Câmara discute em audiência dois dias de rodízio

 

Dia Mundial Sem Carro na 23 de Maio 1Impedir que você circule de carro no centro expandido da cidade por sete horas em dois dias na semana é a ideia do projeto que será discutido em audiência pública, hoje, na Câmara Municipal de São Paulo. Atualmente, a proibição é para duas placas, por dia, e por seis horas. A proposta do vereador Ricardo Teixeira (PSDB) retiraria 40% da frota paulistana nos horários de pico dos dias úteis.

Em relação ao horário do rodízio, os automóveis não poderiam circular pela manhã das 7 às 10 horas, como atualmente, e das cinco da tarde às nove da noite – hoje a proibição é até às oito da noite. No projeto, outros aspectos como o aumento na restrição de estacionamento em vias da cidade são contemplados visando a melhora no fluxo de carros na capital paulista.

Teixeira disse ao site do Movimento Nossa São Paulo que “o projeto promove grande mudanças na cidade, mudanças polêmicas, e é natural que se queira debater mais o assunto.” Hoje, a Comissão de Finanças e Orçamento discutirá o tema na segunda audiência pública, o que abre a possibilidade de o assunto ir para o plenário.

Apesar de líderes dos partidos terem dito ao site do Nossa São Paulo que dificilmente haverá consenso neste ano para a votação do tema, os vereadores enfrentam um dilema. É praxe que pelo menos um projeto de lei proposto pelos parlamentares seja aprovado a cada ano, mesmo que o assunto não seja de agrado da maioria.

Se a tradição persistir neste fim de ano, os vereadores terão de aprovar o projeto de lei de Ricardo Teixeira que foi o único apresentado pelo parlamentar. E caberá ao prefeito vetar.

Em setembro, o Ibope fez pesquisa com cidadãos paulistanos na qual 52% disseram ser favoráveis à ampliação do rodízio para quatro dias, enquanto 42% foram contra. O maior problema nesta proposta está no fato de que os dias em que haveria restrição para circulação de carros mudaria de uma semana para outra. Um dos motivos do sucesso do rodízio – além da própria fiscalização – é o fato de os dias de restrição permanecerem o mesmo, facilitando a organização da agenda do motorista.

Buracos da Cidade: São Paulo afunda

 

Buraco na Pacaembu

O passeio dominical pela avenida Pacaembu ganhou um visual diferente nesta manhã: uma cratera surgiu no meio do caminho revelando parte do “riacho” que passa sob os pés – ou rodas – do paulistano. Dois motoristas não ficaram nada felizes com o que viram, pois caíram no buraco por volta das cinco da manhã. Resultado: um deles teve a roda quebrada; o outro, a suspensão. Os dois fizeram boletim de ocorrência, mas esperam que a Sabesp – responsável pela cratera – pague os prejuízos antes que o caso chegue na Justiça, contou a repórter Alessandra Dias, da CBN, que esteve por lá, e fotografou a cena.

A versão da Sabesp é que uma galeria pluvial estourou devido a chuva do fim de semana, fazendo com que o piso cedesse durante a madrugada. Há outro motivo bastante claro: a rede de água de São Paulo é antiga e carece de manutenção. Em alguns pontos são feitas “gambiarras” em lugar de a troca total do equipamento, pois seria necessário colocar São Paulo de cabeça pra baixo para esta reforma.

A cidade está afundando.

Canto da Cátia: Buraco, meu amigo !

 

Buraco no acesso a 23 de Maio

Todo motorista que chega pela avenida Radial Leste-Oeste e precisa entrar na 23 de Maio já teve oportunidade de “conversar” com este buraco que aparece na foto feita pela repóter Cátia Toffoletto, hoje cedo. Fica bem no acesso de quem vem da zona oeste, logo após a curva, e não há carro que escape de um “bate-papo” com ele. E este “diálogo” com o buraco é cada vez maior. Uma relação que vai se aprofundando a cada dia que passa e que deixa marcas para o resto da vida – ou até que se troque a roda do carro.

Calçadas tem lei de mais, respeito de menos

 

Calçada ou escada

Boa parte dos moradores de São Paulo usa as calçadas, mas não tem ideia das leis municipais que regulamentam a construção e manutenção deste espaço público. Sem publicidade, cada proprietário faz o que bem entende e ninguém sabe ao certo se tem direito a reclamar, e do que reclamar. Uma das situações que mais me chamam a atenção é a transformação da calçada em extensão da rua, principalmente em postos de combustível.

