Mundo Corporativo: Tatiana Aloia e a integração entre tecnologia e cultura no mercado aeroespacial

Os bastidores da gravação do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

  “Nós temos diferentes culturas ao redor do mundo, mas o ser humano é o mesmo em todos os lugares.”

Tatiana Aloia, Aloia Aerospace

A liderança de uma empresa global exige mais do que estratégias de mercado, requer uma compreensão profunda das nuances culturais e a habilidade de integrar essas diferenças em um ambiente coeso. Essa foi uma das principais reflexões de Tatiana Aloia, cofundadora e CEO da Aloia Aerospace, em sua entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. À frente de uma empresa que atua no setor de reposição de peças aeronáuticas em diversos países, Tatiana destacou a importância de equilibrar a agilidade nos negócios com o respeito às particularidades de cada cultura, sem perder de vista o que é comum a todos: a natureza humana. “Nós passamos muitas horas da nossa vida, praticamente um terço do nosso tempo, trabalhando. Então, tem que ser prazeroso, tem que trazer alegria e bem-estar para todos”, afirmou. 

O aprendizado no início de carreira

Tatiana Aloia iniciou sua trajetória profissional aos 15 anos, movida pela vontade de trabalhar e aprender. Atuando inicialmente no setor automobilístico, ela se especializou em engenharia mecânica e gestão empresarial, o que a preparou para os desafios futuros. Após anos de experiência e aprendizados, tanto com colegas quanto clientes, surgiu a oportunidade de realizar um sonho antigo: fundar sua própria empresa. Em 2015, junto com seu irmão Tobias, Tatiana criou a Aloia Aerospace, levando sua expertise em gestão e atendimento ao cliente, enquanto Tobias contribuía com sua vasta experiência na aviação. “Unimos nossas forças e experiências para construir uma empresa que tem o cliente como foco desde o início”, relembra.

O foco no cliente como diferencial competitivo

A Aloia Aerospace tem se destacado no mercado global de peças de reposição aeronáuticas, não apenas pela eficiência logística, mas também pelo foco no atendimento ao cliente, de acordo com sua fundadora. Tatiana enfatizou que o cliente deve ser a prioridade em qualquer circunstância. “Muitas vezes o fornecedor pode ter falhado, mas nossa missão é resolver o problema do cliente, sem importar o que aconteceu nos bastidores.” 

Esse compromisso, segundo Tatiana, vem se consolidando como um dos pilares da empresa, que tem operações em diversos continentes e atende clientes de diferentes culturas. Calcula-se que existam 600 empresas que integram esse mercado competitivo. Para ela, respeitar as diferenças culturais e, ao mesmo tempo, manter o foco em elementos universais do relacionamento humano — como respeito e feedback constante — é o segredo para garantir um atendimento de excelência. “Temos que respeitar as culturas, mas em todo lugar, resposta rápida e educação são fundamentais.”

Investimento em IA 

A Aloia Aerospace já está implementando o uso de inteligência artificial (IA) em seus processos para otimizar o atendimento ao cliente e melhorar a eficiência na busca por peças aeronáuticas. Tatiana explicou que a IA está sendo utilizada para rastrear, em tempo real, a disponibilidade de peças em todo o mundo, facilitando o trabalho da equipe e agilizando as entregas. “Nosso objetivo com a IA não é substituir pessoas, mas fornecer ferramentas que aumentem a capacidade de resposta e precisão no atendimento. A tecnologia permite que nossa equipe tenha acesso a informações detalhadas e rápidas, o que faz toda a diferença em um setor onde o tempo é crucial”, ressaltou.

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Conte Sua História de São Paulo: escolas de datilografia e bondes de teto de linóleo, eu vi

Rubens Cano de Medeiros

Ouvinte CBN

Foto: Mílton Jung

Por volta de 1960. Tenho treze anos. Mas não lembro se São Paulo já dispunha de supermercados – ao menos o pioneiro Peg-Pag, na Vila Mariana. Perto do Cine Phenix. Não faltavam mercearias, empórios ou quitandas, onde – tal qual em padarias, bares e botecos – uma plaquinha alertava. “FIADO? Quando o Corinthians for campeão”. Durou até 1977, sabemos. Osvaldo Brandão tirou as plaquinhas, das paredes.

