras são de uma terra que sempre nos foi muita grata: é pertinho dali que escrevemos a história da nossa imortalidade na Batalha dos Aflitos. Vai ver que não vencer mais um dos times de lá seja o preço que teremos de pagar pela façanha alcançada em 2005.

 

Escrevo tudo isso em busca de uma boa explicação para o fato de termos desperdiçado mais três pontos em um campeonato brasileiro, mesmo tendo feito 1×0 aos cinco minutos e 2×0 aos 17, do primeiro tempo, sem contar o baile. Até os 30 minutos de jogo, o time nem parecia reserva (ops, alternativo), apesar de eu ter achado aquela formação um tanto estranha. Se eu não os entendia muito bem, com a bola rolando eles davam sinais que sabiam o que estavam fazendo: passe de pé em pé, deslocamentos para frente, dribles que funcionavam bem e muitos chutes a gol.

 

Estariam todos enfeitiçados pelo brilho do time titular? Ledo engano.

 

Já na parte final do primeiro tempo percebia-se que os ventos estavam mudando e a chuva aumentando. No segundo, a coisa desandou. Desistimos de jogar com a bola. Acreditamos que chutá-la para frente seria suficiente, o que apenas permitiu pressão maior do adversário. E a pressão somada a chuva e a falta de entrosamento da defesa nos fizeram pagar um preço caro na noite de hoje. Além de quase termos sido goleados, jogamos fora a liderança do campeonato.

 

Sei que é apenas o começo de uma campanha e, na quarta-feira, temos uma decisão pela frente, na Copa em que somos Reis, mas sabemos também que no Brasileiro o que vai fazer diferença lá adiante são os pontos jogados fora aqui no começo e contra adversário que na maior parte das vezes não está disputando o título. Já foi assim, em 2016. Legal se aprendermos essa lição.

 

É evidente que o resultado deste domingo não tem nada a ver com as coisas do sobrenatural do futebol, nem com sorte ou azar, menos ainda com a chuva que atrapalhou a todos em campo. O preço que pagamos foi pela escolha que fizemos. Por prudente que fomos. Reservamos o time titular para o meio de semana, quando teremos um adversário mais forte pela frente e diante de sua torcida. Mesmo que estejamos levando para o Rio um resultado bastante favorável (3×1 a nosso favor), precisamos ter todo cuidado possível e jogarmos o melhor que sabemos.

 

Escrevi agora há pouco que pagamos um preço caro, nesta noite. Na realidade, saber quanto terá nos custado a derrota de hoje, só os demais resultados da temporada nos dirão. Uma classificação na quarta, já diminuirá e muito esse custo.

Avalanche Tricolor: os detalhes que levaram o Grêmio a vencer na estreia

 

 

Grêmio 2×0 Botafogo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Detalhes dos gols de Ramiro, reprodução da SPORTV

 

Diz o ditado que é no detalhe que mora o Diabo. Como não tenho medo dele, foi pra lá que resolvi olhar na partida de estreia do Grêmio, no Campeonato Brasileiro. E que baita partida, hein, amigo! 

 

O primeiro detalhe que percebi é daqueles que poucos falarão na crônica do jogo, mas para mim faz uma tremenda diferença. Aliás, é uma das coisas que mais me incomodam nos times de futebol: insiste-se em tocar a bola para trás quando o objetivo do jogo é se aproximar do gol.

 

Pense comigo: se no campo temos de conquistar espaço, avançar sobre o território inimigo para alcançarmos a meta adversária, a primeira opção de um jogador que está com a bola tem de ser encontrar um colega que esteja mais à frente. Parece óbvio, mas não é. Geralmente, como esse companheiro está mais bem marcado, por medo, desiste-se de arriscar um passe que nos colocaria avante. Volta-se a bola e se começa tudo de novo.

 

Desde os primeiros minutos, a começar por Arthur, e passando por Michel, Ramiro e Luan, o time do Grêmio mostrou que queria jogar para frente. A qualidade do passe de alguns de nossos jogadores ajudou muito nesta decisão. O deslocamento do companheiro de time para receber à frente, também. E não tenho dúvida em dizer que isso foi resultado dos dias bem aproveitados de treino.

 

Foi este detalhe que permitiu que se chegasse tantas vezes e com muitos jogadores na cara do gol, mas outros tantos seguiram me ajudando a contar a história do jogo.

