Conte Sua História de São Paulo: a marca da Maria Fumaça no meu vestido xadrez

 

Por Marcia Sotratti
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Até hoje trago na memória a alegria dos tempos de infância. Acho que ninguém se esquece desse tempo mágico. Toda vez que os sinos da Igreja de Santa Teresinha começam a tocar, sinto na boca o saboroso grostoli preparado pela vovó Adélia, lá na rua  Pelegrino.

 

Com esse delicioso sabor, posso sentir novamente o trepidar da Maria Fumaça que se aproximava… ouvir seu apito … ver a fumaça que subia aos ares e nós, junto de outras pessoas, dando um jeito de fugir das fagulhas que se espalhavam por onde passava.

 

Aos dois anos, tive um vestidinho xadrez que ficou furado pelos pedacinhos incandescentes de carvão

 

Essa locomotiva era a vida desse pedaço da cidade de São Paulo. Servia com muito préstimo a Santana, Santa Teresinha, Mandaqui, Tremembé, entre tantos outros bairros.

 

Como não se lembrar do Jaçanã, imortalizado pelo querido Adoniran Barbosa, em ‘Trem das Onze’?

 

Era muito gostoso ir ao Horto Florestal com o trenzinho. Um passeio  pra lá de agradável.

 

No início da década de 1960, esse trenzinho já circulava em nova roupagem, mais moderno, todo verde e alimentado com outro tipo de combustível. Até que um dia deixou de passar, ficando na lembrança de todos.

 

Hoje, entre o Mandaqui e Santa Teresinha. cruzam carros em seu trajeto; e a rua Manoel da Mata continua sendo chamada pelos mais antigos de Linha do Trem.

 

Márcia Sotratti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para milton@cbn.com.br 

Conte Sua História de São Paulo: o filho da Dona Ernesta foi a guerra

 

Por Olívio Segatto
Ouvinte da CBN

 

 

Em 1944, morava no bairro do Piqueri, próximo a Freguesia do Ó. Tinha oito anos de idade. Em frente a nossa casa morava uma família cuja mãe, dona Ernesta, tinha vários filhos.

 

A Segunda Guerra Mundial estaca ocorrendo na Europa.

 

Um dia, soubemos que um dos filhos da dona Ernesta, Bruno Serra, havia sido convocado para o exército e participaria da tropa brasileira que em breve embarcaria para a Itália, onde ficaria instalada sob o comando aliado, no combate ao nazismo e ao facismo.

 

A partir desse momento, medo, preocupação e ansiedade envolveram os familiares e a vizinhança.

 

Na ocasião, por motivos de segurança, a capital à noite ficava às escuras, sendo que nas casas eram usadas pequenas velas.

 

Nós, as crianças da época, ficávamos agrupados nas calçadas, curioso e com medo, acompanhando os movimentos dos holofotes que refletiam no céu, que eram manobrados no Campo de Marte como treinamento.

 

Passados 15 dias daquela convocação, eis que chega um caminhão do exército lotado pelos Pracinhas que fariam a mesma viagem do filho da Dona Ernesta.

 

Nesse instante todos os moradores da rua Coronel Bento Bicudo se colocaram ao redor do caminhão para a despedida ao jovem Bruno, com desejos de retorno.

 

Da casa, sairam mãe e filho abraçados. Ela, em um choro convulsivo, éera acompanhada por muitas pessoas em lágrimas.

 

Só em 1945, fomos conhecer o fim daquela história.
Ao fim da guerra, o Brasil registrou 443 mortes e cerca de 3 mil feridos.

 

A maioria dos pracinhas retornou para suas casas e entre eles estava Bruno Serra, recebido de joelhos pela mãe.

 

As cenas por mim descritas nunca se apagaram de minha memória.

 

Olivio Segatto é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@ cbn.com.br. Para ouvir outras histórias visite agora o meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: Roberto Tranjan ajuda você a encontrar o seu propósito

 

 

“Quem vive sem propósito é presa fácil da entropia, geradora de preocupação, medo e estresse”. O alerta é do Roberto Tranjan, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Empresário e economista, Tranjan recomenda que os profissionais busquem empresas que tenham propósitos com os quais se identifiquem sob o risco de, em pouco tempo, se frustrarem com o resultado obtido no trabalho.

 

Tranjan é autor do livro “O velho e o menino, a instigante descoberta do propósito”. (BUZZ editora) no qual mostra que um propósito bem definido proporciona transformações na vida.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página do Facebook, da CBN, e o programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. A colaboração é de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Como a força do rádio, uma ideia que surgiu em Campo Grande já está na China

 

O autor do texto a seguir é um empreendedor. Um jovem empreendedor como muitos outros que entrevistei na série CBN Young Professional. Dia desses, fez contato comigo e contou o resultado daquela nossa conversa, há dois anos e meio. Pedi para publicar aqui no blog como exemplo do poder transformador do rádio

 

Pra você que quer ser jornalista…

 

Por Felipe Dib

 

Hello, my friend! How are you?

