Avalanche Tricolor: agora é Libertadores!

 

Grêmio 0x2 São José
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan é um dos destaques do elenco OTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA, no Flickr

 

Malas prontas. Bilhete na mão. Passaporte no bolso.

 

Nesse sábado, o Grêmio embarca para o México, primeira parada desta longa jornada até o topo da América. Caminhada das mais difíceis que já enfrentamos em todos estes últimos anos.

 

De um lado, adversários nas alturas e competitivos. Desde o ano passado, leio que fazemos parte do Grupo da Morte, o que deve ser motivo de preocupação e muita atenção, sem dúvida. Sem jamais esquecer, porém, de que consagrados como Imortal somente nós.

 

De outro, temos um grupo de jogadores jovens, alguns despontando como craques e outros com talento em formação. Muitos em busca da consagração. E todos sob a batuta de uma das maiores revelações do comando técnico do futebol brasileiro: Roger.

 

Como se não bastasse a manutenção do grupo que surpreendeu os adversários e críticos brasileiros no ano passado, ainda ganhamos adesões importantes, nesta temporada: Henrique Almeida, que estreou hoje, e Miller (ex-Bolaños), que começará em breve – o mais breve possível. Ambos chegam não apenas para reforçar o ataque. Vestirão a camisa tricolor para fortalecer a artilharia.

 

Se sentimos falta de alguma coisa nesta ascensão que se iniciou com a chegada de Roger, é daquele jogador que gostamos de chamar de matador, daquele tipo que está predestinado ao chute fatal, mesmo que a bola desvie no zagueiro, esbarre no travessão ou esteja diante de um goleiro considerado intransponível.

 

A partida do início da noite desta sexta-feira nos mostrou isso com clareza. Tivemos velocidade no passe e pressão sobre o adversário em parte do jogo. Boas oportunidades apareceram, especialmente no primeiro tempo. Chegamos muitas vezes na cara do gol. Faltou-nos, no entanto, o cara capaz de superar-se, mesmo quando os fatos em campo não conspiram a nosso favor.

 

Na Libertadores, não nos faltará.

 

Os matadores chegaram. O time está mais maduro do que na temporada passada. E Roger saberá como poucos tirar proveito da derrota desta noite para chamar a atenção da equipe de que se pretendemos conquistar a América temos de ser resilientes diante da adversidade e perseverantes na superação de nossos próprios limites.

 

Que venha a Libertadores!

Avalanche Tricolor: antes que comece a próxima partida

 

Veranópolis 0x1 Grêmio
Gaúcho – Estádio Antônio David Farina/Veranópolis

 

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Lincoln é destaque no time do Grêmio FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA no Flickr

 

Jogo tarde da noite, o caro e raro leitor deste blog sabe bem da minha dificuldade para escrever. Mal consigo ficar em pé até a hora que a partida se encerra, pois logo em seguida terei de levantar para trabalhar. Imagine, então, ter de traduzir em palavras meus sentimentos enquanto olho para o relógio e acompanho os ponteiros se encontrando à meia-noite. O problema é que se demorar muito para publicar esta Avalanche, o próximo jogo já se iniciou, pois amanhã, sexta-feira, já estaremos em campo novamente.

 

De qualquer forma, resolvi deixar para hoje cedo, quando o sono ainda me aplaca, para contar a você o que assisti, ontem ao fim da noite, no acanhado Antônio David Farina, em Veranópolis. Um estádio, aliás, que está anos-luz fora do tempo, com todo respeito aos simpáticos torcedores adversários; alguns, inclusive, vendo a partida sentados sobre o muro que cerca o local. O conforto aos jogadores reservas e comissão técnica não ia muito além. O reservado me lembrava as antigas casamatas, nas quais o pessoal ficava sentado a altura do campo e se levantasse corria o risco de bater com a cabeça no teto.

 

Confesso que não saberia falar sobre a condição do gramado, mas a forma como perdemos mais um volante neste início de temporada deu-me a entender que a coisa ali também estava feia. Moisés travou o pé no piso enquanto tentava desarmar o adversário, e foi de lá direto para o departamento médico fazer companhia para Wallace e Ramiro.