 

Foi por um triz, por exemplo, que Luan não abriu o placar logo no início da partida, ao receber belo passe e ficar cara a cara com o goleiro. Se ele tivesse prestado atenção em outro detalhe, o gol teria sido marcado por Lucas Barrios que estava livre do seu lado direito.

 

Mais um detalhe desses que fico prestando atenção durante a partida: em um dos muitos ataques que desperdiçamos no primeiro tempo, Ramiro, ao chutar a gol e ver a bola ser desviada de cabeça, comentou com seus companheiros que “hoje parece que nada dá certo”. Um lamento que se revelou na leitura labial que fiz (ou seria apenas licença poética deste torcedor?). Ainda bem que Ramiro estava enganado. E ele próprio provou isso para a gente no fim do primeiro tempo (e no segundo, também).

 

Um lançamento de Michel do outro lado do campo encontrou Léo Moura disparado no ataque. Nosso lateral teve de usar de toda sua velocidade para alcançar a bola que, por um detalhe, não saiu pela linha de fundo. Cruzou e proporcionou um bombardeio no gol adversário: foram três chutes à queima roupa até Ramiro, o Incrível, fulminar no fundo do poço.

 

A volta do segundo tempo tem sido sempre preocupante pra gente, é quando costumamos dormir no ponto e permitimos a reação do adversário. Bem que eles tentaram chegar ao nosso gol, mas não tiveram sucesso. Por muito pouco, aliás, pois, logo após a volta, o atacante deles se livrou de todos os marcadores dentro da área e estava pronto para empatar. Só tinha um detalhe, aliás, um baita detalhe: Kannemann não desiste nunca e mesmo tendo sido driblado na primeira vez, se jogou a tempo de desviar a bola para longe.

 

Em seguida, retomamos a bola, voltamos a dominar o jogo, fazer passes ofensivos, nos deslocarmos por um lado e outro. Nossos alas apareciam à frente e eram bem recebidos pelos atacantes. Nossos atacantes trocavam bola entre eles em busca de espaço. E o risco de cedermos o resultado diminuía a medida que o tempo avançava.

 

Foi Ramiro, o Incrível, que mais uma vez apareceu para resolver a partida, após boa movimetação do time pelo lado direito. Ele recebeu a bola pelo alto e na entrada da área. Dominou-a e chutou com força, como sempre chuta. Para cair dentro do gol, a bola bateu antes em Luan, subiu e foi parar no fundo das redes. Bateu na mão, reclamaram os adversários. E só se descobriu que eles tinham razão depois que a televisão mostrou o lance detalhadamente.

 

Perdão se exagero nos detalhes, mas quero encerrar esta Avalanche apenas lembrando mais um: o Campeonato só começou agora e já estamos no G4, de novo.

Time grande cai sim, viu Inter?

 

Prometi que publicaria dois textos mostrando pontos de vista diferentes em relação ao Internacional, rebaixado à Segunda Divisão, nesse domingo. O primeiro foi do José Renato Santiago, com o título “A queda do Imortal Colorado”, que você pode ler correndo a página para baixo. Agora, o outro lado: o gremista e jornalista Airton Gontow manda o seu recado. Aproveite e compartilhe:

 

Por Airton Gontow

 

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Chega de falácia!

 

Chega de frases de marketing!

 

O Inter, que não ganhou diversas competições, não é “Campeão de Tudo”!

 

O Inter, que pintou o mundo de vermelho, como um belo entardecer, não é mais campeão do mundo que o Santos, de Pelé, Pepe e Coutinho ou o Flamengo de Zico, Júnior e Adílio.

 

Não, o Mundial do Inter não vale mais que o do Grêmio, “porque o Mundial não era Fifa”.

 

Em 83, Renato Gaúcho, Hugo de Leon, Mário Sérgio e Paulo Cesar Caju desmentiram Yuri Gagarin e mostraram que a Terra não é só Azul, mas Azul, Branca e Preta.

 

Há centenas de matérias, como na decisão da Libertadores de 1980 entre Inter e Nacional, com dirigentes, jogadores e torcedores colorados falando sobre seu sonho de ser campeão do mundo no final do ano, em Tóquio.

 

Aliás, foi um castigo do destino que o pior dia da tua história tenha caído exatamente na data em que nós, gremistas, festejamos os 33 anos da conquista do nosso maior título, que tanto procuras deslegitimar.