 

Era uma manhã de setembro de 2015 quando meu celular tocou, aqui em Campo Grande – MS. Do outro lado, falava um cara chamado Mílton, jornalista da CBN. Entrei em um carro para ver se escutava melhor o que ele me dizia e conversamos por 16 min 50s

 

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Ouça aqui a nossa conversa

 

Saí do carro e voltei à rotina: gravar vídeo-aulas gratuitas para o www.voceaprendeagora.com, um curso de inglês e liderança online que iniciei para agradecer a Deus depois de um acidente grave de carro.

 

A vida seguiu e no dia 20 daquele mês o bate-papo foi publicado no programa CBN Young Professional, que eu também nunca tinha ouvido falar. Aquela transmissão mudaria a vida de milhões de pessoas no outro lado do mundo. Pessoas que possivelmente nunca iremos encontrar na vida.

 

Em um rancho em Bauru, no interior de São Paulo, um senhor chamado Marcos escutava nossa conversa pelo rádio. Ouviu Mílton e eu dizendo que o inglês é um desafio pra muita gente (principalmente quem não tem muito tempo nem muito dinheiro!) e ficou ali pensando em sua filha Sophia, que assim como eu também é professora de inglês.

 

O Marcos ligou pra Sophia e falou pra ela entrar em contato comigo.

 

Sophia estava logo ali, em Guangzhou.

 

Yes, my friend. Na China!

 

Sophia acatou a sugestão do pai e me mandou uma mensagem no LinkedIN. Demorei meses pra ler a mensagem porque nunca acesso o LinkedIN. Por falar nisso, vou lá agora ver quanto tempo demorei pra ler a mensagem, porque desde a resposta para a Sophia nunca mais voltei lá!

 

Just a moment, please…

 

Demorou mas achei. Sophia manda mensagem no dia 20/9/2015. Look:

 

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Eu respondo 4 meses depois. Look:

 

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Resumindo: pai e filha vem a Campo Grande; nos conhecemos pessoalmente; Sophia começa a compartilhar aulas gratuitas de inglês para que os chineses que não tem condições de pagar um curso de inglês possam aprender esse idioma.

 

Lá não tem YouTube, mas tem YouKu:

 

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Saiba que você pode impactar 1 bilhão de pessoas com uma entrevista sua. Seja apaixonado pelo que você faz e estude muito para ser o melhor. Hoje eu conheço, admiro e sou eternamente grato de ter conhecido Mílton Jung, o cara que fez isso acontecer.

 

Um abraço e see you next class.

Conte Sua História de São Paulo: apenas por um instante

 

Por Marcelo Kassab
Ouvinte da rádio CBN

 

 

 

Apenas por um instante

Permita-me não ser como antes,

A garoa que beija minha fronte 

Trai meus sentidos, muda horizontes.

 

Os caminhos que me trazem desvios

Na cidade grande dos delírios,

Pensamentos perdidos, poluídos

Nas lentas marginais onde morrem os rios.

 



Ser só em meio ao tumulto

Alheio de mim, sob o céu carrancudo,

Em arenas disfarçadas de avenidas

Cavalos motorizados, insana corrida.

 

Luta inglória contra o tempo,

Em pressa que não alcança os ponteiros.

Passos largos, escravizados, sem freios,

Atropelam virtudes, esmagam preceitos.

 



Não sei onde começas nem onde terminas

Já não me acho nem por mim mesmo.

Nas ruas paulistanas andando a esmo

Ponderando erros e minguados acertos.

 

Talvez consinta em perder a razão,

Esquecer o caminho de volta,

Ofuscado por faróis e neons

O acaso faz a minha escolta.

 

Hoje o sol não se pôs

Hoje o sol nem nasceu

As estrelas nos negaram seu brilho

A Lua se escondeu.

 

Já não sei mais se quero estar ali

Meus sentidos em constante confronto

Fugir da cidade grande é um desejo

Ir ao seu encontro, um sonho.

 

Marcelo Kassab é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves e a narração de Mílton Jung. Conte mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de São Paulo: como criança, brinquei entre os pingos de chuva

 

Por Ivani Dantas
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Olhei para aquela chuva de verão e pensei em quantas vezes tive vontade de me enfiar debaixo daquelas gotas mornas, pisar nas poças d’água, correr por entre os pingos como na infância, na volta da escola!?

 

Aquelas calhas jorrando água pelos muros, correndo pelas sarjetas e a sensação única da água entrando pelos sapatos, inflando nossas meias como bexigas. E o melhor: sem a severa proteção da mãe, que não permitia esses riscos de se pegar um resfriado.