Num incerto dia – quase noitinha, lembro – subi a escada de cimento e granilito do sobradão, ainda hoje em pé. Dobrando a esquina toda, Domingos de Morais com Rodrigues Alves, grandão! À frente do então lindo Largo Dona Ana Rosa, que mantinha resquícios, ainda, de footing… Ali, um entroncamento de trilhos e fios. Dos bondes; uns iam até São Judas; outros, até Santo Amaro. Mais um: Vila Clementino.

Então, eis-me no amplo salão de grandes janelas, onde ouvíamos o “tec-tetec”, típico, dos teclados da Escola de Datilografia Rodrigues Alves. Quando, inédita vez, meus olhos e minhas mãos acercaram-se pertinho de uma máquina de escrever – se lembro, hein! Uma Olivetti, meio esverdeada.

Aluno do curso, eu me sentava rente à janela. Donde podia ver – não antes visto – os bondes, de cima, que passavam. Algo me intrigava. Do chão, mal se notava. Era um revestimento escuro que recobria o bonde, exteriormente; todo o “teto” que suportava a alavanca de contato. Que seria “aquilo”? Perguntava-me, a mim. Alguém explicou. Era linóleo. Imensa lona que impermeabilizava o teto de madeira, do bonde, ante a intempérie. Igual aos tetos dos carros de passageiros da Santos-a-Jundiaí. Que podíamos ver na Luz, das passarelas sobre as plataformas. Jornais antigos mostram que ônibus paulistanos, de até os anos 40, também traziam revestimento de linóleo – um charme que carrocerias metálicas dispensaram, obviamente.

Todos sabem. A datilografia, a das máquinas, morreu, não? De atestado emitido – ironicamente – pela própria causa-mortis: e-mail! Digitar, no computador, eu? Não morro de amores. Sempre adorei da-ti-lo…grafar! Tanto que – inviável, descabido e anacrônico, sei bem, mas…

Deparasse eu, num jornal, com um fantasmagórico anúncio… Exatamente assim: “PRECISA-SE DE DATILÓGRAFO”, ah… Precisa-se, é? Algum rascunho de escritorinho, de fundo de corredor? Uma portinha só, uma tosca escrivaninha – puxa vida! – com uma autêntica Remington-Rand? Caramba!

Ei! Eô, eô: me chama, que eu “vô”!

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Rubens Cano de Medeiros é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Matthias Schupp, CEO da Neodent, fala de cultura organizacional e inovação

Matthias Schupp na gravação do Mundo Corporativo

“A cultura da empresa nunca vai se adaptar a uma pessoa. É a pessoa que precisa se adaptar à cultura.”

Matthias Schupp, Neodent

Nos corredores de uma empresa global, a cultura organizacional não se molda pelas preferências individuais dos funcionários. Pelo contrário, quem ingressa deve se ajustar ao ambiente já estabelecido. Esse é um dos princípios que sustenta o sucesso da Neodent, líder brasileira em soluções odontológicas com presença em 95 países, de acordo com Matthias Schupp, CEO da companhia. Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, ele afirmou que o compromisso com a cultura empresarial é o alicerce que impulsiona a inovação e fortalece a marca.

A cultura, segundo Matthias, prospera quando é constantemente reforçada. “Cada pessoa que se junta à Neodent tem que se adaptar a essa cultura”, disse o executivo. Esse princípio gera, segundo ele, um “processo automático” que assegura a consistência dos valores organizacionais.

Investimento em pesquisa e desenvolvimento

Na fábrica da Neodent, em Curitiba, a área de pesquisa e desenvolvimento desempenha um papel crucial no avanço da odontologia moderna. Matthias, destacou que a empresa lidera o mercado de implantes, e também investe em soluções digitais e personalizadas. “Hoje, oferecemos não só implantes, mas também alinhadores transparentes e outras tecnologias de ponta, todas desenvolvidas no Brasil”, explicou o CEO. Ele ressaltou o orgulho em manter um centro de pesquisa avançado, onde são testadas novas técnicas que depois são replicadas globalmente, em sinergia com o Grupo Straumann. Essa estrutura permite à Neodent exportar tecnologia e conhecimento, consolidando sua presença em 95 países.