 

Time grande cai sim!
E tu és grande, Inter!
És o maior campeão gaúcho!
És tri campeão brasileiro, o único invicto!
És campeão da Copa Sul-Americana, a Segunda Divisão da América!
És bicampeão da Libertadores!
És um campeão mundial!

 

Tu tiveste Falcão!
Tiveste Carpergiani.
Tiveste Manga e Tesourinha.
Claro que és grande!

 

Saiba, caro rival Colorado, que time grande cai até mesmo impulsionado pela própria grandeza. Quando tudo dá errado, para o grande é na maioria das vezes até mais difícil reverter a queda. Como um caminhão (ou um trator) desgovernado ladeira abaixo.

 

Um dia, passado o choque de realidade, tu voltarás ao teu lugar de Direito (sem trocadilho, claro, com tuas ações no STJD).

 

Triste, né, que teus fanáticos torcedores tenham recebido o choque de realidade de forma tão doída?

 

Era tão óbvio!

 

Se um time que tem sete títulos nacionais, como o Grêmio, cai, porque um time que conquistou quatro títulos nacionais não cairia um dia?

 

Se cai para a Segundona uma equipe que tem um moderno estádio para 60 mil pessoas, a Arena (para muitos o mais belo do País) porque um time com um velho e belo estádio restaurado, com 50 mil lugares, não poderia ir para a Segunda Divisão, também?

 

Se o tricolor gaúcho, sexto colocado no ranking das maiores do País, já foi para a divisão de Acesso, porque o Colorado, com seus torcedores, que formam a nona torcida do País, não iria um dia cair para a segunda divisão, também?

 

Se os azuis, que em 2017 disputarão sua 17ª. Libertadores – a Primeira Divisão da América – desce para a Segundona, porque os vermelhos, que sonham em um dia jogar sua 12ª. Libertadores, não iriam cair um dia?

 

Se o Clube com a terceira posição em número de sócios do País já conheceu o inferno da Segunda Divisão, porque o quarto colocado em quantidade de associados não amargaria também a divisão de baixo do Campeonato Brasileiro?

 

O time que formou, desde gurizinho, o mais famoso jogador de futebol brasileiro das últimas décadas, Ronaldinho Gaúcho, já caiu!

 

O primeiro colocado no Ranking da CBF já caiu!

 

Então, quem é que acreditava de fato que um Clube que não conquista um Brasileiro desde 79 e uma Copa do Brasil desde 92 ficaria eternamente na Primeira Divisão do Campeonato Nacional?

 

– Elementar meu caro Carvalho, quer dizer, Watson!

 

Para os colorados, um alento: se o Inter mereceu descer, desta vez, vocês não mereciam essa queda, tamanha as demonstrações de amor e fidelidade. Não, vocês não mereciam, mesmo com a vossa arrogância da última década. Afinal, ela é de direito dos torcedores vitoriosos. Mas não dos dirigentes que comandam um clube.
Mal vejo a hora de começar 2017.

 

Como sempre na história da rivalidade gaúcha, a “secação” estará em campo em todos os jogos. Afinal, torcemos tanto pelas vitórias do nosso time quanto pelas derrotas do maior adversário.

 

No ano que vem, nós gremistas estaremos de olho na tv para que o Inter não consiga retornar à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro. Já os colorados estarão torcendo, desesperadamente, para que o Grêmio não chegue à sua terceira Libertadores e ao seu segundo Mundial.

 

A queda do ‘Imortal’ Colorado

 

 

O caro e raro leitor deste blog há de considerar estranho. Acostumado que está em ler minhas Avalanches apaixonadas pelo Grêmio, depara-se com um post dedicado ao Internacional, e logo após o seu rebaixamento à Segunda Divisão. Desde domingo, tenho recebido uma série de colaborações de leitores, ouvintes e amigos que curtem o futebol como eu. Decidi, então, escolher dois deles para representar os dois grupos majoritários desses escrevinhadores: os que torcem para o Inter e os que torcem contra o Inter.

  

 

O primeiro deles é de José Renato Santiago, autor do site Memória Futebol, que conta sua admiração pelo colorado; o segundo, que será publicado em seguida, é do Airton Gontow, gremista de quatro costados.

  

 

Vamos a eles:
 

 

 

Por José Renato Santiago
Do site www.memoriafutebol.com.br

  

 

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Salvador, 23 de dezembro de 1979.