 

Vou? não vou?? Não, não cabem mais as dúvidas de outros tempos… Encaro olhares sutis de reprovação? E o cabelo? Vai ficar horrível? Interrogações eternas.

 

Tirei as sandálias pensando em quantas chuvas de verão vão me convidar a essa alegria de criança nos próximos 67 anos. Fui!

 

Que delícia pisar naquelas poças d’água enquanto os amigos pensavam seriamente em chamar um atendimento de emergência, antecipando, no chamado, a necessidade indiscutível de uma camisa de força… Será que pensaram? Que importa?

 

No meio da minha farra aquática vejo Juju, a florzinha adolescente, desabrochando para a vida, querendo também soltar as amarras e participar daquela festa. Apesar da presença da mãe, não havia os riscos nem super proteção. A parceria fez brotar ainda mais a vontade de correr, se não pelas sarjetas, hoje tão sujas e contaminadas, mas em torno do prédio, o que era possível.

 

Uhu!!! Bora lá!

 

Oportunidades não se perdem assim…

 

Curtimos nossa transgressão. Agora falta encontrar o que vestir de uma criança de 67 anos numa menina de 13. Opostos? Que nada! Lá foi a Juju, linda no meu vestido colorido e atemporal com suas formas perfeitas, cheias de vida para gastar.

 

Recolhi minha flacidez no meu vestido de listras que me aqueceram a alma lavada. E não é que aprendi?

 

Obrigada parceirinha amada! Você, como a chuva, me fez muito feliz!!

 

Ivani Dantas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é da Débora Gonçalves e a narração de Mílton Jung. Conte você também a sua história enviando seu texto para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: fui demitido, e agora?

 

 

“Falar sobre demissão é um tabu; as pessoas tem muita vergonha e eu sempre falo: o que me salvou foi não ter vergonha”. Sem ter vergonha de perder o crachá e com a responsabilidade de quem precisaria iniciar-se em uma nova carreira profissional, Claudia Giudice deixou para traz o trabalho de jornalista e executiva de comunicação para se transformar em empreendedora no setor de pousadas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, do programa Mundo Corporativo, da CBN, ela conta como reorganizou sua vida para enfrentar essa transição forçada de carreira.

 

Giudice entende que a melhor maneira para se conseguir um novo emprego é conversar, falar e compartilhar sua situação com outras pessoas, desde os parentes, amigos e até profissionais de outros setores. Já em relação a busca de um plano B, ela sugere que se comece a pensar não tema a partir da identificação do seu patrimônio pessoal: “o que você gosta de fazer? Você gosta de falar? Você gosta de ficar quieto, no seu canto? É concentrado ou disperso? É ativo e mão na massa ou você prefere delegar e dar ordens? Isso é o seu DNA”.

 

A experiência e Claudia Giudice está no livro ““A vida sem crachá – a dor de perder um emprego e a experiência de dar a volta por sinal com um plano B”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN com a colaboração de Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves

Conte Sua História de São Paulo: aprendi a andar por aqui com as páginas do guia da cidade

 

Por Pedro Lúcio Ribeiro
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Vivo em Campinas, desde meus dois anos de idade. Logo, sou campineiro aos sessenta.

 

Aos sete ou oito anos, conheci São Paulo, no Parque Edú Chaves, e fiquei vivendo na casa dos tios por uma semana em companhia de meu priminho de oito meses.

 

Naqueles dias, conheci a televisão assistindo ao Zas-Trás, programa infantil apresentado pelo “Tio Molina” e pela “Tia Márcia”. Hoje esse priminho é Tenente Coronel Reformado, aposentado, da PM de São Paulo.
 

 

Muito tempo depois, mais de 25 anos, tive de me embrenhar nas ruas e avenidas de São Paulo, sozinho, por minha conta, para cumprir missão decorrente de um concurso para o cargo de escriturário na Secretaria de Fazenda de São Paulo.
 

 

Putz! Eu não conhecia São Paulo, tinha medo de andar sozinho, mas tinha de ir à Secretaria da Fazenda para tomar posse do cargo de “Escriturário Lei 500” (só quem é do ramo sabe o significado disto).
 

 

Peguei um “Cometão” de Campinas a São Paulo com algumas páginas de um guia da cidade. Apeei antes da Julio Prestes – antiga rodoviária – e fui contando as quadras e as quebradas pelas quais eu deveria passar para chegar ate a Rangel Pestana, número 300.
 

 

De lá, outras instruções para exames médicos no Instituto de Assistência Médica do Estado de São Paulo. Tive de pegar as páginas do guia no bolso da calça para ver como chegar na rua Maria Paula passando pelo viaduto Maria Paulina, etecetera e tal. 

