O padre que morreu no altar

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Faz muito tempo que este que lhes escreve começou a bancar o radialista. Sim, bancar, porque os fones da galena do meu avô ,o seu Adolfo, surpreendentemente, enfiados na entrada do toca-discos do Wells, rádio que o meu pai importou dos Estados Unidos, produziram o que eu imaginava pudesse ocorrer: viraram microfone e até que tinham um som bem mais forte do que era esperado. Da descoberta da utilidade deles à primeira narração de um jogo de botões feita por mim.

 

Eu estava longe de ser o que pretendia: trabalhar como locutor de rádio. Já contei essa história e, se ela foi lida por alguém, me perdoem: a Rádio Canoas (que nunca fez jus ao nome do município que deveria ser a sua sede) buscava locutores. Alistei-me aos que fizeram teste e, para minha surpresa, fui aprovado.

 

Já havia passado pela Voz Alegre da Colina, um serviço de alto-falantes que era usado nas quermesses que visavam obter o suficiente para iniciar uma igreja, cujo nome já se sabia: Igreja do Sagrado Coração de Jesus.Em uma das quermesses comecei a namorar aquela que seria minha mulher. A igreja demorou, mas o trabalho dos paroquianos e do Padre João Mascarello, seu primeiro vigário, permitiu o seu crescimento. O tempo passou, casei com Ruth e saímos das casas paternas para morar no Menino Deus. Minha primeira mulher faleceu e fui morar na Assunção com Maria Helena.

 

Chamou-me a atenção encontrar uma Igrejinha que tinha o mesmo nome do seu padroeiro, isto é, Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Imaginava que não pudessem existir duas paróquias com o mesmo nome. Mas não havia nada que proibisse isso.Localizada no alto da Rua Padre Reus, com uma pracinha com poucas árvores e um pároco que, logo descobri, ficava na porta da Igreja à espera dos que chegavam para assistir a uma das tantas missas dominicais.

 

Nunca vou esquecer a solidão enfrentada por José Werle (só agora fiquei sabendo seu sobrenome),que trabalhou sozinho e, mesmo assim,estava se esforçando para terminar uma casa, que serviria para reunir crianças nas catequeses e para outras finalidades. Padre José não se queixava da falta de um padre que o ajudasse de maneira permanente. O Padre enfrentou problemas de saúde,nada, porém, que lhe tirasse o ânimo.

 

Nesse domingo, 25 de outubro,na missa das vinte horas, que transcorria normalmente e estava quase terminando, Padre José,que tinha por hábito fazer uma pausa e, após,convidar os paroquianos para rezar mais um pouco, ergueu-se e não conseguiu iniciar aquela que seria a sua última oração: caiu,inconsciente no altar, mas,embora socorrido por dois médicos que assistiam à sua missa, não resistiu e morreu. O Padre José, que estava satisfeito por ver a sua Igreja lotada de paroquianos,com certeza, me arrisco a dizer, teve a morte que havia pedido a Deus. Será muito difícil o substituírem. Ele era um verdadeiro “herói de Cristo”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Conte sua história do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Sou fã de carteirinha do Conte Sua História de São Paulo. Não se trata de corujice do pai do Mílton. Não perco os textos que ele posta com este nome no seu blog. Caxiense por nascimento e porto-alegrense por adoção,as pessoas de outros estados do Brasil e mesmo estrangeiros que desembarcam em SP,em geral,ainda crianças,têm sempre boas histórias para relatar dos seus primeiros anos na capital paulista.

 

Nestes tempos em que,por motivos para lá de importantes, as mídias de toda espécie estão voltadas para os escândalos protagonizados por políticos e/ou funcionários governamentais,meus textos pareceriam ter virado samba-de-uma-nota-só,contaminado pela fartura de notícias do mesmo tipo. O Mílton que me desculpe,mas me obriguei a dar um tempo nos textos das quintas-feiras que escrevo,normalmente,no blog por ele capitaneado.

