Avalanche Tricolor: fomos grandes quando ficamos menor em campo

 

Grêmio 0 x 0 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

17093362708_4c4158c7aa_z

 

Jogamos bola enquanto tivemos condições; impedimos que se jogasse depois que ficamos em desvantagem. Verdade que poderíamos ter jogado um pouco mais do que jogamos; e segurado ainda mais quando não podíamos mais jogar. Apesar de tudo isso, vamos para final em plenas condições de conquistar o título gaúcho. Na última partida todos os empates nos favorecem, seja para decidir nos pênaltis seja para levantar a taça. Isso significa que o adversário vai ter de atacar.

 

O passe não funcionou tão bem quanto nos jogos anteriores, resultado da marcação mais forte que encontramos pela frente. Ou será que ninguém percebeu que o adversário entrou “fechadinho” (e depois o Felipão é que é retranqueiro)? Quando se tem pouco espaço, o pouco que se tem deve ser explorado de maneira efetiva, tem-se de chutar na primeira chance, aproveitar-se das faltas marcadas (quando o são) e finalizar com precisão.

 

A falta de um matador ainda é gritante, pois as chances foram criadas e a bola rondou o gol adversário. Mas não apareceu ninguém para empurrá-la para dentro. Quando aparecia, escapava do pé, saía por cima, pelo lado … desperdiçávamos oportunidades que fazem muita falta em uma decisão.

 

Fomos grandes, porém, quando ficamos menor em campo.

 

Marcelo Grohe cresceu no gol, fechou o que pode, nos fez respirar aliviado e parou o jogo sempre que necessário. Sabia que, naquelas condições, não levar gol em casa poderia fazer diferença no jogo final. Ele não levou gol e segurou a bola até onde pode.

 

Assim como Marcelo, toda a equipe soube se defender. Nossos laterais não fizeram feio lá atrás. Nossos zagueiros despacharam a bola o quanto puderam. E nossos volantes corriam para impedir qualquer perigo. Arriscamos até alguns contra-ataques, mas pecamos na finalização, mais uma vez.

 


Mesmo em condições adversas e com pouco tempo em campo, Cristian Rodríguez mostrou-se lutador e talentoso. Pode se transformar no ponto de desequilíbrio na partida final e, quem sabe, no companheiro capaz de dar a Braian a chance dele entrar para a história do Grêmio com um gol decisivo. Se não, podemos contar com Yuri Mamute saindo do banco para ser nosso herói.

 

Sim, eu sei … estou sempre esperando um momento épico, um fato extraordinário, o lance impossível cometido por aquele de quem menos se esperava. Quero sempre ser testemunha da construção de uma lenda. Fazer o quê? Foi assim que o Grêmio me ensinou a ser: crente e Imortal!

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: estamos na final!

 

Grêmio 2 x 1 Juventude
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

17190804061_6939bb9934_z

 

Há um toque de bola que me agrada neste time do Grêmio. Passes vão e vem, e se for preciso voltam para a defesa para chegar ao ataque novamente. A cada passe, movimenta-se um companheiro, movimentam-se dois, às vezes três. Todos os demais com olhos atentos ao que vai acontecer. Mudam de posição e a bola corre no gramado de pé em pé até encontrarem espaço entre os marcadores. Quando estes não aparecem, os produzimos.

 

Foi assim no primeiro gol, contra um fechado e bem armado adversário.

 

Giuliano, que tem sido essencial nesta temporada, carregou a bola com seu pé direito e com o jogo do corpo desvencilhou-se do primeiro, enfrentou o segundo e tocou para seu inseparável companheiro marcar. Giuliano e Luan têm formado ótima parceria e se dão muito bem com Douglas. Os três são os principais responsáveis por este toque refinado que me agrada tanto.

 

Luan segue com seu jeito “meio sem jeito”. Parece tímido, mesmo quando bate boca com seu agressor. Tenho a impressão de que corre desengonçado, mas se corre desse jeito é para driblar quem tenta lhe roubar a bola. Gostaria de vê-lo com chutes mais decisivos, fortes, matadores. O que pode parecer uma injusta cobrança diante do fato dele ser um dos goleadores da temporada.

 

Douglas é outro “come-quieto”. Executa até carrinho se for necessário. Mas é craque mesmo em colocar os companheiros bem posicionados. Sem contar sua especial forma de cobrar escanteios (alguém sabe me explicar qual a intenção da jogada ensaiada que testamos na partida de hoje?).