Matthias, também destacou o impacto crescente da transformação digital na odontologia. “A transformação digital que estamos vivendo agora é apenas o começo”, afirmou, mencionando inovações como o uso de impressoras 3D para próteses dentárias em tempo real e o uso de robôs em cirurgias odontológicas nos Estados Unidos.

A inclusão como chave para o futuro

Entre os desafios abordados, Matthias, destacou a importância da diversidade na cultura corporativa. “Acredito que somente as empresas que oferecem as mesmas condições para mulheres e homens terão um futuro brilhante”, disse ele, reforçando que a inclusão é um pilar essencial para o crescimento sustentável. Na fábrica da Neodent, 49% dos funcionários são mulheres, o que reflete a realidade da prática da diversidade na empresa, segundo Matthias Schupp.

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Conte Sua História de São Paulo: o rádio “penhorado” do Sílvio Santos

Nilson Bonadeu

Ouvinte da CBN

Photo by Brett Sayles on Pexels.com

Morava em Curitiba e vim trabalhar na prefeitura de São Paulo, em 1992. No Edifício Martinelli, no centro. Prédio histórico, belíssimo! Me hospedei em uma pensão, na Duque de Caxias, perto do trabalho: a Pensão Maria Teresa. Era um casarão antigo, histórico, muito charmoso, pé direito alto, portas bipartidas nos quartos, assoalho de madeira nobre. 

No corredor do andar de cima, onde ficava meu quarto, tinha uma prateleira com um rádio antigo de madeira, bem grande. Me chamava atenção porque meu avô tinha um igual. Um dia tomei coragem e perguntei ao dono da pensão se ele me vendia aquele rádio. Disse que jamais venderia. Segundo ele, o avô que era o dono original da pensão, havia pegado o rádio como garantia porque o Peru não pagava as mensalidades. 

–   Peru? Que Peru? 

– Você não sabe quem é o Peru! 

– Não, não sei. 

– Peru é o Silvio Santos! 

    Lembrei dessa história, verídica, ao menos na parte que me toca, agora, no dia 17 de agosto quando Sílvio partiu. Tem-se notícia que Senor Abravanel morou naquela pensão logo que chegou do Rio de Janeiro. Salvo engano, na história dele, fala-se apenas de outra pensão no Bixiga, a Pensão da Dona Gina, onde morou para ficar perto de sua namorada, que veio a ser sua primeira esposa, a Cidinha, filha da proprietária. 

    Seja como for, com tristeza e nostalgia, lembrei-me também de uma das célebres frases do Sílvio que ouvimos em uma de suas músicas: “Do mundo não se leva nada, vamos sorrir e cantar”. 

    De volta à pensão: posso dizer que não mais existe, porém, o prédio segue. Agora, está restaurado com novos donos. E o rádio? Ah! O rádio que era bonito, mas não funcionava, não sei o que aconteceu com ele.  Seja lá o que tenha lhe acontecido, o certo é que o Senor não o levou deste mundo, se é que aqule rádio ainda exista de alguma forma; se é que aquele rádio pertenceu mesmo a esse Abravanel notável. 

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    Nilson Bonadeu é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Seja você também mais um personagem da nossa cidade: escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

    Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: a origem como chave para o futuro

    Reprodução de anúncio da marca Dona Benta

    “Dificilmente uma marca cresce negando sua origem. Até para ser original ela precisa reconhecer sua origem”.  J

    Jaime Troiano

    “The fruits are in the roots” ou, em português e sem a mesma rima,  “os frutos estão nas raízes.” Essa máxima foi criada por Joey Reiman, uma das maiores referências internacionais na área de publicidade e desenvolvimento de marcas. Jaime Troiano e Cecília Russo, que trabalharam com Reiman, consideram essa lição primordial para que as marcas garantam um crescimento sustentável e autêntico.