 

Preocupa-me muito a perda de jogadores com tantas competições sendo disputadas ao mesmo tempo. Levo medo sempre que um dos nossos escapa a driblar em direção ao gol, pois tenho a impressão de que o marcador será implacável à saúde alheia. Uma chegada mais afoita pode selar o destino de nossos jogadores para o restante do ano.

 

A boa notícia de ontem é ver que Lincoln tende a crescer ainda mais com a experiência e a personalidade que vem adquirindo a cada entrada no time. Se conseguimos produzir alguma coisa no ataque, devemos muito ao talento do guri que, ontem, vestiu a camisa 10. Sem contar que a assistência que levou Bobô a marcar o único gol da partida ainda ofereceu ao atacante a oportunidade de reconquistar a confiança perdida há algum tempo. Sabemos que a autoestima dos centroavantes depende muito dos gol marcados. E pela maratona de jogos que temos à frente, Bobô pode ser útil (desde que fazendo gols, claro).

 

Gostei também de ver Felipe Tontini estreando no segundo tempo em lugar de Giuliano (outro que andou pelo departamento médico). Pelo lado direito do campo, mostrou domínio de bola, coragem para driblar e bom passe. Mesmo que sejam necessários mais jogos para confirmar suas qualidades, é sempre legal saber que os talentos rondam nosso elenco.

 

Por falar em elenco, eis aí talvez a melhor das notícias de ontem à noite. Com todas as dificuldades de entrosamento, o Grêmio tem sido capaz de vencer suas partidas, acumular pontos nas competições que disputa e fazer um rodízio de jogadores. De bons jogadores.

 

Avalanche Tricolor: #GrêmioÉClassico

 

Grêmio 3×1 Aimoré
Gaúcho – Estádio do Vale/Novo Hamburgo

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Luan e Everton, craques do Grêmio. Foto de Lucas Lebel/GrêmioFBPA

 

“Estadual é clássico” diz a hashtag do Canal Premiere, que transmite as partidas do Campeonato Gaúcho, no sistema “pagou-para-ver”. Parece-me que a intenção é valorizar as competições estaduais, há algum tempo enfraquecidas pelo número excessivo de times inscritos, muitos sem qualquer qualificação, fórmulas mirabolantes para encaixar as datas no apertado calendário do futebol brasileiro, e estrutura acanhada de estádios e cidades que recebem os jogos.

 

A campanha publicitária do canal também faz questão de mostrar que os estaduais costumam ser decididos por lances e jogadores inusitados, que fazem a diferença. O Grêmio é representado pelo atacante Pedro Junior e o gol de cabeça que garantiu o título de 2006, em um time que tinha como principal estrela o meio campista Tcheco e era treinado por Mano Menezes.

 

No Grêmio atual de Roger, porém, os protagonistas são mesmo os craques do time. Jovens talentos que têm desempenhado futebol acima da média e oferecido ao torcedor lances de excelência. Na noite desta quinta-feira, assistimos mais uma vez à movimentação incrível dos garotos Everton, Luan, Pedro Rocha e, no segundo tempo, Lincoln – uma turma que não tem medo de jogar futebol refinado, assim como não foge à luta, quando necessário (às vezes até exagera, não é Luan?).

 

Seria injusto creditar apenas aos meninos a segunda vitória seguida na competição, pois se são capazes de tocar a bola com precisão e se deslocar com velocidade para recebê-la de volta, isto se deve ao trabalho de uma equipe muito bem treinada que consegue equilibrar a juventude e a experiência nos diversos setores do time: Maicon e Wallace como volantes e os laterais Oliveiras, mostram isso com clareza. Sem contar Douglas, o veterano do time, que encaixa passes como poucos no futebol brasileiro.

 

Mesmo saindo atrás no placar, o que sempre pode causar desajustes na equipe, o Grêmio tem conseguido “voltar para o jogo”, como dizem os entendidos em futebol, colocado a bola no chão e oferecido ao torcedor (ao menos para mim) a certeza de que, em pouco tempo, retomará o domínio da partida, passará à frente e consagrará mais uma vitória.