 

Foi assim no segundo gol, que, convenhamos, colocou ordem nas coisas, pois, pelo que jogamos, não merecíamos outro resultado que não fosse a vitória.

 

Além da excelente cobrança, com bola colocada pouco à frente da marca do pênalti, méritos para Geromel que subiu muito mais alto do que todos e cabeceou com força e distante do goleiro. Nosso zagueiro devia estar engasgado com o cruzamento que não havia conseguido cortar, no fim do primeiro tempo e resultou no gol de empate deles. O Camisa 3 foi decisivo mais uma vez, como já havia sido nas quartas-de-final, não bastasse a maneira segura com que atua ao lado de Rhodolfo na defesa.

 

Nossa defesa bem posicionada e nossos homens de meio de campo trocando passes com precisão podem desequilibrar na decisão do Campeonato Gaúcho, independentemente de quem seja o adversário. Aproveito para deixar meu voto de confiança em Braian Rodriguez que, gosto de pensar assim, está reservando seus gols para quando mais precisarmos deles: na final. Por que nós já estamos lá!

 

PS: sem saber o que disseram os médicos após o jogo, acredito que Mamute é muito mais forte do que as previsões.

 


A foto que ilustra este post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: vitória da maturidade

 

Juventude 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Caxias do Sul

 

16937539878_052b881a26_z

 

Caxias do Sul sempre foi uma espécie de parque de diversões. E não leia esta frase de forma invertida, não! Falo das lembranças de família e de juventude. Não me refiro ao futebol.  Foi lá que passei boa parte das férias na minha infância. Costumávamos dividir os 30 dias regulamentares de descaso do meu pai entre a praia e a serra. Também gostávamos de visitar a cidade dos Ferretti durante a Festa da Uva e assistíamos ao desfile na janela da casa de uma das tias de Caxias, na avenida principal. Na adolescência, passei a ir para lá com os amigos, pois éramos muito bem recebidos pela turma do basquete e batíamos bola na sede campestre do Recreio da Juventude. Gostávamos mesmo das festas à noite. Depois, foi a vez das namoradas caxiense que me faziam subir à serra gaúcha. Boas lembranças de uma época em que não cobravam maturidade nas minhas decisões!

 

Quando o assunto era futebol, porém, a coisa ficava mais complicada. Jogar contra o Caxias ou o Juventude, assistir aos jogos nas arquibancadas do Centenário e do Alfredo Jaconi e cobrir as partidas no gramado dos dois times da cidade costumavam provocar alguns surpresas desagradáveis. Além de torcidas aguerridas, as equipes da casa sempre foram bastante competitivas e o Grêmio, apesar de algumas vitórias históricas, enfrentou muitas dificuldades. Por tudo isso, o jogo dessa tarde de domingo trazia momentos marcantes à memória, para o bem e para o mal. Era de se esperar dificuldade maior do que a que encontramos. Digo isso não para desmerecer o adversário. Pelo contrário: enalteço aqui a maturidade do time gremista.

 

Fizemos um gol cedo, em lance que teve o mérito de Brain Rodriguez e o talento de Giuliano. Nosso gringo acreditou em bola que estava quase perdida pela lateral. Pouco antes já havia dado um carrinho e encarado os zagueiros na linha de fundo. Mesmo que siga sem marcar com a frequência que um centroavante precisa, mostrou-se muito mais participativo nesta tarde. E graças a isto, recuperou a bola e deu de bandeja para Giuliano, permitindo que este completasse o contra-ataque com bom domínio e chute preciso, no ângulo. Aliás, um dos únicos chutes que demos a gol. Nem precisava mais. A vitória simples, fora de casa, nos colocaria em excelentes condições de chegar à final do Campeonato Gaúcho.

 

No restante da partida, o Grêmio soube como poucas vezes acabar com o jogo sem correr riscos, exceção a um ou outro lance adversário. Segurou a bola, trocou passes à exaustão, não se precipitou, cavou faltas, dominou o jogo nos 90 e poucos minutos de disputa. Ao contrário de outras oportunidades, em que passamos sufoco e não conseguíamos manter a bola entre os nossos, fiquei impressionado com a personalidade de nossos jogadores. E, além do golaço de Giuliano, foi o que mais me agradou nesta tarde em que Caxias do Sul voltou a me dar alegrias.

Avalanche Tricolor: vitória nos pênaltis e sofrimento em família

 

Grêmio 1 (6) x 1 (5) Novo Hamburgo
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

17093711985_fc74dfe2e2_z

 

Foi um momento raro em família. Mulher e filhos costumam ficar distantes da televisão quando assisto aos jogos do Grêmio. Talvez tenham vergonha de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham dó de me ver sofrer por causa de um time de futebol. Talvez tenham piedade de me ver sofrer por causa de um time de futebol.

 

Confesso que nunca tive coragem de perguntar para eles o que sentem quando me veem angustiado por causa de um time de futebol. Provavelmente porque ficaria constrangido em ouvir a resposta. Como pode alguém sofrer por causa de um time de futebol? Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia explicar. Só você que torce por um time de futebol, como eu, saberia me entender. Eu sofro. Sofro muito. E nesta noite sofri mais ainda.

 

A diferença do sofrimento de hoje é que eles estavam próximos de mim. Os meninos mais do que minha mulher. Ela suportou apenas até o fim do tempo normal. Os meninos ficaram até a cobrança de pênaltis, mesmo porque tinham os computadores para se distrair. Mas estavam mais atentos à televisão do que as atrações da internet. Torciam por Douglas e não entendiam como um cara com a técnica dele era capaz de cobrar um pênalti em um poste e uma falta no outro com tanta precisão. Curtiram o sorriso de Mamute que em meio tempo fez mais do que qualquer dos gringos que vestem nossa camisa, apanhou como sempre, provocou um pênalti, dois cartões amarelos e uma expulsão, além de colocar em risco o gol adversário por mais de uma vez.

 

Eles, até mais do que este casca dura, que já nos viu desperdiçar títulos nas cobranças de pênaltis com muito mais frequência do que gostaria, jamais deixaram de acreditar que o ídolo Marcelo Grohe resolveria tudo no fim das contas. Eu, com coração sofrido e tentando amenizar a dor de uma frustração, me contive o máximo possível. Fazer vexame na frente dos filhos não é legal. A pressão diante da bola na marca fatal – como diriam os locutores de antigamente -, porém me fez perder qualquer escrúpulo (nem sei se esta é a melhor palavra, mas foi a primeira que pensei neste momento). Esfreguei as mãos no rosto, rocei as unhas no couro cabeludo, soquei o sofá, disse palavras impronunciáveis e sofri desesperadamente diante da decisão da vaga às semifinais.

 

Claro que de nada valeriam as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe se cada um dos nossos cobradores não tivessem feito o seu papel, inclusive Douglas que se redimiu ao marcar quando mais precisávamos. Mas que as duas defesas incríveis de Marcelo Grohe me levaram a vibrar como poucas vezes, não tenha dúvida. Vibrei na mesma dimensão que sofri. E após pular e comemorar a classificação à próxima fase do Campeonato Gaúcho – que convenhamos é conquista nenhuma – olhei para os meninos e fiquei envergonhado. Mas eles, solidários, souberam como sempre me mostrar que entendem muito bem minha paixão por um time de futebol, até porque este time é o Grêmio, o Imortal Tricolor.

 

Aos meninos (e a toda a família) que me compreendem e a Marcelo Grohe que nos salvou, agradeço pela noite de hoje.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: paciência, Luan é do Grêmio!

 

Grêmio 2 x 0 São Paulo (RS)
Gaúcho – Arena Grêmio

 

16785776729_45af6e0236_z

 

Luan é craque por definição: joga de cabeça em pé, toca de forma refinada na bola, movimenta-se com elegância em campo e sempre está disposto a arriscar a melhor jogada, mesmo que seja a mais difícil de ser executada. Não tem medo de errar.

 

É, também, craque em formação. Às vezes, parece sumido do jogo e quando menos se espera aparece em um lance excepcional. Outras, parece distante da partida, o olhar corre perdido pelo gramado e a expressão some de seu rosto como se as emoções daquela disputa não o afetassem. Tem-se a impressão de que ele não faz parte daquele mundo. Talvez não faça mesmo. Foi feito para viver entre craques.

 

Luan tem um jeito diferente de jogar, pois não é espalhafatoso na disputa pela bola e quando a tem no pé dá a sensação de que é lento. Ledo engano. Tem passadas largas e por isso consegue superar a marcação quase sempre dura e violenta, faz a bola colar no seu pé e a manipula com extrema facilidade. Avança, chega perto do gol, chuta!