    Em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime reflete sobre como a essência de uma marca é fundamental para seu desenvolvimento. Para ilustrar essa ideia, ele menciona a marca Ypê como exemplo, destacando que, desde os primórdios, em Amparo, interior de São Paulo, o fundador Waldyr Beira cultivou uma ligação íntima com o produto que criava. “Quando nós queremos saber até onde uma marca é capaz de chegar, precisamos conhecer o seu DNA, sua história”, reforça Troiano. Essa visão não apenas preserva a identidade, mas também ilumina o caminho para inovações que respeitem a tradição da marca.

    Cecília Russo trouxe outra experiência para fortalecer o pensamento de Reiman. Ela fala da trajetória da J. Macêdo, uma empresa centenária conhecida por marcas icônicas como Dona Benta e Petybon. Cecília destaca que “todas as empresas centenárias que conhecemos têm essa trajetória. Elas se reconstroem a partir de suas raízes.” Segundo ela, mesmo diante de inovações e ousadias, as raízes de uma marca são o terreno fértil de onde brotam os frutos mais valiosos. Essa conexão entre origem e sucesso é, para Cecília, uma constante nas histórias de empresas que perduram no mercado.

    A Marca do Sua Marca

    O principal ensinamento do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é a importância da coerência histórica e da identidade. As raízes de uma marca não apenas moldam seu presente, mas são o alicerce do seu futuro. A mensagem central é clara: conhecer e respeitar a origem de uma marca é essencial para construir um legado duradouro e bem-sucedido.

    Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

    O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

    Mundo Corporativo: Christian Gebara, da Vivo, fala do futuro da inclusão digital no Brasil

    Christian Gebara, da Vivo, nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

    “Mesmo as relações digitais podem ser cada dia mais humanizadas. Não é porque elas são digitais que precisam ser apenas transacionais.”

    Christian Gebara, Vivo

    Imagine um país continental, repleto de desafios de infraestrutura, que encontra na tecnologia um meio para transformar a realidade de milhões de pessoas. Para Christian Gebara, CEO da Vivo, a digitalização não é apenas uma tendência, mas uma ferramenta crucial para a inclusão social. Com a promessa de conectar quase a totalidade da população brasileira, a digitalização surge como um motor capaz de impulsionar educação, saúde e inclusão financeira. A importância dessa transformação digital e suas implicações para a sociedade foram o foco da conversa de Gebara no programa Mundo Corporativo

    “Na minha opinião, é vital que um país como o nosso, que ainda enfrenta carências importantes de infraestrutura, possa aproveitar o investimento em digitalização para promover a inclusão social,” afirmou o CEO da Vivo.

    A Vivo, como principal operadora de telecomunicações do país, se posiciona na linha de frente dessa transformação, com iniciativas que vão além da conectividade, incluindo educação, saúde e segurança digital. “A inclusão digital depende basicamente de três grandes coisas: cobertura, acessibilidade e letramento digital,” explicou Gebara, destacando o papel fundamental de políticas públicas que facilitem o acesso a dispositivos e reduzam a carga tributária sobre serviços de telecomunicações.

    A Importância da Cobertura

    No primeiro pilar, a cobertura, Gebara destaca a necessidade de uma infraestrutura robusta que chegue a todas as regiões do Brasil, não apenas nos grandes centros urbanos, mas também nas áreas mais remotas. “Hoje, estamos conectando quase 100% da população com 4G e já alcançamos cerca de 50% com 5G,” afirma. Esse avanço é resultado de investimentos significativos em redes de fibra ótica e na expansão de tecnologias móveis de última geração. Segundo Gebara, a digitalização oferece uma oportunidade sem precedentes para transformar a sociedade brasileira, desde que seja possível levar conectividade de qualidade a todos os cantos do país.

    Acessibilidade e Letramento Digital

    O segundo pilar, acessibilidade, refere-se à necessidade de tornar os dispositivos e serviços digitais economicamente viáveis para a população. “Grande parte da população não tem condições de comprar um aparelho 5G ou pagar por serviços de internet de alta qualidade,” explica Gebara. Ele defende a adoção de políticas públicas que reduzam a carga tributária sobre dispositivos e serviços digitais, facilitando o acesso para famílias de baixa renda.