 

Talvez meu débito com o Mílton,quem sabe o único leitor das páginas que posto neste blog,aumentaria consideravelmente,se eu não tivesse lido o mais recente episódio do Conte Sua História de SP. Encontrei analogias entre a chegada de Dina Gaspar – este o nome dela – e a minha infância, apesar de a menina assustada com os estranhos barulhos que ouvia ao ter de entrar naquela que seria sua segunda casa, ”agarrava-se fortemente ao pescoço da prima Ercília visando a não entrar no seu novo lar”.

 

Dina não deixava de ter razão. Os autores da barulhada sequer falavam a sua língua. Afinal,ela vinha de uma “pobre aldeia argentina”. E o barulho soava,contou,como perigo iminente. Mal sabia que estava – palavras dela – sendo apresentada ao rádio,”aquela caixa de madeira escura de uns 60cm x 40cm”. Adorei a frase de Dina Gaspar no seu texto:”No mundo infantil não existiam apenas vozes sem corpo”. Não deixava de estar certa.

 

Dina Gaspar,se a minha matemática não está errada, diz no belo texto que escreveu, ”que, dessa intensa e intrincada vivência, os 70 anos seguintes nos mudaria a ambas: a mim e a São Paulo!”.

 

Falei na minha analogia com Dina porque,apesar dos 10 anos de diferença entre nós,na casa paterna,em Porto Alegre,de certa forma descobrimos, ainda muito cedo, que o rádio não faz mal a ninguém. Bem pelo contrário. Ouvi rádio desde pequeno, depois já adolescente. Meus avós,que moravam conosco,eram pagos para controlar se,no rádio,os anúncios de determinadas firmas íam ao ar nos horários combinados. Foi em um serviço de rádio escuta desses que tomei conhecimento de que uma pequena emissora havia aberto testes para candidatos a locutor. Fui um dos três que passaram no teste na Rádio Canoas.

 

Muito mais longe de sua casa paterna foi o Mílton Jr. que,com uma feliz combinação entre nós,passou a ser conhecido com Mílton Jung. Mais corajoso que o pai,ele fez teste na TV Globo. E passou. Acho que a história dele em São Paulo bem que poderia ser contada pelo próprio.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Palavras no rádio e na TV que não consigo digerir

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Olho para trás e me dou conta de que passei a maior parte da minha vida trabalhando como radialista. Exerci várias funções,pasmem,atuando em apenas duas emissoras:a Rádio Canoas (que mudou de nome e virou Rádio Clube Metrópole ao receber concessão para funcionar em FM) e na Rádio Guaíba. Essa,inaugurada em 1957. Era um sonho dos locutores,na época,ser contratado pela rádio que se firmou no ano seguinte,1958,por ter transmitido a Copa do Mundo da Suécia com equipe própria:Mendes Ribeiro,Flávio Álcaraz Gomes e Francisco Antônio Caldas. De lá para cá,a Guaíba só não se fez presente na deste ano que os brasileiros preferem não lembrar por motivos para lá de óbvios. Além de locutor comercial,comecei a narrar futebol e,em 1964,passei a apresentar o Correspondente Renner que,modéstia à parte, foi durante muitos anos a principal síntese informativa da Guaíba.

 

O leitor – se é que tenho algum,especialmente fora do Rio Grande do Sul – não pode imaginar o que o Correspondente Renner representou,em uma época que o radiozinho de pilha era companheiro sempre presente dos agricultores. Até hoje,encontro quem diga que os pais de família não permitiam que os filhos falassem enquanto o Correspondente Renner estivesse no ar. Fiz esse intróito para dar ao leitor – insisto,se existir algum – uma ideia sobre este que lhes escreve e que vai,daqui para a frente,digitar algumas coisinha que,tanto no rádio quanto na TV atuais,não consegue digerir.

 

A grande maioria,sempre que se refere ao juiz de uma partida,diz que a arbitragem acertou ou errou. Ocorre que não é arbitragem que faz isso ou aquilo.O jogo é arbitrado só pelo juiz. Os seus auxiliares,por mais importantes que sejam,a rigor,não passam disso. O árbitro – e repito – apenas ele, é o indivíduo responsável, por fazer cumpriras regras,o regulamento e o espírito do jogo. A arbitragem é,digamos assim,o conjunto da obra. Quem manda,porém,insisto,é o que chamam,quando não fazem direito o seu trabalho,de “sopradores de apito”. Creio que os chefes desses moços que não sabem a diferença entre árbitro e arbitragem bem que poderiam ser alertados pelos seus superiores.