 

Mesmo considerando que é apenas o início da temporada e temos coisa bem mais importante a fazer neste ano, arrisco a dizer que o Grêmio já está jogando um futebol de muita classe. O Estadual, não sei, mas o Grêmio 2016, este sim, tem tudo para ser um clássico.

Avalanche Tricolor: prazer em revê-lo!

 

Brasil 1×3 Grêmio
Gaúcho – Centenário/Caxias do Sul

 

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Foto:Lucas Uebel/Álbum oficial do Grêmio, no Flickr

 

O estádio era o velho Centenário, na Serra Gaúcha, onde assisti a muitos jogos pelo Campeonato Gaúcho – e lá também trabalhei, nas épocas de repórter de campo pela Rádio Guaíba de Porto Alegre. A imagem da vizinhança sobre a laje das casas que rodeiam o local, transformada em arquibancada, permanece. A impressão é que os arredores, no bairro de Marechal Floriano, pararam no tempo, apesar do crescimento da cidade de Caxias do Sul.

 

O adversário na estreia do Campeonato Gaúcho também era bem conhecido, aliás é um dos mais tradicionais do Rio Grande: o Brasil de Pelotas, que teve de migrar para Caxias, neste primeiro jogo, devido a punição imposta pela Federação Gaúcha de Futebol, ainda na competição do ano passado. O time tem sido o melhor do interior gaúcho nas últimas temporadas, acaba de subir para Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro e sempre é empurrado por uma fanática torcida

 

Apesar de Caxias, o Centenário e o Brasil de Pelotas me trazerem boas lembranças dos tempos em que morei no Rio Grande do Sul, a saudade que sentia, até a bola começar a rolar, era do Grêmio que encantou o futebol brasileiro no ano passado. Era daquele estilo de futebol que Roger nos ensinou a gostar: marcação sobre pressão, pouco espaço para o adversário jogar, time se movimentando com rapidez, bola saindo de um pé para o outro sem precipitação e muita precisão.

 

Já havia assistido às duas partidas anteriores, o amistoso contra o Danubio e a estreia na Copa Sul-Minas-Rio, ambos sem muito entusiasmo, seja porque a primeira nada valia, seja porque a segunda era com time reserva, que pouco se entendia.

 

Hoje, não! Hoje começava a temporada propriamente dita.

 

Time titular em campo e competição tradicional em disputa faziam desta partida a mais importante até aqui. As circunstâncias do jogo tornaram o resultado ainda mais relevante, pois encaramos um adversário esforçado e com marcação persistente, um árbitro metido a disciplinador e um gramado que se desmontava a medida que era pisoteado pelos jogadores. Não bastassem essas intempéries, ainda falhamos na marcação logo no início da partida e saímos atrás no placar.

 

Apesar das dificuldades iniciais e da irritação aparente de alguns jogadores, o Grêmio não abriu mão de sua maneira de jogar. O pouco espaço que restava em campo, devido ao sistema defensivo bem montado pelo técnico adversário, era usado para fazer a bola rolar de pé em pé.

 

O time parecia consciente de que somente tendo o domínio total da bola é que conseguiria chegar ao gol. Apesar de ter criado poucas chances, no primeiro tempo, o talento foi premiado com a jogada pelo lado direito em que Luan foi forte na marcação e veloz para encontrar Maicon, que corria em direção à área. De presente, Luan recebeu o passe de volta e empatou a partida.

 

No segundo tempo, ficou evidente que a conversa com Roger no vestiário mais uma vez colocou as coisas nos seus devidos lugares. Luan e Maicon voltaram a ser protagonistas ao servirem com categoria Everton e Pedro Rocha, no primeiro e no segundo gol, respectivamente.

 

O Grêmio está de volta!

 

Foi um prazer revê-lo!

Avalanche Tricolor: porque somos gremistas, meninos!