    O terceiro pilar, letramento digital, envolve capacitar a população para usar a tecnologia de forma produtiva e segura. Gebara enfatiza que o Brasil, embora seja um país com alta adesão às redes sociais e ao uso de smartphones, ainda carece de programas educativos que ensinem habilidades digitais. Ele cita, por exemplo, que apenas uma pequena parcela das escolas brasileiras possui computadores para seus alunos, em comparação com 98% das escolas americanas. “A inclusão digital não se resume a conectar pessoas. É preciso educá-las para que possam tirar o máximo proveito das ferramentas digitais em suas vidas diárias, seja para aprender, trabalhar ou acessar serviços de saúde,” argumenta.

    Conectividade Humanizada

    Uma preocupação constante para Gebara é garantir que a digitalização não afaste as pessoas umas das outras, mas que promova interações mais humanas. Ele defende a importância de combinar a tecnologia com um toque pessoal. “Nosso objetivo é que, mesmo com o uso de inteligência artificial, as interações com nossos clientes sejam humanizadas,” comenta. A Vivo investe em personalização de serviços e utiliza a inteligência artificial para oferecer um atendimento mais eficiente e adaptado às necessidades individuais dos clientes, seja através de aplicativos, WhatsApp ou atendimento em lojas físicas.

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    Conte Sua História de São Paulo: o dia em que a freira e o Zorro foram detidos no aeroporto

    Celia Corbett

    Ouvinte da CBN

    Foto de Nesrin Öztürk

    Eram 1970. Tempos tumultuados. A ditadura tinha atingido seu auge. Qualquer manifestação de opinião contrária ao sistema era proibida. Nós éramos jovens estudantes, filhos respeitosos, gostávamos de Rita Lee, Chico Buarque, Beatles e assim seguíamos.

    Estudantes mackenzistas com muito orgulho, estávamos entre o ensino médio e a faculdade. Eu cursava o último ano do Técnico de Administração e meu irmão, o Carlos, a faculdade de Engenharia. Todos nós éramos amigos dos amigos e formávamos um grupo muito legal. 

    Fim de semana com festa era o máximo. Com festa a fantasia, era genial  Seria na casa da namorada do Andrade. Muita atrasada fui a loja de fantasia na Bela Vista e quase fiquei na mão. Tinha sim uma roupa que me servia. Mas será? De Freira? E assim foi. 

    O quanto eu ouvi antes de sair de casa foi para a vida toda. Lá estava eu vestida com um hábito de freira perfeito, preto e branco, como manda o figurino. Mas qual a jovem de 16 anos não faria uma maquiagem a altura de uma festa de arromba. Festa, aliás, que estava fantástica com direito a odaliscas e piratas. Sensacional estava o Castro de zorro com capa e espada. Foi ele que me convidou para  acompanhá-lo e levar uma amiga lá pelos lados do Aeroporto de Congonhas. 

    Nada era comparável ao café no aeroporto nos fins de noites daqueles ditos Anos Dourados. Aquele saguão chiquérrimo com seu piso quadriculado era muito badalado. O Castro tirou os adereços da fantasia e estava de calça e camisa pretas . Eu fiquei apenas com o hábito de freira e a maquiagem. E isso se transformou em um pesadelo.

    Quando estávamos curtindo o saboroso cafezinho no balcão do salão fomos abordados por um policial que nos intimou a acompanhá-lo a delegacia do aeroporto. Por quê?

    – Vocês estão detidos, disse o policial.

    – Documentos na mesa, deu a ordem.   

      Logo nos apressamos a entregar a carteira de identidade e de estudante. Sim, de estudante porque mostrávamos que éramos pessoas de bem. Mas 1968 ainda estava na cabeça de todos assim como a Batalha da Maria Antonia, que fez com que nosso policial  nos condenasse antecipadamente.

      – Ah, estudantes do Mackenzie. Isso explica porque estão vestidos assim.