  

 

Estava com meus pais e irmãos na casa do meu tio, onde iríamos passar o Natal.
Naquele dia, no estádio do Beira Rio, Internacional e Vasco da Gama decidiriam o título brasileiro.

  

 

O Colorado, por ter vencido a primeira partida das finais no Maracanã, 2 a 0, com dois gols de Chico Spina, já era considerado o virtual campeão. Aos cariocas caberiam o improvável.

  

 

A equipe gaúcha estava invicta e buscaria o terceiro título brasileito, algo inédito até então.

  

 

Juntamente com meus primos, éramos 10 pessoas. Apenas um deles, vascaíno. Resolveu-se fazer um bolão. Dentro de uma caixa foram colocados números de 2 a 11. Saudade do tempo em que eram apenas estes números (e que goleiros não marcavam gols). Cada um pegaria um número. O vencedor seria quem pegasse o número do autor do primeiro gol da partida.

  

 

Se não tive a sorte de pegar o número 9 dos centroavantes, Bira, goleador que viera do futebol paraense, e de Roberto Dinamite, fiquei com o 8, do colorado Jair e do cruzmaltino Paulinho.

  

 

A cada jogada, a minha torcida era pelo 8.

  

 

Aos 40 minutos do primeiro tempo, em jogada iniciada por Mário Sérgio, a bola soprou nos pés de Jair que driblou o goleiro Leão e abriu o placar. Minha primeira e uma das raras vitórias em um bolão.

  

 

No segundo tempo, foi apenas ver a aula de futebol daquele time de vermelho.

  

 

O Internacional jogava demais.

  

 

Comandados pelo técnico Enio Andrade, Benitez, João Carlos, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Cláudio Mineiro; Batista, Falcão, que marcou o segundo gol, e Jair; Valdomiro, depois Chico Spina, Bira e Mário Sérgio, confirmaram o título, com uma vitória por 2 a 1 que só não foi maior por conta de uma grande atuação de Leão, o goleiro da equipe carioca.

  

 

A vitória colorada, no entanto, significou muito mais para mim. Como imaginar que alguma equipe conseguiria algum dia chegar ao feito de ser tricampeão brasileiro, e ainda mais de forma invicta. Talvez por conta disso, sempre tive certo fascínio pelo Internacional, ainda que não seja seu torcedor.

  

 

Creio que até mesmo para muitos colorados nenhum time foi tão forte quanto aquele que dominou o futebol brasileiro durante a década de 1970, e que deixou para trás as equipes do eixo Rio-São Paulo, que costumavam dominar este cenário.

  

 

Cabe lembrar que até aquele momento o Internacional já era tricampeão, enquanto Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Santos sequer tinham conquistado um único campeonato brasileiro, que começou a ser disputado em 1971.

  

 

Também por conta disso, que entre as cinco equipes que até este ano jamais tinham sido rebaixadas, – além dos gaúchos, Cruzeiro, Flamengo, Santos e São Paulo, ainda que por tabela a Chapecoense jamais tenha sido também – sempre imaginei que o Internacional seria o único que se perpetuaria na primeira divisão do Campeonato Brasileiro.

 
 

 

Pois é, o destino trouxe, mais uma vez, às quatro linhas algo inapelável a qualquer clube, seja de que tamanho ele for.

  

 

Uma pena.

Avalanche Tricolor: o Domingo da Alegria!

 

Grêmio 0x1 Botafogo
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

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Alegria na torcida do Grêmio em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Domingo é dia de ir à missa. E isso já contei muitas vezes pra você, caro e raro leitor desta Avalanche. Hábito que aprendi com minha mãe, a quem perdi muito mais cedo do que devia, e abandonei com o passar do tempo. Faz alguns anos retomei a caminhada e isto tem me feito bem em todos os sentidos.

 

Aqui em São Paulo, fui morar próximo de uma capela, que fica bem na esquina de casa. Após algum tempo frequentando o local, descobri que entre os padres que se revezavam nas missas diárias estava José Bortolini, um intelectual religioso e autor de dezenas de livros. Soube por ele próprio que éramos conterrâneos. Eu, nascido em Porto Alegre. Ele, em Bento Gonçalves. Ambos, torcedores do Grêmio.

 

Santa coincidência.