 

Inter 2 x 1 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio (POA)

 

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Há três dias vejo um dos meus meninos vestindo a camisa do Grêmio. Não essa tricolor que vestem nossos jogadores em campo, mas camisas estilizadas, com destaque para o azul que nos representa, o símbolo no lado esquerdo do peito e imagens de um passado recente em que o Olímpico era nossa casa. Algumas tem dizeres impressos no tecido, mensagens enaltecendo nossa história e nossos mitos. Vestiu para ir a faculdade e a academia; para passear no shopping, também. Vestiu porque mesmo tendo nascido longe do Rio Grande aprendeu a ser gremista. Gosta de ser visto assim, identificado como tal. Os amigos mais próximos insistem em perguntar para quem ele torce aqui em São Paulo, como se torcer para o Grêmio não fosse suficiente. Ele não titubeia em responder: sou Grêmio e isso me basta!

 

Hoje, desde cedo, ele e o irmão acordaram mais atentos ao futebol do que costumam ser. Já devo ter contado aqui que, apesar da paixão do pai pelo esporte, eles preferem se concentrar nos times que disputam as competições eletrônicas, especialmente League of Legend, do que na bola rolando. No almoço, queriam saber como estávamos para a decisão e o que nos esperava na partida final.

 

Mesmo que diante do computador, torceram por mim desde o primeiro minuto de jogo, em Porto Alegre. Viram-me sofrer com dois gols que tiveram origem em falhas indesculpáveis de nossos marcadores. Viram-me vibrar no único lance em toda a partida no qual merecemos fazer nosso gol. Aproximaram-se de mim no segundo tempo para compartilhar o drama do relógio que corria para o minuto final. Lamentaram nossos erros e a falta de criatividade como lamentamos todos nós que torcemos pelo Grêmio.

 

Neste domingo, em que nossos defeitos se repetiram e nossos méritos não surgiram, assim como eu, os dois ficaram frustrados com o resultado final. É claro! Perder títulos sempre nos deixa com um gosto amargo. Tiveram, porém, mais uma lição de como um gremista é forjado. De que maneira nossa alma se constrói e nosso coração é massacrado. De que forma precisamos aprender a sofrer para nos tornarmos maior. De que o caminho até a vitória é aberto a partir dessas derrotas. Aprendizado que me fez mais forte na infância para me transformar em campeão do mundo na adolescência. E que está aí para moldar uma nova trajetória com as correções de rumo que se fizeram necessárias.

 

Independentemente do que tenha acontecido hoje e do que venha a acontecer amanhã e depois, nosso destino já está traçado: somos gremistas. E isso nos basta!

Avalanche Tricolor: fomos grandes quando ficamos menor em campo

 

Grêmio 0 x 0 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Jogamos bola enquanto tivemos condições; impedimos que se jogasse depois que ficamos em desvantagem. Verdade que poderíamos ter jogado um pouco mais do que jogamos; e segurado ainda mais quando não podíamos mais jogar. Apesar de tudo isso, vamos para final em plenas condições de conquistar o título gaúcho. Na última partida todos os empates nos favorecem, seja para decidir nos pênaltis seja para levantar a taça. Isso significa que o adversário vai ter de atacar.

 

O passe não funcionou tão bem quanto nos jogos anteriores, resultado da marcação mais forte que encontramos pela frente. Ou será que ninguém percebeu que o adversário entrou “fechadinho” (e depois o Felipão é que é retranqueiro)? Quando se tem pouco espaço, o pouco que se tem deve ser explorado de maneira efetiva, tem-se de chutar na primeira chance, aproveitar-se das faltas marcadas (quando o são) e finalizar com precisão.

 

A falta de um matador ainda é gritante, pois as chances foram criadas e a bola rondou o gol adversário. Mas não apareceu ninguém para empurrá-la para dentro. Quando aparecia, escapava do pé, saía por cima, pelo lado … desperdiçávamos oportunidades que fazem muita falta em uma decisão.

 

Fomos grandes, porém, quando ficamos menor em campo.

 

Marcelo Grohe cresceu no gol, fechou o que pode, nos fez respirar aliviado e parou o jogo sempre que necessário. Sabia que, naquelas condições, não levar gol em casa poderia fazer diferença no jogo final. Ele não levou gol e segurou a bola até onde pode.

 

Assim como Marcelo, toda a equipe soube se defender. Nossos laterais não fizeram feio lá atrás. Nossos zagueiros despacharam a bola o quanto puderam. E nossos volantes corriam para impedir qualquer perigo. Arriscamos até alguns contra-ataques, mas pecamos na finalização, mais uma vez.