      Da festa de Ali Baba nos tornamos estudantes subversivos. Ficamos aterrorizados com a repressão do policial. Mesmo sem sofrer nenhuma agressão física, foi um pesadelo que só terminou quando o delegado de plantão chegou. Fez algumas perguntas: onde morávamos, oi que estávamos fazendo com as roupas estranhas. Todas devidamente respondidas. 

      Assim que fomos liberados pelo delegado, voamos para o carro que estava no estacionamento e de lá direto para casa. Além de um susto enorme, isso rendeu muita conversa pelos corredores do Mackenzie.

      Ouça o Conte Sua História de São Paulo

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      Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quem nunca comprou um produto apenas pela embalagem?

      Foto de Polina Tankilevitch

      “Na jornada do branding, a embalagem está quase no final desse processo, pois é quando um produto chega aos consumidores. Mas ele é bastante importante por uma série de fatores”

      Cecília Russo

      A embalagem de um produto não é apenas mais um pacote ou embrulho para entrega; é uma ferramenta poderosa de comunicação que pode definir o sucesso de uma marca. Jaime Troiano e Cecília Russo, comentarista do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, entendem que o desenho da embalagem é um elemento crucial no processo de branding. Para comprovar essa ideia, eles fizeram uma pergunta aos ouvintes: “quem nunca comprou um produto apenas pela embalagem?”

      Cecília disse que o primeiro papel de uma embalagem é espelhar seu posicionamento. Ela explicou que o design deve refletir os valores e características da marca, desde as cores e ilustrações até a organização das informações. Um segundo aspecto é ter um design que gere reconhecimento, que capte a atenção das pessoas e de forma rápida sinalize quem você é. O objetivo é claro: facilitar o reconhecimento e a diferenciação do produto em uma fração de segundos, seja na prateleira de um supermercado seja na farmácia seja onde estiver exposto. “Tem gente que quer por tanta informação que a marca até some,” alertou Cecília, enfatizando a importância da simplicidade e da clareza.

      Jaime Troiano, por sua vez, destacou o papel sedutor das embalagens e ilustrou seu pensamento convidando o leitor a pensar no cenário que temos hoje nas farmácias, onde os produtos de uso pessoal competem ferozmente por atenção. “Quem me disser que não é seduzido por uma embalagem de um creme, ou de um shampoo, vou até desconfiar,” disse Jaime. 

      Ele enfatizou que a escolha das cores e o desenho devem ser estrategicamente pensados para transmitir sensações de confiança e qualidade. “Você não imagina comprar um produto para pele que seja um vermelhão. A impressão que passaria é que iria irritar a pele, descamar, machucar ou coisa assim”, comentou. 

      A marca do Sua Marca

      O comentário no quadro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso” destacou a necessidade de enxergar as embalagens como uma extensão da estratégia de marca. Criar uma embalagem eficaz não é apenas uma questão de bom gosto, mas sim de planejamento estratégico e conhecimento técnico. “Contrate um bom designer,” aconselhou Jaime Troiano, “que pense no design não pelo design puro, mas como consequência de uma estratégia para a marca.”

      Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

      O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo. A sonorização é do Paschoal Júnior:

      Mundo Corporativo: Sidney Klajner, do Einstein, fala sobre como a tecnologia e a cultura organizacional transformam a saúde

      Sidney Klajner na gravação do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

      “Aquele preconceito quando a gente fala de adoção tecnológica, eu acho que vai ser quebrado com o tempo à medida que o meu tempo é melhorado na interação com o paciente.”

      Sidney Klajner, Hospital Albert Einstein

      A crescente demanda por cuidados médicos de qualidade e a pressão para oferecer serviços eficientes, fazem da revolução tecnológica uma resposta indispensável. Essa foi um dos temas da conversa com Sidney Klajner, presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, no programa Mundo Corporativo.

      Klajner falou do impacto da transformação digital na medicina, destacando como a inteligência artificial está sendo usada para aprimorar o atendimento ao paciente. Ele afirmou que “a interação com o paciente deve ser priorizada, deixando que a tecnologia cuide dos detalhes técnicos, como a análise de resultados de laboratório.” Essa abordagem, segundo o presidente do Einstein, otimiza o tempo dos profissionais de saúde e melhora a qualidade do atendimento prestado.

      Cultura Organizacional e Propósito

      Além da tecnologia, Sidney Klajner destacou a importância de uma cultura organizacional forte e alinhada ao propósito da instituição. “Cuidar bem daquilo que a gente recebe ou daquilo que a gente cria como legado cultural e transmitir é fundamental”, enfatizou. Segundo ele, a disseminação de uma cultura baseada em valores sólidos é crucial para o cumprimento dos objetivos de uma organização, especialmente em uma instituição de saúde que visa não apenas o lucro, mas também o impacto social.

      Para Klajner, a liderança pelo exemplo é uma peça-chave. Ele se mantém ativo na prática médica, realizando cirurgias e atendendo pacientes, o que, segundo Klayner, permite uma gestão mais conectada com a realidade do hospital:

      “Estar na sala de cirurgia me faz viver o Einstein e entender as necessidades reais dos nossos colaboradores e pacientes. Essa vivência  é fundamental, até porque no meu caso, preciso gerar um resultado muito positivo para continuar empreendendo nas ações que buscam a realização do propósito, e isso é sentido vivendo o hospital no dia a dia, é  entendendo quais são os pontos que a gente tem que conhecer e investir para estar melhor”.

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      Nos 70 anos do Ibirapuera, uma lembrança do Ouvinte da CBN

      (Texto publicado originalmente no dia 1 de dezembro de 2023)

      Por José Carlos Vertematti

      Ouvinte da CBN

      Imagem de arquivo da “Aspiral”, de Oscar Niemeyer

      Eram 21 de Agosto de 1954. Eu tinha apenas cinco anos de idade mas me lembro muito bem deste dia maravilhoso! Meus pais, José e Vicentina, levaram minha irmã Rosinha e eu a uma grande festa: a inauguração do Parque do Ibirapuera, em comemoração ao IV Centenário da cidade de São Paulo.

      Uma área verde imensa, gramada, arborizada, com lagos, aves, chafarizes e vários prédios culturais que, para um garotinho como eu, parecia ser o mundo todo!

      Passeamos muito a pé e o que mais me intrigou foi o sistema de som do parque: podia-se ouvir claramente as mensagens e as músicas, em qualquer lugar e com o mesmo volume. Eu, ainda pequenino, não entendia como isso era possível, mas hoje imagino a complexidade de se instalar um sistema de alto-falantes em árvores e prédios, ao longo de todo o parque, e garantir um som perfeito e equilibrado, naquela época!

      Durante o passeio vimos um monumento lindo que tinha uns 17 metros de altura e que é difícil de descrever: algo como uma espiral com as extremidades unidas entre si por uma reta, fundeado no chão com uma inclinação de cerca de 60 graus.

      Soubemos que era uma obra de arte criada pelo magnífico arquiteto Oscar Niemeyer. a “Aspiral” ou “Voluta Ascendente” era um desenho que representava o crescimento e o progresso paulista. Estava instalada próxima à entrada principal do parque. Era para ser a imagem da cidade de São Paulo, assim como o Cristo Redentor é do Rio de Janeiro.

      Infelizmente, por motivos estruturais, este monumento não resistiu às forças da natureza e, em pouco tempo, veio abaixo e foi destruído! Hoje, só o vemos impresso na embalagem dos Dadinhos, aqueles chocolates com sabor de amendoim, que existem desde 1954. Aparece também na fachada de algumas casas que resistiram ao tempo. 

      Outra atração marcante foi a intensa chuva de prata, feita através de triângulos de papel metalizado que refletiam a luz criando um clima mágico. Após uma longa caminhada, maravilhados com a imensidão e beleza do novo parque, descansamos e fizemos um merecido piquenique no Ibirapuera.

      Conheça aqui a história da Aspiral, a estátua que desabou no parque

      Ouça o Conte Sua História de São Paulo

      José Carlos Vertematti é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Claudio Antonio. Seja você também uma personagem da nossa cidade. Escreva seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite o meu blog miltonjung.com.br ou ouça o podcast do Conte Sua História de São Paulo.