 

Outro erro, que já estou cansado de ouvir, é informar que “o estádio está completamente lotado”. Trata-se de um pleonasmo,isto é,repetição,na mesma frase,das mesmas ideias por meio de palavras. Narradores,comentaristas,repórteres e assemelhados,cometem os tipos de erros que citei. O pior é quando vejo que a mídia brasileirsa,com raríssims exceções,até agora não se decidiu entre chamar a maravilhosa Nova Iorque de Nova York. Que se use o nome em completamente em inglês ou todinho aportuguesado. Não pode,na minha modesta opinião,grafar o nome de maneira híbrida:Nova York.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Uma boa história do rádio

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Ao sentar diante do computador para digitar o meu texto das quintas-feiras fiquei em dúvida a respeito do assunto. Ocorreram-me,no mínimo, dois temas. Cheguei a pensar em escrever sobre a crueldade humana. Apenas o homem é capaz de ser cruel. Os animais, não. Sabemos que, mesmo os mais ferozes predadores, ao matar suas presas, fazem-no somente para sobreviver. Se não as devoram, morrem de fome. Não foi – nem poderia ser, claro – o caso da mulher que mandou matar o marido, confessou o crime e, apesar disso, foi solta um dia depois de ser presa. O triste episódio aconteceu em Cachoeirinha, cidade da Grande Porto Alegre. Era acerca da crueldade dessa mulher que pretendia escrever. Creio que, em boa hora, desisti.

 

Acabei optando pelo segundo assunto que tinha na cabeça. Faz horas que não conto histórias dos meus primeiros anos na Rádio Guaíba. Transferi-me para essa quatro anos após estrear no microfone numa pequena emissora, tão estreante no ramo quanto eu: a Rádio Canoas. O veículo rádio, naquela época, não tinha muito a ver com o de hoje. Entrei na Guaíba como locutor comercial (assim éramos chamados). O quadro contava com dez “speakers”, com vozes de quase idêntico padrão. Apresentávamos também os noticiários existentes no horário de trabalho. Cheguei a atuar como radioator. Mas essa parte talvez mereça outra história..

 

Não me lembro bem em que ano comecei a acrescentar às minhas funções a de narrador de futebol e outros esportes. O nosso diretor de broadcasting ou diretor artístico, como preferirem, era Mendes Ribeiro. Depois de testado por ele como narrador em jogos do campeonato gaúcho, escalando-me para relatar um tempo das partidas que, em Caxias do Sul, começavam meia hora antes das demais, me aprovou. Uma de suas idiossincrasias era o medo de viajar de avião. Nas eliminatórias da Copa do Mundo de 1958, Ribeiro preferiu ir de kombi a Assunção para transmitir Paraguai x Brasil. As condições das estradas, naquele tempo, eram horrorosas. A viagem demorou tanto que o nosso narrador número um por muito pouco não chegou atrasado ao Defensores del Chaco. Foi Mendes Ribeiro que, bem mais tarde, viajou, com este que lhes escreve, para Águas de Lindóia, a fim de transmitir um jogo-treino da Seleção Brasileira. Fomos de kombi, claro.

 

Em 1966, cobri os treinos da nossa Seleção, que se preparava para a Copa do Mundo. Conheci Lambari e Caxambu, pertencentes ao Circuito Das Águas de Minas Gerais. Estive ainda, na mesma cobertura, em Teresópolis, Macaé e Niterói. Foi lá que Alcindo, jovem centroavante do meu Grêmio, torceu o tornozelo, o que acabou prejudicando sua participação na Copa da Inglaterra. Nossa viagem com o Selecionado não foi nada fácil. Como não havia, na época, condições tecnológicas sequer semelhantes às de hoje, levávamos, no meio da Kombi, um transmissor pesado, conhecido por SSB – Single Side Band – cujas válvulas não eram confiáveis. Nossos técnicos precisavam adquirir dois postes de bom tamanho, em cada nova cidade por nós visitada. Montava-se sobre esses postes os cabos que, partindo do transmissor, levavam ao ar o som da Guaíba. No alto do Morro da Polícia, em Porto Alegre, um outro técnico era responsável pela manutenção da sintonia do SSB, muito delicada. Essa, se perdia ao menor descuido do operador. Confesso que, embora com todos os percalços de ordem técnica, por mim relatados, eu gostava bem mais do rádio de antigamente – e olhem que não sou saudosista – do que deste que temos hoje, repleto de avanços tecnológicos e ouvido, por mais distante de nós que esteja a emissora, com som local, pela internet. Ah, que saudade das ondas curtas com aquele som que ia e voltava, ia e voltava.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Quando o Grêmio é o Grêmio

 

Grêmio 1 x 0 Canoas
Gaúcho – Olímpico Monumental

 

 


Inspirar-se com o que vejo ou deixo de ver dentro de campo para escrever esta Avalanche tem sido minha tarefa desde 2007 quando a iniciei no Blog com o objetivo de extravasar minha admiração pelo Grêmio. Logo no início fazia questão de tê-la publicada assim que o juiz apitasse o fim da partida, mas com o tempo, ou melhor, a falta dele acabei me satisfazendo em escrevê-la o mais rapidamente que pudesse nem que isso significasse o dia seguinte, pois alguns jogos se encerram em horário proibitivo para quem madruga durante a semana, como é o meu caso. Com esta semifinal disputada no sábado à tarde, feriado nacional e sem muito compromisso, postar o texto não exigiria esforço extra, bastaria esperar o time jogar bola, o adversário ser superado, um dos nossos se destacar com um lance bonito, desses que fazem a essência do futebol – um gol, um drible ou, claro, um carrinho na altura da canela -, respirar fundo e se inspirar.

 

Os 15 minutos iniciais de hoje foram empolgantes com o time tendo eliminado qualquer possibilidade de o adversário se aproximar do campo do ataque, a bola passada com velocidade, a agilidade no deslocamento dos jogadores pelas pontas e aparecendo no meio para receber, um sufoco impressionante. O gol aos 7 minutos do primeiro tempo com a bola sendo empurrada para dentro da goleira na insistência de André Lima – o atacante que não desiste nunca – foi a imagem do nosso desempenho naquele um sexto de partida. Estava entusiasmado e certo de que teria um material rico para contar a você aqui no Blog, mas alguma coisa mudou de lá para adiante. O futebol jogado até então ficou reservado ao replay do intervalo. Passes errados, falta de articulação, vacilos desnecessários e cartões amarelos, também. Os chutes a gol continuaram, mas sem a mesma convicção, com as exceções de praxe. Não era mais o mesmo Grêmio.

 

Ao fim da partida – e somente ao fim, porque não dava para tirar o olho da TV a medida que mesmo capenga nunca se sabe o que o adversário pode fazer – respirei fundo, sentei-me diante deste computador e pensei o que poderia me motivar a escrever. Lembrei-me dos minutos iniciais quando o Grêmio foi o Grêmio que queremos e sonhamos. E foi este que me trouxe até este parágrafo final. Que seja este que veremos domingo na decisão da Taça Farroupilha.

Avalanche Tricolor: Prazer conhecê-los

 

Canoas 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental

 


 

O feriado era apenas em São Paulo e mesmo que o clima tenha sido esse, para mim a quarta-feira foi de muito trabalho, pois comecei logo cedo no Jornal da CBN e depois tive o privilégio de ser convidado a participar do CBN SP especial, em homenagem aos 458 anos da cidade. Foi lá que ouvi mais uma vez de um dos muitos “comentaristas esportivos” – aspas pois são apenas amigos admiradores do esporte – que a contratação de Kleber pelo Grêmio foi uma loucura: “gastaram muito dinheiro e não vai dar certo”. O Gladiador – é esta a marca que o acompanha – é bastante conhecido pelas confusões que se envolve e gols que marca, e dizem que costuma estar mais nelas do que neles. Tenho a tendência a acreditar que os jogadores irão corrigir seus defeitos e desenvolver suas qualidades assim que vestirem a camisa tricolor, principalmente se entre estas está o espírito guerreiro que sempre contamina a torcida – ou é contaminado por ela. Kleber tem este espírito e às vezes confunde um pouco as coisas, mas foi muito bem-vindo desde que anunciado ano passado. No início da noite de hoje, a partida do Grêmio começou às sete e meia da noite, ainda com muito sol na cidade de Canoas, na Grande Porto Alegre, o atacante marcou seu primeiro gol em partida oficial. Não foi um golaço, daqueles de driblar dois zagueiros, limpar a jogada e encher as redes; nem foi um gol decisivo, capaz de ficar marcado na memória dos gremistas; mas foi um gol de quem entende do riscado – como diriam os mais antigos -, tinha o olho na bola no momento em que foi cruzada para outro colega de ataque que estava na área, se deslocou por trás dos marcadores para o lugar onde ela deveria sobrar na jogada seguinte e apareceu sozinho ao lado da trave tendo apenas o trabalho de empurrar a bola para dentro do gol – não leia este “apenas’ com desprezo, está aqui para mostrar que a simplicidade é um mérito, neste caso. Kleber se apresentou e marcou. E mesmo que seja apenas o início, é um prazer conhecê-lo com a camisa do Grêmio. Assim como foi conhecer Marcelo Moreno, que chegou sem a mesma “má-fama” do colega de ataque, pelo contrário, é visto como um dos prováveis destaques da temporada, e, hoje, ao fazer sua estreia já marcou o primeiro gol (e de cabeça). Moreno e Kleber vão mesmo causar muita confusão em campo. Para o adversário, é lógico

Avalanche Tricolor: Em busca de um sonho

 

Universidade 0 x 1 Grêmio
Gaúcho – Canoas

Viçosa faz de penâlti (foto: Gremio.net)

Desumano. Foi a expressão usada pelo ex-volante do Grêmio Lucas para definir a maratona de jogos enfrentada pelo time logo no início da temporada. Ele fez o comentário em entrevista ao jornal Correio do Povo, deste domingo. Na reportagem, depositou confiança na competência do presidente Paulo Odone: “com certeza ele vai levar o Grêmio de novo a títulos”, afirmou o jogador que atua pelo Liverpool (ING), mesmo nome da equipe com quem vamos disputar a pré-Libertadores, na próxima quarta-feira, dia 26, no Uruguai.

Sim, após quatro jogos em uma semana, todos pelo ‘emocionante’ Campeonato Gaúcho, o Grêmio decide vaga para a competição que mais interessa nesta temporada. Em pouco mais de dez dias de treinamento, sem tempo para piscar, pensar e respirar, o time de Renato Gaúcho estará sob a tensão de uma disputa que será vida ou morte – mata-mata como chamam no futebol.

Um dia antes de viajar para a primeira partida da decisão, Renato e seus jogadores foram obrigados a atuar em um gramado de pouca qualidade e contra uma equipe que por mais mérito que tenha quase nada representa para o futebol brasileiro. Com todo o respeito ao Universidade de Canoas, um time que não tem torcedores nem identidade está longe de ser um clube de futebol. Talvez seja apenas um negócio no futebol.

As divididas com o adversário (e houve muitas), o carrinho por trás (também aconteceu) e a bola disputada com veemência (faz parte deste jogo) eram sempre uma jogada de alto risco. Qualquer descuido e um goleiro com o talento de Vitor, um volante com a presteza de Adílson ou um atacante com a ansiedade de Diego Clementino poderiam nos faltar quando mais necessitaríamos.

Aparentemente, todos saíram inteiros de dentro do campo e com uma vitória importante para o time respirar com folga em relação a seus adversários no campeonato. O coração ficou na boca o tempo todo, não pelas emoções que o futebol costuma proporcionar, mas pelos perigos que rondavam músculos, canelas e tornozelos de nosso time.

O físico ainda não está preparado para esta final de pré-Libertadores, a mente tem de estar. E na mala a certeza de que não se mede a decisão pelo adversário, mas pelo o que esta pode nos proporcionar. Sendo assim, começa amanhã, a viagem em busca de um sonho: o tri da Libertadores.