 


Mesmo em condições adversas e com pouco tempo em campo, Cristian Rodríguez mostrou-se lutador e talentoso. Pode se transformar no ponto de desequilíbrio na partida final e, quem sabe, no companheiro capaz de dar a Braian a chance dele entrar para a história do Grêmio com um gol decisivo. Se não, podemos contar com Yuri Mamute saindo do banco para ser nosso herói.

 

Sim, eu sei … estou sempre esperando um momento épico, um fato extraordinário, o lance impossível cometido por aquele de quem menos se esperava. Quero sempre ser testemunha da construção de uma lenda. Fazer o quê? Foi assim que o Grêmio me ensinou a ser: crente e Imortal!

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: estamos na final!

 

Grêmio 2 x 1 Juventude
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Há um toque de bola que me agrada neste time do Grêmio. Passes vão e vem, e se for preciso voltam para a defesa para chegar ao ataque novamente. A cada passe, movimenta-se um companheiro, movimentam-se dois, às vezes três. Todos os demais com olhos atentos ao que vai acontecer. Mudam de posição e a bola corre no gramado de pé em pé até encontrarem espaço entre os marcadores. Quando estes não aparecem, os produzimos.

 

Foi assim no primeiro gol, contra um fechado e bem armado adversário.

 

Giuliano, que tem sido essencial nesta temporada, carregou a bola com seu pé direito e com o jogo do corpo desvencilhou-se do primeiro, enfrentou o segundo e tocou para seu inseparável companheiro marcar. Giuliano e Luan têm formado ótima parceria e se dão muito bem com Douglas. Os três são os principais responsáveis por este toque refinado que me agrada tanto.

 

Luan segue com seu jeito “meio sem jeito”. Parece tímido, mesmo quando bate boca com seu agressor. Tenho a impressão de que corre desengonçado, mas se corre desse jeito é para driblar quem tenta lhe roubar a bola. Gostaria de vê-lo com chutes mais decisivos, fortes, matadores. O que pode parecer uma injusta cobrança diante do fato dele ser um dos goleadores da temporada.

 

Douglas é outro “come-quieto”. Executa até carrinho se for necessário. Mas é craque mesmo em colocar os companheiros bem posicionados. Sem contar sua especial forma de cobrar escanteios (alguém sabe me explicar qual a intenção da jogada ensaiada que testamos na partida de hoje?).

 

Foi assim no segundo gol, que, convenhamos, colocou ordem nas coisas, pois, pelo que jogamos, não merecíamos outro resultado que não fosse a vitória.

 

Além da excelente cobrança, com bola colocada pouco à frente da marca do pênalti, méritos para Geromel que subiu muito mais alto do que todos e cabeceou com força e distante do goleiro. Nosso zagueiro devia estar engasgado com o cruzamento que não havia conseguido cortar, no fim do primeiro tempo e resultou no gol de empate deles. O Camisa 3 foi decisivo mais uma vez, como já havia sido nas quartas-de-final, não bastasse a maneira segura com que atua ao lado de Rhodolfo na defesa.

 

Nossa defesa bem posicionada e nossos homens de meio de campo trocando passes com precisão podem desequilibrar na decisão do Campeonato Gaúcho, independentemente de quem seja o adversário. Aproveito para deixar meu voto de confiança em Braian Rodriguez que, gosto de pensar assim, está reservando seus gols para quando mais precisarmos deles: na final. Por que nós já estamos lá!

 

PS: sem saber o que disseram os médicos após o jogo, acredito que Mamute é muito mais forte do que as previsões.

 


A foto que ilustra este post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: vitória da maturidade

 

Juventude 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Caxias do Sul

 

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Caxias do Sul sempre foi uma espécie de parque de diversões. E não leia esta frase de forma invertida, não! Falo das lembranças de família e de juventude. Não me refiro ao futebol.  Foi lá que passei boa parte das férias na minha infância. Costumávamos dividir os 30 dias regulamentares de descaso do meu pai entre a praia e a serra. Também gostávamos de visitar a cidade dos Ferretti durante a Festa da Uva e assistíamos ao desfile na janela da casa de uma das tias de Caxias, na avenida principal. Na adolescência, passei a ir para lá com os amigos, pois éramos muito bem recebidos pela turma do basquete e batíamos bola na sede campestre do Recreio da Juventude. Gostávamos mesmo das festas à noite. Depois, foi a vez das namoradas caxiense que me faziam subir à serra gaúcha. Boas lembranças de uma época em que não cobravam maturidade nas minhas decisões!