Os carros entram e saem dos postos na maioria das vezes sem sinalizar ou levar em consideração a preferência do pedestre. Os proprietários dos postos se preocupam em rebaixar toda a guia, de ponta a ponta, para facilitar o acesso dos veículos, mas se esquecem de avisar às pessoas infringindo ao menos um dos artigos do decreto (no. 45.904 de 2005) que trata do conceito de passeio livre:

“Os locais destinados a postos de gasolina, oficinas, estacionamentos ou garagens de uso coletivo deverão ter suas entradas e saídas devidamente identificadas e sinalizadas” (Capítulo V, art. 16, parágrafo único)

Na conversa com dois urbanistas no CBN São Paulo ficou evidente que há muitas dúvidas sobre o que a lei permite ou não em relação as calçadas. Cândido Malta, da FAU-USP, desconhece regras que impeçam o rebaixamento total das sarjetas diante dos postos de combustível. Sugere que a área seja sinalizada com piso diferenciado que faça o carro diminuir a velocidade e alerte o pedestre para o fato de que aquele trecho é de uso compartilhado. Da maneira como está hoje, um deficiente visual, por exemplo, é incapaz de saber se a calçada é ou não para acesso de veículos.

Regina Monteiro, diretora da Emurb, diz que a confusão nas leis também impede um comportamento padrão por parte dos subprefeitos e fiscais. Ela procurou o Secretário das Subprefeituras Ronaldo Camargo para que, em conjunto, seja elaborado um decreto que esclareça uma vez por toda o que pode ou não. Entende que deve ser estudado modelo que adapte o acesso dos veículos à segurança do pedestre.

Na entrevista ao CBN SP, Regina chama atenção para o fato de que, além do espaço maior do que o permitido, a calçada muitas vezes ganha degraus ou fica inclinada prejudicando o passeio.

Ouça a entrevista de Regina Monteiro ao CBN São Paulo

Uma das leis ainda em vigor é de 1988, de autoria do então prefeito Jânio Quadros, que permite o rebaixamento de até 3 metros da calçada, a cada lote. Seria clara não houvesse exceções: se o proprietário solicitar e o agente público aceitar, a área rebaixada pode ser maior. Mais recentemente, nova lei aceita que o acesso dos veículos ocupe até 50% do lote, porém nunca além de 5,5 metros, exceto os terrenos menores que podem ter toda a frente rebaixada.

De lei em lei, de exceção em exceção, ninguém é capaz de impor respeito e fazer com que o pedestre, pelo menos na calçada, seja prioridade.

Dirigir em São Paulo dá medo

 

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Trânsito congestionado, motorista violento e ameça de assalto tem provocado o aumento no número de pessoas com medo de dirigir na cidade de São Paulo. Algumas dessitem de guiar, outras temem entrar em um carro até mesmo para andar de carona. Esta a constatação da psicóloga Cecilia Bellina que em suas clínicas tem atendido cerca de 900 pessoas que sofrem desta fobia, mais do que o dobro de pacientes que tinha há cinco anos.

A psicóloga chama atenção, também, para o fato de a preparação dos motoristas ser ineficiente para as condições enfrentadas nos grandes centros urbanos, devido ao ensinamento oferecido pelas auto-escolas.

Ouça a entrevista da psicóloga Cecilia Bellina, ao CBN SP

Demanda reprimida, muito prazer !

 

Por Carlos Magno Gibrail

Ponte das Bandeiras

Se ainda não conhece, em março quando o trecho sul do Rodoanel, novas pistas da marginal Tietê, a extensão da Avenida Jacu-Pêssego, primeira fase da linha 4 amarela do metrô, extensão da linha 2 verde do metrô Vila Prudente e a ampliação das restrições aos caminhões forem implantadas, você certamente irá conhecer. Enquanto a Prefeitura de São Paulo e o governo do Estado esperam o maior impacto positivo no trânsito da cidade desde 1997, eis que a demanda reprimida poderá desapontar o “pacote de março”. E todos provarão este fenômeno tão conhecido dos economistas e muitas vezes intencionalmente desprezado por alguns engenheiros de tráfego.

Surpreendendo ou não, a demanda reprimida poderá reverter a expectativa deste conjunto de intervenções, cujo gasto chegará a 9,8 bilhões de reais. Enquanto se espera que caminhões sejam retirados das ruas, que a velocidade do tráfego aumente em vias importantes e melhoras na estrutura do transporte coletivo sejam  efetivadas , o volume de carros particulares em circulação certamente aumentará.