 

Por ser jovem, ser diferente e craque, é preciso paciência com Luan. E o torcedor, mais acostumado com aqueles que se sujam na grama para alcançar a bola perdida, não vinha demonstrando muita paciência com ele. Talvez por não entender seu jeito de ser em campo. Por não compreender sua personalidade. Por isso, os dois gols deste fim de domingo ganham importância ainda mais especial, além, é lógico, de nos manter no primeiro lugar do Campeonato, garantir a sexta vitória consecutiva e a nona partida invicta.

 

Gols de craque, registre-se. O primeiro foi uma aula, tinha todos os elementos necessários para uma cabeceada. Com um passo, tomou a frente do marcador, e subiu alto; antes da bola chegar já olhava para onde pretendia jogá-la, e assim que ela chegou, com os olhos abertos e mirando seu destino, em um movimento certeiro com a cabeça, colocou-a distante do goleiro. O segundo, ganhou dos marcadores na corrida, matou a bola com o pé direito, cortou para o lado esquerdo, com um só drible deixou o goleiro estatelado na área e deslocou os zagueiros. Teve tranquilidade para ajeitar o corpo e finalizar a jogada nas redes. Luan, que nos últimos jogos foi garçom, desta vez se serviu do bom momento de seus companheiros, pois foram primorosos o cruzamento de Everton no primeiro e o lançamento de Giuliano no segundo gol.

 

Marcando gols e jogando com o talento que lhe é natural, quem precisará de muita paciência são os adversários do Grêmio.

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: vitória justa apesar das injustiças

 

Novo Hamburgo 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Estádio do Vale

 

16309896544_6de583d843_z
Foram necessários três para valer um gol. Os dois anulados, a imagem é clara, foram mal anulados e quase estragaram a trajetória vitoriosa que implantamos nas última semanas. Só não conseguiram …. e longe de mim com esta frase insinuar que foi tentativa deliberada, creio mesmo que foram erros técnicos, ou seja de competência e não de caráter, os que levaram a anular os gols gremistas … seguindo no que escrevia: só não conseguiram estragar nossa trajetória porque mais uma vez o sistema defensivo foi forte o suficiente para suportar a pressão, especialmente no segundo tempo. Mesmo com Tiago no lugar de Grohe e ainda refém da pouca idade, o que pode ser cruel para os goleiros, e Geromel em ritmo de quem joga a primeira partida da temporada, conseguiu-se anular boa parte das tentativas adversárias. Nem se pode dizer que fomos ameaçados, realmente. Houve alguns suspiros por um lado ou outro, mas nada que se concretizasse em chances de gol. Quando apareceram, pararam na nossa defesa ou na linha de fundo.

 

Seria uma tremenda injustiça imaginar, porém, que somente chegamos a oito partida sem derrota e a quinta vitória seguida por causa da forma como temos nos defendido. Nada seria possível se o conjunto da obra não estivesse funcionando com os laterais descendo com personalidade pelos lados, o meio de campo tocando a bola e o ataque se mexendo no espaço que sobra lá na frente. Foi assim que fizemos o único gol que o juiz assinalou: Giuliano, mais uma vez bem, se livrou dos adversários para entregar a bola a Luan. Luan avançou e quando se esperava um passe lógico para Giuliano que entrava na área, fez o improvável. E, a partir do improvável, permitiu que Ramiro arriscasse de fora da área e com sucesso. Verdade que, ontem, houve momentos em que as coisas não funcionaram bem assim, até porque o adversário partiu para o desespero, mas aí o pessoal lá de trás garantiu o resultado fazendo justiça à nossa campanha e corrigindo a injustiça que estava sendo provocada pelos erros do árbitro e seus auxiliares.

 

Para ser sincero, lamento muito mais a anulação dos gols porque ao tomar esta atitude o juiz tirou, duas vezes, o pão da boca de Braian Rodríguez. Sabemos bem que centroavantes (ainda os chamam assim?) se alimentam de gols e só sobrevivem com uma sequência deles. Se ficam um ou dois jogos sem comemorar começam a ser cobrados, passam a ter que dar explicações para jornalista e torcedor, se sentem mal … caem em depressão. Amanhã, após mais alguns minutos sem marcar, ninguém vai lembrar que ele até fez gol, aliás, fez dois gols, mas o juiz o roubou o direito dele celebrar.

 


A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: com a tranquilidade que só as vitórias oferecem

 

Grêmio 2 x 0 Lajeadense
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

16276498854_0f916d3086_z

 

Foi Marcelo Oliveira quem disse, ao fim do jogo desta noite, que a vitória traz tranquilidade para a semana que se segue. Tranquilidade que, aliás, o time mostrou em campo antes mesmo de conquistar a vitória. Pois teve calma para trocar bola na busca do espaço que lhe permitiria chegar ao gol. E o fez com a bola de pé em pé, especialmente pelos pés do próprio Marcelo, que aproveitou muito bem as descidas pelo lado esquerdo, como tem feito sempre que é escalado na lateral. Maior aproveitamento ainda teve Giuliano que marcou os dois gols da vitória gremista. Nosso camisa 11 tem se destacado a cada partida, movimentando-se à frente da área e decidindo sempre que entra nela. Queria apenas que alguém mais entendido no assunto me explicasse o que significa aquela comemoração com o dedo indicador movimentando-se como se dissesse “não”… para depois apontar ao céu em mensagem que, aí sim, consigo entender plenamente. Coadjuvante nos dois gols, o primeiro ao se antecipar ao goleiro e o segundo ao fazer o passe de cabeça, Braian Rodríguez cavou mais um pênalti e recebeu várias faltas. Mesmo que eu prefira vê-lo fazendo os gols, deve-se levar em consideração que ainda é um recém-chegado e precisa acertar o tempo da bola com seus colegas. Está de bom tamanho, por enquanto.

 

A tranquilidade das vitórias (assim como a da liderança do Campeonato) também me permite falar um pouco mais sobre assunto que tem me chamado atenção no time desde o início deste ano, mas que os resultados ruins das primeiras rodadas não nos davam espaço para tratar. Ao contrário de temporadas anteriores, é evidente a orientação de Luis Felipe Scolari para se eliminar os chutões para o ataque, ligações diretas que me irritavam profundamente e tornavam nossos atacantes em espécies de pescadores solitários de bola. Barcos foi um dos que mais sofreram com aquele tipo de jogo. Hoje, poucas vezes se vê alguém despachando a bola para frente. Prefere-se o passe para o companheiro mais bem colocado ou até mesmo o recuo, se mais seguro, privilegiando-se o controle da bola. Bem verdade que ainda tem gente errando passes de mais, fato que precisa ser consertado em tempo, mas isso também é fruto desta tentativa de trocar a bola em vez de apenas rifá-la.

 

Para nos deixar ainda mais tranquilos, temos um defesa segura, que levou apenas um gol nas últimas sete partidas, outra mudança considerável depois da fragilidade dos primeiros jogos. Resultado do sistema defensivo que se contrói a partir da pressão dos atacantes e dos jogadores mais avançados que atrapalham a saída de bola e dificultam as jogadas ofensivas do adversário. Ver Douglas dando carrinho para impedir o contra-ataque inimigo é símbolo deste compromisso do time. Registre-se: mais um mérito de Luis Felipe Scolari.

 

Diante de tantos fatos tranquilizadores, quem sabe dá tempo até para aprimorar as cobranças de falta? Aliás, de falta e de pênalti, também! Perder dois seguidos como aconteceu nas últimas rodadas deve servir de alerta, pois estamos nos aproximando das fases decisivas e da Copa do Brasil, e o preço por estes desperdícios pode ser muito alto.

 

Que a semana continue tranquila para todos nós!

 


A foto que ilustra este post é da página oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: no passo certo

 

Grêmio 1 x 0 Cruzeiro
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

16193920944_966969554f_z

 

A troca de passe tem se tornado nos últimos tempos quase uma obsessão para mim. Poucas jogadas em uma partida têm me chamado mais atenção. Fico prestando atenção na movimentação do jogador que entrega a bola para o companheiro e se desloca para receber mais à frente. Gosto quando é tocada de uma só vez de pé em pé, às vezes em triangulação e outras em profundidade. Incomoda-me quando o ‘passador’ prefere jogar para trás em lugar de entregar a bola para um companheiro que esteja mais avançado. Temos de ganhar terreno, por que, então, decidiu recuar? Futebol exige dos jogadores um poder incrível de tomada de decisão. Toca para lá? Toca para cá? Arrisca o drible? Quem sabe lança para dentro da área? Tudo tem de ser decidido com muita rapidez. Não há tempo a perder. O adversário marca firme. Tenta fechar todos os espaços. Para roubar a bola, usa de todos os recursos. Legais ou não. Quando a decisão é certa e o passe preciso, desmancha-se a marcação e a possibilidade de gol aumenta.

 

Em meio a forte defesa enfrentada no jogo de sábado à noite, ver Douglas puxar a bola para a esquerda e, com alguns leves toques, conseguir espaço para fazê-la correr pela grama entre cinco adversários e alcançar Marcelo Olivera, já dentro da área, como aconteceu no segundo tempo, me faz vibrar. Melhor se fosse gol, mas não foi daquela vez. Bem antes desse passe, ainda no primeiro tempo, gostei também da jogada em que Giuliano, pela direita, tocou a bola à frente, em profundidade, para Matias Rodríguez surgir por trás da defesa, chegar a linha de fundo e cruzar. Braian Rodríguez se esticou todo. Foi quase, mas não seria ainda daquela vez. Tivemos outras chances de chegar ao gol que resultaram de passes certos ou de chutes à distância.

 

Mesmo sem entrosamento, Cristian Rodríguez, o estreante, mostrou que além de passar bem, não tem medo de driblar. Quando precisou, também arriscou de fora da área. Pode fazer muita diferença em campo. Para não esquecer a outra estreia: Maicon também foi forte em campo, distribuiu a bola, desarmou e chutou quando possível. Luis Felipe fez mudanças, trocou jogadores de lado e de posição, mas apesar de todo esforço, não conseguíamos furar a defesa. Até que drible e passe combinados fizeram a diferença. A começar por Everton que costuma entrar no segundo tempo mais endiabrado do que quando sai jogando. Teve personalidade ao carregar a bola da lateral em direção à intermediária, e precisão ao enxergar Giuliano se deslocando para a área. Nosso outro meio-campo, Giuliano, também. Foi preciso no drible e solidário no passe. Escapou da marcação e deixou Braian Rodríguez livre para fazer o gol que nos daria a vitória e a liderança do Campeonato Gaúcho. Braian fez o que se espera: seja com presença na área, seja ao provocar o pênalti, seja no momento de decidir. É só isso que precisamos de um centroavante (como se fosse pouca coisa!).

 

Com paciência para esperar o momento certo, a confiança que os novos reforços trazem e a melhora de desempenho de alguns que já estavam no grupo, como é o caso do Giuliano, estamos construindo a caminhada para o título. Já somos líderes!

Avalanche Tricolor: a efemeridade dos fatos e das vitórias

 

Ypiranga 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho – Colosso da Lagoa/Erechim

 

16163110894_9083ac8e6e_z

 

Está tarde para escrever esta Avalanche. Quando digo tarde, não se deve ao fato de o jogo ter terminado quase meia-noite. É tarde, porque não escrevi após a partida como costumo fazer. Sequer tive tempo de fazê-la pela manhã após o programa que apresento na rádio CBN. A tarde veio com mais uma sequência de compromissos. E a noite chegou. E somente agora há pouco consegui parar para pensar melhor sobre o que aconteceu ontem, na cidade de Erechim. Assim que começava a escrever, surge um alerta na tela do meu celular com o aviso de que o Guia da Partida já estava à disposição no aplicativo oficial do Grêmio. O guia se refere ao próximo compromisso do tricolor, no sábado, às seis e meia da tarde, contra o Cruzeiro, na Arena. O jogo de ontem já é passado. Por isso é tarde para escrever esta Avalanche que sempre se dedica a falar sobre o desempenho gremista.

 

É curiosa esta sensação: nossas vitórias são efêmeras diante da velocidade dos fatos. Um jogo termina, mal se comemora a conquista e no dia seguinte temos de começar a pensar no próximo jogo. Não há tempo a perder. Se demorar muito, já era. É assim no futebol, é assim na vida. Estamos sempre correndo para superar o desafio seguinte. Se perder hoje, a vitória de ontem é esquecida. Se não alcançar sua meta de agora, os resultados do passado provavelmente não serão suficientes para sustentar seu status. É do jogo, é da vida.

 

No futebol – afinal este é o nosso foco – as vitórias apenas têm significado se nos levarem ao título, esta sim uma conquista que fica na história. E é isto que estamos construindo jogo a jogo neste Campeonato Gaúcho. Apesar dos reveses nas primeiras rodadas e dos tropeços preocupantes na Arena, tem sido evidente a melhora de desempenho. De ontem, apesar de ser passado, ficou a impressão de que as peças começaram a se encaixar; no mínimo, os passes começaram a entrar. O gol de Giuliano, resultado de uma enfiada de bola precisa de Luan, no meio da defesa adversária, deixou isso muito claro. Esse foi apenas um dos bons lances construídos pelo time que ainda ganhou um novo atacante, Braian Rodrigues, algo que vinha nos fazendo falta. O cabeceio no primeiro cruzamento pelo alto na área foi o cartão de visita dele. E ainda tem Cristian Rodríguez e Maicon credenciados, pela burocracia e pelo futebol, a aturem entre os titulares.

 

É tarde para escrever sobre o jogo de ontem. Nem tive tempo para lembrar que jogamos com um a menos boa parte do segundo tempo e fomos fortes para resistir a pressão. Muita coisa já aconteceu. Felipão pegou suspensão e não estará na estreia da Copa do Brasil. Nossos cartolas já chiaram contra o juiz, também, e depois recuaram. Quem não jogou, já treinou. Não dá mesmo para parar: é hora de se concentrar para o próximo jogo e mostrar que o que vimos ontem foi apenas mais um passo para um futuro vitorioso.

Avalanche Tricolor: a alegria do gol

 

Grêmio 3 x 1 Caxias
Campeonato Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio_Fotor_Collage

 

Foram quatro gols na partida do fim deste sábado. Claro que vou me dedicar aos três que tiveram nossa marca – apesar de o deles também ter tido, mas, convenhamos, hoje não é dia de choradeira. Vamos ao que interessa e nos dá alegria.

 

O primeiro foi especial não apenas pela maneira como ocorreu: gol Olímpico para marcar a retomada das vitória na Arena. Mais do que um jogo de palavras, a importância do gol de Douglas se dá por ter acontecido quando a impaciência já tomava conta de parte das arquibancadas. E do time, também, pois, diante de mais um ferrolho, encontrava dificuldade até mesmo para chutar. Alegra-me saber que voltamos a ter a possibilidade de marcarmos do que, erradamente, batizou-se no futebol como sendo “gol de bola parada”. É jogada que precisa ser treinada e bem aproveitada, especialmente porque retrancas serão encaradas no Campeonato Gaúcho e nas primeiras rodadas da Copa do Brasil. Estávamos precisando incluir estes lances em nosso cardápio. Ainda estamos devendo na cobrança de falta.

 

O segundo resultou da marcação forte que vem se tentando fazer ainda no campo do adversário. No clássico da semana passada foi o que nos deu vantagem em parte do jogo, e hoje foi o que levou Marcelo Oliveira a roubar a bola e permitir o contra-ataque. A velocidade até a área e o chute forte de Everaldo, que havia entrado fazia pouco tempo, permitiram que Marcelo Oliveira concluísse em gol. O sorriso no rosto do polivalente volante foi a imagem mais marcante da partida na minha opinião. Andava cansado de ver aquelas caras fechadas e testas franzidas de preocupação; ou a indiferença nas comemorações, resumidas a algumas trocas de abraços e nenhum afago para a torcida. A felicidade de Oliveira mostra bem o quanto ele está engajado na ideia de dar a nós gremistas novas alegrias.

 

O terceiro veio na hora certa (se é que existe hora errada para marcar gol)! E nos pés do cara certo, também. Yuri Mamute é promessa já faz algum tempo. Faz gols com a camisa da seleção e gols nas categorias de base. No time principal, porém, ficávamos apenas na expectativa de vê-lo explodir em campo um dia. Domingo passado, se saiu bem, mas não foi além disso. Hoje, explodiu mesmo e com aquela massa muscular que se destaca saiu em disparada para o ataque sendo caçado pelo marcador. Por mais que fosse empurrado e chutado, não perdeu o controle da bola nem mesmo diante do goleiro. Teve calma para driblar e encontrar o espaço preciso. Foi comemorar nos braços da torcida e nos deu o direito de sorrir mais uma vez no Campeonato Gaúcho.

 

Se Mamute merecia este gol pelo esforço que faz em campo sempre que veste a camisa tricolor, nós, também merecíamos a alegria desta vitória. A alegria que só a repetição de gols como os deste sábado à noite é capaz de nos oferecer.

 

As fotos deste post são do álbum do Grêmio Oficial no Flickr