 

Sei que já escrevi nesta Avalanche sobre Padre José e também deixei claro que procuro ao máximo não misturar religião e futebol. Acho que Ele tem coisas mais importantes para resolver.

 

Para o campo e para a bola, existem deuses próprios. Mundanos. Travessos e sempre prontos a se divertirem com nossas angústias. Irônicos ao se depararem com a soberba. Injustos, quando estão manipulando contra o meu time. Implacáveis, algumas vezes.

 

Padre José não acredita nesses deuses, mas adora assistir aos jogos de futebol. Quarta-feira passada acordou dois dos seus mais próximos companheiros de caminhada – acostumados a irem para a cama cedo – e os fez vibrar com o Grêmio Penta da Copa do Brasil.

 

Apesar do meu cuidado para que religião e futebol fiquem cada um em seu campo, confesso que, neste domingo, fui a Igreja com a esperança de encontrar o Padre José. E, Graças a Deus, ops … E, graças a escala das missas, lá estava ele na porta para receber os fiéis. Trocamos olhares cúmplices e não soubemos esconder o sorriso maroto de quem conquistou um título de expressão nacional depois de 15 anos.

 

Padre José vestia túnica branca e estola rosa, uma espécie de vermelho esmaecido. Cumprimentou-me e entramos na Igreja para mais uma missa dominical. Antes, porém, cochichou-me no ouvido: não esquece, hoje é o Domingo da Alegria.

 

Sinceramente, até agora não sei se ele se referia ao fato de ser o Terceiro Domingo do advento, tempo de os católicos se alegrarem na preparação e pela espera do ‘Prometido’, ou se suas palavras estavam apenas antecipando o que viria acontecer ao fim desta última rodada do Campeonato Brasileiro.

 

Seja o que for, o domingo foi de muita alegria (ao menos para a maioria de nós)!

Avalanche Tricolor: calma, gente, quarta-feira está chegando!

 

Santa Cruz 5×1 Grêmio
Brasileiro – Arruda/Recife-PE

 

Escrevo esta Avalanche e ouço foguetes estourando ao longe. Estou em São Paulo. Já é noite. E por aqui tem time e torcedores com muitos motivos para comemorar. Fizeram por merecer.

 

Soube por amigos que em Porto Alegre alguns foguetes foram ouvidos, também. Assim que a tarde se encerrou. Lá, porém, não me parece que havia motivos suficientes para festa. Respiram por aparelhos ainda.

 

Independentemente do que as torcidas, sejam das cores que forem, estejam a celebrar, eu não tenho nada a ver com isso. Meus olhos se voltam para o azul do Grêmio que hoje voltou a cumprir tabela no Campeonato Brasileiro.

 

Por coincidência, fomos cumprir tabela no Recife exatamente no fim de semana em que comemoramos 11 anos da Batalha dos Aflitos. Foi ali pertinho e um dia antes, 26 de novembro, que colocamos no cenário mundial a disputa da Segunda Divisão do futebol brasileiro. Sim, porque sendo na Série B só mesmo uma vitória alcançada da forma que alcançamos merece entrar para a enciclopédia do futebol.

 

Ok, melhor não falar dessas coisas de Série B, de Segunda Divisão, de rebaixamento, neste momento. Alguém haverá de pensar que é apenas provocação de minha parte; e você, caro e raro leitor desta Avalanche, sabe que sou adepto da ideia de que cada um cuida dos seus problemas.

 

No Recife, desta vez, usamos time reserva. E até vínhamos tendo uma boa performance. Chegamos a fazer gol logo no primeiro tempo, o que daria um outra cara à partida. Pena que colocaram um estágio como bandeirinha para atrapalhar.

 

Dali pra frente, foi o estrago que se viu. Chegamos a marcar um gol, resultado do talento de Miller que driblou a defesa e ficou sozinho na cara do goleiro. Mas foi só o que se fez. O resto … esquece!

 

E esquece mesmo porque afinal o que nos interessa está logo ali, na quarta-feira, na Arena, em Porto Alegre. É quando vamos concretizar um sonho que estamos alimentando há 15 anos: a reconquista da Copa do Brasil!

Avalanche Tricolor: um passeio no parque com direito a muita diversão

 

 

Grêmio 3×0 América MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Festa na Arena em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

 

Dois gols no primeiro tempo, um no segundo. Alguns bons lances de ataque, toque de bola interessante e uma ou outra jogada que poderia ter levado a uma vitória ainda mais tranquila.