Flamínio Fichmann, consultor de tráfego, ex-técnico CET: “A frota registrada no DETRAN não caberia nas ruas nem a pau. Mas há uma demanda reprimida. Sempre pode piorar. É por isso que, em dia de greve no transporte coletivo, os congestionamentos aumentam tanto”.

Segundo Carlos Eduardo P. Cardoso, engenheiro da CET, mestre em engenharia de transporte apenas 1,5 milhão de veículos particulares da frota de 4,5 milhões vai para as ruas.

A estimativa do engenheiro Carlos Cardoso está concentrada nos automóveis particulares e não abrange, por exemplo, táxis, motocicletas, veículos de empresas prestadoras de serviços ou aqueles de fora da Grande São Paulo. Não é à toa que, oficialmente, a companhia divulga um cálculo médio de 3,5 milhões de frota circulante na capital paulista – o número representa 53% do total registrado no Detran.

Outro especialista, Horácio Augusto Figueira, consultor em engenharia de tráfego e transportes, em entrevista ao jornalista Vagner Magalhães no portal Terra, acredita  que o sufoco que o paulistano vai viver até fevereiro do próximo ano, após o fechamento de cinco pontes da Marginal Tietê  para obras, trará uma recompensa pequena quando estiverem prontas. Para ele a obra de ampliação da Marginal Tietê, que ganhará três novas faixas de rolamento em cada sentido, estará saturada rapidamente.

“É uma política equivocada. Se você tem uma moto, vou te dar uma faixa exclusiva. Se você comprar um carro, vou te dar novas faixas. E para o transporte coletivo, nem um metro está sendo feito”, afirma. Segundo Figueira, com o aumento do espaço para os carros, veículos que hoje não trafegam pela Marginal vão passar a fazê-lo. “A demanda reprimida é muito grande. Quando começar a andar um pouco, muita gente vai passar a usar o veículo e fica de novo tudo parado”, afirma.

“De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a ocupação média dos veículos em São Paulo é de 1,4 passageiros por veículo. A capacidade de cada uma dessas faixas, por hora, é de mais menos 1,5 mil veículos. Ou seja, se passarem nove mil veículos nas seis faixas por hora, eles vão transportar cerca de 12,6 mil pessoas nesse intervalo. Uma hora de pico corresponde a cerca de 10, 12% dos que passam ali o dia todo. Vamos usar 10 para a conta ficar mais simples. Serão pelo menos 126 mil usuários transportados diariamente pelas novas faixas. Se dividirmos o valor da obra pelo número de beneficiados, serão cerca de R$ 10 mil por cliente atendido diariamente nesse sistema. Qualquer corredor em um sistema nos padrões da marginal, sem semáforos, com ônibus bi articulado, utilizando paradas com ultrapassagem, seria capaz de transportar 21 mil pessoas por sentido a cada hora, no pico. Isso utilizando apenas uma faixa. Um corredor desse tipo poderia ser implantado a um custo de até R$ 400 milhões. Vamos imaginar o seguinte, em setembro, tudo operando. Os caminhões não rodam na marginal. Estou sendo utópico. As dez faixas – incluindo as que já estão em operação – vão transportar no máximo 21 mil pessoas por hora. Ou seja, custa 10 vezes mais por passageiro atendido e ocupa 10 vezes mais espaço para transportar a mesma quantidade de seres humanos. A pergunta que eu faço é: Que cidade a gente quer?”

O “pacote de março” evidentemente tem o objetivo de coincidir com a data para a decisão de Serra de se apresentar candidato.

O que a cidade quer é uma política liberta dos lobbies e para isso precisamos de eleições com voto facultativo e com patrocínio público. Sem obrigatoriedade do voto e com divórcio das forças que hoje dominam a Câmara Municipal, onde mais da metade dos eleitos receberam dinheiro das construtoras e incorporadoras.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve no Blog do Mílton Jung.

Sem luz: Prefeitura mantém rodízio de carros, hoje

 

Sem energia: Trolebus parado

Trólebus parados foram substituídos por ônibus a diesel. Semáforos apagados, por agentes da CET. E o rodízio de carros foi cancelado, mas apenas pela manhã. E aí a coisa vai pegar. Muita gente saiu de casa com seu carro placa final 5 ou 6 e vai ter de fazer serão, pois somente poderá rodar antes das cinco da tarde ou depois das oito da noite.