 

Quando o assunto era futebol, porém, a coisa ficava mais complicada. Jogar contra o Caxias ou o Juventude, assistir aos jogos nas arquibancadas do Centenário e do Alfredo Jaconi e cobrir as partidas no gramado dos dois times da cidade costumavam provocar alguns surpresas desagradáveis. Além de torcidas aguerridas, as equipes da casa sempre foram bastante competitivas e o Grêmio, apesar de algumas vitórias históricas, enfrentou muitas dificuldades. Por tudo isso, o jogo dessa tarde de domingo trazia momentos marcantes à memória, para o bem e para o mal. Era de se esperar dificuldade maior do que a que encontramos. Digo isso não para desmerecer o adversário. Pelo contrário: enalteço aqui a maturidade do time gremista.

 

Fizemos um gol cedo, em lance que teve o mérito de Brain Rodriguez e o talento de Giuliano. Nosso gringo acreditou em bola que estava quase perdida pela lateral. Pouco antes já havia dado um carrinho e encarado os zagueiros na linha de fundo. Mesmo que siga sem marcar com a frequência que um centroavante precisa, mostrou-se muito mais participativo nesta tarde. E graças a isto, recuperou a bola e deu de bandeja para Giuliano, permitindo que este completasse o contra-ataque com bom domínio e chute preciso, no ângulo. Aliás, um dos únicos chutes que demos a gol. Nem precisava mais. A vitória simples, fora de casa, nos colocaria em excelentes condições de chegar à final do Campeonato Gaúcho.

 

No restante da partida, o Grêmio soube como poucas vezes acabar com o jogo sem correr riscos, exceção a um ou outro lance adversário. Segurou a bola, trocou passes à exaustão, não se precipitou, cavou faltas, dominou o jogo nos 90 e poucos minutos de disputa. Ao contrário de outras oportunidades, em que passamos sufoco e não conseguíamos manter a bola entre os nossos, fiquei impressionado com a personalidade de nossos jogadores. E, além do golaço de Giuliano, foi o que mais me agradou nesta tarde em que Caxias do Sul voltou a me dar alegrias.

Avalanche Tricolor: vitória nos pênaltis e sofrimento em família

 

Grêmio 1 (6) x 1 (5) Novo Hamburgo
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Foi um momento raro em família. Mulher e filhos costumam ficar distantes da televisão quando assisto aos jogos do Grêmio. Talvez tenham vergonha de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham dó de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham piedade de me ver sofrer por causa de um time de futebol.

 

Confesso que nunca tive coragem de perguntar para eles o que sentem quando me veem angustiado por causa de um time de futebol. Provavelmente porque ficaria constrangido em ouvir a resposta. Como pode alguém sofrer por causa de um time de futebol? Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia explicar. Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia me entender. Eu sofro. Sofro muito. E nesta noite sofri mais ainda.

 

A diferença do sofrimento de hoje é que eles estavam próximos de mim. Os meninos mais do que minha mulher. Ela suportou apenas até o fim do tempo normal. Os meninos ficaram até a cobrança de pênaltis, mesmo porque tinham os computadores para se distrair. Mas estavam mais atentos à televisão do que as atrações da internet. Torciam por Douglas e não entendiam como um cara com a técnica dele era capaz de cobrar um pênalti em um poste e uma falta no outro com tanta precisão. Curtiram o sorriso de Mamute que em meio tempo fez mais do que qualquer dos gringos que vestem nossa camisa, apanhou como sempre, provocou um pênalti, dois cartões amarelos e uma expulsão, além de colocar em risco o gol adversário por mais de uma vez.