 

 

A partida deste domingo foi quase um passeio no parque.

 

 

Com todos os jogadores reservas e poucos riscos a correr, voltamos a vencer no Campeonato Brasileiro e nos mantivemos na disputa por uma vaga na Libertadores.

 

 

Foi bom até para tirar o peso das costas de alguns jogadores que ainda nos devem um temporada melhor como Fred, que fez o primeiro gol, Negueba, que marcou o segundo, e Miller, autor do terceiro.

 

 

As disparadas de Iago pela direita foram boas de ver, e ofereceram a esperança de que possa haver ali um lateral mais eficiente na frente. Everton foi o Everton que conhecemos no ataque. Guilherme, também. E confesso que torço muito para que ele ganhe o direito de comemorar um gol neste ano.

 

 

Gostei ainda de ver o menino sul-africano Ty e sua agilidade com a bola no pé, apesar de ter entrado apenas no segundo tempo. Que sejam apenas os primeiros passos de uma longa carreira no time titular.

 

 

Depois de cinco jogos sem vitória e a alguns dias da Grande Decisão, o Grêmio ofereceu ao seu torcedor um domingo divertido. Aliás, vi muita gente dando gargalhada na arquibancada … e não era só pelos gols que marcamos em Porto Alegre.

 

 

Fala a verdade: fizemos por merecer estes momentos de tranquilidade até porque as próximas duas semanas serão nitroglicerina pura.

 

 

Que venha a Copa!

Avalanche Tricolor: era clássico, mas não era Copa

 

São Paulo 1×1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi/SP

 

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O Grêmio tá de olho mesmo é na Copa  (foto LUCAS UEBEL/GremioFBPA)

 

Esqueci não! É falta de tempo mesmo. Assim respondi a alguns amigos que, como você, caro e raro leitor deste blog, percebeu a demora na publicação desta Avalanche.

 

A quinta-feira foi gorda e me afastou do Morumbi, apesar de morar tão próximo do estádio. Já a sexta foi rica e corrida. E mal consegui sentar para escrever.

 

Nosso cotidiano tem sido tomado por compromissos. E precisamos privilegiar uns em detrimento de outros. Aprendi no tempo que a ideia do ser humano multitarefa é lenda urbana. Foi criada por gestores dispostos a nos impor cada vez mais trabalho.

 

Por mais que consigamos realizar muitas tarefas ao mesmo tempo, tenha certeza que apenas uma delas será feita com afinco e precisão. As demais correm no piloto automático.

 

Isso não quer dizer que deixei de assistir ao Grêmio neste que é um dos maiores clássicos do futebol brasileiro.

 

Independentemente da situação que as duas equipes estejam na competição, ver os tricolores gaúcho e paulista frente à frente é sempre esperança de bom jogo e lembrança de grandes conquistas. Para provar isso, ouvi o locutor da televisão informar que partidas entre os dois clubes não terminam em 0x 0 faz um catatau de anos. E o jogo de ontem manteve a escrita com o 1a1 final.

 

Em deslocamento de uma cidade a outra, aqui na região de São Paulo, assisti ao jogo pela tela do meu celular e diante do que vi, sempre que a conexão permitiu, o resultado pode ser explicado de maneira simples: um time jogou no primeiro tempo e o outro, no segundo. Além disso, fomos de uma precisão singular: um chute no gol, um chute dentro do gol.

 

Claro que tem outros aspectos que precisam ser levados em consideração.

 

Por mais que os dois pontinhos que deixamos de ganhar fossem importantes para nos colocar na zona de classificação da Libertadores, imagino o quanto tem sido difícil convencer jogadores – e a própria torcida – de que existe alguma coisa a ser conquistada além da Copa do Brasil.

 

Pede-se empenho no Brasileiro e na cabeça do cara vem a imagem da partida final da Copa do Brasil. Exige-se um esforço extra para recuperar a bola e aparece o temor de uma lesão capaz de afastá-lo da decisão. Quer-se uma vaga na Libertadores e o jogador logo pensa que está prestes a conquistá-la por outro caminho e com direito a levar a taça.

 

Como lembrei: até podemos fazer várias tarefas ao mesmo tempo, mas tendemos a priorizar apenas uma. E essa uma, no caso do Grêmio, você sabe bem qual é.