Para o secretário municipal de Transportes, de Obras, presidente da CET e presidende da SPTrans Alexandres de Moraes entende que isto não será problema: os paulistanos antes de sair de casa souberam que o sistema de ônibus, trem e metrô funcionava e, portanto, mesmo sabendo que o rodízio estava liberado, teriam preferido deixar o carro em casa.

Ouça a entrevista com o Secretário Municipal de Transporrtes Alexandre de Moraes

IPVA “ganha” mais 400 mil carros em São Paulo

 

Dia Mundial Sem Carro na 23 de MaioA tabela do IPVA no Estado de São Paulo está publicada com redução média de 12,2% no preço de vendas dos carros, devido a desvalorização da maioria dos modelos durante a crise econômica. Apesar disto, o Estado deve arrecadar R$ 8,9 bilhões com o imposto, pouco acima do estimado para 2009, que é de R$ 8,8 bilhões. O aumento na arrecadação se deve a entrada de novos 700 mil carros, segundo o diretor adjunto de arrecadação da Secretaria da Fazenda Edson Peceguini. Como cerca de 300 mil com “idade avançada” entraram na zona da isenção, o Estado, apesar da crise, “ganhou” 400 mil carros a mais que pagarão o IPVA.

Ouça a entrevista de Edson Peceguini, da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, que explica outros detalhes sobre o pagamento do IPVA

Para mais informações, você pode ligar para 0800-170110 ou acessar a página oficial do IPVA.

Respeito na ciclofaixa é bom e eu gosto

 

Foi uma surpresa para muitas que usaram a ciclofaixa neste domingo, em São Paulo. A pista exclusiva para ciclistas estava desativada devido a evento esportivo que havia na região, mesmo assim muitos se arriscaram a andar por lá. Apesar disto, não houve incidentes pois os motoristas dos carros que passavam no local pareciam ter entendido que a convivência é possível, desde que haja respeito e consciência cidadã.

A constar: havia enorme preocupação com o fato de a ciclofaixa estar desativada e o anúncio ter ocorrido de maneira tímida, a partir do fim da tarde de quinta-feira. Na primeira vez que isto aconteceu, durante a Virada Esportiva, houve xingamento e discussão entre motoristas de carros e ciclistas.

Desta vez foi diferente, disse o cicloativista André Pasqualini que esteve no local e gostou da experiência: Ouça a entrevista ao CBN São Paulo

O perigo da ciclofaixa desativada no domingo, em SP

A campanha publicitária é intensa, seja da prefeitura que a usa para fazer de conta que incentiva o uso da bicicleta na cidade, seja pelo Bradesco que investe na imagem positiva que a iniciativa trará. Apesar disto, a ciclofaixa que liga três parques da cidade de São Paulo voltará a ficar fechada neste domingo. É a segunda vez, desde que foi criada há pouco mais de dois meses. Pela primeira experiência, o risco é enorme.

Os avisos de que uma corrida neste domingo impedirá a utilização da ciclofaixa são tímidos, insuficientes para bem informar o cidadão que planejava por o pé no pedal e usufruir do benefício gerado pelos 5 km de pista exclusiva para as bicicletas na cidade. É bem possível que muitos levem a família para passear entre os parques do Povo, Ibirapuera e das Bicicletas e se deparem com os carros ocupando a faixa.

O cicloativista André Pasqualini pedalou durante a Virada Esportiva quando a ciclofaixa foi desativada pela primeira vez: “Muitos ciclistas com crianças na cadeirinha, ou escoltando seus filhos em bicicletas de rodinhas, se aventuraram na ciclofaixa na cara e na coragem”. Quanto aos carros, muitos respeitavam o direito de quem pedalava nas avenidas, mas havia aqueles que jogavam os veículos sobre os ciclistas e ainda berravam pela janela: “Está desativada”. Uma espécia de propaganda boca a boca.

Dois pontos a serem considerados:

1. Mesmo que a ciclofaixa esteja desativada, o ciclista tem o direito – garantido por lei – de pedalar na rua e avenida;

2. A partir de 2010, é recomendável que a prefeitura reavalie o percurso das provas de ruas (atividades importantes para a cidade, também) ou o volume de publicidade informando que a ciclofaixa estará desativada.

Leia aqui a avaliação de André Pasqualini no site CicloBR de onde, aliás, “roubei” a foto que ilustra este post