 

Eles, até mais do que este casca dura, que já nos viu desperdiçar títulos nas cobranças de pênaltis com muito mais frequência do que gostaria, jamais deixaram de acreditar que o ídolo Marcelo Grohe resolveria tudo no fim das contas. Eu, com coração sofrido e tentando amenizar a dor de uma frustração, me contive o máximo possível. Fazer vexame na frente dos filhos não é legal. A pressão diante da bola na marca fatal – como diriam os locutores de antigamente -, porém me fez perder qualquer escrúpulo (nem sei se esta é a melhor palavra, mas foi a primeira que pensei neste momento). Esfreguei as mãos no rosto, rocei as unhas no couro cabeludo, soquei o sofá, disse palavras impronunciáveis e sofri desesperadamente diante da decisão da vaga às semifinais.

 

Claro que de nada valeriam as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe se cada um dos nossos cobradores não tivessem feito o seu papel, inclusive Douglas que se redimiu ao marcar quando mais precisávamos. Mas que as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe me levaram a vibrar como poucas vezes, não tenha dúvida. Vibrei na mesma dimensão que sofri. E após pular e comemorar a classificação à próxima fase do Campeonato Gaúcho – que convenhamos é conquista nenhuma – olhei para os meninos e fiquei envergonhado. Mas eles, solidários, souberam como sempre me mostrar que entendem muito bem minha paixão por um time de futebol, até porque este time é o Grêmio, o Imortal Tricolor.

 

Aos meninos (e a toda a família) que me compreendem e a Marcelo Grohe que nos salvou, agradeço pela noite de hoje.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: paciência, Luan é do Grêmio!

 

Grêmio 2 x 0 São Paulo (RS)
Gaúcho – Arena Grêmio

 

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Luan é craque por definição: joga de cabeça em pé, toca de forma refinada na bola, movimenta-se com elegância em campo e sempre está disposto a arriscar a melhor jogada, mesmo que seja a mais difícil de ser executada. Não tem medo de errar.

 

É, também, craque em formação. Às vezes, parece sumido do jogo e quando menos se espera aparece em um lance excepcional. Outras, parece distante da partida, o olhar corre perdido pelo gramado e a expressão some de seu rosto como se as emoções daquela disputa não o afetassem. Tem-se a impressão de que ele não faz parte daquele mundo. Talvez não faça mesmo. Foi feito para viver entre craques.

 

Luan tem um jeito diferente de jogar, pois não é espalhafatoso na disputa pela bola e quando a tem no pé dá a sensação de que é lento. Ledo engano. Tem passadas largas e por isso consegue superar a marcação quase sempre dura e violenta, faz a bola colar no seu pé e a manipula com extrema facilidade. Avança, chega perto do gol, chuta!

 

Por ser jovem, ser diferente e craque, é preciso paciência com Luan. E o torcedor, mais acostumado com aqueles que se sujam na grama para alcançar a bola perdida, não vinha demonstrando muita paciência com ele. Talvez por não entender seu jeito de ser em campo. Por não compreender sua personalidade. Por isso, os dois gols deste fim de domingo ganham importância ainda mais especial, além, é lógico, de nos manter no primeiro lugar do Campeonato, garantir a sexta vitória consecutiva e a nona partida invicta.

 

Gols de craque, registre-se. O primeiro foi uma aula, tinha todos os elementos necessários para uma cabeceada. Com um passo, tomou a frente do marcador, e subiu alto; antes da bola chegar já olhava para onde pretendia jogá-la, e assim que ela chegou, com os olhos abertos e mirando seu destino, em um movimento certeiro com a cabeça, colocou-a distante do goleiro. O segundo, ganhou dos marcadores na corrida, matou a bola com o pé direito, cortou para o lado esquerdo, com um só drible deixou o goleiro estatelado na área e deslocou os zagueiros. Teve tranquilidade para ajeitar o corpo e finalizar a jogada nas redes. Luan, que nos últimos jogos foi garçom, desta vez se serviu do bom momento de seus companheiros, pois foram primorosos o cruzamento de Everton no primeiro e o lançamento de Giuliano no segundo gol.

 

Marcando gols e jogando com o talento que lhe é natural, quem precisará de muita paciência são os adversários do Grêmio.

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr