Avalanche Tricolor: com a cara e a coragem

 

Bahia 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova

 

 

A bola acabara de se chocar no travessão, após oportunista cabeceada de Elano, parecendo que mais uma vez se perderia no gramado como fez em boa parte do jogo quando foi passada sem destino e chutada sem direção. Mesmo os jogadores adversários davam sinais de alívio ao perceberem aquela bola indo embora após um dos poucos ataques gremistas. Foi quando com a cara e a coragem um dos nossos gringos se atirou em direção a ela em uma tentativa desesperada e audaciosa. A chuteira do marcador lhe acertou o rosto, o corpo caiu estendido na pequena área enquanto a nuca se chocava na grama. A bola tomava a direção da linha de fundo, mas, talvez agradecida pelo sacrifício, desviou em direção ao gol que já estava vazio. Riveros não teve chance sequer de comemorar a abertura do placar, e poucos dos seus colegas, também, pois estavam preocupados com a condição do colega que deixou o campo na maca. Assim se iniciou a primeira conquista do Grêmio fora de casa neste campeonato.

 

Mesmo sem a excelência do futebol que esperamos, conseguimos uma importante vitória que se completou com um gol de chiripa, como costumam dizer lá na minha terra, marcado por outro gringo que estava em campo, Maxi Rodrigues, e com a troca de passe entre os irmãos Biteco, concluída pelo mais velho da família, Guilherme. Relevando a ausência de vários titulares e acrescentando o fato de o placar ter sido clássico e os três pontos fundamentais, o jogo jogado pela nossa equipe ainda está distante do desejado. Hoje, porém, tudo isso pouco me importa, pois ao menos nos aproximamos do G-4 e provamos nossa capacidade de entrar na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro, com o jeito de ser do Grêmio: com a cara e a coragem.

Avalanche Tricolor: Um time de caras e bocas

 

Grêmio 4 x 0 Grêmio Prudente
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram necessários apenas 45 segundos para o Grêmio mostrar sua cara. Sua nova cara neste Campeonato Brasileiro, diga-se. Que nada mais é do que aquela com a qual nos acostumamos, historicamente, mas que andou esquecida, sem expressão, na primeira parte deste campeonato.

Os olhos esbugalhados de Jonas sempre mirando o gol, parecendo saltar do rosto, fazem parte desta nossa cara – ou do nosso cara. Um cara que está sempre disposto a arriscar e se errar não vai desistir. Que não tem vergonha de ser considerado o pior atacante do mundo pois sabe que o foi porque tentou. E de tanto tentar está na nossa história como um dos dez maiores goleadores do Grêmio.

A feição fechada de Vílson e Paulão também desenham a cara do Imortal Tricolor. Sinalizam a seriedade com que o futebol tem de ser jogado, pouco interessando o adversário ou o campo de jogo. Se desfazem da bola ou a impedem de chegar ao gol gremista na certeza de que este é o seu ofício.

Nossa cara se revela, também, na seriedade do goleiro Marcelo Grohe. Um jovem de 23 anos que se expressa com a responsabilidade exigida de alguém que tem a difícil tarefa de substituir Vítor, o melhor do Brasil. E como esta personalidade foi importante na partida de hoje – afirmação que pode parecer contraditória em um jogo no qual o vencedor goleou seu adversário, mas que se mostra apropriada se levarmos em consideração as defesas que fez.

O futebol do Grêmio não se revela, porém, apenas na cara. Mas também na boca.

Tenho ficado impressionado com a fala dos jogadores assim que deixam o campo. Jonas teria tudo para o oba-oba individual, mas prefere ressaltar a importância do coletivo. Lúcio encerra o primeiro tempo falando de erros que precisam ser consertados em um jogo que já estava vencido. André Lima – até ele tem marcado gols dentro e fora de campo – comemora a goleada mas destaca que não se pode perder gols como aquele dos acréscimos e reforça a meta: os próximos três pontos.

Hoje, temos um time de caras e bocas – responsáveis, lutadoras, humildes e corajosas.