 

Fiz o trajeto pelo menos três vezes, sempre acelerado. Era tal a minha tensão  e concentração que muitos pensavam que eu era dali e paravam minha caminhada frenética para perguntar uma ou outra informação. E, medroso, medo de ser assaltado, eu falava qualquer coisa para me desvencilhar da pessoa.
 

 

Coitada de uma mulher, coitado de mim. Uma senhora queria ir para São Miguel e me perguntou se aquele ônibus pertinho de nós, por onde eu passava, fazia este trajeto. Eu apressado disse que sim. Só depois li no letreiro que o itinerário era outro e no sentido oposto: jóquei clube ou coisa parecida.

 

Depois disto, vinte e tantos anos depois, conheci essa cidade como “motorista de juiz”. Hoje, sei andar por São Paulo como se paulistano fosse. Mas não gosto de ser motorista por aqui. E não gosto por razões que só explico em verso:
 

 

“Cidade imponente, decadente e ultrapassa,
adorada só por gente impaciente e afobada.
Que loucura é aquilo ali! Quanta gente nas calçadas!
Cedo, tarde ou à noitinha… Ou varando a madrugada.
 

 

Seu tamanho é seu orgulho.
Seu tamanho é seu perigo.
Ali cheguei sem barulho, paranóico e nada rico.
 

 

Que me vê até se ilude.
Pensa até que sou dali.
Tenho cá minhas virtudes,
E uma delas é fingir.

 

São Paulo imponente,
São Paulo meu terror,
Eu não sei se te odeio,
Ou por ti declaro amor!

 


Pedro Lucio Ribeiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Débora Gonçalves. Conte você também a sua história. Escreva para milton@cbn.com.br

Mundo Corporativo: “melhor experiência, melhor venda”, diz Léo Xavier, da PontoMobi

 

 

 

 

 

“Investir em mobile é um bom negócio. Entregar experiência melhor para o consumidor é um bom negócio. Seja na sua loja física, seja no seu site de computador, seja na sua presença móvel. Pode ser um site ou pode ser um aplicativo, mas a relação é direta: melhor experiência, melhor venda”.

 
 

 

A conclusão é de Léo Xavier, CEO da PontoMobi, entrevistado pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

  

 

Xavier apresentou o resultado de pesquisa que identificou o grau de mobilidade das 235 marcas mais valiosas, no Brasil. Foram avaliadas as soluções usadas em aplicativos, sites móveis, mensageria e plataforma social.

  

 

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Deste total, apenas 10 (ou seja 4%) se encontram na categoria “Mobile Expert”, considerada a mais avançada segundo critérios aplicados no estudo. A maior parte das marcas, 112 (ou 48%), são identificadas como “Mobile Basic”, categoria que reúne aquelas que estão em estágio de experimentação.

 

 

Para ter acesso aos resultados completos da pesquisa, clique no link a seguir:

 

 

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O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da rádio CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, ou aos domingos, às 11 da noite, em horário alternativo.

Conte Sua História de São Paulo: as chácaras e campos de várzea da Berrini

 

Por Umberto Canônico Filho
Ouvinte da rádio CBN

 

 

Quando nasci, São Paulo ainda estava de ressaca pelo seu IV centenário. Nasci na maternidade Matarazzo, hospital de referência da época, que hoje é só uma lembrança. Não existe mais.

 

Meus primeiros anos foram no tradicional bairro da Lapa, mas a grande parte da minha infância e juventude foi no bairro do Campo Belo.

 

Dá para acreditar que onde hoje estão as Avenidas dos Bandeirantes e Luiz Carlos Berrini – novo centro de negócios de São Paulo – havia apenas pequenas chácaras, onde se criavam até cavalos, e os campos de futebol de várzea, hoje quase que extintos.

 

Nesta época, frequentava o primário no Grupo Escolar Mário de Andrade e o percurso da minha casa ate lá era feito por, acreditem, bondes elétricos – lentos, mas silenciosos e não poluentes.

 

Ah, que saudade dos passeios no centro da cidade, quando minha mãe me levava nas lojas Clipper, na Casa Eduardo e no inesquecível Mappin, onde os ascensoristas recitavam em quase versos os produtos que compunham cada um dos andares da loja.

 

Bons tempos do ginásio no Instituto Ênio Voss na hoje Av Jornalista Roberto Marinho, mas naquela época apenas um córrego que margeava o caminho até minha casa.

 

Saudades também das catacumbas do Curso Objetivo, na Av. Paulista, que me levaram a frequentar a mais paulistana das universidades – a USP. Lá me formei e fui conhecer novas paragens – onde fui muito feliz também, mas como diz o ditado: “o bom filho a casa torna”. Eu voltei e hoje já avô levo minha neta a passear, não de bonde nem até o Mappin, mas pelos ainda recantos desta cidade mutante.

 

Umberto Canônico Filho é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br.